Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

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ANO:1808


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Corte chega ao Brasil

· Súplica de José de Abreu Campos, tanoeiro e juiz do povo, à Junta dos Três Estados (22 de Maio)

· Começo da Restauração, no Porto (6 de Junho)

· Convenção de Sintra. Retirada da primeira vaga das invasões francesas (30 de Agosto)

Ideias

· Borges Carneiro Preso em 1808, publica Pensamentos do juiz de fora de Vianna d’Alentejo..., 1808.´Manuel Fernandes Tomás Provedor da comarca de Coimbra de 1808 a 1810, quando é nomeado pelos ingleses intendente-geral de víveres do exército

· José Liberato Foi cónego regrante de Santo Agostinho até 1808 (José do Loreto), quando juntou ao nome de baptismo o nome de Liberato.

· Bentham Após o encontro com James Mill, funda a seita radical dos Benthamites.

 

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

INTERNACIONAL

· Janeiro

22 Corte portuguesa chega ao Brasil

27 Carta  régia abre os portos do Brasil a todas as nações amigas. Influência de José da Silva Lisboa

·

· Fevereiro

1 Junot cria um corregedor-mor em cada província, encarregado de dirigir todos os ramos da administração

- Um camponês português de 46 anos, Jacinto Correia, é fuzilado por ter morto com uma foice dois soldados franceses. Declara se todos fossem como eu não ficava nenhum francês vivo

·

· Maio

· 1 D. João rejeita tratados de 1801, nos quais se consagrava a perda de Olivença

· 22 Súplica de José de Abreu Campos, tanoeiro e juiz do povo, à Junta dos Três Estados

 

· 6 de Junho Revolta no Porto contra os franceses. Começa a Restauração

 

· Julho Wellesley entra em Portugal

 

· Agosto

17 e 21 A força expedicionária britânica, comandada por Arthur Wellesley, juntamente com forças portuguesas enfrentam os franceses nas batalhas da Roliça e Vimeiro.

30 Convenção de Sintra. Retirada da primeira vaga das invasões francesas

 

· Ainda em 1808...

- Terminava o período de El Rei Junot, que suspendeu a regência do reino, entre 1 de Fevereiro e 18 de Setembro.

- O primeiro banco português apenas foi criado em 1808 por D. João VI no Brasil, o Banco Público Nacional, depois dito Banco do Brasil.

 

 

 

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

Súplica à Junta dos Três Estados Em 22 de Maio de 1808, chegou à indignidade, pela voz do juiz do povo, o tanoeiro José Abreu de Campos e através de Junot, a solicitação a Napoleão de uma constituição e um rei constitucional que seja principe de sangue da vossa real família. Uma súplica redigida pelo médico maçónico dr. Gregório José de Seixas em colaboração com os lentes Simão de Cordes Brandão de Ataíde, Francisco Duarte Coelho e Ricardo Raimundo Nogueira. O humilhante documento, que terminava com um sugestivo Viva o Imperador, pedia uma constituição em tudo semelhante à que vossa magestade imperial e real houve por bem outorgar ao Grão-Ducado da Varsóvia, com a única diferença de que os representantes da nação sejam eleitos pelas camaras municipais, a fim de nos informarmos com os nossos antigos usos. Solicitava-se, além disso, que fosse o código de napoleão posto em vigor e que a organização pessoal da administração civil, fiscal e judicial seja conforme o sistema francës. Suplicava-se também que as nossas colónias, fundadas por nossos avós, e com seu sangue banhadas, sejam consideradas como províncias ou distritos, fazendo parte integrante do reino, para que seus representantes, desde já designados, achem em nossa organização social os lugares que lhes pertencem, logo que venham ou possam vir ocupá-los. O segundo grupo, por seu lado, elaborou um projecto de súplica, redigido pelo conde da Ega, onde se sugeria que o novo rei de Portugal pudesse ser o próprio Junot, à semelhança do que acontecera em Nápoles, invocando o facto da nossa dinastia afonsina ser de origem franca e dos franceses terem apoiado a restauração de 1640. O colaboracionismo com Junot abrangeu os principais sectores da sociedade, desde a Igreja à administração, não faltando a própria maçonaria. Mesmo um Mouzinho da Silveira, falava na vil canalha que, contra Junot, queria perturbar a bela ordem em que tudo se acha. Outro colaboracionista é José Sebastião Saldanha de Oliveira e Daun, o senhor de Pancas, que foi um dos portadores da súplica da Junta dos Três Estados que se pretendia entregar a Napoleão. Também José Joaquim Ferreira de Moura chegou então a traduzir o Código Civil de Napoleão. Houve até quem teorizasse, como Frei António de Santa Bárbara, em Desengano Proveitoso, apoiando a ocupação porque assim nos veríamos livres de um governo de estúpidos, sem energia, sem talento e sem patriotismo Aliás, Junot não se dispensou mesmo de criar a primeira polícia política científica, dirigida por Loison, surgindo, a partir de então o temor de ir para o Maneta, isto é, para a tortura do Loison. Quem vem a desempatar o processo é a revolta popular contra o ocupante, vinda da província, com o apoio do clero e da nobreza local, num processo que tem o seu ponto de partida em 6 de Junho de 1808 no Porto e que, depois se estende a vários outros pontos do reino. Um movimento que invocando o trono e o altar se assumiu como reaccionariamente libertador, passando a conciliar-se com os britânicos, aqui desembarcados a partir de Agosto do mesmo ano. Se o povo alinhava nesta restauração, com o fim da guerra sucederam as confusões, nomeadamente com as inevitáveis perseguições aos afrancesados, onde pagaram muitos justos como pecadores, nomeadamente os que colaboraram por ordens da própria Corte portuguesa.

Implementação do termo Reino Unido A partir de 1808, depois de oficializada a união com a Irlanda, a Inglaterra, ligada à Escócia e a País de Gales, sob a designação de Reino Unido da Grã-Bretanha passa a designar-se por Reino Unido. Constituído por England, Principality of Wales (2 798 000); união desde 1536; Scotland (4 957 000); união desde 1707; Ulster (1 570 000); união oficializada em 1800.

Restauração

Tudo se desencadeou no Porto, no dia 6 de Junho, por ocasião das festas religiosas realizadas na igreja de S. Domingos e invocando a Virgem Santíssima do Rosário, incendiando-se imeditamente quase todo o Norte, nomeadamente por ocasião da festa do Espírito Santo. Volta a agitar-se a revolta no Porto, no dia 16 de Junho, por ocasião da procissão do Corpo de Deus. Segue-se a revolta de Olhão no dia das festas de S. António, depressa propagada a todo o Algarve. Passa depois a Vila Viçosa e, em breve todo o país assistia a um levantamento popular contra a liberdade estrangeirada que nos havia invadido, invocando-se um libertacionismo quase biblíco (Sobre a matéria JOSé ACúRSIO DAS NEVES, História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da Restauração deste Reino, in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, vols. 1 e 2, Porto, Edições Afrontamento). E é no Porto que passa a constituir-se uma Junta Provisional do Supremo Governo, presidida pelo próprio bispo, D. António de S. José e Castro, com o apoio das tropas que haviam sido expedidas para jugular a revolta. Destaca-se também a acção em Vila Real, do conde de Amarante, o general Francisco da Silveira Pinto da Fonseca, enquanto no Algarve se salienta uma Sociedade Patriótica, dirigida pelo capitão Sebastião Brito Cabreira. Depressa esta revolta foi comandada ideologicamente pelo clero, em nome do altar e do trono, zurzindo na Revolução Francesa, criando-se um estado de coisas que apenas veio a ser confirmado pelo desembarque na costa de Lavos da expedição de 10 000 ingleses, comandanda por Wellesley. Por outras palavras, nesse ano de 1908, enquanto os ideais da liberdade nos chegavam da ocupação militar, os ideais reaccionários assumiam um sentido efectivamente libertador. Aliás, conforme nos narra José Acúrsio das Neves, resurgiram na altura alguns sebastianistas que viam sinais em ovos e passaram a olhar o mar tentando divisar uma iha encoberta donde viria o libertador. Certo dia, Junot, encontrando em Lisboa um multidão a olhar o mar, chegou a perguntar-lhes se esperavam por D. Sebastião ou pelos ingleses. José Acúrsio comenta que essas quimeras e opiniões extravagantes mostravam ódio aos usurpadores, salientando que tais mansos cordeiros podiam, à força de oprimidos, tornar-se leões selvagens (p. 381). Com efeito, a selvajaria revoltosa que se seguiu, contra o Maneta e outros opressores e colaboracionistas fez ressurgir alguns ódios antigos, sendo sintomático o caso de Vila Nova de Foz Coa, onde a multidão enfurecida gritando contra os franceses, depressa ambém gritou contra os judeus, atacando indiscriminadamente os comerciantes que julgavam descendentes dos cristãos novos. Segue-se a protecção inglesa com as vitórias de Roliça (17 de Agosto) e Vimeiro (21 de Agosto), permitindo a retirada do ocupante, nos termos da Convenção de Sintra de 2 de Outubro. Novo Conselho de Regência se estabelece imediatamente, integrado pelo bispo do Porto, depois patriarca de Lisboa, pelo conde de Castro Marim, futuro Marquês de Olhão, pelo marquês de Minas e por D. Miguel Pereira Forjaz. A partir de então desencadeia-se um processo de punição dos colaboracionistas, onde não faltam cenas de justiça popular que as autoridades pretendem controlar. O processo atinge momentos de delírio, tanto em Janeiro de 1809, como durante a própria Semana Santa, em Março. Entre Março e Maio de 1809, novo processo invasor, que apenas penetra do Minho até ao Porto, sob o comando de Soult. Em 6 de Julho de 1809, a regência é reduzida para três membros e Arthur Wellesley, passa a ter direito a assitir às reuniões. Os emigrados portugueses e as suas gazetas, principalmente o Correio Brasiliense e o Investigador Portuguez em Inglaterra, apoiados pelos liberais locais, lançam uma campanha de defesa destes elementos em toda a Europa, onde a solidariedade maçónica vai recriar uma lenda negra do reccionarismo português. Em Maio de 1810, nova remodelação, com o conde de Castro Marim, o conde de Redondo, o principal Sousa, Ricardo Raimundo Nogueira e o patriarca de Lisboa, tendo direito à assistir às reuniões o plenipotenciário inglês Charles Stuart que, pouco depois abdica em Beresford. Mas no Verão de 1810, já são 80 000 homens que nos invadem, sob o comando de Massena, a partir de Almeida, onde se integram vários portugueses, como os marqueses de Alorna e de Loulé, os condes do Sabugal e de S. Miguel, ou o então brigadeiro Manuel Inácio Martins Pamplona. Derrotados no Buçaco e nas Linhas de Torres, são, entretanto, obrigados a começar a retirar em Março de 1811, numa operação que vai durar até Outubro. A reacção das novas autoridades contra os colaboracionistas, abrangendo afrancesados, jacobinos e maçons, vai atingir o auge de 10 a 13 de Setembro de 1810, com prisões e deportações, num processo dito da setembrizada que atinge personalidades como Jácome Ratton, José Sebastião de Saldanha, Domingos Vandelli, José Vicente Ferreira Cardoso da Costa, e Manuel Ferreira Gordo, apesar dos protestos de Wellington. Com o findar da guerra em 1811, grupos de emigrados portugueses em Londres iniciam através de inúmeros periódicos, uma ampla campanha de propaganda liberalista que vai consolidar uma forte corrente de opinião. Assim, já em 1813 o escritor e panfletário absolutista José Agostinho de Macedo se lamenta que ninguém lê mais do que gazetas, nem quer ler mais do que gazetas. Com efeito, desde os finais do seculo XVIII, que parte importante da inteligentzia iluminista portuguesa encontrara refúgio na Grã Bretanha, quer como lugar de estudo quer como terra de exílio, daí fazendo janela aberta para as luzes da política. Conforme as palavras de Vitorino Nemésio, foi um movimento vagaroso, mas contínuo, de refugiados nossos, ali. A sementeira da Enciclopédia e da Revolução Francesa gerara dissidentes numerosos, muitos dos quais, marcados pela suspeição oficial. tomavam forçadamente como simples precaução a via-sacra do desterro (VITORINO NEMéSIO, A Mocidade de Herculano (1810-1832), Amadora, Bertrand, 1979, II. A Experiência do Exílio, pp. 18 ss ). Foi o caso de Leonor de Almeida, Alcipe, a marquesa de Alorna, então condessa de Oeynhausen, irmã de um general de Bonaparte; do Abade Correia da Serra, fugido de Portugal por ter escondido na Academia o girondino e naturalista Broussonet, bem como de Silvestre Pinheiro Ferreira, em 1797, e de Francisco Solano Constâncio, que frequentou medicina em Edimburgo. O convívio com os oficiais britânicos de Wellington e de Beresford, depois das invasões francesas, vai facilitar essas relações. Mas é a partir da Vilafrancada (1823) e do regresso de D. Miguel (1828) que se estrutura uma autêntica emigração política. Continuando a seguir Vitorino Nemésio, saliente-se que, se até 1823, a emigração portuguesa em Inglaterra está reduzida a um núcleo de protestários contra a sociedade velha, mais ideólogos do que díscolos, e menos díscolos do que avessos ao fácil compromisso em que se vegetava por cá, eis que a Vilafrancada precipita em Londres o primeiro grupo de liberais já baptizados para a luta - não já os vagos jacobinos ou ajacobinados dos últimos anos lúcidos dde D. maria I e do go Governo do príncipe regente, mas os coriféus do vintismo, e até moderados ao gosto de Palmela(id. P. 39). é então que chegam Almeida Garrett, logo editor de O Chaveco Liberal, bem como Silva Carvalho, Ferreira Borges e Agostinho José Freire. Uma terceira leva chega a partir de Setembro de 1828, depois da Belfastada. Não é, pois de estranhar, que até 1832 se possam recensear cerca de trinta e dois periódicos portugueses editados além do canal da Mancha, dos quais importa destacar : Mercúrio Britânico (1798-1800); Campeão Português ou o Amigo do Rei e do Povo (1819-1821); Correio Braziliense (1808-1822), do maçon Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (1774-1823); O Investigador Português em Inglaterra (1811-1819), fundado por Bernardo José de Abrantes e Castro bem como por Pedro Nolasco da Cunha e dirigido por José Liberato Freire de Carvalho, O Espelho Político e Moral (1813-1814), O Campeão Português (1819-1821), também dirigido por José Liberato; O Padre Amaro (1820-1826); O Portuguez, de João Bernardo da Rocha Loureiro (1778-1853) (e SILVA DIAS, op. cit., Vol. I, Tomo I, p. 576. Para um inventário destes periódicos, ISABEL NOBRE VARGUES, O processo de formação do primeiro movimento liberal: a Revolução de 1820, pp. 45 ss. ). Logo que a Corte se instalou no Brasil, voltou a constituir-se governo dominado pelo partido inglês. D. Rodrigo de Sousa Coutinho voltou a assumir as pastas da guerra e dos estrangeiros; o visconde de Anadia ficou a marinha e a D. Fernando de Portugal, futuro marquês de Aguiar, coube a assistência ao despacho, em acumulação com o reino e a fazenda. Ali se criam imediatamente o Conselho de Estado, a Mesa de Consciência e Ordens, o Conselho da Fazenda, a Junta do Comércio, a Intendência Geral da Polícia, o Desembargo do Paço, a Casa da Suplicação. O reino reproduzia-se no novo reino e em breve já éramos dois reino com o nome de Reino Unido. Expandimo-nos para a Guiana francesa e para a margem oriental do Rio da Prata, possessão espanhola. Tratado de 1810 com a Inglaterra abre os portos do Brasil ao comércio britânico. Criou-se o Banco do Brasil. Surgiu o plano de instrução delineado por Francisco Borja de Garção Stockler. Morte de D. Maria I em 1816, então com 82 anos. Duas revoltas liberais. Lisboa, com Gomes Freire, em 1817. No mesmo ano, a revolta do Pernambuco. Segue-se o governo de D. Rodrigo de Sousa Coutinho e depois o governo do Conde de Arcos (anti-britânico) e de Tomás António Vila Nova Portugal (artido inglês). Palmela nomeado para os estrangeiros, ficou na Europa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

Observações sobre o Comércio Franco no Brasil

Boaventura,

Frei Fortunato de São

Minerva Lusitana, (1808-1809)

Fourier, Charles

Théorie des Quatre Mouvements et des Destinées Générales

José da Silva Lisboa

Principios de Direito Mercantil e Leis da Marinha

Lamennais, Felicité Robert

Refléxions sur l’état de l’église

Mendonça,

Hipólito Furtado de

Correio Braziliense ou Armazem Literario, 28 vols., Londres, 1808-1821.

Surge em Inglaterra

Neves, José Acúrsio das

Manifesto da Razão contra as Usurpações Francesas. Oferecido à Nação Portuguesa, aos Soberanos e aos Povos

Neves, José Acúrsio das

O Despertador dos Soberanos e dos Povos. Oferecido à Humanidade

Peniz, José Inácio da Rocha

Da Influencia do Foro sobre a Felicidade Publica.

Oração Inaugural Recitada a 12 de Outubro de 1807

Schlegel

Uber Sprache und Weisheit der Indier

Turgot

éloge de Vincent Gournay

V - PERSONALIDADES DO ANO

Aguiar, marquês de (1752-1817) D. Fernando José de Portugal e Castro. Vice-rei do Brasil e ministro de D. João VI.

· Formado em direito.

· Governador da Baía e vice-rei do Brasil, de 1804 a 1806.

· Ministro do reino e da fazenda, assistente ao despacho, desde 10 de Março de 1808, quando a Corte se instala no Rio de Janeiro.

Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa, Rodrigo de Sousa (1745-1812) Rodrigo de Sousa Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa. 1º Conde de Linhares. Irmão de D. Domingos de Sousa Coutinho. Embaixador em Turim até 1 de Agosto de 1797, quando foi nomeado ministro da marinha e do ultramar. Elabora, cerca de 1798, um Projecto de Carta de lei sobre as Reformas na Agricultura. Ministro da fazenda no governo do duque de Lafões (1799-1802). Ordena o recenseamento geral da população em 1801-1802. Adepto da aliança com a Inglaterra. Ministro da guerra e dos negócios estrangeiros desde 10 de Março de 1808, quando a Corte se instala no Rio de Janeiro, a 29 de Janeiro de 1812, data do seu falecimento. Considerado pró-britânico. Será substituído pelo 5º conde de Galveias. Sócio da Academia das Cências.

Schlegel, Friedrich Von (1772-1829) Irmão de August-Wilhelm Schlegel, com quem lança, em Berlim, a revista Athenaeum, de 1798-1800. Passa por Jena em 1796, onde contacta com Fichte, e por Berlim, em 1797, onde se relaciona com Schleiermacher e Novalis. Vive em Paris entre 1802 e 1804. Aqui contacta com a obra do nosso Camões, que traduz, e dedica-se a estudos sobre o orientalismo. Estaciona em Colónia a partir de 1808, onde se converte ao catolicismo. Nesse mesmo ano publica em Paris no ano de 1808 Uber Sprache und Weisheit der Indier. Instala-se em Viena a partir de 1809, onde se torna num dos mais marcantes intelectuais católicos. Entra ao serviço do governo austríaco e chega a participar no Congresso de Viena de 1815. Defende, contudo, a independência da Igreja face ao Estado, ao contrário da proposta dos ultras franceses, que propunham a aliança do trono e do Altar. Chega a ser condecorado pelo Papa. No plano das propostas políticas, defende que a representação não deve vir da eleição e assume-se como contrário à separação entre o poder executivo e o poder legislativo. Considera que há um processo evolutivo do político que passa pelo despotischer Antistaat e pelo Quasistaat antes de se atingir o Staat, identificado como o idela de Estado. Um dos principais representantes do romantismo político alemão. Define o romantismo como um desejo revolucionário de realizar o reino de Deus. Defende aquilo que qualifica como um pensar divinatório, considerando que é preciso que exista uma nova mitologia, mas ela deve estar ao serviço das ideias, deve tornar-se numa mitologia da razão.

1796 Uber den Begriff des Republikanismus

Peniz, José Inácio da Rocha (1750-1810). Lente de direito.

& Da Influencia do Foro sobre a Felicidade Publica. Oração Inaugural Recitada a 12 de Outubro de 1807

Coimbra, Real Imprensa da Universidade, 1808.

Neves, José Acúrsio das (1766-1834) Formado em leis, foi juiz em Angra até 1807. Membro da Junta do Comércio desde 1810, será saneado pelo vintismo. Procurador às cortes de 1828, será destacada figura do miguelismo. Morto em 6 de Maio de 1834. Contra-Revolução consensualista,131,907 Se uma certa costela vintista procura retomar o consensualismo pré-absolutista, o facto é que entre os adversários do liberalismo também se encontram desenvolvimentos provindos da mesma raiz doutrinária. é o caso do miguelista José Acúrsio das Neves Ele revolta-se contra os vintistas porque "em lugar de seguirem o caminho trilhado pela experiência ,tomaram pelos espaços aéreos da abstracção, para subverterem tudo com as suas vãs teorias ,e tão vãs ,que fazem lembrar os engenhosos pensamentos do autor da história de Gulliver sobre o governo da Lapúcia". Para ele "todos falam em pátria; porém uns para a salvarem, como Catão; outros para lhe lançarem novos ferros, como César, quando passava o Rubicão, dizendo que ia vingá-la, ou como Sylla, e os triúnviros quando em nome dela proscreviam os cidadãos mais respeitáveis da República". Preocupa-se, contudo, com o facto do poder tender para o despotismo: "os governantes tendem sempre a aumentar, concentrar o seu poder; e daqui vem que o Governo democrático propende para o aristocrático, o aristocrático para o oligárquico, este para o monárquico, e finalmente para o despótico". Refere em seguida o despotismo como "o governo que para se manter, for obrigado a substituir a força física à força moral, onde o amor dos povos...não for o laço de união entre os governantes e os governados". E isto porque "segundo os publicistas é aquela monstruosa espécie de Governo, onde um só, sem lei e sem regra ,move tudo pela sua vontade...é todo aquele que não reconhece outro princípio senão a vontade de quem governa, ou seja um só, ou sejam muitos, porque o distintivo consiste na natureza do mesmo Governo, e não no número das pessoas que o exercitam". No despotismo "tudo se prostitui a quem governa ;não há emulação" e "não se querem para os empregos senão homens servis e aduladores". Considera que a política tem de ser limitada pela moral:" que é a política ,quando não tem por fundamento a ciência dos costumes? Porque os legisladores ,e principalmente os modernos têm separado uma da outra, é que os povos são agitados pelas comoções mais violentas". Acontece também , por via disso, que "a razão anda sempre em guerra com a opinião, e em seus combates ...é sempre condenada à morte". O problema está em que "o triunfo das ideias falsas, e por consequência o das falsas opiniões públicas não tem mais duração, que a do engano ou da violência que as sustenta".

· Manifesto da Razão contra as Usurpações Francesas. Oferecido à Nação Portuguesa, aos Soberanos e aos Povos

(Lisboa, 1808) (cfr. Obras Completas, 5, pp. 7 segs.).

& O Despertador dos Soberanos e dos Povos. Oferecido à Humanidade

Lisboa, 1808 - 1809) (cfr. Obras Completas, 5, pp. 45 segs.).

& A Salvação da Pátria. Proclamação aos Portugueses sobre a sua Honra e o seu Dever nas actuais circunstâncias da Monarquia

Lisboa, 1809) (cfr. Obras Completas, 5, pp. 135 segs.).

· Obras Completas de José Acúrsio das Neves

Com estudos introdutórios de António Almodovar e Armando Castro, Porto, Edições Afrontamento: vols. 1 e 2 - História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da Restauração deste Reino; vol. 3 - Variedades sobre vários Objectos relativos às Artes, Comércio e Manufacturas, consideradas segundo os Princípios da Economia Política; vol. 4 - Memória Económica-Política sobre a Liberdade do Comércio dos Grãos com a sua Aplicação às Ilhas dos Açores e Outros Escritos Económicos; vol. 5 - Escritos Patrióticos.

Lisboa, José da Silva (1756-1835) Barão e Visconde de Cairu. Influencia D. João VI no sentido da abertura dos portos do Brasil. Liberal, apoia a independência brasileira, destacando-se como deputado apoiante de D. Pedro.

& Princípios de Economia Política

Lisboa, Imprensa Regia, 1807.

& Princípios de Direito Mercantil e Leis da Marinha

Lisboa, 1808.

& Extracto das Obras Políticas e Económicas de Edmund Burke

Rio de Janeiro, 1812, 2 vols..

& Memória dos Benefícios Políticos do Governo de El-Rey Nosso Senhor D. João VI

Rio de Janeiro, 1818.

VI - LIVROS DO ANO

& éloge de Vincent Gournay, 1808 Obra de Turgot apenas publicada em 1808 por Dupont de Nemours. Um das obras de um autor que faz parte do mito fundador do liberalismo francês. Aí proclama que onde o interesse dos particulares for precisamente o mesmo que o interesse geral, o que pode fazer-se de melhor é deixar cada homem livre para fazer o que quiser. Ora, é impossível que no comércio deixado em si mesmo o interesse particular não contribua para o interesse geral

 

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

AMES, Fisher (1758-1808)

BLUNTSCHLI, Johann Kaspar (1808-1881)

Considerant, Victor Prosper (1808-1893)

Manning, Cardeal Henri-Edward (1808-1892)

Martins, D. António Alves 1808-1882

NAPOLEãO III (1808-1873) Charles Louis Napoléon Bonaparte

Strauss, David Friedrich (1808-1874)


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