Lassalle,
Ferdinand
(1825-1864)
Socialista
alemão, de origens judaicas. Nasce em Breslau, de uma família rica. Estuda
filosofia em Berlim, sendo influenciado por Hegel, Fichte e, sobretudo, por
Ricardo. Instala-se em Paris a partir de 1845. Destaca-se, não como teórico,
mas como propagandista e agitador. Preso logo em 1848, por participar nos
movimentos revolucionários. Relaciona-se com Marx a partir de 1849. Considerado
por este como um ambicioso e um presunçoso, como um negro judeu. Via-se
como uma espécie de potencial ditador social: eu sou o servo e o
senhor de uma ideia, o sacerdote de um deus que sou eu mesmo. Fiz de mim um
actor e um artista plástico e todo o meu ser é uma manifestação da minha
vontade só se expressando conforme for a minha vontade. O tremor na minha voz,
o brilho dos meus olhos, tudo isso deve representar aquilo que dita a minha
vontade. Defende a unificação alemã logo em 1859. Edita em 1863-1864 uma
série de pequenas brochuras, onde defende a lei
de bronze (ehernes Gesetz) dos salários.
Advoga então o modelo britânico da formação de cooperativas operárias de
produção com o apoio do Estado. Funda em 1863 a Associação Geral dos
Trabalhadores Alemã es (Allgemeiner
deutscher Arbeitervereiner). Considera que, pelo sufrágio universal, o
Estado pode passar a reflectir os interesses dos trabalhadores, pelo defende a
instituição de cooperativas de produção com apoios financeiros públicos.
Morre em duelo, por uma questão passional em Agosto de 1864. Como provou em
1927, chegou a entrar em negociações directas com Bismarck, para uma aliança
visando o combate ao centro. De qualquer maneira, a sua fulgurante actividade
política lançou as bases da organização política dos trabalhadores alemã es.
Considera que
a constituição de um país nada mais é do que "um conjunto de relações
de facto entre poderes". Porque "um rei a que obedece um exército
com canhões, eis aí um bom pedaço de Constituição!...Uma nobreza possuidora
de influência sobre o Rei e a Cô rte, eis aí um bom pedaço de Constituição...Os
senhores Borsig e Egels,ou seja,os grandes industriais,eis aí um pedaço de
Constituição...Os banqueiros Mendelsohn,Schickler, ou, de um modo geral,
a bolsa...Eis aí também um bom pedaço de Constituição"
·A
Guerra de Itália e a Missão da Prússia1859. ·Das System der erworbenen Rechte (O Sistema dos Direitos Adquiridos, 1861). ·Uber Verfassungswesen (1862) (cfr. trad. cast. Qué es una Constitución?, Barcelona, Ediciones Ariel, 1976; trad. port. de Walter Stonner, Porto Alegre, Ed. Vila Martha, 1980). 4Amaral, Diogo Freitas, Ciência Política, III, pp. 96 segs..4Gettell, Raymond G., História das Ideias Políticas, trad. port., Lisboa, 1936, pp. 44 segs..4Halévy, Élie, História do Socialismo Europeu, trad. port. de Maria Luísa C. Maia, Amadora, Livraria Bertrand, 1975, pp. 171 segs..4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, p. 93.4Theimer, Walter, História das Ideias Políticas, trad. port., pp. 370 segs.. |