Easton,
David n.
1917
Canadiano,
nascido em Toronto. Doutorado em Harvard. Professor na Universidade de Chicago
desde 1947.
Autoridade
na distribuição dos valores
Considera que a
vida política consiste em acções relacionadas com a autoridade na distribuição
dos valores (the political life consists
of those actions related to the authoritative allocation of values) e o
sistema político aparece como um complexo de actividades, dotado de autonomia (a
system of interrelated activities influence the way in which authoritative
decisions are formulated and executed for a society).
Observa que a luta pelo poder não
descreve o fenómeno essencial da vida política; ela refere-se apenas a um
aspecto relativamente importante, mas que permanece, apesar de tudo secundário,
concluindo que o poder é apenas uma das
variáveis significativas. Tendo apenas isto em atenção, omite-se uma dimensão
também muito importante da vida política, isto é, a sua orientação
relativamente a outros fins para além do poder. A vida política não consiste
apenas numa luta pelo poder.
Autonomia
do sistema político
Procura a
autonomia do sistema político a partir da ideia de comunicação,
entendida como o processo de converter a informação
em poder. O sistema político é
compreendido como um sistema de distribuição autoritária de valores, como um
conjunto de interacções pelas quais
se efectua a distribuição (allocation)
autoritária (authoritative) de
valores para uma sociedade. A vida política aparece como a
complex set of a process through which certain kinds of inputs are converted
into the type of outputs we may call authoritative policies, decisions and
implementing actions. E seria este processo funcional
da distribuição ou atribuição de valores, isto é, de objectos pelo mesmo
sistema valorizados, distribuição marcada pela autoridade, pela
imperatividade, que constituiria o traço distintivo do sistema político. Com
esta perspectiva sistémica, a ciência política volta assim a ganhar autonomia
face à sociologia e, pela via funcionalista, regressam temas fundamentais como
os dos valores e e da autoridade. Da mesma forma, se considera que a vida política tem a
ver com a unidade mais inclusiva, não
podendo confundir-se com outros sistemas
parapolíticos. Na linha do behaviorismo e de Parsons, coloca como noção
fulcral da respectiva análise a ideia de ambiente (environment), considerando que o sistema político é um sistema de
comportamentos incluído num dado ambiente,
um sistema que é influenciado pelo ambiente onde se insere, mas que também responde
ou reage a esse ambiente.
Ambiente
Existiria tanto
um intra-societal environment, um
ambiente interior, como um extra-societal
environment, um ambiente exterior. O ambiente interior seria o da sociedade
global, entendida como a soma do sistema político propriamente dito como o
dos sistemas não políticos, mas situados dentro do ciírculo da sociedade
global, como o sistema ecológico, o sistema biológico, o sistema psicológico
(personality system) e os sistemas
sociais, incluindo nestes últimos, o sistema cultural, a estrutura social,
sistema económico, o sistema demográfico e outros subsistemas. O ambiente
exterior seria o ambiente que cerca a sociedade global, enumerando Easton três
elementos deste ambiente: international political systems,
international ecological systems e international social systems. O ambiente
total do sistema político seria assim a soma do ambiente interior com o
ambiente exterior.
Caixa
negra
Já o sistema
político propriamente dito funcionaria como uma caixa negra produtora de decisões
e de acções (outputs), que teria
como entradas, como inputs, tanto as
exigências (demands) como os apoios (support).
Aqui, Easton, na linha de Parsons, sofre as influências das teses de Wassily
Leontief, anterior Prémio Nobel da Economia, que havia desenvolvido a análise
sistémica dos inputs-outputs,
perspectivando o sistema como algo de complexo que está em fluxo constante, em
perpétuo movimento, dado que o output
vai influenciar o input.
Inputs
O apoio
traduz-se na disposição de um actor A relativamente a B, quando A actua em
favor de B ou quando se orienta favoravelmente face a B, podendo B ser uma
pessoa, um grupo, um fim, uma ideia ou uma instituição.
Já a exigência é definida como a
expressão da opinião que uma atribuição dotada de autorida, respeitante a um
domínio particular, deve ou não ser feita pelos que para tal são encarregados.
Outputs
Os outputs
constituiriam a distribuição autoritária de valores, pelos quais um
sistema político diminuiria o peso das exigências que lhe são dirigidas ou
maximizaria os apoios de que dispõe.
Retroacção
Dentro da caixa
negra do sistema, far-se-ia a retroacção da informação, a conversão das demands
em outputs, através das chamadas autoridades. Pela retroacção um
sistema político pode assim ajustar a sua actividade tendo em conta os
resultados da sua actividade passada. Ela aparece como um conjunto de processos
que permite ao sistema controlar e regularizar as perturbações que se façam
sentir.
Revolução
pós-behaviorista
Em 1969, vem
falar na necessidade de uma postbehavioral
revolution nos domínios da ciência política, onde fosse possível
conciliar os métodos quantitativos e o apelo aos factos da revolução
comportamentalista, com os dados qualitativos da teoria política e os valores,
uma revolução que não seria rejeição do contributo behaviorista para o
alargamento da base cogniscitiva da ciência política, mas que teria de aliar,
a tais métodos quantitativos, o qualificativo
de uma teoria geral própria.
·The Political System. An Inquiry
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·Varieties of Political Theory
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·Children in the Political System.
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·The Globalization of Political
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·The Development of Political
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Londres, Routledge & Kegan Paul, 1991. Com John Gunnel e Luigi Graziani.
·The Analysis of Political Structure
Londres, Routledge & Kegan Paul, 1990.
·Regime and Discipline. Democracy and
the Development of Political Science
Ann Arbor, University of Michigan Press, 1995. Com John G. Gunnel e Michael B. Stein, eds.
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