Pompidou,
Georges Jean Raymond (1911-1974)
Presidente
da República Francesa entre 1969 e 1974. Professor de Letras, foi colaborador
íntimo de Charles De Gaulle desde os anos quarenta, acabando por suceder-lhe em
1969. Responsável pela integração dos centristas no gaullismo, foi responsável
pelo europeísmo francês que acabou
com o veto à integração do UK na CEE, em Maio de 1971.
A
partir de 1969, a Europa vai entrar na era pós-gaullista. Com efeito, o
sucessor do General, e seu antigo Primeiro-Ministro, Georges Pompidou, ao ter
que enfrentar nas eleições presidenciais o democrata-cristão Alain Poher,
antigo colaborador de Schuman, foi obrigado a várias cedências europeístas,
para poder contar com o apoio de várias correntes pouco dadas ao sentido de
risco do gaullismo puro e duro. Assim, o respectivo governo, presidido por
Chaban Delmas, com Giscard d'Estaing nas Finanças, e o velho René Pleven, na
Justiça, depressa mostra um novo sinal quanto à construção europeia,
principalmente no tocante à questão do alargamento.Depois da derrota no
referendo sobre a regionalização e a reforma do Senado, ocorrido em 27 de Março
de 1969, de Gaulle retirou-se do poder em 28 de Abril, sendo interinamente
substituído por Alain Poher. O anúncio do referendo foi feito em 2 de
Fevereiro e, contra as propostas de de Gaulle, ergueram-se os comunistas, os
socialistas, os centristas de Lecanuet e as centrais sindicais.O seu sucessor,
Georges Pompidou, foi eleito em 15 de Junho, com 44,6%, contra 23,3% de Alain
Poher, enquanto o comunista Jacques Duclos obteve 21,27%. O novo governo,
presidido por Chaban-Delmas, entrou em funcionamento em 21 de Junho, até Julho
de 1972.Importantes alterações de liderança política também vão ocorrer na
RFA. Outras ocorrências em termos de política doméstica marcavam os vários
Estados europeus ocidentais, desde os tumultos no Ulster ao
scândalo Matesa em Espanha (Agosto), en quanto em Itália surgia um novo
governo, sob a residência de Mariano Rumor, apenas com ministros da DCI (5 de
Agosto). Também na Suécia Olof Palme assumia a chefia do governo sueco, após
vinte e três anos de governo Tage Erlander
(9 de Outubro). Finalmente, a Grécia era expulsa
do Conselho da Europa (Dezembro)Como salienta Charles Zorgbige, passa a
existir uma espécie de gaullismo europeu.
Aqueles atributos que De Gaulle dava à França, como que se elevam à própria
Europa que, para muitos, passa a ser entendida como a necessária terceira força,
entre Moscovo e Washington. Surge assim um novo europeísmo, pós-atlantista,
essa vontade de tornar a Europa independente do federador activo norte-americano
e do federador passivo soviético. Como irá dizer Michel Jobert, em 1974, não poderá querer-se uma Europa independente e jurar que os Estados não
abandonarão nenhuma das suas prerrogativas Pompidou, logo em 22 de Maio de
1969, aponta a necessidade de uma cimeira, proposta que retoma na conferência
de imprensa de 10 de Julho, onde desenvolve os principais tópicos da nova política
europeia da França: considera como prioridade
das respectivas preocupações não
prolongar o período provisório do Mercado Comum, que expirava no final desse
ano, e defende o lançamento de novas políticas comuns, referindo
os domínios técnicos e científicos,
nomeadamente a energia, os transportes, o
direito das sociedades e a
política financeira e monetária. Não deixa mesmo de referir o
alargamento, declarando expressamente: não
temos ... objecção de princípio à eventual adesão da Grã -Bretanha...mas
pensamos que convém primeiro que os Seis ... se ponham de acordo sobre as condições
desta adesão e sobre as consequências que ela poderá ter sobre o futuro e a
própria natureza da Comunidade. O lema que então defende é o da Europa das realidades. Logo nesse mês, a conferência dos ministros
das finanças, do dia 17, chega a acordo sobre o Plano Barre de cooperação monetária, a que se segue a instauração
do sistema dos montantes compensatórios para as trocas de produtos agrícolas,
em 12 de Agosto. Uma situação facilitada pela desvalorização do franco, em
18,5%, no dia 8 de Agosto, por impulso do ministro Giscard d'Estaing, contra
anteriores posições assumidas por de Gaulle. A partir de então entram em acção
os montantes compensatórios monetários em matéria de trocas agrícolas.
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