Weil,
Simone (1909-1943)
Judia
francesa, educada agnosticamente. Aluna de Alain. Professora de filosofia no
liceu. Decide em 1934 assumir a condição de operária e, como militante
trotskista, chega a participar na guerra de Espanha. Expulsa do ensino em 1942.
Trabalha em Londres na resistência. Numa primeira fase assume uma vertente
racionalista, influenciada por Descartes, Espinosa, Rousseau e Kant. A partir de
1937 torna-se numa escritora mística, aproximando-se do cristianismo, apesar de
nunca se ter convertido.
Os
escritos de Simone Weil reflectem uma luminosidade neoclássica.
Considera que importa conceber
claramente os problemas insolúveis na sua insolubilidade e depois contemplá-los
sem mais, fixamente, incansavelmente, durante anos, sem nenhuma esperança -
aguardando. Neste sentido, na linha de Nicolau de Cusa, considera que a
suprema sabedoria é a douta ignorância,
porque acreditar naquilo que não podemos
apreender é mais real que aquilo que nós podemos apreender. No plano político,
concebe, como Platão, que a polis melhor
é um puro símbolo que representa a alma. Salienta que o consentimento mútuo
apenas pode suceder quando há igualdade, quando, dos dois lados, há força
igual, dizendo que liberdade é a
possibilidade real de prestar consentimento. A ciência é algo que tem
por objecto o estudo e a reconstrução técnica da ordem do mundo, que
reconstruímos a imagem da ordem do mundo a
partir de dados limitados.
·Refléxions
sur les Causes de la Liberté et de l’Opression
[1ª ed., 1934], Albert Camus, pref., Paris, Éditions Gallimard, 1955 [trad. port. Opressão e Liberdade, Lisboa, Moraes Editores, 1964]. ·L'Enracinement 1949. |