Laski, Harold Joseph (1893-1950)

  >Um dos principais politólogos britânicos do século XX. Nasce em Manchester. Estuda em Oxford. 

>Começa a carreira docente, como professor de história, no Canada, na McGill University, de Montreal, entre 1914 e 1916. 

>Passa para Harvard, de 1916 a 1920, período em que escreve Authority in the Modern State (1919) e The Foundations of Sovereignty, and Other Essays (1921), obras onde combate a perspectiva da omnipotência do Estado soberano, em nome do pluralismo político. 

>Professor na London School of Economics desde 1920. Assume a cátedra de Political Science de 1926 a 1950.

>Membro do partido trabalhista desde 1923, destaca-se como editorialista do Daily Herald, quando se aproxima de algumas análises marxistas.

>Durante a Segunda Guerra Mundial é adjunto de Clement Attlee, quando este exerce as funções de Vice-Primeiro Ministro. 

Do pluralismo ao intervencionismo
Em Grammar of Politics (1925), muda parte da perspectiva pluralista anterior, considerando o Estado como "the fundamental instrument of society." 

Chega a aproximar-se de algumas análises marxistas nos anos trinta, quando tenta interpretar a crise da democracia, na sequência da Grande Depressão. Em The State in Theory and Practice (1935), The Rise of European Liberalism: An Essay in Interpretation (1936), and Parliamentary Government in England: A Commentary (1938), considera que a crise económica do sistema capitalista pode levar à destruição da democracia política, salientando que o socialismo constituiria a única alternativa face à ameaça do fascismo.  

Durante a Guerra escreve Reflections on the Revolution of Our Time (1943) e Faith, Reason, and Civilization: An Essay in Historical Analysis (1944), onde clama por reformas económicas.

A ideia de ciência política
Defende a ciência política como disciplina intelectual independente, onde o problema central é o problema da autoridade e da liberdade, na relação entre a vida do homem e o Estado organizado, onde há problemas de Staatslehre e de Politik. 

A política como filosofia da história
Salienta que uma verdadeira política é acima de tudo uma filosofia da história. Crítico da soberania do Estado, considera que o poder somente é válido quando recebe, daqueles que lhe estão sujeitos a sua livre anuência à autoridade que procura exercer."O Estado Moderno não é, nem pela forma nem pela substância, coisa permanente ou eterna, mas muito simplesmente um momento no tempo histórico, nascido das necessidades especiais desse mesmo tempo histórico e destinado a transformar-se quando deixe de satisfazê -las ou quando já não existam""o Estado é órgão pelo qual o governo regista o facto de que determinadas petições conseguiram o direito efectivo de serem satisfeitas: o que equivale a declarar que, por detrás dessas petições, se vislumbra o poder coercitivo da sociedade mas , naturalmente, o estado é simplesmente a forma que assume esse registo, o qual, a priori, não tem forçosamente que adoptar qualquer forma determinada, desde que isto depende do carácter da organização social e da época em que certas exigências efectivas buscam ser satisfeitas".E isto porque "uma instituição não poderá ser seriamente obedecida só porque constitui o ponto mais elevado duma série, quando esta mesma série é somente uma construção lógica"

"Uma teoria jurídica que não começa por estabelecer a finalidade da lei nunca pode explicar a causa da sua pretensão à obediência, sem a garantia da qual parece inútil a criação de normas"

"o Estado Moderno é um Estado soberano", eis que "daqui deriva que ninguém se pode opô r à sua vontade" e "para julgar os seus actos, a História tem usado um código moral diferente do que é aplicado para julgar as acções do indivíduo e esse código é manifestamente inferior sob o ponto de vista moral"

o nacionalismo é uma concepção subjectiva que escapa a qualquer definição concebida em termos científicos.

.Para ele "o facto da existência de uma nação não basta , pois, para investir de todas as prerrogativas de um Estado soberano ... pela sua própria natureza, o poder só pode ser exercido condicionalmente aqueles que o exercem só podem actuar a seu bel-prazer quando o fazem de forma a que os seus objectivos e os métodos que empregam para os atingir recebem a aceitação daqueles sobre quem o poder se exerce"(

"o nosso sistema actual foi construído por homens como Bodin, Hobbes, Hegel, numa época em que os hinterlands entre os Estados não só estavam por organizar,mas até não se julgava que pudessem ser objecto de organização.Assim, toda a nossa teoria de Estado foi concebida supondo que era uma forma definitiva da estrutura internacional".Por esta razão não somos capazes de conceitos que entendam o facto da Estado-Nação se "reduzir , cada vez mais, sob pressão dos factos, à situação inquieta e pouco satisfatória duma província" , exigindo-se "uma nova autoridade que o Estado-Nação deverá acatar"

depois da primeira guerra mundial, temos de reconhecer que os Estados devem ser julgados exactamente de acordo com os mesmos princípios que as igrejas, os sindicatos ou as associações científicas. Com relação às pessoas que os constituem, os Estados não constituem pessoas morais, vivendo num plano diferente ou submetidas a princípios diferentes

Porque não existe ... diferença qualitativa entre os interesses ou os direitos dos Estados e os interesses ou os direitos das outras associações ou indivíduos. Os seus fins são dos mais vulgares, humanos como todos os outros; têm por missão assegurar a felicidade dos seus membros.

E voltando a Laski, sempre diremos que o começo da guerra marca o fim da liberdade a guerra faz recuar indefinidamente qualquer possibilidade de resolver equitativamente um conflito

a soberania nacional, na sua acepção integral, implica a faculdade de arruinar uma civilização; esta implicação não pode ser considerada como necessária para a independência nacional

Studies in the Problem of Sovereignity

New Haven, Yale University Press, 1917.

Authority in Modern State

New Haven, Yale University Press, 1919 [reed., Hamden, Archon Books, 1968].

Political Thought in England from Locke to Bentham

Londres, 1920 [reed., Westport, Greenwood Press, 1973].

The Foundations of Sovereignty

New Haven, Yale University Press, 1921.

A Grammar of Politics

Londres, Allen & Unwin, 1925 (2ª ed., Londres, 1930).

Communism. 1381-1927

Londres, 1927.

The Dangers of Obedience and other essays

Nova Iorque, 1930.

Liberty in Modern State

1930 [reed., Fairfield, A. M. Kelley, 1972].

Democracy in Crisis

1931 [reed., Nova York, AMS Press, 1969].

The Rise of European Liberalism

1931 [reed., New Brunswick, Transaction Books, 1996]. Cfr. trad. cast. El Liberalismo Europeo México, Fondo de Cultura Economica, 1961.

Studies in Law and Politics

1932 [reed., Westport, Greenwood Press, 1968].

Some Representative Political Thinkers of the Victorian Age

Londres, Hearnshaw, 1933.

The State in Theory and Pratice

Londres, 1935.

Parlamentary Government in England

1938. Londres, Allen and Unwin, 1952

The American Presidency

1940. Londres, Allen and Unwin, 1952, 3ª ed.

Programme for Victory

Com Harold Nicolson, Herbert Read, W. M. MacMillan, Ellen Wilkinson e G. D. H. Cole, Londres, Routledge, 1941.

The Strategy of Freedom

Londres, Allen & Unwin, 1942.

Reflections on the Revolution in our Time

Londres, Allen & Unwin, 1943 [trad. port. Reflexões sô bre a Revolução de Nossa Época, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1946].

The Secret Battalion. An Examination of the Communist Attitude to the Labour Party

Londres, 1946.

The American Democracy. A Commentary and an Interpretation

Nova York, Viking Press, 1948 [reed., Fairfield, A. M. Kelley, 1977].

The Dilemma of Our Time

Londres, Allen and Unwin, 1952.

The Pluralist Theory of State

Londres, Routledge & Kegan Paul, 1989 [inclui textos de George Douglas Colz e John Neville Figgis]. Ed. de Paul Q. Hirst.

The Communist Manifesto

Nova Iorque, 1967.

Introdução à Política

Trad. port. de Marcelle Soares Brandão, Rio de Janeiro, Zahar, 1964.

O Liberalismo Europeu

Trad. port. de Álvaro Cabral, São Paulo, Mestre Jou, 1973.

 

 

 

 

                               

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Última revisão em: 18-07-2000


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