Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


1871

 

JANEIRO DE 1871

2

Adiamento das Cortes

Em 2 de Janeiro de 1871, as cortes são adiadas por 32 dias até 3 de Fevereiro de 1871. Em 3 de Fevereiro de 1871, por 36 dias, até 11 de Maio de 1871.

 

18

Proclamação do Império Alemão

Proclamação do II Reich em Versalhes

 

28

Capitulação de Paris

Capitulação de Paris.

 

30

Saída de Alves Martins e de Saraiva de Carvalho

Em 30 de Janeiro de 1871: Ávila substitui Alves Martins no reino, de foma interina. José de Melo Gouveia substitui Saraiva de Carvalho na justiça, de forma interina[1].

 

FEVEREIRO DE 1871

4

Posição da ala esquerda dos históricos

Os reformistas no Diário Popular  de 4 de Fevereiro observam: Pois governem esses ministros, mas lembrem-se de que o fazem por generosidade nossa. Acusam Carlos Bento da Silva de mentor da crise. Alves Martins volta para Viseu.

 

Política contra-reformista

Extingue-se o ministério da instrução e elimina-se a reforma administrativa descentralizante. Sofre-se o choque da Comuna de Paris e começa a falar-se nuns Estados Unidos da Europa.

 

10

Históricos apoiam o governo

Partido histórico decide manter apoio ao governo em 10 de Fevereiro.

Fala-se de um entendimento entre Ávila e Sá da Bandeira.

 

25

Partido constituinte

Dias Ferreira anuncia a intenção de criar um novo partido. O grupo é acusado de ser o centro político Saldanha-Peniche, contando com a participação de Sena de Freitas e do conde de Magalhães[2] (Fevereiro/ Março)

 

MARÇO DE 1871

1

Remodelação do governo

Em 1 de Março de 1871: José Marcelino de Sá Vargas substitui Melo Gouveia na justiça; Visconde de Chanceleiros, Sebastião José de Carvalho assume a pasta das obras públicas, substituindo Ávila.

 

6

Nasce Afonso Costa

Nasce em Seia Afonso Augusto da Costa.

 

 

 

 

18

Comuna de Paris

Insurreição da Comuna de Paris

 

18

Programa do Cenáculo

No jornal A Revolução de Setembro é anunciado o programa do Cenáculo, com Adolfo Coelho, Antero de Quental, Augusto Fuschini, Eça de Queirós, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel de Arriaga e Teófilo Braga.

 

22

Começam as conferências do Casino

Começam as conferências do Casino, com um discurso de Antero de Quental ( de 22 de Março a 26 de Junho de 1871). Realizam-se semanalmente.

 

 

ABRIL DE 1871

14

Constituição Imperial Alemã

 

MAIO DE 1871

 

As Farpas

Em Maio de 1871, Ramalho Ortigão e Eça de Queirós começam a publicar As Farpas.

 

27

Conferências do Casino

No âmbito das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, Antero de Quental, no dia 27 de Maio, profere a conferência sobre As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares

 

JUNHO DE 1871

3

Dissolução parlamentar

Em 3 de Junho de 1871, a Câmara dos Deputados, onde havia uma maioria reformista, foi dissolvida.

 

 

Forma-se o partido constituinte

Anuncia-se a formação do partido constituinte de Dias Ferreira, o inspirador civil da saldanhada (Junho de 1871).

 

26

Proibição das Conferências do Casino

Proibidas as Conferências do Casino. Porque nelas se expunham e procuram sustentar doutrinas e proposições que atacam a religião e as instituições políticas do Estado ofendendo clara e directamente as leis do reino e o código fundamental da monarquia. Estava prevista uma palestra de Salomão Saraga sobre Os Historiadores Críticos de Jesus. Faltavam realizar uma de Batalha Reis sobre o socialismo e outra de Antero sobre a república. Protestos do grupo organizador em nome da consciência liberal do país contra um acto brutal de violência. Apoio de Alexandre Herculano aos protestos.

 

 

JULHO DE 1871

9

Eleições

Eleições

22

Abertura das Cortes

Abertura das Cortes. Aires Gouveia, histórico, eleito presidente da Câmara dos Deputados. Votam contra apenas os reformistas e os constituintes. Governo entende-se com os regeneradores e entra em conflito com os históricos. Com a queda do ministério de Ávila, como observa Lopes d’Oliveira (op. cit., p. 21), caiu o ministério. Assim naufragou a vida nova do partido reformista. Este não se dissolve, mas não fará mais nada.

 

AGOSTO DE 1871

 

 

 

SETEMBRO DE 1871

8

Eleições francesas

Eleições francesas

 

13

Governo de Fontes

Governo de Fontes Desde 13 de Setembro de 1871 a 5 de Março de 1877. O presidente acumulou sempre a pasta da guerra. Até 11 de Outubro de 1872 acumulou a fazenda. Em 6 de Setembro de 1875 passou a acumular a marinha. Governo monopartidário regenerador com o apoio parlamentar de avilistas e constituintes. Oposição de históricos e reformistas. Fontes assume a plenitude do fontismo, misturando algo do estilo de Costa Cabral, com a matreirice de Rodrigo da Fonseca. Deixa de ser considerado o fontículo, como até então o alcunhavam. Surgem sucessivas fornadas de pares. Antecipada a abolição total da escravatura em 2 de Fevereiro de 1876, por iniciativa do par Sá da Bandeira.

 

OUTUBRO DE 1871

 

 

 

NOVEMBRO DE 1871

 

 

 

DEZEMBRO DE 1871

27

Congresso Católico no Porto

Reunião do congresso dos escritores e oradores católicos no Porto, presidido pelo conde de Samodães e pelo visconde de Azevedo. Até 5 de Janeiro de 1872.



[1] Ver RAMALHO ORTIGÃO, Correio de Hoje, Tomo II, p. 63, artigo Está sanada a crise!

[2] Idem, pp. 116 ss.

 


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