Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


1951  

Ano da morte de Carmona e da eleição de Craveiro Lopes, com o salazarismo a afastar a hipótese de restauração da monarquia e da elevação de Salazar à presidência da República, enquanto a oposição não comunista promove a candidatura de um ex-ministro da Ditadura Nacional, lançando parte dos apoiantes do 28 de Maio na oposição. No fim do ano, a realização do III Congresso da União Nacional em Coimbra marca o novo ritmo do situacionismo, emergindo o dinamismo de Marcello Caetano, em dialéctica com o grupo de Santos Costa. De um lado, o partido dos becas, catedraticamente conformado, do outro, a nova tropa apoiante do regime, quando o agravamento da Guerra Fria permite que o regime se adeque aos modelos ocidentais pela via do anticomunismo sem democracia.

Jan.  Fev.  Mar.  Abr.  Mai.  Jun.  Jul.  Ag.  Set.  Out.  Nov.  Dez.


Janeiro

17

Relações com os Estados Unidos

Eisenhower visita Lisboa. Acordo de Assistência Mútua. Portugal beneficia do Plano Marshall na compra de cereais e em obras de irrigação. 


Fevereiro


Março


Abril

18

Morte de Carmona

Morte de Carmona. Santos Costa defende a candidatura de Salazar. Mário de Figueiredo propõe a restauração da monarquia, com a oposição de Marcello Caetano e Albino dos Reis


Maio

4

Assassinado em Belas o dirigente comunista Manuel Domingues


Junho

1

Candidatura de Craveiro Lopes

União Nacional lança a candidatura de Craveiro Lopes, proposta por Santos Costa a Salazar

11 Alterada a Constituição. Surge a designação de "províncias ultramarinas" em vez de Colónias. No nome Ultramar Português passa a figurar em vez do termos "Império Colonial Português"

22

Candidaturas da oposição

Anunciadas as candidaturas de Quintão Meireles (segundo o SNI apoiada por situacionsitas descontentes) e de Rui Luís Gomes, apoiada pelo MND, pelo MUD juvenil e pela extrema esquerda. PRP não apoia nenhum. Norton de Matos sugerira a de Egas Moniz, que recusa

 

Candidatura de Quintão Meireles

Meireles é apoiado por Sérgio, Cabeçadas, Vieira de Almeida e Aquilino. No seu manifesto de 3 Jul. considera que o país está doente; assume-se contra o partido único; defende a integridade da pátria e da sua extensão territorial ultramarina. Anuncia a desistência em 19 Jul.:  para não colaborar na mistificação que se prepara ... O país tornará a ter outro Chefe de Estado nomeado mas sem a nossa colaboração

 

A candidatura de Meireles foi marcada pelo estilo combativo que lhe foi introduzido por Cunha Leal e por Henrique Galvão; a primeira vez que foi denunciada a corrupção e a confusão entre o poder político e o poder económico. Promoveu apenas uma sessão de propaganda na Garagem Monumental ao Areeiro

27

Sessão de propaganda de Craveiro Lopes no ginásio do Liceu Camões.


Julho

5

Espancamento de Rui Luís Gomes

Rui Luís Gomes é espancado à saída de uma sessão de propaganda

  19

Comícios da situação

Comício da União Nacional no Pavilhão dos Desportos com Salazar. É então lida carta de Maurras de apoio a Salazar. Comício no Porto, no mesmo dia, com Marcello Caetano  

22

Eleições

 

Anunciado o fim do estado de guerra com a Alemanha, sem a colaboração da URSS (9 de Julho). Leopoldo III da Bélgica abdica em Balduíno (17 de Julho). Morte de Pétai (23 de Julho)


Agosto

9

Posse de Craveiro Lopes

 

No fim das eleições, Salazar reflecte sobre o processo e reconhece que a oposição teve bastante habilidade  quando juntou ia correcção formal com o ataque à imoralidade e corrupção do regime. Põe mesmo como hipótese  organizar pela forma possível o partidarismo (fazer da União Nacional um partido conservador e deixar organizar as oposições) e só vê como alternativa a realização progressiva do regime pela institucionalização do corporativismo

 

Salazar considera que há dois caminhos (regime/partidarismo) e dois fins possíveis para Portugal: corporativismo/comunismo, salientando que as solução monárquica não evita nem dispensa qualquer destes caminhos. Reconhece também que se os monárquicos na Assembleia Nacional mantiverem a tendência a constituir uma minoria partidária eis que se continuar a trabalhar neste plano criará os maiores embaraços à situação. Até porque a Causa Monárquica tem vindo a apelar no sentido da separação de interesses e independência da organização


Setembro


Outubro

13

Ano Santo

Cerimónias do encerramento do Ano Santo em Fátima

25

Morte de D. Amélia

Morte da Rainha D. Amélia

 

Tropas britânicas ocupam o Suez (17 de Outubro). Churchill vence as eleições (25 de Outubro)


Novembro

22

III Congresso da União Nacional em Coimbra

Marcello Caetano contra a restauração da monarquia, defendida por Soares da Fonseca. No discurso o inaugural Salazar considera que a monarquia  não pode ser, por si só, a garantia da estabilidade de um regime determinado senão quando é o lógico coroamento das demais instituições do Estado e se apresenta como uma solução tão natural e apta, que não é discutida na consciência geral. comando de um só

23

Marcello Caetano assinala: o comando político apoiado no snetimento e na vontade da nação, cujos anseios profundos e legítimas aspirações interpreta, exprime e realiza, esse é que é a forma que o novo tipo de Estado solicita para poder corresponder à extensão e profundidade das tarefas que os homens dele esperam ... A História está a gerar novos regimes de Governo por um só, diferentes das monarquias antigas cuja estrutura social obedeceu a condições de vida muito diferentes das actuais.

24.

Miranda Barbosa defende que a restauração monárquica seria o complemento da situação política. Da mesma opinião foi o deputado Avelino de Sousa Campos. Marcello defende que Salazar deveria ascender à Presidência da República que permitiria que ele mesmo presidisse à sua substituição na chefia do Governo, e assim habituasse o País a ver na presidência do Conselho um homem vulgar, ainda que experiente, sabedor e devotado ao bem público. Diz que faz essa proposta desde 1947, contra a opinião de Salazar

 

Churchill forma governo com Eden nos estrangeiros (1 de Novembro). Tumultos anti-franceses em Marrocos (1 de Novembro). Prisão do secretário-geral do PC checoslovaco (27 de Novembro)


Dezembro

7

Aumento dos funcionários

Aumento dos vencimentos dos funcionários públicos

 

Ponte sobre o Tejo

Inaugurada a ponte Marechal Carmona de Vila Franca de Xira

 

Assembleia Nacional Francesa ratifica o Tratado de Paris instituidor da CECA (31 de Dezembro).Proclamação da independência da Líbia (24 de Dezembro) Começa na China a campanha dos três antis, tcheng feng, até Abril de 1952 (Dezembro)

 

 

 


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