Dicionário de Análise Sistémica
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Adaptation (Parsons). Uma das quatro funções que cabem ao sistema social na relação com o respectivo ambiente. O sistema social teria de adaptar-se ao ambiente onde vive, para recolher recursos, armazená-los en função das necessidades e, como contrapartida, contribuir para o mesmo ambiente com produtos próprios. Este conjunto de processos funcionais, correspondente ao subsistema biológico, seria a chamada adaptação (adaptation).
AGIL (Talcott Parsons). As quatro funções que cabem ao sistema social: adaptação ao ambiente (A); prossecução de fins, ou goal-attainment (G); integração das tendências internas (I); manutenção dos modelos culturais, a função de conservação dos modelos ou latent pattern maintenance (L). As duas primeiras correspondem à relação do sistema social com o respectivo ambiente as duas últimas estão voltadas para as relações internas do mesmo sistema. É neste contexto que o político é perspectivado como o subsistema social que tem como função o goal-attainment, a organização e a mobilização dos recursos necessários para a realização dos fins de uma determinada colectividade, a capacidade de fazer com que as unidades que pertencem a um dado sistema de organização cumpram as respectivas obrigações, sendo entendido como um sistema autónomo e aberto que mantém relações e trocas constantes com os outros subsistemas da sociedade: o conjunto das actividades económicas, o conjunto dos processos de socialização (família e educação), o conjunto de instituições que tem por função manter as solidariedades que uma sociedade pode exigir dos seus membros (o aparelho legislativo e o aparelho judicial).
Adaptation
Agregação de interesses
Almond, Gabriel
Ambiente. Ver Easton. O sistema político é um sistema de comportamentos que tanto é influenciado pelo ambiente onde se insere como responde ou reage a esse ambiente.
Ambiente interior (intra societal environment). Ver Easton. O ambiente da sociedade global, isto é, da soma do sistema político como os sistemas não-políticos situados no âmbito da sociedade global, como o sistema cultural, a .
Apoio difuso. Ver Easton. Disposição de um actor A relativamente a B, quando A se orienta favoravelmente face a B, que pode ser uma pessoa, um grupo, um fim, uma ideia ou uma instituição.
Apoio específico. Ver Easton. Disposição de um actor A relativamente a B, quando A actua a favor de B, que pode ser uma pessoa, um grupo, um fim, uma ideia ou uma instituição.
Apoios (support). Ver Easton.
Apter, David.
Articulação de interesses
Autonomia do sistema político
Barber, Benjamin
Behaviorismo.
Bentley, Arthur Fisher
Bertalanffy, Ludwig Von
Caixa negra (Black box)
Centros de decisão. Locais do sistema político que recebem a informação tanto dos centros de processamento de dados como dos centros de armazenamento da memória e dos valores.
Centros de processamento de dados. Locais do sistema político para aonde é remtida a informação recolhida pelos centros receptores da informação. Passam-na depois para os centros de decisão.
Centros de recepção da informação. Os pontos de entrada da informação proveninete do ambiente externo no sistema político, os receptores de dados e de informação. Comunicam a informação aos centros de processamento de dados.
Chicago, Escola de
Cibernética. Ver Wiener
Coleman, James.
Complexo de grupos. Bentley considera que a sociedade não é senão o complexo de grupos que a compõem. Porque não há sociedade propriamente dita mas antes sociedades.
Comportamentalismo
Comunicação. Ver Deutsch
Comunicação política
Conflito de grupos. Sendo a sociedade um complexo de grupos, a máquina que a faz funcionar é o processo de luta de grupos, mediante o qual todos os grupos tratam de realizar ou de elevar ao máximo os seus interesses. O resultado é uma espécie de caldeira de água a ferver, caracterizada por um equilíbrio instável, para utilizarmos as palavras de David Truman.
Consciência. Central do sistema político onde se prepara a decisão. Sítio onde se dá a inspecção e a coordenação. Aí ocorre o processamento de resumos altamente simplificados e consentrados de mensagens do segundo grau, de mensagens já seleccionadas e estudadas pelos centros de recepção de dados.
Conversão de interesses
Cropsey, Joseph
Cybernetics, 1948. Ver Wiener, Norbert
Cybernetics and Society, 1952. Ver Wiener, Norbert
Dahl, Robert
Demands. Ver Easton
Desafios do sistema político. Segundo Almond e Powell, todo o sistema político tem de responder a quatro desafios: o de construir um Estado (a estrutura legal); o de formar uma nação (o que permitiria uma adesão afectiva); o de permitir a participação (atender à s pressões da população para uma participação na elaboração das decisões); e o de utilizar o monopólio legal da força para a distribuição dos valores escassos
Desenvolvimento político. Implica diferenciação progressiva das estruturas sociais, autonomização dos subsistemas sociais; universalização política; e institucionalização do poder. O desenvolvimento significa o crescimento das estruturas em número e em diferenciação. É a soma da racionalização com a modernização. O não desenvolvimento político é marcado por estruturas pouco numerosas que exercem funções pouco diferenciadas, com um fraco processo de divisão do trabalho.
Deutsch, Karl
Diferenciação. Segundo as escolas desenvolvimentistas, a diferenciação progressiva das estruturas sociais implica a dissolução das sociedades tradicionais; a especialização dos papéis sociais e a liberatação dos estamentos.
Disfunção. Ver Merton
Easton, David
Empírico-analítio, Método
Environment. Ver Easton
Equivalente funcional
Estímulo
Estadualidade. Segundo a escola desenvolvimentista implica tanto um centro político como estruturas diferenciadas.
Estrutura
Exigências (Demands). Ver Easton
Função
Funções do sistema político. Segundo a escola desenvolvimentista, o sistema político tem quatro funções específicas: socialização, recrutamento político, conversão de interesses e comunicação política.
Funcionalismo
General Systems Theory
Goal. O objectivo ou o fim que tem em vista a governação. O fim, o programa de política interna e de política externa que marca a governação.
Goal-Attainment (Parsons). Uma das quatro funções que cabem ao sistema social na relação com o respectivo ambiente. Um sistema social, para viver em equilíbrio interno e externo, teria que alcançar uma série de objectivos e de finalidades. Esta função, dita de prossecução de fins (goal-attainment), seria corrrespondente à personalidade psíquica.
Governamental functions
Governamental Process, 1951
Grupo. Para Bentley, o grupo não é uma massa física separada (physical mass), mas antes uma massa de actividades (mass activity). Um só homem não participa num só grupo, mas em muitos: significa uma certa porção dos homens de uma sociedade, não tomada como uma massa física separada de outras massas de homens, mas como uma massa de actividade, o que não impede os homens que participam no mesmo de participar igualmente em muitas actividades de grupo
Gunnel
Homologia. Semelhança ou correspondência estrutural entre os elementos de um sistema
Homostasia
Individualismo institucional
Influência
Inputs
Institucionalização do poder. Segundo as escolas desenvolvimentistas implica: despersonalização; permanência; e democraticidade. Leva a que o político se diferencie do social.
Integration (Parsons). Uma das quatro funções que cabem ao sistema social na relação com o respectivo ambiente. A primeira das funções voltadas para as relações internas, pela qual o sistema social tende a integrar ao máximo todas as respectivas tendências internas que correm o risco de marginalizar-se ou de ser colocadas fora do sistema. Eis a função de integração (integration) que representa o nível de compatibilidade que caracteriza as relações internas dos elementos de um determinado sistema, correspondente ao subsistema social, à socialização propriamente dita.
Interacção
Interesse. Aquilo que está entre outras coisas (inter+esse), consistindo numa relação entre um homem e uma coisa, um homem e outro homem, um grupo de homens e um grupo de coisas ou um grupo de homens face a outro grupo de homens
Interest agregation
Interest articulation
Intra-societal environment. Ver Easton e Ambiente interior.
Kaplan
Kuhn, Thomas. Autor de The Structure of Scientific Revolutions [1962], onde se critica o endeusamento do método, considerando que uma actividade, mesmo após alcançar o nível de cientificidade, depois de ter vencido as barreiras do empirismo, da falsificação e da tentativa, nem por isso pode ser objecto de uma ilimitada
The language of Politics
Lasswell, Harold
Latent pattern maintenance (Parsons)
Lazarsfeld, P.
Leites, N.
Leontieff, Wassily.
Lipset, S. M.
Lowi, T.
MacIntyre, Alsdair.Em Against the Self-Images of the Age [1978], embora reconhecendo que na vida existem regularidades estatísticas e comportamentais, insiste na circunstância das ciências sociais não poderem descobrir qualquer tipo de lei comparável ao das ciências naturais. Da mesma forma, critica acerbamente a crença positivista na possibilidade da ciência poder controlar o comportamento social: a noção de controlo social que está subjacente à noção de perito é, na verdade, uma mascarada.
Macridis, Roy
Merton, Robert King
Mobilização Política
Modernização
Monroe, Kristen.
Mosaico de grupos. David Truman, na senda de Bentley, considera que não há sociedade propriamente dita, mas antes sociedades, isto é um mosaico de grupos.
Moyhnihan
Multifuncionalidade das estruturas. Ver Merton. Ideia assumida pela escola desenvolvimentista, segundo a qual toda a estrutura pode cumprir mais do que uma função e de que todas as estruturas têm tendência para a multifuncionalidade. A mesma estrutura pode desempenhar funções diversas e a mesma função pode ser exercida por diferentes estruturas, tendo alternativas estruturais.
Nerves (The) of Government. 1963 Obra de Karl Deutsch. Estudo da ideia de comunicação.
New Aspect of Politics
New Political Science. Ala reformista que, dentro da APSA, defende a revolução pós-behaviorista, sendo constituída por autores como Daniel Moynihan, Leo Strauss, Henry Kariel, Theodor Lowi, Michael Walzer, Morris Janowitz e Charles McCoy. Um movimento que, em 1967, organizou um Caucus para o efeito. Foi este grupo que, a partir de dentro e com um sentido reformador, assumiu a tensão dos pós-behavioristas contra os tradicionalistas, expressão com que passaram a ser qualificados os behavioristas. Com eles, a ciência política voltou a assumir uma responsabilidade moral.
Outputs
Palombara, Joseph La
Parsons, Talcott
Pilotagem. Segundo Deutsch, o sistema político é um sistema de pilotagem, um rocesso que tem em vista a obtenção de determinados fins, tal como uma nau navegando à procura de um determinado porto. A política é considerada como um sistema de pilotagem do futuro.Governar é equivalente à condução de um navio, caminhando-se para um determinado objectivo e recebendo-se informação sobre a viagem já decorrida, sobre a posição actual face ao objectivo programado.
Political action. A partir dos anos vinte a ciência política voltou-se para o estudo do comportamento político dos indivíduos situados num determinado sistema social, sendo marcante a acção de Charles Merriam.
Political process
Poltical (The), System (1953)
Porteiros (Gate-Keepers) Segundo Easton, os pontos de entrada da informação no sistema.
Postbehavioral revolution. Ver Revolução pós-behaviorista
Powell, Bingham.
Pye, Lucian.
Realismo. Uma das características marcantes da primeira politologia norte-americana. Um choque realista que também abriu as portas a um entendimento pluralista da sociedade, olhando os grupos como as forças vivas insusceptíveis de um rígido enquadramento hierarquista, como foi timbre no corporativismo que sempre os entendeu como simples corpos intermediários integrados numa pirâmide de poder.
Reasonable man. Segundo a teoria utilitarista que está na base da análise sistémica, o homem como animal racional é visto como um animal que razoa, que calcula, como um animal reasonable que procura conseguir o máximo de prazer com um mínimo de dor, o máximo de felicidade com o menor esforço. Por outras palavras, o racional é igual ao útil e o grupo volta a ser entendido como mero pacto ou cálculo de utilidade contra a insegurança, servindo para resolver, de forma segura, conflitos de interesses.
Recrutamento político
Resposta
Retroacção. Termo das ciências físicas recuperado pela cibernética, para aplicação aos sistemas sociais, sendo usado tanto pela economia como pela ciência política. Acção do sistema político pela qual a informação é recordada e retroactivada para decisões do presente, misturando-se a informação proveniente dos centros de processamento de dados com a que vem dos centros de armazenamento da memória e dos valores. Deste modo, a decisão é sempre a soma do ambiente com a memória. No sistema de feed back quem controla uma variável não controla automaticamente o sistema, havendo um circuito de retroacção, onde o output do sistema regressa ao interior do sistema para influenciar o input.. É o que acontece nos sistemas de aquecimento com os termóstatos ou no nosso organismos com o sistema de informação sobre a intensidade da luz que fecha a pupila. O output regressa ao sistema passando por um indicador que influencia o input, dado que, na entrada do sistema, o controlador tem ao seu lado um comparador. Se o indicador não está de acordo com o comparador, o controlador ajusta automáticamente a intensidade do input, tal como no sistema ocular se regula automaticamente a intensidade da luz transmitida.
Revolução behaviorista. A partir dos anos sessenta, na politologia norte-americana, o poder político, o political power, passou a assumir-se como algo de qualitativamente diferente do mero poder social, ou do poder em geral, e o sistema político (political system) emergiu como uma especificidade dentro do sistema social, sendo encarado como um processo de tomada de decisões (process of making a decision). É, aliás, em 1969, que David Easton fala na necessidade de uma postbehavioral revolution nos domínios da ciência política, visando conciliar os métodos quantitativos da revolução comportamentalista com os dados qualitativos da teoria política pelo regresso à síntese entre o factualismo e a axiologia. Esta anunciada viragem de rumo respondia a um desafio: os ataques que os cientistas políticos da New Left e da contra-cultura norte-americanas, com Herbert Marcuse, Paul Goodman, Erich Frommm, C. Wright Mills, Noam Chomsky e Charles Reich, faziam ao positivismo e ao cientismo dos novos mandarins, num tempo em que o próprio sentido comunitário norte-americano se estiolava face à revolta dos estudantes e à contestação da intervenção na Guerra do Vietname. Contudo, Easton partia de outra base contestatária, da ala reformista que, dentro da APSA, defendia uma New Political Science, e era constituída por autores como Daniel Moynihan, Leo Strauss, Henry Kariel, Theodor Lowi, Michael Walzer, Morris Janowitz e Charles McCoy. Um movimento que, em 1967, organizou um Caucus para o efeito
Ricci, David. Em The Tragedy of Political Science, faz um inventário das falhas do empirismo descritivista embrulhado num vocabulário tecnicista com a ilusão de se atingirem leis, a partir das quais poderiam fazer-se previsões.
Rustow, Dankwart
Seidelman, Raymond. Em Disenchanted Realists [1985], fala nos cientistas políticos como uma terceira tradição norte-americana, depois dos institucionalistas, defensores do situacionismo, e dos democratas radicais, proponentes de uma sociedade alternativa.
Sensores. Segundo Deutsch, o sistema político é dotado de sensoresque captam a informação do ambiente que o rodeia.
Shapiro, Ian
Shils, Edward
Sistema aberto. Um sistema que se relaciona com o ambiente. Recebe entradas e gera produtos. Adapta as suas estruturas e processos internos ao ambiente.
Sistema Fechado. Um sistema isolado que não tem contactos significativos com o respectivo ambiente.
Sistema Nervoso. Segundo Deutsch, o sistema político corresponde a um sistema nervoso, a um sistema de ligação de centros nervosos que são irrigados pela informação. Os sensores captam a informação e transportam-na para os centros nevrálgicos do sistem, onde é seleccionada e transformada em decisões.
Socialização
Sociedade global
Sociologismo. A herança sociologista, apelando para o estudo da dinâmica das instituições públicas, para além das formas e das normas, estudando como de facto elas são, em vez de as estudar apenas como elas devem ser, constitui a base da politologia e mantém-se como característica fundamental da autonomia da disciplina.
S-R scheme
Structure (The) of Social Action, 1937.
Substituto funcional. Ver Merton
Support. Ver Easton.
Teoria sistémica cibernética (Parsons)
Teoria dos sistemas gerais
Truman, David
Universalidade política, Princípio da. A escola desenvolvimentista considera que podemos encontrar todas as funções políticas em todos os sistemas políticos, porque mesmo os sistemas políticos mais simples têm uma estrutura política, dado que não existe nenhuma sociedade que, para manter a ordem interna e externa, não tenha uma estrutura política. Se nos sistemas mais simples, uma só, ou poucas estruturas, cumprem todas as funções políticas, já em sistemas desenvolvidos há uma forte diferenciação. Isto é, há um grande número de estruturas, cada uma delas especializada numa determinada função política.
Universalização política. Segundo as escolas desenvolvimentistas significa a integração num conjunto marcado pelo centro político, o qual gera a mobilização da sociedade.
Utilidade. Conforme a clássica asserção de Bentham, é a propriedade ou tendência que tem uma coisa para prevenir um mal ou para procurar um bem. Deste modo, qualquer grupo não passa de um mero pacto ou cálculo de utilidade contra a insegurança, como o meio de se conseguir o máximo de felicidade para o maior número. Governar consistiria, portanto, num mero processo de ajustamento entre grupos, traduzindo-se num modo dinâmico de gerir crises, provocadas pelos inevitáveis conflitos de interesses. Também o Estado não passaria de uma rede de grupos, onde o centro constituiria apenas uma agência de protecção e segurança, com o monopólio da força pública. O próprio direito não seria senão um conjunto de interesses coactivamente estabelecidos ou então, para utilizarmos a terminologia do mesmo Bentham, o mínimo de moral necessário para a salvaguarda da sociedade.
Ward, Robert
Weiner, Myron
Wiener, Norbert
Winch, Peter. No âmbito das denúncias face ao paradigma científico dominante nas ciências sociais dos anos cinquenta, destaca-se Peter Winch em 1958, em The Idea of a Social Science and its Relation to Philosophy, onde se criticava a possibilidade da construção de generalizações a partir de seres humanos e das suas posições sociais, acentuando-se a necessidade do estudo das significações e da ideias que cada homem utiliza nas suas relações. Para Winch, aliás, as relações entre os homens, isto é, a marca definidora do fenómeno social e a sua verdadeira natureza, não passariam de ideias incarnadas na acção. O mesmo autor, em Understanding a Primitive Society [1964], faz uma crítica cerrada a Evans-Pritchard e a todos os outros cientistas sociais que tentaram aplicar os conceitos ocidentais de ciência e de lógica para a análise dos chamados primitivos actuais, daí extraindo categorias para posterior aplicação aos próprios ocidentais.
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