Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Eleições de 1856 (9 de Novembro)

 

 

As terceiras eleições da Regeneração e as primeiras sob um governo histórico, o de Loulé, desde 6 de Junho de 1856, com Júlio Gomes da Silva Sanches na pasta do reino. São também as primeiras eleições do reinado de D. Pedro V, que assumira a maioridade em 10 de Setembro de 1855 e que considerava o governo de Saldanha dominado pela canalhocracia de Fontes e de Rodrigo. Eleição de 162 deputados (mais cinco no continente mais um por Ponta Delgada, segundo o decreto de 29 de Setembro de 1856). Vitória dos governamentais, então ditos progressistas históricos (72%), contra os adeptos do anterior governo, ditos progressistas regeneradores, que apenas conseguem 41 deputados (25%). Miguelistas elegem cinco deputados que recusam prestar juramento (3%). Em Lisboa, grande votação nos regeneradores, que conseguem oito deputados. A anterior unidade entre os setembristas moderados e os homens novos do situacionismo regenerador começou a ser quebrada a partir de 1853, quando começou a publicar-se O Portuguez, bastante crítico de Fontes e que logo em 1854 mobiliza uma reunião do partido histórico, ou partido liberal, conforme a expressão de Alexandre Herculano, grupo que em 1856 se entifica numa Comissão Eleitoral progressista de Lisboa. A legislatura vai decorrer de 2 de Janeiro de 1857 a 26 de Maio de 1858. Por ocasião da discussão do discurso da Coroa, surgem discursos oposicionistas de José Maria Eugénio de Almeida e de António Bernardo da Costa Cabral (20 de Fevereiro de 1857). No entanto, em 14 de Março seguinte, dois antigos cabralistas, António José de Ávila e Carlos Bento da Silva, passavam-se para os históricos, assumindo funções governamentais.

 


 
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Última revisão em: 09-12-2003