Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Eleições de 1884 (29 de junho)

 

863 280 eleitores. 169 deputados. 79 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente, um círculo por cada sede de distrito. 14 por círculos plurinominais nas ilhas. 12 pelo ultramar. 6 deputados por acumulação de votos. Lei eleitoral de 21 de Maio de 1884. Vitória governamental. 110 regeneradores no continente e ilhas. 31 deputados progressistas no continente e ilhas. 8 deputados constituintes no continente e ilhas. 2 deputados republicanos em Lisboa (Elias Garcia e Consiglieri Pedroso). Continua governo regenerador

 

 

30ª eleição geral

21ª eleição da 3ª vigência da Carta

18ª eleição da Regeneração

 

Dissolução em 24 de Maio de 1884, quando não estavam reunidas as Câmaras. Decreto de 24 de Maio de 1884 manda proceder a eleições

Legislatura até 24 de Maio de 1884. Reúnem as Cortes em 27 de Dezembro de 1884.

29 de Junho de 1884

Eleição da Câmara dos Deputados[1]

 

 

Vitória dos governamentais regeneradores.

Apoio dos constituintes.

 

169 deputados

79 por círculos uninominais no continente

58 por círculos plurinominais no continente

14 por círculos plurinominais nas ilhas

Regeneradores

110 deputados regeneradores no continente e ilhas.

62 por uninominais no continente.

38 por plurinominais no continente.

10 por plurinominais nas ilhas

Progressistas

31 deputados progressistas.

13 por uninominais no continente.

15 por plurinominais no continente.

3 por plurinominais nas ilhas.

Progressistas conseguem todos os deputados por acumulação de votos.

 

Republicanos

Dois deputados republicanos em Lisboa (Elias Garcia e Consiglieri Pedroso), eleitos por círculo plurinominal. Manuel de Arriaga não consegue ser eleito pelo Funchal e há sangrentos incidentes. Em 22 de Agosto de 1884, o ministro Barjona proíbe um cortejo em homenagem a Manuel Fernandes Tomás, mas logo em 4 de Setembro, cerca de 50 000 manifestantes prestam-lhe homenagem no cemitério. Nun discurso de 4 de Maio de 1885, o deputado Elias Garcia diz que se preza de pertencer ao partido liberal, invocando Fernandes Tomás, Passos Manuel e Sá da Bandeira. Como observa Lopes d’Oliveira, não há verdadeiro republicanos, entre nós, que não seja liberal, nem há verdadeiro liberal que não possa dizer-se republicanoi[2]. Aliás, é em 1884 que José Falcão publica a Cartilha do Povo. Em 7 de Setembro de 1885, os republicanos organizam um comício, dito anti-jesuítico, no Porto, no mesmo ano em que Guerra Junqueiro publica A Velhice do Padre Eterno.

Constituintes

8 constituintes.

4 por uninominais no continente,

3 por plurinominais no continente,

1 por plurinominal nas ilhas

 



[1] Pedro Tavares de Almeida, p. 239 e Lopes d’Oliveira, pp. 52 e 55.

[2] Lopes d’Oliveira, p. 55. Este argumento, usado em 1884-1885 contra o governo regenrador, volta a ser usado pelos democratas durante o salazarismo, invocando a mesma nebulosa anti-congreganista.


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