Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Eleições de (1915)

 

 

Emitida a nova lei eleitoral no dia 1 de Junho, as eleições realizam-se menos de duas semanas volvidas e a menos de um mês de um sangrento golpe de Estado. A nova lei eleitoral, aliás, concedia direito de voto aos militares no activo, conforme fora consagrado no decreto eleitoral de Pimenta de Castro e garantia 44 deputados às minorias no continente e ilhas (face a um universo de 149 deputados desse conjunto). Era inevitável a consagração do poder estabelecido, com vitória esmagadora dos democráticos (63% dos votantes no continente e 55% nas ilhas), isto é, 106 deputados e 176 939 votos, com maiorias em todos os círculos, à excepção de Angra do Heroísmo, círculo binominal, onde empatam com os unionistas. Em segundo lugar ficam os evolucionistas, com 26 deputados e 62 845 votos, isto é, 23% no continente. Em terceiro lugar, os unionistas, com 15 deputados e 41 865 votos (14% no continente, mas 36% nas ilhas). Seguem os socialistas, com 2 deputados, mas apenas 5 141 votos. Se em Lisboa não passam dos 4% (924 votos), eis que no Porto atingem os 12% (1 379 votos), obtendo aqui a minoria. Os católicos conseguem 1 deputado, o padre António Augusto de Castro Meireles, futuro bispo do Porto, pelo círculo de Oliveira de Azemeis, onde conseguem 32%. No total do continente, conseguem 11 463 votos, cerca de 4% dos votantes. Têm 22% em Braga, 18% em Guimarães, 10% em Chaves e 17% em Leiria. Finalmente há 6 deputados independentes, com um total de 17 698 votos. Mas em Lisboa são derrotadas as candidaturas independentes de Almeida Lima e Ricardo Covões. Destaque para as abstenções em Lisboa, onde há apenas 22 876 votantes, isto é 59,5% de abstenções. Houve apenas, em todo o continente, 282 387 votantes para um universo de 471 557 eleitores, face a uma população de cerca de seis milhões de habitantes. Em Lisboa, os democráticos obtiveram 15 622 votos; os evolucionistas, 5061; os unionistas, 1 437; os socialistas 924 e os independentes, 183. No Porto, os democráticos, 8 599; os evolucionistas, 1037; os unionistas, 409; os socialistas, 1379 e os independentes, 329. Idênticas as percentagens dos diversos partidos na eleição dos 68 senadores, com 45 para os democráticos, 11 para os unionistas, 9 para os evolucionistas, 6 para os independentes, 2 para os socialistas e 1 para os católicos (o padre António José da Silva Gonçalves, por Braga). O Congresso da República ia assim enfrentar os desafios das circunstâncias de guerra, com os monárquicos sem representação parlamentar e com uma restrita representação de socialistas e de católicos.

48ª eleição geral

2ª eleição geral da I República

163 deputados (6 por círculos uninominais, dos quais 1 nas ilhas e 5 no ultramar; 157 por círculos plurinominais)

68 senadores

13 de Junho de 1915

Vitória dos democráticos

População no continente e ilhas segundo o censo de 1920 é de 6 032 991.

471 557 eleitores no Continente

A ratio deputado/ população é de 1/40 334.

Em Lisboa, 56 392 eleitores.

No Porto, 24 252 eleitores.

8 deputados eleitos pelos círculos binominais de Angra do Heroísmo, Cabo Verde, Angola e Moçambique, onde não havia representação das minorias. De um conjunto de 149 deputados (no continente e ilhas), eram garantidos 44 à representação das minorias.

 

282 387 votantes no Continente

163 deputados

Em Lisboa, 22 876 votantes (59,5% de abstenções).

No Porto, 8 599 votantes.

Democráticos

106 deputados democráticos (169 139 votantes no Continente 63% dos votantes e 38% dos recenseados).

Em Lisboa, 15 622 votantes; no Porto, 8 599.

45 senadores

Evolucionistas

26 deputados evolucionistas (62 845 votantes no Continente 22% dos votantes e 13% dos recenseados).

Em Lisboa 5061 votos; no Porto, 1037.

9 senadores

Unionistas

15 unionistas (37 746 votantes no Continente 15% dos votantes, 9% dos recenseados).

Em Lisboa, 1 437 votantes; no Porto, 409.

11 senadores

Socialistas

2 socialistas (4 818 votantes; 7% dos votantes, 4% dos recenseados).

Em Lisboa, 924 votantes; no Porto, 1 379.

2 senadores

Católicos

1 católico (Castro Meireles, pelo círculo de Oliveira de Azemeis).

Os católicos conseguem no continente, 11 463 votantes, cerca de 4% dos votantes e 3% dos recenseados.

1 senador

Na eleição suplementar de 15 de Julho de 1917 será eleito outro deputado católico, Diogo Pacheco de Amorim, pelo círculo de Braga.

Independentes:

6 deputados

6 senadores

 

São derrotadas em Lisboa as candidaturas dos independentes Ricardo Covões e Almeida Lima.


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