Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Eleições presidenciais de 1949 (13 Fevereiro)

As estruturas criadas pela oposição para a campanha eleitoral de 1945 foram-se mantendo e em 31 de Janeiro de 1948, o MUD ainda realizava uma sessão, finda a qual é presa toda a comissão central. Estávamos no ano do lançamento do Plano Marshall, da criação da OECE, em que Portugal participa, e da fundação da União Ocidental, em 17 de Março. O salazarismo estava hibridamente implanntado no campo ocidental e o anticomunismo era um vento favorável ao regime, especialmente quando se desencadeava o bloqueio soviético a Berlim, entre 20 de Junho de 1948 e 12 de Maio de 1949, e os soviéticos faziam explodir a sua primeira bomba atómica (23 de Setembro). Por cá, muito placidamente, o regime apenas se movia com a entrada de um novo ministro da economia, Castro Fernandes, em 16 de Outubro, antigo militante naciona-sindiclaista, autor de uma obra sobre O Corporativismo Fascista que há-de ser presidente da comissão executiva da União Nacional, em 1958, para acabar os dias com a prebenda de administrador da banca.

 

Morria, entretanto, em 25 de Junho, o grande organizador da oposição, Bento de Jesus Caraça. Três anos depois, o ambiente político voltou a agitar-se com a preparação das eleições presidenciais, a que concorreu pela primeira vez a oposição que em 9 de Julho de 1948 lançou a candidatura do general Norton de Matos, na altura, grão-mestre da proibida maçonaria. Acontece que a tradicional unidade oposicionista, até então dominada pelo chamado reviralho, isto é, pelos que pretendiam o regresso à legitimidade republicana, começou a sofrer os efeitos da guerra fria e, segundo o testemunho de Mário Soares, os sectores moderados da Oposição ... começavam a revelar-se mais anticomunistas do que antifascistas. Entre os apoiantes da candidatura, destacam-se o poeta Alberto Serpa, o escritor Miguel Torga, Cunha Leal, Pulido Valente, o advogado monárquico Luís de Almeida Braga.

 

A Causa Monárquica, presidida por Fezas Vital, decide em 7 de Janeiro, apoiar Carmona, com imediatas críticas do jornalista Rocha Martins. Em defesa de Carmona, destacam-se as crónicas de Jorge Botelho Moniz no Rádio Clube Português, depois transcritas no Diário da Manhã.  Numa delas diz expressamente: quando verdes uma foice e um martelo, agarrai o martelo e quebrai a foice. Num golpe propagandistico, o jornal A Voz publica fotografia de Norton de Matos numa sessão maç ónica, com avental, em 18 de Janeiro. Descobre-se, depois, que entre os participantes da mesma sessão, está o próprio Carmona... Cunha Leal, num artigo publicado no Diário de Lisboa, de 22 de Janeiro, num tom anticomunista, considera que o Estado Novo é totalitário, que a União Nacional é partido único e que o intervencionismo estatal é excessivo. Nesse mesmo dia Mao Tse Tung entrava em Pequim e dois dias depois fundava-se o Comecon. Já Vicente de Freitas, em 26 de Janeiro, numa entrevista ao mesmo Diário de Lisboa, diz que apoia a situação, embora não incondicionalmente ... não me interessa tomar parte em discussões políticas.

 

 

5ª eleição PR

 

13 de Fevereiro de 1949

Eleição de Carmona

Candidatura oposicionista de Norton de Matos acaba por desistir

 

Morte de Carmona em 18 de Abril de 1951

 

 

 

 

Assim, depois da vitória de Carmona, em 13 de Fevereiro de 1949, logo surgiu no Porto o pró-comunista Movimento Nacional Democrático, constituído pelas comissões de apoio à candidatura de Norton que não aceitaram a dissolução por este determinada. Começou então, no seio da oposição, uma dialéctica entre os democratas atlantistas e os antifascistas proto-comunistas que foi aproveitada pelo situacionismo de modo eficaz.

 

 


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