Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Eleições presidenciais de 1951 (22 Junho)

Depois da morte de Carmona (18 de Abril de 1951) surgiu nova eleição presidencial, com a ratificação do candidato situacionista general Craveiro Lopes em 22 de Julho. O candidato vencedor havia sido proposto por Santos Costa a Salazar, na precisa altura em que alguns conselheiros deste, como Mário de Figueiredo, sugeriram a restauração da monarquia, posição esta que foi vivamente contrariada tanto por Albino dos Reis como por Marcello Caetano. Também Santos Costa, apesar de monárquico, é contra a restauração da monarquia, defendendo a candidatura de Salazar. Antes de Craveiro Lopes, chega a ser sondado o general Afonso de Sousa Botelho, então comandante da GNR, que recusa. Outros nomes então falados são os de Passos e Sousa e Miguel Pereira Coutinho. Augusto de Castro, director do Diário de Notícias, chega a fazer campanha por Salazar.

 

Contudo, surgiram duas candidaturas da oposição. Os sectores comunistas, com o Movimento Nacional Democrático e o MUD juvenil avançaram com o nome do professor de matemática da Universidade do Porto, Rui Luís Gomes. Os descendentes do Partido Republicano e os sectores ligados à maçonaria, pela voz de Norton de Matos, depois de tentarem o lançamento da candidatura de Egas Moniz, acabaram por preferir a de Quintão Meireles, um antigo apoiante do 28 de Maio que trouxe para a oposição situacionistas descontentes como Henrique Galvão e o próprio Cunha Leal. Surgiu assim um ensaio daquilo que em 1958 seria a candidatura de Humberto Delgado.

 

No seu manifesto de 3 de Julho, Meireles considerou que o país está doente e assumiu-se contra o partido único, defendendo  a integridade da pátria e da sua extensão territorial ultramarina. Critica a constituição de um partido único, ortodoxo e minoritário. Dois dias antes, critica acerbamente a candidatura de Ruy Luís Gomes, sugerindo que a mesma se encontra directa ou indirectamente na dependência de uma potência estrangeira. Acabou por anunciar a desistência em 19 Julho,  para não colaborar na mistificação que se prepara. Porque o país tornará a ter outro Chefe de Estado nomeado - mas sem a nossa colaboração. Entre movimentações de massas, apenas se regista uma sessão de propaganda na Garagem Monumental, ao Areeiro, em Lisboa. Desiste, declarando: o País tornará a ter outro Chefe de Estado nomeado, mas sem a nossa colaboração. Entre os apoiantes, destacam-se os dissidentes do 28 de Maio, o almirante Cabeçadas, os majores David Neto e Mário Pessoa, bem como Cunha Leal

 

No dia em que Meireles anuncia a desistência, dois comícios a favor de Craveiro Lopes. Em Lisboa, no Pavilhão dos Desportos, discursa Salazar e lê-se uma carta que lhe enviou Charles Maurras: acima de tudo ... não nos abandone! Aguente-se! Fique e prossiga!. No Porto, por seu lado, o discurso é de Marcello Caetano.

 

 

 

 

6ª eleição do Presidente da República

 

22 de Junho de 1951

Eleição de Craveiro Lopes

Candidaturas oposicionistas de Quintão Meireles e Rui Luís Gomes (este pelo MND e pelo MUD, pró-comunistas)

Quintão Meireles anunciou a desistência em 19 de Julho

·Quintão Meireles foi proposto por António Sérgio, com o apoio de Aquilino Ribeiro. Mendes Cabeçadas e Vieira de Almeida. Recebeu depois o impulso combativo de Cunha Leal e Henrique Galvão. Na sua campanha é denunciada a corrupção do regime, nomeadamente a confusão entre o poder político e o poder económico.

 

III Congresso da União Nacional em Coimbra, em Novembro de 1951. Discutida e derrotada a tese da restauração da monarquia.

·Denunciada conspiração de Henrique Galvão em Janeiro de 1952

·Anuncia-se um partido cristão democrático em 1953

 


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