Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Eleições  de 1975  (25 de Abril)

 

As primeiras eleições verdadeiramente livres realizadas em Portugal desde 1820. Para um universo de 6 321 372 eleitores, 29% dos quais analfabetos, há 5 711 829 votantes (91, 66% de participação). Visava-se a eleição da Assembleia Constituinte, de acordo com os decretos-lei de 15 de Novembro de 1974 e conforme o II Pacto MFA/Partidos, subscrito em 11 de Abril, depois do I Pacto, de 26 de Fevereiro, ter sofrido os efeitos das circunstâncias revolucionárias do 11 de Março. O PS obtém 116 mandatos, com 37, 87% dos votos. O PPD: 81 mandatos, 26,39%. O CDS: 16 mandatos, 7,61%. O PCP: 30 mandatos, 12,46%. O MDP: 5 mandatos, 4,14%. A UDP: 1 mandato, 0,79%. A ADIM: 1 mandato, por Macau. Está no poder o IV Governo Provisório de Vasco Gonçalves desde 26 de Março de 1975. O acto eleitoral foi marcado por uma partipação cívica exemplar, contrariando-se os interesses e a vontade do poder revolucionário então dominante que também não aceitou imediatamente os sinais mainfestados pelo eleitorado, dado que os elementos comunistas e esquerdistas do MFA tentaram distorcer os resultados eleitorais e ameaçaram criar um verdadeiro partido socialista, acirrando uma escalada revolucionária que levou ao encerramento do jornal República e ao abandono do governo por parte tanto dos representantes do PS (11 de Julho) como do PPD (17 de Julho). Iniciava-se então o Verão Quente de 1975, com a emergência de um V Governo Prov isório (8 de Agosto) e de um VI Governo Provisório (19 de Setembro), já depois da abertura da Assembleia Constituinte, em 2 de Junho.

 

 


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