Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Os pequenos partidos
Vivia-se então um período de transição, com o grande bloco central do grupo da fusão, participado por regeneradores e históricos, mobilizado em torno de uma comissão eleitoral do centro, mas onde emergiu uma oposição reformista que recebeu o vago nome de partido popular e que existiu durante cerca de uma década, em torno de Sá da Bandeira e do bispo de Viseu, Alves Martins, um soldado tingido de padre por fora[1].
Os penicheirosNas margens, circulou o grupo dito liberal-progressista do conde de Peniche, futuro marquês de Angeja, que esteve na base da revolta popular contra os impostos, a Janeirinha de 1868[2].
Os republicanosAo mesmo tempo consolidou-se o grupo republicano do Pátio do Salema, em torno de António e Oliveira Marreca, com Latino Coelho, Gilberto Rola e Elias Garcia, os então chamados lunáticos.
JaneirinhaA Janeirinha, uma das primeiras revoltas populares provocada pela questão das subsistências, por causa do consequente aumento de preços e do açambarcamento de víveres, e que marca o fim da experiência fusionista, nasceu, aliás, contra um decreto de Fontes Pereira de Melo, que criou o imposto de consumo (7 de Dezembro de 1867), iniciando-se um período de instabilidade político-partidária que durará até 1876.
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Governo de António José de Ávila De 4 de Janeiro de 1868 a 22 de Julho de 1868 201 dias Ditadura de 14 de Janeiro a 19 de Março de 1868 |
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7º governo da Regeneração 4º governo sob o reinado de D. Luís Promove as eleições de 22 de Março/ 12 de Abril de 1868 |
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Presidência, reino e estrangeiros |
António José de Ávila |
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Justiça |
António Luís de Seabra |
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Fazenda |
José Dias Ferreira |
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Guerra |
General José Maria Rodrigues de Magalhães |
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Marinha |
General José Rodrigues Coelho do Amaral |
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Obras públicas |
Major Sebastião do Canto e Castro Mascarenhas |
[1] RAMALHO ORTIGÃO, As Farpas, III, p. 207.
[2] Foi em 1848 que surgiram em Portugal os primeiros jornais republicanos: A Alvorada de João Maria Nogueira (2 números); É Tarde de José Maria Casal Ribeiro; O Regenerador. Jornal do Povo ( de 16 de Abril a 6 de Junho); O Republicano (5 números), A Fraternidade (2 números); A República. Jornal do Povo (8 números de 25 de Abril a 20 de Junho). Em Maio de 1848 José Estevão, Oliveira Marreca e Rodrigues Sampaio criaram uma Comissão Revolucionária donde se formou nesse mesmo mês a carbonária Portuguesa. A comissão tinha como objectivos a formação de juntas revolucionárias, civis e militares, para prepararem a proclamação da república. No número de 20 de Junho de 1848, o jornal A República. Jornal do Povo fez um apelo à integração dos miguelistas nos republicanos: Homens que seguistes D. Miguel!!! Quereis união? Atirai com D. Miguel para a história. Isto é, tal como o setembrismo da Maria da Fonte e da Patuleia, o primeiro republicanismo reconheceu a realidade do populismo miguelista e pretendeu associar-se ao respectivo independentismo contra a situação estrangeirada do trono. Em 1864 fundou-se no Pátio do Salema, o Clube dos Lunáticos com Elias Garcia, Latino Coelho e Saraiva de Carvalho. Deste grupo surgiram vários jornais e revistas, destacando-se em 1869 a República Federal, de Felizardo de Lima; em 1870, A República. Jornal da Democracia Portuguesa, onde colaboraram Antero. Oliveira Martins, Eça, Luciano Cordeiro, Manuel Arriaga, Batalha Reis; a Alvorada e Trabalho de João Bonança; no Porto, a Gazeta Democrática, de Guilherme Braga. Em 1872, A República Portuguesa de Alves da Veiga, Magalhães de Lima, Almeida Ribeiro; no Porto, o Diário da Tarde. Em 12 de Fevereiro de 1873 dava-se a proclamação da República em Espanha.
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