Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Governo de Ávila
1877-1878
A partir de Março de 1877 e durante cerca de dez meses institui-se o governo presidido por António José de Ávila, o primeiro do rotativismo e da emergência dos progressistas que, tal como os velhos regeneradores o apoiam, ambos com imensas reservas mentais. Na Câmara dos Deputados, eleita em 12 de Julho de 1874, havia uma maioria de 78 deputados regeneradores e avilistas e os progressistas apenas contavam com 16 deputados (8 antigos reformistas e outros tantos históricos), para além de 6 deputados constituintes. O governo, formado maioritariamente pelos amigos de Ávila, então presidente da Câmara dos Pares, tinha apenas dois independentes: Barros e Cunha, nas obras públicas, antigo histórico que não tinha aderido ao Pacto da Granja, e Sousa Pinto, na guerra. Sem dispor de maioria própria, também não tinha um programa definido.
Oposição de Moreira de Rei e D. Ferreira
Com efeito, o novo gabinete, foi recebido na Câmara dos Deputados sem oposição. Aliás, regeneradores e progressistas apenas competiam sobre quem mais estava disposto a apoiar o governo. Apenas se levantou o deputado independente, o visconde Moreira de Rei. Já na Câmara dos Pares, José Dias Ferreira assumiu uma atitude claramente oposicionista, no que foi acompanhado por Van Zeller e Osório de Vasconcelos
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Barros e Cunha
Barros e Cunha tem, então, grande prestígio e logo toma medidas de austeridade, nomeadamente pela redução das gratificações.
Questão ultramarina
Na área ultramarina, os ingleses Cameron e Young lançaram uma campanha contra Portugal acusado de ser um país de negreiros. Como resposta, a Academia das Ciências encarregou Pinheiro Chagas de realizar uma série de conferências sobre os decobrimentos portugueses.
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Governo de António José de Ávila De 5 de Março de 1877 a 29 de Janeiro de 1878 331 dias |
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14º governo desde a Regeneração 1º governo do rotativismo 11º governo sob o reinado de D. Luís |
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·Presidente acumula o reino e os estrangeiros ·José de Sande Magalhães Mexia Salema na justiça ·António Florêncio de Sousa Pinto na guerra ·João Gualberto de Barros e Cunha nas obras públicas ·José de Melo Gouveia na marinha (acumulará a fazenda, desde 10 de Setembro) ·Carlos Bento da Silva na fazenda |
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Em 10 de Setembro de 1877: Melo Gouveia passa a acumular a fazenda, substituindo aqui Carlos Bento da Silva |
Conforme escrevia Ramalho Ortigão, o monarca lavrou então o decerto mandando o seu antigo ministério bochechar e encarregou o senhor marquês de Ávila e Bolama de reunir com os seus amigos o número de dentes necessários para formar uma gerência duradoura e firme[1]O mesmo autor observava que em Portugal em vez da lógica conservadores/ revolucionário havia uma maioria parlamentar e uma oposição composta de vários grupos dissidentes. Estes grupos são fragmentos dispersos do único partido existente – o partido conservador – fragmentos cuja gravitação constitui o organismo do poder legislativo. Estes partidos, todos conservadores, não tendo princípios próprios nem ideias fundamentais que os distingam uns dos outros, sendo absolutamente indiferente para a ordem e o progresso que governe um deles ou que governe qualquer dos outros, conchavaram-se todos e resolveram de comum acordo revesarem-se no poder e governarem alternadamente segundo o lado para que as despesas da retórica nos debates ou a força da corrupção na urna faça pesar a balança da régia escolha. Tal é o espectáculo recreativo que há vinte anos nos está dando a representação nacional[2]
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