Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


Governo de Mendes Cabeçadas

 

Em 28 de Maio de 1926 as instituições republicanas foram derrubadas por uma sedição militar, iniciada em Braga por Gomes da Costa e coordenada em Lisboa por Mendes Cabeçadas, antigo revolucionário da Rotunda, ligado à União Liberal Republicana[1]. Uma revolução quase à procura de autor que recebeu inicialmente apoio de variadas facções, de anarco-sindicalistas a católicos, passando por seareiros, integralistas, republicanos conservadores e monárquicos, mas cujos líderes foram sucessivamente devorados (primeiros Cabeçadas e depois Gomes da Costa), até se atingir a estabilidade com Carmona, apoiado pelo Ministro das Finanças, Oliveira Salazar que, pouco a pouco, emergiu como verdadeiro líder da nova situação. Com efeito, Gomes da Costa, Cabeçadas e Carmona foram as três principais figuras de um puzzle sediciosos que, durante três meses, personificou um movimento que, sem autor, procurou um chefe.

 

 

Em 30 de Maio de 1926:

Presidente assume todas as pastas

Nesse mesmo dia é instituído um triunvirato.

·Cabeçadas na presidência, marinha e justiça.

·Gomes da Costa na guerra, colónias e agricultura.

·Gama Ochoa no interior, estrangeiros e instrução.

Em 3 de Junho de 1926:

·Cabeçadas na presidência e interior.

·Oliveira Salazar nas finaças.

·Manuel Rodrigues na justiça.

·Gomes da Costa na guerra e colónias.

·Jaime Afreixo na marinha.

·Carmona nos estrangeiros.

·Mendes dos Remédios na instrução.

·Ezequiel de Campos na agricultura e no comércio.

 



[1] A Junta revolucionária de Lisboa era constituída, entre outros, por Cabeçadas, Gama Ochoa, Jaime Baptista e Carlos Vilhena, tendo o apoio do comandante da polícia, Ferreira do Amaral, que logo em 30 de Maio foi nomeado governador civil.

© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: