Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Em 1851, com a Regeneração, terminado que foi o período de sangrentas lutas caseiras, entrou em cena um liberalismo centrista e nacionalizado, herdeiro conservador de um romantismo que fora revolucionário. Contudo, o inspirador doutrinário do movimento, Alexandre Herculano, acabou por não o conformar e a ideologia, como criatura que se libertou do criador, até o remeteu para o exílio interno de Vale de Lobos.
A regeneração não passou de uma simples conciliação de sinais contrários, onde emergiu, como consequência e motor, o maçon Fontes Pereira de Melo, um caso acabado de céptico político que tratou de conjugar o progresso em Termos de melhoramentos materiais, onde as estradas e o comboio surgiram, mas onde também se agravou uma dominância banco-burocrática, assente no indiferentismo popular, bem como uma ilusão de crescimento dependente da engenharia financeira.
Foi neste ambiente de lassidão moral que se implantou um capitalismo dependente do empréstimo estrangeiro, gerando-se uma mentalidade oficial plutocrática marcada pelo utilitarismo.
O melhoramento material parecia ser a única alternativa a esta decadência. Ao menos a estrada de macadame, a malaposta, o tramway e o fontanário, esses sinais da política prática serviram para justificar o abandono das utopias doutrinárias. E os patuleias, depois de uma passagem pelo republicanismo de orçamento ou lunático, volveram-se em progressistas à maneira de José Luciano. Também os cartistas, de soldados do Pampelido e do cerco do Porto, transformaram-se em ordeiros e chamaram irracionais aos que continuaram aquecidos pela doutrina. Do mesmo modo, os miguelistas perderam romantismo e heroísmo e passaram ao beatério apostólico e congreganista. O romantismo ficou para os bandoleiros. Desde os miguelistas à maneira do Remexido, aos setembristas, tipo Zé do Telhado.
Apenas persistimos na guerrilha através do verbalismo literário irónico das farpas lançadas ao que está, transformando-nos, por vezes, em messiânicos da propaganda. Todos passámos a ter um pouco de Guerra Junqueiro, pisando os terrenos da blasfémia, até nos transfigurarmos em utopistas quase santos, como o socialista Antero. E alguns, procurando o cosmos, acabaram por redescobrir D. Sebastião por entre as brumas do Norte, importando filosofias dos sistemas fechados do idealismo alemão.
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Governo de Saldanha |
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1º governo da Regeneração Último governo sob o reinado de D. Maria II 1º governo sob o reinado de D. Pedro V |
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De 22 de Maio de 1851 a 6 de Junho de 1856 1864 dias Ditadura de 1 de Maio de 1851 a 31 de Dezembro de 1852. |
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·Acto Adicional de 5 de Julho de 1852 ·Governo promove as eleições de Novembro de 1851 e de Dezembro de 1852 |
Em 1 de Maio de 1851: Saldanha acumula a presidência e o reino
Em 1 de Maio de 1851: Saldanha, que está no Porto, acumula a presidência e o reino (só assume a pasta em 17 de Maio; até então ficou interino o barão da Senhora da Luz);
Em 1 de Maio de 1851: Fernando Mesquita e Sola, 1º barão de Francos, na guerra e na marinha;
Em 1 de Maio de 1851: Marino Franzini nos negócios eclesiásticos e justiça e na fazenda[1].
Em 1 de Maio de 1851:Barão de Francos na guerra
Em 1 de Maio de 1851: Barão da Senhora da Luz nos estrangeiros (até 22 de Maio) e no reino (até 17 de Maio)
Em 17 de Maio de 1851: Saldanha acumula o reino, a guerra e os negócios eclesiásticos e justiça
Em 17 de Maio de 1851: Marino Franzini na fazenda
Em 17 de Maio de 1851: Barão da Senhora da Luz na marinha e nos estrangeiros
Em 22 de Maio de 1851: Saldanha na presidência e na guerra;
Em 22 de Maio de 1851: Coronel José Ferreira Pestana no reino (Herculano, recusou a pasta), até 7 de Julho até 7 de Julho de 1851;
Em 22 de Maio de 1851: Joaquim Filipe de Soure nos negócios eclesiásticos e justiça, até 7 de Julho de 1851;
Em 22 de Maio de 1851: Miguel Marino Franzini, na fazenda, até 7 de Julho de 1851;
Em 22 de Maio de 1851: Loulé na marinha, até 7 de Julho de 1851;
Em 22 de Maio de 1851: Jervis de Atouguia nos estrangeiros[2].
Em 5 de Agosto de 1851: António Fernandes da Silva Ferrão substitui Marino Miguel Franzini na pasta da fazenda (até 21 de Agosto)
Em 21 de Agosto de 1851: Fontes assume a pasta da fazenda (será interino até 4 de Março de 1852)
Em 4 de Março de 1852: António Luís de Seabra, ministro dos negócios eclesiásticos e justiça, substituindo Rodrigo da Fonseca que ocupava a pasta interinamente
Em 4 de Março de 1852: Fontes cede a marinha a António Luís Jervis da Atouguia, assumindo a fazenda como ministro efectivo. Este passa a pasta dos estrangeiros a Almeida Garrett.
Em 17 e 19 de Agosto de 1852: Atouguia reassume os estrangeiros, substituindo Garrett (17 .
Em 17 e 19 de Agosto de 1852: Rodrigo da Fonseca volta à justiça, substituindo Seabra; (19
Em 30 de Agosto de 1852: Fontes assume a titularidade do novo ministério das obras públicas, comércio e indústria (interrompeu este exercício de 8 de Novembro de 1855 a 3 de Janeiro de 1856, quando foi substituído por Rodrigo da Fonseca). Até 6 de Junho de 1856.
Em 3 de Setembro de 1853: Frederico Guilherme da Silva Pereira assume a pasta dos negócios eclesiásticos e justiça (até 6 de Junho de 1856)
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