Partido Socialista Operário Espanhol
Partdo Socialista Obrero Español (1879)

Em 2 de Maio de 1879 o tipógrafo madrileno Pablo Iglesia funda o Partido Socialista Obrero Español, intimamente ligado à UGT. Alia-se em 1910 com os republicanos, permitindo o acesso de Iglesias ao parlamento. Promove uma greve geral falhada em 1917. Os adeptos da revolução de 1917 abandonam o partido em 1921 para formarem o PCE.

Após os sete anos de ditadura militar, chefiada por Primo de Rivera, a alternativa republicana, apoiada pelo PSOE, triunfa nas eleições de 14 de Abril de 1931, dando lugar à imediata restauração da II República, num clima do entusiasmo popular.
Os candidatos socialistas, em coligação com os republicanos, obtêm 115 assentos no parlamento então eleito.
Juntos empreendem uma política determinada de reformas, implementadas por um governo em quem três ministros socialistas estão presentes (Largo Caballero, Indalecio Prieto e Fernando de los Ríos).
Aquelas reformas, especialmente a reestruturação da propriedade fundiária e a revisão da legislação laboral, são prontamente contestadas pelas forças políticas conservadoras. A CEDA (Confederacion Española de Derechas Autónomas) obtem uma adesão importante nas eleições de Novembro de 1933, afastando do Poder as forças progressivas.

O endurecimento das posições conservadoras e o forte impacto popular, causados pelo esmagamento da Revolução das Astúrias, promove a união das forças progressistas republicanas num único bloco político, a Frente Popular.
A vitória nas eleições de 1936, permitiu retomar a política de reformas iniciada em 1931.
Não obstante, estas expectativas foram goradas pelo golpe de estado militar que, com o beneplácito da direita espanhola, afundou o país numa guerra civil sangrenta durante 3 anos (1936-1939).
A assistência do fascismo internacional a Franco, a paralisia dos regimes democráticos, a maior disponibilidade recursos econômicos dos nacionalistas, a par de outros factores, originou o colapso, após longos e duros combates, do frágil governo republicano.

O desfecho da Guerra Civil abriu um período histórico difícil para a sociedade espanhola, no geral, e para os socialistas, em particular.
Apesar da repressão, continuaram os militantes do partido a lutar na clandestinidade ou a partir do exílio.
Em 1953, Tomás Centeno, o secretário geral da UGT e líder do PSOE, morre às mãos da Direccion Nacional de Seguridad, em Madrid, vítima de tortura.
Dois anos mais tarde, jaziam nas masmorras franquistas de Burgos cerca de 1.200 socialistas, chegando a registar-se o encarceramento concomitante de seis commissões executivas. Apesar disto, o PSOE desenvolve durante o Franquismo uma acção opositora significativa, participando nas greves dos anos 50 e 60, enfrentando a ditadura em circunstâncias muito adversas, sob a perseguição constante da polícia política.
Já nos anos 70, o PSOE transforma-se numa ameaça séria para o regime, pelas relações que mantém com as forças democráticas europeias e a sua popularidade a nível interno, como partido socialista democrático e única alternativa credível ao moribundo regime.
Em 1974 celebra-se em Suresnes (França) o 26.º Congresso do partido, que escolhe a Felipe González para o cargo de Secretário-Geral.
Quando em 1976 (ainda na clandestinidade), se decide realizar em Madrid o 27.º Congresso, o PSOE desempenha já um papel fundamental na vida política espanhola. A legalização do Partido Socialista ocorre em Fevereiro de 1977. A criação, por acordo com outros partidos democráticos, de um coordenador comum da oposição para negociar o processo de transição democrática, culmina na marcação de eleições para 1977, nas quais prevalece a UCD, enquanto o PSOE se consolida como o primeiro partido da oposição.

O primeiro governo socialista, presidido por Felipe González, com Alfonso Guerra na vice-presidência, desenvolve uma política orientada, por um lado, para o aprofundamento e estabilização da jovem democracia, e, por outro, para a implementação de uma série importante de reformas, entre as quais avultam a profissionalização das Forças Armadas, a operacionalidade do modelo de Estado autonómico, a reforma educativa, as medidas de saneamento econômico e o lançamento das bases para uma legislação moderna assuntos assuntos controversos, como o legalização do aborto e a igualdade da mulher.
Tudo isto concorre para criar um clima novo de confiança nas instituições. Um outro aspecto de grande relevância, neste primeiro estádio, é a incorporação total de Espanha nas instituições internacionais ocidentais e, muito especialmente, a adesão às comunidades europeias, que ocorre a 12 de Junho de 1985, entrando em vigor a 1 de Janeiro de 1986.
Espanha deixa de ser um país isolado e transforma-se numa das nações mais activas nos foruns internacionais.
Cabe a este país, em diversas ocasiões, o exercício da presidência da União Européia. Nestes mandatos, a liderança de Felipe González e a gestão feita pelo aparelho socialista no Poder, obtêm reconhecimento nacional e internacional.
Em 1986, o PSOE ganha outra vez, nas eleições gerais, a confiança da maioria dos eleitores. Na primeira década de governação socialista, um programa de modernização das comunicações, sem precedents na História de Espanha, resulta na construção de novas infraestruturas viárias.
No âmbito interno, o PSOE faz neste período um esforço da integração e de abertura, procuarando captar outros sectores da esquerda espanhola. Aderem, ou fundem-se no partido, a tendência crítica encabeçada pelo antigo vice-secretário geral do PCE, Enrique Curiel (1990), o Partido dos Trabalhadores de Espanha (1991) e os bascos da Euskadiko Ezkerra (1993).
Em 1993, o PSOE vence de novo as eleições gerais e, meses mais tarde, o 33.º Congresso Federal, realizado em Madrid (Março de 1994), inicia uma nova etapa de transformações.
Passa à oposição, em 1996, na sequência da retumbante vitória obtida pelo PP de José Maria Aznar nas eleições legislativas antecipadas.
Rodríguez Zapatero sucede ao carismático González como secretário-geral.


© Nuno Zimas. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 21-12-2003