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Crepúsculo. Eleições
Eleições de 1901 (6 de Outubro)
5 423 132 habitantes no continente e ilhas em 1900. Decreto de 8 de Agosto de 1901 (a chamada ignóbil porcaria). 155 deputados. 148 deputados no continente e ilhas (ratio deputado/ população de 1/36 642). 26 círculos plurinominais no continente (22) e ilhas (4). 17 correspondentes a distritos. 7 círculos uninominais no Ultramar. Restaurada a representação das minorias (35 deputados). Regime de escrutínio por lista. Vitória dos governamentias regeneradores apoiantes de Hintze. Um deputado franquista por Arganil. Não há nenhum deputado republicano. Continua governo de Hintze.
Eleições de 1904 (26 de Junho)
5 423 132 habitantes no continente e ilhas em 1900. Decreto de 8 de Agosto de 1901 (a chamada ignóbil porcaria). 155 deputados. 148 deputados no continente e ilhas (ratio deputado/ população de 1/36 642). 26 círculos plurinominais no continente (22) e ilhas (4). 17 corespondentes a distritos. 7 círculos uninominais no Ultramar. Restaurada a representação das minorias (35 deputados). Regime de escrutínio por lista. Vitória dos governamentais regeneradores, com acordos eleitorais com os progressistas. Continua governo de Hintze.
Eleições de 1905
(12 de Fevereiro)
5 667 172 habitantes no continente e ilhas em 1905. 679 926 eleitores (12% da população total). Decreto de 8 de Agosto de 1901 (a chamada ignóbil porcaria). 155 deputados. 148 deputados no continente e ilhas (ratio deputado/ população de 1/36 642). 26 círculos plurinominais no continente (22) e ilhas (4). 17 correspondentes a distritos. 7 círculos uninominais no Ultramar. Restaurada a representação das minorias (35 deputados). Regime de escrutínio por lista. Vitória dos governamentais progressitas. Eleitos 3 deputados franquistas. Republicanos não colegem eleger nenhum deputado por Lisboa. Governo progressista de José Luciano.
Eleições de 1906
(29 de Abril)
Pouco mais de um mês depois da posse do governo realizaram as eleições em 29 de Abril de 1906, aproveitando-se os novos governamentais hintzáceos de uma dissolução que havia sido conseguida pelos progressistas lucianistas. Imediatamente se constituiu, no dia 4 de Abril, uma frente oposicionista de progressistas lucianistas e franquistas, dita concentração liberal que, contudo, não teve êxito eleitoral. Aliás, nos dia 8 e 13 de Abril há duas revoltas militares, a do cruzador D. Carlos I e do couraçado Vasco da Gama, bem demonstrativas da capacidade de sublevação militar das forças republicanas. É nestas circunstâncias que se desenrola a luta eleitoral, onde são imponentes os comícios republicanos realizados em Lisboa, no dia 22 de Abril. Os governamentais hintzáceos conseguiram uma confortável maioria de 105 deputados contra 17 progressistas lucianistas e 7 franquistas (todos estes eleitos por Lisboa), para além de 9 dissidentes progressistas, 6 nacionalistas, 2 independentes, 1 miguelista. Os republicanos, apesar de aumentarem a votação urbana, continuaram a não conseguir eleger deputados, em virtude dos grandes círculos plurinominais e da sua não penetração junto do eleitorado rural. Bernardino Machado, já então republicano, chegou a ser formalmente eleito no Peral, mas renunciou ao mandato quando se provou ter havido uma enorme chapelada promovida pelo governo, para fingir imparcialidade, com três vezes mais votos que os eleitores inscritos. Os republicanos aproveitam este ambiente e preparam várias manifestações de rua em Lisboa. A primeira, logo em 4 de Maio, na estação do Rossio, aclamando a chegada de Bernardino. Dois dias depois, na praça de touros do Campo Pequeno, quando os espectadores voltam a costas ostensivamente à família real, para ovacionarem Afonso Costa. Hintze Ribeiro, apesar de contar com uma confortável maioria parlamentar, pediu a D. Carlos adiamento das Cortes, mas o rei não lhe concedeu tal pretensão e decidiu apostar em João Franco, então apoiado por José Luciano.
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Eleições de 1906 (19 de Agosto)
Vitória dos governamentais, a aliança entre os apoiantes do chefe do governo, João Franco, então líder dos regeneradores liberais, e os progressitas, de José Luciano. Na altura, João Franco ainda governava à inglesa... O governo estava no poder desde 19 de Maio de 1906. Os progressistas continuarão a apoiar o gabinete até 2 de Maio de 1907.
Deputados franquistas
Entre os deputados franquistas, Paiva Couceiro, D. Miguel Pereira Coutinho, Álvaro Pinheiro Chagas (director doo Jornal da Noite) e Chaves Mazziotti.
Republicanos
4 deputados republicanos em Lisboa: Afonso Costa, António José de Almeida, Alexandre Braga e João de Meneses. Mas nas votações em Lisboa, os governamentais vencem os republicanos por 195 votos. Votação em Lisboa Oriental Republicanos 5269 Franquistas e progressistas 4641 Regeneradores 601 Votação em Lisboa Ocidental Republicanos 4099 Franquistas e progressistas 4922 Regeneradores 1209 Em 4 de Novembro de 1906, os republicanos coligados com monárquicos oposicionistas, vencem as eleições municipais do Porto.
Ordem e liberdade do acto eleitoral
Em 20 de Agosto, D. Carlos dirige carta a João Franco, considerando que as eleições fizeram-se com uma ordem e uma liberdade a que estamos desabituados, ordem e liberdade em que é absolutamente necessário não só entrar, como agora, mas prosseguir.
Governar à turca
A chamada Ditadura franquista apenas acontece depois de 10 de Maio de 1907. Mas, em 24 de Dezembro de 1907, são convocadas eleições para 5 de Abril de 1908. Tudo se desmorona quando no dia 1 de Fevereiro de 1908 ocorre o regicídio.
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Eleições de 1908 (5 de Abril)
Eleições realizadas depois do regícidio, da queda do governo de João Franco e com o governo da acalmação de Ferreira do Amaral. Eleitos 63 regeneradores, 59 progressistas, ainda liderados por José Luciano, 15 independentes amaralistas, 7 republicanos, 7 dissidentes progressistas, liderados por José de Alpoim, 3 franquistas, liderados por Vasconcelos Porto, e 1 nacionalista, Jacinto Cândido. Na lista do governo, apareceu inclusive o médico republicano Manuel Bombarda. Vitória dos apoiantes do governo da acalmação de Ferreira do Amaral (equilíbrio entre regeneradores e progressistas). Contudo, ainda se registam alguns incidentes de vulto em Lisboa, com 14 mortos e uma centena de ferido no largo de S. Domingos e em Alcântara. Dos 63 deputados regeneradores, 21 acompanharão a dissidência de Campos Henriques. 15 deputados amaralistas. 59 deputados progressistas. 7 deputados republicanos.
Deputados republicanos
Por Lisboa, António José de Almeida, Alexandre Braga e João de Meneses. Por Setúbal, Estevão de Vasconcelos e Feio Terenas. Por Évora, Brito Camacho. 3 deputados franquistas, liderados por Vasconcelos Porto. Além deste Martins de Carvalho e Malheiro Reimão. 7 deputados dissidentes progressistas. 1 deputado nacionalista.
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Eleições de 1910 (28 de Agosto)
As últimas eleições do constitucionalismo monárquica, pouco mais de três meses antes da instauração da República. Duplicam os deputado republicanos, que passam para 14. Os apoiantes do governo apenas conseguem cerca de 90 deputados. Os regeneradores dividem-se entre os apoiantes de Campos Henriques (20 deputados) e os de Teixeira de Sousa (30 deputados). Os próprios franquistas fragmentam-se. Surge um grupo de Lisboa, com Melo e Sousa e Malheiro Reymão, e os que seguem Vasconcelos Porto, em torno do Correio da Manhã.
Bloco conservador
No Verão de 1910 falou-se num grupo de direita e num grupo de esquerda, ambos supra-partidários. Na direita, então dita bloco conservador, alinharam os progressistas de José Luciano, em torno do Correio da Noite, os regeneradores de Campos Henriques, os franquistas de Vasconcelos Porto, com o Correio da Manhã, e os nacionalistas de Jacinto Cândido, em torno de Liberdade, apoiado em Castelo Branco por Tavares Proença, bem como dos jornais Palavra, dirigido por Francisco Gonçalves Cortez, e de Portugal, dirigido pelos jesuítas do padre Matos.
Bloco liberal
No grupo de esquerda ou bloco liberal, estiveram os dissidentes progressistas de José de Alpoim, ditos os buicidentes, os franquistas de Melo e Sousa e Malheiro Reimão, e os católicos de cariz franciscano, contrários ao partido nacionalista, influenciado pelos jesuítas, com Quirino de Jesus e Abúndio da Silva, defensores da democracia cristã.
Divisão entre os republicanos
Mesmo entre os republicanos, há uma esquerda, com Afonso Costa, que lê o jornal O Mundo, e uma direita, com Brito Camacho, que tanto lê A Lucta, como O Povo de Aveiro, de Francisco Homem Christo.
Grupos em vez de partidos
Confirmava-se assim aquilo que referia Fernando Pessoa sobre a monarquia constitucional que nunca teve partidos separados por ideologias diferentes, mas apenas grupos sem noção diferente das coisas e, portanto, como em todo o caso onde a inteligência não impera, governados apenas pelos instintos e pela politiquice de caciques.
Ficção
Como observa Raul Brandão, o que resta de pé não passa de ficção. Quem manda, quem governa, mesmo na oposição, são os republicanos … Sucedem-se os governos, mas a força é outra, que se sente por trás do cenário.
A ilusão da ditadura plebiscitária
Em 20 de Setembro de 1910 Paiva Couceiro deu uma entrevista a Joaquim Leitão do jornal O Porto onde considerou o país ingovernável, propondo a seguinte solução: Talvez uma ditadura plebiscitária ... à qual se incumbisse a execução de um prefixo programa de governo e de providências, de acalmação e policiamento interno, voltando-se ao cabo do prazo limitado do seu exercício ao viver corrente da normalidade constitucional já moldada noutras formas.
A Revolução
Em 22 de Setembro António Ferrão na Alma Nacional assinalava: a Revolução com maiúscula se pode, ou antes, se deve considerar como a resultante de várias revoluções com minúsculas: a dos espíritos, a dos caracteres, a dos costumes, a económica, a financeira, a administrativa, a militar - no bom sentido ... enfima mais brilhante, a mais teatral, e por isso aquela em que a maioria pensa, sonha - a revolução das ruas
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