Revoltas de Sousa Dias (3 e 7 de Fevereiro de 1927 )

 

Revolta militar do reviralho, desencadeada a partir do Porto, comandada pelo general Gastão de Sousa Dias, apoiado pelo coronel Fernando Freiria, Jaime de Morais, Jaime Cortesão, pelo capitão João Sarmento Pimentel, pelo capitão António Alfredo Chaves, e pelo tenente João Pereira Carvalho, um dos revoltosos do 28 de Maio de 1926. Cortesão assume o governo civil. Vários revolucionários mobilizados por José Domingues dos Santos. Os revoltosos pedem a demissão do Governo e o regresso à Constituição de 1911. Revolta-se também a GNR e parte de Artilharia 5 e Viana do castelo sob o comando do tenente miliciano Eduardo Cerqueira Cruz. Focos revoltosos em Faro com o primeiro-tenente Sebastião Costa e em Tavira. Tropas fiéis ao governo, comandadas pelo ministro da guerra tenente-coronel Passos e Sousa, concentram-se na Serra do Pilar. Em apoio do governo vêm também tropas de Lamego com Lopes Mateus. Coronel João Carlos Craveiro Lopes incia o bombardeamento aos revoltosos.  No dia 7, o movimento alastra a Lisboa, sob o comando do primeiro-tenente Agatão Lança, juntando uma força de marinheiros e companhias da GNR, apoiados pelos antigos membros da formiga branca. Apoia a revolta lisboeta o coronel José Mendes dos Reis. Sublevam-se também  o cruzador Carvalho Araújo, sob o comando do comandante João Manuel de Carvalho e a canhoneira Ibo. Revoltosos concentram-se no Arsenal, que sofre um bombardeamento da aviação. Do lado governamental em Lisboa a defesa é coordenada, primeiro, pelo general Luís Manuel Dominguese, depois do dia 9, por Passos e Sousa. Cerca de 70 mortos no Porto e 50 em Lisboa. Uma revolta sanguinolenta. O antigo ministro da guerra Américo Olavo foi morto em Lisboa na sua própria residência. Ao lado do governo da Ditadura, combateram os futuros oposicionistas Humberto Delgado e Henrique Galvão. Governo emite Decreto nº 13 138 que, além de dissolver as unidades do Exército e da GNR revoltosas, extingue as organizações políticas e cívicas participantes. Jaime Cortesão e Raúl Proença são demitidos dos cargos que desempenhavam na Biblioteca Nacional. Em 27 de Maio é dissolvida a Confederação Geral dos Trabalhadores, encerrada a sua sede e o jornal A Batalha. Nomeado para comandante da GNR o coronel Augusto Manuel Farinha Beirão.

                   

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 01-05-2007