Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


I República. Classe Política

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A

Albuquerque, Brás  Mouzinho de. Ministro do interior no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 29 de Maio de 1916 a 25 de Abril de 1917, na qualidade de independente.

Almeida, António José de (1866-1929). Almeida, António José de  (1866-1929) Segundo Raúl Brandão, é um orador, até os seus artigos são discursos... mas justiça, liberdade e povo que para outros não passam de plavras, são para ele realidades profundas. Médico, deputado republicano antes de 1910. Quando estudante, com 24 anos, publica um célebre artigo, Bragança, o Último, pelo qual é condenado a três meses de prisão. Exerce a clínica em S. Tomé, donde regressa em 1903. Em 24 de Janeiro desse mesmo ano, faz um vibrante discurso no funeral de Rafael Bordalo Pinheiro. Detido em 31 de Janeiro de 1908. Director da revista Alma Nacional. Fundador do partido evolucionista. O mítico tribuno dos tempos da propaganda heróica, o palavroso ideológo da revista Alma Nacional, impulsivo no discurso, volúvel de feitio, todo ele uma sucessão rápida de amores e ódios, misturando táctica com estratégia, tanto não tinha ideias gerais assentes em linhas filosóficas mínimas. Romântico, homem de crenças, reduzia as ideias ao prazer do discurso. Ministro do interior do governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. É então o ministro da província. Começa por ser apoiado por Machado Santos, mas em breve constitui uma terceira força, aproveitando os confrontos entre o grupo de Camacho/ Relvas e o de Costa/ Bernardino.  Presidente do ministério da união sagrada, de 15 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917, onde acumula a pasta das colónias. Presidente da república eleito em 6 de Agosto de 1919. Exerce as funções de 5 de Outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923. É o único que consegue cumprir o seu mandato. Morreu em 30 de Outubro de 1929. A partir de Janeiro de 1911 desenha um movimento de ruptura com a facção dominante no governo provisório. Nesse mesmo mês apresenta no conselho de ministros, projecto sobre o horário de trabalho, que não é aprovado. É então que começa a publicar-se o jornal República, de que é fundador (15 de Janeiro). Dá apoio frouxo ao segundo governo, presidido por João Chagas, em Setembro de 1911, quando se esboça uma manobra entre camachistas e afonsistas para o afastar. No mês seguinte é vaiado e sovado no Rossio por afonsistas.Tinha-se declarado independente do Partido Republicano em nota publicada em A República. Nov 11 António José de Almeida e Afonso Costa vão de comboio ao Porto em propaganda. Na chegada ao Porto, Almeida é insultado e Costa aplaudido. Repete-se a cena no regresso a Lisboa, no dia 6 de Novembro. Manifestantes gritam vários morras e Almeida, em charrette, tem de sacar da pistola para se defender. Costa vai de automóvel e é ovacionado. Como salienta Vasco Pulido Valente a chegada ao Rossio juntou num único dia o 4 de Maio de Hintze Ribeiro e o 18 de Junho de João Franco. António José de Almeida em artigo publicado em A República de 7 de Novembro retira apoio ao governo de João Chagas: o governo está em crise total? Não se sabe. No entanto não vemos razão para que o governo abandone o poder. Um só homem tem que sair e deve sair. É o sr. João Chagas. A pasta do interior tem de ser confiada a um homem de critério, mas a quem não faleça o pulso. Ou entramos na ordem, ou. Este pede imediatamente demissão a Manuel Arriaga. Afastando-se do Partido Republicano em Outubro de 1911, alia-se a Brito Camacho, esboçando a criação de uma União Nacional Republicana. Mas, em 24 de Fevereiro de 1912, funda o Partido Republicano Evolucionista. No mês seguinte propôe, em pleno parlamento, nada mais, nada menos, que uma amnistia geral para os católicos e conspiradores monárquicos, coisa que não teve vencimento, nomeadamente pela actuação do deputado Alexandre Braga. Afonso Costa, por seu lado, reforçou o controlo do PRP. Nos primeiros dias de Janeiro de 1913, Duarte Leite, naquilo que Machado Santos qualificou como um ataque de neurastenia, apresentava a demissão, tendo como pretexto a divisão formal do Partido Republicano e invocando a necessidade de um governo assente numa maioria parlamentar. Arriaga ainda tentou a hipótese de António José de Almeida, que contou com o apoio de Brito Camacho, mas que não conseguiu mobilizar os independentes, por causa da respectiva proposta de amnistia. Chegava o tempo António José de Almeida defendeu a necessidade de realização imediata de eleições locais, mas a maioria das câmaras municipais disse que não, invocando o facto do eleitorado ser adverso à república ou dominado pelo clero. O ministro da guerra continuava a ser apoiado pelo jovens turcos. 1913 A outubrada impende que se consume a Liga das Oposições, com a junção do grupo de Brito Camacho a António José de Almeida e Machado Santos, e onde alinhavam o jornal O Rebate, influenciado por Alfredo de Magalhães. Junho 14 Afonso Costa desafia António José de Almeida para duelo, sabendo que este o não aceita, por ser defensor do modelo dos tribunais de honra. Dez 14 António José de Almeida recusa governo de concentração. Afonso Costa diz que a união é impossível por causa das guerras pessoais. Almeida considera que a questão tem a ver com princípios, nomeadamente com as divergências quanto à Lei da Separação. Brito Camacho está contra o governo de concentração e até contra a hipótese de governo extrapartidário, defendendo um governo de base parlamentar demo-evolucionista ou demo-unionista. Mas põe obstáculos até à concretização deste último. Jan 15 apoia gov. de P. Machado António José de Almeida, elogiando Pimenta de Castro, promete uma oposição tenaz, formal e intransigente António José de Almeida na Câmara dos Deputados considera que, perante a guerra, a alma portuguesa ainda não encontrar aquela vibração suprema. Jaime Cortesão havia defendido a criação de um sistema de propaganda face à nossa participação na guerra (20 de Maio) António José de Almeida, eleito em 6 de Agosto, tomou posse como Presidente da República em 5 de Outubro de 1919 Em 26 de Agosto de 1922, António José de Almeida partia para uma viagem oficial ao Brasil (chega ao Rio de Janeiro em 17 de Setembro e regressa a Lisboa no dia 11 de Outubro) Jan 23 António José de Almeida impõe o barrete cardinalício ao novo Núncio Apostólico, Monsenhor Acquille Locatelli, em 4 de Janeiro. Choques entre revolucionários e polícias em Lisboa e no Porto. ·Quarenta Anos de Vida Literária e Política 4 vols., Lisboa, 1933-1934. Ver Governo de António José de Almeida.

Almeida, Artur Duarte Luz de (1867-1939) Fundador da Carbonária Portuguesa em 1897, de que foi Grão-Mestre. Um dos conspiradores do 5 de Outubro, tem de fugir em 1909, regressando a Portugal apenas depois da implantação da República.

Almeida, Celestino Germano Pais de (1861-1922). Médico. Republicano histórico. Almeidista e, depois, liberal. Membro do governo por cinco vezes, nas pastas das colónias e da marinha (1911, 1912, 1916-1917 e 1920-1921).·Republicano histórico. ·Deputado às Constituintes. ·Ministro das colónias de João Chagas, de 3 de Setembro a 12 de Novembro de 1911. O único almeidista de um ministério dominado por camachistas. ·Ministro da marinha do governo de Augusto de Vasconcelos, de 12 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912. ·Subsecretário de Estado das colónias no governo de António José de Almeida, de 18 de Maio de 1916 a 25 de Abril de 1917. ·Ministro da marinha, de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira. ·Ministro das colónias, de 24 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo de Barros Queirós.

Almeida, Filémon da Silveira Duarte de. Ministro das colónias no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925.

Almeida, Fortunato de (1869-1933) Formado em direito. Historiador. Professor de liceu·A Questão SocialCoimbra, 1893.·Subsídios para a História Económica de PortugalPorto, 1920.·História da Igreja em PortugalEm seis volumes, 1910-1922.·História de PortugalEm seis volumes, 1922-1929.

Almeida, Manuel Lacerda de (1890-1930) matemático e astrónomo. Outubrista, do partido radical. Chefe da revolução de Almada de Fevereiro de 1926. Ministro da instrução pública de 22 de Outubro a 5 de Novembro de 1920.

Alpoim, Amâncio de (1889-1948). Deputado centrista em 1918, filiou-se depois no Partido Socialista (1922). Sobrinho de José Maria Alpoim. Advogado, primeiro, no Porto e, depois de 1933, em Lourenço Marques. Foi administrador da Caixa Gera de Depósitos.

Álvares, José Maria (1875-1940) Engenheiro formado em Inglaterra. Ministro da agricultura de 20 a 30 de Novembro de 1920, no governo de Álvaro de Castro. Democrático e reconstituinte, fundador da União dos Interesses Económicos. Presidente da AIP em 1924, sucedendo a Alfredo da Silva. Lança a revista Indústria Portuguesa em 1928. Animador do I Congresso da Indústria Portuguesa de 1933.

Alves, César Justino de Lima (1866-1942). Maçon desde 1908. Agrónomo, professor do Instituto Superior de Agricultura. Democrático e reconstituinte. Ministro da agricultura no governo de Sá Cardoso, de 30 de Junho de 1919 a 3 de Janeiro de 1920

Amaral, Joaquim Mendes do (1889-1961) Oficial do exército e professor da Escola de Guerra. Secretário de Estado do comércio de 15 de Maio a 8 de Outubro de 1918 (interino das finanças de 1 de Junho a 8 de Outubro) e ministro da agricultura de 7 de Julho a 10 de Novembro de 1928. Presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

Amorim, Diogo Pacheco de (1888-1976) Professor de matemática nas universidades de Coimbra e do Porto. Deputado católico em 1919. Volta a ser deputado salazarista em 1934 e 1938.

Andrade, Alfredo Augusto Freire de (1859-1929). Oficial de engenharia. Professor da Escola do Exército e da Escola Politécnica. Chefe de gabinte de António Enes em 1894-1895. Governador de Moçambique de 1906 a 1910. Franquista, adere à República. Director-geral das Colónias de 1911 a 1913. Presidente do Conselho Superior de Instrução. Ministro dos negócios estrangeiros de 23 de Maio a 12 de Dezembro de 1914, no governo de Bernardim Machado. Ver Eduardo de Noronha, Freire de Andrade, Cadernos Coloniais, Lisboa, Cosmos, 1935.

António Granjo

Arez, António Augusto de Almeida  (1868-1942). Juiz e oficial do exército, de origens goesas. Auditor geral do CEP. Membro do partido radical, passa para os reconstituintes. Chega a ser membro da Aliança Republicano-Socialista. Ministro da justiça de 22 de Outubro a 5 de Novembro de 1921, no governo de Manuel Maria Coelho. Dirigente do partido radical.

Arriaga Brum da Silveira e Peyerlongue, Manuel José de (1841-1917) Deputado repubicano antes de 1910. Eleito em Novembro de 1882, sob um governo regenerador, e reeleito em 30 de Março de 1890. Organizador do programa do partido republicano de 10 de Junho de 1882. Reitor da Universidade de Coimbra depois da instauração da República. No discurso de posse, anuncia a extinção da Faculdade de Teologia e a abolição dos juramentos religiosos, anunciando um ensino sem Deus e sem Rei. Invoca todo um programático positivista, gerando uma constestação ideológica, onde se destaca Paulo Merêa, em O idealismo e o direito. Presidente da República de 5 de Maio de 1911 a 27 de Maio de 1915.·Na Primeira Presidência da República Portuguesa. Um Rápido RelatórioLisboa, 1916. Autor de Harmonias Sociais. O Problema Humano e a Futura Organização Social. No Debute da sua Fase Definitiva. A Paz dos Povos, Coimbra, 1907. Ver também Na Primeira Presidência da República Portuguesa. Um Rápido Relatório, Lisboa, 1916.

Azevedo, Américo Olavo Correia de (1881-1927) Maçon desde 1901. Membro do grupo dos Jovens Turcos, sucessivamente democrático e reconstituinte. Deputado de 1911 a 1925. Ministro da geurra de 8 de Maio a 6 de Julho de 1924. Morre na revolta de 8 de Fevereiro de 1927.

Azevedo, Aníbal Lúcio de (1876-1952). Engenheiro de minas, chega a director da casa da Moeda. Maçon desde 1911. Membro do partido democrático. Ministro do comércio do governo de António Maria Baptista/ Ramos Preto, de 8 de Março a 26 de Junho de 1920.

Azevedo, José João Pinto da Cruz (1888-1964). Oficial do exército. Ministro dos abastecimentos com Sidónio Pais.


B

 

Baptista, António Maria. Baptista, António Maria (1860-1920) Oficial do exército. Combate nas campanhas de África e assume-se como militante do partido democrático depois de 1910. Actor em momentos marcantes como em 1915, 1916 e 1917, quando pôs a espada ao serviço do modelo afonsista de república, contra Pimenta de Castro, Machado Santos e a restauração monárquica, passa a corporizar a esperança dos democráticos no sentido de um programa de defesa intransigente da ordem pública, contra a agitação sindical e a actividade bombista, a partir de 1919, quando exerce as funções de ministro da guerra. Pelo estilo pretoriano, consegue granjear para o situacionismo democrático o apoio das chamadas forças vivas. Chamado a organizar governo em 1920, morre no exercício destas funções, em pleno conselho de ministros, vítima de uma apoplexia, depois de receber uma carta insultuosa. Fica, depois, célere o aforismo: ou é da minha vista ou estás a edir um Baptista. Companheiro de Mouzinho em Moçambique. Membro do Partido Democrático. 1915 Participa na revolta de 1915 contra Pimenta de Castro, ao lado de Álvaro de Castro, em Santarém. 1916 Combate a revolta de Machado Santos de 13 de Dezembro de 1916. 1919 Participa na Grande Guerra. Combate a revolta monárquica de Monsanto em 23 e 24 de Janeiro de 1919. Célebre pela repressão das greves, já como coronel, sendo conhecido como o Baptistinha. 1919 Ministro da guerra do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 29 de Junho de 1919.  1920 Presidente do ministério e ministro do interior em 8 de Março de 1920.

Baptista, Roberto da Cunha  (1874-1932) Oficial do exército. Franquista, adere à República, passando a democrático e acompanhando os alvaristas nos reconstituintes. Chefe de gabinete de Pereira Basto em 1913-1914. Ministro da geurra de 20 a 30 de Novembro de 1920.

Barbosa, João Tamagnini de Sousa. Candidato derrotado em 1911, quando se apresentou como esquerdista contra o PRP. Circula entre os apoiantes de Brito Camacho. Membro do Partido Centrista Republicano que em 1917 se destacou dos evolucionistas (companheiro de Egas Moniz e Malva do Vale). Ministro de Sidónio Pais, entre 12 de Dezembro de 1917 e 14 de Dezembro de 1918. Ocupou as pastas das colónias, do interior e das finanças. Chefe do governo de 23 de Dezembro de 1918 a 27 de Janeiro de 1919. Grão mestre da maçonaria do rito escocês em 1933.

Barbosa, José (1869-1923). Natural da ilha do Fogo. Jornalista republicano, colaborador de A Lucta. Maçon desde 1910. Alinha sempre com o grupo camachista e integra, depois, o partido liberal. Deputado, chega a ministro das colónias em 1920. Fica célebre por ter apresentado em 21 de Junho de 1911 um projecto constitucional presidencialista. Deputado desde 1911. Membro do grupo camachista desde sempre. Em 1910-1911 participa na luta entre o respectivo grupo, disto então grupo do directório, contra os chamados provisórios. Faz a ponte com os democráticos em 1912, através de Álvaro de Castro e dos jovens turcos, numa política de aproximação sancionada por Afonso Costa para isolar o grupo evolucionista. Em Dezembro de 1916 critica a política de saneamento de oficiais pelos democráticos, depois da revolta de Machado Santos, considerando que a República caminha para o abismo. Critica o presidencialismo de Sidónio Pais em Fevereiro de 1918. Como liberal, é ministro das colónias de 25 de Janeiro a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira. Já aparecia em tal posto no governo frustrado de Afonso Costa de 15 de Janeiro do mesmo ano.

Barreto, António Xavier Correia (1853-1939). Oficial do exército, inventor da pólvora sem fumo. Ministro Ministro da guerra do  Governo Provisório da I República, mantém íntimas ligações com o grupo dos jovens turcos, liderado por Álvaro de Castro. O respectivo chefe de gabinete é o capitão Alfredo Sá Cardoso; o ajudante de campo do ministro, o tenente Helder Ribeiro; o chefe de estado maior da 1ª divisão, o capitão João Pereira Bastos, apoiados por outros tenentes como Álvaro de Castro, Álvaro Poppe, Américo Olavo e Vitorino Guimarães, quase todos membros da loja Portugal criada em 1908 e transformada, depois de 1910, na Jovem Turquia, sob a liderança de Álvaro de Castro). O grupo tinha desistido de apoiar os revolucionários da Rotunda, depois de conversas com Ribeira Brava, o que fez Machado Santos irar-se. Autor do decreto sobre a reorganização do exército de 25 de Maio de 1911. Quer identificar o exército com a nação armada de maneira a que deixe de ser uma casta à parte. Tenta-se o modelo suíço, com serviço universal e obrigatório de 15 a 30 semanas e treinos anuais de duas semanas durante dez anos. Visa-se que este seja uma continuação da instrução primária. O diploma não se aplica. Ministro da guerra em três governos da I República: no governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. No de Duarte Leite, de 16 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913. No de António Maria da Silva, de 7 de Fevereiro a 30 de Novembro de 1922. Presidente do Senado.

Barreto, João Carlos de Melo (1873-1935). Bacharel em direito.Um exemplo de capacidade de mudança. Monárquico, deputado regenerador em 1904, sucede a Emídio Navarro na direcção do jornal Novidades, faz-se, depois, republicano, passando de democrático a alvarista, para, depois de 1926, servir a Ditadura Nacional. Ministro dos estrangeiros em 1920 e embaixador em Madrid de 1926 a 1935. Autor de óperas cómicas. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Sá Cardoso, de 30 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920. O mesmo cargo no que imediatamente se lhe seguiu, o de Domingos Pereira, de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920. Passa a embaixador em Madrid e, depois do 28 de Maio de 1926, é confirmado por Carmona.

Barros, João de (1881-1960). Autor de A república e a escola, 1913 e Educação Republicana, 1916. Maçon desde 1910. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de José Domingos dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925. Ver Rogério Fernandes, João de Barros Educador Republicano, Lisboa, Horizonte, 1971; Manuela de Azevedo, Cidadão João de Barros, Lisboa, FAOJ, 1977; Maria Alice Reis, A pedagogia e o Ideal republicano em João de Barros, Lisboa, Terra Livre, 1979.

Basto, Eduardo Alberto Lima (1875-1942) Agrónomo desde 1902. Professor em Coimbra, em 1902, passa para o Instituto Superior de Agricultura de Lisboa em 1906. Professor na Escola Superior Colonial até 1942. Maçon desde 1908 e desde sempre militante dos democráticos, ligado a Afonso Costa. Por quatro vezes ministro da I República, em 1914-1915, 1917, 1922 e 1925. Como ministro do trabalho em 1917, enfrenta a chamada revolta dos abastecimentos, tentando superar a questão através do chamado decreto de mobilização agrícola. Depois de 1926, presidente da Associação Comercial de Lisboa. Autor de Política Comercial Portuguesa, 1934; e do Inquérito Económico-Agrícola, 4 vols., 1936. Chefe de secção dos serviçoa agronómicos do ministério das colónias em 1912. Chefe de secção da repartição de ensino agrícola do ministério da instrução em 1913. Director geral de instrução agrícola em 1919. Ministro do fomento de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915. Ministro do trabalho no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 8 de Dezembro de 1917, enfrenta a chamada revolta dos abastecimentos. Autor do decreto de mobilização agrícola. Ministro do comércio e comunicações no governo de António Maria da Silva, de 7 de Fevereiro a 7 de Dezembro de 1922. Ministro das finanças no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925.

Basto, José Alberto da Silva (1876-1972) Oficial do exército.. Ministro da guerra de 7 a 27 de Janeiro de 1919, no governo de Tamagnini Barbosa, substituindo Cunha Corte Real.Chefe do estado maior do exército em 1933-1935. Director da arma de artilharia de 1935 a 1939.

Bastos, João Pereira (1865-1951). Oficial do exército. Maçon desde 1893. Membro dos jovens turcos. Democrático e reconstituinte. Deputado desde 1911. Ministro da guerra do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914.

Bessa, Henrique Forbes (1894-1920). Ministro do Interior de Sidónio Pais, de 7 de Março a 15 de Maio de 1918. A partir desta data, até 7 de Janeiro de 1919, fica com a pasta do trabalho, substituindo Machado Santos, que manteve depois da morte de Sidónio, no governo de Tamagnini Barbosa. Governador civil de Lisboa de 13 de Dezembro de 1917 a 8 de Março de 1918, era então cadete na Escola de Guerra e estudante no Instituto Superior Técnico. Deputado dezembrista.

Biker, Joaquim Pedro Vieira Júdice (1867-1926). Oficial da marinha. Ministro da marinha na I República em dois governos. Sucessivamente membro dos liberais e nacionalistas.

·Governador ultramarino (Guiné, Cabo Verde, Limpopo e São Tomé).

·Ministro da marinha de 8 de Março a 26 de Junho de 1920, no governo de António Maria Baptista/ Ramos Preto (o único liberal num governo de democráticos).

·Ministro da marinha no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923.

Bombarda, Miguel Augusto (1851-1910). Médico. Director e reformador do hospital de Rilhafoles. Membro da junta revolucionária do 5 de Outubro, será assassinado por um dos seus doentes na véspera do golpe. Autor de A Consciência e o Livre-Arbítrio, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1898 e A Ciência e o Jesuitismo, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1900. Ver O Assassínio de Miguel Bombarda, in Vida Mundial, nº 1634, de 2 de Outubro de 1970.

Borges, António França (1871-1915). Republicano, director de O Mundo, órgão do partido democrático. Deputado desde 1911. Maçon desde 1901. Morreu de tuberculose em França

Borges, Vasco (1882-1942). Licenciado em direito. Juiz da Relação de Lisboa. Governador civil do Funchal em 1914 e na Guarda (1916-1917)Ministro da instrução pública de 8 de Março a 26 de Junho de 1920, no governo de António Maria Baptista/ Ramos Preto. Ministro do comércio de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1920, no governo outubrista de Maia Pinto. Ministro do trabalho no governo de António Maria da Silva, de 7 de Fevereiro a 9 de Janeiro de 1923 (substituído por Rocha Saraiva). Ministro do comércio de 30 de Novembro a 7 de Dezembro de 1922, no governo de António Maria da Silva, mantendo a pasta do trabalho a título interino. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925; idem, no governo de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 a 28 de Maio de 1926. Apoia a Ditadura Nacional. Colabora em 1936 com o governo de Salazar. Depois de proferir uma alocução na Emissora Nacional em Dezembro de 1934 a favor do Estado Novo, ficou conhecido como o viracasacas, depois de um anúncio jocoso publicado na imprensa e que escapou às malhas da censura.

Braga, Alexandre (1871-1921). Advogado. Um dos sete deputados republicanos eleitos em 5 de Abril de 1908. Raúl Brandão considera que fez da sua vida uma orgia... com esplêndidos discursosDeputado democrático. Opõe-se à amnistia para os conspiradores monárquicos, contra a proposta de António José de Almeida, em 1912-1913. Ministro do interior  de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915. Ministro da justiça no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 8 de Dezembro de 1917.Xx123

Braga, Joaquim Fernandes Teófilo  (1843-1924) Participa na Questão Coimbrã de 1865. Forma-se em direito em 1868. Em 1872, professor de literatura do Curso Superior de letras. Publica Soluções Positivas da Política Portuguesa em 1879. Considera que o constitucionalismo monárquico é uma transigência provisória entre o absolutismo e a revolução, e que esse estado provisório era explorado por uma família, muito além do legítimo momento histórico, onde dominam partidos médios que quando têm força, intimidam, como vimos nos Cabrais ou, quando se sentem fracos, corrompem, como fez Rodrigo da Fonseca. Critica a geração dos republicanos de 1848 por não terem entendido  o oportunismo de Gambetta na II República Francesa, que conciliou a burguesia com a república, sem alienar a simpatia dos democratas mais avançados.

Eleito deputado republicano nas eleições suplementares de 25 de Fevereiro de 1888, juntando-se a Elias Garcia e Zófimo Consiglieri Pedroso, sob um governo progressista. Observa que a filosofia positiva mostrou-nos que o constitucionalismo era uma transacção provisória entre o absolutismo e a revolução. Presidente do governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. Eleito presidente da república em 28 de Maio de 1915 até 5 de Outubro de 1915, depois da renúncia de Manuel de Arriaga.

o anticlericalismo torna-se científico: Teófilo Braga, Júlio de Matos, Teixeira Bastos, Miguel Bombarda; as cúpulas dos partidos monárquicos não têm alternativa face à ideologia do PRP, todos bebem as mesmas ideias

A onda positivista que nos invadiu entre 1870 e 1880 depressa se torna naquilo que Antero de Quental  qualificou como epidemia, logo traduzida numa corrente de opinião com laivos naturalistas e anticlericais. Nesse recepcionismo destacou-se também Teófilo Braga (1843-1924), autor de Traços Gerais da Filosofia Positiva [1877] e de Sistema de Sociologia [1884], e um dos animadores da revista O Positivismo (1878-1882), juntamente com Júlio de Matos.

questão coimbrã, de 1865, onde o grupo de Pinheiro Chagas, Júlio Castilho, Brito Aranha, Camilo Castelo Branco e  Ramalho Ortigão enfrentou Teófilo Braga e Antero de Quental. A

No jornal A Revolução de Setembro é anunciado o programa do Cenáculo, com Adolfo Coelho, Antero de Quental, Augusto Fuschini, Eça de Queirós, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel de Arriaga e Teófilo Braga.22Começam as conferências do CasinoComeçam as conferências do Casino, com um discurso de Antero de Quental ( de 22 de Março a 26 de Junho de 1871).

1880Centenário de CamõesAno do centenário de Camões, promovido por Teófilo Braga, com o apoio de Ramalho Ortigão.

25Eleição de Teófilo BragaEm eleição suplementar é eleito um terceiro deputado republicano, Teófilo Braga, eleito para vaga em Lisboa.MAIO DE 1888

Do directório, fazem parte Teófilo Braga, Basílio Teles, José Relvas, Eusébio Leão e Cupertino Ribeiro.

guadador de patos, como se assumia Teófilo Braga

Grupo federalista, defensor do modelo suíço, representado por Teófilo Braga, Maia Pinto,  Fernando Botto Machado e Alves da Veiga é derrotado pelo grupo defensor do Estado Unitário, liderado pelos professores de direito Barbosa de Magalhães e Joaquim Pedro Martins, apoiados por António Maria da Silva

1913 Reunião em Lisboa do Congresso Internacional do Livre Pensamento. De 5 a 8 de Outubro. Participam Tomás da Fonseca, António Aurélio da Costa Ferreira, João Camoesas, Ana de Castro Osório, Teófilo Braga e Augusto José Vieira.

1915 Segue-se a eleição de Teófilo Braga, por 98 votos numtotal de 102(1 voto para Duarte Leite e três votos em branco) que no discurso de posse refere o carácter imperialista da ditadura.

·Poesia do Direito. I Genese da Symbolica do Direito Universal II Origens Poeticas do Direito Portuguez

Porto, T. Commercial, 1865.

·História das Ideias Republicanas em Portugal

1880 (ver Lisboa, Vega, 1980). Faleceu em 28 de Janeiro de 1924.

·Traços Geraes da Philosofia Positiva. Comprovados pelas Descobertas Scientíficas Modernas

Lisboa, Nova Livraria Internacional, 1877.

·Soluções Positivas da Política Portuguesa

Lisboa, Nova Livraria Internacional, 1879, 2 vols.: I - Da aspiração à revolução e sua disciplina em opinião democrática; II - Do advento evolutivo das ideas democráticas). História das Ideas Republicanas em Portugal (Lisboa, Livraria Sousa Neves, 1880).

·Sciencia das Religiões. Origens Poéticas do Christianismo

Porto, Imprensa Commercial, 1880.

·Systema de Sociologia

Lisboa, Livraria Castro & Irmão, 1884.

·O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e Tradições

1885

·História da Universidade de Coimbra nas suas relações com a instrucção pública portugueza

Lisboa, 1892-1902, 4 vols..

·A Pátria Portuguesa. O Território e a Raça

1894

Braga, Luís Carlos de Lima de Almeida (n. 1890). Nasce em Braga. Advogado. Secretário de Paiva Couceiro. Exilado na Bélgica entre 1912 e 1914, fundando aí a revista Alma Portuguesa em 1913. Amnistiado, regressa a Portugal e é um dos fundadores do Integralismo Lusitano, expressão que ele próprio cunhou. Conclui a licenciatura em direito em 1917. Participa na revolta de Monsanto e volta ao exílio em 1919. É membro da Junta Central do Integralismo Lusitano em 1916-1922 e em 1926-1932. Depois do 28 de Maio, distancia-se do salazarismo. Apoiante das candidaturas de Norton de Matos, em 1949, e de Humberto Delgado, em 1958. Por isso é irradiado da Causa Monárquica em 1949, juntamente com Francisco Vieira de Almeida. Em 1949 considera que o Estado Novo é um grosseiro tecido de incoerências, de contradições, de ficções, de equívocos. Porque, elevado à categoria de ser absoluto, o Estado absorveu a Nação. Depressa o Poder passou a prepotência, que tudo esmaga e tritura, e faz da obediência lei para escravos castrados. Em 1958 dá uma entrevista ao Diário de Lisboa, onde declara: condeno o híbrido sistema político tirânico e vingativo que está a arrastar-nos para a pior catástrofe da nossa história ... a idolatria da autoridade, o materialismo da obediência passiva ... tendo começado por ser uma ditadura administrativa, manhosamente se transformou em ditadura policial, contrária ao destino moral e pessoal do homem ... O Estado Novo tornou os ricos mais ricos e os pobres mais pobres ... para me declarar monárquico não peço licença ao rei nem aos bobos da Corte. Já antes, em A Revolta da Inteligência, critica o estatismo e o totalitarismo: quando o Estado, tonando-se dono do homem, despreza as liberdades individuais e aniquila as autonomias locais, a si próprio prepara o fim por congestão. Município tutelado pelo Estado é município morto; corporação a que o Estado governa, é feira e alborque de consciências comandadas pela avidez do lucro. Para o normal funcionamento das qualidades nacionais, deve a corporação ser livre no município autónomo. Um dos poucos integralistas verdadeiramente tradicionalista de raiz portuguesa, até pelo facto de ter aprofundado o estudo dos nossos clássicos como D. Jerónimo Osório, Frei João dos Prazeres e José da Gama e Castro, que lhe deram argumentos consensualista para uma arrasadora denúncia do estatismo salazarista. Já em 1942, prefaciando a reedição da obra de Frei João dos Prazeres, assinala que a moderna estrutura corporativa padece do defeito de ter nascido da vontade do Estado, quando deveria brotar do humo social, pelo que prepara a planificação de tudo, como se lhe coubesse o encargo maléfico de assegurar as marchas forçadas do Socialismo. Defende assim o que qualifica como corporacionismo, como uma instituição económica e social que não atinge as últimas esferas do governo do Estado. Neste sentido, observa: a Nação é diversa, diversos corpos a formam; o Estado é uno, e a sua função máxima consiste em unificar os vários corpos de que a Nação se compõe. E não seria nunca o Estado esse necessário unificante se também ele fosse colectivo, quer dizer, se também ele se encontrasse repartido, em si mesmo acalentando um constante princípio de divisão. A Nação corporativa não é o Estado ... Confundindo corporativamente a Nação e o Estado, o interesse nacional pronto se verá sacrificado à voracidade dos egoísmos profissionais. As Corporações serão então o Estado. E ao abandonarem assim as suas funções naturais de produtores da riqueza para exercer as de administradores políticos da Cidade, esses Corpos ordenados lançam-se me preservante guerra uns com os outros, na insofrida concorrência a que, à custa da Nação, todos se entregam para a conquista dos maiores lucros.

·O Culto da Tradição

1916.

·Sob o Pendão Real

1942.

·Posição de António Sardinha

1943.

·Paixão e Graça da Terra

Lisboa, Edições Gama, 1947.

·Espada ao Sol

Lisboa, Biblioteca do Pensamento Político, 1969) (obra póstuma, com estudos sobre D. Jerónimo Osório e Frei João dos Prazeres).

Branco, António Aresta (1862-1952). Médico e jornalista. Membro dos democráticos. Governador civil de Beja em 1910-1911. Deputado desde 1911. Ministro da marinha de 11 de Dezembro de 1917 a 7 de Março de 1918.

Branco, Fernando Augusto (n. 1890). Oficial da marinha. Adido naval em Londres. Ministro dos negócios estrangeiros.

Branco, Fernando Augusto (n. 1890). Oficial da marinha. Adido naval em Londres. Ministro dos negócios estrangeiros.

Brederode, Fernando Teixeira Homem de (1867-1939). Bacharel em filosofia pela Universidade de Coimbra. Unionista até 1916, quando passa a evolucionista, para, depois, aderir aos populares, até 1921. Passa, então, para os democráticos. Ministro da marinha de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva. Idem, de 2 de Março a 23 de Maio de 1921, no governo de Bernardino Machado, na qualidade de popular. Deputado em 1921. Ministro do comércio no governo de António Maria da Silva, de 7 de Dezembro de 1922 a 9 de Janeiro de 1923. Termina os dias como administrador de companhias de seguros.

Brito, José Joaquim Xavier de (1850-1945). Militar de carreira. Ministro da marinha do governo de Pimenta de Castro, de 28 de Janeiro a 15 de Maio de 1915. Simpatizante dos unionistas.

 


C

Cabeçadas Júnior, José Mendes (1883-1965). Revolucionário do 5 de Outubro de 1910, comandante do navio Adamastor. Presidente da junta revolucionária de Lisboa do 28 de Maio. Organizador da conjura da abrilada contra o salazarismo em 1947.

Cabral, Francisco Alberto da Costa (1880-1946). Professor de liceu. Neto de A. B. Da Costa Cabral. Militante democrático.Governador civil de Évora e da Guarda em 1913. Director-geral do ensino primário e, depois, do ensino secundário.  Ministro da instrução pública do governo de Maia Pinto, de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921. Ministro do trabalho no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925. Autor de D. João II e a Renascença Portuguesa, 1914, e de Liberais e Absolutistas, 1932.

Cabreira, Tomás António da Guarda (1865-1918) Professor da Escola Politécnica e da Faculdade de Ciências de Lisboa. Capitão de engenharia. Republicano desde 1881 e maçon desde 1893, desempenhando altas funções no Grande Oriente Lusitano. Vereador republicano em Lisboa, em 1908. Membro do partido democrático. Ministro das finanças do governo de Bernardino Machado, de 9 de Fevereiro a 23 de Junho de 1914. Autor de O Problema Financeiros e a sua Solução, Lisboa, 1912; O Problema Bancário Português, Lisboa, 1915; O Problema Tributário Português, Lisboa, 1916. Ver António Cabreira, Tomaz Cabreira Através da Vida e Através da Morte, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1920.

Cameira Coelho e Sousa, Eurico Máximo (1883-1936) Oficial da administração militar. Monárquico, adere ao sidonismo. Do Partido Republicano Presidencialista e da União Liberal Republicana. Ministro do trabalho de 7 a 28 de Janeiro de 1919.

Camacho Rodrigues, Inocêncio (1867-1943). Professor da Faculdade de Ciências. Irmão de Manuel Brito Camacho. Membro do directório do partido republicano em 1910. Secretário-geral do ministério das finanças quando José Relvas entrou para o governo provisório em 12 de Outubro de 1910. Governador do Banco de Portugal. Deputado à constituinte de 1911. Ministro das finanças no governo de António Granjo(1920)

Camacho, Manuel Brito 1862-1934 Médico. Propagandista republicano. Funda o jornal A Lucta em 1 de Maio de 1906. Assume-se como um aristocrata da República e tenta dar ao respectivo jornal o estilo d’ O Repórter de Carlos Lobo d’Ávila e Oliveira Martins. Integrado numa teia de relações familiares com outros hierarcas republicanos. É irmão de Inocêncio Camacho, cunhado de José Barbosa e genro de Jacinto Nunes, influente republicano de Grândola, tendo o apoio de Aresta Branco, influente republicano em Beja. Passava os dias numa tertúlia da farmácia Durão. Era um hiper-crítico, manipulador da ironia. Jesus Pabón chama-lhe um dissidente perpétuo e A. Cabral diz que se mostrou sempre tão azedo que há quem diga que nas suas veias gira vinagre puro em vez de sangue. Ministro do fomento do governo provisório, de 22 de Novembro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. Funda o partido unionista. Apoia os inícios do movimento dezembrista que visa derrubar o governo de Afonso Costa em 1917, mas retira-se do processo nas vésperas do movimento. Alto-comissário em Moçambique 1921-1923. Acaba por apoiar de forma efémera António Maria da Silva, contra a posição asumida pelos antigos correlegionários. Nos anos trinta, chega a proclamar: não me quiseram a mim, agora têm-no a ele, numa referência a Salazar. Ver Matias Ferreira de Mira e Aquilino Ribeiro, Brito Camacho [1942], Lisboa, Bertrand, 1948.

Câmara, Manuel de Sousa da (n. 1877). Professor de agronomia. Ministro da agricultura de 24 de Maio a 30 de Agosto de 1921.

Camoesas, João (n. 1887) João José da Conceição Camoesas. Médico. Ministro da instrução no governo de António Maria da Silva, de 9 de Janeiro a 15 de Novembro de 1923, substituindo Leonardo Coimbra. Fica célebre por ter discursado durante 14 horas no parlamento em 16 de Julho de 1925. Volta à pasta da instrução no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925. Deportado em 1932 para Angola, passa, depois, para o exílio nos Estados Unidos da América, onde volta a exercer clínica.

Campos, Ezequiel de  (1874-1965) Engenheiro pela Politécnica do Porto. Professor do Instituto Superior do Comércio e da Faculdade de Engenharia do Porto. Começa a carreira profissional como engenheiro de obras públicas em S. Tomé, de 1899 a 1911. Deputado à Constituinte de 1911.  Ministro da agricultura no governo de José Domingues dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925. Era a novidade na equipa deste governo do cartel das esquerdas à portuguesa, trazendo Sarmento Pimental como chefe de gabinete. Assim, em 17 de Janeiro chega a apresentar uma proposta de lei de organização rural. Se A Batalha a considera como burguesa e comedida, ela sofre ataques de Nemo em A Época. Nela se previa o parcelamento das grandes propriedades agrícolas do Centro e do Sul, visando a constituição, em regime de propriedade privada, de unidades familiares. Em 4 de Fevereiro, no Senado, Ezequiel afirma que o problema de irrigação no Alentejo podia resolver-se com 250 000 libras tanto quanto custava sustentar meia dúzia de revolucionários civis, numa referência aos subsídios oficiais aos revoltosos do 5 de Outubro. Profundo crítico do controlo estadual das subsistências, já em 26 de Setembro de 1923, escrevia n’ O Primeiro de Janeiro: o governo pôs tabelas a tudo; andou a farejar os negócios ilícitos; proibiu o jogo; e fez o pão político. Mas a vida teimou em encarecer, a libra a subir em escudos, e a gente em concorrer às festas e romarias, como nunca. Depois do 28 de Maio, foi nomeado ministro da agricultura e interino do comércio em 3 de Junho de 1926, mas nunca tomou posse. Colaborador da Seara Nova, vincula-se ao salazarismo, sendo o precursor do lançamento das barragens hidro-eléctricas.  Procurador à Câmara Corporativa logo em 1935. Ver João Conde Veiga, Ezequiel de Campos. O Homem e a Obra, Porto, 1993.

 

& Bibliografia:

[1911] Projecto de Lei da Utilização de Terrenos Incultos

[1913] A Conservação da Riqueza Nacional  [Porto]

[1915] A Grei

[1918] A Evolução e a Revolução Agrária

[1923] A Crise Portuguesa. Subsídios para a Política de Reorganização Nacional [Com Quirino de Jesus]

[1922, 1928] Lázaro (Porto, 2 vols.)

[1924] Política (Porto, Maranus)

[1925] Proposta de Lei de Organização Rural

[1930] Prólogo à Organização do Trabalho Português

[1931] Para a Ressurreição de Lázaro

[1940] O Enquadramento Geo-Económico da População Portuguesa Através dos Séculos ( Lisboa, Edição da Revista Ocidente, 1943, 2ª ed. ampliada e revista. Começou por ser memória apresentada ao Congresso do Mundo Português, na secção sobre Ciências da População, realizada na Porto. Publicado na revista Ocidente entre 1941 e 1943).

Cardoso, Alfredo Ernesto de Sá  (1864-1950) Militar de carreira. Participa na campanha da Lunda, em Angola. Funda com Afonso Pala, Helder Ribeiro e Américo Olavo a loja Jovens Turcos da República. Revolucionário do 5 de Outubro. É então membro do comité militar para a implantação da república, juntamente com Helder Ribeiro e Aragão e Melo, grupo que entra em desinteligências com Machado Santos e não desempenha papel liderante no 5 de Outubro de 1910. Chefe de gabinete do ministro da guerra Correia Barreto. Deputado em 1913, 1915, 1919 e 1922. Chefe da revolta militar de 14 de Maio de 1915 contra Pimenta de Castro. Governador civil do Funchal (1917). Deputado, defende a participação de Portugal na Grande Guerra. Abandona a presidência do parlamento e vai combater em França. Opõe-se militarmente ao golpe de Sidónio Pais. Presidente do ministério de 29 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920, acumulando a pasta do interior. Alvarista, é um dos fundadores dos reconstituintes, alinha com os nacionalistas e adere à dissidência da Aliança Republicana. Ministro do interior no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924. Desterrado para Cabo Verde e Açores, depois do 28 de Maio, regressa em 1934, quando passa à reserva por ter atingido o limite de idade. Ainda participa na formação da Aliança Republicana.

Cardoso, Artur Alberto Camacho Lopes  Ministro da justiça no governo de Sá Cardoso, de 29 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920; ocupa a mesma pasta de 19 de Junho a 20 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo; de 20 a 30 de Novembro de 1920, no governo de Álvaro de Castro; de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921, no governo de Liberato Pinto; de 2 de Março de 1921 a 23 de Maio de 1921, no governo de Bernardino Machado; e no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923.

 

Carmona, António Óscar de Fragoso (1869-1951).  Ministro da guerra no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923. Ministro dos negócios estrangeiros de 3 de Junho a 6 de Julho de 1926. Presidente do ministério e ministro da guerra  de 9 de Julho a 29 de Novembro de 1926, data em que passou a exercer as funções de Presidente da República interinamente. Presidente da República eleito em 1928 e até 1951. Morre em 18 de Abril de 1951.

Carvalho, Antão Fernandes de. Ministro da agricultura de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921, no governo outubrista de Manuel Maria Coelho; a mesma pasta no governo de Maia Pinto, de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921.

Carvalho, António Germano Ribeiro de (1889-1967) Militar da Flandres. Maçon. Amigo de António Sérgio e de Raul Proença. Ministro da guerra no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 26 de Fevereiro de 1924, sendo afecto aos seareiros do gabinete (António Sérgio na instrução e Azevedo Gomes na agricultura). Apesar de convidado por Gomes da Costa, recusa ser ministro depois do 28 de Maio de 1926. Preso em 1930, evade-se e exila-se em Espanha. É demitido do Exército em 1931. Regressado em 1933, é novamente preso. Parte para o exílio mais uma vez, estacionando em Rabat, com Sarmento Beires. Volta a regressar a Portugal em 1939, sendo condenado a pena suspensa. Recusa a amnistia de 1950. Reintegrado no Exército em 1960. Morre louco.

 

Carvalho, António Pires de. Ministro do comércio e comunicações de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921, no governo de Manuel Maria Coelho.

Carvalho, João Manuel de (1866-1946) Oficial da armada. Revolucionário do 5 de Outubro. Adido militar em Londres de 1914 a 1920, militante democrático e íntimo de Manuel Teixeira Gomes. Ministro da marinha nos governos de Maia Pinto (de 5 de Novembro de 1921 a 16 de Dezembro de 1921) e de Cunha Leal (de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922). Lidera golpe revolucionário radical em 10 de Dezembro de 1923, durante o governo nacionalista de Ginestal Machado, ao que parece inspirado pelo próprio presidente da república, Manuel Teixeira Gomes. Participa activamente na revolta de Fevereiro de 1927.

Carvalho, Luís Augusto Pinto Mesquita de (n. 1868) Político republicano, ligado a António José de Almeida. Advogado e notário, especialista em direito da família. Genro de Guerra Junqueiro. Sucessivamente evolucionista e liberal. Ministro da justiça no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 16 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917, como evolucionista. Ministro da justiça de 21 de Janeiro de 1920 a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira.

Castro, Álvaro Xavier de (1878-1928) Oficial do exército. Jurista. Frequenta a faculdade de direito de Coimbra de 1903 a 1908 e conclui o curso da velha Escola Colonial em 1911. Filho de José de Castro, grão-mestre adjunto da maçonaria e presidente do ministério. Líder da Jovem Turquia. Membro da junta que derrubou Pimenta de Castro. Foi várias vezes ministro. Ministro da justiça do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Ministro das finanças  de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915. Governador de Moçambique de 1915 a 1918. Ministro das colónias no governo de Sá Cardoso, de 3 a 21 de Janeiro de 1920. Presidente do ministério e ministro do interior de 20 a 30 de Novembro de 1920. Funda neste ano de 1920 o Núcleo de Acção de Reconstrução Nacional, uma dissidência a partir dos democráticos. Ministro da guerra de 30 de Novembro a 23 de Maio de 1921. Novamente Presidente do ministério de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924 (acumulou as colónias de 18 a 28 de Dezembro e as finanças de 28 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924). Leader dos liberais, passou depois a chefe da Acção Republicana, em 1923, sempre em aliança com Alfredo Ernesto Sá Cardoso.

Castro, António Joaquim Oliveira e. Ministro da justiça de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva.

Castro, Alberto Osório de (1868-1946) Maçon desde 1892. Magistrado, botânico e poeta, autor de O Sinal da Sombra, 1923. Dirigente da Federação Nacional Republicana, ligado a Machado Santos, assume-se como sidonista. Assume a pasta da justiça de 15 de Maio a 8 de Outubro de 1918.

Castro Silva Antunes, João do Canto e (1862-1934) Almirante. Governador ultramarino, dos distritos de Lourenço Marques, Moçâmedes e Ilha do Príncipe. Convicto monárquico. Ministro da marinha de Sidónio Pais. Eleito presidente da república em 16 de Dezembro de 1918. Até 5 de Outubro de 1919. 1Maurício de Oliveira, O Drama de Canto e Castro. Um Monárquico Presidente da República, Lisboa, Editora Marítima Colonial, 1944.

Castro, Joaquim Basílio Cerveira e Sousa Albuquerque e  Coronel de engenharia. Ministro das colónias de 29 de Janeiro a 16 de Junho de 1912, no governo de Augusto de Vasconcelos, substituindo Freitas Ribeiro. Ministro das colónias do governo de Duarte Leite, de 6 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913. Ministro da guerra  de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915.

Castro, Joaquim Pereira Pimenta de (1846-1918) Oficial do exército. Republicano de antes de 1910. Matemático. Publica em 1884 um estudo sobre leis eleitorais, editando um projecto sobre a matéria em 1890. Assume-se como simpatizante dos evolucionistas, sendo até amigo pessoal de Manuel de Arriaga. Ministro da guerra de João Chagas, de 4 de Setembro a 8 de Outubro de 1911. É então o mais antigo general português em exercício. Adversário frontal do grupo dos jovens turcos. Goza da simpatia de Machado Santos. Tem como chefe de gabinete o tenente-coronel Gomes Teixeira e logo se incompatibiliza com dois colegas ministros, Duarte Leite e Sidónio Pais, a quem chama duas sábias nulidades. Será substituído em 8 de Outubro, acusado de falta de zelo na defesa da República contra a incursão de Paiva Couceiro. Chagas temia, sobretudo, a intervenção espanhola. Chefe do movimento das espadas de Janeiro de 1915. Acede então a Presidente do Ministério (de 25 de Janeiro a 14 de Maio de 1915), com o apoio do presidente Manuel de Arriaga. Era o mais antigo general do exército português. Conforme Machado Santos, repontão para cima e protector para baixo, era especialmente idolatrado pelos sargentos.

 

Bibliografia

[1884]

A Mais Racional e a Mais Prática Solução do Problema Eleitoral

 

 

[1890]

Projecto de Lei Aplicável a Todas as Nações

 

Obra traduzida e editada em várias línguas.

[1915]

O Ditador e Afrontosa Ditadura

 

Weimar, Wagner Humbold, 1915.

 

Castro, José de  (1868-1929) José Augusto Soares Ribeiro de Castro. Advogado na Guarda. Progressista, abandona o partido em 1881. Maçon desde 1869. Funda em 1882 O Povo Português, o primeiro semanário republicano de província. Depois de 1910 atinge o grau de Grão-mestre adjunto da maçonaria. Pai de Álvaro de Castro. Presidente do  ministério de 17 de Maio a 29 de Novembro de 1915, depois do atentado contra João Chagas, de cujo governo era ministro da instrução (desde 15 de Maio). Acumulou as pastas da guerra (desde 19 de Junho) e da marinha (desde 22 de Julho).

Castro, Pedro Augusto Pereira de (n. 1867). Magistrado, um dos monárquicos que adere à república, assumindo-se como militante dos democráticos. Governador civil do Porto em 1920 e deputado de 1922 a 1925. Ministro da justiça de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925, no governo de José Domingues dos Santos.

Cerqueira, António Joaquim Machado do Lago. Ministro do trabalho de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925, no governo de António Maria da Silva.

Chagas, Artur Octávio Rego. Ministro da instrução de 20 de Julho a 14 de Setembro de 1920, no governo de António Granjo, na qualidade de democrático.

Chagas, João Pinheiro (1863-1925) Jornalista. Republicano histórico, próximo de Brito Camacho. Em 1890 publica no Porto o jornal A República Portuguesa. Estava preso por crime de imprensa na Relação do Porto quando se deu a revolta do 31 de Janeiro de 1891. Mas será condenado por instigar à mesma. Desterrado para Luanda e Moçâmedes, foge daqui. Volta ao Porto e volta a ser preso em finais de 1892. De novo desterrado para Luanda. Amnistiado pelo governo de Dias Ferreira. Edita no Porto entre 21 de Dezembro de 1893 e 3 de Junho de 1894 o Panfleto. Edita depois A Marselhesa e O País. Inicia-se na maçonaria em 1896. Preso em 28 de Janeiro de 1908. Libertado pelo governo de Ferreira do Amaral, começa a editar, entre 10 de Dezembro de 1908 e 25 de Dezembro de 1910, as Cartas Políticas. Presidente do ministério de 3 de Setembro a 12 de Novembro de 1911, acumula as pastas do interior e dos negócios estrangeiros, esta até 12 de Outubro, onde surge Augusto de Vasconcelos. Tem a oposição do grupo de Afonso Costa. Nomeado chefe do governo em 15 de Maio de 1915. Sofre atentado no Entrocamento, sendo substituído por José de Castro. Retoma o lugar de ministro de Portugal em Paris em 10 de Setembro de 1915.

Chaves, Francisco da Cunha Rego (1881-1941) Oficial do exército, professor liceal e da Escola de Guerra. Sucessivamente, democrático e reconstituinte. Ministro das finanças no governo de Sá Cardoso, de 29 de Junho de 1919 a 3 de Janeiro de 1920. Ministro das colónias no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Várias vezes deputado, é Alto-Comissário em Angola em 1925-1926.

Christo, Francisco Manuel Homem  (1860-1943) Francisco Manuel Homem Christo. Fundador do semanário O Povo de Aveiro, em 1882, demite-se então do exército. Fez parte do directório do Partido Republicano. Colaborou na revolta do 31 de Janeiro de 1891, sendo, então, preso. Opositor de Afonso Costa. Pede a demissão do exército em 1909 e exila-se em Paris. Violento polemista na linha de José Agostinho de Macedo, demolidor da política dos afonsistas, acaba por elogiar Carmona e o Secretariado da Propaganda Nacional. Em 1906 edita Pro Patria, obra de reflexão sobre a paz e a guerra e o militarismo, onde advoga a introdução em Portugal do modelo suíço de serviço militar. Escreve também Banditismo Político, considerado a Torre do Tombo da patifaria nacional.

[1906] Pro Patria

Banditismo Político

Notas da Minha Vida e do meu Tempo

Christo Filho, Francisco Manuel Homem  (1892-1926) Jornalista. Colabora com o pai e a irmã Carolina na feitura de O Povo de Aveiro. Começa como anarquista, participando activamente na greve académica de 1907. Adere às ideias integralistas e torna-se fascista. Acaba amigo de Mussolini, falecendo em Itália num desastre de viação. Funda em 1914 a revista Ideia Nacional, inspirada na homóloga italiana, dirigida por Corradini. Sídónio Pais nomeia-o director dos serviços de informação de Portugal em Paris. Aí escreve Mussolino. Bâtisseur de l’Avenir. Regressa a Portugal depois do 28 de Maio de 1926, oferecendo os seus serviços a Gomes da Costa. Funda então o jornal A Informação. Volta ao exílio depois da queda de Gomes da Costa, tentando promover um Congresso Pan-Latino das Nações do Ocidente. Morre tragicamente em plena agitação organizacional.

Cid, José de Matos Sobral (1877-1941) Professor de Medicina em Coimbra, de 1902 a 1911, e, depois, em Lisboa. Director do Manicómio Miguel Bombrada, de 1923 até à data da morte. Ministro da instrução pública do governo de Bernardino Machado, de 9 de Fevereiro a 12 de Dezembro de 1914, na qualidade de independente. Começa a sua vida política como deputado regenerador, chegando a governador civil de Coimbra em 1903-1904.

Cid, José do Vale Matos (1871-1945) Advogado em Viseu e Lisboa. Amigo pessoal de Brito Camacho, é sucessivamente unionista, liberal e nacionalista. Ministro da justiça de 23 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo de Tomé de Barros Queirós.

Coelho, Alfredo Baptista (1865-1952) Oficial do exército, destaca-se como governador de Moçambique em 1915. Começa a vida política na monarquia, como deputado progressista. Ministro das colónias de Tamagnini Barbosa de 23 de Dezembro de 1918 a 27 de Janeiro de 1919.

Coelho, Manuel Maria (1857-1943). Oficial do exército. Revolucionário do 31 de Janeiro de 1891 (o tenente Coelho). Autor, juntamente com João Chagas de História da Revolta do Porto (ver Lisboa, Assírio & Alvim, 1978). Inicia-se na maçonaria em 1910. Governador de Angola. Presidente do primeiro ministério outubrista de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921, acumulando a pasta do interior.

Coimbra, Leonardo José (1883-1936) Filósofo. Lidera a greves dos estudantes republicanos do Porto em 1907. Funda com Jaime Cortesão e Jaime Pinto, em 1908, o grupo alfabetizador, Os Amigos do ABC. Professor de liceu no Porto em 1911-1913 e 1914-1918. Maçon e membro do partido democrático, é administrador do concelho da Maia em 1911. Funda a Renascença Portuguesa com Pascoaes. Entra em polémica com António Sérgio. É discípulo de Bergson. Ministro da instrução pública do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919. Rejeitado num concurso para professor da Faculdade de Letras de Lisboa em 1921, onde apresenta o livro Criacionismo Ministro da instrução pública no governo de António Maria da Silva, de 30 de Novembro de 1922 a 9 de Janeiro de 1923. Obrigado a demitir-se pela ala jacobina dos democráticos, quando tenta restaurar o ensino religioso. Professor da Faculdade de Letras do Porto desde 1921, cria um importante grupo de discípulos, donde se destacam José Marinho, Sant’anna Dionísio, Álvaro Ribeiro, Delfim Santos e, de certa maneira, José Régio e Casais Monteiro. Adere em 1925 à Esquerda Democrática. Converte-se ao catolicismo em 24 de Dezembro de 1935, mas morre pouco tempo depois num acidente de viação (2 de Janeiro de 1936). Considerando que a sociedade portuguesa não era dominada pelo catolicismo, mas por um cepticismo superficial, estéril e esterilizador, Leonardo tentou, sem êxito, lançar as sementes para um renovação espiritual democrática. Em 1926 atacava a escorregadia tendência dum regresso a formas dogmáticas de imposição pela violência, criticando o facto da democracia não ser assumida como uma actividade espiritual e como uma instituição, mas antes como um estado e como um método. Dois anos depois, defende a democracia como o império racional e consentido da lei, em vez do domínio violento e irracional de qualquer caprichoso imperialismo individual ou de grupo, e como o governo da maioria por intermédio dos seus representantes directamente escolhidos, onde a pedra angular é o valor social da maioria. Moncada chama-lhe uma espécie de Junqueiro da filosofia. Autor de O Pensamento Criacionista, 1915; A Alegria, a Dor e a Graça, 1916; A Luta pela Imortalidade, 1918; A Razão Experimental, 1923; O Problema da Educação, 1926; A Filosofia de Bergson, 1934; A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre, 1935. Ver: Patrício, Manuel Ferreira, A Pedagogia de Leonardo Coimbra. Teoria e Prática, Porto, Porto Editora, 1991.

Collaço, João Maria Telo de Magalhães (1893-1931) Professor de direito em Coimbra. Renovador do ensino do direito administrativo. Acusado de monárquico, chega a ser demitido em 1919, juntamente com Salazar, Fezas Vital e Carneiro Pacheco. Analisando a revolução de 1820, considera que "a liberdade não desabrochava contra o regimen, nem contra o rei (...) ella ia apenas iluminar o quadro das nossas instituições antigas, e consumir a lembrança dos opressivos governadores do reino". Ela não era uma revolução contra o rei, era "uma restituição aos vassalos, uma restauração apenas". Ensaio sobre a inconstitucionalidade das leis no direito português, Coimbra, França & Arménio Editores, 1915

Cordeiro, Adriano Xavier (n. 1880).  Advogado, senador monárquico em 1918.

Correia, Francisco António (1877-1938) Membro da Liga de Acção Nacional. Ministro dos negócios estrangeiros de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva. Ministro das finanças de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921, no governo outubrista de Manuel Maria Coelho. Autor de O Problema Comercial, 1920. Ver Armando Gonçalves Pereira, O Elogio Histórioco do prof. Francisco António Correia, in Economia e Finanças, nº 17, 1949, pp. 259-272.

Correia, F. G. Velhinho Francisco Gonçalves Velhinho Correia. Democrático. Ministro do comércio de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Granjo. Ministro das finanças do governo de António Maria da Silva, de 13 de Agosto a 15 de Novembro de 1923.

Corte Real, Luís Alberto Homem da Cunha (1854-1927) Oficial do exército, republicano histórico. Ministro da guerra de Tamagnini Barbosa de 23 de Dezembro de 1918 a 7 de Janeiro de 1919.

Cortesão, Jaime Zuzarte (1884-1960). Médico e historiador. Republicano, militante do partido democrático e maçon, desde 1912. Propõe em 1911 a criação de uma maçonaria de intelectuais e artistas. Deputado democrático desde 1915, lidera a revolta contra Afonso Costa em Maio de 1917, dentro do partido democrático, quando estava mobilizado em França. Para aí partiu como voluntário, sendo ferido e combate e recebendo a Cruz de Guerra. Director da Biblioteca Nacional de 1919 a 1927. Um dos chefes da revolução de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura Nacional. Depois de um longo exílio, em Espanha e em França, onde juntamente com Jaime de Morais, funda o grupo dito dos Budas, regressa a Portugal em 1940, sendo preso e expulso do país. Passa, então, para o Brasil, onde vai consagrar-se como historiador. Regressa definitivamente apenas em 1958. Juntamente com Mário de Azevedo Gomes e António Sérgio, lidera o Directório Democrático-Social. Eleito em 1958 Presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores. Apoia a candidatura de Delgado em 1958, considerando viver sob um governo autoritário, que vive à custa do silêncio dos adversários e nega os direitos do cidadão, pelo que pode impor-se num país de escravos, nunca a um povo que teve de lutar com extremos de bravura para fundar a sua independência e expandir-se no mundo. Nada de um português do velho ecrne pode perdoar do que reduzirem-nos à condição de menor. É deste fundo de oito séculos de Nação que os portugueses aclama o candidato independente. E por uma razão apenas: porque ele lhes prometeu, por forma heróica, as liberdades a que tem direio. Os verdadeiros nacionalistas são os partidários do general Humberto Delgado. Volta novamente a ser preso.

Os Factores Democráticos na Formação de Portugal

1929) (cfr. nova ed. com pref. de Vitorino Magalhães Godinho, Lisboa, Livros Horizonte, 1964).

Geografia e Economia da Restauração

1940.

Raposo Tavares e a Formação Territorial do Brasil

Rio de Janeiro, MEC, 1958.

Os Descobrimentos Portugueses

1960-1962.

O Humanismo Universalista dos Portugueses

Portugália Editora, 1965.

Costa, Abel Fontoura da Ministro da agricultura no governo de António Maria da Silva, de 9 de Janeiro a 13 de Agosto de 1923. Da marinha, no mesmo governo, de 13 de Agosto a 15 de Novembro de 1923

Costa, Afonso Augusto da (1871-1937) Deputado republicano durante a monarquia em 1899, 1906-1907, 1908 e 1910. Um dos três deputados da peste, eleito em 1899. Agride Sampaio Bruno em 1902. Iniciado na maçonaria em 1905. Preso em 1908.  Ministro da justiça do governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. Anuncia novo programa político do partido republicano em 29 de Agosto de 1911, considerado omo o partido único da República. Presidente do ministério de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914 (acumula as finanças). O primeiro governo partidário da República, integrado por democráticos e pelos independentes agrupados, então liderados por António Maria da Silva. Afonso Costa chega a convidar Marnoco e Sousa. Chama-lhe, então, o João Franco da República. Tem como deputados, o irmão Artur Costa e o cunhado José de Abreu. Alia-se no governo à família Rodrigues, com Rodrigo a ministro e Daniel como governador civil de Lisboa, a dupla que fomenta a formiga branca. Como líder dos democráticos, vence as eleições parlamentares parcelares de 16 de Novembro de 1913. Em 2 de Março de 1914 assume o exercício efectivo das funções de professor e director da Faculdade de Direito e Estudos Sociais de Lisboa, até finais de Janeiro de 1915, quando pede licença. Apenas regressa em Novembro de 1915. Em Junho de 1914 desafia António José de Almeida para um duelo. Comanda nos bastidores a revolta militar contra Pimenta de Castro. Vence as eleições parlamentares de 13 de Junho de 1915, com 69%. Mas não assume a chefia do governo porque em 3 de Julho sofre um acidente de viação, fracturando a cabeça. Entretanto, toma posse de um lugar de professor do Instituto Superior do Comércio no dia 1 de Novembro de 1915. De 2 a 14 de Novembro desse ano vai à Suíça. Volta à presidência do ministério de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916, acumulando as finanças, num governo monopartidário, mas considerando-se um governo nacional, declarando pretender abster-se de praticar a chamada política partidária. Ministro das finanças no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 15 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917. Volta à presidência do ministério de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917, acumulando as finanças. Governo exclusivamente constituído por democráticos, mas com o apoio parlamentar dos evolucionistas. Sofre contestação de vários deputados democráticos em Maio de 1917, quando é acusado de falso radical, mas vence o congresso de 3 de Julho seguinte, tendo com rival Norton de Matos. Perante estas contestações e face à revolta dos abastecimentos, chega mesmo a invocar o marxismo em 14 de Julho, quando declara que devem ser todos pela luta de classes, no sentido marxista da palavra... De 8 a 25 de Outubro, visita as tropas na Flandres, acompanhado por Bernardino Machado. Preso no Porto, no dia 8 de Dezembro de 1917, por ocasião do golpe de Sidónio Pais. Em 12 de Março de 1919 passa a chefiar a delegação portuguesa à Conferência de paz de Versalhes, substituindo Egas Moniz. Representante português na primeira assembleia da Sociedade das Nações. Recusa formar governo em 1922. Apoia a eleição de Manuel Teixeira Gomes em 1923. Recusa formar governo no final desse ano, por falta de apoio dos nacionalistas. Apoia o governo de Álvaro de Castro, de Dezembro de 1923 a Julho de 1924. Recusa formar governo em Julho de 1924. Guerra Junqueiro diz que ele é o tipo de bicho de escritório que julga tudo segundo a papelada e mete a vida viva dentro de articulados… é um ciclone e um cronómetro. Segundo João Chagas, a sua obra política é sempre dirigida contra alguma coisa ou contra alguém. Para Machado Santos, o mais audaz, o mais inepto e o mais imoral de todos os tiranos. Segundo Raul Brandão, faltou-lhe sempre a visão arquitectónica … a compreensão de um plano de conjunto.

·A Egreja e a Questão Social

Coimbra, 1895

·Estudos de Economia Nacional. O Problema da Emigração

Lisboa, 1911

·Discursos Parlamentares 1914-1926

Compilação, prefácio e notas de A. H. De Oliveira Marques, Lisboa, Bertrand, 1977.

·A Verdade sobre Salazar

Paris, 1934. Série de entrevistas concedidas ao jornalista brasileiro José Jobim. O salazarista Henrique Cabrita responde com Esta é a verdade sobre Salazar.

4Marques, A. H. Oliveira, Afonso Costa, Lisboa, Livraria Arcádia, 1972. ¾Afonso Costa. Discursos Parlamentares. 1914 - 1926, Amadora, Livraria Bertrand, 1977. Um Diário Íntimo de Afonso Costa, in Históriam nº 24, Outubro de 1980, pp. 28-40. 4Serrão, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1978, II, pp. 207-208.

Costa, Francisco José Fernandes (1867-1925). Professor do liceu. Membro do partido evolucionista. Ministro da marinha no governo de Duarte Leite, de 16 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913. Ocupa a mesma pasta de 15 de Maio a 19 de Junho de 1915, depois da queda de Pimenta de Castro, no governo de João Chagas. Ministro do fomento no governo da União Sagrada, de 17 de Março a 25 de Abril de 1917. Nomeado Presidente do Ministério em 15 de Janeiro de 1920, não chegou a tomar posse. Ministro do comércio do governo liberal de Tomé de Barros Queirós, de 10 a 30 de Agosto de 1921. Ministro do comércio de 30 de Agosto a 12 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo.

Costa, Francisco Manuel Couceiro da Unionista. Juiz da Relação de Lisboa. Ministro da justiça e cultos do governo de José Relvas, de 27 de Janeiro a 30 de Março de 1919.

Costa, Jorge Couceiro da (1858-1937) Secretário de Estado da justiça de Sidónio Pais, de 8 de Outubro a 23 de Dezembro de 1918. Magistrado. Autor de Reminiscências Judiciais.

Costa Júnior, José António da. Ministro do trabalho de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva.

Costa, José Feliciano Ministro do trabalho de Sidónio Pais, desde 12 de Dezembro de 1917.

Costa, Francisco José Fernandes (1867-1925). Professor do liceu. Membro do partido evolucionista. Ministro da marinha no governo de Duarte Leite, de 16 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913. Ocupa a mesma pasta de 15 de Maio a 19 de Junho de 1915, depois da queda de Pimenta de Castro, no governo de João Chagas. Ministro do fomento no governo da União Sagrada, de 17 de Março a 25 de Abril de 1917. Nomeado Presidente do Ministério em 15 de Janeiro de 1920, não chegou a tomar posse. Ministro do comércio do governo liberal de Tomé de Barros Queirós, de 10 a 30 de Agosto de 1921. Ministro do comércio de 30 de Agosto a 12 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo.

Costa, Francisco José Fernandes (1867-1925). Professor do liceu. Membro do partido evolucionista. Ministro da marinha no governo de Duarte Leite, de 16 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913. Ocupa a mesma pasta de 15 de Maio a 19 de Junho de 1915, depois da queda de Pimenta de Castro, no governo de João Chagas. Ministro do fomento no governo da União Sagrada, de 17 de Março a 25 de Abril de 1917. Nomeado Presidente do Ministério em 15 de Janeiro de 1920, não chegou a tomar posse. Ministro do comércio do governo liberal de Tomé de Barros Queirós, de 10 a 30 de Agosto de 1921. Ministro do comércio de 30 de Agosto a 12 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo.

Costa, Francisco Manuel Couceiro da. Unionista. Juiz da Relação de Lisboa. Ministro da justiça e cultos do governo de José Relvas, de 27 de Janeiro a 30 de Março de 1919.

Costa Júnior, José António da Ministro do trabalho de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva.

Costa, José Feliciano. Ministro do trabalho de Sidónio Pais, desde 12 de Dezembro de 1917.

Costa, Manuel de Oliveira Gomes da (1863-1929). Comandante do Corpo Expedicionário Português. Ligado ao partido radical. Chefe do movimento do 28 de Maio. Ministro (desde 1 de Junho) e presidente do ministério (de 17 de Junho a 9 de Julho) em 1926. Exilado nos Açores, depois da ascensão ao poder de Carmona.

Couceiro, Henrique Mitchell de Paiva (1861-1944) Africanista, acompanhou António Enes. Apoiante de João Franco. Governador de Angola de Junho de 1907 a Junho de 1909. Pacificador do Cuamato e dos Dembos. Organizador de incursões monárquicas depois de instaurada a república, ficou conhecido como o paladino. Exilado pelo salazarismo, depois de criticar publicamente a política colonial. Autor de dois importantes estudos coloniais: Angola. Estudo Administrativo. 1898, publicado em 1899; Angola. Dois Anos de Governo, Lisboa, Gama, 1948, com prefácio de Norton de Matos Dos seus escritos de combate político, ressalta A Democracia Nacional, edição do autor, Coimbra, 1917, onde mantém íntegra a perspectiva liberal e representativa, sem cedência aos princípios propagandísticos do Integralismo.

Coutinho, Adolfo Augusto de Oliveira Juiz. Ministro da justiça no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925.

Coutinho, Carlos Viegas Gago (1869-1959) Oficial da aramada. Geógrafo. Inventor do sextante. Célebre  pela Travessia Aérea do Atlântico Sul em 1922, feita em conjunto com Sacadura Cabral. Inventor do sextante. Passa à reserva em 1934. Promovido a Almirante em 1958.

Coutinho Fragoso Sequeira, João António de Azevedo (1865-1944) Militar, companheiro de Mouzinho de Albuquerque. Ministro da marinha e do ultramar no governo de Sebastião Teles, entre 11 de Abril e 14 de Maio de 1909. Ministro da marinha e do ultramar no governo de Veiga Beirão, entre 22 de Dezembro de 1909 e 26 de Junho de 1910. Toma parte na revolta monárquica de 1919. Chefe da Causa Monárquica e lugar-tenente de D. Manuel II no exílio, não apoia D. Duarte Nuno.

Coutinho, Vítor Hugo de Azevedo (1871-1955) Oficial da marinha. Professor da Universidade de Coimbra e da Escola Naval. Membro do partido democrático. Presidente do ministério de 12 de Dezembro de 1914 a 25 de Janeiro de 1915. Chamam a esse governo os miseráveis de Vítor Hugo. Ministro da marinha do governo de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916. Ministro da marinha no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 15 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917 e no de António Maria da Silva, de 6 de Fevereiro de 1922 a 6 de Julho de 1923, tendo patrocinado a viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral.. Alto-comissário em Moçambique em 1923.

Cunha, Silvério Ribeiro da Rocha e. Ministro da marinha no governo de Sá Cardoso, de 30 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920

Curson, António Augusto. Ministro do comércio de 12 a 19 de Outubro de 1921.

 

Curto, A. S. Ramada (1886-1961) Amílcar da Silva Ramada Curto. Advogado. Dramaturgo. Propagandista republicano. Ministro das finanças do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919. Ministro do trabalho de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira. Deputado. Eleito em 1922 pelos democráticos, passa para o Partido Socialista. Colabora, nos primeiros tempos do regime, com o salazarismo, concordando com a auto-dissolução do PS e elaborando um projecto de Carta do Trabalho. Conhecido pela frequência das tertúlias político-literárias de Lisboa, fica célebre pelos seus ditos. Num deles, proclama que a verdadeira vocação do português é socializar os prejuízos e individualizar os lucros.


D

Dantas, Júlio (1876-1962). Médico e escritor. Presidente da Academia das Ciências. Deputado em 1905. Senador durante a República. Ministro da instrução pública de 21 de Outubro a 30 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo, na qualidade de reconstituinte. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Ministro dos negócios estrangeiros no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Membro do partido liberal e do partido nacionalista. Presidente da comissão nacional dos centenários em 1940. Autor de Páginas de Memórias, Lisboa, Portugália, 1968. Ver Luís de Oliveira Guimarães, Júlio dantas. Uma Vida. Uma Obra. Uma Época, Lisboa, Romano Torres, 1963.

Dias, Carlos Malheiro 1875-1941 Monárquico. Secretário do conde de Paçô Vieira. Emigra para o Brasil depois de 1910. Propôe em 1922 a António José de Almeida a criação de uns Estados Unidos de Portugal. Um dos conspiradores do 18 de Abril de 1925. Promove a edição da História da Colonização Portuguesa do Brasil, Porto, Litografia Nacional, 1921. Nomeado embaixador de Portugal em Madrid, pouco antes de morrer, não chega a ocupar o cargo.

Duarte, Teófilo Tenente durante o sidonismo. Oficial de cavalaria. Nomeado governador de Cabo Verde em 1917. Intitula-se fascista nos anos de 1920, elogiando Mussolini directamente Ministro das colónias de 4 de Fevereiro de 1947 a 2 de Agosto de 1950. Está na origem do conflito de Henrique Galvão com o salazarismo.

Duque, Júlio Ernesto de Lima. Ministro do trabalho de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo. De 24 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo de Tomé de Barros Queirós. De 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo. De 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924, no governo de Álvaro de Castro, como nacionalista.

Durão, Albano Augusto de Portugal. Ministro da agricultura de 4 a 19 de Maio de 1921 no governo de Bernardino Machado. Ministro das finanças no governo de António Maria da Silva, de 6 de Fevereiro a 26 de Agosto de 1922 (tem forte oposição da Associação Industrial Portuguesa). Ministro dos negócios estrangeiros no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925.


E

Eça, Júlio da Costa pereira de  1852-1917 Oficial do exército. Ministro da guerra do governo de Bernardino Machado, de 9 de Fevereiro a 12 de Dezembro de 1914. Batalha de Mongua no Sul de Angola de 18 a 20 de Agosto de 1915, dado que, depois de 10 horas de combate, vence os rebeldes cuanhamas chefiados pelo régulo Mandune e entra em N’Giva. Ver Henrique Pires Monteiro, O General Pereira d’Eça Notável Chefe Militar do Nosso Século, separata da Revista de Artilharia, Junho de 1952.

Eça, Vicente de Moura Coutinho de Almeida (1852-1929) Oficial da marinha. Professor da Escola Naval, presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa e director da Escola Superior Colonial. Autor de Questões de Direito Internacional e de A Arte de Navegar dos Portugueses.

Esteves, Francisco Xavier Um dos três deputados republicanos eleitos pelo Porto em 26 de Novembro de 1899. Ministro sidonista do comércio, de 11 de Dezembro de 1917 a 7 de Março de 1918. Assume em seguida a pasta das finanças até 1 de Junho de 1918.

Esteves, Raul (1878-195). Militar. Comandante de sapadores na Grande Guerra. Chefe do abortado golpe de 18 de Abril de 1925. Adere ao 28 de Maio e vence os revolucionários de Fevereiro de 1927.


F

Faro, José Dionísio Carneiro de Sousa e. Ministro da marinha de Tamagnini Barbosa de 23 de Dezembro de 1918 a 27 de Janeiro de 1919.

Fernandes, António Miguel de Sousa Agricultor alentejano, unionista. Financia o movimento conspiratório dos unionistas em 1917, visando o derrube do governo de Afonso Costa que dá origem ao dezembrismo de Sidónio Pais. O movimento na fase final deixou de ter o apoio de Brito Camacho, dadas as pressões de Augusto Vasconcelos, regressado de Madrid. Um dos descendentes deste líder republicano é o Professor Doutor Rosado Fernandes, antigo reitor da Universidade de Lisboa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal e deputado europeu pelo Partido Popular.

Fernandes, Aquiles Gonçalves (188o-1915) Avogado em Lisboa. Democrático. Ministro do fomento do governo de Bernardino Machado, de 9 de Fevereiro a 23 de Junho de 1914.

Fernandes, Francisco Joaquim  Ministro da justiça de Tamagnini Barbosa de 7 a 27 de Janeiro de 1919.

Fernandes, Tomás Ministro das colónias, de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921, no governo outubrista de Maia Pinto.

Ferrão, António Abranches Ministro da justiça e cultos no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Ministro da justiça no governo de António Maria da Silva, de 7 de Dezembro de 1922 a 15 de Novembro de 1923. Ministro da instrução no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Pai do advogado Fernando Abranches Ferrão.

Ferreira, António Aurélio da Costa (1879-1922) Médico, naturalista e professor de liceu, fundador da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. Maçon, alinha com o partido evolucionista de António José de Almeida. É o primeiro provedor da assistência pública, em 1911-1912. Ministro do fomento do governo de Duarte Leite, de 16 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913. Tem, então, como chefe de gabinete, Alfredo Pimenta. Ver Henrique de Vilhena, Em Memória de António Aurélio da Costa Ferreira, Lisboa, 1940.

Ferreira, António Bernardino (1876-1941) Secretário de Estado do interior do sidonismo de 8 de Outubro a 23 de Dezembro de 1918. Oficial do exército, destacou-se como ajudante de João de Almeida em Angola. Militante dos unionistas, torna-se comandante da polícia de Lisboa com o sidonismo, período em que também foi chefe dos serviços de subsistências, antes de aceder ao governo.

Ferreira, António Vicente (1874-1953) Oficial de engenharia militar. Professor no Instituto Superior Técnico. Membro do partido unionista, foi depois apoiante do salazarismo. Maçon desde 1911, terá traído a ordem, quando forneceu ao salazarismo, elementos para a respectiva extinção em 1935. Ministro das finanças do governo de Duarte Leite, de 16 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913. Ministro das finanças de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo. Ministro das colónias no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Com o regime do 28 de Maio, assume as funções de Alto Comissário em Angola, de 16 de Setembro de 1926 a 2 de Novembro de 1928. É também Vice-Presidente do Conselho do Império, entre 1946 e 1953, acumulando com o cargo de Procurador à Câmara Corporativa, de 1935 a 1953. Tem, então, ligações com o grupo de Marcello Caetano.

Ferreira, David Historiador da I República, destacando-se as suas colaborações no Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão. Pai do escritor David Mourão Ferreira.

Figueiredo, Fausto (1880-1950) Farmacêutico e empresário, um dos introdutores do turismo em Portugal. Começando como franquista, passa-se para os democráticos e será um dos apoiantes do salazarismo. É maçon desde 1913. Responsável pela electrificação da linha de Cascais em 1926, introduz na zona os jogos de casino, em 1927.

Figueiredo, Fidelino de (1889-1967). Deputado sidonista. Director da Biblioteca nacional.

Fonseca, Alberto Dinis da (1884-1962) Advogado. Militante do Centro Católico, é deputado em 1918 e 1925.

Fonseca, António Joaquim Ferreira da  (1887-1937) Advogado. Militante democrático, passa, depois, a alvarista. Ministro das finanças de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira, na qualidade de democrático. Ministro do comércio de 20 a 30 de Novembro de 1920, no governo de Álvaro de Castro, na qualidade de reconstituinte. Ministro do comércio de 30 de Novembro de 1920 a a 2 de Março de 1921, no governo de Liberato Pinto, na qualidade de reconstituinte; a mesma pasta, de 2 de Março a 23 de Maio de 1921, no governo de Bernardino Machado, na qualidade de reconstituinte. Ministro do comércio no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 23 de Fevereiro de 1924 (substituído por Nuno Simões). Ministro de Portugal em Paris desde esta data até 1926. Destaca-se também como director da Junta de Crédito Público e presidente do Tribunal de Contas, cargo em que se manteve durante o salazarismo, até à data da morte.

Fonseca, Joaquim Roque da (n. 1891). Economista, dirigente da Associação Comercial de Lisboa e fundador da União dos Interesses Económicos.

Fonseca, José Tomás da (1877-1968) Escritor, de marca anarquista. Antigo seminarista, é deputado em 1911. Maçon desde 1906 e militante democrático, assume a chefia do gabinete de Teófilo Braga em 1910-1911.

Freire, Anselmo Braamcamp (1849-1921)
Historiador. Par do reino em 1886, adere aos republicanos em 1907. Sobrinho de Anselmo José Braamcamp, funda o Archivo Historico Portuguez, em 1903, destacando-se como autor dos Brasões da Sala de Cintra, em três volumes, publicados em 1899, 1901 e 1905. Já como republicano, é vice-presidente da câmara municipal de Lisboa em 1908, assumindo a respectiva presidência em 1910. Aparece como presidente da Assembleia Nacional Constituinte em 1911 e, depois, como presidente do Senado..

Freiria, Fernando Augusto (1877-1955). Oficial do exército. Ministro da guerra no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Ministro da guerra no governo de António Maria da Silva, de 7 de Dezembro de 1922 a 21 de Julho de 1923. Destaca-se como chefe do estado maior de Gomes da Costa, no Corpo Expedicionário Português e, depois como director-geral dos transportes. Opondo-se ao movimento do 28 de Maio, aparece, logo em 1927, como comandante operacional da revolta do Porto de 1927 e na revolta da Madeira, de 1931. É deportado para Cabo Verde entre 1931 e 1936. Autor de Os Portugueses na Flandres, 1918.

 


G

Galhardo, Herculano Jorge (1868-1944) Oficial do exército e engenheiro. Professor da Escola de Guerra. Ministro das finanças no governo de Pimenta de Castro, na qualidade de membro do partido democrático, de 28 de Janeiro a 6 de Março de 1915, quando é substituído por Rodrigues Monteiro. Ministro do fomento no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917. Maçon, desde 1905, e destacado dirigente do Grande Oriente Lusitano, começa como unionista, entre 1911 e 1915, passando depois para os democráticos, onde enfileira na ala esquerda dos mesmos. De 1921 a 1926 é administrador geral do porto de Lisboa. Antes, de 1900 a 1910, tinha sido director da Fábrica de Cimento Tejo. Cabe-lhe a criação do sistema de caixas de correio nos domicílios.

Garcia, António Alberto Torres (1889-1937) Professor da Faculdade de Ciências de Coimbra. Maçon desde 1909. Democrático, de 1910 a 1920, torna-se reconstituinte, para, depois, voltar ao grupo maioritário. Ministro da instrução pública de 19 de Outubro a 22 de Outubro de 1921, no governo de Manuel Maria Coelho, mas não chega a tomar posse. Ministro da agricultura no governo de Rodrigues Gaspar, de 22 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro da agricultura no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925. Ministro das finanças no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925. Ministro da agricultura no governo de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 e 30 de Maio de 1926. Chega a governador interino de Angola, em 1928. Salienta-se também como director do Diário de Coimbra, até à sua morte.

Gaspar, Alfredo Rodrigues (1865-1938). Oficial da armada, começa como franquista, tornando-se, depois de 1910, membro do partido democrático, sendo várias vezes deputado. Ministro das colónias em 1914, 1915,1916 e 1919, nos governos de Azevedo Coutinho (de 12 de Dezembro de 1914 a 25 de Janeiro de 1915), José de Castro (desde 22 de Julho de 1915 a 29 de Novembro de 1915), Afonso Costa (de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916), Sá Cardoso (de 30 de Junho de 1919 a 3 Janeiro de 1920); António Maria da Silva (de 7 de Fevereiro de 1922 a 15 de Novembro de 1923). Presidente do ministério de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924, acumulando a pasta do interior.

Godinho, Vitorino Henriques (1878-1962) Político da I República. Oficial do exército, chega a adido militar em Paris. Democrático, é várias vezes deputado, desde 1911. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro do interior de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925, no governo de Vitorino Guimarães.

Gomes, Amaro de Azevedo (1853-1928). Oficial da armada. Ministro da marinha do governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. Camachista, é membro dos unionistas e dos liberais.

Gomes, António Luís (1863-1961) Advogado. Ministro do fomento do governo provisório de 5 de Outubro de 1910. Ligado ao grupo dos republicanos históricos do Porto, sai do governo em 22 de Novembro de 1910, discordando dos comités carbonários que pretendiam demitir inúmeros funcionários, sendo substituído por Brito Camacho. Torna-se ministro de Portugal no Rio de Janeiro até 1912. Era um antigo emigrante nesse país. Regressado a Portugal, assume-se como provedor da Misericórdia do Porto, de 1912 a 1921, enquanto se torna director do Diário do Norte em 1913. Deputado em 1921-1922 pelos liberais. Reitor da Universidade do Porto (1921-1924). Assumindo a luta política parlamentar, durante o governo de António Granjo, num discurso de 1 de Setembro de 1921, considera que o sistema parlamentar está condenado por causa do regime de mentira, ao mesmo tempo que os ministros são uns verdadeiros crimonosos que estão a arrancar o sangue do povo português. Conclui salientando: cada vez enjoo mais a política. Nunca entrei para partido algum, porque os partidos da República têm colocado os homens acima dos partidos … Por isso é que os homens de bem se retraem, afastando-se da política. Em finais desse mês de Setembro de 1921, é um dos animadores do movimento de salvação pública, também subscrito por José de Castro, Jaime Cortesão, João de Deus Ramos, Francisco António Correia, Ramada Curto, Cunha Leal, Leonardo Coimbra e Sá Cardoso. Novamente provedor da Misericórdia do Porto, de 1930 a 1944, ainda surge como presidente do 1º Congresso Republicano de Aveiro, em Outubro de 1957.

Gomes, António Paiva  (1878-1939) Médico, maçon e democrático. Ministro das finanças do governo de José Relvas, de 27 de Janeiro a 30 de Março de 1919. Ministro das colónias  de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921, no governo de Liberato Pinto. Ministro das colónias de 2 de Março a 23 de Maio de 1921, no governo de Bernardino Machado. Ministro das colónias de 15 a 16 de Fevereiro de 1925, no governo de Vitorino Guimarães.

Gomes, Francisco José de Sousa. Fundador do Centro nacional Académico em 18 de Março de 1901, base do CADC.

Gomes, Manuel Teixeira  (1860-1941) Escritor, diplomata e político português. Ministro de Portugal em Londres em 1911-1918. Presidente da República 1923-1925. Eleito em 6 de Agosto de 1923. Posse em 5 de Outubro de 1923. Demite-se em 11 de Dezembro de 1925. Sobe à presidência da república por sugestão de Afonso Costa, muito desgostando Bernardino Machado. Ver Norberto Lopes, O Exilado de Bougie. Perfil de Teixeira Gomes, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1942.

Gomes, Mário Azevedo (1885-1965) Natural de Angra do Heroísmo. Engenheiro Agrónomo em 1907. Professor do ISA de 1914 a 1946 e de 1951 a 1955, depois de ter sido demitido por Salazar. Ministro da agricultura 1923-1924. Colaborador da Seara Nova. Director-geral da instrução agrícola de 1919 a 1925. Um dos patriarcas da oposição ao salazarismo, aparece nas candidaturas de Norton de Matos e de Humberto Delgado, em lugar de destaque. Membro do directório Democrato Social. Filho de Manuel Azevedo Gomes e sobrinho de António Luís, faz parte de uma dinastia de republicanos, continuada pela respectivo filho que chega a ser Secretário Estado das Florestas num dos governos de Mário Soares. Como silvicultor é um dos incentivadores do processo de povoamento florestal que vai influenciar os modelos salazaristas de política agrícola. Autor de A Situação Económica da Agricultura Portuguesa, Lisboa, 1920. Dois Meses no Ministério da Agricultura, Lisboa, 1924. Evolução da Agricultura Portuguesa entre as Duas Guerras Mundiais, Lisboa, 1945. Com Henrique de Barros e Eugénio Castro Caldas. Estudos Sociais, Lisboa, 1946 e 1955 (em dois tomos). Silvicultura, Lisboa, 1956.

Gomes, Ricardo Pais (1868-1928) Advogado em Viseu. Deputado em 1911. Maçon desde 1899, é sucessivamente evolucionista, liberal e reconstituinte. Ministro da marinha de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo. Ministro da marinha de 23 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo de Tomé de Barros Queirós. Ministro da marinha de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo.

Gonçalves, João (1874-1956) Médico, sem filiação partidária. Várias vezes deputado, entre 1911 e 1921.

Granjo, António Joaquim  (1881-1921) Membro do grupo evolucionista, e dirigente do partido liberal, sendo, por duas vezes, presidente do ministério. Como deputado, logo em 1912, destaca-se como um defensor da amnistia para os inimigos do novo regime republicano, criticando acerbamente a existência de tribunais marciais especiais para o julgamento dos conspiradores monárquicos.  Destaca-se na luta contra o sidonismo, liderando uma revolta militar logo em Outubro de 1918. Depois do assassinato de Sidónio, aparece a liderar mais uma revolta militar em 10 de Janeiro de 1919. Constitui um dos principais actores políticos da república velha, quando, durante os seus dois últimos anos de vida, se assume como alternativa consistente ao domínio do partido democrático. Ministro da justiça do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919, é reponsável pelos Decretos nº 5 609 e nº 5 610 que reformam os serviços prisionais, instituindo um modelo que vai estar em vigor durante cerca de uma década. Depois da instituição do Partido Republicano Liberal, em Outubro de 1919, é imediatamente líder do respectivo grupo parlamentar. Ministro do Interior do frustrado governo liberal de Fernandes Costa, em 15 de Janeiro de 1920, gabinete que, apesar de nomeado, não chega a tomar posse. Neste mesmo dia, há uma tentativa de assalto ao jornal A Luta, e Granjo trata de defender o jornal de pistola na mão, seguindo depois para as instalações d’ A República, onde gora idêntica tentativa. No dia 22 de Janeiro seguinte, tem uma intervenção no parlamento, onde declara que os acontecimentos do dia 15 tiveram ligações militares, numa alusão indirecta à GNR. Presidente do ministério e ministro da agricultura, de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, quando ensaia uma fórmula liderada, em aliança com os reconstituintes e apenas com um democrático (Velhinho Correia). Propõe, então propõe restabelecer gradual e sucessivamente a liberdade do comércio, relativamente a todos os artigo em que se possa presumir que la livre concorrência resultará o seu barateamento.  Em 29 de Outubro, Granjo propõe um amnistia geral para os crimes políticos, que não foi aprovada. O governo demite-se em 15 de Novembro, face aos ataques de reconstituintes e populares sobre questões de abastecimento de trigo e carvão, apesar de aprovada moção de confiança. Ministro do comércio de 23 de Maio a 10 de Agosto de 1921, no governo liberal do ex-unionista Tomé de Barros Queirós. Mas Granjo demite-se a meio do percurso desse govern por ter entrado em conflito com o ministro da Guerra. Presidente do ministério e ministro do interior de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921, quando é assassinado no decorrer da chamada Noite Sangrenta. Ver Rodrigo de Castro, Cinzas Imortais. Na Morte de António Granjo, Porto, 1922.

Guedes, Armando Marques (1886-1958) Jurista. Professor do Instituto Superior do Comércio do Porto entre 1918 e 1926, passa para a escola equivalente de Lisboa, o ISCEF, de 1926 a 1957. Maçon desde 1911, é deputado, ministro e presidente da câmara municipal do Porto durante a I República (1919-1920), militando nas fileiras dos democráticos. Ministro das Finanças de António Maria da Silva no último governo da I República, entre 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926. Cria em 1930 um Centro de Estudos Democráticos, com Newton de Macedo, Joaquim de Carvalho, Hernâni Cidade, Vitorino Nemésio e José Ribeiro dos Santos. Divulgador dos modelos do Plano Beveridge, destaca-se também como director do jornal O Primeiro de Janeiro. Autor de Cinco Meses no Governo, Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, 1926; A Aliança Inglesa. Notas de História Diplomática, 1938. Páginas do Meu Diário, Lisboa, 1957. Silvestre Pinheiro Ferreira, in Jurisconsultos Portugueses do Século XIX, 2º vol., edição do Conselho Geral da Ordem dos Advogados, Lisboa, 1960, pp. 26 ss..

Guedes, João Teixeira de Queirós Vaz (1871-1926) Advogado, maçon desde 1909 e militante democrático. Ministro do comércio de 9 de Janeiro a 15 de Novembro de 1923. É também governador civil de Viseu, de 1913 a 1918..

Guerra, António Guerreiro Mimoso (1867-1950) Oficial do exército e governante da I República em 1916-1917 e 1925. Maçon desde 1911, é alto dirigente do Grande Oriente Lusitano em 1930-1931. Especialista em serviços geodésicos, é governdor de Angola em 1914 e 1919. Subsecretário de Estado da Guerra no governo de António José de Almeida (de 18 de Maio de 1916 a 25 de Abril de 1917). Subsecretário de Estado da Guerra no governo de  Afonso Costa (de 25 de Abril de 1917 a 9 de Dezembro de 1917). Ministro da guerra de 23 de Abril a 18 de Junho de 1925, no governo de Vitorino Guimarães.

Guimarães, Luís Brito Monteiro de. Ministro dos abastecimentos no governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919, na qualidade de unionista. Deputado em 1913.

Guimarães, José Maria Teixeira (n. 1845) Ministro das colónias de 30 de Março a 29 de Junho de 1919. Oficial da armada, chega a director da Escola Naval. Assume-se também como director-geral das colónias em 191o-1911.

Guimarães, Vitorino (1876-1957) Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães. Oficial de administração militar. Começa como franquista, mas logo em 1908 surge como um dos líderes da revolta contra a monarquia. Membro da Jovem Turquia e do partido democrático. Professor na Escola Militar, no Instituto Superior de Comércio e na entidade que lhe sucedeu, o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Assumiu-se politicamente como centrista dos democráticos, entre a ala dos bonzos e dos canhotos. Autor da reforma tributária de 1923.

Deputado às constituintes. Chefe dos serviços administrativos da 2ª divisão do CEP. Ministro das finanças do governo de José de Castro (de 19 de Junho a 29 de Novembro de 1915). Ministro das finanças do governo de Cunha Leal (de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922). Ministro das finanças do governo de António Maria da Silva (de 14 de Setembro a 13 de Agosto de 1923). Presidente do ministério de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925. A sua principal obra é Contabilidade Pública. Sua Origem e Evolução em Portugal, publicada na Revista da Contabilidade Pública, entre 1941 e 1943.

 


H

Herédia, Francisco de Correia (1852-1918) 1º Visconde da Ribeira Brava desde 1871. Progressista, alinha com a Dissidência de José Maria Alpoim. Antes assume as funções de governador civil de Bragança (1884-1885) e de Beja, em 1885 e 1897-1898. Aderindo aos republicanos é eleito deputado pela Madeira em 1911, mas não chega a tomar posse. Destaca-se como governador civil de Lisboa em 1914-1915. Assassinado em 16 de Outubro de 1918, na chamada leva da morte.

Hipólito, Abel (1860-1929). Oficial do exército, destaca-se como comandante do CEP e da GNR. Unionista, liberal e nacionalista, é ministro do interior de 24 de Maio a 30 de Agosto de 1921.

 


I

Inglês, António Lobo Aboim (1869-1941) Professor do Instituto Superior Técnico, de 1912 a 1939. Unionista, liberal e nacionalista. Ministro da agricultura de 3 de Satembro a 19 de Outubro de 1921.

 


J

 


K


L

Lança, Armando Pereira de Castro Agathão (1894-1965) Oficial da Armada. Participa na revolta de 1915. Resiste à revolta de Sidónio Pais, em Dezembro de 1917, no Largo do Rato. Luta contra a revolta monárquica de 1919, destacando-se no combate de Chaves, com Jaime de Morais e Ribeiro de Carvalho. Deputado de 1921 a 1926. Governador civil de Lisboa em Janeiro de 1922, por convite do presidente do ministério Cunha Leal, a quem salvara a vida. Vice-governador do Banco Nacional Ultramarino em 1925-1926. Participa na revolta de Fevereiro de 1927 e conspira com Sarmento Beires. Deportado para Angola e exilado em Paris, até à invasão alemã. Regressa então a Portugal e passa a viver como proprietário e produtor de vinho do Porto em Baião. Camarada de Américo Tomás, foi sempre seu amigo, recebendo deste fortes elogios. Aparece como fundador do MUNAF e do MUD em 1945, chegando, então, a ser preso. Tenta ainda reorganizar o Partido Republicano Português em 1950.

Leal, Francisco Pinto da Cunha (1888-1970) Começa a vida política como militante do partido centrista de Egas Moniz em 1917. Deputado do parlamento sidonista em 1918. Alinha na conspiração republicana contra Tamagnini Barbosa em 1919. Fundador do grupo popular, com Júlio Martins, assumindo a direcção do jornal O Popular. Como membro dos populares é ministro das finanças dos governos de Álvaro de Castro e Liberato Pinto, de 20 de Novembro de 1920 a 22 de Janeiro de 1921. Chefe do governo de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922, acumulando a pasta do interior. Director de O Século, em 1922-1923. Ministro das finanças no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Critica a política de Norton de Matos, publicando Calígula em Angola, em 1924. Reitor da Universidade de Coimbra em 1924-1925, é demitido, acusado de ter apoiado o golpe frustrado de 18 de Abril de 1925. Vice-governador do Banco Nacional Ultramarino em 1925. Fundador da União Liberal Republicana em 1926. Nomeado pela Ditadura presidente do Banco de Angola. Em 1930, nesta qualidade, critica frontalmente a política financeira de Salazar. Demitido, será preso em Julho desse ano, acusado de promover um golpe de Estado. Deportado para os Açores, consegue evadir-se para Espanha, regressando ao país em 1932. Aparece a conspirar com Rolão Preto em 1934, sendo novamente preso em 1935. Assume a direcção do jornal A Noite em 1934-1935. Candidato pela oposição em Castelo Branco, em Novembro de 1949. Volta a candidatar.-se em 1935. Em 1961 ainda lança achas para a fogueira da questão colonial, defendendo uma autodeterminação, com brancos e pretos. Autor de As Minhas Memórias, Lisboa, Edição do Autor, 1966.

Leão, Eusébio (1864-1926) Médico. Maçon desde 1893. Cabe-lhe o papel simbólico de ter lido a proclamação solene da república, da varanda dos paços do concelho de Lisboa em 5 de Outubro de 1910. Unionista. Torna-se ministro plenipotenciário em Roma, de Fevereiro de 1912 a Outubro de 1926, mantendo-se afastado das lutas domésticas.

Leite Pereira da Silva, Duarte (1864-1950). Lente de matemática. Embaixador no Brasil. Ministro das finanças do governo de João Chagas de 3 de Setembro a 12 de Novembro de 1911. Presidente do ministério de 16 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913 (acumula a pasta do interior). Era um governo pluripartidário. Proposto para a presidência da república pelo partido unionista. Autor de História dos Descobrimentos.

Leite, Pereira. Comandante. Ministro das colónias no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 30 de Outubro de 1925.

Lemos, Francisco Correia de (1852-1914) Juiz. Ex-monárquico, maçon e militante democrático. Deputado em 1911. Preside à comissão parlamentar que redigiu a Constituição de 1911. Ministro da justiça do governo de Duarte Leite, de 6 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913.

Lemos, Manuel Gaspar de (1874-1967) Advogado na Figueira da Foz. Republicano desde 1896 e maçon desde 1909. Chega a Presidente do Senado. Ministro do comércio no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925. Ministro da agricultura no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925. Ministro do comércio no governo de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 a 28 de Maio de 1926.

Leote, Diogo Tavares de Melo (1849-1920) Juiz. Monárquico, faz parte dos adesivos à república. Milita nas fileiras unionistas. Ministro da justiça de João Chagas, de 4 de Setembro a 3 de Novembro de 1911.

Lima, Alfredo Augusto Lisboa de (1866-1935). Engenheiro militar, professor na Escola Superior Colonial. Ministro das colónias do governo de Bernardino Machado, de 9 de Fevereiro a 12 de Dezembro de 1914.

Lima, João Evangelista Campos (1887-1956) Um dos mais consolidados teóricos portugueses do anarquismo. Formado em direito em 1907, é um dos líderes da greve académica. Abraça desde então os ideais anarquistas. Organiza Congresso do Livre pensamento em 1913. Não é então admitido como professor da faculdade de direito de Lisboa em 1914. Recusa ser ministro da justiça em Outubro de 1921. Autor de O Estado e a Evolução do Direito, Lisboa, Livraria Bertrand, 1914, uma dissertação apresentada na então Faculdade de Estudos Sociais e Direito de Lisboa, bem como de O Reino da Traulitânia, um livro de memórias.

Lima, João Maria de Almeida. (1859-1930).  Militar. Professor de física na Faculdade de Ciências. Ministro do fomento de 23 de Junho a 12 de dezembro de 1914, no governo de Bernardino Machado, na qualidade de independente.

Lima, João Pedroso de (1858-1938).  Oficial do exército. Monárquico é um dos poucos militares que defende o regime, de armas na mão em 5 de Outubro de 1910, aderindo, depois, à república, onde chega a comandante da GNR e a ministro do interior de 14 a 26 de Junho de 1920.

Lima, Joaquim do Espírito Santo (1858-1928) Começando como militar, ingressa na carreira diplomática em 1888, chegando a director dos negócios políticos e diplomáticos em 1909 e a chefe de gabinete do ministro dos negócios estrangeiros em 1903. Sidonista, assume a pasta dos negócios estrangeiros de 15 de Maio a 8 de Outubro de 1918.

Lima, José Caetano Lobo de Ávila da Silva (1885-1956) Professor de direito a partir de 1910, é exonerado em 1913, acusado de ser conspirador monárquico. Maçon desde 1911, torna-se deputado monárquico em 1918. Passa para a Faculdade de Direito de Lisboa em 1919. Membro da direcção do Banco de Portugal.

Lima, Sebastião de Magalhães (1851-1928). Guerra Junqueiro chamava-lhe o caixeiro viajante da República. Ministro do fomento de 15 a 17 de Maio de 1915, no governo de João Chagas. Ministro da instrução pública desde esta data a 19 de Junho de 1915 no governo de José de Castro. Advogado em 1875-1879, torna-se director de O Século, entre 1881 e 1896, bem como de A vanguarda, de 1898 a 1911. Maçon desde 1874, é Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, a partir de 1907. Ver Raul Brandão, Memórias III, pp. 179 ss.; Álvaro Neves, A Vida de um Apóstolo. S. Magalhães Lima, 2 vols., Lisboa, 1930-1931

Lopes, Francisco Pina Esteves (1874-1962). Oficial do exército. Maçon desde 1912. Militante dos democráticos. Ministro das finanças de 8 de Março a 26 de Junho de 1920. Abandona a vida militar em 1923, tornando-se administrador de várias companhias, nomeadamente da Portugal & Colónias.

Lucas, António dos Santos (1866-1939) Oficial do exército, doutor em matemática por Coimbra e professor em Lisboa. Ministro das finanças de 23 de Junho a 12 de Dezembro de 1914. Director da Casa da Moeda e da faculdade de ciências de Lisboa. Especialista em teorias matemáticas dos seguros.


M

Machado, António Ginestal 1874-1940 Professor de liceu. Formado em direito. Começa como companheiro político de Álvaro de Castro. Como membro do partido nacionalista, é ministro da instrução pública de 24 de Maio a 19 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo. Presidente do ministério de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923, acumulando a pasta do interior. Depois de 1926, reitor do liceu de Santarém, dedicando-se à música. Foi delegado do governo junto da CP.

Machado Guimarães, Bernardino Luís 1851-1944 Consideravam-no o homem mais delicado de Portugal. Mas Guerra Junqueiro diz que ele não é de ferro, mas de borracha: pode passar-lhe um cilindro de estrada por cima que ele levanta-se logo, todo lépido, a tirar o chapéu. Vai ser um lírio que dará cicuta. Lente de Coimbra. Criador de uma cadeira de Antropologia em 1885. Deputado regenerador entre 1882 e 1884 (eleito em Novembro de 1882, sob um governo de Fontes). Par do reino desde 1890. Eleito em 1894 para do reino pelos estabelecimentos científicos. Ministro das obras públicas, comércio e indústria de Hintze de 23 de Fevereiro a 20 de Dezembro de 1893, sendo substituído por Carlos Lobo de Ávila. Preside a comício republicano em 7 de Março de 1898. Adere ao partido republicano em 23 de Julho de 1903. Ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. Presidente do Ministério e ministro do interior de 9 de Fevereiro a 12 de Dezembro de 1914. Constitui governo em 1914. Presidente da república em 1915-1917  (eleito em 6 de Agosto de 1915; posse em 5 de Outubro de 1915 até 8 de Dezembro de 1917) e em 1925-1926 (de 11 de Dezembro de 1925 a 31 de Maio de 1926). Presidente do ministério de 2 de Março a 23 de Maio de 1921, acumulando o interior e a agricultura (nesta pasta de 2 de Março a 4 de Maio e de 19 a 23 de Maio). Regressa do exílio em 1940. Bernardino Machado publica uma crítica em O Acto Colonial da Ditadura, onde considera que há dois nacionalismos diametralmente opostos, um liberal, democrático, pacífico, outro reccionário, despótico, militarista. Salienta que o diploma o brandão inendiário dum ukase colonialista, invocando a circunstância da República ter continuado a política dos liberais monárquicos. Proclama que a nacionalização das colónias só se faz pela íntima cooperação com a metrópole, e não é para ditaduras; que o problema colonia consiste, como todo o problema social, numa questão de liberdade. Reconhece que a alma da nação é indivisível e que Portugal entrou na guerra por causa das colónias.

·Da Monarquia para a República (1883-1905)

Coimbra, 1912

·O Acto Colonial da Ditadura

1931

Machado, Fernando Pais Teles D’utra  (1882-1949) Militar e político. Durante a I República aparece sucessivamente como militante do Partido Democrático e depois de 1926 da União Liberal Republicana. Governador de Angola depois de Norton de Matos, de 1914 a 1916. Condecorado na Grande Guerra. Ministro das colónias de 8 de Março a 26 de Junho de 1920. Assume um activo reviralhismo a partir da publicação do Acto Colonial em 1930.Um dos organizadores da revolta de 1931, contra a Ditadura Nacional. Preso, demitido do Exército e deportado para Timor donde se evade, logo em 1932, participando na guerra civil de Espanha. Companheiro de Agatão Lança e Sarmento Beires. Em 1939 é entregue pelos franquistas a Salazar. Preso em Angra do Heroísmo, acaba por ser amnistiado em 1940.

Macieira Júnior, António Caetano (1875-1918) Advogado. Maçon, militante dos democráticos. Ministro da justiça do governo de Augusto de Vasconcelos, de 12 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912. Ministro dos negócios estrangeiros do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Presidente da Câmara dos Deputados de Maio a Dezembro de 1917. Cunhado de Egas Moniz. Faleceu num acidente de viação.

Magalhães, João Evangelista Pinto de (1858-1939) Oficial do exército. Maçon desde 1893. Alinha na dissidência do grémio Luso-Escocês de 1914. Ministro da guerra de 14 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921, no governo outubrista de Maia Pinto. Aceita a dissolução das maçonarias em 1935, quandoera soberano grande comendador da dissidência.

Magalhães, José Alfredo Alfredo  (1870-1957). Médico pelo Porto. Professor de Medicina. Licenciado com uma tese sobre Os Milagres de Lourdes como Terapêutica Psicológica. Redactor do jornal O Rebate. Sucede a Duarte Leite na direcção do jornal republicano do Porto, Pátria. Deputado em 1911. Alto comissário em Moçambique (1911-1913). Numa conferência realizada em Lisboa afirma que as colónias  estavam entregues nas mãos de homens incompetentes e gatunos. Incompatibiliza-se com os democráticos. Ministro da instrução de Sidónio Pais e Tamagnini Barbosa, de 12 de Dezembro de 1917 a 27 de Janeiro de 1919. Volta à mesma pasta com a Ditadura Nacional entre 22 de Novembro de 1926 e 18 de Abril de 1928. Reitor da Universidade do Porto em 1926. Presidente da câmara municipal do Porto em 1933-1937. Funda no Porto a Maternidade Júlio Dinis.

Magalhães, João Maria Vilhena Barbosa de  (1878-1959) Começa politicamente como dissidente progressista, companheiro de José Maria de Alpoim, na zona de Aveiro. Deputado em 1911 pelos democráticos. Ministro da justiça  de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915. Ministro da instrução pública  no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 8 de Dezembro de 1917. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de António Maria da Silva, de 7 de Fevereiro a 30 de Novembro de 1922. Professor da Academia Internacional de Haia em 1928. Aceita ser presidenet da comissão de reforma do código de processo civil em 1935. Aposentado compulsivamente em 1941. Apoia a candidatura de Humberto Delgado

Maia, Ângelo de Sá Couto da Cunha Sampaio (n. 1886) Advogado. Evolucionista e liberal passa para a Acção Republicana em 1924. Governador civil de Aveiro em 1919.. Ministro do trabalho no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925.

Maia, José Carlos da (1878-1921) Revolucionário do 5 de Outubro. Maçon desde 1907. Sidonista. Ministro da marinha de Sidónio Pais, de 9 de Março a 7 de Setembro de 1919 (formalmente secretário de Estado desde 15 de Maio). Ministro das colónias no governo de José Relvas, de 26 de Janeiro a 21 de Março de 1919. Assassinado em 19 de Outubro de 1921, na Noite Sangrenta, juntamente com Machado Santos.

Martins, Germano Lopes (1871-1950) Advogado, militante republicano desde 1890. Secretário-geral e director-geral no ministério da justiça de 1911 a 1935. Ministro do Interior no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925. Aposentado compulsivamente em 1935.

Martins Júnior, João Lopes da Silva (1866-1945) Médico e oficial do exército. Militante democrático. Ministro da instrução pública do governo de José de Castro, de 17 de Maio a 29 de Novembro de 1915. Director da Faculdade de Medicina do Porto em 1922-1923, é reitor da universidade em 1927-1928.

Martins, Joaquim Pedro (1875-1939) Professor de direito. Doutorado em 1901 é professor em Coimbra de 1902 a 1915, quando passa para a escola de Lisboa. Vice-Reitor da Universidade de Lisboa em 1927-1928 e depois director da Faculdade de Direito de Lisboa, desde 1929. Irmão de Júlio Martins, começa politicamente no partido progressista, alinhando na dissidência de Alpoim. Adere à República, militando nos evolucionistas. Ministro da instrução pública no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 16 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925, enquanto membro da Acção Republicana. Ministro de Portugal junto da Santa Sé de 1919 a 1924. Autor de A Doutrina da Soberania Popular segundo as Cortes de 1641 e os teóricos da Restauração, Lisboa, 1937.

Martins, Júlio Augusto do Patrocínio (1878-1922) Natural de Soure. Irmão de Joaquim Pedro Martins. Médico. Republicano histórico, milita no evolucionismo, mas em 1919, não adere aos liberais, fundando o grupo parlamentar popular. Várias vezes deputado. Ministro do comércio no governo de José Relvas, de 25 de Fevereiro a 30 de Março de 1919, na qualidade de evolucionista. Ministro do comércio do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 29 de Junho de 1919, na qualidade de evolucionista. Em Outubro de 1919, juntamente com o ex-centrista Cunha Leal, constitui o Grupo Parlamentar Popular. Ministro da marinha de 20 de Novembro a 30 de Novembro de 1921 no governo de Álvaro de Castro, na qualidade de popular. A mesma pasta de 30 de Novembro de 1920 a 4 de Fevereiro de 1921, no governo de Liberato Pinto, na qualidade de popular. Ministro da instrução pública de 2 de Março de 1921 a 23 de Maio de 1921, no governo de Bernardino Machado, na qualidade de popular (ajuda a vencer golpe promovido pela GNR). Opõe-se ao governo de António Granjo, de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921. Apoia os governos outubristas de António Maria Coelho e Maia Pinto.

Martins, Mariano (n. 1880) Oficial da marinha. Deputado. Governador de São Tomé de 1911 a 1913. Governador civil de Vila Real em 1913-1914 e de Lisboa, em 1915. Ministro da agricultura no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922, na qualidade de democrático. Ministro das colónias de 28 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924, no governo de Álvaro de Castro. Governador da Índia em 1925-1926, adere ao Estado Novo.

Mascarenhas, José Esteves da Conceição (1881-1955) Oficial do exército, atinge o generalato em 1940. Militante democrático. Por duas vezes ministro da guerra na I República: no governo de Domingos Pereira, de 30 de Outubro a 17 de Dezembro de 1925; e no de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926. Assume-se como independente.  É derrubado pelo golpe de 28 de Maio de 1926, ele que tinha sido aliciado para a conspiração por Gomes da Costa, mas que recebera deste a promessa de não ser desencadeado o movimento, e que até aceita integrar o último governo da I República com a condição de reintegrar os punidos pelo 18 de Abril de 1925.

Matos, José Maria Mendes Ribeiro Norton de (1867-1955). Oficial de infantaria. Cursa matemática em Coimbra em 1884-1888. Nesta data entra para o exército, onde se destaca como especialista em geodesia e topografia. Trabalha em Goa de 1898 a 1908. Professor do Instituto Superior Técnico desde 1910. Governador-geral de Angola de 1912 a 1915, período em que funda no Huambo a cidade de Nova Lisboa. É então membro do partido demeocrático, depois de ter sido simpatizante do franquismo. Um dos organizadores da junta revolucionária que deruba Pimenta de Castro em 14 de Maio de 1915. Ministro das colónias do governo de José de Castro, de 19 de Junho a 22 de Julho de 1915. Ministro da guerra do mesmo governo desde essa data a 29 de Novembro de 1915. Ministro da guerra no governo de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916. Ministro da guerra no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 16 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917. Ministro da guerra no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917. Organiza o Corpo Expedicionário Português, sendo o principal responsável pelo chamado milagre de Tancos. Com o sidonismo, exila-se em Londres, juntamente com Leote do Rego. Participa na Conferência de Paz de Paris em 1919. Alto comissário em Angola, a partir de 1920. Embaixador em Londres de 1924 a 1926. Deportado para Ponta Delgada de 1927 a 1929. Grão-mestre da maçonaria do Grande Oriente Lusitano (1932-1935). Fundador em 1931 da Aliança Republicana e Socialista. Demitido de professor em 1935. Presidente do MUNAF em 1943. Lidera a tentativa de golpe de Estado em 1945. Candidato pela oposição democrática à presidência da república (1949). Apresenta a candidatura em 9 de Julho de 1948 e inicia a campanha em 3 de Janeiro de 1949. anuncia a desistência em 11 de Fevereiro. Ainda participa na campanha eleitoral da oposição em 1953. Autor de Memórias e Trabalhos da Minha Vida, Lisboa, 1944-1945.

Medeiros, Manuel Goulart de (1861-1947)  Oficial do exército. Republicano desde 1882, milita nos unionistas, sendo deputado e maçon desde 1911. Alto dirigente do Grande Oriente Lusitano a partir de 1913. Ministro da instrução pública do governo de Pimenta de Castro, de 28 de Janeiro a 15 de Maio de 1915.

Melo, Martinho Nobre de (1891-1985). Professor de direito em Lisboa. Ministro da justiça de 7 de Março a 15 de Maio de 1918 e dos negócios estrangeiros de 6 a 9 de Julho de 1926. Inspirador dos decretos de 11 e 30 de Março de 1918, bases do sidonismo (decreto eleitoral e de modificação da Constituição de 1911 no sentido presidencialista). Dirigente da Cruzada Nuno Álvares. Embaixador no Brasil, nomeado em Abril de 1932. Director do Diário Popular de 1958 a 1974.

Mendonça, Álvaro César de (1875-1959) Oficial do exército. Ministro da guerra do sidonismo de 8 de Outubro a 23 de Dezembro de 1918. De simpatias monárquicas, assume as suas convicções na plenitude, aderindo à revolta de Monsanto de Janeiro de 1919. Aparece como senador em 1925

Meneses, Afonso Augusto Falcão Cota de. Bourbon e (n. 1890) Jornalista republicano. Coordena a edição de o Diário de João Chagas. Chega a interrogar-se interroga-se mesmo: Como vai ser a República? Não se sabe. O que é preciso é fazê-la.

Meneses, João Catanho de (1868-1918) Jornalista. Tinha sido deputado progressista pela Madeira, de 1890 a 1907, quando abandona o partido. Deputado às Constituintes. Machado Santos chama-lhe proletário diplomado, pelos inflamados discursos com que arengava às massas. Ministro da justiça do governo de José de Castro, de 19 de Junho a 29 de Novembro de 1915, na qualidade de independente. Ministro da justiça no governo de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916. Ministro da justiça no governo de António Maria da Silva, de 6 de Fevereiro a 7 de Dezembro de 1922. Convidado a formar governo em Novembro de 1923. Já então era democrático e membro do grupo dos bonzos. Ministro da justiça no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro da justiça no governo de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 e 30 de Maio de 1926. Bastonário da Ordem dos Advogados de 1931 a 1942.

Meneses, João Duarte de (n. 1868) Advogado. Republicano desde 1881 e maçon desde 1892. Deputado republicano em 1906 e 1908. Unionista. Director de A Lucta. Director-geral da instrução secundária em 1910- 1911. Ministro da marinha de João Chagas, de 4 de Setembro a 3 de Novembro de 1911.

Merêa, Manuel Paulo 1889-1977 Transferido para a Faculdade de Direito de Lisboa no ano lectivo de 1924-1925.  Autor de uma das mais veementes críticas ao positivismo no plano jurídico, quando jovem estudante de direito, logo em 1910, numa conferência intitulada Idealismo e Direito, apenas publicada em 1913, que aparece como reacção contra o discurso positivista de Manuel de Arriaga, no acto da sua tomada de posse como reitor da Universidade de Coimbra. Aí Merêa vem proclamar a necessidade de uma filosofia crítica, anti-intelectualista, pluralista e emeinentemente humana.

·«Idealismo e Direito»

[1ª ed., 1911], in Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, vol. XLIX, pp. 285-327, Coimbra, FDUC, 1973.

·Introdução ao Problema do Feudalismo em Portugal

Coimbra, 1912.

·«Apontamentos para a História das Nossas Doutrinas Políticas. Desenvolvimento da ideia de Soberania Popular nos Séculos XVI e XVII»

In Revista da Universidade de Coimbra, vol. IV, Coimbra, 1915.

·«A Ideia da Origem Popular do Poder nos Escritores Portugueses Anteriores à Restauração»

In Revista da Universidade de Coimbra, vol. II; in Estudos de História do Direito, pp. 229 segs..

·«Suárez Jurista. O Problema da Origem do Poder Civil»

Separata da Revista da Universidade de Coimbra, Coimbra, 1917.

·«As Teorias Políticas Medievais no Tratado da Virtuosa Benfeitoria»

In Revista de História, ano VIII, nº 29, 1919; in Estudos de História do Direito, Coimbra, Coimbra Editora, 1923.

·O Poder Real e as Cortes

Coimbra, Coimbra Editora, 1923.

·«A Ideia da Origem Popular do Poder nos Escritores Portugueses Anteriores à Restauração»

In Estudos de História do Direito, Coimbra, Coimbra Editora, 1923.

·«O Liberalismo de Herculano»

In Biblos, XVII, tomo II, Coimbra, 1940.

·«Escolástica e Jusnaturalismo. O Problema da Origem do Poder Civil em Suárez e Pufendorf»

In Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Coimbra, 1943.

·Suarez, Grócio, Hobbes

Coimbra, Livraria Arménio Amado, 1941.

 

4Maltez, José Adelino, «Os Principais Jushistoriadores Portugueses», in História do Direito Português. Elementos Auxiliares, Lisboa, Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, 1984, pp. 43 segs..

Mimoso, António Nogueira. Ministro da guerra no governo de Vitorino Guimarães, de 23 de Abril a 1 de Julho de 1925.

Moniz, António Caetano de Abreu Freire Egas (1874-1955). Médico por Coimbra desde 1898, Prémio Nobel da Medicina em 1949. A dissertação de 1902, A Vida Sexual, tem cerca de duas dezenas de edições até 1932, apesar de só poder ser vendida por receita médica. Catedrático desde 1902, transita para a Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1911, como professor de Neurologia. Começa como miltante do partido progressista, sendo deputado por Estarreja em 1900. Alinha em 1905 com a dissidência de José Maria Alpoim. Um dos adesivos ao regime republicano. Deputado desde 1911. Fundador do Partido Centrista, anunciado em 18 de Outubro de 1917. Responsável pela pasta dos negócios estrangeiros, com Sidónio Pais, de 8 de Outubro a 23 de Dezembro de 1918. Ministro dos negócios estrangeiros de Tamagnini Barbosa de 23 de Dezembro de 1918 a 27 de Janeiro de 1919. Ministro dos negócios estrangeiros do governo de José Relvas, em 26  e 27 de Janeiro de 1919. Participa nas primeiras sessões da Conferência de Paz de Versalhes. A partir de 1920 dedica-se inteiramente à investigação científica, inventando a angiografia em 1926 e o processo da leucotomia que lhe dá o Prémio Nobel em 1949. Jubilado em 1935. Assume-se como um dos principais oposicionistas face ao regime salazarista. Chega a ser proposto pelo Partido Republicano e pelo Partido Socialista para candidato à presidência em 1951. Em 1953 prefacia a obra de Norton de Matos, A Nação Una, onde dois anteriores adversários políticos se irmanam na defesa do património ultramarino português. Autor de Um Ano de Politica, Rio de Janeiro, 1920, e de Confidências de um Investigador Científico, Lisboa, 1949.

Monteiro, Alves Ministro da justiça no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925.

Monteiro, Augusto Casimiro Lopes (1861-1958) Juiz. Oriundo dos regeneradores, adere aos democráticos. Ministro da justiça no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 17 de Dezembro de 1925.

Monteiro, Eduardo Augusto de Sousa (n. 1864) Magistrado. Ministro da justiça de 22 de Julho a 12 de Dezembro de 1914.

Monteiro, Henrique Sátiro Lopes Pires (1882-1958) Oficial do exército. Democrático, reconstituinte e accionista. Governador civil do Porto em 1919. Ministro do comércio e comunicações de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924, no governo de Rodrigues Gaspar,

Monteiro, José Jerónimo Rodrigues (1855-1931) Engenheiro militar, começa como regenerador antes de 1910. Ministro dos negócios estrangeiros de 4 de Fevereiro a 10 de Março de 1915. Ministro das finanças desde  6 de Março a 15 de Maio de 1915.

Monteiro, Manuel. Joaquim Rodrigues (1879-1952) Bacharel em direito. Arqueólogo e etnógrafo. Historiador da arte românica em Portugal. Republicano antes de 1910, é maçon e membro da Carbonária e do partido democrático. Governador civil de Braga depois de 1910. Ministro da justiça do governo de Bernardino Machado, de 9 de Fevereiro a 23 de Junho de 1914. Presidente da Câmara dos Deputados em 1915. Preside à reunião da Mitra. É demitido de juiz do Supremo Tribunal Administrativo por Pimenta de Castro. Ministro do fomento do governo de João Chagas/ José de Castro, de 15 de Maio a 29 de Novembro de 1915. Ministro da justiça em 1917. Presidente do tribunal misto de Alexandria em 1925.

Morais, Jaime Alberto de Castro (1882-1973) Médico e oficial da Armada. Revolucionário do 5 de Outubro de 1910. Participa nas campanhas de pacificação da Guiné e de Angola. Governador da Índia entre 1919 e 1925. Defensor da republica no combate de Chaves em 1919. Um dos líderes do golpe de 3 de Fevereiro de 1927, no Porto, vai passar o resto dos dias em contantes actividades reviralhistas. Em 1928 é deportado para S. Tomé e demitido da Armada. Foge para França. Cria em Madrid, com Jaime Cortesão e Moura Pinto, o grupo dos Budas. Participa na criação da Frente Popular Portuguesa. Amnistiado em 1950. Vive no Brasil, onde se dedica a actividades comerciais.

Morais, Tito Augusto de (1880-1963). Oficial da armada. Unionista e liberal. Ministro da marinha do governo de José Relvas, de 26 de Janeiro a 30 de Março de 1919. Governador da Índia em 1926.

Moreira, Guilherme Alves 1861-1922 Professor de direito. Tem como alunos Paulo Merêa e Luís Cabral de Moncada. Marcado por um juridicismo tecnicista e dono de uma engenharia conceitual que lançou a semente de uma maior autonomia da ciência do direito face ao ecletismo predominante. A partir de então, os progressos técnico do direito serão inequívocos, embora a secura valorativa venha a ser a outra face da moeda. Um dos introdutores em Portugal tanto da Escola Histórica de Savigny como da pandectística germânica. Influência marcante no campo do direito civil, principalmente a partir da sua obra Instituições de Direito Civil Português, Coimbra, 1907, com a qual se inicia um movimento de adesão à jurisprudência dos conceitos, num longo processo de maturação doutoral que há-se conduzir ao Código Civil de 1966. Ministro da justiça do governo de Pimenta de Castro ( 25 de Janeiro a 14 de Maio de 1915). Afecto aos democráticos até então, embarca na aventura do governo saído do Movimento das Espadas. Ambiciona, então, formar um partido republicano conservador.

Mota, Amílcar de Castro Abreu e (1864-1949) Engenheiro militar. Dezembrista. Ministro da guerra de 15 de Maio a 8 de Outubro de 1918. Adere ao Estado Novo, destacando-se como chefe da casa militar do presidente Carmona, de 1935 a 1949.


N

Navarro, Ernesto Júlio (1876-1938) Filho de Emídio Júlio Navarro e pai de André Francisco Navarro. Engenheiro civil por Paris. Participa em três governos da I República, em 1917, 1919-1920 e 1922, nas áreas do trabalho, do comércio e da agricultura. Oriundo dos monárquicos, adere aos democráticos, sendo director-geral das colónias. Subsecretário de Estado do Trabalho e Previdência Social de 26 de Maio a 9 de Dezembro de 1917, no governo de Afonso Costa (com o ministro Lima Basto). Ministro do comércio no governo de Sá Cardoso, de 30 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920. Ministro da agricultura no governo de António Maria da Silva, de 6 de Fevereiro a 30 de Novembro de 1922.

Neto, António Lino (1873). Autor de A Questão Agrária (1908), foi fundador e dirigente do Centro Católico Português.

Neuparth, Augusto Eduardo (1859-1925) Almirante. Ministro da marinha do governo de Bernardino Machado, de 9 de Fevereiro a 12 de Dezembro de 1914.

Neves, J. A. Azevedo (1877-1955) João Alberto Pereira de Azevedo Neves. Professor de Medicina. Primeiro reitor da Universidade Técnica de Lisboa, de 1931 a 1947. Maçon desde 1911. Ministro do comércio de Sidónio Pais e Tamagnini Barbosa de 9 de Outubro de 1918 a 27 de Janeiro de 1919. É então conhecido como monárquico. Chega a ocupar interinamente a pasta dos estrangeiros, durante a ausência de Egas Moniz. Da aministração da Companhia Portuguesa de Tabaco é, por ironia da luta pela vida, director da Associação Internacional para o Estudo do Cancro.

Nobre, Augusto Pereira (1865-1946) Naturalista por Coimbra. Especialista em zoologia. Irmão de António Nobre, publica o em 1902, com o nome de Despedidas, com um prefácio de Sampaio Bruno. Democrático, maçon desde 1911. Assumirá a linha ortodoxa de apoio a António Maria da Silva e dos bonzos. Ministro da instrução pública de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva; de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921, no governo de Liberato Pinto; de 6 de Fevereiro a 30 de Novembro de 1922, no governo de António Maria da Silva. Reitor da universidade do Porto entre 1919 e 1925.

Nunes, Jorge Vasconcelos (1878-1936) Democrático. Por três vezes ministro da I República em 1919 e 1920, nos sectores da agricultura e do comércio. Engenheiro agrónomo, filho de José Jacinto Nunes. Maçon desde 1910, é militante unionista e, depois, liberal. Grande proprietário rural. Ministro da agricultura no governo de José Relvas, de 27 de Janeiro a 30 de Março de 1919. Ministro da agricultura do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 29 de Junho de 1919. Ministro do comércio de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira.

Nunes, José Jacinto (1839-1931) Advogado, Presidente da Câmara Municipal de Grândola desde 1870. Deputado republicano em 1893. Deputado e senador depois de 1910. Homem dos tempos da propaganda durante a monarquia, autor de Descentralização, 1870, e Reivindicações Democráticas, 1886. Tanto é adepto da descentralização, como um típico latifundiário democrático, sendo um forte apoiante de Brito Camacho.

Olavo Correia de  Azevedo, Américo (1882-1927) Ver Azevedo

Oliveira, Eduardo Fernandes de (1882-1943) Médico e agricultor. Director da associação Central da Agricultura Portuguesa. Ministro da agricultura de Sidónio Pais e Tamagnini Barbosa, de 9 de Março de 1918 a 27 de Janeiro de 1919. Sucessivamente monárquico progressista e sidonista, aparece como elemento fulcral da União dos Interesses Económicos. Deputado eleito por Beja em 1918 e 1925. Administrador da Casa de Bragança de 1930 a 1943.

Oliveira, Joaquim José de (1880-1935) Antigo seminarista. Licenciado em direito. Activo maçon. Advogado em Braga, onde desencadeia violentas campanhas anticlericais Deputado em 1911. Ministro da instrução pública no governo de Sá Cardoso, de 30 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920. Sucessivamente democrático e reconstituinte.

 

Oliveira, José Lopes d’ Em Setembro de 1915 escreve em O Povo, invocando o verdadeiro 14 de Maio contra os marechais do partido democrático.

·A Democracia. Sua Origem, Sua Eclosão e Seu Triunfo

Lisboa, Edições Excelsior, s.d..

· A Liberdade Portuguesa (1820

 Lisboa, Edições Excelsior, s.d.. Com Rocha Martins.

·Os Direitos do Povo (A Casa dos Vinte e Quatro

 Lisboa, Edições Excelsior, s.d.. Com Rocha Martins.

·História da Revolução Francesa

Lisboa, Edições Minerva, s.d..

·História da República Portuguesa. A Propaganda na Monarquia Constituciona

 Lisboa, Editorial Inquérito, 1947.

Osório, João de Castro (1899-1970)

Jornal A Ditadura, dirigido por Raul de Carvalho, passa de periódico do fascismo português a jornal de acção nacionalista, ligando-se ao grupo da Acção Nacionalista, dirigido por João de Castro Osório (Fevereiro de 1924)

 

·Manifesto Nacionalista

1919.

·A Revolução Nacionalista

1922.

·Um Ano de Ditadura

1924. Antologia de discursos e alocuções de Sidónio Pais.

 

Osório, Manuel José Pinto (1870-1963) Engenheiro e oficial do exército, também se forma em direito. Destaca-se politicamente como sidonista, sendo ministro do comércio em 1918 e 1919. Governador civil do Porto em 1915, com Pimenta de Castro. Ministro do comércio dos governos de Sidónio Pais, desde 7 de Março a 15 de Maio de 1918. Ministro do comércio no governo de José Relvas, de 26 de Janeiro a 25 de Fevereiro de 1919.

 

 


P

Pais, Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Militar. Professor da universidade de Coimbra, primeiro, de antropologia e, depois, de matemática. Apoiante de Brito Camacho Ministro do fomento de João Chagas, de 4 de Setembro a 3 de Novembro de 1911. Ministro das finanças do governo de Augusto de Vasconcelos, de 13 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912.  Ministro de Portugal em Berlim. Presidente do ministério de 11 de Dezembro de 1917 a 9 de Maio de 1918, data em que tomou posse como presidente da república eleito até Dezembro de 1918, quando foi assassinado. Ver Teófilo Duarte, Sidónio Pais e o seu Consulado, Lisboa, Portugália, 1941.

Pascoaes, Joaquim Pereira Teixeira de vasconcelos  (1879-1952) Licenciado em direito em 1901. Depois de advogar durante dez anos em Amarante e no Porto, dedica-se à lietaratura e à agricultura no solar de família, em Gatão, nos arredores de Amarante. Funda a revista A Águia em 1911. Criador do saudosismo. Insigne poeta. Manuel Antunes chamou-lhe o nosso único romântico completo. Marcado por um idealismo crítico, onde um fundo agnóstico o leva à procura do Absoluto pelo uso da imaginação e da intuição. Considera a saudade como a síntese de dois contrários que formam o génio português: o princípio naturalista ou ariano e o princípio espiritualista ou semita.

1913

O Génio Português na sua Expressão Filosófica, Poética e Religiosa

 

 

1914

A Era Lusíada

 

 

1914

Verbo Escuro

 

 

1915

Arte de Ser Português

 

 

1919

Os Poetas Lusíadas

 

 

Pato, Álvaro António Bulhão. Ministro das colónias no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924.

Pedroso, José António Arantes Ministro da marinha no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 8 de Dezembro de 1917.

Pereira, Domingos (n. 1882) Domingos Leite Pereira. Licenciado em Teologia por Coimbra. Formado, depois no Curso Superior de Letras. Propagandista republicano. Jornalista do diário A Pátria, dirigido por Duarte Leite. Presidente da câmara municipal de Braga antes de 1910. Deputado às constituintes. Membro do partido democrático, chega a presidente da Câmara dos Deputados. Ministro da instrução pública no governo de José Relvas de 26 de Janeiro a 30 de Março de 1919. Interino das colónias, desde 21 de Março. Presidente do ministério, acumulando a pasta do interior, por três vezes: de 30 de Março a 29 de Junho de 1919; de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920; e de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925. Ministro dos negócios estrangeiros em vários governos: nos de Álvaro de Castro (de 20 a 30 de Novembro de 1920); Liberato Pinto (de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921); Bernardino Machado (de 2 de Março a 23 de Maio de 1921); António Maria da Silva (de 30 de Novembro de 1922 a 15 de Novembro de 1923); e, de novo, Álvaro de Castro (, de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924). Presidente da companhia de seguros Douro, durante o salazarismo

Pereira, José Jorge. Ministro das colónias de 15 de Maio a 19 de Junho de 1915.

Pestana Júnior, Manuel Gregório Membro da Esquerda Democrática. Ministro das finanças no governo de José Domingues dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925. Os bonzos acusavam-nos de ter uma educação jesuítica. António Maria da Silva chega mesmo a acusá-lo de ser um bochevista educado pelos jesuítas.

Pimenta, Adriano Gomes Ferreira.  Ministro do trabalho de 20 a 22 de Novembro de 192o, não chegando a tomar posse.

Pimentel, João Maria Ferreira Sarmento (1888-1987) Oficial de cavalaria. Participa na greve académica de 1907. Participa na Grande Guerra, combatendo no Sul de Angola e na Flandres. Destaca-se em 1919, quando acaba com a Traulitânia no Porto. Colaborador da revista Seara Nova, aparece como chefe de gabinete do ministro Ezequiel de Campos, em 1925. Participa na revolta de Fevereiro de 1927 e passa para o exílio no Brasil. Autor de Memórias do Capitão, Porto, 1975. Ver Sarmento Pimentel ou uma Geração Traída. Diálogos de Norberto Lopes com o autor de Memórias do Capitão, Lisboa, 1976.

Pinheiro, João Henriques. Sidonista. Ministro dos abastecimentos no governo de José Relvas, de 26 de Janeiro a 27 de Fevereiro de 1919.

Pinto, Alberto Moura 1883-1960 Republicano histórico. Maçon desde 1909. Advogado. Membro do partido unionista, colega de Malva do Vale. Administrador do concelho de Arganil. Ministro da justiça de Sidónio Pais, de 12 de Dezembro de 1917 a 7 de Março de 1918. Autor da revisão da Lei da Separação. Depois do 28 de Maio, organiza movimentos contra a Ditadura, juntamente com Jaime Cortesão e Jaime Morais. Amigo de Manuel Azaña. Exilado em França de 1934 a 1939 e depois no Brasil, onde em 1945 forma um Conselho de Unidade Antifascista.

Pinto, Carlos Henriques da Silva Maia  (1886-1932)  Ministro das colónias do governo outubrista de Manuel Maria Coelho, de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921. Presidente do ministério no segundo governo outubrista, de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921.

Pinto, Liberato Damião Ribeiro.  Presidente do ministério de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921. Membro do partido democrático e chefe do estado maior da GNR. Pai de Luís Supico Pinto, alta figura do salazarismo.

Pinto, Vítor José de Deus Macedo Político da I República, do partido evolucionista.

·Ministro da marinha do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919.

·Nomeado ministro da marinha do governo outubrista de Manuel Maria Coelho em 19 de Outubro de 1921, não chega a tomar posse.

Pitta, Pedro Góis (1891-1974) Advogado. Democrático, reconstituinte e nacionalista. Ministro do comércio e trabalho no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Dirigente dos nacionalistas, opõe-se à facção de Cunha Leal. Bastonário da Ordem dos Advogados durante o salazarismo, de 1957 a 1968.

Ponte, José Nunes da (1848-1924) Médico, militante republicano desde 1897. Unionista, governador civil do Porto em 1911 e 1917-1918. Deputado. Ministro do fomento do governo de Pimenta de Castro, de 25 de Janeiro a 14 de Maio de 1915. Depois da morte de Sidónio, é convidado por Canto e Castro para formar governo, mas logo desiste. Na altura, os unionistas aproximam-se de Canto e Castro. A Junta Militar revolucionária em 12 de Janeiro de 1919 também pressiona no sentido de Nunes da Ponte formar governo de transição. Essa tarefa acaba por ser exercida por José Relvas.

Portela, Agnelo. Ministro da marinha de 28 de Agosto de 1927 a 18 de Abril de 1928.

Portela, Raul Lelo (1888-1972) Advogado em Lisboa. Maçon desde 1909. Evolucionista, liberal e nacionalista, alinha com a União Liberal Republicana em 1926. Ministro da justiça de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921.

Preto, José Ramos (1871-1949) Formado em direito, reitor do liceu de Castelo Branco, onde também chega a governador civil. Militante dos democráticos. Ministro da justiça de 8 de Março a 26 de Junho de 1920. Presidente do ministério de 6 a 26 de Junho de 1920.

Proença, Raúl (1884-1941) Raul Sangreman Proença. Jornalista. Diplomado pelo Instituto Superior do Comércio. Começa por ser almeidista. Líder do grupo da Biblioteca (foi nomeado em 1911 conservador da Biblioteca Nacional, cargo de que é exonerado em 1927). Participa na Renascença Portuguesa e colabora em A Águia (1910-1917). Um dos fundadores da Seara Nova em 16 de Outubro de 1921. Coordenador dos dois primeiros volumes do Guia de Portugal (1924 e 1927). Participa na revolta de Fevereiro de 1927. Exílio em França. Regressa em 1931. Tenta um republicanismo socialista, crítico do jacobinismo e das teses de Rousseau. Influenciado pelos modelos do radicalismo francês, principalmente por Julien Benda. Um dos primeiros críticos do modelo totalitário do fascismo italiano, utilizando a expressão tutilitarismo que tenta identificar com o nome português integralismo. Considera que o espírito de Rousseau está na base do bolchevismo e do fascismo. Em 1921, no 3º número da Seara Nova de 5 de Novembro, salienta que mais uma vez a mais perigosa das utopias levou este país à epilepsia da desordem. Na mesma revista fala-se numa revolução de gazua, considerando-se que só há uma maneira de tornar respeitada a vontade revolucionária: é fazer revoluções na opinião pública. Em 1925, durante o penúltimo governo da I República, em artigo publicado na Seara Nova, de 15 de Julho de 1925, observa: as câmaras são já como as antecâmaras das casas bancárias, e a política um meio de fazer fortuna. Quem entra na carreira começa por bramar contra a Finança, adere depois ao conservantismo, penitenciando-se das verduras da mocidade, e acaba por se introduzir na gerência dos bancos, como fruto da idade madura. Comentando as últimas eleições do regime, em 15 de Setembro de 1925: parece que o problema capital desta República é agora o aniquilamento absoluto dos pequenos agrupamentos partidários. É este o mot d’ordre olímpico dos bonzos eleitos no último congresso democrático.

·Páginas de Política

(4 vols., 1938, 1939, 1974 e 1975) (cfr. nova ed. dos vols. I e II, Lisboa, Seara Nova, 1972; no vol. I, destaque para «Acerca do Integralismo Lusitano», pp. 29 segs., e «Para um Evangelho duma Acção Idealista no Mundo Real», pp. 111 segs.).

 

 


Q

Queirós, Francisco Teixeira de  (1849-1919) Médico e romancista naturalista, fazendo uma espécie de cirurgia dos costumes. Tem como pseudónimo Bento Moreno. Deputado em 1911. Ministro dos negócios estrangeiros de 17 de Maio a 19 de Junho de 1915, numa curta passagem pelo governo, depois da revolução que derrubou Pimenta de Castro, sendo proposto a José de Castro por Sebastião Magalhães Lima.

Queirós, Tomé José de Barros (1872-1926) Republicano histórico, maçon. Comerciante de candeeiros do Largo de S. Domingos em Lisboa, depois de ter sido caixeiro. Deputado às Constituintes. Indicado para ministro das finanças no governo de João Chagas, de 15 a 17 de Maio de 1915. Eleito senador em Outubro de 1917, vencendo o candidato democrático. Chefe do governo de 23 de Maio a 30 de Agosto de 1921. Antigo unionista e membro influente do partido liberal. Ver Vasco de Barros Queirós, A república de 5 de Outubro de 1910 a Maio de 1926 e a acção política de TBQ, Lisboa, 1985.

 


R

Ramos, Francisco Luís. Ministro da marinha de 21 de Outubro a 5 de Novembro de 1921.

Ramos, João de Deus (1878-1953) Filho do poeta João de Deus. Advogado. Ministro por duas vezes, na I República, em 192 e em 1924-1925.

1920

Ministro da instrução pública de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920.

1924

Ministro do trabalho no governo de José Domingos dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925.

 

Rego, Jaime Daniel Leote do (1867-1923). Oficial da armada. Deputado franquista em 1906. Maçon desde 1912. Chefe militar da revolta contra Pimenta de Castro em 1915.

Reimão, Ventura Malheiro (1886-1965) Engenheiro militar. Militante dos democráticos. Ministro das finanças de Tamagnini Barbosa de 23 de Dezembro de 1918 a 27 de Janeiro de 1919.

Reis, António Pereira (1867-1952) Formado em direito, é um dos dissidentes progressistas que adere à república. Ministro do interior no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 16 de Março de 1916 a 29 de Maio do mesmo ano, na qualidade de independente.

Reis, Carlos Cândido dos (1852-1910) Almirante, o indigitado chefe da revolução de 5 de Outubro, que se suicidou na véspera do evento.

Reis, Francisco Coelho Amaral (1873-1938) Visconde de Pedralva. Formado em direito e agronomia. Um dos dissidentes progressistas que participa na revolta de Janeiro de 1908 e que, depois, adere à república. Governador civil de Viana do Castelo em 1914-1915 e de Angola, em 1919-1920. Várias vezes deputado. Ministro da agricultura no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925.

Reis, José Mendes dos (1873-1970) Oficial do exército, destaca-se como comandante da guarnição de Lisboa em 1919. Do partido liberal, é ministro da guerra do frustrado governo de Fernandes Costa em Janeiro de 1920. Maçon desde 1927, dirige o movimento revolucionário desse ano e adere à revolta de Sousa Dias em 1931.

Relvas, José Maria Mascarenhas (1858-1929) Grande agricultor ribatejano. Começando por frequentar a Faculdade de Direito de Coimbra, vem para Lisboa, onde conclui o Curso Superior de Letras. Ministro da fazenda do governo provisório, de 12 de Outubro de 1910 a 3 de Setembro de 1911. Ligado a Manuel Brito Camacho, logo nomeia Inocêncio Camacho para secretário-geral do ministério, donde passa para governador do Banco de Portugal. Representa o grupo do directório do partido e conta com especiais ligações ao jornal A Luta. Surge, depois, como aliado de João Chagas. Maçon desde 1911. Um dos principais líderes da Associação Central da Agricultura Portuguesa. Presidente do governo de concentração republicana, de 26 de Janeiro a 30 de Março de 1919, que faz a transição do sidonismo para a nova República Velha. Autor de Memórias Políticas, 2 vols., 1977-1978.

Ribeiro, Almeida (1865-1943) Artur Rodrigues de Almeida Ribeiro. Juiz da Relação de Lisboa de 1907 a 1919 e do Supremo Tribunal de Justiça, de 1919 a 1927. Membro do Conselho Superior Colonial desde 1911. Deputado, a partir de 1913. Militante dos democráticos, foi, por quatro vezes, membro de governos da I República, nos sectores das colónias, das finanças e do interior, de 1913 a 1917. Em 1914 apresenta propostas de alteração do regime de administração ultramarina, transformadas nas Leis ns. 277 e 278 de 14 de Agosto, onde segue as ideias de António Enes. Estas leis apenas serão revogadas em 1919, quando se adopta o sistema britânico da autonomia. Foi irradiado do partido democrático por aceitar ser vogal do Conselho Superior das Colónias em 1928. Ministro das colónias do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Ministro do interior no governo de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916. Subsecretário de Estado das finanças de 18 de Maio de 1916 a 25 de Abril de 1917, no governo da União Sagrada. Ministro do interior no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917 (neste período foi também interino da instrução pública e das finanças).

Ribeiro, Hélder (1883-1973) Hélder Armando Santos Ribeiro. Republicano antes de 1910. Maçon. Colaborador de Cândido dos Reis. Deputado à Constituinte (1911). Membro dos jovens turcos, é sucessivamente democrático, reconstituinte e accionista. Combatente da Flandres. Ministro da guerra nos governos de Sá Cardoso e Domingos Pereira, de 29 de Junho de 1919 a 8 de Março de 1920. Ministro da guerra de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo. Ministro da instrução no governo de Álvaro de Castro, de 28 de Fevereiro a 6 de Julho de 1924. Ministro do comércio de 23 de Junho a 6 de Julho de 1924, no mesmo governo, em substituição de Nuno Simões. Ministro da guerra de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925, no governo de José Domingues dos Santos. Colaborador da Seara Nova. Será uma das figuras tutelares da oposição ao salazarismo. Preso em Julho de 1930. Implicado no movimento de 26 de Agosto de 1931 é demitido. Preso em 24 de Agosto de 1933, amnistiado em 1936. Indicado como ministro do interior numa revolta de 1941. Membro da Junta Militar da oposição em 1944. Membro do MUNAF em 1945. Alinha no MUD. Pertence ao Conselho de Organização Nacional de 1947. Membro da candidatura de Norton de Matos em 1948-1949. Ligado à Causa Republicana de 1954. Alinha na Frente Nacional Liberal e Democrata de 1956. Faz parte do directório Democrato-Social. Apoia a candidatura de Huberto Delgado em 1958. Subscreve o Programa para a Democratização da República de 1961. Gerenet de uma fábrica de conservas de Matosinhos desde 1934.

Ribeiro, Joaquim António de Melo e Castro (1882-1953). Democrático. Ministro da agricultura de 27 de Janeiro a 8 de Março de 1920. Ministro da agricultura no governo de António Maria da Silva de 13 de Agosto a 15 de Novembro de 1923. Ministro da agricultura no governo de Álvaro de Castro, de 23 de Fevereiro a 6 de Julho de 1924

Ribeiro, José de Freitas (1868-1929) Capitão de fragata. Maçon. Governador de Moçambique em 1910-1911. Ministro das colónias do governo de Augusto de Vasconcelos, de 13 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912. Ministro da marinha do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Governador da Índia em 1917-1919.

Ricardo, João Luís (1875-1929) Médico, republicano antes de 1910. Ministro da agricultura no governo de Sá Cardoso, de 3 a 21 de Janeiro de 1920. Ministro da agricultura de 8 de Março a 26 de Junho de 1920. Administrador geral do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios.

Rocha, Albino Vieira da (1885-1950) Professor da Faculdade de Direito de Lisboa de 1913 a 1942. Militante democrático desde 1915, alinha com os outubristas e o Partido Republicano de Fomento Nacional. Maçon desde 1916. Subsecretário de Estado das finanças do governo de Afonso Costa, de 30 de Abril a 9 de Dezembro de 1917. Adere ao Estado Novo, sendo procurador à câmara Corporativa.

Rocha, Vieira da  (1872-1952) Ernesto Maria Vieira da Rocha. Antigo militar da Guarda Municipal monárquica. Ministro da guerra no governo de António Maria da Silva de 30 de Novembro a 7 de Dezembro de 1922. Ministro da guerra no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro da guerra no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 21 de Abril de 1925 (terá cooperado com a revolta dos fifis dessa data). Ministro da guerra no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 30 de Outubro de 1925. Ministro das colónias no mesmo governo, de 30 de Outubro  de 1925 a 17 de Dezembro de 1925. A mesma pasta no governo de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926.

Rocha, Manuel Ferreira da (1885-1951) Militante dos liberais, sendo deputado por Macau. Ministro das colónias de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920 e de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921. Ligado à companhia de seguros Tagus.

Rodrigues, António Maria Bettencourt  (1854-1933) Médico, discípulo de Charcot em Paris. Exerce clínica no Brasil. Militante unionista. Embaixador em Paris em 1913. Ministro dos negócios estrangeiros de 9 de Julho de 1926 a 10 de Novembro de 1928. Um dos teóricos da comunidade luso-brasileira. Tanto alinha com o sidonismo, como, depois, com o Estado Novo. Autor de 28 Meses no Ministério dos Estrangeiros.

Rodrigues, Daniel José (1877-1951) Magistrado, jornalista e poeta, com o nome literário de Daniel Salgado. Vogal da comissão central para a execução da Lei da Separação. Deputado. Governador civil de Lisboa em 1913-1914. Ministro das finanças no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Administrador da Caixa Geral de Depósitos de 1915 a 1930.

Rodrigues, Rodrigo José  (1879-1963) Médico em Cabo Verde e Goa. Professor da Escola Médica de Goa antes de 1910. Governador civil de Aveiro e do Porto em 1910 e 1911. Deputado de 1913 a 1918. Ministro do interior do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Director da penitenciária de Lisboa até ao sidonismo. Inspector de prisões em 1919. Governador de Macau de 1922 a 1924. Participa na delegação portuguesa da Sociedade das Nações de 1925 a 1927.

·Macau. O Problema Português no Extremo Oriente

1925

·Álvaro de Castro. Definição da sua Personalidade e Época

1940

Rodrigues, Urbano (1888-1971) Secretário de Afonso Costa e Manuel Teixeira Gomes, enquanto membro do partido democrático. Director do jornal O Mundo. Redactor do Diário de Notícias. Adere ao Estado Novo.


S

Sá, Alexandre José Botelho de Vasconcelos e. Secretário de Estado das colónias de Sidónio Pais, de 15 de Maio a 23 de Dezembro de 1918. Ministro da agricultura no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923.

Sampaio Bruno (1857-1915). Frequentou a Academia Politécnica do Porto. Republicano. Implicado no 31 de Janeiro de 1891. Segundo Guerra Junqueiro, a extrema virilidade do raciocínio atrofiou-lhe a energia da vontade. O pensamento anulou-lhe a acção (Correspondência Literária e Política  com João Chagas, I, p. 57). Bibliotecário no Porto. Depois de 1910, opõe-se ao modelo político e cultural de Afonso Costa. Faleceu no Porto em 11 de Novembro de 1915. Autor de Notas do Exílio. 1891-1893, Porto, Tipografia de A. J. da Silva Teixeira, 1893; O Brasil Mental. Esboço Crítico, Porto, Imprensa Moderna, 1898; A Ideia de Deus, 1902; Os Modernos Publicistas Portugueses, Porto, Chardron, 1906; A Questão Religiosa, 1907; A Ditadura. Subsídios Morais para o seu Juízo Crítico, 1909. Faleceu no Porto em 11 de Novembro de 1915. Ver Joel Serrão, Sampaio Bruno. O Homem e o Pensamento, Lisboa, Inquérito, 1958.

 

·Análise da Crença Cristã

1874.

·Geração Nova. Ensaios Criticos

1886.

· Notas do Exílio. 1891-1893

Porto, Tipografia de A. J. da Silva Teixeira, 1893.

·O Brasil Mental. Esboço Crítico

Porto, Imprensa Moderna, 1898.

·A Ideia de Deus

1902.

·O Encoberto

1904.

·Os Modernos Publicistas Portugueses

Porto, Chardron, 1906.

·Portugal e a Guerra das Nações

1906.

·A Questão Religiosa

1907.

·A Ditadura. Subsídios Morais para o seu Juízo Crítico

1909.

 

}Sampaio, José Pereira, Sampaio (Bruno), Sua Vida e Sua Obra, Seara Nova, 1959. }Serrão, Joel, Sampaio Bruno. O Homem e o Pensamento, Lisboa, 1959.

Santos, António Maria de Azevedo Machado (1875-1921) Chefe dos revolucionários do 5 de Outubro de 1910. Tinha a República metida no corpo e na alma, segundo Cunha Leal. Funda O Intransigente Participa num projecto de Aliança Nacional em 1911, com Sampaio Bruno e Basílio Teles. Tenta organizar um partido reformista. Era o centro de episódicas concentrações de individualidades Promove revolta de 27 de Abril de 1913. Opõe-se a Bernardino Machado e a Afonso Costa, em 1914. Preso em Maio de 1915, depois da queda de Pimenta de Castro. Desterrado para Ponta Delgad a. Organiza nova revolta em Dezembro de 1916. Apoiante do sidonismo. Ministro do interior de 12 de Dezembro de 1917 a 7 de Março de 1918. A partir dessa data e até 9 de Junho de 1918 assegura a pasta das subsistências e dos transportes. Assassinado na noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921.

Santos, Augusto Joaquim Alves dos (1866-1924). Doutor em teologia em 1900, é professor na faculdade de teologia e na de letras, desde 1901 a 1911. Aderindo à república, é presidente da câmara municipal de Coimbra e deputado. Ministro do trabalho no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922.

Santos, José Cortês dos (1885-1963). Oficial do exército. Ministro da guerra de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921 no governo outubrista de Manuel Maria Coelho. Deputado de 1922 a 1925. Iniciado na maçonaria em 1926. Aderindo ao Estado Novo, é director da Arma de Artilharia em 1946.

Santos, José Domingues dos (1885-1958) Licenciado em Direito. Ex-seminarista. Professor no Instituto Superior do Comércio do Porto. Maçon desde 1922. Chefe da ala canhota do partido democrático, funda a Esquerda Democrática. Exilado em França depois de 1926, é membro do Grupo de Buda e da Liga de Paris. Apoia a Frente Popular. Como governante, participa em cinco gabinetes da I República: ministro do trabalho do governo Sá Cardoso, de 29 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920; ministro do comércio do governo de António Maria da Silva (de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920); ministro do trabalho do governo de Liberato Pinto (de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de1921 e de 2 de Março a 19 de Julho de 1921); ministro da justiça no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924; presidente do ministério de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1915.

Saraiva, Alberto da Cunha Rocha  (1886 - 1946) Professor de direito. Ministro durante a I República: da instrução pública no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922; do trabalho no de António Maria da Silva, de 9 de Janeiro a 15 de Novembro de 1923. Começa como professor em Coimbra, transferindo-se para Lisboa, no ano lectivo de 1915-1916. Começando a respectiva militância política com a participação na greve académica de 1907, adere em 1926 à União Liberal Republicana. É autor de:  A Construção Jurídica do Estado, Coimbra, 1912. As Teorias sobre a Representação Política e a Nossa Constituição, 1916; «As Doutrinas Políticas Germânica e Latina e a Teoria da Personalidade Jurídica do Estado», in Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, vol. II, Lisboa, FDUL, 1917. Lições de Direito Político, coligidas de harmonia com as prelecções do Exº Sr. Dr. Rocha Saraiva ao curso do 1º ano jurídico de 1914-1915, por Augusto Oliveira e A. Duarte Silva, Coimbra, 1914. Cadeira de Direito Político, sumários das Matérias Professadas no Ano Lectivo de 1915-1916, da autoria dos Professores Ludgero Neves e Rocha Saraiva (em Lisboa). Direito Público, de Rocha Saraiva, coligido por Rómulo Rosa Mendes, Lisboa, 1925; Apontamentos de Direito Constitucional,

por Arlindo de Castro, Lisboa, 1931.

Sardinha, António  (1888-1925) Ensaísta português fundador do Integralismo Lusitano. Insigne vulgarizador do tradicionalismo. Marcado pela origem republicana e formado no positivismo de Comte. Quer colocar-se naquilo que designa como o campo da ciência objectiva, assumindo-se contra o romantismo revolucionário. Considera que "pela federação das nossas confrarias agrícolas Portugal se constituiu". Salienta que as causas da crise espiritual do Ocidente derivam do chamado renascimento do direito romano, onde o "absolutismo dos reis entra a preverter a noção cristã de autoridade". Esse vício teria sido agravado pela Renascença "com a sua ideia naturalista do Poder e o seu centralismo excessivo, mesmo despótico" e com ela, Lutero que "quebra a unidade moral da Europa". Acontece que na Península Ibérica "o humanismo pretensioso da Renascença se depura e deixando de ser, como era para os gafados italianos, um fim, ‑ um ideal de vida, volve‑se com os Colégios da Companhia (de Jesus) acentuadamente, um meio de educação valiosíssimo, ‑ um valioso agente de formação mental, de que o Colégio das Artes em Coimbra nos fornece um exemplo convincente".  Depois, com a derrota da Invencível Armada, deu‑se "o cisma das nações  e o advento das éticas do norte com o seu natural triunfo em Vestfália". Finalmente, o absolutismo vai triunfar sem reservas no século XVIII, "destruindo todos os organismos intermédios" e deixando "apenas o Estado na presença do indívíduo, despojado já da rede miúda  das associações domésticas e económicas". Para Sardinha, "o Estado Absolutista do século XVIII antecede logicamente o Estado Metafísico e todo poderoso das modernas democracias. Esse Estado é o Estado napoleónico baseado não na noção histórica da autoridade derivada da Família, da Comuna e das Corporações, mas no simples conceito materialista da força e do domínio". A seguir veio o idealismo alemão:"nos seus vícios estruturais o germanismo, para evitar o vácuo, encaminha‑nos para o absoluto. Donde a quase divinização do Estado, com Fichte e Hegel por seus corifeus na Pátria de Kant, ‑ no solar do livre exame". Citando George Santayana, vai considerar pagã essa filosofia germânica do eu, "procurando sobrepôr a inteligência como princípio e fim de si mesma, às  evidências contantes do ser". Para ele "na pulverização crescente da sociedade, o 'indivíduo' dos idílios solitários de Rousseau dera lugar ao 'cidadão' dos festins eleitorais do liberalismo" e este "volveu‑se sem demora no 'produtor' da metafísica bastarda de Karl Marx". Foi, assim, que o Estado passou de "instituição coordenadora e complementária" a "instrumento de domínio" e que se gerou  "o estadualismo mais abusivo e mais arbitrário". Nestes termos, Sardinha vai propôr o regresso ao direito natural, "como compreendia S. Tomás e toda a magnífica coorte dos seus comentadores peninsulares da Contra‑Reforma, com o insigne Francisco Suarez à cabeça". Seria o regresso à liberdade orgânica e à noção de pessoa: " a liberdade, ‑ no seu superior sentido orgânico ‑ é natural da Península, sendo entre nós o absolutismo um intruso violento, um hóspede atrevido e não desejado". Com efeito, "os hispanos basearam‑se sempre, por condição peculiar da sua índole, na noção de pessoa" e não na noção de indivíduo; "a individualidade vem do corpo, da matéria, do instinto. Inversamente, a personalidade da alma. " Para ele, o cristianismo é uma "grande democracia espiritual, ‑ a única, a verdadeira" e "em cujo seio somos todos irmãos e iguais perante Deus, diferenciando‑se somente pelos méritos adquiridos, pelas  virtudes professadas, ‑ essa grande democracia espiritual, repito, correspondia ao que borbulhava no mais entranhado do génio hispânico: a ideia da independência e a ideia de responsabilidade".

·Valor da Raça. Introdução a uma Campanha Nacional

Lisboa, Almeida, Miranda e Sousa Editores, 1915.

·Ao Princípio era o Verbo. Ensaios e Estudos

Lisboa, Livraria Portugália, 1924; cfr. 2ª ed., Lisboa, Restauração, 1959.

·A Teoria das Cortes Gerais

Lisboa, 1925; cfr. 2ª ed., Lisboa, Biblioteca do Pensamento Político, 1978.

 

}Ascensão, Leão Ramos, O Integralismo Lusitano, Lisboa, Edições Gama, 1943. 4Braga, Luís Almeida, A Posição de António Sardinha, Lisboa, Edições Gama, 1943. 4Número especial da revista  A Cidade. Revista Cultural de Portalegre, Julho-Dezembro de 1988.

Sérgio de Sousa, António (1883-1969). Oficial da marinha até 1910. Demite-se com a implantação da república. Colabora em A Águia. Companheiro de Raul Proença. Polemiza contra o saudosismo. Funda com Francisco Reis Santos e Pedro José da Cunha a Liga de Acção Nacional durante o sidonismo e edita a revista Pola Grei, onde defende um governo nacional. Exila-se no Brasil até 1923. Aí edita o primeiro volume dos Ensaios. Director da Seara Nova. Ministro da Instrução Pública no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 23 de Fevereiro de 1924. Director de Pela Grei, em 1918-1919, e um dos principais ideólogos da Seara Nova. Várias vezes exilado depois de 1926, foi um dos principais líderes intelectuais da oposição ao salazarismo.

Severino, Bartolomeu de Sousa (n.1878) Jornalista no Porto. Maçon desde 1913. Militante democrático. Deputado desde 1919. Ministro do trabalho de 8 de Março a 26 de Junho de 1920, no governo de António Maria Baptista/ Ramos Preto. Redactor de O Primeiro de Janeiro, destaca-se como opositor à Ditadura Nacional.

Silva, Alfredo da (1871-1942). Empresário. Apoiante do franquismo. Criador do grupo CUF. Fundou a União dos Interesses Económicos. Foi procurador à Camara Corporativa do salazarismo.

Silva, António Maria da  (1872-1950) Engenheiro de minas. Militante da Carbonária e do PRP. Maçon desde 1902, apece implicado na tentativa golpista de 28 de Janeiro de 1908, sendo também um dos principais elementos da actuação subversiva do 5 de Outubro de 1910. Figura-chave da I República. Por quatro vezes ministro e outras tantas vezes presidente do ministério. Começando em 1911 como deputado pelos independentes, logo adere ao partido democrático, assumindo a liderança do partido nos anos vinte, depois do abandono de Afonso Costa. Em 14 de Maio de 1915, integra a Junta Revolucionária que derruba Pimenta de Castro, logo aparecendo como Grão-Mestre Adjunto da Maçonaria. Em 1917 já integra o directório do partido democrático, chegando a estar detido com o processo de implantação do dezembrismo. Depois de 1919, assume-se como líder da ala direita dos democráticos, os chamados bonzos, à qual se opunham os canhotos, liderados por José Domingues dos Santos, e da qual se distanciavam os centristas de Vitorino Guimarães. Nomeado Administrador dos Correios depois de 5 de Outubro de 1910. Segundo Cunha Leal, As Minhas Memórias, II, p. 194, era um diletante de confusionismo, caracterizando-se a sua oratória pela dispersão, como se entendesse que a palavra tinha sido dada ao homem para ocultar o seu pensamento. Mas nunca discursava sem ter à frente uma série de cartapácios que nunca consultava. Em 1926, a diplomacia britânica considera-a como potencial líder autoritário de Portugal, face aos modelos de reprssão utilizados contra os sindicalistas e os anarquistas. Tem, nos anos vinte, papel idêntico ao de José Luciano no crepúsculo da monarquia. Também ele é um honesto manipulador de desonestos. Como conta Adelino da Palma Carlos, quando lhe perguntava porque nomeava tantos monárquicos, ele dizia: os republicanos já cá os tenho, preciso é de apanhar os outros. Chefia o último governo da I República, aliado a Bernardino Machado, o presidente eleito depois da renúncia de Manuel Teixeira Gomes. Proclama, então, não sou da esquerda nem da direita, sou do partido republicano. Autor de O Meu Depoimento, redigido em 1943 e publicado em 1974 e 1981: I Da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, Lisboa, 1974; II Da Proclamação da República à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Lisboa, 1981.

Ministro do fomento do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Ministro do fomento no governo de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916. Ministro do trabalho e da previdência social no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 17 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917. Ministro das finanças no governo de Sá Cardoso, de 3 a 21 de Janeiro de 1920. Presidente do ministério de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, acumulando as finanças. Presidente e ministro do interior, de 6 de Fevereiro de 1922 a 15 de Novembro de 1923, acumulando o interior. Presidente e ministro da guerra, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925. Presidente e ministro do interior entre 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926. Autor de O Meu Depoimento, redigido em 1943 e publicado em 1974.

Silva, Augusto Dias da (1887-1928) Desportista, guitarrista e industrial, o chamado camarada Augusto. Membro do partido Socialista desde 1905, é o financiador do jornal O Socialista, em 1912-1913. Ministro do trabalho no governo de José Relvas, de 26 de Janeiro a 30 de Março de 1919. Ministro do trabalho do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919.

Silva, Eduardo Ferreira dos Santos (1879-1961) Médico no Porto. Director da Escola Normal em 1911, ano em que também se inicia na maçonaria. Presidente da câmara municipal do Porto de 1915 a 1918. Médico do CEP. Ministro da instrução nos governos de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925 e de 17 de Dezembro de 1925 a 28 de Maio de 1926.

Silva, Fernando Augusto Pereira (1871-1943) Oficial da marinha. Maçon desde 1926. Por seis vezes ministro da marinha durante a I República. Apesar de independente, opõe-se à revolta de 21 de Abril de 1925, face à cedência do ministro da guerra Vieira da Rocha, durante o governo de Vitorino Guimarães. Ministro da marinha nos seguintes governos republicanos: de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924; de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924; de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925; de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925; de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925; e de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 a 28 de Maio de 1926. Com a Ditadura Nacional, foi subchefe do estado maior da armada, de 1926 a 1933. Ver Maurício de Oliveira, Pereira da Silva. Oficial. Ministro. Doutrinador, Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, 1968.

Silva, Fernando Emygdio da (1886-1972) Professor da Faculdade de Direito de Lisboa. Licenciado por Coimbra em 1907, doutor em 1911, logo se transfere para a nova escola jurídica de Lisboa, onde funda o grupo de Ciências Económicas. Destaca-se como regente da cadeira de Finanças. Colunista no Diário de Notícias desde 1902. Administrador do Banco de Portugal a partir de 1919, assumindo o cargo de Vice-Governador da instituição em 1931. Procurador à Câmara Corporativa desde 1935, é o relator do II Plano de Fomento, em 1954. Director da Faculdade de Direito de Lisboa em 1950-1953. Ligado à fundação do Jardim Zoológico de Lisboa. Autor de: O Operariado Português, 1905; O Regime Tributário das Colónias Portuguesas, 1906; As Greves, 1913; O Problema Financeiro Português, 1920.

Silva, Henrique Monteiro Correia da Silva - Paço d’Arcos (1878-1935) Ministro das colónias no governo de Vitorino Guimarães, de 16 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925. Do próprio, Memórias de Guerra no Mar, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1931. Pai do escritor Joaquim de Paço d’Arcos.

Silva, José Augusto Ferreira da  Ministro do interior de 19 de Junho a 11 de Novembro de 1915, no governo de José de Castro. Deputado em 1915-1917. É um dos fundadores do grupo dos Homens Livres.

Silva, Plínio Octávio Santana e (1890-1948) Engenheiro militar. Deputado. Ministro do comércio no governo de José Domingos dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925.

Silva, Rodolfo Xavier da (1877-1955) Médico. Director do Instituto de Criminologia. Governador civil de Lisboa em 1917. Deputado em 1919. Democrático e reconstituinte. Ministro dos estrangeiros de Domingos Pereira de 30 de Março a 29 de Junho de 1919, na qualidade de independente. Ministro dos estrangeiros de António Maria Baptista de 20 a 26 de Junho de 1920. Ministro do trabalho no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro da instrução no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925, na qualidade de membro da Acção Republicana.

Silveira, Alberto Carlos da (1859-1927) Oficial do exército. Maçon desde 1887. Unionista e amigo pessoal de Brito Camacho. Deputado e senador. Ministro da guerra de João Chagas, de 8 de Outubro a 3 de Novembro de 1911, em substituição de Pimenta de Castro. Ministro da guerra do governo de Augusto de Vasconcelos, de 12 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912. Ministro da guerra de 23 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo de Tomé de Barros Queirós.

Simas, Frederico António Ferreira de (1872-1945) Oficial do exército. Deputado e senador. Professor na Escola do Exército. Director do Instituto de Odivelas de 1919 a 1941. Maçon desde 1910 é militante democrático. Ministro da instrução pública de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915. Ministro da instrução pública no governo de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916. Ministro do comércio justiça no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925

Simas, Manuel Soares de Melo e (1870-1934). Oficial do exército. Milita na Federação nacional Republicana de Machado Santos e adere, depois, ao Partido Nacionalista. Ministro da instrução pública no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923.

Simões, Alberto da Veiga (1888-1954) Diplomata de carreira desde 1911 e ensaísta. Ministro dos negócios estrangeiros dos governos outubristas de Manuel Maria Coelho e Maia Pinto de 19 de Outubro a 16 de Dezembro de 1921. Preside ao Partido Republicano Radical, constituído em 1922. Ministro em Viena (1921). Berlim (1922-1924), Buenos Aires (1925-1926) e Berlim (1933-1940). Radica-se em Paris a partir de 1946 e é demitido da função pública em 1948.

Simões, Nuno (1894-1975) Advogado e jornalista. Começa a actividade política como governador civil de Viana do Castelo, em 1915-1917. Depois de eleito deputado, em 1919, transforma-se em conselheiro técnico empresarial. Dirige A Pátria, de 1920 a 1924. Ministro do comércio no governo de Cunha Leal, de 22 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Foi encarregado de organizar as eleições pelo presidente do ministério. Ministro do comércio no governo de Álvaro de Castro, de 23 de Fevereiro a 6 de Julho de 1924. Mantém a mesma pasta no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925. 

Soares, António Maria de Freitas (n. 1877) Antigo chefe de gabinete de Tamagnini Barbosa. Ministro da guerra do governo de José Relvas, de 27 de Janeiro a 30 de Março de 1919, na qualidade de independente. Ministro da guerra de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo.

Soares, Augusto Vieira (1873-1954) Formado em direito. Professor do Instituto dos Pupilos do Exército. Preso como republicano em 1908. Governador civil de Coimbra (1912-1913), Braga (1913-1914) e Santarém (1915). Deputado desde 1915. Ministro dos negócios estrangeiros nos governos de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915; de José de Castro, de 17 de Maio a 29 de Novembro de 1915; de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916; ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 16 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917; de Afonso Costa, de 25 de Abril a 8 de Dezembro de 1917.

Soares, João Lopes (1878-1970)  Bacharel em teologia, chegou a sacerdote. Capelão militar de 1902 a 1907. Maçon desde 1911. Ministro das colónias do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919, altura em que reorganiza a Escola Superior Colonial que havia sido fundada em 1906. Pai de Mário Soares. Participa em várias revoltas contra o Estado Novo. Fundador do Colégio Moderno.

Sousa, Alfredo Pinto de Azevedo e (n. 1877) Advogado. Militante democrático, deputado por Lamego desde 1915. Ministro do trabalho de Manuel Maria Coelho, de 25 de Outubro a 2 de Novembro de 1921.

Sousa Júnior, António Joaquim (1871-1938) Lente de Medicina. Colaborador de Ricardo Jorge. Antigo militante progressistas e maçon desde 1909. Deputado às Constituintes em 1911. Ministro da instrução do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Chefe dos serviços de saúde da CEP. Ministro da instrução no governo de José Domingos dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925.

Sousa, Jaime Júlio Velho Cabral Botelho de (1875-1946) Oficial da marinha. Antigo monárquico, do partido regenerador em 1906 e 1910. Secretário particular de Teixeira de Sousa. Adere aos democráticos, maçon desde 1916. Ministro das colónias de 20 a 30 de Novembro de 1920, no governo de Álvaro de Castro

Sousa, Manuel Joaquim de (1883-1945) Operário anarco-sindicalista, do Porto.  Começa a sua militância em 1904 como membro do Grupo de Propaganda Libertária. Era então conhecido como o barão da sola. Em 1912-1913 aparece como secretário-geral da União Geral de Trabalhadores da Região Norte. Passa para Lisboa a partir de 1918. É o primeiro secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho de 1919 a 1922. Em 1921-1922 aparece como redactor-principal do jornal A Batalha, substituindo Alexandre Vieira, quando este se encontra impossibilitado por doença. Preso em Fevereiro de 1928. Volta à cadeia em 1932 e 1934, quando faz parte da então Aliança Libertária. Um dos mais duros críticos do societismo. Pai de Germinal de Susa que em 1936-1939 foi secretário-geral da Federação Anarquista Ibérica.

1911

Sindicalismo e Acção Directa

Porto

1931

O Sindicalismo em Portugal

Lisboa

1989

Últimos  Tempos de Acçã Sindical Livre e de Anarquismo Militantes

 

Lisboa, 1989


T

Teixeira, Pedro Gomes (1853-1922) Oficial do exército, antigo franquista. Chefe de gabinete de Pimenta de Castro, quando este foi ministro da guerra em 1911. Tinha sido um apoiante do franquismo. Ministro do interior do governo de Pimenta de Castro, de 25 de Janeiro a 14 de Maio de 1915.

Teles, Basílio (1856-1923) Estuda na Academia Politécnica e na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Um dos organizadores da revolta de 31 de Janeiro de 1891. Publica em 1905, Do Ultimatum ao 31 de Janeiro. Filiado no Partido Republicano. Amigo de Duarte Leite. Nomeado ministro da fazenda em 5 de Outubro de 1910 e ministro da guerra em 15 de Maio de 1915, não tomou posse dos dois lugares. Entra em frontal oposição ao grupo de Afonso Costa. Publica em 1911 As Ditaduras. Ver Raul Brandão, Memórias III, pp. 169 ss. 82,548

 

As Dictaduras

Famalicão, 1911

 

O Regime Revolucionário

Famalicão, 1911

 

Trancoso, Francisco Xavier Peres (1877-1952) Oficial da armada, democrático, deputado desde 1915. Comissário-geral dos abastecimentos em 1915-1917. Ministro da agricultura em 19 de Outubro de 1921 e, depois ministro das finanças de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921, nos governos outubristas.

Trindade, Teófilo José da (1856-1936) Ministro das colónias do governo de Pimenta de Castro, de 28 de Janeiro a 10 de Março de 1915, passando para a pasta dos negócios estrangeiros até 15 de Maio do mesmo ano.


U

 

Ulrich, Rui Ennes (1883-1966) Casado com Veva de Lima. Formado em Direito em 1904 e doutor dois anos depois, torna-se lente logo em 1907. Monárquico assumido, pede a demissão em 1910. Professor na Faculdade de Direito de Lisboa, é director da instituição de 1937 a 1950. Alinha com o Integralismo Lusitano. Director do Banco de Portugal de 1911 a 1927. Administrador da Companhia de Moçambique em 1922-1923 e da Companhia de Caminhos de Ferro Portugueses de 1922 a 1933. Embaixador em Londres em 1933-1935, é demitido por ter convidado D. Duarte Nuno a almoçar na embaixada. Volta a tal posto de 1950 a 1953. Procurador à Câmara Corporativa de 1936 a 1942. Presidente da Companhia Colonial de Navegação desde 1942.


V

Vasconcelos, Amadeu Cerqueira de (1879-1952) Padre. Sob o pseudónimo de Mariotte, edita em Paris, no ano de 1913, a partir de Agosto,  Os Meus Cadernos, um dos primeiros textos portugueses que reflecte a doutrina de Maurras e influencia o movimento do Integralismo Lusitano. Foram editados até 1916, com uma segunda série em 1919, no Porto, e um terceira entre 1923 e 1925, em Lisboa. Em 1917 já critica fortemente o integralismo e António Sardinha em Nacionalismo Rácico no Integralismo Lusitano, falando na tese de Sardinha como uma enciclopédia de asneiras por causa do misticismo étnico do Homo Atlanticus que Sardinha considerava como o antecessor da raça portuguesa. Escreve em 1944, A Idade Maçónica.

Vasconcelos, Augusto (1867-1951) Augusto César de Almeida Vasconcelos Correia. Professor de medicina. Politicamente próximo de Brito Camacho e amigo pessoal de Afonso Costa. Acusado por João Chagas de ser alguém que fazia recados a toda a gente.  Embaixador em Madrid. Ministro dos negócios estrangeiros de 12 de Outubro a 12 de Novembro de 1911, no governo de João Chagas. Presidente do ministério de 12 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912, acumulando a pasta dos negócios estrangeiros. Volta a ministro dos negócios estrangeiros em 16 de Junho de 1912, até 9 de Janeiro de 1913, no governo de Duarte Leite. Embaixador de Portugal em Londres durante a Grande Guerra. Delegado português à Sociedade das Nações em 1934-1935.

Vasconcelos, Carlos Eugénio de. Cabo-verdiano, militante accionista. Ministro das colónias no governo de José Domingos dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925.

Vasconcelos, José Estevão de (1869-1917) Médico. Dirigente do Partido Republicano. Deputado às constituintes de 1911. Democrático. Ministro do fomento do governo de Augusto de Vasconcelos, de 13 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912.

Vasconcelos, Vasco Guedes de (1880-1950) Evolucionista e popular. Ministro das colónias de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva. Ministro da justiça de 19 a 22 de Outubro de 1921 no governo de Manuel Maria Coelho, mas não chega a tomar posse. Ministro da justiça de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921, no governo de Maia Pinto.

Veiga, Augusto Manuel Alves da (1850-1924). Advogado e propagandista republicano. Maçon desde 1884. Um dos organizadores da revolta de 31 de Janeiro de 1891. Passa para o exílio até 1910. Representante de Portugal em Bruxelas. Ministro dos negócios estrangeiros de João Chagas, de 15 a 17 de Maio de 1915, não chega a tomar posse.

Veloso, Afonso de Melo Pinto (1878-1968) Magistrado. Oriundo do partido progressista, sidonista e depois militante dos liberais e nacionalistas. Ministro da justiça de Tamagnini Barbosa de 23 de Dezembro de 1918 a 7 de Janeiro de 1919. Deputado de 1919 a 1926. Presidente da Câmara Municipal de Lamego em 1922. Adere ao Estado Novo, sendo procurador à Câmara Corporativa.

Viegas, António dos Santos (1870-1949) Bacharel em matemática. Professor no Instituto Superior Técnico. Unionista. Ministro das finanças de Sidónio Pais, de 12 de Dezembro de 1917 a 7 de Março de 1918. Colabora com a Ditadura Nacional, assumindo as funções de comissário do governo junto do banco nacional Ultramarino, de 1927 a 1931 e presidente do respectivo conselho de administração, de 1931 a 1949. Procurador à Câmara Corporativa desde 1935.

Vieira, Alexandre Sindicalista da CGT. Tipógrafo. Animador em 1908 do jornal A Greve, publicado em 1908. Adere ao sindicalismo revolucionário e tem acção de destaque em O Sindicalista e em A Batalha. Participa na criação da União Operária Nacional de 1914 e da Confederação Geral do Trabalho de 1919. Participa em 1928 numa conferência internacional de operários tipográficos na URSS e de regresso fica exilado em França durante cinco anos. De regresso a Portugal, passa a última fase da vida como revisor de provas tipográficas. Exerci actividade, antes de 1928 nas oficinas gráficas da Biblioteca Nacional, tornando-se num grande amigo do poeta monárquico Afonso Lopes Vieira. Autor de: Em Volta da Minha Profissão. Subsídios para a História do Movimento Operário no Portugal Continental, Lisboa, Edição do Autor, 1950.  Para a História do Sindicalismo em Portugal,  Lisboa, 1970. 2ª ed., Lisboa, Seara Nova com notas preliminares de César de Oliveira.

Vilhena, Ernesto Jardim de (1876-1967)) Oficial da marinha. Filho de Júlio Vilhena. Presidente da Sociedade de Georgafia de Lisboa desde 1911. Começa como regenerador, sendo chefe de gabinete de Azevedo Coutinjho, quando este é ministro. Aparece como deputado franquista, eleito em 1910. Depois da implantação da república, adere aos democráticos e chefia, em 1913-1914 o gabinete do ministro Almeida Ribeiro. Presidente do Banco Burnay em 1917 e da Companhia dos Diamantes em 1919. Vice-governador do Banco Nacional Ultramarino em 1926. Proprietário na Zambézia. Ministro das colónias no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917. Autor de Questões Coloniais. Discursos e artigos, Lisboa, Tipografia do Anuário Comercial, 1910.


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Xavier, António Maria Eurico Alberto Fiel (1881-1947). Goês, formado em direito em 1908. Maçon desde 1906. Deputado desde 1913 é sucessivamente democrático e reconstituinte. Chefe de gabinete de Álvaro de Castro. Secretário-geral do ministério das finanças e director-geral da fazenda pública (1919-1933). Administrador da Casa da Moeda em 1904. Colaborador de Salazar. Juiz do Tribunal de Contas, de 1933 a 1947Autor de Memórias da Vida Pública.


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