Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


 

 

1824

esmagar duma vez a pestilenta cáfila de pedreiros livres... ou acabar na gloriosa luta em que estamos empenhados, ou cortar pela raiz o mal que nos afronta, acabando de uma vez com a infernal raça maçónica, antes que ela acabe connosco.

 

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ofício de Chateaubriand para Hyde de Neuville critica a hipótese de convocação das Cortes tradicionais em Portugal

MContudo, tudo se precipita com o assassinato do Marquês de Loulé em Salvaterra de Magos (24-02)

¨ De 19-03 até 14-05 acede ao governo o próprio líder da facção apostólica, Leite de Barros.

 

1824-04-30

 

Os facto político português mais marcante é a abrilada, desencadeada pelo infante D. Miguel, obrigando o rei a refugiar-se a bordo da Windsor Castle, donde destitui o filhp do cargo de comandante-chefe do exército e obrigando-o ao exílio. Tenta-se a organização de uma constituição capaz de passar a escrito o modelo do tradicionalismo consensualista, mas falha essa boa intenção, no ano em que se funda a Fábrica da Vista Alegre

D. João IV tenta ganhar espaço, procurando um modelo representativo conciliável com o tradicionalismo, nomeadamente pela convocação das Cortes, mas a tal se opõe a França e a própria Santa Aliança. A pressão dos apostólicos é bem expressa na revolta da Abrilada que vai levar D. Miguel ao exílio.

M Abrilada. Revolta de D. Miguel no Rossio. Proclama querer acabar de vez com a infernal raça maçónica antes que ela acabe connosco.

O corpo diplomático estava reunido nos salões da legação britânica a festejar o aniversário de Jorge IV. Dirige-se para o palácio da Bemposta, onde o rei tinha ao seu lado Beresford, regressado a Portugal no Verão de 1823.

þ Thornton propõe que D. Miguel seja substituído por Beresford.

þ D. João VI, com o apoio dos diplomatas, refugia-se a bordo da Windsor Castle.

þ Grandes do reino, como Palmela, são presos em Belém. Palmela é único a ser isolado, mas, fleumaticamente, ia lendo o Times. Passam, depois, para Peniche. é perseguido o barão de Rendufe, então intendente-geral da polícia. Os revoltosos insurgem-se contra Vila Flor (futuro Terceira) e Paraty, camaristas de D. João VI. José Agostinho de Macedo é um dos condutores das massas, fazendo sucessivos comícios, onde denuncia os presos. 

1824-05-13

D. Miguel parte para o exílio a bordo da fragata Pérola, com destino a França.

D. João VI regressa à Bemposta, demite Leite de Barros nomeando Frei Patrício da Silva para ministro da justiça e Palmela para o reino (14-05).

Em Setembro de 1824 chega a Lisboa o novo representante britânico, William A’Court, para substituir Thornton. Este fora acusado de ser enredado por Neuville. A’Court havia sido embaixador em Nápoles e em Madrid.

 

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No ano da morte de David Ricardo (1772-1824), Auguste Comte lança Système de Politique Positive, reedição do trabalho de 1822, e Bentham edita The Book of Fallacies.

Surge todo um delírio de literatura contra-revolucionária em Portugal, com António Joaquim Gouveia Pinto a lançar Os Caracteres da Monarquia e Faustino da Madre de Deus, com Os Povos e os Reis, bem como com vários folhetos de Frei Fortunato de São Boaventura e José Acúrsio das Neves.

 

 

                           

 

Fevereiro

12 Ofício de Chateaubriand para Hyde de Neuville critica a hipótese de convocação das Cortes tradicionais em Portugal

24 Assassinato do marquês de Loulé

Março

19 Até 14 de Maio, acede ao governo o próprio líder da facção apostólica, Leite de Barros.

25 Jurada a Constituição brasileira nos paços do senado do Rio de Janeiro, na presença de D. Pedro. Há uma revolta no Pernambuco que tenta instaurar uma Confederação do Equador (AV, II, p. 251).

Abril

30 Abrilada. Revolta de D. Miguel no Rossio. Proclama querer acabar de vez com a infernal raça maçónica antes que ela acabe connosco. O corpo diplomático estava reunido nos salões da legação britânica a festejar o aniversário de Jorge IV. Dirige-se para o palácio da Bemposta, onde o rei tinha ao seu lado Beresford, regressado a Portugal no Verão de 1823. Thornton propõe que D. Miguel seja substituído por Beresford. D. João VI, com o apoio dos diplomatas, refugia-se a bordo da Windsor Castle.

Grandes do reino, como Palmela, são presos em Belém. Palmela é único a ser isolado, mas, fleumaticamente, ia lendo o Times. Passam, depois, para Peniche. é perseguido o barão de Rendufe, então intendente-geral da polícia. Os revoltosos insurgem-se contra Vila Flor (futuro Terceira) e Paraty, camaristas de D. João VI. José Agostinho de Macedo é um dos condutores das massas, fazendo sucessivos comícios, onde denuncia os presos. 

Maio

13 D. Miguel parte para o exílio a bordo da fragata Pérola, com destino a França.

14 D. João VI regressa à Bemposta, demite Leite de Barros nomeando Frei Patrício da Silva para ministro da justiça e Palmela para o reino.

Junho

3 Dissolução das Cortes

4 Nomeada uma junta para organizar a  convocação das Cortes à maneira tradicional.

5 Decreto concede perdão para as actividades políticas desenvolvidas por vintistas e afrancesados, sendo amnistiados e isentados de perseguição todos os membros das sociedades secretas.

Outro decreto da mesma data anula as leis vintistas, mantendo a que criou o banco de Lisboa (MHP, pp. 159 ss.)

16 Ainda são perseguidos alguns importantes esteios do vintismo, como João da Cunha Souto Maior; Bernardo Correia de Castro Sepúlveda; José de Melo e Castro Abreu; José de Sousa Pimentel Maldonado; José Pedro Cardoso; José Leite Pereira de Berredo; Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira; Gil de Figueiredo.

24 Amnistia para os apostólicos, nomeadamente para os implicados no assassínio do Marquês de Loulé.

Agosto

14 Ao longo do ano, D. João IV tenta ganhar espaço, procurando um modelo representativo conciliável com o tradicionalismo, nomeadamente pela convocação das Cortes, mas a tal se opõe o directório europeu. é neste contexto que surge a Conferência da Santa Aliança em Paris sobre Portugal, com representantes da França, áustria, Rússia, Prússia e Espanha, assumindo posição contrária à convocação das cortes tradicionais em Portugal.

Setembro

Em Setembro de 1824 chega a Lisboa o novo representante britânico, William A’Court, para substituir Thornton. Este fora acusado de ser enredado por Neuville. A’Court havia sido embaixador em Nápoles e em Madrid.

 


 
© José Adelino Maltez
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Última revisão em: 11-04-2009