Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

 

1825

, o caso é que os ingleses, isto é, o Ministério de Mr. Canning, depois de terem conseguido de El-rei D. João VI a demissão dos seus ministros e de terem extorquido d’Elle os poderes para Sir Charles Stuart … negociar o Trtado que declarou a independência do Brasil, tomou a peito um novo projecto, que era o de fazer que El-Rei desse uma nova Carta. O procurador deste negócio em Lisboa era Sir William A’Court … Os nossos liberais não ignoravam este projecto e faziam o que podiam para ele ir avante.

Aragão Morato

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¨ Os britânicos pressionam D. João VI no sentido da demissão de Subserra e o rei, cedendo, demite também Palmela, despachado para embaixador em Londres. Pensa nomear Silvestre Pinheiro Ferreira para os estrangeiros, mas este parte para Paris nos finais de 1825.

 

¤ Governo nº 2.6 de Lacerda/Barros (15-01). Gabinete liderado pelos maçons Correia de Lacerda, no reino, e Sousa Barradas, na justiça, isto é, sem Palmela e sem Subserra, recorre também ao Barbacena, que se dava bem com William A’Court, o novo representante britânico em Lisboa, des/09 de 1824, e leva a que o barão de Rendufe volte ao cargo de intendente da polícia.

¨ Outros ministros são o Almirante Joaquim José Monteiro Torres, o conde de Porto Santo, D. Alexandre de Saldanha da Gama e Miguel António de Melo Abreu, futuro conde de Murça.þ A moderação joanina tentava dar uma no cravo e outra na ferradura, mas nem sequer podia cumprir o desejado programa de regresso ao consensualismo tradicionalista, queimando colaboradores que, para a história vão ser qualificados como uma resma de mediocridadesindependentes num governo de puro expediente e de simples acalmação pela inércia, para utilizarmos palavras de Silva Dias.

± Publicando amnistias à esquerda e à direita, livrando de perseguição maçons, afrancesados, vintistas e implicados no assassinato do Marquês de Loulé, tem como principal medida a carta-patente reconhecendo a independência do Brasil, mas atribuindo a missão de plenipotenciário ao britânico Charles Stuart, com tratado assinado no Rio de Janeiro em 29/08.

þ Por outras palavras, os franceses perdiam a jogada de influência em Lisboa, ao contrário do que acontecera durante o anterior gabinete, onde Hyde de Neuville conseguira enredar o britânico Thornton.


 

Fernando Luís Pereira de Sousa Barradas (1757-1841). Como ministro do último governo de D. João VI em 1825-1826, conhecido como governo Lacerda/Barros, e que substituiu o de Palmela/ Subserra. Foi este gabinete que tentou pacificar a sociedade portuguesa através de uma série de amnistias e que preparou o reconhecimento da independência do Brasil, visando a criação de uma monarquia dual. Alguns historiadores acusam o gabinete de reunião de mediocridades que visava a mera acalmação pela inércia, quando as individualidades que nele participam tentam o impossível da autonomia portuguesa de acordo com a táctica joanina. ·Secretário de Estado da regência nomeada pelas Cortes em 28 de Janeiro de 1822. Assume então os chamados assuntos do reino.·Ministro da justiça de 15 de Janeiro de 1825 a 1 de Agosto de 1826. ·Preso em 1828-1833.

·José Joaquim de Almeida e Araújo Correia de Lacerda no reino. Maçon. Pai do clérigo José Maria (1803-1875) e do jurista José Joaquim (1793-1856).

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No ano da morte de Saint-Simon (1760-1822) que ainda edita Le Nouveau Christianisme, o seu discípulo, Comte,lança Considérations Philosophiques sur les Sciences et les Savants, estudos ambos publicados em Le Producteur. Destaque para Abriss des Systemes der Rechtsphilosophie de Karl Krause (1781-1832).

 

                           

 

Janeiro

15 Novo governo, liderado por Correia de Lacerda, no reino, e Sousa Barradas, na justiça, isto é, sem Palmela e sem Subserra. Os britânicos pressionaram D. João VI no sentido da demissão de Subserra e o rei, cedendo, demitiu também Palmela. Pensou em nomear Silvestre Pinheiro Ferreira para os estrangeiros, mas este partiu para Paris nos finais de 1825. Entre os governantes, são maçons Lacerda e Barradas. Barbacena dava-se bem com A’Court. O barão de Rendufe volta ao cargo de intendente da polícia. Um dos mais destacados membros do partido apostólicos é o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Carlos da Cunha e Meneses, a partir do palácio do patriarcado à Rua da Junqueira (o futuro palácio dito de Burnay, onde esteve instalado o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas).

Março

13 Constituição apostólica do papa Leão XII condena a seita dos pedreiros-livres ou franc-maçons ...declaradamente inimiga da Igreja Católica (AHOM, HMP, III, p. 229).

Maio

 

13 Preparada a carta-patente sobre a independência do Brasil. A influência inglesa é indisfarçável, com o governo obrigado a reconhecer Charles Stuart como plenipotenciário da parte portuguesa nas negociações com o Rio de Janeiro. Segundo Trigoso, o caso é que os ingleses, isto é, o Ministério de Mr. Canning, depois de terem conseguido de El-rei D. João VI a demissão dos seus ministros e de terem extorquido d’Elle os poderes para Sir Charles Stuart … negociar o Trtado que declarou a independência do Brasil, tomou a peito um novo projecto, que era o de fazer que El-Reii desse uma nova Carta. O procurador deste negócio em Lisboa era Sir William A’Court … Os nossos liberais não ignoravam este projecto e faziam o que podiam para ele ir avante.

Agosto

29 Assinado tratado do Rio de Janeiro

Novembro

15 D. João VI ratifica o tratado do Rio de Janeiro.

Silvestre Pinheiro Ferreira emite um Parecer sobre o projecto de pacto federativo entre o Império do Brasil e o Reino de Portugal.

 


 
© José Adelino Maltez
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Última revisão em: 11-04-2009