Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

 

A política do actual governo é uma política de invenção, uma política fundada em vãos receios, e fantasmas, uma política inconstitucional, e cuja bandeira é a bandeira do retrocesso

J. Alexandre de Campos

 

 

A partir das eleições do Verão de 1838, surgiu uma novidade política, quando sectores moderados da nova ordem setembrista se conciliaram com os antigos cartistas, gerando-se uma terceira força, ordeira, bem apoiada parlamentarmente e com algumas ideias novas, expressas por Alexandre Herculano..

Deste grupo, então dito centro moral e constitucional, faziam parte, nomeadamente, António Luís de Seabra, Oliveira Marreca e Rodrigo da Fonseca, os quais, na linha deste último, assumiam aquela cor parda sobre a qual podiam assentar todas as outras cores.

Nestes termos, Garrett, em 1840, referia que este centro defendia a monarquia representativa contra os adeptos do absolutismo (os miguelistas) e da democracia (os setembristas radicais), pelo que, um adepto destes últimos, José Liberato, chamava a estes ordeiros, também ditos doutrinários, uns fingidos aderentes à Revolução/09.

Um dos inspiradores do movimento foi Alexandre Herculano que em 1836 pediu a demissão de bibliotecário da Biblioteca Pública do Porto e, depois, recusou jurar a Constituição de 1838.

A tendência ordeira, marcada pelo ritmo do governo do conde Bonfim (desde 26/11/1839), onde se destacavam Rodrigo da Fonseca e Costa Cabral, ratificada pelas eleições de 1840, vai sair reforçada com o governo de Joaquim António de Aguiar, desde meados de 1841.

O situacionismo setembrista passa a viver num equilíbrio instável, sem a figura tutelar de Passos Manuel, com divergências entre os setembristas moderados, então liderados por Bonfim, e o grupo de José Alexandre de Campos, que pretende um entendimento com os radicais. Como síntese deste jogo de forças, sempre a figura de Sá da Bandeira.

Entretanto, no último dia do ano, eis que Silva Carvalho aparece a oferecer a conciliação dos cartistas com os setembristas moderados e um armistício constitucional.


 
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Última revisão em: 11-04-2009