Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

 

1845

O novo sistema não era nem pretendia ser uma ditadura, mas apenas a maneira de fundar uma legalidade que servisse de escudo a um absolutismo de facto, uma força assente numa dócil maioria parlamentar.

Oliveira Martins

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

µEm Janeiro, oposições unificadas começam a editar o jornal Coalizão. Têm reunião geral em 15 de Março.

1e 10 ( 3/ 17 Ag. 45) Vencem os cabralistas contra a Comissão Geral Eleitoral do Reino (oposição unificada, unindo cartistas puros, isto é anti-cabralistas, e setembristas, já sem miguelistas). O miguelista António Ribeiro Saraiva aconselha a abstenção.

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No ano da morte do Cardeal Saraiva (1766-1845), Auguste Comte modifica a linha de rumo do seu pensamento, depois do encontro com Clotilde de Vaux, passando a considerar que o sentimento é superior à razão e gerando uma espécie de catolicismo sem cristianismo, uma nova religião para a humanidade, em nome da tríade família, pátria, humanidade. Também Benjamin Disraelli, distancia-se do líder tory Peel, em nome do a-racionalismo e defendendo a necessidade de corecção ao livre-cambismo, pela manutenção das corn laws.

Marx, instalado em Bruxelas, depois de ser expulso de França, publica Die Lage der arbeitende Klasse in England e, juntamente com Engels, lança Die heilige Familie, entrando em conflito com Proudhon. Nesse ano, também o propagandista e agitador Lassalle se instala em Paris, enquanto J. F. Bohmer inventa o neologismo cesarismo, visando qualificar a atitude de Napoleão I.

Em França, Louis Blanc inicia a publicação da Histoire de la Révoltion Française, com 12 vols., até 1862, enquanto em Portugal surge o Précis de Droit Politique de Silvestre Pinheiro Ferreira e se preconiza a criação de uma Faculdade de Ciências Económicas e Administrativas.

No ano em que nascem Joaquim Pedro de Oliveira Martins e Eça de Quiroz, surge em Espanha mais uma Constituição, de feição conservadora, gerada por uma assembleia constituinte, marcada pelo governo de Narváez.

 

Janeiro

15 Oposições unificadas começam a editar o jornal Coalizão. Acusam o governo de tirania e fazem um apelo para a ida às urnas.

Março

3 Todos os contratos de construção de estradas do reino são transferidos para uma única companhia, a Companhia de Obras Públicas (MP, p. 177).

15 Reunião geral da oposição em casa do Visconde de Fonte de Arcada, presidida por Luís Mousinho de Albquerque (MP; p. 113). Luís Mousinho de Albuquerque, Sá da Bandeira e Manuel da Silva Passos apelam à resistência, visando opor a força moral à força bruta  e ao não abandono da urna (MP, p. 113).

Abril

20 Fecham as Cortes

Maio

3 José Bernardo da Silva Cabral sucede ao irmão interinamente nas pastas do reino e dos negócios eclesiásticos e justiça (mantém-se na justiça até 20 de Maio de 1846).

 

Julho

24 António Bernardo da Costa Cabral regressa à pasta do reino.

Agosto

3 Eleições Apenas são eleitos seis deputados oposicionistas pelo Alentejo. 142 deputados (119 no continente). Miguelistas aconselham a abstenção. Colégio provincial reúne-se no dia 17. Há 43,8 % de maçons  (AHOM, HMP, II, p. 77). Era a 2ª eleição do cabralismo. Legislatura de 2 de Janeiro de 1846 a 23 de Maio de 1846. Oposição reunindo cartistas puros e setembristas concorre sob a égide de uma Comissão Geral Eleitoral do Reino. Só no Alentejo é que a oposição consegue fazer eleger seis deputados (Luís Mouzinho de Albuquerque, Garrett, Joaquim António de Aguiar, Silva Sanches, José António Magalhães e José Maria Grande). Estes e outros pediram a demissão do governo em 6 de Maio de 1846 (além dos primeiros citados, Joaquim Filipe de Soure; José Inácio Pereira Derramado; A.R. Lopes Branco). Entre os oposicionistas, destacam-se José dos Passos, no Porto, o conde de Bertiandos, no Minho, Póvoas, na Beira, o conde de Melo, em Portalegre, Passos Manuel e o barão de Almeirim, em Santarém. Em Lisboa, Luís Mouzinho de Albuquerque, Sá da Bandeira, Silva Sanches, Alexandre Herculano, Oliveira Marreca e Almeida Garrett.

Setembro

8 A Rainha e o Duque da Terceira deslocam-se a Tomar, onde fazem conde Costa Cabral (MP, p. 113).

 

 


 
© José Adelino Maltez
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Última revisão em: 11-04-2009