Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

 

 

1847

Como salienta Oliveira Martins, o povo voltava para casa, chorando: chorando assistira à entrada de Concha

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

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·Póvoas assume o comando militar da Patuleia, aliado a Sá da Bandeira (09-01)

·Miguelistas derrotados em Vila Pouca de Aguiar (30-01).

· Ataque patuleia a Estremoz (27-02)

· Sá da Bandeira desembarca no Algarve (09-04). Avança até Setúbal (16-04). É derrotado na batalha do Alto do Viso

· Tumultos patuleias em Lisboa (29-04)

· Sá da Bandeira aceita o armistício (01-05)

· Esquadra patuleia de Antas é bloqueada no Porto (27-05)

· Divisão espanhola de Concha ocupa o Porto (03-06)

· Convenção do Gramido (24-06)

·Costa Cabral regressa do exílio.

1 e 11 (28 de Novembro de 1847) Vitória dos cabralistas. A Patuleia não comparece às urnas.

&

No ano em que a Libéria se torna numa república independente e que Marx, de novo em Londres, publica uma crítica a Proudhon, Misère de la Philosophie, e, com Engels, Die deutsche Ideologie, também na mesma cidade está exilado Mazzini e apela ao novo Papa para encabeçar o movimento da unificação italiana. Surge também o jornal Il Risorgimento, fundado por Camilo Benso, Conde de Cavour (1810-1861) e por Cesare Balbo, ao mesmo tempo que Luigi Taparelli d’Azeglio lança Della Nazionalitá. Já Proudhon se instala em Paris, enquanto Louis Blanc começa a publicar a Histoire de la Révolution Française, com 12 vols. Até 1862. Por seu lado, Cabet edita Le Vrai Christianisme e Jaime Balmes, Filosofia Elemental.

Em Londres sobe ao poder, em substituição de Peel, o gabinete presidido por Lord Aberdeen, até 1857, numa coligação de tories e wighs.

Em Portugal, destaque para José Liberato, que edita Autópsia dos Partidos Políticos, e para Joaquim Martins de Carvalho (1822-1898) que funda O Conimbricense, enquanto os núcleos católico-legitimistas fundam o jornal A Nação.

 

Janeiro6 Primeira de sucessivas suspensões das garantias constitucionais (decretos de 6 e 27 de Janeiro; 6 de Fevereiro, 6 de Março, 6 de Abril, 6 de Maio e 6 de Junho).

9 Póvoas nomeado comandante dos patuleias, o General é nomeado comandante militar das duas Beiras, aliando-se a Sá da Bandeira.

30 Derrota miguelista em Vila Pouca de Aguiar. Mac Donnel será chacinado.

Esquadra governamental, comandada por Soares Franco, bloqueia o Porto.

Fevereiro20 João de Oliveira, conde do Tojal, na fazenda, até 22 de Agosto de 1847; Barão de Ovar, General António da Costa e Silva substitui o Visconde de Algés na guerra. Comerciantes de Lisboa aplaudem a chegada de Tojal à fazenda. Os funcionários públicos não são pagos desde Outubro (CL, III, p. 262).

27 O exército da Patuleia, comandado pelo conde de Melo, ataca Estremoz

Abril9 Sá da Bandeira, assumindo-se como lugar-tenente da Junta, desembarca no Algarve e inicia marcha para Lisboa. Chega a Setúbal e junta-se às tropas do conde de Melo e às guerrilhas do Sul. Tem como colaboradores Braamcamp e José Estevão

11 Tumultos em Lisboa, onde estacionam tropas inglesas e espanholas

16 Sá da Bandeira detém-se em Setúbal. Perde 500 homens no combate do Alto do Viso. Tropas governamentais são comandadas pelo conde Vinhais

27 Francisco Tavares de Almeida Proença substitui Marcelino Máximo de Azevedo e Melo no reino (até 22 de Agosto de 1847). Manuel Duarte Leitão substitui José Jacinto Valente Farinho nos negócios eclesiásticos e justiça (até 22 de Agosto de 1847). Ildefonso Leopoldo Bayard substitui Ovar na guerra e D. Manuel de Portugal e Castro nos estrangeiros. Conde do Tojal substitui D. Manuel Portugal e Castro, na marinha e ultramar. Valente Farinho, visconde da Oliveira, visconde de Algés e D. Manuel Portugal e Castro saem do governo (CL, III, p. 263).

29 Novos tumultos patuleias em Lisboa. Fogem seiscentos presos do Limoeiro. Fome

Maio1 Sá da Bandeira, depois do combate do Alto do Viso, aceita armistício

3 Barão da Ponte da Barca, Jerónimo Pereira de Vasconcelos substitui Bayard na guerra.

27 Esquadra britânica bloqueia o Douro impedindo a saída da esquadra do conde das Antas

Junho

3 Divisão espanhola ocupa o Porto

12 Sá da Bandeira aceita submeter-se

24 Assinam Loulé e António César Teixeira de Vasconcelos pelas juntas, na presença dos espanhóis general D. Manuel de la Concha, coronel Buenaga e o inglês coronel W. Wylde.

Como salienta Oliveira Martins, o povo voltava para casa, chorando: chorando assistira à entrada de Concha (II, p. 207).

Agosto22 Apenas se mantém o presidente, Saldanha. Segundo as palavras de Lavradio, era o chamado governo lânguido e ambíguo, face à impossibilidade da constituição de um governo forte, como chegou a ser tentado com a integração de Rodrigo da Fonseca e Silva Carvalho (CL, III, pp. 264-265). Este governo começou por declara-se imparcial, mas logo tenta formar um terceiro partido, integrando cartistas e setembristas moderados:

Nova composição António de Azevedo Melo Carvalho, no reino, em vez de Almeida Proença (até 18 de Dezembro de 1847); Francisco António Fernandes da Silva Ferrão nos negócios eclesiásticos e justiça, onde substitui Leitão (até 18 de Dezembro de 1847); Marino Miguel Franzini na fazenda, em vez de Tojal; o barão de Almofala, brigadeiro Silva Leão, substitui o barão de Ponte da Barca, na guerra, até 8 de Janeiro de 1848; João de Fontes Pereira de Melo na marinha e ultramar, substituindo o conde do Tojal (até 18 de Dezembro de 1847); Velez Barreiros, barão da Senhora da Luz, nos estrangeiros, em lugar de Ildefonso Leopoldo Bayard

27 António Bernardo da Costa Cabral regressa do exílio, retoma as funções de grão-mestre do Grande Oriente Lusitano e logo organiza em Lisboa um centro cartista que tem João Rebelo da Costa Cabral como o principal organizador (AHOM, HMP, II, p. 85).

Outubro

José Estevão redige o programa da Associação Eleitoral Setembrista

Novembro

12 As terceiras e últimas eleições do cabralismo, de acordo com o decreto de 12 de Agosto de 1847. No dia 12, eleições de paróquia. No dia 28, reunião do colégio provincial (ARS, p. 167). Cerca de 32,7% dos deputados são maçons (AHOM, HMP, II, p. 85).

 

Círculos provinciais, com deputados de número variável, de 2 a 30. 142 deputados (119 no continente e 10 nas ilhas, todos por círculos plurinominais; 13 no ultramar, dos 3 por círculos uninominais e 10 por círculos plurinominais).

 

Legislatura de 2 de Janeiro de 1848 a 25 de Maio de 1851 (Ver Lavradio III, pp. 272-273; António Ribeiro dos Santos, p. 169; Oliveira Martins, II, p. 215; Fronteira, IV, pp. 264-266; Colen, I, pp. 8-10; Pinheiro Chagas, 11º, pp. 239-242).

Os homens da patuleia abandonam o acto eleitoral. Estava no poder o Governo de Saldanha, com António de Melo no reino.

Cerca de 53 deputados maçons. Entre os oposicionistas, José Bernardo da Silva Cabral; oposição moderada e não sistemática de António José de Ávila; surge Fontes Pereira de Melo que debutou, fazendo oposição ao Ministério e à situação, com talento, moderação e polidez (MF, VII, p. 290). Violenta oposição na Câmara dos Pares de Lavradio, Taipa, Sá da Bandeira, Palmela, Rodrigo da Fonseca.

Dezembro18 Saldanha na presidência, na guerra (onde substitui Almofala) e nos estrangeiros (o barão da Senhora da Luz). Bernardo Gorjão Henriques no reino, onde substitui Melo e Carvalho (até 29 de Março de 1848). Joaquim José de Queirós e Almeida nos negócios eclesiásticos e justiça, em vez de Ferrão. Coronel José Joaquim Falcão na fazenda, em vez de Franzini. Agostinho Albano da Silveira Pinto na marinha e ultramar, em vez de João Fontes Pereira de Melo (CL, III, pp. 266-267).

 

 


 
© José Adelino Maltez
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Última revisão em: 11-04-2009