Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

 

1848

No número de 20 de Junho de 1848, o jornal  A República. Jornal do Povo fez um apelo à integração dos miguelistas nos republicanos: Homens que seguistes D. Miguel!!! Quereis união? Atirai com D. Miguel para a história.

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Republicanismo chega a Portugal.

µVoltam a surgir organizações carbonárias. Instituída uma comissão revolucionária de Lisboa com José Estevão, Oliveira Marreca e Rodrigues Sampaio (17-05).

µEmitido um manifesto de cartistas anticabralistas em torno de um Partido Nacional (24-10)

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O ano de todos os ismos. Desde o célebre Manifesto Comunista, de Marx e Engels, à criação da Sociedade Positivista, por Auguste Comte, e pela criação do centrismo, com a emergência do partido alemão do Zentrum, quando também se usa pela primeira vez a expressão democracia cristã, bem como o equivalente protestante dos christian sccialists, ao mesmo tempo que se torna vulgar o confronto entre as palavras clericalismo e anticlericalismo.

Destaque para a chamada primavera dos povos, depois de ser instaurada em França a II República (24 de Fevereiro), depois da queda da monarquia de Julho, durante o governo de Guizot. Logo em 26 de Fevereiro, perante a grave crise de miséria social, o governo cria os ateliers nationaux. Nas eleições de Abril surge, contudo, uma maioria de republicanos moderados, ditos parti de l’ordre. Os elementos mais radicais, ligados aos socialistas revoltam-se durante as chamadas journésés de Juin, mas são esmagados por Cavaignac e cerca de 4 000 são deportados para a Argélia. Emitem a Constituição de 1948, estabelecendo o sufrágio universal e a eleição de um Presidente da República por quatro anos. Mas em 10 de Dezembro de 1848 já é eleito Luís Napoleão.

 

A onda propaga-se a Berlim (18 e 19 de Março), com o rei da Prússia Frederico-Guilherme IV, que já no anterior tinha prometido uma reforma constitucional pela convocação de uma dieta,  se põe à frente do movimento, prometendo ao povo prussiano uma constituição e uma assembleia eleita por sufrágio universal. As revoltas alastram por outras zonas da Alemanha. Assim, logo em 18 de Maio, reúne, em Francoforte, um parlamento eleito por sufrágio universal, o qual imediatamente proclama a necessidade de passar-se da Confederação para um Estado Federal, um Bundestaat em vez de um Staatenbund. Neste sentido, em Junho é imediatamente constituído um governo federal provisório sob a presidência do arquiduque João de Habsburgo que assume o título de vigário do Império. Contudo, no seio do parlamento, os partidários de uma pequena Alemanha, sem a Áustria e sob a direcção da Prússia, opõem-se aos defensores de uma grande Alemanha, com a Áustria e sob o comando dos Habsburgos.

Já em Praga, forma-se o Comité São Venceslau, visando a constituição de um Estado checo independente. Por seu lado, Mazzini regressa a Itália, onde, em Março, dirige a revolta de Nápoles. Em Inglaterra é o regresso da reivindicação feminista, com a Declaração de Sentimentos, de Elisabeth Cady Stanton.

II República Francesa (1848) Instaurada em 24 de Fevereiro de 1848, depois da queda da monarquia de Julho, durante o governo de Guizot. Logo em 26 de Fvereiro, perante a grave crise de miséria social, o governo cria os ateliers nationaux. Nas eleições de Abril de 1948 surge uma maioria de republicanos moderados, ditos parti de l’ordre. Os elementos mais radicais, ligados aos socialistas revoltam-se durante as chamadas journésés de Juin, mas são esmagados por Cavaignac e cerca de 4 000 são deportados para a Argélia. Emitem a Constituição de 1948, estabelecendo o sufrágio universal e a eleição de um Presidente da República por quatro anos. Mas em 10 de Dezembro de 1848 já eleito Luís Napoleão. Este, dirigindo-se directamente ao povo, passa por cima da assembleia, considerada muito conservadora. Em Julho de 1851 estabelece uma revisão constitucional que reforça os poderes do presidente. Em 2 de Dezembro de 1851 faz um golpe de Estado, no sentido presidencialista, modelo que é aprovado por plebiscito de 21 de Dezembro de 1851. Não tarda que seja instaurado o Império em 2 de Dezembro de 1852.

No ano da morte de John Quincy Adams, Balmes e Chateaubriand, quando começam a publicar-se as Mémoires d’Outr Tombe, Auguste Comte lança o Discours dur l’Ensemble du Positivisme, Renan edita L’Avenir de la Science e Charles-Bernard Renouvier (1815-1903) lança o Manuel Républicain de l’Homme et du Citoyen e Louis Blanc edita Le Droit au Travail.

Surge um movimento protestante de cristianismo social, os Christian Socialists, chefiados por Charles Kingsley, Frederik Denison Maurice e John M. Ludlow. Visa a criação de escolas, associações operárias e cooperativas de produção e consumo. Considera que em primeiro lugar está a reforma moral, mas aceita a linha quase filantrópica do socialismo associacionista de Owen.

Também em Portugal chega o republicanismo, sendo fundado o jornal A República, com o subtítulo Jornal do Povo. Dá-se também a fundação da Ordem de S. Miguel da Ala, sociedade secreta miguelista, presidida pelo próprio rei exilado, que dura de 1848 a 1859. Tão secreta que só veio a ser conhecida em 1868, a partir de um artigo de Martins de Carvalho no jornal O Conimbricense.

Da mesma forma, retomam-se as organizações carbonárias, cabendo a organização, sobretudo a Joaquim Pereira Marinho, surgindo um grupo em Coimbra a que aderem, entre outros Joaquim Martins de Carvalho e António Luís de Sousa Henriques Seco (AHOM, HMP, III, pp. 259 ss.).

Já Alexandre Herculano publica, em volume autónomo, o romance O Monge de Cister, já publicado na revista Panorama, em 1841.

Janeiro8 Brigadeiro Fernando da Afonseca Mesquita e Sola, Barão de Francos, ministro da guerra, em vez de Saldanha. Fronteira chega a ser convidado, mas recusou (CL, III, p. 279; MF, VIII, p. 288). Segundo Fronteira, Queirós era de tanta idade e vivia tão retirado que todos nós o reputávamos morto[1]. Assim, mantendo-se ausente, foi logo substituído pelo ministro do reino.

Protesto de alguns pares do reino junto de Guizot, sobre o acto eleitoral. Bernardo Gorjão Henriques, assume efectivamente a pasta de 21 de Janeiro de 1848 a 21 de Fevereiro seguinte. O mesmo Fronteira observa que os cavalheiros que compunham o Ministério eram probos e a maioria era de homens instruídos; contudo, apenas tinha dois homens capazes de administrar: Gomes e Castro e Falcão (MF, VIII, p. 289).

28 Alguns antigos chefes da Junta do Porto também escrevem a Guizot, protestando contra o acto eleitoral.

Fevereiro21 D. José Joaquim de Azevedo e Moura, bispo de Viseu, no ministério dos negócios eclesiásticos e justiça, em vez de Joaquim José Queirós (até 29 de Março de 1848) (Fronteira, VIII, p. 285).

Março29 Saldanha no reino em vez de Gorjão (até 1 de Junho de 1849). João Elias da Costa Faria e Silva, ministro dos negócios eclesiásticos e justiça, em vez do bispo de Viseu (até 29 de Janeiro de 1849); José Joaquim Januário Lapa, Visconde Vila Nova de Ourém na marinha e ultramar, em vez de Albano.José Joaquim Gomes de Castro nos estrangeiros, até 18 de Junho de 1849 (substituído por Saldanha de 3 de Maio a 1 de Junho de 1849, por doença) (CL, III, pp. 279-280).

Maio

17 Criada uma comissão revolucionária de Lisboa com Oliveira Marreca, Rodrigues Sampaio e José Estevão. À comissão aderem Casal Ribeiro, Henriques Nogueira, Anselmo Braamcamp. Luís Augusto Palmeirim e Lobo de Ávila (Borges Grainha, p. 151).

 


 

[1].


 
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Última revisão em: 11-04-2009