Avelar (Brotero), Félix José da Silva e (1744-1828) Félix José da Silva e Avelar (Brotero). Clérigo. Maçon. Doutor em mediciana por Reims. Lente de botânica e agricultura (1791-1814). Perseguido pela inquisição em 1778. Exílio em França. Deputado em 1821-1822.

 

Aventura Espírito marcante nos portugueses da expansão, marcados pela ideia de aventura e pragmatismo. Um modelo de vida bem diverso das virtudes burguesas que estão na base do espírito do capitalismo. Sérgio Buarque de Holanda assinala que foi esse o espírito que esteve nas raízes do Brasil.

 

Aventures (Les) de Télémaque , 1699 Obra de Fénelon escrita cerca de 1694. Adopta um género literário, na linha da Utopia  de Thomas More, narra as viagens do filho de Ulisses à procura do pai, visando-se ensinar mitologia e história da Antiguidade. Apesar do autor considerar tal uma espécie de divertimento literário, acaba por fazer uma mordaz crítica à França do reinado de Luís XIV que chega a proibir a obra. Salienta que quando os reis se acostumam a não conhecerem outras leis a não ser as suas vontades absolutas… tudo cede, os sábios fogem, escondem-se, acabam … Eles já não têm povo, não têm senão escravos. Quem lhes dirá a verdade?. Depois do despotismo, o segundo vício da sociedade é o luxo, que envenena toda a nação … que se acostume a ver como ncessidades da vida as coisas mais supérfluas. Descreve o reino da Bética como um lugar onde todos os bens são comuns e onde comanda o amor fraternal ìFénelon.

 

Averróis (1126-1198) Abu-al Walid Muhammmad ou Muhammad Ibn Rushd. Natural de Córdova, interpretou o Corão, de acordo com os ensinamentos de Aristóteles. Encarregado por Almansor de reformar a administração da justiça do reino de Marraquexe, onde começa a ensinar filosofia. Passa, depois, para Fez e regressa a Córdova.. A Escola de Toledo, nos séculos XII e XIII. traduz Aristóteles directamente do grego, ao contrário dos escolásticos que apenas o conheciam pelo latim. Advogam um conceito naturalista de Deus, visto como uma espécie de razão do mundo, da qual participam todos os homens durante a sua vida. Um dos averroístas cristãos é Sigério de Brabante (1220-1282).

 

 

 

Averroísmo racionalista. Baseado no pensamento do pensador árabe

 

14Yves Guchet e Demaldent, Jean-Marie, Histoire des Idées Politiques. Tomo 2 De l'Antiquité à la Révolution Française, Paris, Armand Colin, 1996, pp. 125-126.

 

Avelino, António Cardoso  (1822-1889) Político português do liberalismo monarquico, do grupo regenerador. Formado em direito e magistrado.  Deputado. Ministro das obras públicas, comércio e indústria no primeiro governo de Fontes, entre 13 de Setembro de 1871 e 9 de Novembro de 1876, data em que passa para a justiça, até 5 de Março de 1877. Maçon.

 

Aviação Em 17 de Dezembro de 1903, dois mecânicos de bicicletas, os irmãos Orville e Wilburg Wright, conseguem manter no ar, na Carolina do Norte, durante doze segundos, o primeiro aeroplano. Segue-se, em 1905, em Paris, a experiência do brasileiro Santos Dumont.

  

Avicena  (980-1037) Abu Ali Husayn ou Abdallah Ibn Sina. Filósofo e médico árabe de origem iraniana. Comentador de Aristóteles, de cariz neo-platónico.

1Yves Guchet e Demaldent, Jean-Marie, Histoire des Idées Politiques. Tomo 2 De l'Antiquité à la Révolution Française, Paris, Armand Colin, 1996, pp. 125-126.

 

 Ávila, António José (1806-1881) 1º Conde de Ávila, Desde 1864. Marquês de Ávila e Bolama Desde 31 de Maio de 1870. Duque de Ávila Desde 14 de Maio de 1878. O único plebeu que ascendeu à categoria de duque. Maçon. Bacharel em filosofia (1826). Professor de filosofia racional e moral na Horta. Estuda medicina em Paris. Presidente da câmara da Horta em 1831. Vogal e presidente do Supremo Tribunal Administrativo. Deputado em 1834-36; 1838; 1840; 1840-42; 1842-1845; 1848-1851; 1851-1852; 1853-1856; 1857-1858; 1858-1859; 1860-1861; 1861. Destaca-se logo em 1838, quando apoia a amnistia de 4 de Abril desse ano, assumindo posições moderadas. Ministro da fazenda no governo de Joaquim António de Aguiar, de 9 de Junho de 1841 a 7 de Fevereiro de 1842. Mantém-se em tais funções no governo do Entrudo, presidido por Palmela em 7 e 8 de Fevereiro de 1842. Na altura escreve artigos no Diário e na Revolução de Setembro contra Costa Cabral e Terceira. Volta a esta pasta desde 18 de Junho de 1849, no governo presidido por Costa Cabral, até 1851. Está então na origem da carta de lei de 16 de Abril de 1850, em que se institucionaliza o Banco de Portugal. Até então, assumira-se como alguém da oposição moderada e não sistemática ao cabralismo. Segundo palavras coevas de Lavradio, não lhe falta talento nem instrução, mas falta-lhe prudência e é cheio de orgulhocarácter versátil. Nos primeiros dias da Regeneração, aparece ligado a Terceira e a Fronteira, assumindo a liderança dos adeptos da anterior situação. Um dos 34 deputados oposicionistas em Novembro de 1851. Ministro da fazenda e dos negócios estrangeiros no segundo governo de Loulé de 4 de Julho de 1860 a 21 de Fevereiro de 1862. Governador da Companhia do Crédito Predial Português de 1864 a 1881. Ministro da fazenda e dos negócios estrangeiros no governo de Sá da Bandeira, de 17 de Abril a 4 de Setembro de 1865. Presidente do ministério de 4 de Janeiro a 22 de Julho de 1868., acumulando o reino e os estrangeiros (governo da direita reformista, na sequência da Janeirinha). Era então presidente da Câmara dos Pares. Curiosamente, este goveno quase não tem oposição na Câmara dos Deputados. Os regeneradores e os progressistas apenas competiam sobre quem mais estava disposto a apoiar o governo. Só se levantou contra o deputado independente visconde Moreira de Rei. Já na Câmara dos Pares, José Dias Ferreira assumiu uma atitude claramente oposicionista. Ministro da justiça, da fazenda e dos negócios estrangeiros, no governo de Sá da Bandeira, depois da saldanhada, de 29 de Agosto a 29 de Outubro de 1870. Volta à chefia do governo de 29 de Outubro de 1870 a 13 de Setembro de 1871, acumulando os estrangeiros, as obras públicas, comércio e indústria e o reino; de 5 de Março de 1877 a 29 de Janeiro de 1878, acumulando o reino e os estrangeiros. Faleceu em Lisboa no dia 4 de Maio de 1881, com 75 anos de idade.

 

 

 

Ávila, Carlos Lobo d’  (1860-1895) Uma das figuras trágicas da política portuguesa. Director de O Tempo que fundou em 2 de Janeiro de 1889. Fez parte do grupo dos Vencidos da Vida. Amigo de Oliveira Martins. Filho de Tomás de Lobo d’Ávila. Chamado o Carlotinha por causa das suas tendências homossexuais. Começando por aderir aos progresistas, passa a ministro regenerador. Ministro das obras públicas, comércio e indústria no governo de Hintze, desde 20 de Dezembro de 1893, substituindo Bernardino Machado. Restringe o funcionamento das associações de classe em Janeiro de 1894. Passa a ministro dos negócios estrangeiros, no mesmo governo de Hintze, em 1 de Setembro de 1894. Morre em 21 de Setembro de 1895.

 

 

 

Ávila, J. T. Lobo de  (1822-1901) Joaquim Tomás Lobo de Ávila. 1º Conde de Valbom, desde 1875. Maçon. Proprietário. Oficial do exército. Engenheiro de pontes e calçadas por Paris. Participa na revolta anticabralista de 1844. Era, até então, membro da loja maçónica Filantropia, de marca cabralista. Deputado em 1853-54. Par do reino desde 1874. Membro da unha negra dos históricos. Passa para o partido regenerador. Ministro das obras públicas, comércio e indústria em 1862. Grão-mestre da Confederação Maçónica em Fevereiro de 1863, sucedendo a José Estevão. Derrotado para o mesmo cargo em Março de 1864. Constitui em Maio de 1864 a Confederação Maçónica Progressista de Portugal. Ministro da guerra do governo de Loulé, o terceiro governo histórico, de 11 de Agosto de 1869 a 26 de Maio de 1870.; da fazenda em 1862-65; da guerra, 1869-1870; da marinha, 1891; da instrução, 1891; dos negócios estrangeiros de João Crisóstomo, de 25 de Maio de 1891 a 17 de Janeiro de 1892.

·Estudos de Administração

Lisboa, Tip. Universal de Tomás Quintino Antunes, 1874. Obra em dez capítulos, com esboço histórico, definições e princípios, confronto entre centralização e descentralização, administração distrital, municipal e paroquial, contencioso administrativo e conselho de Estado.

 

Avilez Juzarte de Sousa Tavares de Campos, Jorge  (1785-1845) 1º visconde de Reguengo desde 1828. 1º conde de Avilez desde 1838, quando se destaca na repressão dos arsenalistas. Figura grada do liberalismo. Grande proprietário. Maçon. Oficial do exército, destacando-se a respectiva participação na Guerra Peninsular e, depois, na conquista de Montevideu, onde foi governador. Comandante das tropas fiéis às cortes de Lisboa, no Rio de Janeiro. Deputado em 1822-23 e em 1834-35. Comandante do regimento 18 que durante os acontecimentos da vilafrancada de 1823, foi buscar D. João VI ao paço da Bemposta. Senador 1838-1842. Par do reino em 1835-36 e desde 1842. Senador entre 1839 e 1841.

 

 

Avilistas Partido ligado à personalidade de António José de Ávila, importante no interregno do regime de pequenos partidos que, depois do governo da fusão, antecedeu o rotativismo. Ávila, de cabralista passa a ministro de um governo histórico, para, depois, ser partidário da fusão e um dos líderes do movimento que derrubou essa situação. Depois da Janeirinha e como consequência do governo de Ávila, de Janeiro a Julho de 1868, surge um partido avilista que vence as eleições de 1868 e de 1869. Na altura os avilistas assumem-se como a ala direita dos chamados reformistas. Nas eleições de 1870, depois de Ávila ter sido ministro da fazenda de Sá da Bandeira, os avilistas elegem 16 deputados. Novo governo de Ávila, de 29 de Outubro de 1870 a 13 de Setembro de 1871, marca a distância entre avilistas e reformistas. Com Ávila estão os ministros Carlos Bento da Silva, José Maria Morais Rego, José Eduardo Melo Gouveia, bem como dois reformistas, Alves Martins e Saraiva Carvalho, logo demitidos em 30 de Janeiro de 1871. São depois mobilizados pelos avilistas, já sem reformistas, José Marcelino Sá Vargas e o visconde de Chanceleiros. Nas eleições de 9 de Julho de 1871, os avilistas conseguem 27 deputados, contra 14 reformistas, 31 históricos, 22 regeneradores e 8 constituintes. Os avilistas passam a aliados dos regeneradores e como tal se apresentam nas eleições de 1874. Entre os principais nomes do partido, Carlos Bento da Silva, Barros e Cunha e José de Sande Mexia Salema.

 

Avineri, Shlomo, De-Shalit, Avner, eds., Communitarianism and Individualism, Oxford, Oxford University Press, 1992.

 

Avinhão Cidade da Provença, onde estiveram instalados  papas de 1309 a 1376; em 1348, a condessa da Provença vendeu a cidade ao papa Clemente VI; em 1377, os papas voltaram para Roma, mas na cidade mantiveram-se dois antipapas, Clemente VII (1378-1394) e Bento XIII (1394-1408); este último apenas abandonou a cidade depois de um longo cerco; a partir de então, a cidade passou a ser administrada por legados pontíficios e ficou submetida à Santa Sé. Só depois da Revolução Francesa, por decreto de 14 de Setembro de 1791, é que Avinhão se integrou em França

 

Aviz. Teoria Política da Casa A tentativa de teorização dos intelectuais da Corte de Avis  deu os seus frutos nos tratados que tiveram como autores formais o rei D. Duarte, principalmente em o Leal Conselheiro, e o Infante D. Pedro, principalmente no Livro da Virtuosa Benfeitoria. Talvez esses tratados da Inclita Geraçãodevam considerar-se meros epifenómenos de um esforço teórico colectivo que procurarava nacionalizar tendências importadas de acordo com uma estratégia global que conseguimos recolher através de vários vestígios. São trabalhos daquela Corte que era uma escola, pelo que pouco interessa que em vez dos príncipes e infantes, os efectivos escrevedores do texto tenham sido os assessores espirituais dos mesmos, como com razão se diz de Frei João Verba quanto à Virtuosa Benfeitoria. Uma estratégia global do poder político que, de acordo com as divisas dos filhos de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, procura ser fiel àquela honra da cavalaria que impunha uma coerÊncia entre o pensamento e a acção, o Désir do Infante D. Pedro e o Talent de bien faire  do Infante D. Henrique. Por exemplo, em Gomes Eanes de Azurara, na Crónica de D. Duarte, eis que, muito à maneira de Duns Scotus e do laicismo, se diz que  aos homens pareceu necessário ordenarem entre si reis e também pelas conveniências ordenaram que tais dignidades viessem por direita sucessão de pai a filho. Sublinhava uma ideia comum ao tomismo, ao occamismo e ao escotismo, segundo o qual a organização política nasce de um elemento voluntário, o consentimento dos membros da cidade, não sendo suficiente o elemento necessário ou natural. A obra fundamental é o De regimen principum de que, segundo Azurara, era de leitura usual Egídio Romano perante os fidalgos na camâra de D. João I; é citado no Leal Conselheiro; traduzido para português; Fernão Lopes plagia-o no prólogo à Crónica do Rei D. Pedro. Da mesma forma se expressava o Infante D. Pedro na Virtuosa Benfeitoria, quando proclamava deverem os príncipes promover o bem comum, dado que por esto lhe outorgou deos o regimento, e os homees conssentiron que sobrelles fossem senhores.

 

Avril, Pierre, Le Régime Politique de la Vème République, 3ª ed., Paris, Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1975.

Essai sur les Partis Politiques, Paris, Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1986.