Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Ambiguidade

O que marca a política é a ambiguidade, a coexistência de mais do que um entendimento ou de que uma interpretação face a um determinado símbolo ou face a uma certa mensagem, para utilizarmos uma qualificação cibernética. A existência de mais do que um significado para uma simples palavra ou para uma expressão.

Os discursos políticos, tal como a linguagem poética ou literária, são normalmente ambíguos, visando convencer ou atrair um mais largo espectro de auditores.

Assim, as expressões ambíguas se dão menos informação, acabam por ser mais atractivas e eventualmente mais convincentes. Merleau-Ponty considera que se devem ultrapassar as antinomias filosóficas tradicionais: do interior/exterior; da verdade/erro; do eu/outro; da liberdade/necessidade; do sujeito/objecto; através de uma ambiguidade que, contudo, não é considerada como uma imperfeição. Assim, pode rejeitar-se tanto o dogmatismo de um idealismo subjectivista, como as certezas dogmáticas de um realismo objectivista. A política da ambiguidade responderia assim a uma valência do mundo humano..

Pierre Bourdieu considera que a luta política é um combate por ideias e  ideais e, ao mesmo tempo, um combate por poderes e, quer se queira quer não, por privilégios.

 




© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Última revisão em: 10-02-2009