Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |

Judeu nascido em Viena. Professor em Frankfurt de 1923 a 1933. A partir de 1938, instala-se em Jerusalém, onde lecciona filosofia social. Teórico do socialismo federalista que vai inspirar a organização dos kibutzim. Tendo começado por ser sionista e, consequentemente, estadualista, entra, depois, em ruptura com o ideólogo do movimento, Theodor Herzl. Entra, depois, em polémica com outro judeu alemão, o neo-kantiano Hermann Cohen, acusando-o de querer subordinar o espírito ao Estado, dado que a criatividade e a ordem, o povo e o Estado fundem-se numa unidade nova a Gemeinschaft da salvação. Marcado pela visão comunitária de Tonnies, invoca Kropotkine e Tolstoi, considerando que o Estado é um homunculus que bebe o sangue das veias das comunidades. Assim, defende uma nova organicidade, fundada na vontade livre e na acção consciente dos indivíduos e dos grupos. Opta por uma visão mística da organização política, assumindo uma espécie de tradição "anarquista teocrática", onde se perspectiva um poder que vem directamente de Deus para os homens, que recusa qualquer tipo de dominação humana, e que considera a comunidade como uma entidade precursora do reino de Deus. Configura, assim, um modelo anarquista que assume, do judaísmo, o sentido simultaneamente messiânico e pária.
·Reden uber Judentum
1909.
·Zion, der Staat und die Menschheit, 1917.
·Gemeinschaft (1919).
·Ich und Du (Leipzig, 1922).
·Dialogisches Leben, 1947.
·Das Problem des Menschen, 1948.
·Paths in Utopia, Boston, Beacon Paperbacks, 1958.
Schmitt, Gilya Gerdat, Martin Buber's Formative Year. From German Culture to Jewish Renewal. 1877 - 1909, Alabama, 1995.Balsemão, Edmundo, «Buber», in Logos, col. 781.
Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, p. 154.
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