Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Cidade, Hernâni António (1887-1975)



Professor português. Começa a estudar no Seminário de Évora, passando depois para o Curso Superior de Letras.
Professor de liceu em Lisboa e Leiria. Alferes durante a Grande Guerra de 1914-1918, preso em 9 de Abril de 1918. Recebe a Cruz de Guerra, por feitos em combate.
Um dos primeiros professores da Faculdade de Letras do Porto em 1919. Colabora em A Águia e alinha no movimento da Renascença Portuguesa.
 
Passa em 1930 para a Faculdade de Letras de Lisboa, sucedendo a Teófilo Braga.
 Membro do directório da Aliança Republicano-Socialista de 1931 a 1935, ligado ao grupo da Seara Nova, mas sem deixar de cultivar amizades com Fidelino de Figueiredo e o Padre Joaquim Alves Correia.
Em 1934 chega a fazer parte dos quadros directivo do Diário Liberal.
Estava para ser demitido de professor em 1935, mas Gustavo Cordeiro Ramos, intercedeu junto de Salazar, que evitou o agravo.
Director da revista Colóquio.
Como professor tinha como lema: primeiro está a aula e depois o capítulo.
Da Academia Internacional da Cultura Portuguesa.

O romantismo nacionalista
Analisando o processo de passagem do individualismo romântico ao nacionalismo, salienta que a exaltação do indivíduo dentro da sociedade amplia-se à exaltação da nação no conjunto dos Estados. Luta-se por sua autonomia quando um Estado estranho a domina, oprimindo-a; empenha-se diligências no sentido de reconstituir a  sua personalidade autêntica, quando uma cultura alheia espiritualmente a deforma. Eis o significado das colheitas folclóricas, do relevo do herói nacional, do quadro histórico e etnográfico, moral e social que pela ficção nos restitua à vida nacional. Assim, também às chamadas personalidades colectivas chamadas nações a mesma chama as agitava; as oprimidas, para reivindicar a própria autonomia, mais uma vez heroicamente lutando por ela; as independentes esforçando-se, em luta contra os representantes das formas consideradas inautênticas, para avivar os vincos da própria fisionomia espiritual colectiva. A Idade Média, durante a qual, em geral, as nações se haviam formado, fornecia a historiadores e novelistas, dramaturgos e poetas, filólogos e etnografos, os costumes e tradições, a literatura e a arte, de anónima espontaneidade - ou como tal julgada - e, de tudo isto, o que se preferia era o que tivesse carácter popular. E esta tendência não é pura determinação do espírito, senão caloroso impulso da alma. Daí os excessos da ideia absorvente e do dinamismo irradiante. O homem preferia a realidade ou a fantasia que dessem comoções à sensibilidade, àquela que apenas suscitasse análise à inteligência

Definição de nação
Define a nação como algo que tanto é um corpo geográfico como uma alma espiritual. Porque os agrupamentos sociais, já unidos ou em processo de se unir pela comunidade do sangue  e da língua, vivem durante transcursos, que podem ser de séculos ou de milénios, sob idênticas forças de modelação física e espiritual - o mesmo ambiente geográfico, o mesmo clima, a mesma alimentação, as mesmas condições de actividade, os mesmos estímulos de pensamento e de imaginação. A esta situação chama o autor vago e instintivo impulso de convergência a que se pode seguir um intencional esforço de concórdia de vontades lúcidas, o que acontece sob o incitamento de um chefe e na oposição a outro grupo.

Corpo geográfico e alma espiritual
E a Nação forma-se com o seu corpo geográfico e a sua alma espiritual, quando às colectivas determinações do presente começam a dar apoio as memórias colectivas do passado, começam a determinar objectivo as aspirações colectivas do futuro.

Noção de pátria
Por seu lado, a Pátria é algo de dferente: da Nação emerge a Pátria, quando, à luz da cultura clássica, que ensina a palavra e aviva o orgulho que ela suscita, se exalta o sentimento de suas singularidades reais e supostas, de seus triunfos no esforço por que as vai afirmando. E estamos em face duma nova realidade espiritual, duma nova personalidade colectiva

 

[1929] Ensaio sobre a Crise Mental do Século XVIII, Coimbra, Imprensa da Universidade.

[1929] A Marquesa de Alorna. Sua Vida e Obra com Algumas Cartas Inéditas, Porto, Companhia Portuguesa Editora.

[1933] Lições de Cultura e Literatura Portuguesas, Coimbra, Coimbra Editora.

[1948] A Literatura Autonomista sob os Filipes, Lisboa, Livraria Sá da Costa.

 

 

 

 




© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Última revisão em: 18-01-2004