Respublica
Repertório Português de Ciência Política
Edição electrónica 2004 |
Coimbra, Leonardo (1883-1936)

Lidera a greves
dos estudantes republicanos do Porto em 1907. Professor de liceu. Membro do
partido democrático. Funda a Renascença Portuguesa com Pascoaes. Entra em polémica com António Sérgio. É discípulo
de Bergson. Ministro da instrução pública do governo de Domingos Pereira, de
30 de Março a 30 de Junho de 1919. Rejeitado
num concurso para professor da Faculdade de Letras de Lisboa em 1921, onde
apresenta o livro Criacionismo. Aí critica os
excessos de positivismo e de cientismo e aproxima-se do vitalismo de Bergson,
antecipando o personalismo e o existencialismo. Ministro da instrução pública no governo de António Maria da
Silva, de 30 de Novembro de 1922 a 9 de Janeiro de 1923. Obrigado a demitir-se
pela ala jacobina dos democráticos, quando tenta restaurar o ensino religioso.
Professor da Faculdade de Letras do Porto desde 1921, cria um importante grupo
de discípulos, donde se destacam José Marinho, Sant’anna Dionísio, Álvaro
Ribeiro, Delfim Santos e, de certa maneira, José Régio e Casais Monteiro.
Converte-se ao catolicismo em 24 de Dezembro de 1935. Morre pouco tempo depois
num acidente de viação. Considerando que a sociedade portuguesa não era
dominada pelo catolicismo, mas por um cepticismo superficial, estéril e esterilizador, Leonardo tentou, sem êxito, lançar
as sementes para um renovação espiritual democrática. Em 1926 atacava a escorregadia tendência
dum regresso a formas dogmáticas de imposição pela violência,
criticando o facto da democracia não ser assumida como uma actividade espiritual e como uma instituição,
mas antes como um estado e como um método.
Dois anos depois, defende a democracia como o império racional e consentido da lei,
em vez do domínio violento e irracional de qualquer caprichoso imperialismo
individual ou de grupo, e como o governo da
maioria por intermédio dos seus representantes directamente escolhidos,
onde a pedra angular é o valor social da
maioria. Moncada chama-lhe uma espécie de
Junqueiro da filosofia.
·O Pensamento Criacionista
(Porto, 1915).
·A Razão Experimental
(Porto, 1923).
·O Problema da Educação
Porto, Marânus, 1926
·A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre
(Porto, Livraria Tavares Martins, 1935).
Patrício, Manuel Ferreira, A
Pedagogia de Leonardo Coimbra. Teoria e Prática, Porto, Porto Editora,
1991.
Freitas, Manuel Costa, «Leonardo Coimbra», in Logos, 1, cols. 1026-1034.

© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Última revisão em: 18-01-2004
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