Respublica
Repertório Português de Ciência Política
Edição electrónica 2004
Crise
Do
grego krisis, acção de separar, de romper, bem como a ideia de julgar,
de discernir o bem do mal, o falso do verdadeiro. O mesmo nome grego tanto deu crise,
quando é objectiva colectivamente assumido, tendo mais a ver com ruptura do que
com julgamento (kritérion), como crítica, a atitude individual,
ou subjectiva, de separação, mais próxima da ideia de julgamento. No entanto,
em Aristóteles, krinein era uma das formas de decisão que
caracterizavam a cidadania, ao lado de kratein, governar. Em qualquer
circunstância, a crise aparece sempre disfarçada de crítica, porque o
julgamento tem sempre tendência para ser polémica, guerra (polemos),
luta pela existência e, consequentemente, luta pelo poder. Crise, em sentido
etimológico, tem, assim,
a ver com juízo, entendido
como decisão final de um processo,
num sentido mais amplo do que aquele que tem sido adoptado pela medicina e pela
ciência da estratégia, as quais restringem a ideia de crise à quele momento de
viragem em que tem lugar a decisão fundamental sobre a vida ou a morte, ou
sobre a vitória ou a derrota. Assim, dizer crise também não significa
defendermos a perspectiva positivista de Saint Simon e de Comte, para quem as épocas
críticas se oporiam à s épocas orgânicas,
isto é, à quelas que assentam num sistema de crenças bem estabelecidas e que
se desenvolvem de acordo com uma hierarquia sistémica