Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Déon, Michel (n. 1919)

Romancista francês, autor de Les Poneys Sauvages, 1970. Aí considera que Michel Déon, a era do espião morreu. Começa a do homem que, em segredo, trabalha a opinião, seja a opinião de um só, mas dum chefe, seja a opinião da multidão. Ora, na sua avaliação do sentido da história, Marx negligenciou um capítulo fatal: Da Corrupção. Uma lenta osmose tem de prever-se entre os dois géneros de vida que se encontrarão um dia numa só sociedade. Analisando o processo do comunismo, observa que nos anos heróicos do mesmo, ele era então a única tentação lógica e razoável depois do fim da guerra donde saía como grande vencedor, aureolado de um imenso prestígio roubado em grande parte aos obscuros heróis da luta clandestina e aos combatentes sem rótulo dos maquis. Além disso, não podia ser pior que a angústia e o medo no meio dos quais havíamos vivido [... apenas nos propunham as velhas soluções onde o materialismo se chamava bem-estar. Materialismo por materialismo, o do comunismo tinha pelo menos o mérito de ser franco e inspirado pelo entusiasmo e pela fraternidade. Sabíamos que as velhas estruturas tinham ruído e que era preciso substituí-las. Mas deveríamos confiar em tecnocratas que preparavam, em nome da moral, um mundo de uma amoralidade perfeita, ou nos comunistas que preparavam por meio da amoralidade um mundo moral que pretendiam perfeito?. Observa também que que a nossa época deverá dizer um grande obrigado ao comunismo: graças ao medo que o mesmo inspira, os países não comunistas terão feito um gigantesco esforço social para lhe retirar a sua razão de ser e melhorar a vida dos seus povos. Pelo contrário, nos países comunistas, o proletariado sentiu pesar sobre si uma mão de ferro, quase tão rude quanto a que caiu sobre o povo inglês no começo da revolução industrial no século XIX.

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