Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Ellul, Jacques 1912-1994
Ensaísta e sociólogo francês, de religião protestante. Jurista de formação. Crítico do modelo da modernidade. Um dos teóricos da sociedade técnica. Considera que deixou de haver simples técnicas, simples instrumentos ou máquinas e passou a haver a técnica, o milieu technique. A mediação já não se faz entre o homem e o ambiente, mas dentro do próprio meio técnico. A técnica transformou-se ela própria no suporte da comunicação, gerando-se um conformismo. Se o homem continua a poder escolher, tem de o fazer no âmbito do próprio sistema técnico cada vez mais complexo. Este modelo levou ao esmagamento da cidadania e à modificação do funcionamento das próprias instituições democráticas. As escolhas dos cidadãos passam a ser dominadas por considerações técnicas que desvalorizam os elementos políticos propriamente ditos, como as ideologias, os interesses partidários e as estratégias de corrupção. O debate político corre o risco de se tornar artificial, surgindo o Estado-Espectáculo. O cidadão não consegue enfrentar os problemas políticos quando estes são dominados por parâmetros técnicos. O mesmo acontece com os próprios parlamentares, incapazes de compreensão da complexidade técnica. A democracia corre o risco de transformar-se numa oligarquia de especialistas que exercem a respectiva actividade no segredo dos gabinetes e que tomam decisões a que os cidadãos são cada vez mais estranhos.
·Fondement Théologique du Droit
Paris/ Neuchâtel, Delacheux, 1946
·La Technique ou l’Enjeu du Siècle
Paris, Librairie Armand Colin, 1954.
·Propagandes
Paris, Librairie Armand Colin, 1962.
·L’Illusion Politique
Paris, Éditions Robert Laffont, 1965.
·Histoire de la Propagande
Paris, Presses Universitaires de France, 1976.
·Le Système Technicien
Paris, Calmann-Lévy, 1977.
·La Parole Humiliée
Paris, Éditions du Seuil, 1981.
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