Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Jdanov, Andrei (1896-1948)

 

Considerado o ideólogo puro do estalinismo, destacou-se, a partir de 1934, quando assumiu a liderança do PCUS de Leninegrado, depois do assassinato de Kirov. Chamado a Moscovo a partir de 1944, passou a trabalhar nos ramos da ideologia. Segundo a biografia oficial, em 1946, pôs a nu os erros e defeitos no campo literário, criticando implacavelmente os escritores que arrastavam a literatura soviética para o atoleiro da desideologização e da subserviência perante a cultura burguesa decadente e corrompida. Em 1948 pôs a nu e desmascarou uma tendência formalista e antipopular na música, pondo cobro ao objectivismo catedrático, à indiferença fria na exposição dos factos. Com efeito, em 15 de Agosto de 1946, sob proposta de Jdanov, o Comité Central do PCUS decidiu sancionar as revistas de literatura e artes de Leninegrado Zvezda e Leningrad. Depois, o jdanovismo, retomando as sendas do realismo socialista dos anos trinta, intensificou-se em 1948, com a rígida tutela da literatura, da música e das belas-artes. Assim, por praticarem formas musicais decadentes, nomeadamente pela utilização abusiva dos tambores e dos pratos, foram marginalizados compositores como Chostakovitch e Prokofiev. Por seu lado, a pintura abstracta era considerada uma história de loucos.

 

Jadanovismo

Não foi o conhecimento dos campos de concentração, mas sim a polémica contra o jdanovismo, que levou à saída do Partido Comunista Francês de intelectuais como Marguerite Duras e Edgar Morin, grande parte dos quais, apesar de reagirem contra a escolástica estalinista, continuaram a proclamar-se marxistas, alguns deles à maneira de Luckacs, então na moda. Com efeito, em 24 de Junho de 1947, eis que Jdanov, no auge do estalinismo, tratou de definir o que devia entender-se por literatura, arte e filosofia socialistas, no discurso intitulado Sobre a Literatura, a Filosofia e a Música, que logo recebeu apoios expressos no Ocidente de alguns intelectuais como Aragon.   Em Agosto de 1934, no Congresso dos Escritores Soviéticos já cabera ao mesmo Jdanov a tarefa de definir a doutrina literária oficial do realismo socialista, através de uma mobilização total da cultura ao serviço do Estado soviético. Depois, notabilizar-se-á como chefe da resistência de Leninegrado, entre 1942 e 1943. A partir de 1945 vai também desencadear uma campanha contra o cosmopolitismo e a imitação dos modelos ocidentais. Em 1946 ascende a terceiro secretário do PCUS, ocupando o terceiro lugar na hierarquia do partido, depois de Estaline e de Malenkov, e, no Verão desse mesmo ano, lança uma grande campanha de mobilização do realismo socialista. Vai ser uma das personalidades básicas do Kominform a partir de Setembro de 1947.

 




© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Última revisão em: 09-03-2009