Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Jaspers, Karl Theodor  (1883-1969)

 


 

Filósofo existencialista alemão. Formado em direito por Heidelberg e Munique, torna-se médico psiquiatra, por Berlim, onde também se doutora. Professor de filosofia em Heidelberg de 1921 a 1937, data em que é demitido pelo nazismo. Regressa à Alemanha depois de 1945. Instala-se a partir de 1948 em Basileia.  Considera que a exigência da liberdade não é, portanto, o agir por arbítrio ou por cega obediência, mas por convicção fundada. Porque a liberdade só é possível com a transcendência e por causa dela. No plano epistemológico, salienta que a explicação tem de completar-se pela compreensão, porque há uma infinitude do indivíduo e só assim conseguimos aproximar-nos do todo que e o homem.

·Psychopatologie Générale

1913. Paris, Alcan, 1938.

·Psychologie der Weltanschauungen

 1919.

·Conditions et Possibilités d'un Nouvel Humanisme

Neuchâtel, La Bacconière, 1946.

·The philosophische Glaube

1948.

·A Culpabilidade Alemã

·Origine et Sens de l'Histoire

Paris, Plon, 1955.

·Iniciação Filosófica

Lisboa, Guimarães, s. d.

·A Bomba Atómica e o Futuro da Humanidade

1962.

 

Jaspers, Karl. Alemanha. Em 1960, por exemplo, rejeita a hipótese de restauração de um Estado de Bismarck pelo facto do mesmo ter sido realizado com sangue e aço, numa guerra contra a Áustria (1866) e noutra contra a França (1870), destruindo as esperanças de uma unificação federal e liberal dos povos alemães. Este Estado que apenas existiu durante 75 anos não passaria, aliás, da pequena Alemanha, comparada com aquela  grande Alemanha que vive na nossa alma e que existe há mil anos. Ela produziu muitas formas políticas, mas nunca foi uma unidade num sentido nacional moderno (como a França ou a Inglaterra). Foi mais ou menos o território da Europa Central, povoado e formado por homens falando a língua alemã, o território desta Europa Central com as suas paisagens alemãs, de história múltipla e com pátrias múltiplas. Considera assim que a última época do carácter alemão universalista era a época clássica da literatura e da filosofia em que homens de língua alemã se encontraram de Copenhaga a Zurique, de Riga a Amsterdão. Essa uma, unicamente grande Alemanha é um conceito não-político. Sua consciência é, portanto, pré-política ou superpolítica. Dela cresceram, durante o decurso de um milénio, várias formas políticas. Mas nenhuma delas pode reivindicar ser a única Alemanha. A concepção histórica segundo a qual a Alemanha desunida tinha evoluído, com necessidade lógica, no rumo da criação do Estado de Bismark da pequena Alemanha, é uma ficção dos historiadores da época bismarkiana e guilhermiana e de epígonos de hoje. As oportunidades que este Estado abriu estão esgotadas. Nós permanecemos alemães. Mas os alemães são  "um povo dos povos" (Schelling).

 

 
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Última revisão em: 09-03-2009
 

 

 




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