Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Optimismo
Doutrina assumida por Leibniz para quem o
mundo actual realiza sempre de forma óptima o plano do mundo concebido por
Deus.
Optimismo antropológico
De um lado, o
optimismo antropológico, próximo da moral
de convicção, marcado por um eticismo absoluto, onde se proclama que o
direito nada tem a ver com a força ou, por outras palavras, que o direito é
superior ao poder. Em oposição, está a perspectiva do pessimismo antropológico,
marcada pela moral de responsabilidade,
para a qual o direito não passa de uma expressão da força. Neste sentido,
Bento Espinosa
diz
que as leis contêm os homens como se contém
um cavalo com a ajuda de um freio. E Jhering
proclama que o direito
é a política da força. Entre os primeiros, conta-se, por exemplo,
Emmanuel Mounier
para
quem não é o direito que nasce do poder,
é o poder, elemento estranho ao direito, que deve incorporar-se no direito para
ser transformado em direito. Porque, como também salienta Georges Gurvitch, ninguém pode ser democrata se não afirmar
a soberania do direito sobre o poder.
Esta também é a posição da doutrina social da Igreja Católica. Neste
sentido, Pio XII
considera: com o mais
completo desprezo de qualquer limite e consideração, o império da violência
externa, a mera posse do poder, sobrepôs-se às normas da ordem reguladora da
convivência humana, as quais, dimanando de Deus, estabelecem as relações
naturais e sobrenaturais que medeiam entre o direito e o amor aos indivíduos e
à sociedade.