Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Ortega y Gasset, José (1883-1955)

 

Estuda filosofia em Madrid, onde se doutora,  Leipzig, Berlim e Marburgo. Discípulo de Hermann Cohen. Catedrático de Metafísica em Madrid de 1910 a 1936. Funda em 1923 a Revista de Occidente, que dirigiu até 1936. Deputado em 1931. Introduz em Espanha Husserl, Scheler e Dilthey. Em 1914 considera que não pode falar-se de decadência espanhola porque a nação desde os seus começos sempre foi um organismo mal constituído, onde dominaram as massas e faltou uma elite. Aténem houve um feudalismo poderoso, dado que os germanos aqui chegaram muito debilitados. Autor da célebre síntese eu sou eu e a minha circunstância. Isto é, a realidade radical não está no eu como pretendia o idealismo racionalista, não está na razão pura, mas naquilo que qualifica como a razão vital. Neste sentido, defende o chamado perspectivismo, segundo o qual são igualmente válidas as mais distintas concepções do mundo, porque no fundo tal diversidade apenas depende do ponto de vista adoptado.  Cada vida é um ponto de vista sobre o universo... Porque os homens olham a mesma paisagem de vários pontos de vista e não vê em o mesmo, pelo que não tem sentido que cada um declare falsa a paisagem alheia. Amabas são reais. Apenas é falsa a que que pretende assumir-se como a única perspectiva. Como é falsa a utopia, a verdade não localizada, vista de lugar nenhum. O utopista que corresponde à essência do racionalismo, é o homem que não é fiel ao seu ponto de vista, o que deserta do seu posto, do seu ponto de vista. Cada um apenas pode olhar o mundo através da sua época e das suas circunstâncias. Considera que a sociedade é sempre uma unidade dinâmica de dois factores: minorias e massas e que o poder público é uma forma de pressão social que existe mesmo nas sociedades primitivas onde não existe Estado. Contra o princípio democrático da igualdade, assume a necessidade da hierarquia e do princípio aristocrático da selecção. Abanona Espanha durante a guerra civil, apenas regressando em 1945.

 

·Meditaciones del Quijote

1914.

 

·España Invertebrada

1921.

 

·El Tema de Nuestro Tiempo

Madrid, Ediciones Espasa-Calpe, 1923.

 

·El Ocaso de las Revoluciones

Ensaio publicado em El Sol,em Julho de 1923.

 

·La Rebelión de las Masas

1926-1927.

 

·Ensimismamiento y Alteración

1939.

 

·Ideas y Creencias

1934.

 

·El Hombre y la Gente

1949.

 

·Obras Completas

9 vols. [1946 - 1962] (Madrid, Alianza Editorial-Revista de Occidente, 1983).

 

, Madrid, Alcalá, 1963. Gaos, José, Sobre Ortega y Gasset, México, Oásis, 1952. Herrero, Jesus, «O Pensamento Sócio-Político de Ortega y Gasset», in Brotéria, 1980. La Mora, Gonzalo Fernandez, Ortega y Gasset e el 98, Madrid, Ediciones Rialp, 1961. Maria, Julio Santa, «Ortega y Gasset. Evocação e Análise da sua Obra», in Revista Futuro Presente, nº 3, Novembro-Dezembro de 1980, pp. 75 segs..

:Morujão, Alexandre Fradique, «Ortega y Gasset», in Logos, 3, cols. 1270-1276. Pastor, Manuel, Fundamentos de Ciencia Politica, 1994, pp. 35 segs. e 385 segs.. Theimer, Walter, História das Ideias Políticas, trad. port., pp. 489 segs..

 

 




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