Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Péguy, Charles 1873-1914

Escritor francês, formado na École Normale. Começa como socialista. Destaca-se como defensor de Dreyfus. Assume um cristianismo sem Igreja. Funda em 1900 os Cahiers de la Quinzaine que duram até 1914 e onde colaboram Anatole France, Romain Rolland e Julien Benda. A partir de 1905, junta ao socialismo, a defesa do nacionalismo. Regressa ao cristianismo em 1908. Critica a hipocrisia da elite política e intelectual da III República, bem como o chamado partido intelectual, da Sorbonne. Adepto da intervenção da França na Grande Guerra, morre em combate em Setembro de 1914. Antes de partir para o combate, declara: parto como soldado da República para o desarmamento geral e para a última das guerras. Mesmo quando acentuava as doutrinas socialistas, assumia-se como antimoderno, na senda de Proudhon, defendendo as virtudes da antiga França que teriam sido desnaturadas pelo capitalismo e pelo espírito burguês, vendo na pequena burguesia a portadora das virtudes ancestrais. Critica particularmnete a omnipotência do dinheiro e as virtudes da pobreza. Distancia-se do socialismo parlamentar, defendo a existência de um mínimo vital, capaz de garantir a subsistência de cada um e o desenvolvimento da vida espiritual. Distingue entre a mística e a política. Se a primeira é a devoção por uma doutrina em nome de altas razões espirituais, já a segunda é feita de compromissos. Critica particularmente alguns homens partidários que fingem seguir a mística quando apenas são políticos, colocando principalmente na mira o dirigente socialista Jaurès. Na sua fase nacionalista, assume uma perspectiva anti-alemã.




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