Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |

Renan, Joseph Ernest (1823-1892)
Formação básica de seminarista, sob a protecção de Dupanloup, período em que desabrocha a sua paixão pelas línguas orientais. Abandona o seminário e a religião logo em 1845, passando a mestre de estudos e professor de filosofia no secundário. Adere à revolução de 1848 e assume-se como democrata. Escreve então L'Avenir de la Science, obra apenas publicada em 1890, onde se destaca como livre-pensador e adepto do cientismo. Visita a Itália em 1849-1850. Condena o golpe de Estado de 2 de Dezembro de 1851 e critica o modelo plebiscitário. Doutora-se em 1852 com uma tese sobre Averroès et l'Averroisme. Visita o Oriente a partir de 1860. Desde 1861 que é professor de Línguas Orientais no Collège de France. Demitido em 1864 por pressão clerical. Vai de novo para o Próximo Oriente em 1864.
Crítica à democracia
Em 1871 já modifica os seus anteriores pontos de vista assumindo uma profunda crítica aos princípios de 1789, assinalando que a França está em decadência, talvez irreversível. Propõe a necessidade de uma aristocracia racionalista e uma perspectiva antidemocrática: um país democrático não pode ser bem governado, bem administrado, bem comandado. Propõe a reforma universitária segundo o modelo alemão, a cabeça de uma sociedade racionalista que deveria comandar a multidão ignorante. Defende uma câmara dos notáveis e uma administração desecentralizada, criticando o sufrágio universal. Entra para a Academia em 1873.
Nação
Autor de uma célebre e celebrada conferência realizada na Sorbonne, em 11 de Março de 1882, intitulada Qu'est ce q'une Nation?, e que constitui ponto de peregrinação obrigatória de todos quantos analisam teoricamente a questão da nação. A nação passa a ser um plebiscito de todos os dias, um princípio espiritual, a alma do território.
A partir de então assume o dualismo science e nation. Marcado pelo positivismo, companheiro de geração de Taine. Autor de uma célebre história de Israel. Vive o ambiente de crise de fin de siècle, considerando que a frança está em agonia, porque as nações que se debatem com questões sociais perecerão.

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1848 |
L'Avenir de la Science |
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Obra escrita em 1848, mas apenas publicada em 1890. Uma profissão de fé no cientismo. |
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1855 |
Histoire Générale et Système Comparé des Langues Sémitiques |
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Paris, 1855. |
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1863 |
Vie de Jésus |
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1863 Histoire des Origines du Christianisme, 1º vol., 1863 - 1883. |
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1869 |
Questions Contemporaines |
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1869. |
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1871 |
La Réforme Intelectuelle et Morale |
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1871 cfr. ed. de Michel Lévy, Albatros, 1982. |
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1882 |
Qu’est ce qu’une Nation? |
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1882. |
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1947 |
Oeuvres Complètes |
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Paris, Éditions Calmann-Lévy, 1947 - 1962. |
Avenir (L’) de la Science, 1848. Ver Renan, Ernest. Obra apenas publicada em 1890.
Réforme (La) Intelectuelle et Morale, 1871. Ver Renan, Ernest.
Qu’est ce qu’une Nation?, 1882. Ver Renan, Ernest.
4
Bénoîst, Alain, Vu de Droite, trad. port. Nova Direita/Nova Cultura, Lisboa, Edições Afrodite-Fernando Ribeiro de Melo, pp. 273 segs.. 4 D'Allonnes, Olivier Revault, «Renan», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 679-680. 4 Girardet, R., Le Nationalisme Français (1871-1914), Paris, Armand Colin, 1966. 4 Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, I, p. 319. 4 Morujão, Alexandre Fradique, «Renan», in Logos, 4, cols. 695-697.© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 11-01-2004