Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: B/Be
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                © José Adelino Maltez. Última revisão em: 12-02-2009
 

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Lista de artigos

Artigos em grosso

Beattie, Kirk

Beau, Albin E. Coimbra, 1949. Separata do , 25, pp. 47-98.
Beaudant, Charles
Beauffre, André
Beaumarchais, P. A. C. de

Bebel, August (1840-1913)

Beccaria, Marquês de

Beetria

Begriff (Der) des Politischen, 1927 Behaviorismo
Behaviorismo

Behaviour

Behemot
Beirão, Caetano
Beirão, Caetano
Beirão, Francisco António da Veiga Beirão, Governo de Veiga (1909-1910)

Beirão, Mário (1892-1962)

Beires, José Manuel Sarmento

Beja, Frei António de
Belarmino, São Roberto (1542-1621)
Belenzada (1836)

Bélgica (em francês Royaume de Belgique;

Belgrado, Conferência de
Beligerância

Belicismo
Belize

Belinski, Vissarion (1811-1848)

Bell, Daniel

Bellers, John
Belloc, Hillaire

Belo, D. António Mendes (1842-1929) Belo, João
Beloff, Max

Bem

Bem comum São Tomás de Aquino. Rousseau

Bem-estar

Bem-viver

Bem-viver. São Tomás

Benarus, Adolfo
Benda, Julien

Bendix, Reinhard
Beneditinos

Beneficência Benefício

Beneplácito

Benesse 

Beneyto, Juan
Benevides, Sá e
Benès, Edvard (1884-1948)

Bengala

Benim

Benjamin, Walter

Bénoist, Alain de

Bénoist, Charles
Benoist, Jean-Marie
Bénoit, Francis-Paul
Bensaúde, Joaquim

Bentham, Jeremy

Bentley, Arthur Fisher (1870-1957) Bento XV (1854-1922)
Benveniste, Emile
Berdiaev, Nikolai (1874-1948) Beresford, William Carr (1768-1854)
Berger, Gaston

Berger, Peter L.

Bergeron, Gérard

Bergson, Henri-Louis (1859-1941)
Beria, Lavrenti Pavlovitch (1899-1953)
Berlin, Isaiah (n.1909)
Berlinguer, Enrico (n.1922)
Berlim
Berloques

Bermudas

Berna
Bernardo, São

Bernardes, Padre Manuel
Bernadotte, Jean-Baptiste Jules (1763-1844)

Bernanos, Georges

Bernstein, Eduard
Bertalanffy, Ludwig von

Bertrand
Bertrand, Relatório (1975)

Bessa, António Marques
Bessa, Henrique Forbes
Bessarábia

Bettencourt, Manuel Ortins Torres de. N. 1892 Emilio

Betti
Between Past and Future (1954) Bevan, Aneurin

Beveridge, William Henry

Beveridge, Plano

Beviláqua, Clóvis
Bevin, Ernest
Beyme, Klaus von
Beyen, Wilhelm

Beza, Theodor
Bezerra, João Paulo

Bicamaralismo
 

Beattie, Kirk Considera que o poder, enquanto "categoria específica das relações sociais", implica "a possibilidade de coagir os outros neste ou naquele sistema de relações entre os indivíduos e entre grupos".
 
Beau, Albin E. (1907-1969) Professor alemão instalado em Coimbra. Declara-se pró-nazi. Protegido por Luís Cabral de Moncada.
·O Conceito e a Função do Imperium em Francisco Suárez
Coimbra, 1949. Separata do Boletim da Faculdade de Direito de Coimbra, 25, pp. 47-98.
 
Beaudant, Charles Jurista francês, marcado por um idealismo humanista e laicista. Influencia o solidarismo de Bourgeois. Defende a existência de leis que se impõem às leis, esse ideal que traça e ilumina a estrada na qual o legislador deve marchar.
·Le Droit Individuel et l'État
Paris, 1920 (3ª)
 
Beauffre, André General francês, autor de importantes trabalhos de teoria geral da estratégia.
·Dissuasion et Stratégie
Paris, Librairie Armand Colin, 1964
·Introduction à la Stratégie
Paris, Librairie Armand Colin, 1965.
·La Guerre Révolutionnaire. Les Forces Nouvelles de la Guerre
1972.
 
 
 
Beaumarchais, P. A. C. de  (1732-1799) Pierre Augustin Caron de Beaumarchais. Dramaturgo francês. Considera que os escravos são tão culpados quanto os tiranos. É difícil de dizer se a liberdade poderá reprovar mais justamente aqueles que a atacam do que aqueles que a não defendem.
 
·Mémoires du Sieur Beaumarchais par lui-même
1774-1778.
 
 
 
Bebel, August (1840-1913) Um dos fundadores do partido operário social-democrata da Alemanha em 1869. Começando como torneiro mecânico, acaba como industrial bem sucedido. Convertido ao socialismo por Liebknecht, é um dos críticos do revisionismo de Bernstein. Rejeita as teses revolucionárias de Rosa Luxemburg. Opõe-se a Bismarck desde 1871. Dirigindo o SPD, leva o partido a ser o mais votado das eleições de 1912.
·Der deutsche Bauernkrieg
1876.
·Die Frau und der Sozialismus
1883.
·Aus meinem leben
1910-1914 (memórias).
 
Beccaria, Marquês de (1738-1794) Cesare Bonnesana. Estuda em Parma com os jesuítas e forma-se em Pavia. Converte-se ao Iluminismo e ganha notoriedade com a publicação do seu tratado sobre as penas em 1764. Passa para Paris em 1766. Ensina economia pública em Milão a partir de 1768. Publica em 1770 Ricerche intorno alla natura dello stile. Influenciado por Montesquieu e Helvetius. Um dos mais importantes representantes do humanitarismo italiano. Influencia particularmente o nosso Pascoal de Melo Freire.
·Dei Delitti e delle Pene
Mónaco, 1764. Obra publicada anonimamente.
 
Beetria Do basco baret-iriae. Povos livres, não vassalos.
 
Begriff (Der) des Politischen, 1927 Texto de Carl Schmitt de 1927, sucessivamente refundido em 1932 e 1963, onde se estabelece que o político deve consistir nalgumas distinções de base às quais pode ser reconduzido todo o agir político em sentido específico. Daí considerar que a específica distinção política à qual é possível reconduzir as acções e os políticos é a distinção entre amigo (freund) e inimigo (feind). Ela oferece uma definição conceptual, isto é, um critério e não uma definição exaustiva ou uma explicação do conteúdo. Na medida em que não é derivável de outros critérios ela corresponde, para a política, aos critérios relativamente autónomos das outras contraposições: bom e mau, para a moral, belo e feio, para a estética. Adopta-se assim uma bipolaridade maniqueísta, onde, contudo, o feind é o hostes latino, o inimigo público, e não o inimicus, o inimigo privado. Porque os conflitos políticos não são racional ou eticamente determinados ou solúveis; são conflitos existenciais e a política é preexistente ao Estado, considerado como simples modo de existência e não produto da necessidade histórica. Qualifica este essencialismo como visão fenomenológica da política, a política como ela é e como se faz, em oposição ao que refere como o idealismo normativista das teorias puras do direito, que consideram as decisões como deduzíveis integralmente do conteúdo de uma norma. Neste sentido, salienta que a decisão política está fora de qualquer subsunção normativa, dado que rompe com as hesitações do saber e consiste em manifestar uma autoridade e não em afirmar uma verdade ,18,127ìSchmitt, Carl. Essência da política.
 
Behaviorismo. O behaviorismo, de behavior a forma norte americana do inglês behaviour, ou comportamento, veio dizer que, nas ciências sociais, importava limitar a análise aos comportamento observável dos seres humanos, porque só deste modo se conseguiria a objectividade . O homem, como os restantes animais, funcionaria segundo o chamado S -R schema, dado que um determinado estímulo (S) produziria uma resposta (R). O comportamento humano não passaria de uma série de combinações variadas de estímulos provindos, por um lado, do estado de necessidade e, por outro, do estado do ambiente, que conduzem à espécie de comportamneto característico dos diversos organismos, para utilizarmos a terminologia de Hull. Não haveria pois necesidade de recorrermos à noção de fim ou de intenção, para a análise de uma conduta humana. Além disso, conhecendo-se muitos casos de respostas aos mesmos estímulos, seria possível elaborar uma teoria capaz de prever o comportamento humano de forma precisa e científica. A ciência deveria portanto sistematizar e quantificar as observações e depois tratá-las de acordo com os métodos quantitativos. A procura de uma ciência pura, através da análise dos comportamentos observáveis dos seres humanos, considerados como simples respostas a estímulos provindos do ambiente. A procura da regularidade dos comportamentos políticos, a fim de poderem estabelecer-se generalizações e teorias com valor explicativo; pela subordinação de todas as afirmações e de todas as teorias à verificação empírica; pela elaboração de rigorosas técnicas de pesquisa, recolha, registo e interpretação de dados; pela utilização predominante dos métodos quantitativos; pela rejeição dos valores; e pela elaboração de uma sistematização dos conhecimentos adquiridos. 
A segunda geração da ciência política norte-americana, desenvolvendo o esquema sociologista, embrenhar-se-á na chamada revolução comportamentalista ou behaviorista, recolhendo, em primeiro lugar, os contributos da psicologia. A partir de então, considera-se que a ciência política deve reduzir-se ao estudo da acção política (political action), ao mero estudo do comportamento político dos indivíduos situados num determinado sistema social. Entende-se que a ciência política não é senão uma ciência do poder, uma ciência que deve estudar o poder em geral, essa possibilidade de levar outrem a fazer alguma coisa contra a respectiva vontade, essa forma de impor a esse outrem algo que este não deseja espontaneamente. Neste sentido, a política diluiu-se como simples subsistema do sistema social, passando a ser mera parcela ou um simples aspecto do social. O behaviorismo, de behavior (a forma norte americana do inglês behaviour) - sinónimo de conduta ou comportamento -, afirmou que, nas ciências sociais, importava limitar a análise aos comportamentos observáveis dos seres humanos porque só deste modo se conseguiria a objectividade.
 
O homem, como os restantes animais, funcionaria segundo o chamado S-R scheme, dado que um determinado estímulo (S) produziria uma resposta (R), em que o comportamento humano não passaria de uma série de combinações variadas de estímulos provindos, por um lado, do estado de necessidade e, por outro, do estado do ambiente, que conduzem à espécie de comportamento característico dos diversos organismos, para utilizarmos a terminologia de Hull. Não haveria necessidade de recorrermos à noção de fim ou de intenção para a análise de uma conduta humana. Além disso, conhecendo-se muitos casos de respostas aos mesmos estímulos, seria possível elaborar uma teoria capaz de prever o comportamento humano de forma precisa e científica. A ciência deveria, portanto, sistematizar e quantificar as observações, e depois tratá-las de acordo com os métodos quantitativos. A revolução behaviorista nos domínios da ciência política atingiu o seu clímax na década de cinquenta, quando se estabeleceu um estatuto de cientificidade para a disciplina, visando a adopção dos processos metodológicos das ciências naturais. Atingiu-se assim a predominância empírico-analítica, com a exigência da procura da regularidade e da uniformidade, a subordinação de todas as afirmações à verificação empírica, a adopção de técnicas de pesquisa marcadas pela precisão, a adopção de métodos quantitivos e a rejeição dos valores. A ciência política que nascera contra os excessos do normativismo jurídico, que produziram uma espécie de juridicização da política, transformar-se-á numa quase sociologia política. A procura do how, do como deve procurar-se a política através da pergunta sobre o como funciona, acabou por fazer esquecer o what, a pergunta sobre o que é a política. Com efeito, o exagero na procura dos factos levou a um acumular indiscriminado de informações sobre informações, àquele universo caótico que David Easton qualificou como hiperfactualismo. Aliás, tal revolução, que teve o seu apogeu com a eleição de Lasswell para a presidência da APSA em 1955, coincidiu com a própria divulgação da tese do fim das ideologias, assumindo-se como o cientismo típico de uma sociedade de abundância que considerava a filosofia política como coisa típica das eras de crise.
 
} Barash, David, Sociobiology and Behavior, Nova York, 1977.} Bass, B. M., Leadership, Psychology and Organizational Behaviour, Basingstoke, Macmillan Press, 1960.} Carey, G., Grahn, G. J., eds., The Post-Behavioral Era. Perspectives on Political Science, Nova York, David McKay, 1972.} Charlesworth, James C., The Limits of Behaviouralism in Political Science, Filadélfia, 1962.} Eulau, Heinz, The Behavioral Persuasion in Politics, Nova York, Random House Publishers, 1963.} Hurwitz, Leon H., Introduction to Politics. Traditionalism to Postbehavioralism, Theory and Pratice, Chicago, Nelson A. Hall Co., 1979.} Hyman, Herbert, Political Socialization. A Study in the Psychology of Political Behavior, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1959.} Kavanagh, Dennis, Political Science and Political Behavior, Londres, Allen & Unwin, 1983.} Killian, L. M., Turner, R. H., Colective Behavior, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1957.} Leiserson, A., Party and Politics. An Institutional and Behavioral Approach, Nova York, Alfred A. Knopf, 1958.} McCoy, C., Playford, J., eds., Apolitical Politics. A Critique of Behavioralism, Nova York, Cromwell, 1967.} Nieburg, Harold L., Political Violence. The Behavioural Process, Nova York, Viking Press, 1969.} Ranney, Austin, Essays on the Behavioral Study of Politics, Urbana, University of Illinois Press, 1962.} Renshon, Stanley A., Psychological Needs and Political Behavior, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1974.} Schwartz, D. C., Political Alienation and Political Behavior, Chicago, Aldine de Gruyter, 1973.} Segall, M. H., Human Behavior and Public Policy. A Political Psychology, Elmsford, Pergamon Press, 1977.} Smelser, Neil J., Theory of Collective Behavior, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1962.} Spragens Jr., Thomas A., The Dilemma of Contemporary Political Theory. Toward a Post-Behavioral Science of Politics, Nova York, Dunellen, 1973.} Thorson, Thomas Landon, The Biological Foundations of Political Science Reflexions on the Post-Behavioral Era, Munique, IPSA, 1970.} Truman, David B., «The Behavioral Movement in Political Science. A Personal Document», in Social Research, n.º Mar., 1968.
 
Behaviour Expressão inglesa de behavior ou comportamento,40,246
 
Behemot O monstro da terra em Hobbes e no nazismo,106,731
 
Beirão, Caetano Maria Ferreira da Silva (1807-1871) Lente da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e deputado miguelista em 1842 e 1862. Participa na revolta de 1844 contra o cabralismo.
  
Beirão, Caetano Maria de Abreu (1892-1968) Historiador e doutrinador monárquico. Começando no Integralismo Lusitano, adere, depois, à Acção Realista Portuguesa de Alfredo Pimenta. Um dos principais apoiantes doutrinários do salazarismo.
 
Beirão, Francisco António da Veiga (1841-1916) Professor do Instituto Industrial e presidente da associação de Advogados de Lisboa. Começou por militar nos reformistas e transformou-se no delfim de José Luciano, em rivalidade com José de Alpoim. Considerado um homem da esquerda antiga.
·Deputado entre 1880 e 1904.
·Ministro da justiça de José Luciano, de 20 de Fevereiro de 1886 a 14 de Janeiro de 1890.
·Ministro dos estrangeiros de 1898 a 1900 em novo governo de José Luciano, durante a guerra dos boers, quando se assinou a Declaração de Windsor de Outubro de 1899.
·Presidente do ministério, de 22 de Dezembro de 1909 a 26 de Junho de 1910. O respectivo governo é abalado pela questão Hinton e pelo escândalo do Crédito Predial.
 
Beirão, Mário (1892-1962) Poeta neogarrettista, autor do Último Lusíada. Conservador do registo civil em mafra desde 1938.
 
 
Beires, José Manuel Sarmento (1893-1974) Aviador português. Celebrizado por realizar a primeira ligação aérea entre Lisboa e Macau em 1924 e a primeira travessia nocturna do Atlântico Sul. Militante democrata e republicana assume-se como conspirador contra a Ditadura Nacional e o Estado Novo. Organiza revolta de 26 de Agosto de 1931. Preso nos finais de 1933 e jugado pelo Tribunal Militar Especial em 1934. Condenado a sete anos de desterro, segue para o Brasil. Apoiado pelo grupo de Sarmento Pimentel, dedica-se então a actividades espíritas. Dirige a revista Portugalia, que havia sido fundada por Ricardo Severo e Alberto Sampaio. Regressa a Portugal nos anos sessenta, chegando a ser condecorado por Américo Tomás, como pioneiro da aviação.
 
Beja, Frei António de (1493-1517) Membro da ordem de S. Jerónimo, tendo professado no Mosteiro da Penha Longa em Sintra. Influenciado por Pico della Mirandola.
·Contra os Juízos dos Astrólogos
1523.Obra onde ataca a profecia que previa o fim do mundo em 4-5 de Fevereiro de 1524, através de um dilúvio.
·Breve Doutrina e Ensinança de Principes
Lisboa, 1525. Esta obra foi incluída nas antologias de Bento de Sousa Farinha e de António Alberto Banha de Andrade; cfr. a reprod. fac-similada da ed. de 1525 na ed. de Mário Tavares Dias, Lisboa, Instituto de Alta Cultura, 1965.
 
Belarmino, São Roberto (1542-1621) Também dito Cardeal Belarmino. Roberto Francesco Romolo Bellarmino. Jesuíta desde 1560. Estuda em Roma, Pádua e Lovaina. Cardeal desde 1599 e arcebispo de Cápua desde 1602. Consultor do Santo Ofício, participa no processo contra Galileu. Considerado o martelo dos heréticos, opondo-se às teses de Barclay, em defesa de Jaime I. 127,887 "nunca o povo delega totalmente o seu poder" e "conserva‑o em potência e em certos casos pode retomá‑lo em acto"..Para ele "depende do querer da multidão constituir um rei, cônsules ou outros magistrados.E se advem uma causa legítima, a multidão pode mudar a realeza em aristocracia ou democracia ou o inverso".
·Disputationes de controversiis Christianae fidei adversus huius temporis haereticos
1586-1593.
·De potestate papae
1609.
·De potestate summi pontificis in rebus temporalibus adversus Gulielmum Barclaium
Colónia, 1610
 
Belenzada (1836) Nome dado a uma tentativa frustrada de golpe de Estado contra o setembrismo, ocorrida entre 2 e 4 de Novembro de 1836. Com efeito, a partir do paço tentou jugular-se o processo da revolução de Setembro. Segundo Lavradio foi um movimento prematuro. A movimentação palaciana, com a rainha a sair das Necessidades para Belém, terá sido inspirada pelo próprio rei Leopoldo da Bélgica, através do embaixador Van der Weyer, sendo apoiada por uma esquadra britânica surta no Tejo e contando com o apoio da diplomacia francesa. O rei dos belgas pretendia, aliás, que lhe fosse atribuída uma das nossas possessões africanas. D. Maria II tinha 17 anos e D. Fernando, apenas 20. O governo setembrista tem o apoio de 800 guardas municipais e de 12 000 guardas nacionais. Sá da Bandeira diz então querer combater as influências estrangeiras. No dia 4 de Novembro foi assassinado o chamorro Agostinho José Freire. No dia 6 de Novembro Silva Carvalho refugia-se a bordo de um navio inglês e pede ajuda de Passos Manuel e Sá da Bandeira. Os sediciosos são acusados de cometerem o crime de Lesa-nação e Lesa-Majestade de primeira cabeça ou de alta traição, de acordo com as Ordenações (V, 6, 4 e 5), por terem lançado um grito sedicioso contra o Pacto Social em vigor (Constituição de 1822) hostilizando o Povo com uma força armada. Entre os acusados, Palmela, Vila Real, José da Silva Carvalho, Joaquim António de Aguiar, Manuel Gonçalves de Miranda, Francisco Trigoso Aragão Morato, Padre Marcos, Rendufe, J. J. Gomes de Castro. Entre os subscritores da acusação, João Gualberto Pina Cabral, Almeida Garrett, Silva sanches, José Alexandre de Campos.
 
 
 
Bélgica (em francês Royaume de Belgique; em flamengo Koninkrijk Belgié). O actual reino da Bélgica que se qualifica como Estado comunitário e regional, engloba 29 455 km2 e 9 800 000 habitantes; segundo a fórmula de Cline, 9; integram-no 55% de flamengos e 33% de valões. O território constitui a parte meridional dos velhos Países Baixos que, nos séculos X a XIV, ainda eram um amontoado de senhorios laicos e eclesiásticos, dos quais emergiram algumas importantes comunas, mas, a partir de 1369, quando a condessa da Flandres se consorciou com o duque da Borgonha, começa a ser unificado e a integrar-se nos domínios daquela entidade política que vai tentar assumir-se como o grão-ducado do Ocidente e como herdeira da Lotaríngia, situada entre os territórios alemães e os territórios franceses, entre o Mar do Norte e a Suiça. Assim, com Filipe o Bom (1419-1467), o território tornou-se efectivamente independente da França e foi-se alargando a Namur, ao ducado do Brabante-Limburgo, ao Hainaut, à Zelândia, à Holanda, à Frísia, ao Luxemburgo e a Liège. Em 1477 deu-se o desmantelamento da casa da Borgonha, quando Maria da Borgonha, filha de Carlos o Temerário e neta de Filipe o Bom, casou com o Imperador Maximiliano I; a partir de então, o território passou a constituir uma das possessões dos Habsburgos; com o filho do casal, Carlos V, voltou a crescer com a integração de Tournai, Utrecht, e outras regiões; é a partir de então, que surge o chamado Estado dos Países Baixos, um bloco das 17 províncias, integradas no chamado Círculo da Borgonha, parcela dos mais vastos domínios de Carlos V, que este vai legar ao filho Filipe II. Com Filipe II, introduz-se o centralismo que, em dialéctica com o processo da reforma protestante, leva à secessão da União de Utreque, em 1579; as províncias do Sul, conservando-se católicas e fiéis aos Habsburgos de Madrid, vão dar origem aos Países Baixos Espanhóis. Entre 1598 e 1633 são estes governados pelos arquiduques Alberto e Isabel. Em 1648, pelo Tratado de Münster, o rio Escalda é fechado aos belgas. Em 1659, Luís XIV retira-lhes o Artois, com Arras. Em 1668, a Flandres meridional, com Lille. Em 1678, Cambrésis, com Cambrai. Pelos Tratados de Utreque (1713) e Rastatt, estes territórios passaram para os Habsburgos da Áustria. Em 1789 ocorre a revolta do Brabante que leva os austríacos a abandonar o país, chegando até a instituir-se em 10 de Janeiro de 1790 uns Estados Belgas Unidos. Nos fins de 1790 é restaurada a administração austríaca. Em 1792, a França, em guerra com a Áustria, ocupa o território, de Novembro de 1792 a Março de 1793. Em Outubro de 1795, nova ocupação francesa que vai anexar o território, situação confirmada pela Paz de Campoformio de 1797. Em 21 de Julho de 1814, os aliados fazem integrar a Bélgica no novo reino dos Países Baixos de Guilherme I de Orange, restaurando-se episodicamente as 17 províncias de Carlos V. A Bélgica actual essa entidade que, segundo o seu primeiro rei, Leopoldo I, não tem nacionalidade e atendendo ao carácter dos seus habitantes jamais a poderá ter, resulta da revolta dos burgueses francófonos e católicos, ocorrida a partir de Setembro de 1830, o que vai levar à saída imediata das tropas holandesas do território, à excepção de Antuérpia. A insurreição começou em 25 de Julho de 1830, com carácter anárquico. Foi depois fortemente influenciada pelos acontecimentos de Paris de 27 a 29 de Julho que levaram ao poder Luís-Filipe de Orleães. A sorte da nova unidade política vai ser decidida em Londres, de acordo com os interesses britânicos, tal como antes o havia sido em Madrid e, depois, em Viena, conforme os interesses dos Habsburgos; surge então um Estado-tampão que contraria tanto os interesses da França como da Prússia, então apoiante dos Países Baixos, e para se coroar o modelo de monarquia constitucional vai buscar-se um viúvo da princesa herdeira da Coroa britânica, o príncipe Leopoldo, da casa Saxe-Coburgo-Gotha, sendo-lhe também imposto um estatuto de neutralidade. Leopoldo I reinou de 1831 a 1863 e conseguiu as pases com os Países Baixos, em 1861, permitindo a liberdade de navegação pelo Escalda. Este monarca, intimamente ligado à rainha Vitória, era primo do nosso D. Fernando, marido de D. Maria II, tendo alguma influência na política portuguesa, nomeadamente através do embaixador Van der Weyer. Sucedeu-lhe Leopoldo II, quando a Bélgica tinha 5. 500 000 habitantes, com 49.8% de língua flamenga e 42,3% de língua francesa. A partir de então, a Bélgica vive um período de grande expansão económica que lhe permite lançar-se na aventura colonial, principalmente no Congo.
 
Belgrado, Conferência de (1961) De 1 a 6 de Setembro de 1961 reúne em Belgrado a primeira conferência dos povos não-alinhados, com a participação de 26 países, membros de pleno direito, e três observadores, Brasil, Bolívia e Equador. Entre os países não afro-asiáticos presentes como membros de pleno direito, apenas Cuba e a Jugoslávia.
 
Beligerância Beligerantes são os Estados que estão em guerra. Abrange também os grupos que no plano interno de cada Estado estão envolvidos numa insurreição ou numa guerra civil, para os quais o direito internacional estabelece direitos e deveres equivalentes aos dos Estados num conflito internacional.
 
Belicismo O contrário do pacifismo
 
Belize  Antigas Honduras Britânicas. Consegue autonomia em 1964.
 
Belinski, Vissarion (1811-1848) Um dos nihilistas russos que, tendo começado por um socialismo individualista, vai cair, depois do choque hegeliano, numa espécie de revolta metafísica, como assinala Camus. A tal revolta que o levava a proclamar a negação é o meu Deus, como há pouco tempo o era a realidade. Os meus heróis são os destruidores do que é velho
 
Bell, Daniel (n. 1919) Sociólogo norte-americano.. Começa como jornalista, destacando-se como editor de The New Leader (1941-45) e da Fortune (1948-58). Funda o magazine The Public Interest. Doutorado pela Columbia University (1960), e aí professor de sociologia (1959-69). Passa para Harvard em 1969. Define-se a si mesmo como um social-democrata em economia, um liberal em política e um conservador quanto ao valores culturais, naquilo que qualifica como disjuntion of realms, como princípios axiais diferentes. Aceita o fundamental das teses keynesianas, defendendo a manutenção do modelo do Estado-providência. Considera-se um especialista em generalidades. Defende uma autonomia da política. Num célebre artigo de 1987, publicado em Daedalus, considera que o Estado a que chegámos é, ao mesmo tempo, pequeno demais para os grandes problemas da vida e grande demais para os pequenos problemas da vida. Ele é pequeno demais para resolver os grandes problemas do nosso tempo (a economia, a segurança, o ambiente, a tecnologia, a saúde) e, para o efeito, sob o alento da aldeia global, vamos tentando projectar e construir, por todo o lado, grandes espaços. Mas também é grande demais, pelo menos quanto à participação política e à humanização do poder, e muitos vão exigindo desconcentração, desregulamentação, descentralização e regionalização. Em 1960 analisa a era da ideologia, marcada pelos sonhos sem limites dos comunistas e sindicalistas que transformaram as questões concretas em questões ideológicas, colorindo-se com uma tensão ética e uma linguagem emocional. Essa época teria findado nas sociedades industrializadas, apenas persistindo nos países em vias de desenvolvimento.
·Marxism-Leninism. A Doctrine in Defensive. The “End of Ideology” in the Soviet Union
Nova York, Columbia University Press, 1955.
·The End of Ideology. On the Exhaustion of Political Ideas in the Fifties
Nova York, The Free Press of Glencoe, 1960) (cfr. trad. port. O Fim da Ideologia, Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1980.
·The Radical Right
Nova York, Doubleday Books, 1963 (ed.).
·Toward the Year 2000
Nova Iorque, Beacon, 1970 (ed.).
·«The Post-Industrial Society. Technocracy and Politics»
In Survey, nº 78, 1971.
·The Coming of Post-Industrial Society. A Venture in Social Forecasting
Nova York, Basic Books, 1973
·The Cultural Contradictions of Capitalism
Nova York, Basic Books, 1976 [trad. cast. Las Contradicciones Culturales des Capitalismo, Madrid, Alianza Editorial, 1976; trad. fr. Les Contradictions Culturelles du Capitalisme, Paris, Robert Laffont, 1976].
·The Winding Passage
1980
 
Bellers, John Quaker que, na senda de Penn, propõe, em 1710, a criação de um European State, geometricamente dividido em cem províncias. A obra, que tem como título completo Some Reasons for an European State. 1710, Proposed to the Powers of Europe by an Universal Guarantee and an Annual Congress, Senate, Diet or Parliament. To Settle Any Disputes about the Bounds and Rights of the Princes. Visualiza uma assembleia europeia, onde cada Estado teria um número de representantes proporcional ao número de províncias. Prevê também o estabelecimento de uma força armada, onde cada província contribuiria com mil soldados ou número equivalente de barcos de guerra. Também proporcionalmente se participaria através de impostos para aquilo que é designado por Liga Europeia
 
Belloc, Joseph-Pierre Hillaire (1870-1953) Nasce em França, filho de um advogado francês e de uma inglesa. Católico. Educação inglesa em Birmingham e Oxford. Presta serviço militar como francês. Naturalizado britânico em 1903. Militante do Liberal Party. Em 1912 defende o regresso às corporações medievais. Poeta e autor de livros infantis, escreve também vários livros religiosos. Amigo de Chesterton. Tem uma polémica com H. G. Wells.
·Danton
1899.
·Robespierre
1901.
·The Servile State
1912.
·Europe and the Faith
1920.
·History of England
1925-1931. 4 vols..
·James II
1928
·Wolsey
1930.
·The Great Heresies
1938.
 
Belo, D. António Mendes (1842-1929) Cardeal Patriarca de Lisboa. Desterrado da respectiva diocese em 28 de Dezembro de 1911 pelo ministro António Macieira.
 
 Belo, João (1876-1928) Oficial da marinha. Ministro das colónias 1926-1927. Participou nas campanhas de Mouzinho de Albuquerque contra os vátuas. Colaborou com Brito Camacho em Moçambique. Reorganiza a Escola Colonial.
 
Beloff, Max (n. 1913) Professor em Manchester, Oxford e Oxford, aqui desde 1957, na cadeira de Administração Pública e Governo. Considera que nos séculos XVI e XVII persistem inúmeros "hábitos medievais de pensamento", salientando a existência de representações diplomáticas permanentes,desde o seculo XV,elemento revelador do facto do Estado começar a ser pensado como unidade permanente. Observa que "a Revolução francesa trabalhava em terreno lavrado por atitudes desenvolvidas durante o século XVIII e que culminaram no grande movimento cultural chamado romantismo". Compreender‑se‑ia portanto que a língua e a história tivessem sido os dois aspectos mais importantes da ideia naciona:"a ideia de nação é subjectiva e criação da história.Uma nação não é una por conformidade com qualquer critério especial,mas por os seus membros crerem ter em comum o que basta para constitur um status nacional. Com efeito, entre os séculos XVI e XVIII o Estado significava "uma aglomeração territorial específica sujeita a uma autoridade política regular",era o tal Estado territorial que "viu a vantagem resultante do conceito de nação e formulou a adequada teoria de que os habitantes de um só Estado formavam uma só Nação.Aqui o princípio do cujus regio ejus religio, base da formação territorial da Europa depois da Reforma, era evidentemente da primeira importância".
·Europa e Europeus
[ed. orig. Conselho da Europa, 1957], trad. port., Lisboa, Editorial Ulisseia, s.d. (ed.).
 
Bem Do lat. bene. Em grego, agathon. Segundo Aristóteles, cada coisa tem o seu bem, a sua natureza, o seu fim. A natureza de uma coisa é o seu fim e o fim de uma coisa é aquilo que é uma coisa sempre que ela atinge o seu completo desenvolvimento, a sua causa final, o seu bem melhor. Porque todas as coisas tendem para a perfeição, para a plena suficiência. Neste sentido, salienta que todas as comunidades humanas têm o seu bem. Que a polis, como uma espécie dentro do género comunidade, também tem o seu bem. Porque qualquer comunidade é constituída tendo em vista um certo bem, porque é para obter o que parece como um bem que todos os homens realizam sempre os seus actos. Ora, a polis, como a mais alta de todas as comunidades, como a comunidade política, tem, assim, um bem maior que todas as outras comunidades. Visa não apenas o fim da auto-suficiência (autarkeia) como o fim do bem viver (eu zein).
 
Bem comum Retomando o conceito de bem de Aristótoles, segundo o qual todas as coisas tendem para a perfeição tendem para a realização do seu bem, da sua causa final, São Tomás de Aquino estabeleceu a noção de bem comum como a síntese da ordem e da justiça. Francisco Suárez fala num bonum commune societatis civilis que constitui uma realidade distinta tanto da felicidade natural A ideia foi depois laicizada, traduzindo a tentativa de conciliação da ideia estática de ordem com a ideia dinâmica de justiça, aproximando-se do dualismo paz e direito, onde é possível a ordem pela justiça e a paz pelo direito. Neste século a ideia foi retomada pelo neotomismo de Jacques Maritain, em Les Droits de l'Hommme et la Loi Naturelle, onde o bem comum além de se assumir como fundamento da autoridade, exige redistribuição e implica uma visão mais geral de boa e recta via da própria humanidade.
 
·Jacques Maritain, A Pessoa e o Bem Comum [ed. orig. 1946], trad. port., Lisboa, Moraes Editores, 1962.
·G. Fessard, Autorité et Bien Commun, Paris, Aubier-Montaigne, 1969, 2ª ed.
·Michael Novak, Démocratie et Bien Commun, Paris, Éditions du Cerf, 1991.
·Mário Emílio Bigotte-Chorão, Pessoa Humana e Bem Comum como Princípios Fundamentais da Doutrina Social da Igreja. Subsídios para uma Revisão da Cultura Dominante, Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, 1994.
 
Bem Comum e interesse público,89,589 Bem Comum fim da sociedade política,50,310Bem comum imanente, o do Estado,135,942Bem comum transcendente, a pessoa,135,942Bem Comum,122,856
São Tomás de Aquino. bem comum e o bem individual não diferem apenas quantitativamente,mas também segundo uma diferença formal:"bonum commune civitatis et bonum singulare unius personae non differunt solum secundum multum et paucum,sed secundum formale differentiam.Alia enim est ratio boni communis et boni singularis,sicut et alia est ratio totius et partis". São Tomás entende o bem comum como o fim da cidade, salientando que o mesmo consiste numa síntese da ordem e da justiça. Este fim é que dá unidade à civitas. Mas o bem comum são os bens particulares (bonum commune est finis singularum personarum.. sicut bonum totius, finis est cujuslibet partium). A sociedade política é uma sociedade perfeita ou a comunidade perfeita porque tem um bem comum pleno qualitativamente maior que o bem comum das sociedades particulares, das comunidades domésticas. Define, pois, a civitas como a união estável de um certo número de homens que colaboram em ordem a um fim. Ela aparece assim como uma perfecta communitas, como uma unidade auto-suficiente, como uma entidade suprema, dado englobar outras comunidades, como as famílias e as aldeias, mas que apenas constitui uma unidade de ordem, um totus ordinis, onde existe aquela gubernatio que permite conduzir convenientemente o que é governado a um determinado fim.
Rousseau Em Rousseau, o conceito equivalente é o de interesse geral.
 
Bem-estar.
 
Bem-viver Eu Zein Aristóteles considera que o fim da polis tanto é a autarquia como o bem viver (eu zein). Não visa apenas as necessidades vitais, não segue apenas a linha do parentesco, procurando um fim bem diverso, o bem viver. Não tem apenas em vista a existência material, mas também uma vida feliz, ao contrário do que sucede com uma colectividade de animais.
 
Não é também e apenas um conjunto maior que a aldeia, já que a genos, apesar de poder ser maior, não é uma entidade política, mas uma entidade étnica. Só a polis é, neste sentido, uma associação completa e perfeita. A polis é a comunidade do bem viver para as famílias e os agrupamentos de famílias, tendo em vista uma vida perfeita e independente.
 
O modelo clássico da polis sempre foi marcado pela ambivalência. Se, por um lado, ela visa atingir a autarquia, aquele espaço de auto-suficiência que lhe permite satisfazer as necessidades vitais dos respectivos membros, ela também existe para bem viver. Segundo as próprias palavras de Aristóteles, a polis, formada de início para satisfazer apenas as necessidades vitais, ela existe para permitir bem viver (eu Zein) ou viver segundo o bem. É esta dupla exigência que transforma a polis numa sociedade perfeita. Não apenas porque visa a autarquia, o viver, mas porque, além do viver, exige o bem viver. E esta exigência de bem viver que faz da polis uma forma de associação humana totalmente diferente das associações infrapolíticas. Porque se todas as formas de associação humana visam um determinado bem (agathon), aquela que visa um bem maior tem de ser superior à que visa um bem menor. Haverá assim uma comunidade que é a mais alta de todas e a que engloba todas as outras. Esta comunidade é a aquela a que se chama polis, é a comunidade política.  
 
Bem-viver. São Tomás Assinala que a civitas não reduz a perfeição à mera auto-suficiência de bens materiais, considerada como condição secundária e quase instrumental do bem viver. Este consistiria num viver segundo a virtude, considerada como condição primária, onde a virtude é entendida como aquilo por que se vive. no bem viver do homem são necessárias duas condições : a principal é viver segundo a virtude, entendendo por virtude aquilo por que se vive bem (qua bene vivitur); a segunda secundária e quase instrumental, é a suficiência dos bens corporais, cujo uso é necessário aos actos da virtude. Se esta unidade no homem é produzida a causa pela natureza, já a unidade de um povo, que é chamada paz, deve procurar-se por industria. Assim, para criar o bem viver de uma multidão são necessária três condições: que ela seja constituída numa unidade de paz; que seja dirigida para o bem; que por acção do governante, sejam suficientemente providas as coisas necessárias ao bom viver. A civitas é perspectivada como uma unidade auto-suficiente (perfecta communitas) porque se basta a si mesma, como uma entidade suprema que engloba todas as outras comunidades, desde a família à aldeia. Como uma entidade que está acima da família, mas que não que, nem por isso, deixa de estar dependente do bem comum do universo, que está acima da civitas ou regnum.
 
Benarus, Adolfo (1863-1950). Judeu português, açoriano
 
Benda, Julien (1867-1956) Julien Benda falava no facto de se ver "cada paixão política munida de toda uma rede de doutrinas fortemente constituídas onde a única função é a de representar, para todos os pontos de vista, o supremo valor da respectiva acção, e nas quais se projecta decuplicando naturalmente o seu poder passional".
·Le Bergsonisme ou une Philosophie de la Mobilité
1912.
·La Trahison des Clercs
1927
·Esquisse d’une Histoire des Français dans Leur Volonté d’Être une Nation
Paris, Éditions Gallimard, 1932
·Discours à la Nation Européenne
1933. Paris, Éditions Gallimard, 1979
·La Grande Épreuve des Démocraties
Nova York, 1942
 
Bendix, Reinhard Sociólogo político norte-americano. Professor em Berkeley. Chefe da escola funcionalista da chamada sociologia histórica. Considera que a sociologia política  tem por objectivo examinar a forma como a sociedade afecta o Estado e que a política tem de ser algo socialmente definido em relação com o Estado, como único centro legítimo de autoridade. Só desta maneira a sociologia política terá precisão, sob pena de nada ser excluído e de se perderem as linhas directrizes. Pode assim analisar-se o aspecto político, por exemplo, da família ou de uma sociedade anónima, mas referindo-as ao Estado.
·«Political Sociology»
In Current Sociology, vol. VI, n.º 2, pp.79-99, 1957. Com Seymour Martin Lipset.
·Max Weber. An Intellectual Portrait
Londres, Heinemann Books, 1960 [trad. port. Max Weber. Um Perfil Intelectual, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1986].
·Nation-Building and Citizenship. Studies of Our Changing Social Order
Nova York, John Wiley & Sons, 1964.
·Class, Status and Power. Social Stratification in Comparative Perspective
Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1966. Com Seymour Martin Lipset.
·State and Society
Boston, Little, Brown & Co., 1968 [reed., Berkeley, University of California Press, 1973]. Ed.
·Embattled Reason
Nova York, University Press, 1970.
·Scholarship and Partisanship. Essays on Max Weber
Berkeley, University of California Press, 1971. Com G. Roth (org.).
·Kings or People. Power and the Mandate to Rule
Berkeley, University of California Press, 1978.
 
Beneditinos Ordem de S. Bento, fundada em 529, no Montecassino. Em 910 é criada a abadia de Cluny, surgindo os cisterciences. Destes, destacar-se-ão os monges cartuxos. A ordem instala-se no território do que há-de ser Portugal logo em 543, destacando-se a acção dos conventos do Lorvão e de Tibães.
 
Beneficência De bene mais facere, acção que favorece alguém necessitado, ou a precisar de ajuda. De Beneficentia de Séneca
 
Benefício
 
Beneplácito O mesmo que aprovação ou autorização. Destaca-se o chamado beneplácito régio, a autorização concedida pelo rei para que entrem em vigor actos emitidos pelo Papa ou pela cúria romana.
 
Benesse Do lat. bene mais esse, ser.
 
Beneyto, Juan Teórico político espanhol. Especialista na história das ideias políticas. Um dos teóricos do regime franquista
·El Nuevo Estado Español. El régimmine nacional-sindicalista ante la tradición y los sistemas totalitarios
1939.
·Textos Políticos Españoles de la Edad Media
Madrid, Instituto de Estudios Políticos, 1944.
·Introducción a la História de las Doctrinas Políticas. Con un Repertório de Fuentes Directas
Barcelona, Ediciones Bosch, 1947.
·Los Orígenes de la Ciencia Politica en España
Madrid, Instituto de Estudios Politicos, 1949.
·Historia de las Doctrinas Políticas
Madrid, Aguilar, 1964.
·Teologia Política como Teoría Política. Teoria del Estado de Carl Schmitt
Madrid, 1983.
 
Benevides, José Maria Correia de Sá e (1833-1910)´Estuda direito em São Paulo, de cuja faculdade se torna professor de direito romano. Nunca renegando o fundo krausista da sua formação jurídica, e sem deixar de invocar o ecletismo de Victor Cousin, rejeita o positivismo e o evolucionismo, em nome de um catolicismo reaccionário. Será vituperado por Rui Barbosa em 1882, que o considera um dos símbolos da baixa qualidade do ensino superior brasileiro. Invoca Taparelli e Rosmini, ainda considerando que a sociedade e soberania são instituições divinas. Clama contra o liberalismo adiantado ou radical e rejeita a plena emancipação social e política da mulher. Autor de Filosofia Elementar do Direito Público Interno, Temporal e Universal, São Paulo, Barruel e Paupério, 1887.
 
Benès, Edvard (1884-1948) Independentista checoslovaco, companheiro de Tomás Masarik. Ministro dos estrangeiros de Praga em 1919. Participa no I Congresso Pan-Europeu de 1926. Sucede a Masarik na presidência em 1935, mas é obrigado a renunciar em 1938. Passa para o exílio em Londres. Regressa em 1945, como presidente, mas é afastado depois do golpe comunista de Praga de junho de 1948.
 
Bengala ÖBangla Desh
 
Benim Antigo Daomé. Colónia francesa conquistada na última década do século XIX. Independente desde 1960. O território foi visitado pelo navegador português João Afonso de Aveiro em 1484.
 
 
 
Benjamin, Walter (1892-1940) Filósofo e crítico literário alemão. Membro da Escola de Frankfurt. Emigra para França em 1933. Suicida-se em 1940, quando tentava escapar da França ocupada, em direcção a Espanha. Assume-se como um nihilista que pretende destruir a violência do Estado, considerando que, desde Bakunine, a Europa tem falta de uma ideia radical de liberdade. Os surrealistas têm essa ideia. Considera que o nazismo entende a história como Estado de excepção, dado que o Estado de excepção é um conceito limite que se manifesta num caso limite onde a ordem jurídica não assenta numa norma , mas no monopólio da decisão, onde soberano é o que decide num Estado de excepção. Ora acontece que a excepção transformou‑se em regra, o caso limite no caso normal, onde o soberano representa a história. Tem nas suas mãos o acontecimento histórico como se este fosse um ceptro.
·Ursprung des deutschen Trauerspiels
Tese de doutoramento apresentada em 1925 em Frankfurt que não deu ao autor acesso à carreira académica. Apenas publicada em 1928.
·Thesen uber den Begriff der Geschichtliche
Obra escrita em 1939-1940, mas apenas publicada postumamente) (cfr. trad. fr. Mythe et Violence, Paris, Librairie Denoël, 1971).
·Iluminationen
Escritos dispersos publicados em 1961.
 
4Buci-Glucksmann, Christine, «Walter Benjamin», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 67-74.4Gomes, F. Soares, «Walter Benjamin», in Logos, 5, cols. 763-765.
 
 
Bénoist, Alain de Jornalista de ideias francês, nascido em 1943. Militante da chamada nova direita francesa, destaca-se como colaborador dos órgãos doutrinários do movimento, como "Cahiers universitaires", "Europe Action" e "Défense de l'Occident". Em l968 participa na fundação do GRECE (Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne). Chefe de redacção do '"Observateur Européen", da revista "Nouvelle École" (l968-l990), de "Midi-France", crítico literário, de l970 a l982, em "Valeurs actuels", "Spectacles du monde" e "Figaro-Magazine". Director da revista "Krisis", por ele fundada em l988. Critica a despolitização do Estado e retomando o organicismo maurrasiano, assume o regionalismo, em nome da necessidade de se descolonizar a França. Autor de uma importante antologia de ideias que constituiu uma espécie de vademecum anti-esquerdista. A obra foi traduzida em Portugal por uma equipa liderada por José Miguel Júdice
 
Le courage est leur patrie (1965)
Les indo-Européens (1966); Rhodésie, terre des lions (1967)
L'empirisme logique et la philosophie du Cercle de Vienne (1970)
Avec ou sans Dieu (1971)
Histoire de la Gestapo (1971)
Morale et Politique de Nietzsche (1974)
·Les Idées à l'Endroit
Paris, Éditions Hallier, 1979
·Vu de Droite. Anthologie Critique des Idées Contemporaines
Paris, Éditions Copernic, 1977 [trad. port. Nova Direita. Nova Cultura. Antologia Crítica das Ideias Contemporâneas, Lisboa, Fernando Ribeiro de Melo/Edições Afrodite, 1981]
·Geopolítica
trad. port., Lisboa, Edições do Templo, 1978
L'Europe païenne (1979)
Guide pratique des prénoms (1980)
Comment peut-on être païen? (1981)
Fêter Noèl (1982)
Orientation pour des années décisives (1982)
Tradition d'Europe (1983)
La mort (1983)
Démocratie: le problème (1985)
L'eclipse du sacré (1986)
Europe, Tiers monde, même combat (1986)
·Décoloniser en France
Paris, Éditions Robert Lafont, 1987.
Quelle religion pour l'Europe? (1991).
 
Bénoist, Charles Um dos inspiradores da École Libre des Sciences Politiques. Parte da tríade Estado, Soberania, Governo para, em seguida, analisar O Poder Político, findando com a análise dos Órgãos e Funções do Estado.
·La Politique
[1894]
 
Benoist, Jean-Marie Um dos novos-filósofos franceses dos anos sessenta.
·Marx est Mort
Paris, Éditions Gallimard, 1970
·La Révolution Structurale
Paris, Grasset, 1975.
·Tyrannie du Logos
Paris, Éditions de Minuit [trad. port. Tirania do Logos, Porto, Rés Editora, s.d.], 1975.
 
Bénoit, Francis-Paul Considera que o liberalismo é uma filosofia de acção e de homens de acção, distinguindo-se da lei da selva, dado assumir-se como um conjunto de regras.
·La Démocratie Libérale
Paris, Presses Universitaires de France, 1978.
 
Bensaúde, Joaquim (1859-1952). Judeu português, açoriano. Engenheiro. Destaca-se como historiador dos descobrimentos.
 
 
 
 
Bentham, Jeremy (1747-1832) Criador do utilitarismo, forma ética a que chega através da teoria do direito, onde critica os trabalhos de Blackstone, considerando que a lei deve ser socialmente útil e não apenas reflectir o status quo. Nasce em Londres, onde faz a sua formação jurídica. Considera que a lei penal deve ter um justo equilíbrio entre a recompensa e o castigo. Populariza uma frase já usada por Hutcheson e Priestley, the happiness of the great number. Após o encontro com James Mill, em 1808, funda a seita radical dos Benthamites.
·A Fragment on Government
1776. Publ. anónima. Cambridge, Cambridge University Press, 1988.
·Plan for an Universal and Perpetual Peace
Obra escrita entre 1786 e 1789; publ. em 1843.
·Of Laws, in General
1780-1782. Londres, Athlone, 1970.
·Principles of International Law
1843.
Defence of Usury
1787.
·An Introduction to the Principles of Morals and Legislation
Obra escrita em 1780, mas apenas publicada em 1789. Cfr. nova ed., Nova York, Hafner, 1963.
·Discourse on Civil and Penal Legislation
1802.
·A Plea for the Constitution
1803.
·Theory of Punishment and Rewards
1811.
·Treatise on Judicial Evidence
1813.
·Codification Proposal adressed by J. B. To All Nations Professing Liberal Opinions
Londres, 1822.
·The Book of Fallacies
1824.
·Constitutional Code
Publ. parcial em 1830; publ. integral em 1841.
·Deontology or the Science of Morality
1834.
·The Works of Jeremy Bentham
11 vols., Nova York, Russel & Russel, 1962.
 
 
 
 
 
4Denis, Henri, História do Pensamento Económico, trad. port., Livros Horizonte, 1973, pp. 228 ss.. 4Halévy, Élie, La Formation du Radicalisme Philosophique, I - La Jeunesse de Bentham, Paris, 1901.4Santos, Maria Helena Carvalho, “A maior felicidade para o maior número”. Bentham e a Constituição Portuguesa de 1822, Lisboa, 1981. 4Battaglia, Felice, Curso de Filosofia del Derecho, trad. cast. de Francisco Elias Tejada e Pablo Lucas Verdú, Madrid, Reus, 1951,I, pp. 328 segs..4Brito, António José, «Bentham», in Logos, 1, cols. 662-664.4Ebenstein, William, Ebenstein, Alan O., Great Political Thinkers, pp. 594 segs..4Gettell, Raymond G., História das Ideias Políticas, trad. port. de Eduardo Salgueiro, Lisboa, Editorial Inquérito, 1936, pp. 393 segs.. 4Guchet, Yves e Demaldent, Jean-Marie, Histoire des Idées Politiques. Tomo 2 De la Révolution à nos jours, Paris, Armand Colin, 1996, pp. 43 ss.. 4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp. 216-219.4Renaut, Alain, «Bentham», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 74-78. 4Theimer, Walter, História das Ideias Políticas, trad. port., pp. 272 segs..
 
Bentley, Arthur Fisher (1870-1957) Defende que a ciência política seja uma análise dinâmica das instituições públicas, do political process, privilegiando-se o estudo do grupo, dado considerar-se que a política só pode ser real se for entendida como processo. Por outras palavras, que devem estudar-se as instituições públicas tal como elas são, na sua dinâmica, e não as respectivas formas ou normas, que apenas nos dizem o que elas devem ser. Uma posição que se insere na tradição liberal da cultura política norte-americana, não podendo confundir-se com paralelos realismos sociologistas da Europa Ocidental de então. Tinha profundas raízes no federalismo e em todos aqueles que sempre temeram a tirania das maiorias e as respectivas consequências uniformistas.
·The Process of Government. A Study of Social Pressures
Chicago, 1908. Cfr. nov. ed., Cambridge MASS, Harvard University Press, 1967.
·Relativity in Man and Society
Nova York, Putnam, 1926.
 
Bento, São (480-547) Bento de Núrsia, fundador da abadia de Montecassino (529). Estuda em Roma e cria a chamada regra beneditina, marcada pela ascese, pela disciplina e pelo modelo do ora et labora. Considerado o pater Europa. Institui também uma clausura feminina, dirigida pela sua irmã Escolástica. Entre as abadias da rede instituída vai destacar-se a de Cluny em França.
 
Bento XV (1854-1922) Giacomo, Marquês della Chiesa, arcebispo de Bolonha, desde 1903. Eleito em 4 de Setembro de 1914. É considerado um papa político, sendo bem visto pelos franceses, dado ter uma tradição de intransigência face aos austríacos. Emite em 18 de Dezembro de 1919, uma carta dirigida aos prelados portugueses, apoiando expressamente a criação do Centro Católico Português.
 
Benveniste, Emile
·Le Vocabulaire des Institutions Indo-Européennes
2 vols., Paris, Éditions de Minuit, 1969.
·Mythe et Epopée
3 vols., Paris, Éditions Gallimard, 1968, 1971, 1973. Com Georges Dumézil.
 
 
Berdiaev, Nikolai (1874-1948) Autor de língua russa, natural da Ucrânia. De origens marxistas, é afastado da Rússia depois da revolução de 1917. Instala-se em França depois de 1925, sendo um dos introdutores do existencialismo e o inspirador do personalismo. Em Les Origines et le Sens du Communisme Russe, de 1935, salienta que a alma russa aspira à integridade, não se contenta com a divisão de tudo em categorias, aspira ao absoluto e quer tudo submeter ao absoluto. Porque a formação religiosa do povo russo marcou-lhe traços muito particulares: ascetismo, dogmatismo, faculdade de suportar o sofrimento e o sacrifício em nome de uma fé seja qual for, enfim, o gosto do transcendente, que ora se exprime na crença da eternidade do outro mundo, ora num futuro realizado neste mundo. Salienta também que a religião e a nacionalidade desenvolveram-se juntas no reino moscovita, como ocorreu na consciência do antigo povo hebreu. E do mesmo modo como a consciência messiânica era um atributo do judaísmo, foi também um atributo da ortodoxia russa.
·A Nova Consciência Religiosa e a Sociedade
1907.
·Une Nouvelle Moyen Age
Obra escrita em 1924, mas apenas publicada em 1927.
·Le Christianisme et la Lutte des Classes
Paris, Éditions Demain, 1932.
·Les Sources et le Sens du Communisme Russe
1935. Obra escrita em russo no ano de 1935 e publicada em francês em 1938, Paris, Gallimard.
·La Destination de l'Homme
1935.
·Cinq Méditations sur l'Existence
Paris, Aubier, 1936.
·Dialectique Existencielle du Divin et de l'Humain
1947.
·De l'Esprit Bourgeois
Neuchâtel, Delachaux et Niestlé, 1949.
·Vérité et Révélation
1954
 
 
 
Beresford, William Carr (1768-1854) Oficial inglês. Comandante chefe do exército português de 1816 a 1820. Feito duque de Elvas.
 
Berger, Gaston Filósofo francês, introdutor da fenomenologia e do pensamento de Husserl. Professor en Aix-en-Provence. Criador da prospectiva. Foi director-geral do ensino superior.
·Refléxions sur les Conditions de la Connaissance
1941.
·Le Cogito dans la Philosophie de Husserl
1941.
·Phénoménologie du Temps et Prospective
Em quatro tomos, I La Méthode Phénoménologique; II La Situation de l'Homme; III Phénoménologie du Temps; IV La Prospective, Paris, PUF, 1964.
·Étapes de la Prospective
Paris, 1967.
 
Berger, Peter L.
·The Capitalistic Revolution
Nova Iorque, Basic Books, 1986.
·The Capitalist Spirit. Toward a Religious Ethic of Wealth Creation
San Francisco, Institute for Contemporary Studies, 1990.
 
Bergeron, Gérard
·Fonctionnement de l’État
Paris, Librairie Armand Colin, 1965.
·La Gouverne Politique
Paris, Éditions Mouton, 1977.
·Petit Traité de l’État
Paris, Presses Universitaires de France, 1990.
 
 
 Bergson, Henri-Louis (1859-1941) Professor da Escola Normal Superior, desde 1897, e do Collège de France, de 1900 a 1914, depois de leccionar nos liceus. Passa para vida diplomática, de 1912 a 1918. Prémio Nobel da literatura em 1927.
 
Adopta uma clara posição contra o materialismo mecanicista e o determinismo teleológico,dado que enquanto para o primeiro o organismo é uma máquina determinada por leis calculáveis,já para o segundo existe um plano acabado do mundo.Pelo contrário,Bergson considera que o órgão vivo é a expressão complexa de uma função viva de um élan vital. Entre plantas e animais existe a diferença dos primeiros terem consciência;entre os animais,se uns se determinam pelo instinto,já o homem é inteligência mais intuição. Intuição ou instinto reflectindo sobre si mesmo,o domínio da vida e da consciëncia que dura. Para Bergson "um objecto que existe é um objecto que se percebe ou se pode perceber,o qual,por isso,nos é dado numa experiência real ou possível".Considera, além disso, que o real não é o ser estável,mas o puro devir,onde a intuição,essa "simpatia devinatória","essa espécie de simpatia intelectual que nos transporta ao interior do objecto para coincidir com o que há de único e, por conseguinte , de inexprimível nele", descobre a explicação universal das coisas. Só a actividade vital,isto é, o devir, o tempo, a vida, a consciëncia,é que é a única realidade. Se o conhecimento simbólico por meio de conceitos preexistentes, que vai do fixo ao movente, é relativo;já o conhecimento intuitivo instala‑se no movente e adopta a própria vida das coisas. Neste sentido, Bergson reconhece que a política precisa de um "suplemento de alma" face ao desenvolvimento mecanicista e tecnicista da sociedade moderna que tornou a alma muito pequena.E encontra‑o no bon sens,considerado como "um acordo íntimo entre as exigências do pensamento e da acção",algo de semelhante à recta ratio dos estóicos e à reasonableness de Locke. Posição similar fora assumida por Henri Bergson,para quem "temos uma família,exercemos um ofício ou uma profissão;pertencemos à nossa comuna,ao nosso 'arrondissement' e ao nosso 'département';e aí,onde a inserção do grupo na sociedade é perfeita basta‑nos com rigor cumprir as nossas obrigações para com o grupo para cumprirmos o nosso dever para com a sociedade.a sociedade ocupa a periferia;o individuo está no centro.do centro à periferia estão dispostos,como que em círculos concêntricos cada vez maiores,os diversos agrupamentos a que o indivíduo pertence.Da periferia para o centro,à medida que o círculo se restringe,as obrigações acrescem e o indivíduo encontra‑se finalmente perante o seu conjunto". É neste sentido que compara filosoficamente a sociedade a um organismo "cujas células,unidas por laços invisíveis,se subordinam ums aos outros numa hierarquia sábia e se submetem naturalmente para o maior bem do todo,a uma disciplina que poderá exigir o sacrificio da parte", Surge ,assim,o eterno problema da "sociedade não poder subsistir se não subordina o indivíduo,nem poder progredir se o não deixa actuar". bergsonianao de "elevar o criador animal e individual a criatura espiritual".
·Essai sur les Données Immediates de la Conscience
Paris, 1889. Dissertação de doutoramento (Paris, PUF, 1939).
·Matière et Mémoire
1896. (Paris, PUF, 1945).
·L'Évolution Créatrice
1907. (Paris, PUF, 1945).
·L’ Énérgie Spirituelle
1919.
·Les Deux Sources de la Morale et de la Réligion
1932. (Paris, PUF; 1945).
·La Pensée et le Mouvant
Paris, 1933.
 
Beria, Lavrenti Pavlovitch (1899-1953) Destaca-se como chefe da Tcheka georgiana. Chamado a Moscovo em 1938 pelo seu conterrâneo Estaline, vai ser o controlador da repressão na fase mais sanguinária do totalitarismo estalinista.
 
 
Berlin, Isaiah (n.1909) Professor em Oxford de Social and Political Theory de 1957 a 1967. Antes, exerce funções diplomáticas em Washington e Moscovo.
·Karl Marx. His Life and Environment
1939. Ver nova ed., Nova Iorque, Oxford University Press, 1968.
·Historical Inevitability
1954.
·Two Concepts of Liberty
1958.
·”Does Political Theory still exist?”
In Philosophy, Politics and Society, série II, org. de P. Laslett e W. G. Runciman, Oxford, Blackwell, 1964.
·Four Essays on Liberty
Londres, Oxford University Press, 1969. Inclui a obra anterior.
 
Berlinguer, Enrico (n.1922) Comunista italiano. Membro do PCI desde 1944, foi secretário-geral das respectivas juventudes, antes de ascender à direcção, da qual se torna secretário-geral desde Março de 1972. Defensor do chamado eurocomunismo, lança também a ideia do compromisso histórico. O PCI depois de obter 33,4% em 1971, apoiou parlamentarmente um governo liderado pela DCI em 1978.
 
Berlim Foi em 1486 que os eleitores Hohenzollern transformaram a cidade em capital do Brandeburgo. Conquistada pelos soviéticos entre 22 de Abril e 2 de Maio de 1945, eis que, depois da conferência de Potsdam, foi dividida pelos aliados em quatro sectores de ocupação, sob a autoridade suprema de uma Komandatura. Em 1949, na sequência do Bloqueio, os sectores ocupados pelos ocidentais tornam-se num land da RFA, enquanto a restante cidade passa a integrar a RDA, cuja capital estacionava em Pankow, nos arredores da cidade. Em 1961, a cidade foi dividida pelo célebre muro de Berlim, derrubado em 1989
 
Berloques Alcunha atribuída a Palmela. O mesmo que escamoteaor ou intrujão, porque usa as artes do berliques e berloques (do pequeno enfeite).
 
Bermudas Arquipélago das Antilhas. Dependência britânica que em 1946 foi arrendada aos Estados Unidos da América por um período de 99 anos.
 
Berna Cantão suiço desde 1353
 
Bernardo, São (1091-1153) Bernard de Claivaux. Canonizado em 1173. Funda em 1115 nova ordem na abadia de Clairvaux ou Claraval, dos cisterciences. Adversário de Pedro Abelardo, leva a que as teses deste sejam oficialmente condenadas em 1121 e 1140. Influencia o reconhecimento da Ordem dos Templários em 1128. Inspira a chamada segunda Cruzada de 1146.
 
Bernardes, Padre Manuel (1644-1710). Um dos autores clássicos da literatura portuguesa. Oratoriano.
 
Bernadotte, Jean-Baptiste Jules (1763-1844)  Marechal de França. Com o nome de Carlos XIV, torna-se rei da Suécia de 1818 a 1844.
 
Bernanos, Georges (1888-1948) Começa como militante da Action Française. Muda de posição durante a guerra civil de Espanha. Refugia-se desde 1938 no Paraguai e no Brasil, onde tem uma frustrada aventura de empresário agrícola. Apoia De Gaulle desde Junho de 1940. Regressa a França depois de 1945. Considera que o Estado totalitário é menos menos uma causa do que um sintoma. Não é ele que destrói a liberdade, pois organiza-se sobre as suas ruínas.
·La Grande Peur des Bien-Pensants
1931
·Journal d'un Curé de Campagne
1936
·Les Grands Cemitières sous la Lune
1938. Sobre a guerra civil de Espanha.
·Scandale de la Vérité
1939
·Lettre aux Anglais
De 1942. Paris, Éditions Gallimard, 1946
·Le Chemins de la Croix des Âmes
Paris, Éditions Gallimard, 1948
·Français, si vous saviez
Paris, Éditions Gallimard, 1961.
 
Bernstein, Eduard (1850-1932) Judeu alemão. Jornalista, membro do SPD desde 1871, cabendo-lhe a direcção do jornal do partido, Der Sozialdemokrat, de 1881 a 1890. Começa como amigo e companheiro ideológico de Engels. Exilado na Grã-Bretanha, de 1880 a 1901, é, depois, influenciado pelos fabianos e pela moral de Kant, lançando um processo dito de revisionismo. Afasta-se então da dialéctica hegeliana, assumindo um subsolo filosófico empirista e positivista. É um dos adversários de Bebel, líder do SPD, opondo-se também à ala esquerda de Rosa Luxemburg. Tem uma importante polémica com Kautsky, então um marxista ortodoxo, o qual considerava que o capitalismo se estava a estabilizar com a criação de monopólios e cartéis. Deputado em 1902-1906, 1912-1918 e 1920-1928. Abandona o SPD duarante a Grande Guerra, por se opor à participação no conflito. Iniciador do chamado revisionismo em nome do humanismo, invocando Kant em vez de Hegel. Critica os fundamentos materialistas e dialécticos de Marx. A consciência do homem não pode ser subordinada à matéria, sendo a fonte do conhecimento e da vontade. Se o homem desenvolver o conhecimento pode mudar o processo histórico: a necessidade só é cega na medida em que não é compreendida. Importa também reabilitar a moral, essa potência capaz de acção criadora. Bernstein assume assim um socialismo humanista (Châtelet) que está na base da social-democracia contemporânea. A tradução portuguesa de Bernstein em 1976 levou a que o mesmo fosse invocado oportunisticamente por alguns membros do PPD, como forma de réplica ao marxismo ortodoxo do PCP e como tentativa de combater a social-democracia do PS.
·Die Voraussetzungen des Sozialismus und die Aufgaben der Sozialdemokratie
1899. Baseia-se numa série de artigos publicados em Die Neue Zeit, de 1896 a 1898. 1ª trad. fr. Socialisme Théorique et Social-Démocratie Pratique, Paris, Éditions Stock, 1903; cfr. trad. port. de Álvaro de Figueiredo e Maria Cecília Colaço, Os Pressupostos do Socialismo e as Tarefas da Social Democracia, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1976). A tradução brasileira parcial tem o título Socialismo Evolucionário, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1964.
 
4Amaral, Diogo Freitas, Ciência Política, III, pp. 107 segs..4Châtelet, François / Pisier-Kouchner, Evelyne, Les Conceptions Politiques du XXème Siècle. Histoire de la Pensée Politique, Paris, Presses Universitaires de France, 1981, pp. 270-274, 301-302 e 460-462.4Costa, D. Monteiro, «Eduard Bernstein», in Logos, 5, col. 766.4Theimer, Walter, História das Ideias Políticas, trad. port., pp. 386 segs..
 
 
Bertalanffy, Ludwig von (1901-1972) Biólogo, amigo de Hayek. Nasce em Viena, onde vai ser director do Instituto de Estudos Biológicos, e instala-se nos Estados Unidos a partir de 1949. Visa a criação de uma teoria dos sistemas gerais, defensora de um movimento de unificação da ciência, criticando‑se a redução da comunicação entre os vários campos de investigação, que conduzia a uma duplicação de esforços, e defendendo‑se a necessidade de cada disciplina ter uma teoria geral e abstracta para integrar o conhecimento adquirido noutras disciplinas. Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1956, chega mesmo a fundar‑se uma Sociedade para o Desenvolvimento da Integração dos Sistemas Gerais, editora da revista General Systems. Considera que a vida é uma luta contra a entropia, através da informação. No mundo físico existe um sistema fechado, dado que não recebem informação do ambiente, a não ser quanto ao impulso inicial, pelo que há uma tendência para a desordem e para o caos. Nos fenómenos vitais e sociais, há sistemas abertos, marcados pela complexidade crescente.
·«General Systems Theory. Foundations, Developments, Applications»
In General Systems, vol. I, 1956 [reed., Nova York, Brazillier, 1968; trad. fr. Théorie Générale des Systèmes, Paris, Librairie Dunod, 1973].
 
BERTEN, A. e LENOBLE, JACQUES
Dire la Norme. Droit, Politique er Énonciations, Paris, LGDJ, 1990. Com Jacques Lenoble
 
Bertrand Editora portuguesa. Originária de livreiros franceses aqui estabelecidos desde 1732.
 
Bertrand, Relatório (1975) Parlamento Europeu adopta o relatório Bertrand sobre a União Europeia; poderes orçamentais para o Parlamento Europeu; criação de um centro de decisão europeu, independente dos governos nacionais e responsável perante o parlamento; criação de uma Câmara dos Estados; apoio dos conservadores, democratas-cristãos e socialistas, com abstenção dos trabalhistas e dos liberais dinamarqueses; voto contra dos comunistas (10 de Julho)
1Besançon, Alain Marxismo,30,194,93,623 As Origens Intelectuais do Leninismo [ed. orig. 1977], trad. port., Lisboa, Via Editora, 1979.
 
Bessa, António Marques Professor do ISCSP. Especialista em teoria das elites. Militante doutrinário da nova direita, é fundador do grupo da revista Futuro Presente.
·Ensaio sobre o Fim da nossa Idade
Lisboa, Edições do Templo, 1978.
·Introdução à Etologia. A nova imagem do Homem
Lisboa, Edições do Templo, 1978.
· Introdução à Política
Lisboa, Edições do Templo, 1978. Com Jaime Nogueira Pinto.
·Dicionário Político do Ocidente
Lisboa, Intervenção, 1979.
·Quem Governa? Uma análise histórico-política do tema da Elite
Dissertação de doutoramento. Lisboa, ISCSP, 1993.
·A Arte de Governar
Lisboa, ISCSP, 1996.
 
Bessa, Henrique Forbes Ministro do Interior de Sidónio Pais, de 7 de Março a 15 de Maio de 1918. A partir desta data, até 7 de Janeiro de 1919, fica com a pasta do trabalho, substituindo Machado Santos, que manteve depois da morte de Sidónio, no governo de Tamagnini Barbosa. Era então cadete na Escola de Guerra e estudante no Instituto Superior Técnico.
 
Bessarábia O território esteve integrado no império otomano desde os finais do século XV; pelo tratado de Bucareste de 1812 passou para a Rússia, mas em 1856, pelo Tratado de Paris, a região sul foi reunida à Moldávia, dependente dos turcos; em 1878, voltou à Rússia; em 1918, a Roménia anexou a região; em 1940 teve de a ceder a região à URSS, mas reconquistou-a, com a ajuda dos alemães, entre 1941 e 1944; em 1947 a Bessarábia foi incluída na URSS, passando grande parte do território a constituir a Moldávia, enquanto a parte sul foi integrada na Ucrânia.
 
Bettencourt, Manuel Ortins Torres de. N. 1892 Ministro da marinha 1936-1944.
 
Emilio Betti (1890- 1968)
Le categorie civilistiche dell'interpretazione (1948)
Interpretazione della legge e degli atti giuridici (1949)
Fondazione di una teoria generale dell'interpretazione (1954)
Teoria generale dell'interpretazione (voll., 1955)
L'ermeneutica come metodica generale delle scienze dello spirito (1962)
 
Between Past and Future (1954) Obra de Hannah Arendt subtitulada Eight Exercises on Political Thought, com edição definitiva de 1968. Reúne oito ensaios: a tradição e a época moderna; o conceito de história, antiga e moderna; autoridade; liberdade; crise na educação; crise na cultura; verdade e política; a conquista do espaço e a estatura humana. Defende o conceito grego de compreensão que não é compreender um ao outro como pessoas individuais, mas a olhar sobre o mesmo mundo do ponto de vista do outro, a ver o mesmo em aspectos bem diversos e frequentemente opostos. Analisa o declínio da trindade romana da religião, tradição e autoridade, salientando a semelhança entre Maquiavel e Robespierre. Considera que a razão de ser da política é a liberdade. Critica a ideia de soberania, porque se os homens desejam ser livres é precisamente à soberania que devem renunciar. [trad. fr. La Crise de la Culture, Paris, Éditions Gallimard, 1972; trad. port. Entre passado e futuro, São Paulo, Editora Perspectiva, 1972, com prefácio de Celso Lafer].
 
 
Bevan, Aneurin (1897-1960) Político trabalhista britânico; ministro da saúde e da reconstrução a partir de 1945, até 1951, períodod durante o qual é criado o serviço nacional de saúde britânico. Assume, a partir de então, a defesa do neutralismo, contra o atlantismo do líder do seu partido, Attlee. O seu nome está ligado a um importante incidente ocorrido durante o salazarismo depois das eleições presidenciais de 1958, quando os elementos da oposição que o o convidam para visitar Portugal são presos.
 
Beveridge, William Henry, 1º barão de (1879-1963) Político britânico. Influenciado pelos fabianos, nomeadamente pelo casal Webb, com quem começa a investigar. Começa como membro de civil service até 1919. Director da London School of Economics  de 1919 a 1937. Passa a professor em Oxford. Regressa ao civil service  em 1940, assumindo a chefia do Committee on Social Insurance. Elabora então o Report on Social Insurance and Allied Services, de 1942, o célebre Beveridge Report. Inspirador dos modelos de Welfare State desencadeados pelos governos trabalhistas a partir de 1945. Considera que há cinco mal gigantescos na sociedade: a escassez, a doença, a ignorância, a miséria e a ociosidade.
·Unemployment. A Problem of Industry
1909.
·Insurance for All
1924.
·British Food Control
1928.
·Planning Under Socialism
1936.
·Social Insurance and Allied Services
Londres, HMSO, 1942. Cfr. a trad. port. De Armando Marques Guedes, O Plano Beveridge, Lisboa, Editorial O Século, s.d.
·Full Employment in a Free Society
Londres, Allen & Unwin, 1944.
·The Pillars of Security
Londres, Allen & Unwin, 1943.
·Power and Influence
1953.
·Defence of Free Learning
1959.
 
Beveridge, Plano Visando libertar o homem da necessidade, institui um modelo de segurança no rendimento, contra todo o risco que ameace o rendimento regular dos indivíduos, nomeadamente doença, acidentes de trabalho, morte, velhice, maternidade e desemprego. Surge, a partir de então, o modelo estadual de apoio à família, à assitência na doença e ao controlo do desemprego. Um sistema generalizado (abrange toda a população), unificado e simples (quotização única), uniforme (prestações uniformes, seja qual for o rendimento) e centralizado (um serviço público único).
 
Beviláqua, Clóvis (1859-1944) Nasce no Ceará e forma-se em direito no Recife. Aluno de Tobias Barreto e professor na Faculdade de Direito do Recife, donde sai para se tornar assessor do Ministério das Relações Exteriores. Considera que o Estado constitui-se pela armação do mecanismo externo no poder público e pelo delineamento dos princípios que têm de regular a acção e determinar a amplitude do mesmo. Estes princípios são o direito. Já o poder políticos é a força colectiva das sociedades, tendo por atribuição fixar e aplicar o direito sugerido pelas necessidades sociais, imposto pelo conflito de interesses, devendo proteger o direito, mas o direito limita o poder. Identifica a nação com a sociedade, considerada como o poder vital, como alguma coisa superior ao Estado, uma criação social, uma criação de instintos naturais, de necessidades ineludíveis e tem por fim a cooperação. O Estado é uma criação social, não é um organismo, como a sociedade, mas um meio, é o mecanismo. Neste sentido, cita Proudhon, para quem o Estado é uma roda do carro da humanidade que faz tanto barulho.
·A Filosofia Positiva no Brasil
1883.
·Épocas e Individualidades
1889.
·Criminologia e Direito
Baía, Fonseca Magalhães, 1896.
·Criminologia e Direito
Baía, Fonseca Magalhães, 1897.
·Esboços e Fragmentos
Rio de Janeiro, Laemmert & Ca, 1899.
·Estudos de Direito e Economia Política
Rio de Janeiro, Garnier, 1902, 2ª ed..
·Literatura e Direito
1904.
·História da Faculdade de Direito do Recife
Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 1927.
 
Bevin, Ernest (1881-1951) Político trabalhista britânico; presidente dos Trade Unions a partir de 1937, quando se opôs ao pacifismo; assume a partir de 1940 a pasta do trabalho no gabinete de Churchill; ministro dos estrangeiros britânicos depois de 1945, no gabinete trabalhista; nestas funções, assina o Tratado de Bruxelas de 1948 e o Tratado do Atlântico Norte, de 1949, cabendo-lhe também recusar a integração no Plano Schuman, de 1950.
 
Beyme, Klaus von
·Die parlamentaischen Regierungssystem
Munique, Piper Verlag, 1970.
·Theory and Politics
Haia, Martinus Nijhoff, 1971.
·Politische Theorien der Gegenwart. Eine Einführung
Munique, 1974 [trad. cast. Teorias Políticas Contemporaneas. Una Introducción, Madrid, Instituto de Estudios Politicos, 1977].
·Los Partidos Políticos en las Democracías Occidentales
[ed. orig. 1982], Madrid, Centro de Investigaciones Sociologicas, 1986.
·Teorias Politicas Contemporaneas. Introducción
[ed. orig. 1974], trad. cast., Madrid, Instituto de Estudios Politicos, 1977.
·Das politischen System der Bundesrepublik Deutschland
Munique, Piper Verlag, 1987.
 
Beyen, Wilhelm Ministro dos estrangeiros da Holanda, subscritor do Tratado de Roma
 
 
Beza, Theodor (1519-1605) Francês. Convertido ao protestantismo em 1548. Adjunto de Calvino em Genebra. Converte o rei de Navarra, Antoine de Bourbon.
·De jure magistratum in subditos et officio subditorum erga magistratus
Magdeburgo, 1578. Ed. anónima
 
Bezerra, João Paulo Ministro da fazenda e interino da guerra e dos negócios estrangeiros do governo de D. João VI, no Rio de Janeiro, entre 21 de Junho de 1817 e 29 de Novembro de 1817, data em que faleceu. Sucedeu ao conde da Barca. Neste período, o outro ministro junto de D. João VI era apenas Tomás António de Vila Nova Portugal.