Respublica Repertório Português de Ciência Política
 

© José Adelino Maltez. Última revisão em: 12-02-2009

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Total: B/Bo

Lista de artigos

Artigos em grosso

Boa Sociedade
Boas, Franz 1858-1942

Boaz, David
Bobbio, Norberto (n. 1909)

Bocage, Carlos Roma du (1850-1918)
Bocage, José Vicente Barbosa Du (1823-1907)

Boccalini, Traiano

Bodin, Jean 

Boehme, Jacob

Boehmer, Johann Friedrich
Boehmer, Justus HenningBoémia Boétie, Étienne de la Boff, Leonardo
Bogdanor, Vernon

Bohr, Niels 1885-1962 

Bohm-Bawerk, Eugen 1851-1914 

Boicote
Bolchevismo
Bolívar, Simon (1783-1830)

Bolívia

Bolonha
Bomba

Bombarda, Miguel (1851-1910)
Bombismo

Bon sens

Bon, Gustave Le (1841-1931) P

Bonald, Louis (1754-1840)

Bonança, João 

Bonante, Luigi,

Bonapartismo A perspectiva de Evola

Bonavides, Paulo
Bonfim, 1º Conde do

Bonnard, Abel

Bonum honestum
Bonzos

Borboleta, Efeito

Bordalo Pinheiro, Rafael

Borges, António França (1871-1915)

Borges, António França n. 1901

Borges, José Ferreira 1786-1838
Borges, Vasco
Borges & Irmão , Grupo

Bórgia, César
Borgonha
Bosanquet, Bernard
Bósnia-Herzegovina 

Boss

Bossa, José Silvestre Ferreira (n. 1894) 

Bossuet, Jacques Bénigne (1607-1704)

Botelho, Abel

Botelho Mourão e vasconcelos, José Luís de Sousa (1758-1825) Vila Real
Botelho, José Nicolau Raposo

Botero, Giovanni (1540-1617) Bottomore, Tom B.
Boudon, Raymond (n. 1934)
Bouglé, Célestin Boulainvilliers, Conde Henri de Boulangismo
Boulding, Kenneth E.
Bourdieu, Pierre (n. 1930)
Bourgeois, Épater le

Bourgeois, Léon

Bourmont, Conde de 

Bourricaud, François-Michel
 

 

 

Bouthoul, Gaston (1896-1980) 

Boutmy, Émile 

Boutroux, Émile (1845-1921)
Boxers
 

Boa Sociedade A procura da cidade melhor (Kallipolis), da boa sociedade ou do melhor regime. Não há dúvida que a remota origem do estudo da política no ocidente europeu radica na filosofia, principalmente na procura da cidade melhor (Kallipolis), da boa sociedade ou do melhor regime, quando a política era entendida como uma ciência arquitectónica que incluía no seu seio a religião e o direito.
Impõe-se o político, a procura da boa sociedade, a procura do justo. A procura da justiça, não apenas como justiça comutativa, mas a justiça nas suas perspectivas ascendente e descendente, a justiça social ou geral e a justiça distributiva. Deste modo se procede a um constante diálogo com a filosofia política, com a procura da melhor forma de governo ou da boa sociedade; com a pesquisa àcerca do fundamento do Estado e da obrigação política; com a investigação sobre a natureza das coisas políticas; com a procura da politicidade; com o tratamento das relações entre a política e a moral; e com a própria análise da linguagem política. Não há dúvida que a remota origem do estudo da política no ocidente europeu radica na filosofia, principalmente na procura da cidade melhor (Kallipolis), da boa sociedade ou do melhor regime, quando a política era entendida como uma ciência arquitectónica que incluía no seu seio a religião e o
 
 
Boas, Franz 1858-1942 Antropólogo norte-americano, mestre de Gilberto Freyre. Advoga o relativismo cultural. Considera que é o ambiente físico e social que condiciona o potencial genético herdado pelo homem
 
Boaz, David
Libertarianism
Nova Iorque, Free Press, 1997
The Libertarian Reader. From Lao-Tzu to Milton Friedman
Nova Iorque, Free Press, 1997.
 
 Bobbio, Norberto (n. 1909) Um dos mais representativos politólogos italianos. Começa por ensinar filosofia do direito em Camerino (1935-38), Siena (1938-40), Pádua (1940-48), Torino (1948-72) e, depois, Filosofia Política, em Torino, de 1972 a 1979. Senador em 1984, nomeado por Sandro Pertini. Director da Rivista di filosofia juntamente com Nicola Abbagnano. De formação jurídica, começa por um estrito neopositivismo. Daí considerar que a ciência política tem de consistir no estudo dos fenómenos e estruturas políticas, conduzido com sistematicidade e com rigor, apoiado num amplo e agudo exame dos factos e exposto com argumentos racionais, especialmente pela aplicação à análise do fenómeno político da metodologia das ciências empíricas. Tem uma efectiva ligação ao marxismo, mas logo o abandona, mantendo-se na crista da onda do pensamento dominante. Assume-se como um neo-iluminista, defendendo o racionalismo metodológico como garantia de rigor e de empenho. Apesar destas clássicas posições de esquerda, influenciou a geração portuguesa da nova direita que marcou a enciclopédia Polis, sendo particularmente citado por Jaime Nogueira Pinto e António Marques Bessa. Mais tarde, é invocado por autores socialistas, nomeadamente por Guilherme d’Oliveira Martins.
L'indirizzo fenomenologico nella filosofia sociale e giuridica (1934)
Introduzione alla Filosofia del Diritto
Turim, Giappichelli, 1948
Teoria della Scienza Giuridica
Turim, Giappichelli, 1950
· Politica e Cultura
Turim, Edizioni Einaudi, 1955.
Teoria della norma giuridica (1958)
Teoria dell'ordinamento giuridico (1960)
·«La Teoria della Classe Politica negli Scrittori Democratici in Italia»
In Treves, R., ed., L’Elite Politiche, Bari, Edizioni Laterza, 1961.
·Locke e il Diritto Naturale
Turim, 1963.
·Saggi sulla Scienza Politica in Italia
Bari, Edizioni Laterza, 1969.
·«Considerazioni sulla Filosofia Politica»
In Rivista Italiana di Scienza Politica, n.º 1, pp. 367-379, 1971.
·«Dei Possibili Rapporti tra Filosofia Politica e Scienza Politica»
In Tradizione e Novitá della Filosofia della Politica, Bari, Edizioni Laterza, 1971.
·Giusnaturalismo e Positivismo Giuridico
Milão, Edizioni di Comunità, 1972.
·On Mosca and Pareto
Genebra, Éditions Droz, 1972.
·Pareto e il Sistema Sociale
Florença, Sansoni, 1973.
·Il Marxismo e lo Stato
Turim, 1976.
·La Teoria delle Forme di Governo nella Storia del Pensiero Politico
Turim, Giappichelli, 1975-1976 [trad. port. A Teoria das Formas de Governo, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1980].
·Dicionário de Política
[ed. orig. Turim, UTET, 1976], trad. port., Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1986. Com Matteucci, Nicola, Pasquino, Gianfranco, eds.,
Dalla struttura alla funzione (1977)
·Societá e Statto nella Filosofia Politica Moderna,
Milão, Il Saggiatore, 1979. Com M. Bovero.
·Il Problema della Guerra e le Vie della Pace
Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1979.
·Contratto Sociale Oggi
Nápoles, Guida, 1980.
·«La Democrazia e il Potere Invisibile»
In Rivista Italiana di Scienza Politica, n.º 10, pp. 181-203, 1980.
·Democrazia, Maggioranza e Minoranze
Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1981. Com Claus Offe e S. Lombardini.
·La Ideologia e il Potere in Crisi
Florença, 1981.
·Il Futuro della Democrazia
Turim, Edizioni Einaudi, 1984 [trad. port. O Futuro da Democracia, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1988].
·Direito e Estado no Pensamento de Emanuel Kant
Trad. port., Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1984.
·Crisis de la Democracia
Barcelona, Ediciones Ariel, 1985. Com alii.
·Liberalismo e Democracia
Trad. port., Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1988.
·Thomas Hobbes and the Natural Law Tradition
Chicago, The University of Chicago Press, 1993.
·Destra e Sinistra. Ragioni di una Distinzione Politica
Roma, Donzelli, 1994 [trad. port. Direita e Esquerda. Razões e Significados de uma Distinção Política, Lisboa, Editorial Presença, 1995].
L'età dei diritti (1990)
·Teoria Generalle della Politica
Turim, Einaudi, 1999. Ed. de Michelangelo Bovero.
 
L'indirizzo fenomenologico nella filosofia sociale e giuridica, Torino, 1934; Scienza e tecnica del diritto, Torino, 1934; L'analogia nella logica del diritto, Torino, 1938; La consuetudine come fatto normativo, Padova, 1942; La filosofia del decadentismo, Torino, 1945; Teoria della scienza giuridica, Torino, 1950; Politica e cultura, Torino, 1955; Studi sulla teoria generale del diritto, Torino, 1955; Teoria della norma giuridica, Torino, 1958; Teoria dell'ordinamento giuridico, Torino, 1960; Il positivismo giuridico, Torino, 1961; Locke e il diritto naturale, Torino, 1963; Italia civile, Torino, 1964; Giusnaturalismo e positivismo giuridico, Milano, 1965; Da Hobbes a Marx, Napoli, 1965; Profilo ideologico del Novecento italiano, Torino, 1960, 1990 (nuova ed.); Saggi sulla scienza politica in Italia, Torino, 1969; Diritto e Stato nel pensiero di E. Kant, Torino, 1969; Una filosofia militante: studi su Carlo Cattaneo, Torino, 1971; Quale socialismo, Torino, 1977; I problemi della guerra e le vie della pace, Bologna, 1979; Studi hegeliani, Torino, 1981; Il futuro della democrazia, Torino, 1984; Maestri e compagni, Firenze, 1984; Il terzo assente, Torino, 1988; Thomas Hobbes, Torino, 1989; L'età dei diritti, Torino, 1989; Destra e sinistra, Roma, 1994.
 
Bocage, Carlos Roma du (1850-1918) Cronista de política internacional do Diário de Notícias, 1906-1907. Historiador diplomático. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Wenceslau de Lima, entre 14 de Maio e 22 de Dezembro de 1909. Candidato derrotado à presidência da Sociedade de Geografia de Lisboa, quando venceu o republicano Consiglieri Pedroso. Autor de Primeiras Embaixadas de El-Rei D. João IV, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1918.
 
Bocage, José Vicente Barbosa Du (1823-1907) Maçon. Bacharel em medicina.(1846). Zoólogo. Combate na Patuleia. Lente da Politécnica desde 1849, onde organiza o museu de zoologia. Membro do partido regenerador. Deputado em 1879. Par do reino desde 1881. Ministro da marinha e ultramar de 30 de Janeiro a 24 de Outubro de 1883, data em que assume a pasta dos negócios estrangeiros até 20 de Fevereiro de 1886, num governo de Fontes. Ministro dos negócios estrangeiros de João Crisóstomo de 14 de Outubro de 1890 a 25 de Maio de 1891. Presidente e co-fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa. Faleceu em 3 de Novembro de 1907.
 
 
Boccalini, Traiano (1556-1613) Funcionário do Papa, de 1584 a 1612, contemporâneo de Botero, é, ao contrário deste, adversário dos interesses espanhóis. Acaba por servir e admirar a república aristocrática de Veneza. Teórico da razão de Estado, trata da matéria de forma satírica. Considera a razão de Estado como uma lei útil aos Estados, mas contrária em tudo à lei de Deus e dos homens. Se ela, por um lado, merece repulsa, face à necessidade de se sofrer a hipocrisia, eis que, por outro, é inevitável, impondo a resignação dos que a sofrem. Comenta a obra de Tácito, salientando a arte e a sagacidade dos homens de Estado. Considera que o interesse é o verdadeiro tirano da alma dos tiranos e até dos príncipes que não são tiranos. Admite a hipótese do assassinato político, chegando a criticar a brandura de Carlos VI, por não ter mandado queimar Lutero. Proclama, contudo, que a verdadeira pátria do homem é a cidade livre. Neste sentido, convida os príncipes a governarem com justiça e doçura.
·Ragguagli di Parnaso
2 vols., Veneza, 1612-1613.
·La Pietra del Paragone Politico
Veneza, 1615.
·La Bilancia Politica di tutte le opere de Traiano Boccalini
Em três tomos, publicados postumamente por Du May, em 1677. Comentário à obra de Tácito.
·Commentari sopra Cornelio Tacito
1677
·Religione e Ragione di Stato
Obra apenas publicada em 1933.
 
4Meinecke, Friedrich, L'Idée de la Raison d'État dans l'Histoire des Temps Modernes, Genebra, Droz, 1973, pp. 70-75.
 
 
Bodin, Jean (1530-1596) Nasceu em Angers em 1530, filho de artesão e, por parte da mãe, de origens judaicas. Depois de estudar direito na Universidade de Toulouse, onde chega a exercer funções docentes, tornou-se advogado com banca em Paris. Homem de variados interesses intelectuais, jurista que se interessa pela história, pela economia, pela política e pelos próprios temas do sagrado, Bodin assume-se tb. como um enigma, dadas as suas bruscas mudanças de partido. Mas, conforme a clássica asserção do Cardeal Retz, ele há épocas em que se tem mudar muitas vezes de partido se se quiser permanecer fiel às suas opiniões. Em 1566 publica um Methodus ad facilem historiarum cognitionem. Em 1568 edita uma Réponse au paradoxe de Monsieur Malestroict, obra que tinha como subtítulo sobre a carestia geral e uma maneira de a evitar, na qual trata de matérias de economia política, em particular da moeda e da subida dos preços. Em 1576 edita os célebres Les Six Livres de la République. Em 1580 chega mesmo a escrever uma Démonomanie des Sorciers que pretendia ser um manual para usos dos juízes encarregados do julgamento de casos de bruxaria e feitiçaria. A partir de 1571 passou a servir o Duque de Alençon, mais tarde Duque de Anjou, irmão do futuro rei de França Henrique III. E é com este seu senhor que vive em Inglaterra na corte de Isabel I que chegou a qualificá-lo como brincalhão. Les Six Libres de la République são editados em 1576, numa altura em que o autor está mergulhado na política activa como deputado do Terceiro Estado, funções que exerce em 1576 e 1577. Fazia então parte do partido dos Politiques, dirigido por Michel de L'Hôpital, que pretendia colocar-se numa espécie de terceira via contra as posições extremadas da Sainte Ligue dos católicos e da União Calvinista. Apesar de acusado de ateísmo, escapa ao massacre de Saint-Barthélemy, retirando-se para Laon. É aqui que, em 1588, adere à Sainte Ligue, depois das tropas católicas terem conquistado a cidade e de ter obtido um emprego de procurador do rei.
 
 
 
·Methodus ad facilem historiarum cognitionem
1566.
·Les Six Libres de la République
Paris, 1576. Ed. lat., De Republica, 1586; cfr. trad. cast., Madrid, Aguilar, 1973; cfr. Corpus des Oeuvres de Philosophie en Langue Française, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1986, 6 vols..
·Réponse au paradoxe de Monsieur Malestroict
1568.
·Démonomanie des Sorciers
1580.
 
4Albuquerque, Martim, Jean Bodin na Península Ibérica. Ensaio de História das Ideias Políticas e do Direito Público, Paris, Fundação Calouste Gulbenkian, 1978.4Barret-Kriegel, Blandine, «Jean Bodin: de l'Empire à la Souverainité, de l'État de Justice à l'État Administratif», in Actes du Colloque Jean Bodin, tomo I, Angers, 1985.4Baudrillart, Henri, Jean Bodin et son Temps. Tableau des Théories Politiques et des Idées Économiques au Seizième Siècle, Paris, 1853, reimp. 1963, Aalen, Scientia Verlag.4Calasso, Francesco, I Glossatori e la Teoria della Sovranitá. Studio di Diritto Comune Publico, Milão, Edizioni Giuffrè, 1957. 4David, Marcel, La Souverainité et les Limites Juridiques du Pouvoir Monarchique du IXème au XVème Siécles, Paris, Éditions Dalloz, 1954.4Fournol, E. M., Bodin Prédécesseur de Montesquieu, Genebra, 1970.4Mesnard, Pierre, L'Essor de la Philosophie Politique au XVIème Siècle, Paris, 1952. 4Amaral, Diogo Freitas, Ciência Política, II, pp. 135-146.4Battaglia, Felice, Curso de Filosofia del Derecho, trad. cast. de Francisco Elias Tejada e Pablo Lucas Verdú, Madrid, Reus, 1951, I, pp. 195 segs.. 4Boutet, Didier, Vers l'État de Droit, pp. 90-102.4Chevalier, Jean-Jacques, op. cit., cap. III «O Estado e Soberania: J. Bodin, Autor de A República», I, pp. 314-329.4Cunha, Joaquim Silva, História Breve das Ideias Políticas, pp. 214-220.4Gettell, Raymond G., História das Ideias Políticas, trad. port. de Eduardo Salgueiro, Lisboa, Editorial Inquérito, 1936, pp. 212 segs..4Goyard-Fabre, Simone, Philosophie Politique, cap. 3 «La Souverainité ou l'Essence de la République», pp. 77-103.4Mairet, Gérard, «Jean Bodin», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, cit., pp. 99-103.4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp 69-73.4Maritain, Jacques, L'Homme et l'État, Paris, Presses Universitaires de France, 1965.4Moncada, Luís Cabral, Filosofia do Direito e do Estado, I, pp. 15 segs..4Prélot, Marcel, As Doutrinas Políticas, II, pp. 156-175.4Ruas, Henrique Barrilaro, «Jean Bodin», in Logos, 1, cols. 707-710.4Serra, Antonio Truyol, Historia de la Filosofia del Derecho y del Estado. 2 - Del Renacimiento a Kant, Madrid, Alianza Universidad, 1982, pp. 100-105.4Theimer, Walter, História das Ideias Políticas, pp. 102-106.
 
 
 
Boehme, Jacob (1575-1624) Místico alemão. Tal como Eckhart, considera Deus idêntico ao Ser, que Deus se torna no mundo criado e que Deus e o Mundo se reconciliaram, cada um deles, consigo mesmo, através de Cristo.
 
Boehmer, Johann Friedrich (1795-1863). Um dos directores dos Monumenta Germaniae Historicae
 
Boehmer, Justus Henning (1674-1749)
·Introductio in jus publicum universale respiciat sub ratione justi, politica vero sub ratione ex Genuinis Juris Naturae Principiis Deductum
1709. Ed. port., Lisboa, 1772.
}Albuquerque, Martim, «Política e Moral na Construção do conceito de Estado em Portugal», in Estudos de Cultura Portuguesa, I, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983, p. 209.
 
Boémia (Cesky) A Boémia, incluindo a Morávia, foi, desde 1029, um reino independente; com o Imperador Segismundo (1419-1437), vive um período de guerra civil com a agitação religiosa dos hussitas, os partidários do reformador Jan Hus, condenado à fogueira pelo Concílio de Constança de 1416; de 1457 a 1471, será eleito rei da Boémia o hussita Jorge de Podiebrad. Em 1526 passou para os Habsburgos austríacos, com Fernando I, mantendo-se em tal situação até 1918. Sofre as consequências da Guerra dos Trinta Anos, passando de quatro milhões de habitantes para cerca de 800 000. Um dos eleitores do Sacro-Império; ver Checa, República
 
Boétie, Étienne de la (1530-1563) Amigo de Montaigne, foi como este conselheiro no paralamento de Bordéus. Célebre tradutor de clásicos gregos. Adopta como lema o n'ayez pas peur. escravidão voluntária, onde o tirano apenas tem o poder que se lhe dá, um poder que vem da volonté de servir das multidões que ficam fascinadas e seduzidas por um só
·Contr'un ou Discours de la Servitude Volontaire
1548. Cfr. Discours de la Servitude Volontaire, cronologia, introd., bibliografia e notas de Simone Goyard-Fabre, Paris, Éditions Flammarion, 1983; cfr. outra ed., apresentação de Miguel Abensour e Marcel Gauchet, Paris, Librairie Payot, 1978.
4Clastres, Pierre, Lefort, Claude, La Boétie et la Question du Politique, Paris, Librairie Payot, 1976.4Garoux, Alain, «La Boétie», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 423-431.4Prélot, Marcel, As Doutrinas Políticas, II, pp. 114 segs..4Serra, Antonio Truyol, Historia de la Filosofia del Derecho y del Estado. 2 - Del Renacimiento a Kant, Madrid, Alianza Universidad, 1982, p. 32.
 
Boff, Leonardo
Padre brasileiro. Um dos epígonos da chamada teologia da libertação.
·Destino do Homem e do Mundo
6ª ed., Petrópolis, Editora Vozes, 1982.
Igreja, Carisma e Poder
Petrópolis, Vozes, 1983.
·Teologia à Escuta do Povo
Petrópolis, Editora Vozes, 1984.
Como fazer Teologia da Libertação
Petrópolis, Vozes, 1986.
·Do Lugar do Pobre
3ª ed., Petrópolis, Editora Vozes, 1986.
·E a Igreja se fez Povo
3ª ed., Petrópolis, Editora Vozes, 1986.
·Teologia do Cativeiro e da Libertação
5ª ed., Petrópolis, Editora Vozes, 1987.
·A Trindade e a Sociedade
3ª ed., Petrópolis, Editora Vozes, 1987.
·Santíssima Trindade é a melhor Comunidade
2ª ed., Petrópolis, Editora Vozes, 1989.
 
Bogdanor, Vernon
·Butler, D. E., Democracy and Elections, Cambridge, Cambridge University Press, 1983.,
 ·ed., Coalition Government in Western Europe, Londres, Heinemann Books, 1983.
·What is Proportional Representation?, Oxford, Robertson, 1984.
·, ed., The Blackwell Encyclopaedia of Political Science, 2ª ed., Oxford, Basil Blackwell Publishers, 1987 [reed., 1991].
·Constitutions in Democratic Politics, Aldershot, Gowe, 1988.
 
Bohr, Niels 1885-1962 ientista dinamarquês, desenvolve a física quântica. Torna-se pacifista e assume-se contra a utilização bélica da energia nuclear.
 
 
Bohm-Bawerk, Eugen 1851-1914 Economista, da Escola de Viena
·Teoria Positiva do Capital, 1889.
 
Boicote A palavra tem a ver com uma história ocorrida em 1880 na Irlanda, quando os fornecedores de gado ao capitão Boycott, administrador de uma quinta suspenderam os abastecimentos. A palavra generalizou-se em 1935-1936 quando a Sociedade das Nações resolveu boicotar os produtos italianos.
 
Bolchevismo Do russo bolshevikij, através do francês bolchéviste. Em Portugal, bolchevista começou por designar-se maximalista e menchevique, minimalista. Aliás, o Partido Comunista Português, fundado em 1921, derivou da Federação Maximalista.} Kelsen, Hans, «A Teoria Política do Bolchevismo» [ed. orig. 1949], trad. port., Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, vols. IX, pp. 111-143, e X, pp. 115-160, Coimbra, FDUC, 1953-1954.} Ulam, Adam B., Os Bolcheviques. História Política, Intelectual e Biográfica da Revolução Russa e dos seus Líderes [ed. orig. 1965], trad. port., Lisboa, Centro do Livro Brasileiro, 1970.
 
Bolingbrooke, Henry St. John (1678-1751)
 
 
Bolívar, Simon (1783-1830) O chamado Washington da América do Sul. Constituiu a república da Colômbia, em 1819 e o Alto Peru, depois dito Bolívia, em 1824. A constituição que deu à Colômbia influenciou Fernandes Tomás. Defende o que se chamou o sonho de Bolívar, uma federação das antigas colónias espanholas segundo o modelo dos Estados Unidos da América.
 
Bolívia
 
Bolonha Comuna livre desde 1114, apesar de submeter-se ao papa em 1278; apenas se reuniu definitivamente aos Estados Pontifícios em 1513; foi aí que em 1119 foi fundada a mais antiga universidade da Europa
 
Bom selvagem
 
Bomba
 
Bombarda, Miguel (1851-1910) Miguel Augusto Bombarda. Médico alienista. Director e reformador do hospital de Rilhafoles. Membro da junta revolucionária do 5 de Outubro, será assassinado por um dos seus doentes na véspera do golpe.
·A Consciência e o Livre-Arbítrio
Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1898.
·A Ciência e o Jesuitismo. Réplica a um Padre Sábio.
Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1900. Resposta à crítica feita ao primeiro livro pelo padre jesuíta Manuel Fernandes Santana em o Correio Nacional
 
Ver O Assassínio de Miguel Bombarda, in Vida Mundial, nº 1634, de 2 de Outubro de 1970.
 
Bombismo
 
Bon sens Exigências do pensamento e da acção BERGSON,32,214 bon sens,considerado como "um acordo íntimo entre as exigências do pensamento e da acção",algo de semelhante à recta ratio dos estóicos e à reasonableness de Locke.
 
Bon, Gustave Le (1841-1931) Influenciado pela psicologia nascente, utiliza o conceito de inconsciente para aplicá-lo à predestinação dos povo. Porque cada povo possui uma constituição mental tão fixa como os seus caracteres anatómicos e que daí derivam os seus sentimentos, os seus pensamentos e instituições, as suas crenças e a sua arte. Assim, os mortos conformam as raças, produzem o inconsciente dos vivos e geram as almas dos povos, numa sucessiva cadeia de determinações. Um povo é, pois, um organismo criado pelo passado, pois a era das multidões é a dos primitivos. A multidão é conduzida quase exclusivamente pelo inconsciente. Os seus actos estão muito mais sob a influência da medula espinal do que sob o cérebro. Neste sentido, aproxima-se mais dos seres inteiramente primitivos.
 
Considera que as multidões acumulam, não a inteligência, mas a mediocridade, sendo conduzidas quase exclusivamente pelo inconsciente, havendo nelas um multiplicador da irracionalidade. Salienta que nas sociedades futuras, pode prever-se que, na sua organização poderão contar com um poder novo, o último soberano da vida moderna: o poder das liberdades. As teses de Le Bon que recebem algumas das reflexões de Tocqueville e de Nietzsche, vão influenciar Robert Michels. Entre nós, é particularmente influente em Fernando Pessoa.
·Lois Psychologiques de l'Évolution des Peuples
Paris, Alcan, 1894.
·La Psychologie des Foules
1895.
·L'Évolution de la Matière
1905.
 
4Béjin, André, «Théories Socio-Politiques de la Lutte pour la Vie», apud Ory, Pascal, op. cit., pp. 406 segs..4Nye, Robert, The Origins of Crowd Psychology. Gustave le Bon and the Crisis of Mass Democracy in the Third Republic, Londres, Sage Publications, 1975. 4Bénoîst, Alain, Vu de Droite, trad. port. Nova Direita/Nova Cultura, Lisboa, Edições Afrodite-Fernando Ribeiro de Melo, pp. 293 egs..4Theimer, Walter, História das Ideias Políticas, trad. port., pp. 486 segs..
 
Bonald, Louis (1754-1840) Louis-Gabriel-Ambroise, Visconde de Bonald. Pensador contra-revolucionário. Entra em conflito com o processo revolucionário a partir de 1791. Mostra-se hostil à existência de uma constituição escrita e parte para o exílio. Adere ao Império em 1810, sendo nomeado para o Conselho Universitário. Deputado com a Restauração em 1823, será também nomeado por Luís XVIII para o Conselho da Instrução Pública. Inventa a expressão relações sociais, depois desenvolvida por Comte. Defende uma societé bonne assente na família e nos grupos sociais naturais como as corporações. Opondo-se ao despotismo não deixa de defender a independência do poder monárquico. Assume a perspectiva da descentralização, quando inclui a comuna entre os corps intermédiaires, privilegiando, sobretudo, a comuna rural.
·Théorie du Pouvoir Politique et Religieux dans la Societé Civile démontré par le Raisonnement et l'Histoire
1796. Cfr. reed. Paris, UGE, 1965. Obra escrita no exílio em Heidelberg.
·Essai Analytique sur les Lois Naturelles de l'Ordre Social ou du Pouvoir, du Ministre et du Sujet dans la Societé
1800.
·Législation Primitive Considerée dans le Dernier Temps para les Seules Lumières de la Raison
1802.
·Recherches Philosophiques
1818.
 
4Brito, António José, «Louis de Bonald», in Logos, 1, cols. 727-730.4Canaveira, Manuel Filipe Cruz, Liberais Moderados e Constitucionalismo Moderado (1814-1852), Lisboa, INIC, 1988, pp. 14 ss..4Gettell, Raymond G., História das Ideias Políticas, trad. port. de Eduardo Salgueiro, Lisboa, Editorial Inquérito, 1936, pp. 382 segs..4Guchet, Yves e Demaldent, Jean-Marie, Histoire des Idées Politiques. Tomo 2 De la Révolution à nos Jours, Paris, Armand Colin, 1996, pp. 58 ss..4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp. 289-290. 4Prélot, Marcel, Doutrinas Políticas, 3, secção «O Ideologismo Reaccionário: Bonald», pp. 276 segs.. 4Rials, Stéphane, «La Contre-Révolution», apud Ory, Pascal, op. cit., pp. 166 segs..
 
Bonança, João (1836-1924) Jornalista e historiador republicano. Algarvio, ex-padre. Destaca-se como defensor da abolição da pena de morte e intervém em defesa da institucionalização do casamento civil. Autor de Da Reorganização Social. Aos Trabalhadores e Proprietários, Coimbra, Imp. Commercial e Industrial, 1878.
 
Bonante, Luigi,
·Teoria Politica e Relazioni Internazionali
Milão, Edizioni di Comunità, 1976.
·Dimenzioni del Terrorismo Politico
Milão, Angeli, 1979. Ed.
·Introduzione alla Analisi Politica Internazionale
Turim, Giappichelli, 1983.

Bonapartismo Pode ser entendido como movimento político histórico, como sistema de governo e como conjunto de ideias políticas. Como movimento político histórico, foi aquele que apoiou a eleição de Luís Napoleão em 1848. Como sistema de governo essa mesma personalidade da história francesa instituiu o centralismo como sistema de governo, com os representantes das províncias a serem nomeados pelo poder central, e adoptou o populismo, num misto de autoritarismo e soberania do povo. Guizot, um dos epígonos do movimento, defendeu a autoridade como garantia da revolução. De qualquer maneira, se admitiu formas de representação parlamentar, sempre as fez depender do poder policial e militar. Assumiu sobretudo o diálogo directo entre as massas populares e o líder, considerado um representante directo de uma soberania popular una e indivisível, utilizando frequentemente o sistema do plebiscito. O movimento está próximo do futuro gaullismo. O bonapartismo está assim próximo dos conceitos de cesarismo e usurpação. Há quem o alargue a outras experiências históricas, desde a de Napoleão I ao gaullismo, passando pelo próprio modelo da revolução a partir de cima gerada por Bismarck, salientando o facto de se assumir como uma ditadura modernizante. Em Portugal, alguns analistas políticos referiram o eanismo como um bonapartismo democrático.
A perspectiva de Evola
Giulio Evola considera o bonapartismo como aquele sistema de poder, diverso do elitismo e herdeiro dos condottieri da Renascença sempre que o chefe político considera que a respectiva autoridade deriva de um outro e não de um princípio superior, como o da autoridade ou da soberania, implicando distância face ao demos. Salienta que é o sentimento da distância que provoca nos inferiores a veneração, o respeito natural, uma disposição instintiva para a obediência e lealdade para com o chefe. Contrariamente, o chefe bonapartista ignora o princípio segundo o qual quanto maior for a base mais alto se deve manter o cume. Marcado pelo complexo da superioridade, precisa de manifestações, ainda que ilusórias, de que o povo o segue e aprova, onde o superior precisa do inferior para experimentar o sentimento do seu próprio valor e não o contrário, como seria normal.
 
}Pastor, Manuel, Ensayo sobre la Dictatura. Bonapartismo y Fascismo, Madrid, Tucar, 1977.}Pinto, Jaime Nogueira, «Portugal 1983. Uma Situação Bonapartista», in Futuro Presente, n.º 14, pp. 3-12, Lisboa, 1983.
 
Bonavides, Paulo Jurista brasileiro. Professor no Ceará.
·Ciência Política
Rio de Janeiro, Forense, 1967. 10ª ed., 1999.
·Curso de Direito Constitucional
1999, 9ª ed.
·Do Estado Liberal ao Estado Social
1996, 6ª ed..
·Reflexões: Política e Direito
1998, 3ª ed.
·Política e Constituição. Os Caminhos da Democracia
1985.
·Constituinte e Constituição
1987, 2ª ed.
·Teoria do Estado
1995, 3ª ed.
 
 
Bonfim, 1º Conde do 1787-1862 José Lúcio Travassos Valdez. Maçon. Clérigo e oficial do exército. Coadjutor da Sé de Elvas. Participa na guerra peninsular, nomeadamente nas batalhas da Roliça e do Vimeiro. Fez parte do estado-maior de Beresford. Reprime a revolta de 1823. Nomeado em 1832 ajudante-general do Estado-Maior do exército pedrista. Ministro da guerra e da marinha no governo de Sá da Bandeira, de 9 de Novembro de 1837 a 18 de Abril de 1839. Entre 26 de Novembro de 1839 e 9 de Junho de 1841, presidente do ministério e ministro da guerra e da marinha. Par do reino em 1842, opôs-se ao governo de Terceira-Cabral em 1843..Participante da patuleia, em 1846-1847, será deportado para Moçâmedes.
 
Bonnard, Abel (1883-1968). Escritor francês. Um dos clásicos do romantismo fascista. Ministro da educação do regime de Vichy. Chega a ser condenado à morte depois de 1945. Autor de Les Moderés.
 
Bonum honestum De acordo com as categorias romanas, o bonum honestum, a procura dos supremos valores da justiça, da verdade e da bondade em sentido amplo, distingue-se e deve preponderar sobre chamado bonum utile, a procura das coisas agradáveis à existência,os objectos económicos. Se o primeiro se liga à chamada racionalidade ética, já o segundo tem a ver com a mera racionalidade técnica. Do bonum utile tratam as artes liberales. Do bonum honestum, as artes bona, como o direito e a estratégia. Se a racionalidade técnica domina as chamadas sociedades imperfeitas, como a casa e a empresa, se serve para os sócios resolverem a questão do bonum utile, não chega para se atingir o bonum honestum da racionalidade ética, só passível de cidadania. Com efeito, a partir do espaço básico do social emerge a lógica de uma racionalidade ética, marcada pela justiça, por aquilo que os clássicos qualificavam como bonum honestum, o espaço do político propriamente dito. A racionalidade técnica é apenas parte do logos e tem de ser potenciada pela racionalidade ética. O bonum utile tem de ser integrado no bonum honestum. O animal social tem de ser elevado à categoria de animal político. A sociedade tem de se transformar em comunidade, o contrato tem de volver-se em instituição. A racionalidade técnica apenas marcada pela utilidade e pelo interesse, como acentuam o utilitarismo e o economicismo, tem de ser integrada pela racionalidade ética, onde a estrela polar é a justiça. Para um entendimento global da polis não basta o sócio e o contratualismo do administrador de bens ou do homem como animal de trocas. Impõe-se o entendimento do animal político, do homem como animal normativo e como animal simbólico. Impõe-se o político, a procura da boa sociedade, a procura do justo. A procura da justiça, não apenas como justiça comutativa, mas a justiça nas suas perspectivas ascendente e descendente, a justiça social ou geral e a justiça distributiva.
 
Bonzos Nome dado ao grupo maioritário do partido democrático. Os bonzos, chefiados por António Maria da Silva, opunham-se à ala esquerda, os canhotos.
 
Borboleta, Efeito
 
Bordalo Pinheiro, Rafael (1815-1880). Caricaturista político português, autor do célebre Album das Glórias, bem como da revista António Maria. Ceramista, é também o criador da figura do Zé Povinho.
 
Borges, António França (1871-1915) Republicano, director de O Mundo, órgão do partido democrático.
 
Borges, António França n. 1901 Ligado ao salazarismo. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de 1959 a 1970.
 
 
 
Borges, José Ferreira 1786-1838 Maçon. Formado em cânones (1805). Advogado no Porto e secretário da Companhia dos Vinhos do Alto Douro. Membro do Sinédrio. Deputado em 1821-1822. Emigrado em Londres de 1823 a 1827. Autor do projecto de Código Comercial de 1833.
 
·Principios de Syntetologia
Londres, 1831
·Instituiçoens de Medicina Forense
Paris, 1832.
·Cartilha do cidadão constitucional, dedicada à mocidade portugueza
Londres, 1832.
·Instituiçoens de Economia Política
Lisboa, Imprensa Nacional, 1834.
·Diccionario Juridico-Commercial
Lisboa, Sociedade Propagadora de Conhecimentos Uteis, 1839.
José Maria de Vilhena Barbosa de Magalhães, José Ferreira Borges, in Jurisconsultos Portugueses do Século XIX, 2º vol., edição do Conselho Geral da Ordem dos Advogados, Lisboa, 1960, pp. 202 ss.
 
Borges, Vasco Licenciado em direito. Juiz da Relação de Lisboa. Ministro da instrução pública de 8 de Março a 26 de Junho de 1920, no governo de António Maria Baptista/ Ramos Preto. Ministro do comércio de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1920, no governo outubrista de Maia Pinto. Ministro do trabalho no governo de António Maria da Silva, de 7 de Fevereiro a 9 de Janeiro de 1923 (substituído por Rocha Saraiva). Ministro do comércio de 30 de Novembro a 7 de Dezembro de 1922, no governo de António Maria da Silva, mantendo a pasta do trabalho a título interino. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925; idem, no governo de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 a 28 de Maio de 1926. Apoia a Ditadura Nacional. Colabora em 1936 com o governo de Salazar.
 
Borges & Irmão , Grupo Um dos principais grupos económicos portugueses anteriores a 1974, ligado às famílias Pinto de Azevedo, Quina e Conde da Covilhã. Era então dirigido por Miguel Quina, genro do conde da Covilhã. Domina o Banco Borges & Irmão (fundado no Porto em 1874), a MABOR (constituída em 1940 que seis anos depois já possui uma fábrica em Famalicão), a companhia de seguros Atlas, a Icesa, a Companhia Portuguesa de Cobre, os Lanifícios da Covilhã e o Banco Comercial e Industrial de Angola.
 
 
Bórgia, César 1476-1507 Ao que parece, o modelo que inspirou Il Principe de Maquiavel. O mais novo dos filhos naturais do papa Alexandre VI. Feito cardeal aos 16 anos; capitão geral da Igreja, depois de assassinar o irmão; aliado da França contra os espanhóis. Perde o poder em 1503, com a morte do pai a subida ao poder de Júlio II (Della Rovere). Refugia-se em Navarra.
 
Borgonha Sob a dinastia dos Valois, entre 1363 e 1477, o ducado da Borgonha foi uma das principais potências da Europa de então; o ducado cresceu para a Flandres (1369), o Artois e o Franco-Condado (1384), adquiriu Namur (1421), o Brabante e o Limburgo (1430), o Hainaut, a Zelândia, a Holanda, a Frísia (1428-1433) e o ducado do Luxemburgo (1431). Foi da Borgonha que nos veio o Conde D. Henrique, pai do primeiro rei de Portugal. Entre os principais duques da Borgonha, Filipe o Atrevido (1363-1404), João Sem Medo (1404-1419) e Filipe o Bom, o grão-duque do Ocidente (1419-1467), quando a corte de Dijon atinge o apogeu, estendendoo os seus domínios do mar do Norte à Suiça; este duque casou-se com D. Isabel, filha do nosso D. João I, em 1430, criando a ordem do Tosão de Ouro, para celebrar a efeméride; com Carlos o Temerário (1467-1477) tentou criar-se uma nova Lotaríngia, entre a França e o Império, mas as ambições deste duque, fizeram voltar-se contra ele a França, a Suíça e o ducado da Lorena. O ducado foi desmantelado depois de 1477; enquanto a Borgonha propriamente dita era integrada na França, o Franco-Condado e os Países Baixos passavam para os Habsburgos, quando a filha de Carlos, Maria da Borgonha, casou com o imperador Maximiliano I
 
 
 
Bosanquet, Bernard 1848-1923 Professor em Oxford de filosofia grega. Um dos neo-hegelianos ingleses. Companheiro de F. H. Bradley e T. H. Green, na escola do idealismo inglês que combate o utilitarismo. Depois de abandonar o ensino, instala-se em Londres onde se dedica a obras filantrópicas. Misturando a teoria da vontade geral de Rousseau com as teses hegelianas chaga a uma noção quase metafísica de Estado, considerando-o como um ser moral por excelência. Entende-o como um organismo, com vontade e personalidade próprias que absorveria as próprias vontades individuais. Nega a existência de um conflito entre o indivíduo e a sociedade.
Knowledge and Reality, A Criticism of Mr. F. H. Bradley's `Principles of Logic'. London: Kegan Paul, Trench, 1885.
Logic, or the Morphology of Knowledge. Oxford: Clarendon Press, 1888. 2d ed., 1911.
The Civilization of Christendom and Other Studies. London: Swan Sonnenschein, 1893.
The Essentials of Logic: Being Ten Lectures on Judgement and Inference. London and New York: Macmillan, 1895.
Aspects of the Social Problem, London, 1895.
A Companion to Plato's Republic for English Readers: Being a Commentary adapted to Davies and Vaughan's Translation. New York/London, 1895.
The Philosophical Theory of the State, London, 1899; 4th ed., 1923.
The Principle of Individuality and Value. The Gifford Lectures for 1911 delivered in Edinburgh University. London: Macmillan, 1912.
The Value and Destiny of the Individual. The Gifford Lectures for 1912 delivered in Edinburgh University. London: Macmillan, 1913.
Social and International Ideals: Being Studies in Patriotism, London: Macmillan, 1917.
Some Suggestions in Ethics, London: Macmillan, 1918; 2nd ed. 1919.
What Religion Is, London: Macmillan, 1920.
The Meeting of Extremes in Contemporary Philosophy. London: Macmillan, 1921.
 
Bósnia-Herzegovina Bosna i Hercegovina 51 129 km2 e 4 365 000 habitantes; 17,3% de croatas, 31,3% de sérvios e 43,7% de muçulmanos. Invadida pelos eslavos no século VIII, veio ser conquistada pelos turcos no século XV; no século XVIII assumia-se como o principal bastião otomano nos Balcãs contra a pressão austríaca. Acabou por ficar sob dominação austríaca de 1876 a 1918, quando se integrou no reino dos eslavos do sul; de 1941 a 1945, os nazis transformaram-na em satélite do Estado livre da Croácia; foi de 1945 a 1991 uma das seis repúblicas da Jugoslávia de Tito. O parlamento de Sarajevo, contra a posição do partido sérvio, proclamou unilateralmente a independência em 15 de Outubro de 1991; esta posição foi confirmada por referendo de Abril de 1992
 
Boss O empresário político capitalista que procura votos em benefício próprio, sem ter uma doutrina e sem professar qualquer espécie de princípios. Nasceu do spoil system norte-americano. Um político profissional típico que trata de atacar os outsiders que lhe podem ameaçar os futuros rendimentos, isto é o futuro poder. Segundo Weber, procura eclusivamente o poder, o poder como fonte de dinheiro e o poder por si mesmo, e trabalha na obscuridade, sem nunca falar em público. Também não tem princípios. Surge assim uma empresa fortemente capitalista, rigorosamente organizada de cima para baixo.
 
Bossa, José Silvestre Ferreira (n. 1894) Natural do Estado da Índia. Licenciado em direito por Coimbra. Carreira de magistratura no Ultramar. Subsecretário de Estado e ministro das colónias em 1935-1936. Passa a inspector-superior colonial.

Bossuet, Jacques Bénigne (1607-1704) Inspirador das perspectivas de Luís XIV, grande adversário de Fénelon. O representante por excelência do absolutismo católico, onde um rei por direito divino procura justificar o l'État c'est moi. Assume um inequívoco providencialismo. Chega a proclamar no Louvre perante o rei :Vous êtes des dieux encore que vous mouriez, et vôtre autorité ne meurt point. Inspira a Déclaration sur les Libertés de l'Église Gallicane, aprovada pela assembleia dos clérigos franceses em 1682. Considera que a monarquia é sagrada, porque o poder do rei deriva directamente de Deus, paternal, absoluta, mas não arbitária, e racional, por ser contrária às paixões.
·Discours sur l'Histoire Universelle, pour expliquer la suite de la religion et les changements des Empires
1679. Obra redigida a partir de 1670, quando Luís XIV lhe confia a educação do Grande Delfim de França, entretanto falecido, sem chegar a rei.
·Politique tirée des propres paroles de l'Ecriture Sainte. A Monsieur Le Dauphin
Paris, Pierre Cot, 1709. Obra escrita em 1670.
 
 
Botelho, Abel (1854-1917) Escritor naturalista. Ministro de Portugal na Argentina depois de 1910.
 
Botelho Mourão e vasconcelos, José Luís de Sousa (1758-1825) ÖVila Real
 
Botelho, José Nicolau Raposo (1850-1914) General. Ministro da guerra do governo de Teixeira de Sousa, de 26 de Junho a 5 de Outubro de 1910. Considerado pouco firme nos princípios e bastante pobre de forças mentais (José Agostinho).
 
Botero, Giovanni (1540-1617) Teórico da razão de Estado, cabendo-lhe a principal responsabilidade na consagração da expressão. Jesuíta, saído da ordem em 1581. Secretário do Cardeal Carlo Borromeu em Milão e depois dos duques de Sabóia. É um dos primeiros teóricos das relações internacionais e da demografia. Teorizador da guerra. Considera que esta deve ser encarada instrumentalmente, podendo servir para a promoção da paz civil. Dá o exemplo da Espanha do seu tempo que sendo mobilizada para guerras distantes, consegue garantir uma estabilidade interna, enquanto a França, sem tal participação em guerras externas, acaba por viver guerras civis religiosas.
·Della Ragione di Stato
Milão, 1583. Ver a trad. port. Da Razão de Estado, de Luís Reis Torgal e Raffaela Longobardi Ralha, Coimbra, INIC, 1992.
·Delle cause della grandezza e magnificenza delle Città
Roma, 1588.
·Relazioni universali
Em 4 tomos, Roma, 1591-1596.
·Discorso della neutralità
1598.
 
4Albuquerque, Martim, A Sombra de Maquiavel e a Ética Tradicional Portuguesa. Ensaio de História das Ideias Políticas, Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1974. Meinecke, Friedrich, L'Idée de la Raison d'État dans l'Histoire des Temps Modernes, Genebra, Droz, 1973, p. 68.:Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp. 77 e 281.
 
Bottomore, Tom B.
·Elites and Society
Londres, C. A. Watts, 1964 [reed., Harmondsworth, Penguin Books, 1973]. Cfr. Trad. Port. As Elites e a Sociedade, Rio de Janeiro, Zahar, 1974, 2ª ed.
·Classes in Modern Society
Londres, Ampersaand, 1965. Trad. port., As Classes na Sociedade Moderna, Rio de Janeiro, Zahar, 1978, 2ª ed..
·Introdução à Sociologia
trad. port., Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1965.
·Marxist Sociology
Basingstoke, Macmillan Press, 1975.
·A History of Sociological Analysis
Londres, Heinemann Books, 1978. Com Robert Nisbet [trad. port., História da análise sociológica, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1980].
Political Sociology
1979. Nova ed., Londres, Pluto Press, 1992. Cfr. trad. Port., Sociologia Política, Rio de Janeiro, Zahar, 1981.
A Dictionnary of Marxist Thought
1983. Nova ed., Oxford, Blackwell, 1991. Cfr. trad. Port., Dicionário do Pensamento Marxista, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1988.
The Frankfurt School
Chichester, Ellis Horwood, 1984.
Theories of Modern Capitalism
Londres, Routledge, 1985.
Interpretations of Marx
Oxford, Blackwell, 1988. Org.
·The Socialist Economy. Theory and Practice
Nova York, Guilford Press, 1990.
 
Boudon, Raymond (n. 1934)
·Analyse Empirique de la Causalité
Paris, Mouton, 1966.
·L’Analyse Mathématique des Faits Sociaux
Paris, Plon, 1967.
·À quoi ser la Notion de Structure? Essai sur la Signification de la Notion de Structure dans les Sciences Humaines
Paris, Gallimard, 1968.
·Les Méthodes em Sociologie
Paris, PUF, 1969 (cfr. trad. port., Os Métodos em Sociologia, Lisboa, Rolim, 1982).
·La Crise de la Sociologie
Genebra, Droz, 1971
·L'Inegalité des Chances
Paris, Mouton, 1974.
·L’Idéologie. L’Origine des Idées Reçues
Paris, Librairie Arthème Fayard, 1986.
·L’Art de se Persuader
Paris, Librairie Arthème Fayard, 1990.
 
Bouglé, Célestin 1870-1940 Sociólogo francês, discípulo de Durkheim. Professor na Sorbonne. Um dos teóricos do solidarismo. Considera que a democracia republicana constitui um desenvolvimento do racionalismo cartesiano e dos progressos científicos, permitindo a afirmação dos direitos do homem, contra o elitismo, o autoritarismo e o racismo.
·La Démocratie dévant la Science¸Paris, PUF, 1904
·Essais sur le Régime des Castes en Inde (1900, 1908), pref. de Louis Dumont, Paris, PUF, 1993.
·Bilan de la Sociologie Française
Paris, PUF, 1935
·Cours de Sociologie Économique
Paris, PUF, 1937.
·Humanisme, Sociologie, Philosophie, Paris, PUF, 1937.

Boulainvilliers, Conde Henri de (1658-1722) Economista e historiador, próximo das posições de Fénelon. Militar de 1679 a 1688. Defensor de uma monarquia tradicionalista e anti-absolutista, é um dos primeiros que, em França, invoca a ciência política. Considera o absolutismo de Luís XIV como despótico, brutal, muito longo e, por consequência, odioso, porque não obedeceu a regras ou a uma teoria, vivendo ao sabor dos acontecimentos. Crítico de Bossuet, em nome da liberdade natural dos homens. Prélot cham-lhe um utopista do passado, estando na base do tradicionalismo consenusalista. Critica directamente Bossuet por ter forjado novos grilhões para a liberdade natural dos homens. Assinala que os únicos franceses efectivos seriam os nobres originários da Frísia, comandados por Clóvis, que conquistaram o território daquilo que seria a França, transformando os respectivos nativos, os gauleses, em súbditos dos conquistadores. Considera que em tal período os particulares conservavam ... os seus bens, a sua liberdade, honra e fortuna ... todos os franceses eram livres e, por conseguinte, não-súbditos na rigorosa acepção do termo. Eram todos companheiros. Até porque o direito destes reis não era soberano e monárquico ou despótico. Defende a liberdade e a nobreza dos francos e que os gauleses foram conquistados. Defende que à nobreza cabe o direito histórico de temperar e conter a realeza que apenas tem um poder limitado. O rei não passa de um primus inter pares entre os comites. Critica acerbamente o despotismo mais conveniente ao temperamento dos persas, turcos e outros povos orientais do que à nossa constituição. Neste sentido, defende a a descentralização e advoga o regresso aos Estados Gerais. Isto é, a aristocracia negava a ideia de nação, considerando que o corpo político pouco tinha a ver com a comunidade de homens ligados a um determinado solo. Nesta base compreende-se pois que Sieyès tenha proposto mandar de volta para a Francónia todas essas famílias que conservavam a absurda pretensão de descenderem da raça conquistadora e de terem herdado os seus direitos.
·Idée d’un Syatème Général de la Nature
1683
·Histoire de la Réligion et de la Philosophie Ancienne
1700.
·État de la France
1727-1728. 3 vols.
·Histoire de l'Ancien Gouvernement de la France
1727. Publicação póstuma.
·Letres sur les Anciens Parlements de France que l’on nomme États Généraux
3 vols., 1753.
·Essai sur la Noblesse de France
1732
 
:Assoun, Paul-Laurent, «Boulainvilliers», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 110-112. Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, I, p. 294.
 
Boulangismo Política assumida pelo general Georges Boulanger (1837-1891) durante a III República francesa, apoiada por Barrès. Trata-se de um processo de personalização do poder sem doutrina. Método amplamente criticado por Charles Maurras, defensor de uma direita doutrinária. O general que quis ser presidente, promove uma agitação sem consequência, pois quando foi ameaçado de prisão, tratou de fugir para a Bélgica.
 
 
Boulding, Kenneth E. Adepto da teoria dos sistemas gerais, na senda de Bertalanffy. Assume teorias paralelas às de Teilhard de Chardin, admitindo a complexidade crescente das estruturas. Considera o homem como um sistema que é ao mesmo tempo natural e cultural, como uma informação que lha advém tanto biologicamente, através do instinto, como culturalmente, através de uma linguagem simbólica e abstracta.
 
·Conflict and Defense, Nova York, Harper Collins, 1962
·Three Faces of Power, Newbury Park, Sage Publications, 1989.
 
 
 
Bourdieu, Pierre (n. 1930) Sociólogo francês. Normalien, agregado em filosofia, assistente da Universidade de Argel, torna-se director da Escola Prática de Altos Estudos, de Paris. Criador de conceitos como o de habitus e de violência simbólica. Na linha marxista, tenta incorporar na corrente os ensinamentos de Durkheim e de Weber. Recolhe, de Norbert Elias, a noção de champ. A ideia de campo, provinda da física, constitui uma situaççaõ dinâmica que polariza forças, como num campo magnético. Aproxima-se da ideia de mercado, onde individuos e grupos estão em competição-
 

·Sociologie de l’Algérie
Paris, PUF, 1961.
·Le Déracinement
Paris, Minuit, 1964.
·La Reproduction
Paris, Minuit, 1971.
·Esquisse d’une Théorie de la Pratique
Genebra, Éditions Droz, 1972.
·Le Sens Pratique
Paris, Éditions de Minuit, 1980.
·Questions de Sociologie
Paris, Éditions de Minuit, 1980.
·Homo Academicus
Paris, Éditions de Minuit, 1984.
«La Force du Droit. Éléments pour une Sociologie du Champs Juridique»
In Actes de la Recherche en Sciences Sociales, 64, (1986.11), pp. 3-19.
·Choses Dites
Paris, Éditions de Minuit, 1987.
· Le Pouvoir Symbolique
1988. Cfr. trad. port. de Fernando Tomaz, O Poder Simbólico, Lisboa, Edições Difel, 1989).
·La Noblesse d’État. Grandes Écoles et Esprit de Corps
Paris, Éditions de Minuit, 1989.
 
Bourgeois, Épater le. Expressão inventada por Flaubert.
 
 Bourgeois, Léon (1851-1925) Político francês. Advogado. Presidente do conselho em 1895-1896 e da câmara dos deputados em 1902-1906. Prémio Nobel da paz em 1920, por ser um dos promotores da Sociedade das Nações. Juiz do Tribunal Internacional de Haia desde 1903. Fundador do chamado solidarismo, marcado pela defesa da progressividade fiscal e de um sistema de seguros sociais. Doutrina típica dos radicais franceses, defensores do chamado humanismo republicano, herdeiro do utilitarismo e paralelos ao movimento fabiano.
Solidarismo
Considera que é preciso que cada um dos homens se torne num ser social. É preciso ensinar às crianças e aos homens que devem considerar‑se não como isolados, como indivíduos que têm o direito de incluir em si mesmos o fim da sua própria existência, mas como membros associados, de direito e de facto,de uma sociedade onde todas as responsabilidades são mútuas; devem além disso tomar consciência da consciëncia comum e julgar os respectivos actos particulares sob o ponto de vista desta consciência social.
A terceira via
A doutrina pretende ser um meio termo, ou um compromisso entre o liberalismo e o socialismo, visando evitar tanto os excessos do individualismo como do colectivismo. A palavra chave é a de solidariedade que Bourgeois vai buscar a Fouillé. O homem é elemento de um todo, tem direitos e deveres recíprocos. Todos somos, ao mesmo tempo, credores e devedores da associação humana. Neste sentido, proclama-se herdeiro do spirituel républicain.
Garantismo
Considera a existência de uma série de garantias sociais intangíveis tanto em matéria de liberdades como na distribuição daquilo que designa por profit social. Porque há um coeficiente comum a todos, de um valor de direito iga«ual para todos. .
Influências
A doutrina de Bourgeois que influencia a III República, marca o ritmo do radical socialismo francês, mas não deixa de, através de Duguit, ser uma das influências do modelo socialista, tendo bastantes aproximações com algumas das teses actuais de John Rawls, tanto pela invocação da ideia moral na política, como, sobretudo pela admissão da repartição não igualitária dos bens sociais, tanto por causa das desigualdades naturais, como pelas diversas formas de participação de cada um nas tarefas comuns.
·La Solidarité
Paris, Librairie Armand Colin, 1896.
·Essai d'un Philosophie de la Solidarité
Paris, Éditions Alcan, 1902.
·La Politique de Prévoyance Sociale
2 vols., 1914-1919.
·La Politique de Prévoyance Sociale
2 vols., 1914-1919.
·Le Pacte de 1919 et la Societé des Nations
1919.
·L’Oeuvre de la Societé des Nations. 1920-1923
1923.
 
 
Bourmont, Louis Auguste Victor de Ghaines, Conde de  (1773-1846) Marechal francês, vendeiano. Colabora com Luís XVIII. Célebre pelos feitos cometidos na colonização de Argélia. Ministro da guerra de D. Miguel, nomeado em 15 de Agosto de 1833, demite-se logo em 21 de Setembro seguinte. Tinha sido chefe de estado maior de Loison. Contratado em Paris por António Ribeiro Saraiva, depois de ter estado implicado na conspiração da duquesa de Berry.
 
Bourricaud, François-Michel
·Éléments pour une Sociologie de l’Action
Paris, Plon, 1955. Com um prefácio de Talcott Parsons
·«Science Politique et Sociologie»
In Revue Française de Science Politique, pp. 249-276, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques/CERI, 1958.
·Esquisse d’une Théorie de l’Autorité
Paris, Librairie Plon, 1961.
·L’Individualisme Institutionnel. Essai sur la Sociologie de Talcott Parsons
Paris, Presses Universitaires de France, 1977.
·Le Bricolage Idéologique. Essai sur les Intellectuels et les Passions Démocratiques
Paris, Presses Universitaires de France, 1980.
·Le Retour de la Droite
Paris, Éditions Calmann-Lévy, 1986.
 
Bouthoul, Gaston (1896-1980) Fundador da polemologia. Considera que a guerra tem como base a heterofobia, a tendência que cada um tem para temer o outro, por este ser diferente. Uma heterobofia, considerada como um factor de agressividade negativa. assume uma definição instrumental de guerra, entendendo-a como luta armada e sangrenta entre agrupamentos organizados.
 
·Les Guerres. Élements de Polémologie
Paris, Librairie Payot, 1951.
·Le Phénomène-Guerres
Paris, Librairie Payot, 1962 [trad. port. O Fenómeno Guerra, Lisboa, Estúdios Cor, 1966].
·Sauver la Guerre
Paris, Éditions Bernard Grasset, 1962.
·Sociologie de la Politique
1967. Cfr. trad. port. de Djalma Forjaz Neto, Sociologia da Política, Amadora, Livraria Bertrand, 1976.
·La Surpopulation dans le Monde
Paris, Payot, 1964.
·Traité de Sociologie
Paris, Payot, 1968.
·L’Art de la Politique
Paris, 1969.
·Traité de Polémologie. Sociologie des Guerres
 Paris, Librairie Payot, 1970.
·Le Défi de la Guerre. 1740-1974
Paris, Presses Universitaires de France, 1976. Com René Carrère.
·Guerres et Civilisations
Paris, Fondation pour les Études de Défense National, 1979. Com René Carrère e Jean-Louis Annequin.
 
Boutmy, Émile (1835-1906) Inspirador da Ecole Libre des Sciences Politiques de 1871. Insiste na necessidade do estudo das causas que levaram à guerra, procurando fazer uma história contemporânea, ou uma história do presente, contra os modelos de história antiga. Defende l’empire de l’esprit et le gouvernement par les meilleurs.
·Le Développement de la Constitution et de la Soxcieté Politique en Angleterre
Paris, 1887.
·Essai d’une Psychologie Politique du Peuple Anglais au XIXème Siècle
1901.
 
Boutroux, Émile (1845-1921) Um dos teóricos do solidarismo, filosofia inspiradora do intervencionismo da III República francesa, considerada uma doutrina do Estado tranquilizante.
·Essai d’une Philosophie de la Solidarité
1902.
4Arnaud, A. J., Arnaud, N., «Une Doctrine de l'Etat Tranquilisante: le Solidarisme Juridique», in Archives de Philosophie du Droit, nº 21, 1976, pp. 131 segs..