Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: B/Bu
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Lista de artigos

Artigos em grosso
Buber, Martin
Buchanan, George
Buchanan, James McGill (n. 1919)
Buchez, Philippe J. (1796-1865)
Buckley, Walter F.Bucovina
Budge, Ian
Bueno, José António Pimenta
Bueno, Carlos Mariano Galvão Bukharine, Nikolai Ivanovitch
Bula de Ouro
Bulgária (Republika Bulgariya)
Büllow, Bernhard von
Bultmann, Rudolf 1884-1976
Buona Societá. Sulla Riconstruzione della Filosofia Politica
Burckhart, Jakob Christoph
Burckhardt, Walter
Burdeau, Georges
Burgess, John William
Burgess, Michael
Burguesia
Burke, Edmund Burla
Burlamaqui, Jean-Jacques
Burnay, Henry
Fonsecas & Burnay
Burnham, James
Burns, James H.
BurocraciaMax Weber
Burocracia administrativa
Bürshenschaft (1815)
BurundiBush, George
Butão
Butler, D. E.
Byron, George Gordon Noel, Lorde
Buber, Martin (1878-1965)Judeu nascido em Viena. Professor em Frankfurt de 1923 a 1933. A partir de 1938, instala-se em Jerusalém, onde lecciona filosofia social. Teórico do socialismo federalista que vai inspirar a organização dos kibutzim. Tendo começado por ser sionista e, consequentemente, estadualista, entra, depois, em ruptura com o ideólogo do movimento, Theodor Herzl. Entra, depois, em polémica com outro judeu alemão, o neo‑kantiano Hermann Cohen, acusando-o de querer subordinar o espírito ao Estado, dado que a criatividade e a ordem, o povo e o Estado fundem‑se numa unidade nova a Gemeinschaft da salvação. Marcado pela visão comunitária de Tonnies, invoca Kropotkine e Tolstoi, considerando que o Estado é um homunculus que bebe o sangue das veias das comunidades. Assim, defende uma nova organicidade, fundada na vontade livre e na acção consciente dos indivíduos e dos grupos. Opta por uma visão mística da organização política, assumindo uma espécie de tradição "anarquista teocrática", onde se perspectiva um poder que vem directamente de Deus para os homens, que recusa qualquer tipo de dominação humana, e que considera a comunidade como uma entidade precursora do reino de Deus. Configura, assim, um modelo anarquista que assume, do judaísmo, o sentido simultaneamente messiânico e pária.
·Reden uber Judentum
1909.
·Zion, der Staat und die Menschheit, 1917.
·Gemeinschaft (1919).
·Ich und Du (Leipzig, 1922).
·Dialogisches Leben, 1947.
·Das Problem des Menschen, 1948.
·Paths in Utopia, Boston, Beacon Paperbacks, 1958.
4Schmitt, Gilya Gerdat, Martin Buber's Formative Year. From German Culture to Jewish Renewal. 1877 - 1909, Alabama, 1995.4Balsemão, Edmundo, «Buber», in Logos, col. 781.4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, p. 154.
 
 
Buchanan, George (1506-1582) Professor em Coimbra em 1546, quando ainda era católico. Preceptor de Jaime Stuart, Jaime VI da Escócia e Jaime I de Inglaterra. Converte-se ao protestantismo em 1560. A obra que o celebriza procura justificar a destituição da rainha Maria. Assume o consensualismo das leis fundamentais de carácter consuetudinário. Considera que o poder dos reis vem de um contrato original feito com os povos, ficando aqueles obrigados a governar de acordo com a justiça, podendo ser destronados se passarem a governar como tiranos. Distancia-se assim da teoria do direito divino dos reis.
·De jure regni apud Scotos ou On the Sovereign Power Among the Scots (1579).
 
 
 
Buchanan, James McGill (n. 1919) Chefe de fila da chamada Public Choice School. Prémio Nobel da economia em 1986. Marcado pelo individualismo metodológico e pelas teses de Schumpeter e Downs, considera o Estado, não como um corpo homogéneo, mas como uma multiplicidade de grupos concorrentes e divergentes, como uma organização humana onde são tomadas decisões por seres humanos sensíveis aos mais variados interesses particulares (v.g. pecuniários, profissionais, éticos,etc.). Recuperando Rousseau, defende a unanimidade do contrato social.
·The Calculus of Consent. Logical Foundations of Constitutional Democracy
Ann Arbor, University of Michigan Press, 1962. Con Gordon Tullock.
·The Demand of Supply of Public Goods
Chicago, Rand MacNally & Co., 1968.
·The Theory of Public Choice. The Political Application of Economics
Ann Arbor, University of Michigan Press, 1972. Com Robert Tollison, eds..
·The Limits of Liberty. Between Anarchy and Leviathan
Chicago, Rand MacNally & Co., 1975.
·Freedom in Constitutional Contract
College Station, Texas University Press, 1977.
·Democracy in Deficit. The Political Legacy of Lord Keynes
Nova York, Academic Press, 1977. Com R. E. Wagner.
·The Economics of Politics
Londres, The Institute of Economic Affairs/Readings n.º 18, 1978. Com alii.
·Liberty, Market and State
Brighton, Harvester Press, 1986.
 
Buchez, Philippe J. (1796-1865) Socialista cristão, inspirador da chamada Escola Católico-Revolucionária, que se distinguia do catolicismo social de Lamennais. Antes de 1830, foi adepto de Saint-Simon e fundador da Carbonária francesa. É o animador da revista L’Atelier (1840-1850). Deputado desde 1848, chega a ser presidente da Assembleia Constituinte de 5 de Maio a 6 de Junho do mesmo ano. Considera o catolicismo e a Revolução Francesa como dois dos pilares do progresso, criticando o individualismo protestante e defendendo a síntese da caridade e da fraternidade. Propõe a constituição de cooperativas de produção, uma remuneração segundo as obras produzidas e um poder forte que, ajudado pela science sociale, estaria ao serviço de le but commun. Um dos teóricos do federalismo, defendendo uma república democrática, integrando associações de produtores. Mistura as ideias de socialismo cristão com o espírito europeu, fundando em Paris, no ano de 1831, o jornal Européen.
·Introduction à la Science de l'Histoire
Paris, 1833.
·Essai d’un Traité Complet de Philosophie au point de vue du Catholicisme et du Progrès
1840.
·Traité de Politique et de Science Sociale
Paris, 1866. Obra póstuma em dois volumes.
 
Buckley, Walter F.
·Sociology and Modern System Theory, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1967.
·American Conservative Thought in the Twentieth Century, Indianapolis e Nova York, Bobbs Merrill Publishing Co., 1970. BUCKLEY,Walter -Sistemismo,41,257
 
Bucovina Território actualmente dividido entre a Ucrânia e a Roménia. Entre 1482 e 1769 constituiu um domínio otomano; depois de uma curta ocupação russa, passou para a Áustria, em 1775, que aí se manteve até 1918. Em 1920 todo o território foi incluído na Roménia. Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1947, a parte norte do território passou para a URSS.
 
Budge, Ian
·Agreement and the Stability of Democracy, Chicago, Markham Publishing Co., 1970.
·«The Scientific Status of Political Science», in British Journal of Political Science, vol. 2, Cambridge, 1973.
·Party Identification and Beyond Representation of Voting and Party Competition, Londres, John Wiley & Sons, 1976. Com Ivor Crewe e Dennis Farlie.
·Voting and Party Competitions. A Theoretical Critique ans Synthesis Applied to Surveys to Ten Democracies, Londres, John Wiley & Sons, 1977. Com Dennis Farlie.
·Explaining and Predicting Elections. Party Strategies and Issues Outcomes in Twenty-Three Democracies, Londres, Allen & Unwin, 1983. Com Dennis Farlie.
·Ideology, Strategy and Party Change. Spatial Analysis of Post-War Election Programs in 19 Democracies, Cambridge, Cambridge University Press, 1987. Com david Robertson e Derek Hearl.
·, Keman, Hans, Parties and Democracy. Coalition Formation and Government Functioning in Twenty States, Oxford, Oxford University Press, 1990.
·, Klingemann, Hans, Hofferbert, Richard I., Parties, Policies and Democracy, Boulder, Westview Press, 1994.
 
Bueno, José António Pimenta (1803-1878) Marquês de S. Vicente. Licenciado por S. Paulo em ciências sociais e jurídicas em 1832. Os cursos juridicos apenas se inauguraram no Brasil em 1828 e ele foi um dos primeiros 33 alunos matriculados. Juiz, diplomata, deputado e senador. O primeiro parlamentar brasileiro a apresentar em 1866 um projecto de emancipação dos escravos. Marcado pelo liberalismo doutrinário, pretende concilar ordem e a liberdade, princípios que consideram a base do regime do Império do Brasil. Próximo das posições do Imperador D. Pedro II, é um dos defensores da manutenção do poder moderador.
·Direito Público Brasileiro e Análise da Constituição do Império
 2 vols., Rio de Janeiro, 1857.
 
Bueno, Carlos Mariano Galvão (1834-1883) Krausista brasileiro. Professor da Faculdade de Direito de São Paulo desde 1860. Autor de umas Noções de Filosofia Acomodadas ao Sistema de Krause, Extraídas das Obras Filosóficas de G. Tiberghien e Ahrens, São Paulo, Jorge Seckler, 1877.
 
Bukharine, Nikolai Ivanovitch 1888-1938 licenciado em Direito, considerado por Lenine como o maior teórico do partido, foi um dos principais agitadores de ideias do bolchevismo, desempenhando funções coordenadoras nos jornais O Comunista e Pravda. Escreveu inúmeras obras de vulgarização, com destaque para o ABC do Comunismo, A Economia Mundial e o Imperialismo, de 1918, Programa da Revolução Mundial, de 1920, A Economia no Período de Transição, de 1920, Teoria do Materialismo Histórico, de 1921. Tal como Kamenev começou por apoiar Estaline contra Trotski, mas, depois do XV Congresso do PCUS, de Dezembro de 1927, atacou abertamente a política de colectivização, sendo, desde logo, acusado de desviacionismo de direita e de apoio aos Kulaks. Regressa em 1934, sendo colocado por Estaline como chefe de redacção do jornal Izvestia e colabora na redacção da Constituição de 1936. Preso no início de 1937, acabou por ser condenado à morte por actividades fraccionistas direitistas-trotskistas. Confessou-se culpado de todo o conjunto de crimes realizados por esta organização contra-revolucionária, independentemente do facto de que eu conhecia ou de que eu ignorava tal ou tal acto, do facto de que eu tomava ou não uma parte directa em tal ou tal acto, visto que eu respondo como um dos líderes[...]e não como manobrador [...] eu devo incorrer no castigo mais severo. No entanto, na carta enviada à mulher, alguns dias antes da execução, sublinha: a minha vida acaba-se, inclino a minha cabeça sob o machado do carrasco, que não é o do proletariado, que deve agir sem piedade, mas também sem mancha. Sinto toda a minha impotência perante esta máquina infernal, que, sem dúvida, ajudada por métodos medievais, adquiriu um poder gigantesco, fabrica a calúnia em cadeia, age com audácia e certeza. Se mais de uma vez cometi erros sobre os métodos a empregar para edificar o socialismo, que a posteridade não me julgue mais severamente do que fez a Vladimir Ilitch. Caminhávamos pela primeira vez para um só e mesmo fim e o caminho não estava ainda traçado. Outros tempos, outros costumes. Nesse tempo o Pravda consagrava uma página inteira aos debates; toda a gente discutia quais os melhores meios e métodos, lutavam e depois reconciliavam-se e todos caminhavam juntos. Apelo para todos vós, geração futura dos dirigentes do partido, que terá como tarefa histórica fazer a autópsia desta monstruosa nuvem de crimes que prolifera nesta época terrível, queimando como uma chama e abafando o partido. Apud JEAN ELLENSTEIN, op. cit. pp. 108-109. Sobre Bukharine, S. COHEN, Bukharin and the Russian Revolution, Oxford, Oxford University Press, 1980. De especial interesse, a entrevista concedida pela viúva de Bukharine à revista Ogoniok, publicada em Sputnik, de Maio de 1988, pp. 110-117. Em 2 de Novembro de 1987, Gorbatchov considerou Estaline como filho querido do Partido e em 4 de Fevereiro de 1988, o Supremo Tribunal da URSS reabilitou-o a título póstumo. Defende a teoria do socialismo num só país.
 
Bula de Ouro (Goldene Bull ou Bulla Aurea, de 1356) Lei que regula a eleição do Imperador alemão, promulgada por Carlos IV. Constitui o principal fundamento jurídico do Império até 1806. Nela se estabelece um colégio de sete grandes eleitores: os bispos de Mogúncia, Colónia e Trèves; o rei da Boémia; o duque da Saxónia; o marquês de Brandeburgo; o conde Palatino do Reno, fixando-se que a mesma eleição teria de ser por maioria (pelo menos 4 dos 7). A reunião decorria na Igreja de S. Bartolomeu de Frankfurt.
 
Bulgária (Republika Bulgariya) 111 000 km2 e 9 000 000 de habitantes, dos quais 10% são muçulmanos; segundo a fórmula de Cline, 5. Simeão (893-927) constituiu um império, a Grande Bulgária, que abrangia a Sérvia, a Bósnia e o litoral do Egeu; no século X entra em declínio, sendo sucessivamente ocupada por russos e bizantinos; no início do século XIII, é reconstituída a Grande Bulgária. Integrada no Império otomano desde 1396 até ao século XIX. Revolta independentista em 1876, leva a que no Tratado de San Stefano de 3 de Março de 1878 se tenha constituído como principado autónomo,com fronteiras próximas da Grande Bulgária, independente no século X; em 1886 anexa a Romélia Oriental: torna-se reino independente a partir de 1908. Participa nas duas guerras balcânicas de 1912-1913; na primeira, aliada à Sérvia, ao Montenegro e à Grécia contra o império otomano, alcança importantes conquistas territoriais, como a Macedónia e a Trácia ocidental, com Andrinopla; a partir de Junho de 1913 enfrenta os sérvios e os gregos, perdendo de forma humilhante; pelo Tratado de Bucareste de 10 de Agosto de 1913, vê a Macedónia ser dividida entre sérvios e os gregos; tem de ceder a Dobrudja do sul à Roménia e que devolver Andrinopla aos turcos. Pelo tratado de Neuilly de 27 de Novembro de 1919, depois de nova derrota na Grande Guerra, sofre grandes perdas territoriais, tendo que ceder o litoral do Mar Egeu à Grécia e outra parte do território, a oeste de Sofia, à Sérvia; a fronteira sérvia fica então apenas a 30 km de Sofia e 50 000 búlgaros são integrados no Estado vizinho. Participa na II Guerra Mundial, ao lado dos alemães, clamando contra a injustiça dos tratados de 1919. Dominada pelos comunistas depois da Segunda Grande Guerra, tornou-se numa íntima aliada da URSS, não se aproximando da Jugoslávia de Tito. Logo no verão de 1942 era constituída, sob a direcção do Partido Operário (comunista), dirigido por Dimitrov, a chamada Frente Pátria, que se apodera do governo em Setembro. E em 27 de Outubro de 1946, a mesma Frente Pátria ganha as eleições, depois de, no mês anterior, ter sido suprimida a monarquia. A prisão do chefe do principal partido da oposição, Petkov, do Partido Agrário ocorreu em 11 de Junho de 1947 e, em Agosto de 1948, deu-se a fusão dos comunistas e sociais-democratas.A actual Bulgária mantém 10% de muçulmanos; na região de Varna, dominam os turcos; no sul, há os pomaks, um grupo de etnia búlgara, islamizado; há também cerca de 300 000 ciganos; em 1989, cerca de 300 000 turcos emigraram.
 
Büllow, Bernhard von 1849-1929 Chanceler alemão entre 1900 e 1909, depois de ter sido ministro dos estrangeiros desde 1897. Um dos principais inspiradores da Weltpolitik de Guilherme II. Delineia a política colonial do segundo Reich. Considera que a Alemanha estava cercada por povos hostis, dos franceses aos eslavos.
 
Bultmann, Rudolf 1884-1976 Pastor protestante. Professor em Marburgo. Um dos mais eminentes teólogos deste século. Amigo de Heidegger. Adere ao existencialismo.
 
La Buona Societá. Sulla Riconstruzione della Filosofia Politica. Obra de Vittorio Possenti (Milão, Vita e Pensiero, 1983), abrangendo os seguintes temas: a crise da filosofia política; política e filosofia política; ciência e filosofia na política; racionalidade do político; bem e valor; vicissitudes da filosofia política; cristianismo e política; formas e categorias políticas. Promove a ligação do neotomismo ao movimento de rabilitação de filosofia prática e da hermenêutica. Critica vivamente as escolas empírico-analíticas e as concepções positivistas da ciência livre de valores, conforme a perspectiva weberiana. Aproxima-se das teses de Eric Voegelin e Leo Strauss. "das acções dos homens,que não são necessárias,mas contingentes,porque livres" e que se distingue da filosofia especulativa,isto é,"um saber necessário daquilo que é necessário",como refere Vittorio Possenti. "com a prevalência do método sobre o objecto foi‑se perdendo a convicção,muito forte em S.Tomás e Aristóteles,segundo a qual, por exemplo, mesmo um conhecimento modesto àcerca das coisas supremas é muito mais importante do que o mais exacto e pormenorizado conhecimento sobre as coisas de menor importância".É que na filosofia clássica o pensamento situa‑se , não apenas antes da ciência e do conhecimento em geral, mas até antes da própria lógica. não só os métodos são pura e simplesmente reduzidos ao método,como o mesmo método passa de tal maneira ao primeiro lugar que se torna ,não já um instrumento necessário de busca da verdade ,mas o critério de toda a relevância e de toda a significatividade.As exigências do objecto são brutalmente descuradas,ao passo que o método é quem, em última análise ,determina o objecto e decide o que é relevante e o que não é""a investigação política contemporânea aparece como um universo caótico sem um centro de gravidade ,onde se acumulam indiscriminadamente informações sobre informações",aquilo que o próprio David Easton designa por hiperfactualismo. Possenti , outro dos entusiastas deste regresso a Aristóteles e S.Tomás,entende a filosofia política como filosofia prática, diversa da filosofia especulativa ,porque "uma ciência não de um qualquer operável,mas do operando ...um saber de ordem normativa" que "ilumina as ciências sociais dum duplo modo:intervém na formaçao e classificação dos seus conceitos de base;indica os fins com vista aos quais as ciências sociais se estruturam cientificamente e são aplicadas na prática"O mesmo autor considera a política como "ciência e saber",que compreende no seu seio a filosofia política,a teoria política e a ciência política empírica",pertencendo "ao âmbito das ciências do espírito e da cultura",dado que "não é uma arte empírica,mas conhecimento e saber".Para ele haveria uma ciência política com "C" maiúsculo,que corresponderia à filosofia política ,e uma ciëncia política com "c" minúsculo,que corresponderia à ciência política empírica,bem como ciência políticas,como a demografia,o direito,a economia política e a geografia,aquele conjunto de ciências que são necessárias para a condução da sociedade política e do Estado.Considera,nestes termos, que "o método empirico‑analítico pode ser útil na ciência política para um alargamento da base cogniscitiva à nossa disposição e para a classificação dos factos políticos". considera que "a sociedade política é uma comunidade de agir,orientada para um fim valorizado como bem e mantida pela tensão comum para o bem a que se dirige".Nestes termos considera que a política "não é produção mas praxis",é "a praxis onde perpetuamente se edifica a comunidade política,é o conjunto das realidades fundamentais que estão presentes em qualquer tipo de existência política:bem comum, autoridade, direito, povo""o Estado não é o todo da sociedade política,não se identifica com ela;mas uma parte dela,a mais elevada.O Estado pertence ao género sociedade, é uma sociedade,mas não é toda a sociedade política".a partir de Grócio vai teorizar‑se,de forma racional, o contrato social,surgindo,assim,uma nova forma de Estado , marcada pelo dualismo entre um imaginado estado de natureza e uma sociedade civil ou uma sociedade política, entendidas como sinónimos pelos jusracionalistas , onde "o natural não é político e o político não é natural" passa a ser legítimo "apenas aquilo que é acordado entre livres e iguais", fazendo‑se apelo a "uma legitimidade processual conceptualmente distinta da legitimidade substancial própria da filosofia clássica que a radicava numa determinada ideia do bem político e do justo natural" (cfr. trad. port. de Natércia Maria Mendonça, A Boa Sociedade. Sobre a Reconstrução da Filosofia Política, Lisboa, IDL - Instituto Adelino Amaro da Costa, 1986). ìPossenti.
 
Burckhart, Jakob Christoph (1818-1897). Historiador suíço, especialista no período da Renascença. Professor em Basileia
·Die Zeit Konstantins des Grossen
1853.
·Die Kultur der Renaissance in Italien
1860.
·Griechische Kulturgeschichte
1898-1902. Obra póstuma.
 
Burckhardt, Walter Jurista suíço. Considera, por seu lado, que as pessoas colectivas públicas só o são enquanto actuam no comércio jurídico privado, dado que no plano do direito público não têm direitos mas apenas competências e deveres funcionais.
·Die Organisation der Rechtsgemeinschaft, Basileia, 1927
 
 
Burguês. Do lati burgense. Do burgo
 

Burgo. Do lat. burgu. Povoação ou pequena fortaleza. Palavra de origem germânica.
 Burdeau, Georges -Ciência do poder,4,42 -Ciência política,2,13 - Estado como institucionalização do poder,75,503 -Estado,institucionalização do poder,135,935 -Poder e autoridade,55,352 -Estado espectador ou Estado Polícia,108,755 -Poder,força que faz da sociedade um organismo social,0,0  "é sobre o poder que repousa tudo o que é político", não deixando ,contudo , de salientar que o poder é facto mais ideiaGeorges Burdeau,por seu lado,refere a "força que transforma uma sociedade num organismo social". este poder é simultaneamente uma força e uma ideia.É não apenas força externa ou imperium,mas também "representação quanto ao futuro esperado",dado que quem manda tem necessariamnete que ter um fim em vista.O poder é,assim,"uma força nascida da vontade social destinada a conduzir o grupo na procura do bem comum e capaz, em caso de fracasso,de impôr aos respectivos membros a atitude que ele comanda" é a "possibilidade de ser obedecido",enquanto a autoridade é vista como a "qualificação para dar uma ordem".Adiant que "se os chefes dão tanto valor a que os considerem legítimos é porque a legitimidade lhes traz um acréscimo de autoridade que eles não podem receber senão daí.Ao poder que se impõe ,ela acrescenta a qualidade que se liga a um poder consentido",porque a legitimidade "enobrecendo a obediência,converte em obrigações nascidas de um dever o que eram somente atitudes ditadas pelo temor.Enfim,introduz o poder no universo mágico das representações e das crenças...Metamorfose moderna da sacralização do poder,a legitimidade laiciza o seu fundamento sem lhe enfraquecer a solidez,visto que substitui a investidura divina pela consagração jurídica""o poder é o direito do futuro" porque "na origem do poder há um pacto entre uma ideia e uma energia".Na linha de Ihering que considerava que "o direito existe para se realizar", assinala que todo o direito tem vocação para a positividade,que todo o direito visa à acção. considera que estas concepções de cepa sociologista,quando transpostas para a análise do Estado tendem a criar uma espécie de  Estado‑Funcional que "sem deixar de ser um Poder,é qualificado pela função que cumpre na sociedade" ,é "o poder agrilhoado pela sociedade técnica" e o "sustentáculo ideológico do neo‑capitalismo",que "defende a tese do apaziguamento ideológico" dado ser "aquele em que a função política é considerada como submetida aos simples imperativos da previsão e do cálculo racionais". o mundo político é da "mesma natureza que o universo poético",dado que "é povoado por crenças, convenções e símbolos".E isto porque "se o político é o reflexo de uma imagem que a sociedade faz de si mesma,concebe‑se facilmente que ele seja solidário de símbolos e de mitos que sustentam esta representação". A nação é,pois,uma manifestação dessa terceira dimensão da sociabilidade.Mas porque é "um sonho de futuro partilhado" (Georges Burdeau), há tantos conceitos de nação quantos os sonhos desses diversos povos nacionais.E mesmo cada povo nacional vai variando de sonho conforme os respectivos instintos de legítima defesa.Ora, é nessa variedade,feita à imagem e semelhança da própria personalidade humana,que se encontra o essencial da respectiva universalidade. "o povo não é um dado material, traduzível em número, é uma construção efectuada, naturalmente, a partir da realidade, mas marcada por uma intenção política: o povo é definido em função daquilo que se espera da sua vontade". a sociedade primitiva é "coexistência " e "agregado" e nem sequer se pode falar,propriamente,em "sociedade",dado não existir "este sentimento ou esta representação de um todo,que é,ao mesmo tempo,conjunto".Na tal sociedade primitiva o grupo formava "uma unidade homogénea e indecomponível",donde o indivíduo apenas se destaca lentamente. O Estado é ao mesmo tempo conceito e instituição. quando considera que "os homens inventaram o Estado para não obedecer aos homens" o chamados elementos constitutivos,muito principalmente o território e o grupo,"se não entram na noção de Estado,conduzem‑na e condicionam‑na. Preexistem ao Estado e subsistem quando ele existe;são o quadro no meio do qual se desenvolve,a atmosfera que lhe é indispensável.Sem eles o Estado desapareceria,não porque eles sejam a sua substância,mas porque deixaria de ter razão de ser.Em suma,são as condições de formação e de existência do Estado" um Poder incorporado numa instituição, sendo no entanto preciso que esse poder se exerça sobre um território e sobre uma população".Pelo que não existe Estado sem território, embora haja muitos grupos de base territorial que não constituem Estado". E isto porque o Estado "não é um ser concreto que possa confundir‑se com os elemtos materiais que justificam a sua existência ao mesmo tempo que lhe servem como meios de acção" Burdeau,"a fronteira é essencialmente uma noção de ordem política", pretende "dar à nação o seu quadro natural, quando o território deixa de ser um objecto de propriedade e se torna instrumento da autoridade necessária à prossecução do bem comum".,temos que, nestes termos,"o território é, ao mesmo tempo, um símbolo e uma protecção avançada da ideia nacional.Permite realizar a síntese de um chão e de uma ideia, que é própria da ideia de nação". "o fascismo recusa reconhecer à nação uma personalidade distinta do Estado:a nação não é uma construção do espírito,é uma realidade".Onde o demo‑liberalismo vê um cidadão,o fascismo vê um produto;onde assinala a existência de uma sociedade de individuos justapostos,o fascismo concebe um grupo organizado segundo as leis inelutáveis da vida económica;onde o primeiro proclama a liberdade de trabalho,o segundo advoga um corporativismo decalcado sobre o desenvolvimento disciplinado da produção. o Estado Espectador reflecte o anti‑estatismo do primitivo liberalismo, aquele Estado que "não tem funções , tem apenas atribuições...porque não tem finalidade própria", coisa que apenas caberia à sociedade.( se de um Estado que não passou de uma espécie de "anarquia policiada"( de uma simples "disciplina externa", pelo que se tornou "pesado sem ser forte, omnipresente e desarmado, dotado de uma administração admirável e de uma política intrincada...um Estado em todo o aparelho da autoridade, mas a quem faltava a ideia que teria feito dele um poder", a quem faltava "a inteligência de um poder"Foi contra esse modelo de Estado que surgiram tanto o solidarismo como o cristianismo social, ambos se propondo "humanizar o liberalismo", transformando o Estado num "árbitro cujo papel se limita a impedir que o jogador mais forte faça do mais fraco o que lhe apetecer" que ficou "árbitro sem doutrina... reduzido a um empirismo que o torna, quanto à extensão das suas atribuições, tributário das relações de força entre os diversos grupos que constituem a colectividade" Deu‑se, então, a passagem do Estado årbitro ao Estado Tutor, segundo a expressão de Jules Ferry ,em discurso feito em 31 de Janeiro de 1884,segundo o qual "o governo deve ser o superintendente da previdência social e o tutor dos infelizes que não têm quem os defenda" Burdeau quando considera o Estado como a "institucionalização do poder",e esta como "a operação jurídica pela qual o poder político se transfere da pessoa dos governantes para uma entidade abstracta ‑ o Estado.O efeito jurídico desta operação é a criação do Estado como suporte do poder independente da pessoa dos governantes".Neste sentido refere que "o Estado não é justaposição de um grupo,de um território,de um chefe,mas é uma certa maneira de ser do Poder",pelo que não há Estado em todos os "grupos humanos vivendo num território próprio sob a coerção de um chefe",exigindo‑se "unidade,continuidade,poderio e limitação pelo direito".Para o mesmo autor uma instituição é "uma empresa ao serviço de uma ideia,organizada de tal modo que,achando‑se a ideia incorporada na empresa,esta dispõe de uma duração e de um poder superiores aos dos indivíduos por intermédio das quais actua".Esta institucionalização do poder "permite ao grupo que continue ,segundo uma técnica mais aperfeiçoada, a procura do bem comum;assegura uma coesão mais estreita entre a actividade dos governantes e o esforço pedido aos governados;torna mais flexível a influência da ideia de direito sobre os comportamentos sociais e, com isso, constitui o progresso mais seguro que pode realizar‑se numa sociedade política".Para o mesmo autor esta institucionalização "é o resultado de uma atitude inteligente do homem relativamente ao problema do Poder;o Estado é um conceito,o suporte ideal do poder público.Ora, só o homem pode dar origem ao conceito,pensando o Estado como tal".
·Traité de Science Politique
Paris, Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1949: tomo I - Le Pouvoir Politique [reed., 1967; ou Présentation de l’Univers Politique, 1980]; tomo II - L’État [reed., 1967]; tomo III - La Dynamique Politique [reed., 1968]; tomo IV - Le Statut du Pouvoir dans l’État [reed., 1969]; tomo V - Les Régimes Politiques [reed., 1970]; tomo VI - L’État Libéral et les Techniques Politiques de la Démocratie Gouvernée [reed., 2 vols., 1971]; tomo VII - La Démocratie Gouvernante, son Assise Sociale et sa Philosophie Politique [reed., 1972]; tomo VIII - La Démocratie et les Contraintes du Nouvel Âge [reed., 1974]; tomo IX - Les Façades Institutionnelles de la Démocratie Gouvernante [reed., 1976]; tomo X - La Rébellion du Social [reed., 1977].
·La Démocratie. Essai Synthétique
Neuchâtel, Éditions La Baconnière, 1953 [reed., Paris, Éditions du Seuil, 1966; trad. port. A Democracia, 2ª ed., Mem Martins, Publicações Europa-América, 1969].
·Méthode de la Science Politique
Paris, Éditions Dalloz, 1959. Cfr. trad. Cast., Método de la Ciencia Politica, Buenos Aires, Depalma, 1964.
·De l’État
Paris, Éditions du Seuil, 1970.
·Le Liberalisme
Paris, Éditions du Seuil, 1979 [trad. port. O Liberalismo, Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d.].
·La Politique au Pays des Merveilles
Paris, Presses Universitaires de France, 1979.
 
 
Burgess, John William (1844-1931) Natural de Tennessee, de uma família marcada pelo sulismo wigh. Estuda na Alemanha a partir de 1871. Fundador da Escola de Ciência Política da Universidade de Columbia em 1880. Defende as concepções germânicas do Estado e liga-se à Escola Histórica. Um dos nacionalistas norte-americanos, defendendo um modern national popular state. Retirou-se do ensino em 1912. Considera o Estado como o órgão da humanidade menos sujeito a cair na injustiça e defende que a única realidade objectiva sobre a qual pode assentar a ciência política como base duma construção verdadeiramente científica.
 
·Political Science and Comparative Constitutional Law
1890.
 
·The Foundations of Political Science
1933. A obra, extraída da editada em 1890, divide-se em 4 livros: a Nação, o Estado, a Liberdade e o Governo; reed. de Wilfred M. MacClay, New Brunswick, Transaction Books, 1994.
 
Burgess, Michael
·Federalism and Federation, Londres, Croom Helm, 1986.
·Federalism and the European Union. Political Ideas, Influences and Strategies in the European Community, 1972-1987, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1989.
·Com Gagon, A. G., eds., Comparative Federalism and Federation, Nova York, Harvester Press/Wheatsheaf Books, 1993.
 
Burguesia
 
 
 
Burke, Edmund 1729-1797 Nascido na Irlanda, filho de pai protestante e de mãe católica. Estuda direito em Dublin. Secretário de Lord Rockingham, um dos chefes wighs, desde 1765, passa a membro da Casa dos Comuns (1765-1790). Em 1770 é deputado pela colónia norte-americana de Nova Iorque. A partir de 1774 por Bristol. Ligado a David Hume e Adam Smith. No decurso da sua actividade parlamentar, denunciou o doutrinarismo dos revolucionários, considerando os mesmos dependentes de uma metafísica política apriorística que não tinha em conta as categorias do espaço e do tempo. Assim, contra os abstractos direitos naturais, preferia defender os direitos concretos, conquistados pela história, os chamados direitos dos ingleses, correspondentes às liberdades e privilégios dos nossos foros e costumes.
·Vindication of a Natural Society (1756) (cfr. ed. de Frank N. Pagano, Indianapolis, Liberty Fund, 1982).
·Observations on a Late Publication Intituled “The Present State of the Nation”, 1769.
·Thoughts on the Cause of the Present Discontents (1770).
·Reflections on Revolution in France (1790) (cfr. trad. fr. de Pierre Andler, Réflexions sur la Révolution de France, com apresentação de Philippe Raynaud, Paris, Éditions Hachette, 1989; cfr. tb. Pre-Revolutionary Writings, ed. de Ian Harris, Cambridge University Press, 1993). ìReflections.
·An Appeal from the New to the Old Whigs (1791). autor das célebres
Reflections on the Revolution in France, de 1790, obra onde defende o princípio da continuidade histórica das instituições políticas, conciliando liberalismo com conservadorismo. Assim, contra o modelo iluminista do construtivismo, prefere conceber as instituições como resultado da tradição, entendida como uma espécie de prescrição aquisitiva ou costume imemorial. Retoma também o sentido neo-clássico da ordem cósmica e, como salienta Truyol y Serra, faz uma ponte entre a escolástica e o romantismo, passando por cima do laicismo iluminista. Assume-se, deste modo, como um conservador liberal e identifica-se com o consensualismo pré-absolutista, considerando que o Estado, – e quando fala em Estado diz dele o que quase todos dizem da nação – não é segregado nem por um individuo isolado nem por uma multidão, mas antes a partir da espécie e através de um processo orgânico: a espécie é sábia e quando se lhe dá tempo, como espécie que é, procede sempre com razão. Defende, deste modo, uma espécie de razão colectiva, em vez da razão individual, acentuando a herança (heritage) através de uma visão orgânica da sociedade, frontalmente contrária ao individualismo. Este Estado de Burke não é uma folha de papel em branco onde cada um pode gratujar à vontade, nem sequer o conceito de um território ou de uma associação temporária de individuos, mas representa uma continuidade no tempo, assim como no número e no espaço. Daí que a respectiva organização deva ser olhada com maior respeito, pois que não é só uma associação para os fins que servem a efémera existência animal. É assim definido como uma sociedade de todas as ciências, de todas as artes, uma sociedade de todas as virtudes e de todas as perfeições. Como os fins de tal sociedade não podem realizar‑se em algumas gerações, a sociedade far‑se‑á não somente entre os vivos, mas também entre todos os que morreram e todos os que estão para nascer. Na base de tal entidade há uma determinada forma de contrato, um contrato de gerações que faria nascer uma associação (partnership), mas não como um contrato de sociedade sobre a pimenta ou café, os panos ou os tabacos: é completamente diferente do negócio e não pode ser dissolvido pelo arbítrio dos partidos. Daí considerar que cada contrato de um Estado qualquer não é mais do que uma cláusula deste grande contrato primitivo de uma sociedade eterna que liga os indivíduos inferiores aos seres superiores, que une o mundo visível ao mundo invisível por meio de um pacto indeterminado, garantido por um juramento inviolável, e no qual cada ser tem o seu lugar fixo. Esta lei não se submete à vontade humana: ao contrário, os homens, por um dever infinitamente superior, submetem a sua vontade a esta lei. Neste sentido, salienta que a Constituição é the engagement and pact of society pela qual the constituent parts of a State are obliged to hold their public faith with each other.137,963 -Especulacionismo,10,85 -Estado,115,803 -Nação,60,392 -Revoluções,108,750-Linha moral e linha ideal,115,803
 
Burla Grande Burla de Alves dos Reis
 
Burlamaqui, Jean-Jacques (1694-1748) Professor em Genebra um calvinista de Genebra, com origens italianas: Finalmente, refira-se que, segundo Burlamaqui, o direito é tudo o que dirige ou é dirigido, visando dar direcção à conduta do homem, porque este é susceptível de direcção e de regra relativamente às suas acções. Assim, define a lei como a regra comandada por um soberano de uma sociedade aos seus súbditos, distinguindo-se do simples conselho que não tem por base um comando e não é obrigatório. Por seu lado, o direito de comandar não é senão o poder de se servir da sua liberdade e das suas forças naturais de tal maneiraque se dirige com autoridade as acções dos outros segundo a sua vontade, enquanto este exercício das nossas forças e da nossa liberdade é aprovado pela razão.
·Principes de Droit Naturel
Genebra, 1747. Há uma edição latina, de 1754.
·Elementa iuris naturalis); Principes de Droit Politique, Genebra, 1751 (estas duas primeiras obras serão fundidas em Principes du Droit Naturel et des Gens, de 1767-1768, havendo desta última uma reimpressão, Caen, 1998);
·Éléments de Droit Naturel, Lausanne, 1775 (ver a trad. port. de José Caetano de Mesquita, Elementos de Direito Natural, 1768).
 
}Gagnebin, Bernard, Burlamaqui et le Droit Naturel, Genebra, Éditions de la Frégate, 1944.}Harvey, R. F., Jean-Jacques Burlamaqui. A Liberal tradition in Americam Constitutionalism, Chapel Hill, The University of North Carolina Press, 1937.
 
Burnay, Henry (1837-1909) Filho de um médico belga. Começou a vida como empregado do banqueiro Carlos Kus, com cuja filha casa; fundou, depois em Lisboaa a casa Hanry, Burnay & Cª, depois banco Burnay. Conde desde 1886. Deputado em 1894 e 1898. Eleito em 25 de Novembro de 1900 por Setúbal, vencendo o candidato republicano João Chagas. O palácio da Junqueira, onde funciona o ISCSP, foi por ele reconstruído. Será vendido em hasta pública no ano de 1937.
 
Fonsecas & Burnay O grupo Fonsecas & Burnay era um dos principais grupos económicos portugueses anteriores a 1974. Resulta da fusão dos bancos Fonseca, Santos & Viana e Burnay, cocorrida em 1967. Participa na Efacec, CRGE e tem ligações ao grupo ITT, através da Standard Eléctrica. No plano dos interesses coloniais, ligado à Cotonang e à Diamang.
 
Burnham, James n. 1905 Autor norte-americano, adepto da teoria das elites. De origens trotskystas, teoriza a era dos organizadores, ou a managerial revolution. Analisa as elites organizacionais. Influenciado por F. W. Taylor, considera que os managers são escolhidos tanto pelos seus conhecimento científicos como por traços prsicológicos. Compara o advento dos mesmos em três regimes políticos de então: a URSS de Estaline, a Alemanha de Hitler e os Estados Unidos de Roosevelt, observando em todos os casos uma grande identidade de processos.
·The Managerial Revolution
Nova York, John Day, 1941 (cfr. trad. fr. com pref. de Léon Blum, L'Ère des Organizateurs, Paris, 1947).
·The Machiavellians, Defenders of Freedom
 Nova Iorque, 1943 (cfr. trad. fr. Les Machiavéliens, Defenseurs de la Liberté, Paris, Éditions Calmann-Lévy, 1949).
·Suicide of the West. An Essay on the Meaning and Destiny of Liberalism
1964
·The War We Are In
New Rochelle, Arlington House, 1967.
 
Burns, James H.
, Peltason, J. W., Government by the People, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1963. Leadership, Nova York, Harper & Row, 1978., ed., The Cambridge History of Political Thought. 1450-1700, Cambridge, Cambridge University Press, 1991.
 
Burocracia. Do francês bureaucratie, termo inventado por Gournay, na primeira metade do século XVIII. É o tipo ideal de uma organização formal da sociedade, caracterizada pela legitimação hierárquica da autoridade, com poderes e responsabilidades atribuídas a funcionários que ocupam posições numa determinada hierarquia marcada pelo direito à carreira. Cada posição tem objectivos previamente fixados e há uma codificação de todas as regras de conduta que tratam da organização como um todo, onde há ordens comunicadas por escrito.
Max Weber
Segundo Weber, uma das características do Estado Moderno, um conjunto de pessoas marcadas pela competência e não pela fidelidade. O Estado Moderno seria, acima de tudo, um Estado Racional marcado pelo surgimento de uma administração burocrática. E isto porque em todos os domínios (Estado, Igreja, exército, partido, empresa económica, grupo de interesses,associação, fundação,etc.), o desenvolvimento das formas modernas de agrupamento identifica‑se muito simplesmente com o desenvolvimento e com a progressão constante da administração burocrática: o nascimento desta é, por assim dizer, o esporo do Estado ocidental moderno.
A ditadura do funcionário
A burocracia racional é, pois, uma ditadura do funcionário. Apoia‑se na crença na legalidade de ordens estatuídas e dos direitos de mando dos chamados por essas ordenações a exercer a autoridade. Tem uma impersonalidade formalista, consistindo numa dominação graças ao saber que destrói os antigos sistemas de legitimação. Assim, o saber e a ideologia passam a ser os principais pontos de apoio do Estado. Uma burocracia também se tornou possível pelo aparecimento de uma economia monetarista que permitiu ao Estado passar a pagar com regularidade aos seus funcionários,abandonando‑se o anterior pagamento em espécie,por exemplo, através do aluguer da função de cobrador de impostos.
 
Segundo Weber, tem a ver com a acção racional referente a fins (zweckrational), onde os indivíduos são capazes tanto de definir objectivos como de avaliar os meios mais adequados para a realização desses objectivos, uma acção social marcada pela moral de responsabilidade, onde o valor predominante seria a competência. Aqui já nos situaríamos no campo do Estado racional-normativo ou do Estado-razão, onde domina a acção burocrática, aquela que faz nascer o poder burocrático, o poder especializado na elaboração do formalismo legal e na conservação da lei escrita e dos seus regulamentos, onde dominam a publicização, a legalização e a burocracia.
 
}Abcarian, Gilbert, Chackerian, Richard, Bureaucratic Power in Society, Chicago, Nelson A. Hall Co., 1984. } Aberbach, Joel D., Putnam, Robert D., Rockman, B. A., Bureaucrats and Politicians in Western Democracies, Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1981.} Abrahmson, B., Bureaucracy or Participation. The Logic of Organization, Newbury Park, Sage Publications } Blau, Peter M., The Dynamics of Bureaucracy, Chicago, The University of Chicago Press, 1955.}Idem, com Meyer, M., Bureaucracy in Modern Society, Nova York, Random House Publishers, 1956.} Crozier, Michel, Le Phénomène Bureaucratique, Paris, Éditions du Seuil, 1962.} Downs, Anthony, Inside Bureaucracy, Boston, Little, Brown & Co., 1967.} Goldwin, Robert A., ed., Bureaucrats, Policy Analysis, Statesmen. Who Leads?, Washington D. C., American Enterprise Institute, 1980.} Grémion, Pierre, Le Pouvoir Périphérique. Bureaucrates et Notables dans le Système Politique Français, Paris, Éditions du Seuil, 1976.} Heyneman, Charles, Bureaucracy in a Democracy, 1950.} Kingsley, J. D., Representative Bureaucracy, Ohio, Antioch Press, 1944.} Lane, Jan-Erik, Bureaucracy and Public Choice, Newbury Park, Sage Publications, 1961.} LaPalombara, Joseph, Bureaucracy and Political Development, Princeton, Princeton University Press, 1962.} Lefort, Claude, Elements d’une Critique de la Bureaucratie, Paris, Éditions Droz,1972.} Legendre, Pierre, Histoire de l’Administration de 1750 à nos Jours, Paris, Presses Universitaires de France, 1968.} Idem, Jouir du Pouvoir, Traité de la Bureaucratie Patriote, Paris, Éditions de Minuit, 1976.} O’Donnel, Guillermo A., Modernization and Bureaucratic Authoritarianism. Studies in South American Politics, Berkeley, University of California Press, 1973 [trad. cast. Modernización y Autoritarismo, Buenos Aires, Ediciones Paidós, 1972].} Page, Edward C., Political Authority and Bureaucratic Power. A Comparative Analysis, Knoxville, The University of Tennessee Press, 1985.} Peters, Guy, Rose, Richard, Can Governments Go Bankrupt?, Nova York, Basic Books, 1978. } Idem, The Politics of Bureaucracy, 4ª ed., Harlow, Longman, 1995.} Petitjouan, A., La République des Bureaux, Paris, Papyrus, 1990.} Pierre, J., Bureaucracy in the Modern State. An Introduction to Comparative Public Administration, Brookfield, Edward Elgar, 1995.} Thompson, V. A., Modern Organization. A General Theory, Nova York, Alfred A. Knopf, 1961.} Idem, Bureaucracy and Innovation, Tuscaloosa, University of Alabama Press, 1969.} Wilson, James K., Bureaucracy, Nova York, Basic Books, 1989.
 
Burocracia administrativa O circuito político e o circuito administrativo, distinção entre decisão sobre os fins e decisão sobre os meios. A hierarquia e a cadeia de comando Os executores hierárquicos (line) e os assessores e consultores (staff). Controlo da administração. O princípio da imparcialidade. O direito à carreira e o profissionalismo. Burocracia e chefia política. A lei de bronze da oligarquia. O regime dos funcionários administrativos. A crise da gestão administrativa da economia e do social. A procura do menos Estado e melhor Estado. Reforma administrativa e modernização administrativa. Descentralização, desconcentração e regionalização. Privatização e desregulamentação.
 
Bürshenschaft (1815) Associação alemã de estudantes, fundada em Iena em 1815. Resultado do impulso liberal nacionalista. A associação de camaradas (Burschen) assume a bandeira vermelha-preto-vermelha e a divisa Liberdade, Honra, Pátria. Bandeira que, no ano seguinte, assume as cores preto-vermelho-ouro, que hão-de ser as da República de Weimar e da República Federal da Alemanha. É esta sociedade que em 18 de Outubro de 1815 faz uma célebre reunião em Wartburgo, para comemorar o terceiro centenário da Reforma e onde, num ambiente de grande fervor, procede à queima de livros reaccionários e de símbolos do militarismo... O liberalismo nacionalista era um produto do chamado idealismo alemão que há-se constituir a incubadora univerasal da emoção nacionalsita. Os seus entusiastas vão buscar a J. G. Herder (1744-1803) a noção de povo, como povo orgânico e não já como a sociedade atomística do contrato social que estivera na base da Revolução Francesa. Emocionam-se como os Reden an die deutschen Nation  de Johann Fichte (1762-1814) as catorze conferências proferidas em Berlim entre 1807 e 1809, onde se vai defender a existência de uma espécie de eu nacional com base na unidade da língua e na identidade da raça, para além de uma predestinação do povo alemão e da necessidade de um Estado forte. É então que se proclama a necessidade de construir a nação alemã entendida como um dever do espírito alemão para com a humanidade, em nome do destino histórico. É então que o romantismo passa do panteísmo do eu individual para a deificação do eu colectivo, em nome da língua, da raça e do Estado. A fogueira do nacionalismo liberal alemão é entretanto detida pelo sistema Metternich, principalmente depois de Karlsbad, quano surgem decretos controleiros da liberdade de imprensa. A própria sociedade Bürshenschaft é dissolvida em 1819. A unidade alemã segue dentro de algumas décadas.
 
Burundi Colónia alemã, tutelada pela Bélgica desde 1916. Independente em 1962.
 
Bush, George Presidente norte-americano que sucede a Ronald Reagan, de quem era vice-presidente. Assiste à queda do Muro de Berlim. No plano estratégico, defende o conceito de Nova Ordem Mundial (27 de Setembro de 1991), reforma a IDS, através da GPALS (Global Protection Against Limited Strikes). Neste domínio, tem como principais colaboradores, Dick Cheney, secretário da Defesa, e o general Colin Powel. Tem várias importantes cmeiras com Gorbatchev em Malta (1989), Washington (1990), Helsínquia (1990) e em Paris, durante a reunião do G7 (1991).
 
Butão Território incorporado na Coroa britânica em 1865. Passou para a tutela da Índia em 1949. Admitido na ONU como Estado independente em Setembro de 1971.
 
Butler, D. E.
·The Electoral System in Britain since 1918, Oxford, Oxford University Press, 1963.
·, Ranney, A., eds., Referendums. A Comparative Study of Pratice and Theory, Washington D. C., American Enterprise Institute, 1978.,
·Bodganor, V., Democracy and Elections, Cambridge, Cambridge University Press, 1983.
 
  
Byron, George Gordon Noel, Lorde (1788-1824) Poeta inglês da escola romântica. Afasta-se da Inglaterra em 1816, considerando-se um desterrado que peregrina por vários países europeus. Visita Lisboa e elogia as belezas de Sintra, embore desdenhe dos portugueses. Apoia a luta pela independência grega em que participa.
·Childe Harold’s Pilgrimage
1812.
·Te Prisoner of Chillon
1816.
·Don Juan
1821.