Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: C/Ca
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                © José Adelino Maltez. Última revisão em: 03-01-2004
 

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Lista de artigos

Artigos em grosso

Cabala
Cabeçadas , Mendes Cabeçadas, Governo de (1926) E

Cabedal

Cabet, Étienne 1788-1856
Cabo, C.
Cabo Verde

Caboara, Lorenzo
Cabral, Alexandre

Cabral, Amílcar Cabral, António 1863-1956)
Cabral, A. B. da Costa (1803-1889)

Cabral, António

Cabral, Eduardo Augusto da Silva

Cabral, Francisco Alberto da Costa Cabral, João Gualberto Pina.

Cabral, João Rebelo da Costa 1804-1881
Cabral, José Bernardo da Silva Costa .

Cabral, José Santos

Cabral, Leonel Tavares 1790-1853

Cabral, Luís Gonzaga

Cabral, Luís Manuel de Moura

Cabral, Manuel Vilaverde .
Cabreira, Diocleciano Leão

Cabreira, Sebastião 1763-1833
Cabreira, Tomás )
Cáceres, Lourenço de
Cachemira 

Cacique Cadaval, 6º Duque do

Cadeia de Comando
Cádis, Revolução de

Caetano, Cardeal
Caetano, Marcello
Café com Leite, Política do

Café Filho, João Fernandes Cafres

Caillaux, Joseph
Caillois, Roger

Cairnes, John Elliot 1823-1875

Cairu, Visconde de

Conferência do Cairo 1964 Caldeira, Elvas

Caldeira, Francisco Soares

Castelo Branco, Manuel António 1791-1868
Caldas, Eugénio de Castro

Caldera, Rafael

Calendário Gregoriano

Calhoun, John Caldwell 1782-1850

Califa

Calisto, Avelino

Calmon , Pedro

Calogero, Guido
Calvert, Peter
Calvez, Jean-Yves
Calvin, Jean ou Calvino (1509-1564)

Calvo Sotelo, José
Camacho , Inocêncio

Camacho, Manuel Brito 1862-1934

Camachistas
Câmara , Filomeno da

Câmara, D. Helder (1909-1999)

Câmara, Manuel de Sousa da (n. 1877)

Camarada

Camarilha

Camarões
Cambodja (Kampuchea)

Cambraia (Cambrai)

Cambridge, Grupo de
Cambridge, Universidade de

Camby, Jean-Pierre
Camelli, Mauro

Cameralística

Camilleri, Joseph A.
Caminha, Pêro Vaz de

Caminho de ferro
Camisas Azuis

Camões, Luís de

Camoesas, João (n. 1887)

Camp David, Encontro

Campanella, Tommaso

Campanha

Campanha Eleitoral
Campbell, A.

Campbell, C.

Campbell, David

Campelo, António José Maria

Campinos, Jorge

Campo de concentração
Campo político

Campolide, Colégio de

Campos, Agostinho

Campos, António Alves de

Campos, Ezequiel de (1874-1965)

Campos, Fernando

Campos, Francisco António de 1780-1873

Campos, João Mota de (n. 1927)

Campos , José Alexandre

Campos, José Moreira de
Campos, Roberto
Camus, Albert (1913-1960)

Canadá (Dominion of Canada)
Canalha
Canas, Vitalino

Canavan, Francis
CANAVEIRA, MANUEL FILIPE CRUZ
Candidatura
Cândido , Jacinto .
Cândido , António
Caneca, Frei Joaquim do Amor Divino e

Canetti, Elias

Canguilhem, Georges

Canhotos

Cannac, Yves

Canning, George (1770-1827)

Canning, Stratford (1786-1880)

Canotilho, José Joaquim Gomes

Canovan, Margaret
Cánovas del Castillo, Antonio 1828-1897

Cao-Garcia, Ramon J.
Canudos, Revolta dos
Caos
Capacidade
Capelo, Hermenegildo

Capital

Capital Simbólico

Capitant, René
Capitalismo
Capitalism, Socialism and Democracy, 1942

Capitalisme et Schizophrénie”, 1972

Capitalismo, Catolicismo, Protestantismo, 1933

Capitalismo ou Comunismo? Resposta da Sociologia Cristã, 1954

Capitulação
Capo d'Istria, Conde 1776-1831

Capurso, M.

Caraça, Bento de Jesus

Caracala

Carácter nacional português D

Carácter Nacional Brasileiro

Caracteres da Monarquia 1824

Carbonários

Cardia, Mário Sottomayor
Cardis, F.
Cardonnel, Jean

Cardoso, Alfredo Ernesto de Sá (1864-1950)

Cardoso, Artur Alberto Camacho Lopes
Cardoso, Carlos Ernesto de Sá (n. 1902)

Cardoso, Fernando Henrique

Cardoso, Francisco António Gonçalves (1800-1875)

Cardoso, José Pires n. 1904
Cardoso, Miguel Esteves

Cardoso, Vicente Licínio
Cardozo, Benjamin Nathan

Carélia

Carey, G.

Carey, Henri-Charles
Carey, G.
Caríntia ()

Carisma

Carlismo

Carlos, Adelino da Palma

Carlos, Manuel João da Palma D.

Carlos I

Carlos V

Carlos X 1757-1836 D.

Carlota Joaquina

Carlyle, A. J.

Carlyle, Thomas (1795-1881)
Carmo, Bento Pereira do (1777-1845)

Carmona, António Óscar de Fragoso

Carmoy, G.

Carnap, Rudolf (1891-1970)
Carnegie, Andrew

Carneiro, Diogo Gomes

Carneiro, Francisco de Sá Carneiro, Governo de Francisco Sá (1980)

CarneiroMorais
Carneiro, Manuel Borges

Carneiro, Robert Leonard
Carnot, Lazare (1753-1823)
Carnoy, Martin

Caro, Robert

Carolíngio, Império

Carpentier, Jean

Carqueja, Bento 1860-1935

Carqueja, Manuel de Sousa 1821-1884

Carr, Edward Hallett n. 1892
Carracedo, José Rubio
Carré, Olivier
Carreira, Conde da (1787-1871)
Carreira política

Carrel, Alexis 1873-1944
Carrilho, António Maria Pereira

arrilho, Maria
Carrillo, Maria Angeles Galino
Carrol, Lewis
Carta Carta do Atlântico (1941)

Carta das Nações Unidas 1945

Carta de Paris para uma Nova Europa 1989

Cartel

Carter, April
Carter, Gwendolyn
Carter, James Earl ou Jimmy (n. 1924)

Cartesianismo

Cartismo em Portugal

Cartismo, Primeiro

Cartistas

Cartuxos
Carvalho, Alberto António de Morais (1801-1878).

Carvalho, Antão Fernandes de

Carvalho, António Carlos

Carvalho, Ribeiro de (1889-1967)

Carvalho, António Pires de

Carvalho, Augusto Saraiva de (1839-1882)

Carvalho, Fernando Martins de

Carvalho, Henrique Martins de.

Carvalho, Joaquim da Costa (1790-1886)

Carvalho, João Manuel de (n. 1866)

Carvalho, João da Silva (sec. XIX)

Carvalho, Joaquim Barradas
Carvalho, Joaquim Martins de (1822-1898)

Carvalho, Joaquim Peito de

Carvalho, Joaquim de
Carvalho, José António Faria de

Carvalho, José da Silva 1782-1856

Carvalho, José Liberato Freire de (1772-1855)

Carvalho, José Murilo de (n. 1939)
Carvalho, Lourenço António de (1837-1891)

Carvalho, Luís Augusto Pinto Mesquita de

Carvalho, Manuel António de (1785-1858)
Carvalho, Mariano Cirilo de (1836-1905)

Carvalho, Orlando de

Carvalho, Orlando M.
Carvalho, Sebastião José de 1835-1905

Casa Casa

Casal, 1º Barão e 1º Conde de

Casanova, J. A. González

Cassese, A.

Cassirer, Ernst (1874-1945) Unidade das formas simbólicas
Casta

Castanho, José Ribeiro

Castela

Castela, M. Jorge
Castelhano, Mário 1896-1940

Castellano, Danillo
Castelo Branco, António de Azevedo (1843-1916)
Castelo Branco, Euletério Francisco de
Castelo Branco, José de Azevedo 
Castex, Raoul
Castilho, António Feliciano de (1800-1875)
Castilho, Augusto Frederico (1802-1840)
Castilho, Augusto Castillo, Pilar Del
Castlereagh, Visconde de (1769-1822)
Castles, Francis G.
Castoriadis, Cornelius
Castro, Álvaro Xavier de (1878-1928)
Castro, Álvaro de– Governo de (1923-1924)
Castro, D. António de S. José e
Castro, António Manuel Lopes Vieira de (1796-1842)
Castro, António Joaquim Oliveira e.
Castro , Augusto de
Castro, Armando
Castro, Bernardo José de Abrantes e (1771-1833)
Castro, Caetano Pereira Sanches de
Castro, D. A. L. Faria de 1715-1789
Castro, Fernando Alvia de (séc. XVII)
Castro, Ferreira de n. 1898
Castro, Fidel n. 1926
Castro, Filipe Ferreira de Araújo e (1771-1849)

Castro, Gabriel Pereira de
Castro , Canto e (1862-1934)
Castro, Joaquim Basílio Cerveira e Sousa Albuquerque e
Castro, Joaquim Pereira Pimenta de (1846-1918)
Castro, José da Gama e (1795-1873)
Castro, José de
CastroMelo eCastro, J. J. Gomes de 1794-1878

Castro, Josué de
Castro, D. Luís Filipe de (1868-1928)
Castro da Fonseca e Sousa Osório, Macário de (1800-1852) 
Castro, Manuel Marinho Falcão de
Castro, D. Manuel de Portugal e
Castro, Martinho de Melo e (1716-1795)

Castro, Pedro Augusto Pereira de

Castro, D. Frei Vicente da Soledade e

Castro, Zília Osório de

Castro Marim, 2º Conde do. 2º Marquês de Olhão D. Pedro de Melo da Cunha Mendonça e Meneses

Casuísmo moral

Casuística do poder

Cataláxia

Catalunha()

Catarse
Catástrofe
Catch-all party Catecismo Revolucionário 1869 CategoriaCategóricoCatlin, G.
Catolicismo sem Cristinismo

Catolicismo revolucionário

Catolicismo social

Cathrein, Viktor
Catroga, Fernando de Almeida
Caucus

Caudilho

Caupers, João
CausaCausa Republicana (1954) Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos, 1871
Causalidade múltipla

Cavalcanti, Pedro
Cavalcanti, Temístocles Brandão

Cavalheiro, Rodrigues

Cavalli, L.

Cavarozzi, M.
Caverna, Alegoria da
Cavour, Camillo Benso, Conde de (1810-1861)

Cawson, Alan Cayrol, R.
Cazaquistão
Cazeneuve, Jean (n. 1915)


 

Cabala O mesmo que ciência oculta. A interpretação iniciática da Bíblia. Daí que a expressão seja utilizada para qualificar qualquer conluio ou intriga secreta visando desestabilizar a ordem estabelecida.
 
Cabeçadas Júnior, José Mendes (1883-1965) Oficial da Armada. Maçon. Revolucionário do 5 de Outubro de 1910, enquanto comandante do navio Adamastor que bombardeia o Palácio das Necessidades. Deputado em 1911 e 1915. Sucessivamente unionista e liberal, tambem participa com Cunha Leal na União Liberal Republicana, uma dissidência dos nacionalistas, surgida nos começos de 1928. Lidera a revolta de Julho de 1925. Presidente da junta revolucionária de Lisboa do 28 de Maio, tem como colaborador o tenente Carlos Vilhena. Inspira o golpe da Melahada, de 10 de Outubro de 1946 Organizador da conjura da abrilada contra o salazarismo em 1947. Apoia a candidatura de Quintão Meireles em 1949. Salienta, então, que a supressão de direitos ou liberdades gerou o mal estar e o temos. Hoje não há direitos, nada se obtém que não seja por favor. Observa que o 28 de Maio foi prevertido por um técnico de finanças que gerou uma política de ódio e que se criaram instituições que dividem os portugueses. Ainda subscreve em 1961 o Programa para a Democratização da República.
 
Cabeçadas, Governo de (1926) Em 28 de Maio de 1926 as instituições republicanas foram derrubadas por uma sedição militar, iniciada em Braga por Gomes da Costa e coordenada em Lisboa por Mendes Cabeçadas, antigo revolucionário da Rotunda, ligado à União Liberal Republicana. A Junta revolucionária de Lisboa era constituída, entre outros, por Cabeçadas, Gama Ochoa, Jaime Baptista e Carlos Vilhena, tendo o apoio do comandante da polícia, Ferreira do Amaral, que logo em 30 de Maio foi nomeado governador civil. Uma revolução quase à procura de autor que recebeu inicialmente apoio de variadas facções, de anarco-sindicalistas a católicos, passando por seareiros, integralistas, republicanos conservadores e monárquicos, mas cujos líderes foram sucessivamente devorados (primeiros Cabeçadas e depois Gomes da Costa), até se atingir a estabilidade com Carmona, apoiado pelo Ministro das Finanças, Oliveira Salazar que, pouco a pouco, emergiu como verdadeiro líder da nova situação. Com efeito, Gomes da Costa, Cabeçadas e Carmona foram as três principais figuras de um puzzle sediciosos que, durante três meses, personificou um movimento que, sem autor, procurou um chefe.
 
Em 30 de Maio de 1926:
Cabeçadas, o Presidente começa por assumir todas as pastas, mas nesse mesmo dia logo é instituído um triunvirato;
·Cabeçadas na presidência, marinha e justiça.
·Gomes da Costa na guerra, colónias e agricultura.
·Gama Ochoa no interior, estrangeiros e instrução.
 
Em 3 de Junho de 1926:
·Cabeçadas na presidência e interior.
·Oliveira Salazar nas finaças.
·Manuel Rodrigues na justiça.
·Gomes da Costa na guerra e colónias.
·Jaime Afreixo na marinha.
·Carmona nos estrangeiros.
·Mendes dos Remédios na instrução.
·Ezequiel de Campos na agricultura e no comércio.
 
Cabedal Do lat. capitale. Expressão antiga com que se designavam todas as coisas de valor. Daí também ter designado recursos ou poder.
 
Cabet, Étienne 1788-1856 Advogado. Membro da extrema-esquerda republicana durante o regime orleanista, quando dirige o jornal Le Populaire. Condenado a dois anos de prisão em 1834, refugia-se em Inglaterra. Nesse período, escreve uma Histoire Populaire de la Révolution de 1789 á 1830, onde defende o regime da Convenção e exalta a figura de Robespierre. Em 1839 publica a sua obra mais famosa, em forma de romance utópico, onde defende o comunismo como a mais perfeita e a mais completa realização da democracia, salientando que os comunistas são os imitadores e os continuadores de Jesus Cristo.
 
Bibliografia
[1839]
Voyage et Aventures de lord William Carisdall en Icarie
 
(Paris, H. Souverain)
(reed. Voyage en Icarie, Paris, Slatkine, 1979, título assumido desde uma segunda edição de 1840).
[1847]
Le Vrai Christianisme suivant Jésus-Christ
 
 
 
Cabinda
 
Cabo, C.
Crisis del Estado Social, Barcelona, PPU, 1986.
Teoría del Estado y Derecho Constitucional, Barcelona, PPU, 1988.
 
Cabo Verde 4033 km2. 392 000 habitantes. Nova Constituição em 25 de Setembro de 1992.
 
Caboara, Lorenzo
·Los Partidos Políticos en El Estado Moderno, Madrid, Ediciones Iberoamericanas, 1967.
·Partitocracia Cancrena dello Stato, Roma, Volpe, 1975.
 
Cabral, Alexandre Reitor da Universidade de Coimbra. Ministro do reino no governo de Sebastião Teles, entre 11 de Abril e 14 de Maio de 1909.
4António Cabral, Alexandre Cabral. Memórias
Políticas. Homens e Factos do meu Tempo, 1923.
 
Cabral, Amílcar Lopes (1924-1973) Um dos pais fundadores do independentismo da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Mestiço de pai cabo-verdiano e mãe guinenese. Engenheiro agrónomo por Lisboa, desde 22 de Fevereiro de 1952, sendo colega de Sousa Veloso e de Mário Barreira da Ponte. Em Setembro seguinte já exerce funções técnicas públicas na Guiné. Afastado do território em 1955, vem para Lisboa até 1959, data em que regressa à terra clandestinamente. Aproveita as circunstâncias que rodearam o chamado massacre do Pidjiguiti em 3 de Agosto de 1959. A partir de 1960 instala-se em Conakry. Fundador do PAIGC em Outubro de 1960, juntamente com Aristides Pereira, Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando Fortes e Eliseu Turpin. Desencadeia a luta armada no Sul da Guiné em 23 de Janeiro de 1963. Assume uma importante imagem internacional, principalmente depois da chamada batalha do Como, de 1964, participando na Conferência Tricontinental de Havana (1966). A chegada de Spínola em 1968, altera as circunstâncias da guerra e o PAIGC é comprimido tanto no terreno como no campo político e psicológico. Amílcar volta a actuar no palco internacional. Em 1970 é recebido nos Estados Unidos da América, tanto na Universidade de Siracusa, a propósito de uma homenagem a Eduardo Mondlane, como pela própria comissão dos negócios estrangeiros do Congresso. Em Junho deste mesmo ano chega a ter uma audiência com o Papa Paulo VI, juntamente com Marcelino dos Santos da FRELIMO e Agostinho Neto do MPLA, não faltando uma visita triunfal à URSS.. Assassinado em 20 de Janeiro de 1973. Esteve para o marxismo-leninismo anticolonialista como Léopold Senghor esteve para o ocidentalismo. O respectivo conceito de nação é de clara marca estalinista.
 
Cabral, António 1863-1956) António Ferreira Cabral Pais do Amaral. Jurista. Ministro as obras públicas, comércio e indústria de 27 de Dezembro de 1905 a 19 de Março de 1906 num governo de José Luciano. Ministro da marinha e ultramar no governo de Campos Henriques de 26 de Dezembro de 1998 a 11 de Abril de 1909. Propagandista monárquico depois de 1910. Biógrafo de Camilo e Eça.
[1923]
Alexandre Cabral. Memórias Políticas. Homens e Factos do meu Tempo
 
1923.
[1930]
As Minhas Memórias Políticas
 
Em dois tomos: Na Linha de Fogo, Lisboa, 1930;
[1932]
Em Plena República, Lisboa, 1932
 
Cabral, A. B. da Costa (1803-1889) António Bernardo da Costa Cabral. 1º Conde (1845) e 1º Marquês de Tomar (1878) Bacharel em direito (1823). Maçon. Juiz de fora em Penela (1828).  No exílio de 1828 a 1832. Procurador na relação do Porto em 1832-33; juiz nos Açores em 1833-1834. Deputado em 1834-1835. Membro fundador da Sociedade Patriótica Lisbonense em 9 de Março de 1836, o célebre Clube dos Camilos, onde se assume como tribuno radical, com discursos republicanos inflamados. Administrador geral do distrito de Lisboa em 9 de Março de 1838. Ministro da justiça no governo do conde de Bonfim, entre 26 de Novembro de 1839 e 9 de Junho de 1841. Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano de 1841 a 1846 e de 1847 a 1849 (tem como colaboradores o visconde da Oliveira, como grande inspector, e Moura Coutinho, como grande orador). Ministro da justiça no governo de Joaquim António de Aguiar, desde 9 de Junho de 1841. Em 27 de Janeiro de 1842 encabeça o pronunciamento que leva à restauração da Carta, no Porto. Chega a Lisboa em 19 de Fevereiro. Assume a pasta do reino em 24 de Fevereiro de 1842, substituindo Luís Mouzinho de Albuquerque, mantendo-se em tal posição até 20 de Maio de 1846. Acumula com o cargo de ministro da justiça de 27 de Junho de 1844 a 3 de Maio de 1845, quando lhe sucede o irmão, José Bernardo. Como efectivo líder da nova situação, vence as eleições de 5 de Junho de 1842 (onde enfrenta a ampla coalição) e de 13/ 17 de Agosto de 1845. Jugula as revoltas radicais de Fevereiro e Abril de 1844 (as chamadas revoltas de Torres Novas e de Almeida, respectivamente). Feito conde de Tomar em 8 de Setembro de 1845. Regressa à pasta da justiça em 21 de Abril de 1846, até 20 de Maio seguinte. A sublevação do Minho desencadeia-se em 19 de Março de 1846. Embaixador em Madrid de 1846 a 1849. Volta ao governo entre 18 de Junho de 1849 e 1851, como presidente do conselho. Embaixador no
Vaticano desde 1870.
 
Cabral, António Filho de António Bernardo da Costa Cabral. Deputado em 1868-1869; 1869-1870; 1882-1884 e 1884-1887.
 
Cabral, Eduardo Augusto da Silva Filho de José Bernardo da Silva Costa Cabral. Deputado em 1865; 1865-1868; 1868-1869. Par do reino desde Maio de 1869.
 
Cabral, Francisco Alberto da Costa Professor de liceu. Ministro da instrução pública do governo de Maia Pinto, de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921. Ministro do trabalho no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925.
 
Cabral, João Gualberto Pina 1805-1854. Bacharel em leis desde 1827. Magistrado. Maçon. Mindeleiro. Deputado em 1834-1840. Setembrista. Subscritor da acusação de alta-traição aos Implicados na belenzada de Novembro de 1836. Grão-mestre da Confederação Maçónica Portuguesa de 1849 a 1851.
 
Cabral, João Rebelo da Costa 1804-1881 Bacharel em direito desde 1824. Maçon Magistrado. Irmão de António Bernardo e de José Bernardo da Costa Cabral. Deputado de 1840-1842, 1842-1845, 1846, 1848-1851, 1851-1852, 1853-1861, 1857-1858 e 1860-1861. Presidente da Câmara dos Deputados de 1848 a 1851. Candidato a grão-mestre do grande Oriente Lusitano em 16 de Julho de 1849. Morre em 3 de Outubro de 1881.
 
Cabral, José Bernardo da Silva Costa (1801-1869). Conde de Cabral desde 24 de Outubro de 1867. Irmão de António Bernardo e de João Rebelo da Costa Cabral. Formado em cânones em 1822. Advogado. Instalado no Porto desde 1826. Deputado em 1840-1842, 1845, 1846, 1848-1851 e 1860-1861. Par do reino de 1864-1867. Governador civil do Porto (1843) e Lisboa (1844). O chamado zé dos cónegos. Ministro da justiça de 3 de Maio de 1845 a 30 de Maio de 1846, substituindo o irmão, António Bernardo. Ministro do reino de 21 de Abril a 20 de Maio de 1846. Nomeado lugar-tenente da rainha para reprimir a revolta de 1846. Entra em ruptura com António Bernardo logo em 1847. Em 30 de Novembro de 1850 foi eleito grão-mestre do Grande Oriente Lusitano. Par do reino desde 23 de Fevereiro de 1864. Morre em 25 de Março de 1869. Xxii260
 
Cabral, José Pereira dos Santos (1885-1950) Advogado, chega a director-geral dos serviços prisionais com o salazarismo. Militante nacional-sindicalista, é dos que se opõe a Rolão Preto, passando-se para a União Nacional. Deputado em 1934 e 1935, foi autor do projecto de lei sobre a proibição da maçonaria, apresentado em 19 de Janeiro de 1935 e criticado por Fernando Pessoa. O projecto foi aprovado em 5 de Abril.
 
Cabral, Leonel Tavares 1790-1853 Maçon. Bacharel em leis (1819). Advogado em Coimbra. Juiz de fora no Faial (1822) e no Pico em 1826. Exílio desde 1828. Deputado em 1826-28 e de 1834 a 1851. Membro fundador da Sociedade Patriótica Lisbonense em 9 de Março de 1836. Anti-cabralista. Preso em 1846-1847.
 
Cabral, Luís Gonzaga (1866-1939) Jesuíta. Era director do Colégio de Campolide em 1910.
 
Cabral, Luís Manuel de Moura Ministro do reino do governo da regência de D. Isabel Maria, de 6 a 16 de Dezembro de 1826, em substituição de Francisco Manuel Trigoso Aragão Mourato. Em 16 de Dezembro passa a ministro da justiça, até 8 de Junho
de 1827. Considerado próximo dos apostólicos.
 
 
Cabral, Manuel Vilaverde Do Instituto de Ciências Sociais. Vice-Reitor da Universidade de Lisboa. Habitual colunista do Diário de Notícias.
[1976]
O Desenvolvimento do Capitalismo em Portugal no Século XIX
 
Lisboa, Edições A Regra do Jogo
[1977]
O Operariado nas Vésperas da República
 
Lisboa, Editorial Presença/Gabinete de Investigações Sociais
[1979]
Portugal na Alvorada do Século XX
 
Lisboa, Edições A Regra do Jogo
 
 
Cabreira, Diocleciano Leão Governador de armas da ilha Terceira pelos liberais. Irmão de Sebastião Cabreira.
 
 
 
Cabreira, Sebastião 1763-1833 Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira. Bacharel em matemática e general. Participou nas campanhas do Rossilhão. Comanda no Algarve a revolta contra os franceses em 1808. Membro do Sinédrio. Vice-presidente da Junta do Porto de 1820. Presidente da Junta preparatória das Cortes. Alinha na martinhada. Exilado em 1824, regressa em 1826. Emigra depois de 1828. Governador militar da Terceira em 1831.
 
 
 
Cabreira, Tomás António da Guarda (1865-1918) Professor da Escola Politécnica e da Faculdade de Ciências de Lisboa. Capitão de engenharia. Vereador republicano em Lisboa, em 1908. Membro do partido democrático. Ministro das finanças do governo de Bernardino Machado, 9 de Fevereiro a 23 de Junho de 1914.
[1912]
·O Problema Financeiros e a sua Solução
 
Lisboa, 1912 ;
[1915]
·O Problema Bancário Português
 
Lisboa, 1915
[1916]
·O Problema Tributário Português
 
Lisboa, 1916.
 
 
4António Cabreira, Tomaz Cabreira Através da Vida e Através da Morte, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1920.
 
 
Cáceres, Lourenço de (1490-1531) Natural de Lagos. Secretário do infante D. Luís, filho de D. Manuel.
 
Doutrina ao Infante D. Luís sobre as Condições e Partes que hade ter hum Bom Principe
 
Cfr. obra in Bento Jozé de Souza Farinha, Filozofia de Principes. Apanhada das Obras de Nossos Portuguezes, Lisboa, 1786, pp. 1 segs. Já antes havia sido publicado na História Genealógica da Casa Real.
 
Sobre os Trabalhos dos Reis.
 
Existia inédito nas bibliotecas dos duques de Lafões e do Cadaval.
 
4Albuquerque, Martim, O Poder Político no Renascimento Português, Lisboa, ISCSPU, 1966. 4Serrão, Adriana Veríssimo, «Lourenço de Cáceres», in Logos, 1, cols. 804-805. 4Silva, Inocêncio Francisco, Dicionário Bibliográfico Português, Lisboa, Impresa Nacional-Casa da Moeda, 1977, tomo V, p. 195.
 
Cachemira Região situada entre a Índia e o Paquistão. De maioria muçulmana, mas governada por hindus. Guerra em 1948-1949, com a União Indiana a ocupar dois terços do território. Nova guerra em 1965-1966.
 
Cacique Nome dado a um antigo chefe dos índios da ilha de S. Domingos e que logo se estendeu a toda a América espanhola, abrangendo as autoridades indígenas reconhecidas pela administração colonial. Estendeu-se a designação em Espanha, durante o século XIX às oligarquias extra-legais que exerciam em Portugal as funções dos agentes eleitorais, dos influentes e dos notáveis locais. Expressão pejorativa que substituiu em Portugal a palavra influente, equivalente ao coronel no Brasil e ao boss anglo-saxónico. Oliveira Martins considera que cacique ou influente, em Espanha e em Portugal, é quem todo lo manda numa determinada zona do terreno, numa freguesia, num concelho, num distrito
 
Robert Kern (ed. ), The Caciques. Oligarchical Politics and the System of Caciques in the Luso-Hispanic World, Albuquerque, University of New Mexico Press, 1973.
 
Cadaval, 6º Duque do D. Nuno Álvares Pereira de Melo. Membro da regência depois da morte de D. João VI, em 10 de Março de 1826. Ministro assistente ao despacho desde 26 de Fevereiro de 1828 a 1 de Julho de 1831. Tendo apoiado D. Miguel em 1823, é nomeado para o Conselho de Regência de 1826, sendo, logo depois, presidente da Câmara dos Pares.
 
Cadeia de Comando
 
Cádis, Revolução de. A revolução liberal espanhola de 1812 que deu origem a uma Constituição que inspirou a portuguesa de 1822.
 
Caetano, Cardeal (1468-1534) Tomás Vio de Gaeta, o chamado Cardeal Caetano. Autor renascentista, defensor de uma concepção teocêntrica do político contra o cesarismo protestante. Dominicano, professor em Pádua. Continuador de São Tomás de Aquino. Opositor às teses dos averroístas e dos escotistas. Defende a origem popular do poder. ESPE II, p. 264.
 
 
Caetano, Marcello José das Neves Alves (1906-1980) Jurista e político. Um dos principais juspublicistas portugueses do século XX e chefe do governo de 1968 a 1974. Destaca-se como constitucionalista, administrativista e historiador do direito, fundando a Escola de Direito Público de Lisboa. Começa como funcionário do registo civil em Óbidos (1928-1929). Auditor jurídico do ministério das finanças (1929-1934). Doutorado em direito (1931). Comissãrio nacional da Mocidade Portuguesa (1940-1944). Ministro das colónias  (1944-1947). Presidente da Comissão Executiva da União Nacional desde 1947. Opõe-se então à facção de Santos Costa. Presidente da Câmara Corporativa (1949-1955). No III Congresso da União Nacional, realizado em Coimbra, em Novembro de 1951, assume-se contra a tese que defendia a restauração da monarquia, sugerindo a candidatura de Salazar à presidência da república. Ministro da presidência (1955-1958). Reitor da Universidade de Lisboa (1959-1962). Nomeado presidente do conselho de ministros em 27 de Setembro de 1968, é derrubado em 25 de Abril de 1974.
 
Em 1931 doutora-se em Ciências Político-Económicas, assumindo a regência da cadeira de Direito Constitucional no ano lectivo de 1951-1952, por doença do anterior titular, Domingos Fezas Vital. Abandona então a regência da cadeira de Administração e Direito Colonial, para a qual foi contratado Joaquim da Silva Cunha, já professor da Escola Superior Colonial, onde deixou uma vaga que será ocupada por Adriano Moreira.
Ideólogo do Corporativismo
Caetano que, como ideólogo do regime, já editara O Sistema Corporativo em 1938, e Problemas da Revolução Corporativa em 1941, publicará, a partir desta experiência docente,
Política Ultramarina
Em Os Nativos na Economia Africana, Lisboa, 1954, influenciado pelo apartheid sul-africano, considera que os negros em África devem ser olhados como elementos produtores enquadrados ou a enquadrar numa economia dirigida por brancos... os africanos não souberam vaorizar sozinhos os territórios que habitam há milénios, não se lhes deve nenhuma invenção útil, nenhuma descoberta técnica aproveitável, nenhuma conquista que conte na evolução da Humanidade, nada que se pareça ao esforço desenvolvido nos domínios da Cultura e da Técnica pelos europeus ou mesmo pelos asiáticos.
Conceito de Estado
-Elementos do Estado, 75, 501 CAETANO, Marcello -Estado (povo, território, poder político), 75, 504 CAETANO, Marcello -Poder, 55, 352-Corporativismo, 135, 942 Marcello Caetano (1906-1980) que,
Marcello Caetano, é constituída por um povo fixado num território, de que é senhor, e que, dentro das fronteiras desse território, institui, por autoridade própria, órgãos que elaborem as leis necessárias à vida colectiva e imponham a respectiva execução.
Tal unidade  a que se dá o nome de Estado e que, em português, tem direito a maiúscula , segundo aquelas escolas de direito público dominantes que marcaram o subsolo filosófico da nossa Constituição, é susceptível de ser decomposta, quase mecanicamente, em três elementos  o povo, o território e o poder político  sendo-lhe atribuídos outros tantos fins  a segurança, a justiça e o bem-estar social.
Conceito de Poder Político
"o poder político é uma autoridade de domínio, isto é, que impõe a obediência a quantos pertençam à sociedade política, constrangendo‑os à observância das normas jurídicas e quebrando resistências eventuais", dado que a função do poder político é a de "subordinar os interesses particulares ao interesse geral segundo os princípios racionais de justiça, traduzidos por um direito comum a todas as sociedades primárias englobadas na sociedade política". (
se o poder em geral é entendido como "a possibilidade de eficazmente impor aos outros o respeito da própria conduta ou de traçar a conduta alheia", existiria um poder de facto, exclusivamente assente ne força, e um poder legítimo que "resulta do reconhecimento por aqueles a quem a vontade do sujeito se dirige de que ele actua de acordo com uma lei digna do acatamento geral".
fazia uma distinção entre o Estado "na acepção lata", que, dotado de soberania, constituiria uma "pessoa colectiva de direito internacional", e o Estado "na acepção restrita", que constituiria uma "pessoa colectiva de direito público interno", um Estado Administração que "não é soberano ‑ titular de um poder superlativo, incondicionado e independente", gozando apenas "de uma autoridade derivada da soberania ‑ a autoridade pública ‑, regulada pela manifestação do poder soberano que é a lei". Um Estado Administração que é "o que resta da organização politico‑administrativa depois de criadas ou reconhecidas por lei as pessoas colectivas de direito público cuja existência o legislador repute necessária à boa gestão dos interesses gerais".
 
Bibliografia
[1931]
A Depreciação da Moeda Depois da Guerra
 
Coimbra
Dissertação de doutoramento em direito.
[1938]
O Sistema Corporativo
 
Lisboa, Jornal do Comércio e Colónias
[1941]
Problemas da Revolução Corporativa
 
Lisboa, Editorial Acção
[195]
Manual de Ciência Política e Direito Constitucional
 
Com sucessivas eds. : a 1ª ed. intitulava-se Lições de Direito Constitucional e Ciência Política, Coimbra, Coimbra Editora
[1953]
«Introdução ao estudo do Direito Político»
 
In O Direito, ano 85, Lisboa
[1961]
Apontamentos para a História da Faculdade de Direito de Lisboa
 
Separata da Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, vol. XIII,
[1975]
Depoimento
 
Rio de Janeiro/São Paulo, Record
[1977]
Minhas Memórias de Salazar
 
Lisboa, Editorial Verbo
 
Caetano, Governo de
 
Presidente do Conselho: Marcello Caetano
Ministro de Estado Adjunto: Alfredo Vaz Pinto. Tem como subsecretários de Estado César Moreira Baptista (adjunto) e João Fernandes Salgueiro (Planeamento Económico).
Defesa Nacional: Sá Viana Rebelo
Interior: Gonçalves Rapazote
Justiça: Mário Júlio de Almeida Costa
Finanças e Coordenação Económica: João Augusto Dias Rosas. Tem como subsecretários de Estado, João Costa André (Tesouro), Vítor Coelho (Orçamento), Vasco Pinto Leónidas (Agricultura), Valentim Xavier Pintado (Comércio) e Rogério Serafim Martins (Indústria).
Exército: José Manuel Bettencourt da Conceição Rodrigues
Marinha: Manuel Pereira Crespo
Negócios Estrangeiros: Franco Nogueira
Obras Públicas: Rui Alves da Silva Sanches
Comunicações: Fernando de Oliveira
Ultramar: Joaquim Maria da Silva Cunha
Educação Nacional: José Hermano Saraiva
Corporações e Previdência Social: João Gonçalves Proença
Saúde e Assistência: Lopo Cancela de Abreu
 
A segunda grande remodelação ocorre em 15 de Janeiro de 1970 com a criação de quatro grandes ministros coordenadores. Para as finanças e economia, Dias Rosas; para as obras públicas e comunicações, Rui sanches; para as corporações e saúde, Baltazar Rebelo de Sousa; para a defesa nacional e o exército, Horácio Sá Viana Rebelo. Ao mesmo tempo, surge um novo ministro da educação nacional, Veiga Simão, enquanto para os estrangeiros era mobilizado Rui Patrício.
 
Presidente do Conselho: Marcello Caetano. Como secretário de Estado: César Moreira Baptista (Informação e Turismo). Como subsecretário de Estado: João Fernandes Salgueiro (Planeamento Económico).
Exército e Defesa Nacional: Sá Viana Rebelo. Tem como subsecretários de Estado: general José de Oliveira Vitoriano (Exército)
Interior: Gonçalves Rapazote
Justiça: Mário Júlio de Almeida Costa
Finanças e Coordenação Económica
João Augusto Dias Rosas. Tem como subsecretários de Estado, João Costa André (Tesouro), Vítor Coelho (Orçamento), Vasco Pinto Leónidas (Agricultura), Valentim Xavier Pintado (Comércio) e Rogério Serafim Martins (Indústria). Como subsecretário de Estado: Alexandre Vaz Pinto (Comércio).
Marinha: Manuel Pereira Crespo
Negócios Estrangeiros: Ruy Patrício
Obras Públicas e Comunicações: Rui Alves da Silva Sanches. Tem como secretários de Estado: José Adolfo Pinto Eliseu (Obras Públicas); José Maria Leitão de Oliveira Martins (Comunicações e Transportes).
Ultramar: Joaquim Maria da Silva Cunha. Como subsecretários de Estado: Leão Tavares Rosado do Sacramento Monteiro (administração ultramarina); Rui Martins dos Santos (Fomento Ultramarino).
Educação Nacional: Veiga Simão. Como subsecretáriosde Estado: Justino Mendes de Almeida (Administração Escolar); Augusto de Ataíde Soares de Albergaria (Juventude e Desportos).
Saúde, Assistência, Corporações e Previdência Social
Baltazar Rebelo de Sousa. Tem como secretários de Estado: Joaquim Dias da Silva Pinto (Trabalho e Previdência); Francisco António Gonçalves Ferreira (Saúde e Assistência). Como subsecretário de Estado do Trabalho e Previdência (José Luís Nogueira de Brito)
 
 
Café com Leite, Política do Diz-se da República brasileira antes de 1930 porque dominada pelos paulistas (política dos cafeeiros) e pelos mineiros (política dos grandes produtores pecuários, o leite).
 
®Café Filho, João Fernandes (1899-1970) Presidente do Brasil a partir de 24 de Agosto de 1954. Era até então vice-presidente de Getúlio Vargas, com quem tinha sido eleito em 1950. Antigo jornalista e deputado. Visita Portugal em 1955.
 
Cafres Do árabe kafir, o infiel. Nome dado aos povos negros da costa oriental de África.
 
 
 
Caillaux, Joseph 1863-1944 Presidente do conselho francês em 1911. Ministro das finanças em 1899, 1906, 1911 e 1913. Chefe dos radicais-socialistas. Foi acusado de traição em 1918 por ter procurado um compromisso com a Alemanha, no começo da guerra. Volta ao governo em 1925 como ministro das finanças. Entre nós é especialmente admirado por Raúl Proença.
Bibliografia
[1920] Devant l’Histoire. Mes Prisons (Paris, Sirenne)
[1942-1948] Mémoires, (Paris, Plon, 3 vols).
 
Caillois, Roger (1913-1978) Sociólogo francês. Quadro da UNESCO (1967-1971)
Bibliografia:
[1938] Le Mythe et L'Homme (Paris, Éditions Gallimard).
[1939] L'Homme et le Sacré (Paris, Éditions Gallimard) (O Homem e o Sagrado. Perspectivas do Homem, Lisboa, Edições 70, 1988).
[1962] Esthétique Géneralisée (Paris, Gallimard).
[1964] Instincts et Societé (Paris, Gonthier).
[1966] Pierres
[1967] Les Jeux et les Homme (Paris, Gallimard).
[1976] Cohérences Aventureuses.
 
Cairnes, John Elliot 1823-1875 Um dos últimos representantes da Escola Clássica da Economia. Professor em Londres. Discípulo de Adam Smith e David Ricardo. Defende a utilização do método dedutivo na ciência económica
 
& Bibliografia
[1857] The Character and Logical Method of Political Economy
[1874] Some Principles of Political Economy newly expounded
 
 
Cairu, Visconde de ÖLisboa, José da Silva
 
 
Callaghan, James
 
Conferência do Cairo 1964 De 5 a 10 de Outubro de 1964 realiza-se no Cairo a II Conferência dos não-alinhados, com 47 membros de pleno direito e 10 países observadores. A III conferência realizar-se-á em Lusaka, de 8 a 10 de Setembro de 1970.
 
CALASSO, Francesco, 83, 557
 
CALDEIRA, EDUARDO (sec. XVI)
 
Caldeira, Elvas General. Ministro da guerra no governo de Wenceslau de Lima, entre 14 de Maio e 22 de Dezembro de 1909.
 
 
Caldeira, Francisco Soares Membro fundador da Sociedade Patriótica Lisbonense em 9 de Março de 1836. Um dos mentores dos arsenalistas em 1836. Comandante da Guarda Nacional. Nomeado administrador do distrito de Lisboa em 1836. Em 4 de Maio de 1838 pede a demissão dos ministros moderados e a criação de um governo de puros, durante a chamada revolta do Arsenal. É então demitido por Sá da Bandeira, sendo substituído por António Bernardo da Costa Cabral.
·Memória que o coronel de milícias de Tomar, Francisco Soares Caldeira, dirige aos seus amigoas, narrando os acontecimentosa que tiveram lugar durante a emigração
Lisboa, 1834 (42 pp. ).
 
 
Castelo Branco, Manuel António 1791-1868
Manuel António Velez Caldeira Castelo Branco. Jurista. Juiz. Maçon. Mindeleiro. Membro da Sociedade Patriótica Lisbonense em 1835. Ministro da justiça do governo de José Jorge Loureiro entre 18 de Novembro de 1835 e 20 de Abril de 1836. Deputado em 1834-1836. 1851-1852; 1853-1856; 1857-1858; 1858-1859; 1860-1861. Par do reino desde 1861. Presidente da Câmara dos Depuatdos em 1858-1859. Morre em 10 de janeiro de 1868.
 
Caldas, Eugénio de Castro (n. 1914). Engenheiro Agrónomo (1941) e professor do ISA até 1984. Colabora tecnicamente com o Estado Novo, sendo procurador à Câmara Corporativa entre 1957 e 1961, onde assina os relatórios sobre a parte agrícola do II Plano de Fomento (1957-1958) e o Plano Intercalar (1963). Um dos principais responsáveis pelo Centro de Estudos de Economia Agrária da Fundação Calouste Gulbenkian (1958-1986). Criador do Gabinete de Planeamento da Secretaria de Estado da Agricultura, que dirige entre 1970 e 1974. Pai de Júlio Castro Caldas, deputado e dirigente do PPD e, depois, Ministro da Defesa de António Guterres.
 
& Bibliografia
[1945] Evolução da Agricultura Portuguesa entre as Duas Guerras Mundiais. Lisboa. Com Mário Azevedo Gomes e Henrique de Barros.
[1978] A Agricultura Portuguesa no Limiar da Reforma Agrária, Lisboa.
[1991] A Agricultura Portuguesa Através dos Tempos
 
Caldera, Rafael Político venezuelano, nascido em 1916. Fundador do Partido Social-Cristiano- Comité de Organización Política Electoral Indipendiente, mais conhecido por COPEI, surgido em 13 de Janeiro de 1946. Chefe do governo em 1969-1974 e Presidente da República em 1994-1999.
& Bibliografia:
[1972] A Revolução da Democracia Cristã (trad. port., Lisboa, Agência Portuguesa de Revistas, 1974).
 
Calendário Gregoriano Estabelecido pelo Papa Gregório XIII em 1582, onde se saltaram dez dias face ao calendário juliano, o primeiro dos que fez coincidir o ano civil com o ano solar. A palavra vem de calendoe, o primeiro dia do mês. Em 1700, 1800 e 1900, foram saltados mais três dias. Com efeito, o calendário juliano não suprimia os anos bissextos terminados em 00 não divisíveis por 400. A reforma de Gregório XIII foi, então, imediatamente adoptada pela Itália, Espanha, Portugal e França. Os países protestantes tardaram a seguir a reforma porque, como dizia Kepler, os protestantes gostam mais de estar em desacordo com o sol do que em acordo com o papa. No século XX, foram aderindo ao calendário: o Japão, em 1911; a China, em 1917; a Rússia, em 1918; a Bulgária, em 1919; a Roménia, a Grécia e o que viria a ser a Jugoslávia, em 1923, e a Turquia, em 1926. O Decreto russo foi adoptado em 6 de Fevereiro do calendário juliano, isto é, a uma semana do dia 31 de Janeiro do calendário gregoriano. Determinava-se que o primeiro dia a seguir a 31 de Janeiro(do calendário juliano, equivalente ao dia 13 de Fevereiro do calendário gregoriano) considerar-se-á não 1 mas 14 de Fevereiro. Deste modo, 25 de Outubro do calendário juliano equivale a 7 de Novembro, do calendário gregoriano (mais treze dias). O considerando do decreto dizia estabelecer-se o sistema de contagem do tempo utilizado por quase todas as nações cultas.
 
Calhoun, John Caldwell 1782-1850 Político e doutrinador norte-americano, com origens presbiterianas. Um dos pensadores do sulismo democrático. Ministro da guerra entre 1817 e 1825 e vice-presidente de John Quincy Adams (1825-1829) e de Andrew Jackson (1829-1833). Senador desde 1833. Secretário de Estado em 1844-1845. Em 1828, defende a hipótese de cada Estado poder anular qualquer acto do governo federal. Em meados da década de trinta, chega a fundar The Wigh Party, mas logo regressa aos democratas.
 
Bibliografia:
[1831] Address to the People of South Carolina
[1853] A Disquisition on Government
Referências:
Anderson, John M., Calhoun. Basic Documents, Pennsylvania, State College, 1952. Kirk, Russell, The Conservative Reader, pp. 155 segs..
 
Califa Nome dado aos chefes temporais e espirituais do Irão, reconhecidos como sucessores legítimos de Maomé. Do ar. Kh’Alifah, o sucessor. O primeiro foi Abu Bakr, entre 632 e 634. A partir de 1517 assume o título o sultão Selim, iniciador da dinastia dos otomanos, apenas abolida em Março de 1924.
 
Calisto, Avelino César Augusto Maria (1843-1910) Lente de direito em Coimbra. Sucede a José Dias Ferreira na cadeira de Filosofia do Direito. Consagrado orador. Reflecte as teses de Spencer, Worms e Tarde.
 
Calmon Moniz de Bettencourt, Pedro  n. 1902 Professor de Direito. Historiador. Deputado de 1927 a 1937. Ministro da educação em 1950-1951. Reitor da Universidade do Rio de Janeiro de 1948 a 1972. Presidente da Academia Brasileira de Letras.
Bibliografia
[1938] Curso de Direito Público. Teoria Geral do Estado (Rio de Janeiro) (1942, 2ª ed.).
[1945] O Estado e o Direito n’Os Lusíadas (Rio de Janeiro, Dois Mundos).
[1952] História das Ideias Políticas (Rio de Janeiro e São Paulo, Livraria Freitas Bastos).
 
Calogero, Guido (1904-1986) Filósofo italiano, discípulo de Croce e Gentile.
Bibliografia:
[1947] Saggi di Etica e di teoria del Diritto (Bari)
[1927] I fondamenti della logica aristotelica
[1932] Studi sull'eleatismo
[1946-1948] Lezioni di filosofia (3 vol)
[1950] Logo e dialogo
[1962] Filosofia del dialogo
 
Calogero, Poulos, Stratis, ...*, Le Droit des Peuples à Disposer d’Eux-Mêmes, Bruxelas, Éditions Bruylant, 1973.
 
Calvert, Peter
[1983]Politics, Power and Revolution (Brighton, Sussex, Wheatsheaf Books).
 
Calvez, Jean-Yves Professor no Instituto Católico de Paris. Celebriza-se com a análise das teses de Marx.
Bibliografia:
[1956] La Pensée de Karl Marx (Paris, Éditions du Seuil).
[1962] Dictionnaire de la Langue Philosophique (Paris)
[1967] Introduction à la Vie Politique (Paris, Éditions Aubier-Montaigne) (Introdução à vida política, Lisboa, Moraes Editores, 1968).
 
 
 
 
Calvin, Jean ou Calvino (1509-1564) Jurista francês. Rejeita as teses de Melanchton sobre a criação de um único sistema entre a Igreja e o Estado. Defende a separação entre o poder secular e o religioso, considerando-os como sociedades independentes. Advoga o auto-governo da Igreja. Propõe um governo forte de carácter aristocrático, uma assembleia de pessoas veneráveis. Admite a desobediência apenas quando as leis contrariam o mandato divino. Se em Genebra, sob a orientação ddo próprio e em regime de maioria, as teses levam a uma teocracia e a uma oligarquia puritana e ascética onde a autoridade secular se transformou em instrumento do concílio eclesiástico, com a oligarquia a dominar, impondo a pena de morte para os heréticos e regulando a vida privada, onde os calvinistas estão em minoria (França, Holanda, Escócia e Inglaterra) o calvinismo é uma doutrina de liberdade contra o absolutismo e a intervenção das autoridades seculares em matérias religiosas, defendendo a limitação do poder do Estado e favorecendo o republicanismo, em nome do auto-governo da Igreja. No plano religioso, considera que o êxito e o lucro constituem sinais da eleição divina, favorecendo as teses do homem de sucesso, o individualismo e o capitalismo.
 
 
 
Bibliografia:
[1536] Christianae Religionis Institutio (Basileia, 1536) (ed. definitiva, Institution Chrétienne, 1560) (1ª ed. fr., 1541) (Paris, Societé des Belles Lettres, 1939).
 
calvinismo
CALVINO (1509-1564), 126, 881
 
Calvo Sotelo, José (1893-1936) Político espanhol. Ministro das finanças de Primo de Rivera entre 1926 e 1930. Chefe das direitas monárquicas espanholas nos primeiros tempos da República, unificadas na CEDA, é assassinado em 14 de Julho de 1936, pouco antes do desencadeamento da guerra civil.
 
 
 
Camacho Rodrigues, Inocêncio (1867-1943) Professor da Faculdade de Ciências. Irmão de Manuel Brito Camacho. Membro do directório do partido republicano em 1910. Secretário-geral do ministério das finanças a partir da entrada de José Relvas para o governo provisório, em 12 de Outubro de 1910. Governador do Banco de Portugal. Deputado à constituinte de 1911. Ministro das finanças no governo de António Granjo (1920). Mantém as funções no Banco de Portugal depois do 28 de Maio de 1926, colaborando, enquanto perito, com o próprio salazarismo.
 
 
 
Camacho, Manuel Brito 1862-1934 Médico. Propagandista republicano. Funda o jornal A Lucta em 1 de Maio de 1906. Assume-se como um aristocrata da República e tenta dar ao respectivo jornal o estilo d’ O Repórter de Carlos Lobo d’Ávila e Oliveira Martins. Integrado numa teia de relações familiares com outros hierarcas republicanos. É irmão de Inocêncio Camacho, cunhado de José Barbosa e genro de Jacinto Nunes, influente republicano de Grândola, tendo o apoio de Aresta Branco, influente republicano em Beja. Passava os dias numa tertúlia da farmácia Durão. Era um hiper-crítico, manipulador da ironia. Jesus Pabón chama-lhe um dissidente perpétuo e A. Cabral diz que se mostrou sempre tão azedo que há quem diga que nas suas veias gira vinagre puro em vez de sangue. Ministro do fomento do governo provisório, de 22 de Novembro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. Funda o partido unionista. Apoia os inícios do movimento dezembrista que visa derrubar o governo de Afonso Costa em 1917, mas retira-se do processo nas vésperas do movimento. Alto-comissário em Moçambique 1921-1923. Acaba por apoiar de forma efémera António Maria da Silva, contra a posição asumida pelos antigos correlegionários. Nos anos trinta, chega a proclamar: não me quiseram a mim, agora têm-no a ele, numa referência a Salazar. Ver Matias Ferreira de Mira e Aquilino Ribeiro, Brito Camacho [1942], Lisboa, Bertrand, 1948.
Camachistas Dentro das própria forças apoiantes do governo provisório da República, desde logo surgiram três sensibilidades, cada qual com o seu jornal. Os afonsistas congregaram-se em torno de O Mundo, dirigido por França Borges; os chamados conservadores republicanos, preferiram A República, sob a direcção de António José de Almeida; naquilo que poderemos considerar uma espécie de centro-direita ficou A Luta, com a liderança de Brito Camacho. Pouco a pouco, essas sensibilidades, adquiriram bandeiras. Os afonsistas foram particularmente activos nos centros urbanos, apoiaram-se na Maçonaria e na nomenklatura do PRP e, graças ao maior dinamismo organizacional, foram os únicos que conseguiram uma efectiva implantação nacional. Os camachistas conseguiram, sobretudo, apoio na zona dos intelectuais e naquilo a que hoje damos o nome de classe política da capital. Os almeidistas que pretendiam assumir as reivindicações da província, tiveram o apoio de muitos quadros históricos do PRP e foram gradualmente constituindo-se como os críticos conservadores do radicalismo afonsista. Ambos estes últimos, maioritários na Assembleia Nacional Constituinte, assumiram frontais críticas ao anticlericalismo radical dos afonsistas. Em 29 de Agosto de 1911 já Afonso Costa anunciou um novo programa político, divulgado no dia 4 de Setembro, para no dia 1 de Outubro inaugurar em Lisboa o primeiro Centro Republicano Democrático, ao mesmo tempo que formalmente defendia a manutenção da unidade do velho PRP, que considerava dever ser o partido único da República. Desta forma, obrigou os opositores a terem de assumir um acto formal de dissidência, de tal maneira que é na sequência de uma manifestação de carbonários e afonsistas contra os jornais afectos ao bloco, em 19 de Outubro, António José de Almeida, em nota publicada em A República, de 22 de Outubro, declarou-se independente, confirmando o abandono do velho PRP. Tudo aconteceu na véspera do congresso deste mesmo partido, realizado no dia 27 de Outubro, no Coliseu da Rua Nova da Palma, em Lisboa, onde as teses afonsistas foram esmagadoramente confirmadas, com a marginalização dos elementos afectos ao grupo de Brito Camacho que nele ainda compareceram. Não tardou de Brito Camacho, em 3 de Novembro, tivesse seguido o exemplo de António José de Almeida, a que, antes se opusera, declarando formalmente em A Luta que a unidade do PRP era impossível. O velho Partido Republicano Português, a partir de 1911, com a saída dos adeptos de António José de Almeida e de Brito Camacho, passou a ser conhecido como Partido Democrático, ficando sob a forte liderança de Afonso Costa, apesar de se desenhar uma ala direita, a dos bonzos, que será chefiada por António Maria da Silva, e uma ala esquerda, a dos canhotos, que terá a liderança de José Domingues dos Santos. Assim, em Fevereiro de 1912, eis que a partir destas dissidências surgiram dois novos partidos: os almeidistas instituíram um Partido Republicano Evolucionista, que teve como órgão o diário República e os camachistas constituíram o Partido Republicano Unionista, que teve como órgão o jornal A Lucta. Nas margens ficou o pequeno Partido Reformista, de Machado Santos, com o jornal O Intransigente, surgido logo em 11 de Novembro de 1910, que se assumiu como o órgão dos verdadeiros carbonários, bem como o velho Partido Socialista.
 
Câmara Melo Cabral, Filomeno da (1873-1934) Um dos lídres do golpe de 18 de Abril de 1925. Militante de dirigente da Cruzada Nun’Álvares. Ministro das finanças em 1926, no governo de Gomes da Costa. Ministro das finanças de 19 de Junho a 9 de Julho de 1927. Tenta, depois do 28 de Maio, um golpe contra Óscar Carmona, a chamada revolta dos fifis, onde conta com o apoio do então director da Biblioteca Nacional, Fidelino de Figueiredo, bem como de António Ferro. Acaba por ser recuperado, assumindo as funções de Alto-Comissário em Angola 1929-1930. Mesmo aí tem uma gestão infortunada, quebrando-se deste modo as respectivas pretensões à liderança do regime.
 
Câmara, D. Helder (1909-1999) Eclesiástico brasileiro. Depois de ser bispo auxiliar do Rio de Janeiro, desde 1952, destaca-se como Arcebispo de Olinda e Recife, desde 1964. Aqui teve como colaborador Joseph Comblin. Advoga uma espécie de resistência passiva, contrariando a violência dos pobres. Crítico do sistema brasileiro de Estado de Segurança Nacional, considerando que nele a maior parte dos cidadãos vive em estado de insegurança permanente. Influencia o desenvolvimento da chamada teologia da libertação.
 
Câmara, Manuel de Sousa da (n. 1877) Professor de agronomia. Ministro da agricultura de 24 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo liberal de
Barros Queirós.
 
Camarada De câmara. O que vive ou frequenta a mesma câmara, ou quarto, e que convive intimamente. No princípio do século em Portugal ainda se fala no companheiro de mesa, referindo os solteiros que coabitavam.
 
Camarilha Nome dado ao partido dos amigos de D. Pedro em 1834-1835. Foi o conde da Taipa, D. Gastão Pereira de Sande, que chamou aos adeptos do governo de Palmela uma camarilha feita para devorar o País à sombra de uma criança. Eça De Queirós chega a considerar que, de um lado está povo, do outro, a camarilha, porque em cada cidade, em cada município, em cada povoado há sempre um grupo de homens que estão longe do povo, dos seus interesses, dos seus tormentos, da sua alma: chama-se a este grupo mundo oficial, camarilha, aristocracia, etc.
 
Camarões República africana, independete desde Outubro de 1961. 475 442 km2. 13 900 000 habitantes. Nome dado pelo navegador Fernando Pó em 1472. Colónia alemã, ocupada desde 1884. Ocupada por britânicos (parte ocidental) e franceses
(parte oriental), com divisão do território em 1920.
 
Cambodja (Kampuchea) 181 035 km2. 10 500 000 habitantes. Entidade oriunda dos império khmer, desde o século IX. Em 1841, o território é dividido entre tailandeses e vietnamitas, mas transforma-se em protectorado francês em 1863, integrando a Indochina francesa a partir de 1887. Ocupado por japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, que favorecem o movimento independentista, transforma-se em monarquia constitucional em 1947. Em 1949 é a independência dentro da União Francesa. Em 1953 a independência formalmente reconhecida pela França. O príncipe Norodom Sihanuk, no poder desde 1941, abdica a favor do pai em 1955, constituindo o partido sangkum (Comunidade Socialista Popular) que vence sucessivamente as eleições. Sofre as consequências de ser um Estado-tampão entre a Tailândia e o Vietname, dois dos seus tradicionais rivais. Surgem os khmers vermelhos, movimento guerrilheiro maoísta, em 1964, quando o país sofre das pressões resultantes da guerra do Vietname. Em Outubro de 1970, o general Lon Lol, pró-americano e anticomunista, proclama a república. Cinco anos depois, os khmers vermelhos conquistam a capital, assumindo o poder Pol Polt, desde Abril de 1976. Segue-se um período de loucura política, com cerca de 3 500 000 executados e iniciando-se uma guerra com os vizinhos vietnamitas em 1977, que leva à ocupação do país de 1979 a 1989. Eleições livres em 1993, com uma nova constituição em Setembro desse ano, com o regresso ao modelo da monarquia constitucional.
 
Cambraia (Cambrai) Sede de um condado que no século X foi dada ao bispo da cidade, elevada à categoria de principado e de ducado do Império, a partir de 1510; pelo tratado de
Nimega de 1648, foi dada à França.
 
Cambridge, Grupo de Corrente de pensamento do neopositivismo, onde se destacam Bertrand Russell, Whitehead, Morgan e Boole. Actua em paralelo com o chamado Círculo de Viena, de Rudolf Carnap. O mesmo nome é dado à escola económica keynesiana, onde se destacam Joan Robinson (n. 1903) e Nicholas Kaldor (n. 1908).
 
Cambridge, Universidade de Fundada no século XIII. Aí ensinaram Erasmo, Newton e Keynes.
 
Camby, Jean-Pierre, Le Financement de la Vie Politique, Paris, Éditions Montchrestien, 1995.
 
Camelli, Mauro, «Amministrazione e Politiche Neo-Corporative», in Quaderni Costituzionali, pp. 523 segs., 1983.
 
Cameralística Do grego kamara, sala abobadada. Deste grupo descende também o Kameralismus gerador da Staatswissenschaft, com J. G. H. Justi (1705-1771), J. von Sonnenfels (1732-1817), K. H. L. Politz (1772-1838) e Lorenz von Stein (1815-1890). O modelo tem origem na Prússia de Frederico, O Grande, o autor de Anti-Maquiavel (1739), surgindo a ideia de um Polizeistaat, de um Estado que tem como fim uma polícia de segurança (Sicherheitspolizei) externa (protecção face aos inimigos externos) e interna, bem como uma polícia de bem-estar (Wohlfahrspolizei) para a produção e circulação da riqueza. Todos se inspiram nos escritos de Wolff, para quem o príncipe (Regent) é uma personalidade abstracta e não um soberano pela graça de Deus, dado ser um representante (Stellvertreter) ou um oficial do Estado (Oberhaupt des Staates). São precisamente estas ciências políticas que, por impulso do hegelianismo e do positivismo jurídico, evoluem para uma teoria geral do Estado. E se os hegelianismos ainda vêem o Estado como uma espécie de Estado ideal situado acima da sociedade, eis que, com o positivismo jurídico, procura retirar-se esse mesmo Estado dos domínios da filosofia, transformando-o em mera realidade jurídica, gerando-se aquele normativismo que Carl Schmitt qualifica como imperialismo do direito.
 
Camilleri, Joseph A.,
Bibliografia
[1992] The End of Sovereignty? The Politics of a Shrinking and Fragmenting World, Aldershot, Edward Elgar, 1992. Com Falk, Jim, orgs..
[1995] The State in Transition. Reimagining Political Space, Boulder, Lynne Rienner, 1995. /Jarvis, Anthony P. /Paolini, Albert J.
 
Soberania, Fim da Camilleri Falk, Jim
Fragmentação Camilleri Falk, Jim
Estado em Transição Camilleri Jarvis, Anthony Paolini, Albert J.
 
Caminha, Pêro Vaz de Autor da Carta de Achamento do Brasil, datada de 1 de Maio de 1500, mas apenas impressa em 1817. Inaugura o ciclo do bom selvagem, que vai de Las Casas a Rousseau.
 
Caminho de ferro Em 8 de Julho d 1854 realiza-se em Portugal a primeira experiência de caminho de ferro entre Sacavém e Vila Franca de Xira. Em 28 de Outubro de 1856 dava-se a inauguração solene do caminho de ferro entre Lisboa e o Carregado. Em 20 de Maio de 1875 é inaugurada a linha de caminho de ferro Porto-Braga, a primeira de capaitais e engenharia portuguesas.
 
Camisas Azuis. Designação dada aos nacionais-sindicalistas portugueses em 1932-1934. Os movimentos fascistas dos anos vinte e trinta eram identificados pela cor das camisas usadas pelos seus militantes. Os fascistas italianos tinham camisas negras e os nazis alemães camisas castanhas. Tudo derivam dos camisas vermelhas de Garibaldi. O movimento português da Mocidade Portuguesa instituiu a camisa verde e os integrantes chegaram a ser ridicularizados como os feijões verdes.
 
 
 
Camões, Luís de (1525-1580) Com o autor d’ Os Lusíadas atinge-se o clímax do jusnaturalismo católico renascentista. Aí nos surge o apelo à moralidade heróica, a tentativa de actualização dos ideais de cavalaria, distinta tanto dos ideais burgueses como do modelo renascentista do cortesão, ao mesmo tempo que se mantém o fundo pastoralista, que alguns qualificam como um romantismo ante litteram. Os portugueses de então têm consciência de que mostráramos novos mundos ao mundo, que buscáramos do mundo novas partes, e que nisso havíamos superado Alexandre e os Romanos. Até tínhamos um rei que além de alto também já era sublimado. Um rei com um alto Império, governando grande parte do mundo, um rei que é tão longe obedecido.
 
Camoesas, João (n. 1887) João José da Conceição Camoesas. Médico. Ministro da instrução no governo de António Maria da Silva, de 9 de Janeiro a 15 de Novembro de 1923, substituindo Leonardo Coimbra. Fica célebre por ter discursado durante 14 horas no parlamento em 16 de Julho de 1925. Volta à pasta da instrução no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925. Deportado em 1932 para Angola, passa, depois, para o exílio nos Estados Unidos da América, onde volta a exercer clínica.
 
Camp David, Encontro de Reunião ocorrida entre Eisenhower e Kruchtchev em 25 de Setembro de 1959. Consagra-se o princípio da coexistência pacífica e do chamado apaziguamento ideológico, procurando pôr-se um fim à corrida armamentista.
 
 
 
Campanella, Tommaso (1568-1639). Dominicano da Calábria, autor de Città del Sole, escrita em 1602, onde descreve uma república filosófica, governada por um príncipe-sacerdote, dito Sol ou Metafísico, eleito com base na sabedoria. Nessa obra, proclama que o amor deve combater e vencer todas as formas de divisão, de dispersão, de oposição, defendendo a necessidade da humanidade (... ) formar uma monarquia universal, governada por um chefe único, simultaneamente rei e sacerdote, assim se reencontrando o estado primitivo, natural e divino. Campanella, mais célebre do que conhecido, conforme as justas palavras de Giovanni Gentile, é um desses típicos pensadores de encruzilhada. Seguindo os ditames da unidade do género humano, debaixo de um só poder político-religioso, ele que acreditava ser a religião a alma da política, escreve também Monarchia di Spagna, em 1593-1595, numa primeira versão, depois revista em 1598-1599, Aforismi Politici, de 1601, Monarchia del Messia, de 1605, e Monarchia delle Nazioni, de 1635. Em Monarchia di Spagna, defende a unificação da humanidade debaixo da monarquia espanhola, mas com o primado político do Papa, dado considerar aquela como um braço secular, principalmente armado, ao serviço de um monarca-Pontífice, este sim o verdadeiro monarca universal do mundo, dotado de um principato assoluto a se stesso sufficiente con l’uno e l’altro gladio. Já a Città del Sole é escrita quando estava detido numa prisão napolitana, entre 1599 e 1626, acusado de ter alinhado numa revolta contra o poder filipino, com o apoio dos próprios turcos (ver a trad. port., A Cidade do Sol, Lisboa, Guimarães, 1990). Depois, entre 1626 e 1629, passou para os cárceres do Santo Ofício em Roma. Entre 1629 e 1634 viveu, contudo, em liberdade, sob a protecção do papa Urbano VI, mas, a partir de 1634 e até 1639, refugiou-se em França, protegido por Luís XIII. Curiosamente, foi modificando o modelo salvacionista, dado que, ao passar para a prisão romana, substitui o Sol pelo Papa e voltou a elogiar a monarquia espanhola, para, depois de 1634, substituir a monarquia espanhola pela monarquia francesa, justificando tal atitude pela consideração que monarquia espanhola terá apenas servido de preâmbulo para outras nações poderem aderir à monarquia de Cristo. Eis uma obra que, segundo Gentile, está cheia de contrastes e contradições internas, que têm um significado histórico geral e iluminam todo o período de revolução espiritual que nele culmina, dando lugar a um drama individual que não tem somente um interesse biográfico, mas que nos dá a chave para compreender o seu pensamento. Se lermos as suas próprias palavras, veremos que a monarquia filipina tinha condições para assumir esse papel porque recebera a linha imperial da Casa de Áustria, descobrira o Novo Mundo, derrubara Portugal e tinha franceses e ingleses e alemães em estado de depressão (... ) por causa das suas repugnantes e falsas religiões. De qualquer maneira, importa salientar que as suas concepções talvez sejam o exacto contrário das de Maquiavel, filiando-se, sobretudo, em Platão. Como ele próprio observa, a suma da razão política que o nosso século anticristão chama razão de Estado consiste em que se valora mais a parte que o todo, e que o homem se valora a si mesmo mais que à espécie humana, mais que ao universo e mais que a Deus. Procurava uma teoria para a unidade do género humano, num crescendo comunitário que passava pela relação homem-mulher, pais-filhos, amos-criados, família, aldeia, cidade, província, reino, império, vários impérios sob o mesmo poder, até chegar-se ao estádio de todos os homens debaixo da espécie humana, onde o Estado era definido como comunidade e associação de muitos indivíduos governada por um poder superior, como uma comunidade vinculada pela boa fé submetida a um poder moderado, visando a comunidade de bens (da alma, do corpo e da fortuna). Em primeiro lugar, a alma. Logo a ideia de que a religião, a religião natural ou racionalizada, assinale-se, constituiria a alma da política, assumindo-se mais como uma religião secular do que como uma teocracia. Porque a comunidade da religião é a que mais unifica entre todas, para o que cita o caso do Pontífice Romano, considerado mais unificante que a comunidade dos corpos (dá o exemplo do turco que une judeus, cristãos e maometanos) e que a comunidade de fortunas (caso da monarquia espanhola reinando sobre genoveses e napolitanos), dado que este governo circunscrito aos bens da fortuna é, inquestionavelmente imperfeito, pelo que o Estado assim formado é um Estado incompleto e precário. Conclui assim que nenhum rei cristão pôde jamais suster por si só a monarquia de toda a cristandade, porque o Papa está por cima dele e faz e desfaz os seus projectos 
 
Campanha Luta desencadeada num campo aberto. Termo de origem militar, denotando um empreendimento sistematicamente organizado para extirpar algo considerado um mal para o bem público. Em termos militares, designam-se como tal as séries de operações militares de um ou mais corpos que se movimentam para o assalto a posições inimigas.
 
Campanha Eleitoral
1 Nimmo, Dan D., The Political Persuaders. The Technics of Modern Elections Campaign, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1970.
 
Campbell, A.,
[1966] Elections and Political Order (Nova York, John Wiley & Sons) [Converse, Philip E. Miller, W. E., Stokes, D. E.]
 
Campbell, C.,
[1983]Government under Stress (Toronto, University of Toronto Press).
Stress Campbell, C.
 
Campbell, David,
[1993] Politics Without Principle. Sovereignty, Ethics and the Narratives of Gulf War (Boulder, Lynne Rienner).
Soberania Campbell, David
Guerra do Golfo Campbell, David
Golfo, Guerra Campbell, David
Política sem Princípios Campbell, David
 
Campelo, António José Maria Bacharel em leis, advogado. Maçon. Oficial na secretaria da marinha, no Brasil desde 1814. Regressa com a Corte em 1821. Demitido de 1828 a 1833, regressa como oficial maior desde 29 de Julho de 1833, até 1851. Deputado em 1840-1846. Ministro da marinha e ultramar no governo de Terceira, entre 24 de Fevereiro de 1842, em substituição de José Jorge Loureiro, e 5 de Setembro do mesmo ano, quando é substituído pelo barão do Tojal. Segundo Fronteira, Deus não o tinha feito para político.
 
Campinos, Jorge Nasce em Angola. Doutora-se no exílio. Militante do Partido Socialista, chega a governante, depois de 1974, assumindo as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros no VI Governo Provisório. Professor na Universidade Nova de Lisboa.
Bibliografia:
[1975] A Ditadura Militar. 1926-1933 (Lisboa, Publicações Dom Quixote).
[1975] A Carta Constitucional de 1826. Comentário e texto (Lisboa, Decibel).
[1975] Ideologia Política do Estado Salazarista (Lisboa, Portugália Editora).
[1978]O Presidencialismo do Estado Novo (Lisboa, Perspectivas & Realidades).
Partido Socialista Campinos, Jorge
Estado Novo Campinos, Jorge
Presidencialiso Campinos, Jorge
Carta Constitucional Campinos, Jorge
Salazarismo Campinos, Jorge
Estado Novo Campinos, Jorge
 
Campo de concentração
Tarrafal
 
Campo político Conceito de Pierre Bourdieu. Um espaço multidimensional que tanto é um campo de forças, como um campo de lutas simbólicas, onde há um conjunto de relações de forças objectivas, um espaço de relações, por um lado, e um conjunto de lutas simbólicas entre as próprias concepções do mundo e da vida: é o lugar de uma concorrência pelo poder que se faz por intermédio de uma concorrência pelo monopólio do direito de falar e de agir em nome de uma parte ou da totalidade dos profanos e em política, 'dizer é fazer', quer dizer, fazer crer que se pode fazer o que se diz e, em particular, dar a conhecer e fazer reconhecer os princípios de di‑ visão do mundo social, as palavras de ordem que produzem a sua própria verificação ao produzirem grupos e, deste modo, uma ordem social.
 
Campolide, Colégio de. Colégio dos jesuítas de Lisboa até 1910. No local encontram-se hoje algumas escolas da Universidade Nova de Lisboa.
 
Campos, Agostinho Celso de Azevedo (1870-1944) Pedagogo e filólogo. Formado em direito, passou pela magistratura. Leitor português em Hamburgo e professor de alemão em Portugal. Professor na Faculdade de letras de Coimbra. Entre 1906 e 1910 é director-geral da instrução. De fortes convicções monárquicas.
 
Campos, António Alves de Antigo assistente nacional da Mocidade Portuguesa. Sacerdote.
 
Campos, Ezequiel de (1874-1965) Engenheiro pela Politécnica do Porto. Professor do Instituto Superior do Comércio e da Faculdade de Engenharia do Porto. Começa a carreira profissional como engenheiro de obras públicas em S. Tomé, de 1899 a 1911. Deputado à Constituinte de 1911. Ministro da agricultura no governo de José Domingues dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925. Era a novidade na equipa deste governo do cartel das esquerdas à portuguesa, trazendo Sarmento Pimental como chefe de gabinete. Assim, em 17 de Janeiro chega a apresentar uma proposta de lei de organização rural. Se A Batalha a considera como burguesa e comedida, ela sofre ataques de Nemo em A Época. Nela se previa o parcelamento das grandes propriedades agrícolas do Centro e do Sul, visando a constituição, em regime de propriedade privada, de unidades familiares. Em 4 de Fevereiro, no Senado, Ezequiel afirma que o problema de irrigação no Alentejo podia resolver-se com 250 000 libras tanto quanto custava sustentar meia dúzia de revolucionários civis, numa referência aos subsídios oficiais aos revoltosos do 5 de Outubro. Profundo crítico do controlo estadual das subsistências, já em 26 de Setembro de 1923, escrevia n’ O Primeiro de Janeiro: o governo pôs tabelas a tudo; andou a farejar os negócios ilícitos; proibiu o jogo; e fez o pão político. Mas a vida teimou em encarecer, a libra a subir em escudos, e a gente em concorrer às festas e romarias, como nunca. Depois do 28 de Maio, foi nomeado ministro da agricultura e interino do comércio em 3 de Junho de 1926, mas nunca tomou posse. Colaborador da Seara Nova, vincula-se ao salazarismo, sendo o precursor do lançamento das barragens hidro-eléctricas. Procurador à Câmara Corporativa logo em 1935. Ver João Conde Veiga, Ezequiel de Campos. O Homem e a Obra, Porto, 1993.
 
& Bibliografia:
[1911] Projecto de Lei da Utilização de Terrenos Incultos
[1913] A Conservação da Riqueza Nacional [Porto]
[1915] A Grei
[1918] A Evolução e a Revolução Agrária
[1923] A Crise Portuguesa. Subsídios para a Política de Reorganização Nacional [Com Quirino de Jesus]
[1922, 1928] Lázaro (Porto, 2 vols.)
[1924] Política (Porto, Maranus)
[1925] Proposta de Lei de Organização Rural
[1930] Prólogo à Organização do Trabalho Português
[1931] Para a Ressurreição de Lázaro
[1940] O Enquadramento Geo-Económico da População Portuguesa Através dos Séculos ( Lisboa, Edição da Revista Ocidente, 1943, 2ª ed. ampliada e revista. Começou por ser memória apresentada ao Congresso do Mundo Português, na secção sobre Ciências da População, realizada na Porto. Publicado na revista Ocidente entre 1941 e 1943).
 
Riqueza Nacional Campos, Ezequiel de
Grei Campos, Ezequiel de
Crise Portuguesa Campos, Ezequiel de
Terrenos incultos Campos, Ezequiel de
Lázaro [1922] Campos, Ezequiel de
Organização Rural Campos, Ezequiel de
Ressurreição de Lázaro [1931] Campos, Ezequiel de
População Portuguesa Campos, Ezequiel de
Trabalho Nacional Campos, Ezequiel de
Reorganização Nacional Campos, Ezequiel de
Organização do Trabalho Nacional Campos, Ezequiel de
  
 
 
Campos, Fernando (1891-1958) Autor português da escola integralista. Destaca-se como organizador de um inventário do pensamento contra-evolucionário português.
Bibliografia:
[1924] Os Nossos Mestres ou o Breviário da Contra-Revolução
[1931-1933] O Pensamento Contra-Revolucionário em Portugal no Século XIX
[1941] Páginas Corporativas
 
 
 
Campos, Francisco António de 1780-1873 Barão de Vila Nova de Foz Coa, Desde 1837. Da Maçonaria do Sul. Grande proprietário. Bacharel em leis. Guarda-livros. Deputado de 1822 a 1834. Presidente da Associação Mercantil de Lisboa em 1834-1835. Líder da oposição aos chamorros. Ministro da fazenda no governo de Saldanha, entre 27 de Maio e 15 de Junho 1836, é demitido por pressão de Mendizabal, sendo substituído pelo seu rival político e maçónico, José da Silva Carvalho. Ministro da fazenda no governo de José Jorge Loureiro, de 18 de Novembro de 1835 a 6 de Abril de 1836. Na sessão parlamentar de 29 de Fevereiro de 1836, chora a apresentar o orçamento. Aprova, no entanto, a venda das Lezírias em 25 de Janeiro. Membro fundador da Sociedade Patriótica Lisbonense em 9 de Março de 1836. Activista da Associação Cívica de 1838. Grão-mestre da maçonaria do sul entre 1840 e 1849 (teve aqui como colaborador Manuel António de Carvalho). Presidente da Associação Eleitoral Setembrista em Outubro de 1847. Ii337 Ix 253
 
 
Campos, João Mota de (n. 1927) Jurista e político português, doutoramento de Estado por Estrasburgo e professor catedrático do ISCSP e da Universidade Católica. Foi secretário de Estado da Agricultura e ministro do planeamento nos governos de Oliveira Salazar e Marcello Caetano. Nestas últimas funções, foi o organizador do inaplicado IV Plano de Fomento português. De 1968 a 1973 foi presidente da Comissão de Planeamento da Região Norte. Transforma-se depois de 1974 no principal especialista português em direito comunitário. Adere ao CDS, candidatando-se a deputado por Leiria, sob a presidência de Adriano Moreira.
 
Campos e Almeida, José Alexandre Caetano de (1794-1850) Natural de Trancoso. Doutor em leis desde 21 de Junho de 1818. Perseguido em 1823 e 1828. Nesta última data foi afastado de professor e encarcerado em Almeida. Regressa à carreira de professor por decreto de 14 de Julho de 1834. Deputado de 1834 a 1842. Vice-reitor da Universidade de Coimbra entre 1834 e 1835. Nomeado para esse cargo pelos chamorros, a quem estava ligado, foi demitido, sob a acusação de despotismo, tendo, então, passado para a oposição. Maçon. Subscritor da acusação de alta-traição aos implicados na belenzada de Novembro de 1836. Presidente do Congresso Constituinte de 1837. Ministro da justiça no governo de Sá da Bandeira, o quarto gabinete do setembrismo, de 10 de Agosto de 1837 a 9 de Março de 1839. Foi o inspirador do decreto de 17 de Novembro de 1836 que criou os liceus. Parente de Francisco António de Campos. Fronteira considera-o um dos homens mais rancorosos que tem aparecido no banco dos Ministros. Considerado um orador veemente e violento. Volta a ser preso em 1847. Cria em Coimbra a cadeira de Economia Política, que rege nos intervalos das respectivas intervenções políticas.
 
Campos, José Moreira de Comandante da marinha. Combate os monárquicos em 1919, sob as ordens de Prestes Salgueiro. Membro do directório democrato-social. Um dos republicanos históricos, tradicional oposicionista ao salazarismo, mas defensor da chamada integridade do património ultramarino. Ligado a Mendes Cabeçadas, pertence ao grupo da Sociedade de Geografia, criticando asperamente o modelo de Adriano Moreira.
[1965]
A Descobrir. Ponto de Partida, Ponto de Encontro
 
Lisboa
 
Campos, Roberto Autor brasileiro marcado pelo neoliberalismo. Próximo das teses de Hayek.
 
Bibliografia:
[1985] Além do Cotidiano
[1994] Lanterna na Popa [Livro de Memórias]
[1996] Antologia do Bom Senso (Rio de Janeiro, Topbooks).
 
 
 
Camus, Albert (1913-1960) Escritor e filósofo francês. Membro do Partido Comunista de 1922 a 1937. Destacado militante da resistência e colaborador de Combat. Prémio Nobel da literatura em 1947. Logo em 1943 publicou as célebrea Cartas a um Amigo Alemão, em nome, não de um francês, mas sim de nós, europeus livres Existencialista francês, célebre como romancista, mas também filósofo e teórico político, sobretudo em L’Homme Révolté, de 1951. Natural de Argel, provém da classe operária. Membro activo da Resistência desde 1940, no pós-guerra distancia-se dos existencialistas ligados ao marxismio, como Sartre, Simone Beauvoir e Merleau-Ponty. Morre em acidente de viação em 1960, diatante da esquerda e da direita.
Bibliografia:
[1942] Le Mythe de Sisyphe (Paris, Éditions Gallimard) (trad. port. de Urbano Tavares Rodrigues, O Mito de Sísifo. Ensaio sobre o Absurdo, Lisboa, Editora Livros do Brasil, s. d.).
[1951] L'Homme Revolté (Paris, Éditions Gallimard) (trad. port de Virgínia Mota, O Homem Revoltado, Lisboa, Editora Livros do Brasil, s. d. ) (nas traduções norte-americanas, utiliza-se a expressão The Rebell).
[s.d.] Primeiros Cadernos (António Quadros, pref., Lisboa, Livros do Brasil, s. d.=.
 
Canadá (Dominion of Canada) 9 970 610 km2. O Estado mais vasto do mundo depois da Rússia. 29 900 000 habitantes, um quarto dos quais de língua francesa e três quartos de fala inglesa, mas apenas com 33% de origem britânica. Começa a partir da Nouvelle France, nome dado em 1524 pelo navegador italiano Florentin Giovanni Verrazzano, ao serviço do rei de França. Dez anos depois é reforçada a presença deste país com as viagens de Jacques Cartier. Em 1608 é fundada a colónia francesa no Quebeque. Em 1611 chegam os jesuítas franceses, não sendo autorizada a entrada de protestantes. Em 1627 Richelieu funda uma Companhia que fracassa, levando a que Colbert em 1663 transforme o território numa província de França que em 1682 funda também a Louisiana. Em 1760 a Nova França passa para o domínio britânico, depois da guerra dos Sete Anos. Em 1763 é garantida a liberdade religiosa aos católicos. As perseguições religiosas levadas a cabo pela Revolução Francesa, fazem com que os católicos canadianos de origem francesa alinhem desde então num rígido lealismo face à coroa britânica. Na guerra da independência norte-americana, entre 1775 e 1783, não alinham com os Insurgents. O mesmo se passa na guerra de 1813-1814, onde voltam a não alinhar com os franceses. Em 24 de Maio de 1867 surge a Confedração da América do Norte Britânica, formalizando-se o Dominion of Canada, aperfeiçoado em 1931 com o Estatuto de Westminster.
 
Canalha Diz-se do populacho. A palavra tem origem em can (cão). Passou a designar gente considerada vil ou um homem infame.
 
Canas, Vitalino Assistente da Faculdade de Direito de Lisboa. Foi professor da Universidade de Macau. Secretário de Estado do governo socialista de António Guterres.
·«A forma de governo semi-presidencial e suas características. Alguns aspectos»
In Revista Jurídica, n. º 1, n. º Out. /Dez., pp. 89 segs., Lisboa, 1982.
·Preliminares do Estudo da Ciência Política
Macau, Publicações “O Direito”, 1992.
 
Canavan, Francis
·The Pluralist Game. Pluralism, Liberalism and the Moral Conscience
Lanham, Rowman & Litllefield, 1995.
 
 
Canaveira, Manuel Filipe Cruz Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
·Liberais Moderados e Constitucionalismo Moderado (1814-1852)
 Lisboa, INIC, 1988
 
 
Candidatura Do latim candidus, o que tem cor branca. Deriva do facto de em Roma os que pretendiam ser eleitos para um determinado cargoandarem vestidos de branco, com uma toga candida. Plutarco observa que nem mesmo lhes era lícito usarem outras roupas, a fim de se evitar que, trazendo dinheiro, comprassem votos, e até para poderem mostrar as cicatrizes que tinham no corpo, dos ferimentos de guerra.
 
 
 
Cândido da Silva, Jacinto (1857-1926) Natural de Angra do Heroísmo. Professor de liceu na cidade natal. Politicamente, começa como deputado regenerador, destacando-se como secretário da comissão para as comemorações do centenário de Camões em 1880. Ministro da marinha e do ultramar no governo de Hintze, entre 26 de Novembro de 1895 a 7 de Fevereiro de 1897. Abandona os regeneradores e é um dos fundadores do partido católico, dito Partido Nacionalista.
[1909]
A Doutrina Nacionalista
 
Porto, Empresa Literária e Tipográfica, 1909.
[1963]
Memórias Íntimas para o meu Filho (1898-1925)
 
Edição de José Lopes Dias, Castelo Branco, Edição de Estudos de Castelo Branco, 1963
 
 
Cândido Ribeiro da Costa, António (1850-1922) Padre, professor de direito e ministro da monarquia constitucional. Autor de uma tese de doutoramento sobre o problema eleitoral de 1878. Eleito deputado pela primeira vez como progressista em Outubro de 1879. Estreia-se parlamentarmente em 17 de Fevereiro de 1880, com o célebre discurso da Vida Nova, em nome de mais liberdade. Nessa década de 1880 firma-se pela eloquência, sendo conhecido como a águia do Marão. Contudo, em 1885, já diz aceitar uma solução ditatorial provisória, destacando-se do enquadramento lucianista. Ministro do reino de João Crisóstomo de 14 de Outubro de 1890 a 25 de Maio de 1891. Regressa ao seio dos progressistas em 8 de Junho de 1894. Declara-se relativista em filosofia. Larga as tarefas universitárias e prefere o cursus honorum de uma brilhante carreira política, parlamentar e governamental. Talvez tenha produzido um dos primeiros trabalhos portugueses retintamente politológicos, durante quase um século perdido na poeira das bibliotecas e sem qualquer efeito criador de uma escola ou de uma corrente de pensamento
 
[1878]
Princípios e Questões de Philosofia Política
 
2 vols.
I - Condições Scientificas do Direito de Suffragio, 1878;
[1881]
II - Lista Multipla e Voto Uninominal
[1890]
Discursos e Conferências
 
1890.
[1894]
Discursos Parlamentares. 1880 - 1885
 
Porto, 1894.
[1901]
Na Academia e no Parlamento
 
1901.
 
Caneca, Frei Joaquim do Amor Divino e (1774-1825) Natural do Recife. Ordenado sacerdote em 1796. Assumindo um republicanismo exacerbado, participa nas revoltas de 1817 e de 1824. Condenado, acaba enforcado em 1825. Reconhece que a ciência do governo sempre foi a mais difícil das empresas dos homens em tempos de tranquilidade e entre um povo de costumes fixos e virtuosos; em quadras porém de efervescência e quando os homens vacilantes em moral se não dirigem a norte nenhum certo, é sem dúvida acima das forças humanas. Ver Obras Políticas e Literárias, Recife, Tipografia Mercantil, 1875-1876.
 
 
 
 
Canetti, Elias (1905-1994) Búlgaro de nascimento, estuda em Viena, donde sai para Paris em 1938. Romancista e dramaturgo. Descendente de judeus ibéricos.  
Bibliografia:
[1960] Masse und Macht (trad. port. Massa e poder, São Paulo, Melhoramentos, 1983) (masse et Puissance, Paris, Gallimard, 1960).
 
Canguilhem, Georges (1904-1995) Filósofo francês, doutor em medicina.
Bibliografia:
[1952] La Connaissance de la Vie
[1966] Le Normal et le Pathologique
[1968] Études d'Histoire et de Philosophie des Sciences
 
Canhotos Nome dado à facção de José Domingues dos Santos dentro do Partido Democrático, em 1924-1925. Opunha-se à ala direitista, dita dos bonzos, dirigida por António Maria da Silva, e distanciava-se da ala centrista de Vitorino Guimarães.
 
Cannac, Yves Define a sociedade civil como a que formam entre si os membros de uma mesma comunidade humana, enquanto se reunem por um objecto diferente do exercício do Poder. Compreende as famílias, as empresas, as associações, etc., isto é, todas as formas de organização, de actividade e de relações não políticas.
 
Bibliografia:
[1983] Le Juste Pouvoir. Essai sur les Deux Chemins de la Démocratie (Paris, Éditions Jean-Claude Lattès).
[1993] Le Retour de l’État (Paris, Librairie Plon).
 
Canning, George (1770-1827) Duas vezes ministro dos negócios estrangeiros britânico (1807-09, 1822-27) e primeiro-ministro em 1827. Apoiou as independências sul-americanas, sendo o verdadeiro autor da chamada doutrina de Monroe. Membro do grupo tory, com Pitt desde 1796, assumiu-se sempre como um liberal. Em 1807-1809, ministro dos negócios estrangeiros. Responsável pelo envio de Wellesley para Portugal. Embaixador em lisboa em 1814-1815. Volta ao ministério dos negócios estrangeiros britânico em 1822. Amigo de Palmela. Em 1827, quando Jorge IV o nomeou primeiro-ministro, metade do gabinete, o chamado grupo ultra-tory pediu a demissão e ele teve de governar com o apoio dos whigs. Os seus apoiantes, depois da sua morte, irão integrar o grupo whig.
 
Canning, Stratford (1786-1880) Primo de George Canning. Diplomata. Enviado a Portugal em 1832 para tentar conciliar D. Pedro e D. Miguel.
 
Canotilho, José Joaquim Gomes Constitucionalista português, professor catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra. Começando na ortodoxia marxista-leninista, vai complexificando o respectivo pensamento pelo choque das novas sendas abertas pela Escola Crítica de Frankfurt. Assume um ecletismo de esquerda, transformando-se num dos pensadores do regime, depois do fim do cavaquismo.
 
Bibliografia:
[1982] Constituição dirigente e vinculação do legislador. Contributo para a compreensão das normas constitucionais programáticas (Dissertação de doutoramento, Coimbra).
[1984-1985] Tópicos de Ciência Política (Apontamentos policopiados, Coimbra).
[1987] «O círculo e a linha. Da “liberdade dos Antigos” à “liberdade dos Modernos” na teoria republicana dos direitos fundamentais» (In Revista de História das Ideias, pp. 733 segs., Coimbra).
[1991] Direito Constitucional (5ª ed., Coimbra, Livraria Almedina).
 
Canovan, Margaret
[1974] The Political Thought of Hannah Arendt (Nova York, Harvest Books).
[1981] Populism (Londres, Junction Books).
[1994] Hannah Arendt. A Reinterpretation of Her Political Thought (Cambridge, Cambridge University Press).
 
Populismo [1981] Canovan, Margaret
Populismo Canovan, Margaret
Arendt, Hannah Canovan, Margaret
 
 
 
Cánovas del Castillo, Antonio 1828-1897 Escritor e político espanhol. Ministro em vários governos liberais de 1864 a 1868. Promove o regresso ao trono de Alfonso XII em Dezembro de 1874. Primeiro ministro de 1875 a 1881. Era então chefe dos conservadores que tinham a oposição dos liberais, liderados por Sagasta. Inspirador da Constituição de 1876. Regressa ao cargo de primeiro ministro em 1884-1885, 1890-1892 e 1895-1897. Assassinado por um anarquista italiano em 8 de Agosto de 1897. Cria o sistema político da Restauração que esteve em vigor em Espanha até 1923. Considera que o Estado não é um ser, não é mais do que uma instituição ou instrumento, mas um instrumento da personalidade humana. Deste modo, se opõe às concepções panteístas que nascem da pretensão de substituir com uma unidade humana e terrena a grande unidade divina que se procura fazer desaparecer da consciência do homem.
· Problemas Contemporáneos.
 
Cantão
 
Cantonalismo
 
Cao-Garcia, Ramon J.
[1983]
Explorations Toward an Economic Theory of Political Systems
(Nova York, University Press of America)
 
Cânone
 
Canudos, Revolta dos Revolta na Baía contra a República, liderada por António Conselheiro e pelos seus jagunços. Apenas dominada em 1896.
 
Caos. O mesmo que desordem, o equivalente ao negativo, a que se seguiu o cosmos, a ordem, o equivalente ao positivo. Porque, no princípio esteve o caos, o grande vazio, o grande buraco negro, o espaço vazio cheio de trevas, como diziam os gregos, de Hesíodo a Aristóteles, essa desordem inicial, equivalente ao negativo, a que se seguiu o cosmos, o equivalente ao positivo. De acordo com a mitologia grega, o caos são as trevas do mundo, donde surgiu a Noite que se transforma numa imensa esfera. Esta, dividindo-se em duas metades, abre-se em forma de concha, daí desabrochando o Amor (Eros) que garante a coesão universal. Uma das metades forma a abóbada do Céu (Urano) e a outra o disco da Terra (Geia). Da união entre estas duas metades nascem depois seis Titãs e seis Titânides, as forças elementares, das quais se destacam Oceano, a água, Témis, o equilíbrio eterno da lei, Mnémosine, a memória enquanto poder do espírito, e Crono. Este último, que vai matar o pai, tem um filho, Zeus, que vai tendo várias esposas, entre as quais Témis, e desta união vai nascer Irene, a paz, Eunómia, a disciplina, e Dike, a Justiça. Continuando a aplicar a ideia de Caos ao ao mundo do direito, saliente-se que não existe nenhuma sociedade onde todas as regras sejam espontaneamente cumpridas. Utilizando a terminologia de Georges Burdeau, importa salientar que para qualquer agrupamento humano passar do caos ao cosmos é necessária a institucionalização de um poder que, misturando a força com a ideia, seja capaz de premiar quem o merece e de punir o prevaricador.
 
Capacidade
 
Capelo, Hermenegildo Carlos de Brito (1841-1917) Oficial da marinha. Explorador africano. Em colaboração com Roberto Ivens, publica em 1886, De Angola à Contra Costa, em dois volumes. Governador de Angola de 1886 a 1891.
 
Capital Constant considera que nos modelos de centralismo, na capital forma-se um pequeno Estado onde se aglomeram todos os interessese vão agitar-se todas as ambições.
 
Capital Simbólico Conceito de Pierre Bourdieu, visando unificar as ideias de capital financeiro, capital cultural e capital social. O detentor do capital simbólico é que constituiria a verdadeira classe dominante, porque detém o poder social que é produzido de forma interactiva. Integra os conceitos de classe económica, classe política e classe cultural.
 
Capitant, René (1908-1969)
 
& Bibliografia
[1936]
”Hobbes et l’État Totalitaire”
 
In Archives de Philosophie du Droit, ns. 1-2, 1936.
[1934]
La Réforme du Parlementarisme
 
Paris, 1934
[1971]
Écrits Politiques
 
Paris, Éditions Flammarion, 1971.
[1972]
Démocratie et Participation Politique
 
Paris, Éditions Bordas, 1972.
 
 
Capitalismo
Capitalismo democrático
Capitalismo democrático, 119, 832
Capitalismo monopolista de Estado, 108, 756
Capitalismo selvagem, 14, 106
 
Capitalism, Socialism and Democracy, 1942 A obra de Joseph Schumpeter divide-se em quatro partes: a doutrina marxista; interrogação sobre a sobrevivência do capitalismo; interrogação sobre o funcionamento do socialismo; socialismo e democracia. (Nova York, Harper & Row, 1942; trad. fr. Capitalisme, Socialisme et Démocratie, Paris, Librairie Payot, 1969).
 
Capitalisme et Schizophrénie”, 1972 falam num Urstaat, num "Estado Primordial que se abate sobre a organização primitiva e a reduz à sua mercê". Este Urstaat, como tal baptizado por Nietzsche, equivaleria às "máquinas de guerra" das civilizações nómadas e constituiria o início do Estado Moderno. Para estes autores, portanto, o Estado sempre existiu em todos os lugares e em todos os tempos e sempre muito perfeito e muito formado. Porque "não é apenas a escrita que supõe o Estado, é a palavra, a língua, a linguagem. A auto‑suficiência, a autarquia, a independência, a preexistência de primitivos comuns é um sonho de etnólogo"
 
Capitalismo, Catolicismo, Protestantismo, 1933 Amintore Fanfani considera que a emergência do Estado moderno actuou a favor do capitalismo, sendo ambos dois produtos do racionalismo: o ideal racionalista levou à aspiração de transformar todo o Estado numa república democrática onde o comércio fosse Deus. O Estado fomentou a criação de um mercado nacional e levou à unificação do direito, gerou sistemas uniformes de medidas, desenvolveu as vias de comunicação, as indústrias militares, as obras públicas e a própria educação (trad. port. de Osvaldo de Aguiar, Lisboa, Aster, s. d. ).
 
Capitalismo ou Comunismo? Resposta da Sociologia Cristã, 1954 Obra de Francisco Inácio Pereira dos Santos, onde se considera que o homem é um corpo vitalizado por um espírito, servido por um corpo que é parte essencial de todo o ser humano, uma pessoa criada por deus à sua imagem e semelhança. Critica-se o liberalismo económico e o mito do progresso ilimitado, mutilador do homem, porque ambos se insurgiram contra a antiga concepção teocrática e dissociando o natural do sobrenatural, a natureza da Graça, a razão da Revelação, o político e o económico dos ditames morais e da influência religiosa. Recorda, para o efeito, que a metafísica precedeu a astronomia e esta precedeu a física e considera-se a primazia da técnica como o velho sonho dos insensatos construtores da Torre de Babel.
 
 
Capo d'Istria, Conde 1776-1831 Ioannes Antonios Capo d’Istrias. Político grego. Nasce em Corfu. Diplomata, entra ao serviço da Rússia em 1809, participando no Congresso de Viena. Chega a ministro dos estrangeiros da Rússia de 1816 a 1822. Eleito presidente da nação grega em Abril de 1827. Acusado de autocracia, morre assassinado.
 
Capurso, M., I Limiti della Sovranità negli Ordinamenti Democratici, Milão, Giuffrè Editori, 1967.
 
 
 
 
Caraça, Bento de Jesus (1901-1948) Matemático e catedrático do ISCEF. Politicamente próximo do PCP, marca a oposição portuguesa nas décadas de trinta e quarenta. Inspira o projecto de Universidade Popular Portuguesa e lança a Biblioteca Cosmos em 1941. Impulsiona a Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo e participa no MUNAF e no MUD. Preso em Setembro de 1946 é um dos professores então dmeitido.
 
Caracala Imperador romano de 211 a 217, emite o célebre Edito de Caracala de 212 que concede a cidadania romana a todos os habitantes livres do Império, uniformizando juridicamente e fiscalmente romanos, latinos e provinciais.
 
Caracterização, nas ciências do devir e da forma CASSIRER, 32, 208
 
Capurso, M., I Limiti della Sovranità negli Ordinamenti Democratici, Milão, Giuffrè Editori, 1967.
 
Carácter nacional português Do gr. charactér, gravar, coisa gravada. Jorge Dias tentou ensaiar uma síntese da personalidade básica dos portugueses em Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa, Coimbra, 1955; Estudos do Carácter Nacional Português, Lisboa, Agência Geral do Ultramar, 1960 ( há também uma edição do Centro de Estudos de Antropologia Cultural da Junta de Investigações do Ultramar, 1971) e O Carácter Nacional Português na Presente Conjuntura, in BAICP, nº 4, 1968, pp. 231-248. Para ele, o homem português é: 1º- Um misto de sonhador e de homem de acção, ou melhor, um sonhador activo, a que não falta certo fundo prático e realista. É por isso mais idealista, emotivo e imaginativo do que homem de reflexão. 2º- Profundamente humano e sensível, amoroso e bondoso, sem ser fraco. Não gosta de fazer sofrer e evita conflitos, mas ferido no seu rgulho pode ser violento e cruel. A religiosidade apresenta o mesmo fundo humano peculiar do português. Não tem carácter abstracto, místico ou trágico próprio da espanhola, mas possui uma forte crença no milagre e nas soluções miraculosas. 3º-Tem vivo sentimento da natureza e um fiundo poético e contemplativo estático, faltando-lhe a exuberÅncia e alegria espontânea e ruidosa dos povos mediterrânicos. 4º-Individualista, com grande fundo de solidariedade humana. 5º-Não tem sentido de humor, mas é dotado dum forte espírito crítico e trocista e duma ironia pungente. 6º-Expansivo e dinâmico. 7º-Afectivo, bondoso e amoroso. 8º-Avesso às grandes abstracções e às grandes ideias que ultrapassam o sentido humano. 9º-Perante as grandezas e os mistérios da natureza que foram pouco a pouco descobrindo, nasceu nos portugueses uma atitude especial, não destituída dum certo fundo místico-naturalista, com tintas de panteísmo não filosófico. Como refere o mesmo autor, na última obra citada, p. 244, para o português "o coração era a medida de todas as coisas", tal como para o alemão é a cultura, para o francês, a razão, e para a american way of life, o time is money. No português existiria "uma enorme plasticidade humana e invulgar sentido ecuménico" (p. 237), uma predisposição para "aceitar de maniera natural as chamadas culturas primitivas"(p. 238), marcada pelo princípio católico da renúncia aos bens terrestres como meio de alcançar a vida eterna (p. 239).
A perspectiva de Miguel de Unamuno.
Noutra perspectiva, Miguel de Unamuno considera que "o povo de Portugal é triste, mesmo quando sorri... É de suicidas o povo de Portugal, talvez ele seja um povo suicida. Para ele, a vida não tem sentido transcendente"( in Carta a Manuel Laranjeira de 1908, in De Fora para Dentro, Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/ Ediçoes Afrodite, 1973, p. 159). Noutro lugar, considera que "a mansidão, a meiguice portuguesa só se encontra à superfície; raspai-a e logo haveis de encontrara uma violência plebeia que chegará a assustar-nos" (in Por Tierras de Portugal y España, 1908, op. loc., cit., p. 167), concluindo que "o português é constitucionalmente um pessimista"(id. p. 171)
 
1Sobre a matéria, ver tb. MARIA DE LURDES BELCHIOR, Sobre o Carácter Nacional ou para uma 'Explicação' de Portugal. Ensaio, in Nação e Defesa, Ano VI, Jan-Mar, 1982, pp. 11-31; TERESA BERNARDINO, O Patriotismo, o Futuro e Portugal, in Nação e Defesa, Ano V, nº 14, Abr-Jun, 1980, pp. 93-102; MIGUEL ESTEVES CARDOSO, Misticismo e Ideologia no Contexto Cultural Português : a Saudade, o Sebastianismo e o Integralismo Lusitano, in Análise Social, Vol. XVIII, 1982, pp. 1399-1408; A Ideia de Potugal e o Sentido Moderno de Patriotismo, Conferência na Fundação Século XXI, em 12 de Julho de 1987; MANUEL BRAGA DA CRUZ, Nacionalismo e Patriotismo na Sociedade Portuguesa Actual. Alguns Resultados de um Inquérito, in Nação e Defesa, nº 49, Jan-Mar, 1989, pp. 11-32 e JOSE MANUEL DA SILVA PINTO, A Sociedade Portuguesa Actual. O Nacionalismo e o Patriotismo, id., pp. 33-75.
Carácter Nacional Brasileiro Segundo as teses da Escola Superior de Guerra do Brasil, é possível o estabelecimento dos respectivos atributos, indicando-se o individualismo, a adaptabilidade, a improvisação,, a vocação pacifista, a cordialidade e a emotividade.
 
Caracteres da Monarquia 1824 Obra do miguelista António Joaquim de Gouveia Pinto, tendo como subtítulo Expostos em rezumo, para o fim de mostrar ao mesmo tempo a preferencia, que ella merece entre as mais fórmas de Governo O livro está dividido em três partes, ou três pontos de vista. No 1º, aborda os caracteres antiguidade, independência, unidade, bondade e doação. No 2º, liberdade, bens, justiça, prémios, literatura e homens grandes. No 3º, que o trono seja hereditário; que o poder do legislador seja absoluto; que se respeitem as leis antigas virtudes. (Lisboa, 1824) (cfr. reed., Lisboa, Pro Domo, 1944, com pref. de Fernando Aguiar).
 
Prefácio de Fernando Aguiar, à obra de Gouveia Pinto, Os Caracteres da Monarquia, onde se considera que a monarquia portuguesa "foi sempre uma monarquia do tipo democracia social e cristã, governo do Rei e do Povo para o povo". Apoiando‑se me Jacques Maritain e Tristão de Athaíde, pseudónimo do filósofo brasileiro Alceu Amoroso Lima, faz uma crítica cerrada aos sistemas políticos então vigentes na Rússia e na Alemanha. Para ele são "dois totalitarismos muito manos politicamente, posto que economicamente separados neste momento e por questão de proveito individualista; em ambos, o interesse público sobrepõe‑se e até certo ponto elimina todo e qualquer interesse do homem considerado como pessoa". Partindo da classificação de Maritain, considera que a democracia pode ser entendida em três sentidos:como demofilia, o que se teria verificado em portugal até ao século XVIII, como democracia política, "no sentido de Aristóteles e S. Tomás de aquino a colher exemplo na antiga democracia helvética", e finalmente como "democratismo" ou "democracia chamada de Rousseau". Quanto à segunda, Aguiar considera que "a Igreja como a filosofia ainda a consideram como forma possível do governo, mas menos segura do que a primeira esta manifestação da democracia só nos é possível quando de deem certas condições de meio, clima, educação, civismo... " No tocante à terceira, cita Maritain que a considera como "o mito religioso da democracia, totalmente diverso do legítimo regime democrático" e que leva ao panteísmo político. Considera‑a, como Tristão de Ataíde, "o primado da política sobre a cultura".
 
Carbonários Os carbonari nascem de uma sociedade secreta surgida em Nápoles entre 1807 e 1810 para lutarem contra a ocupação napoleónica. Organizam-se em grupos de 20 homem, as chamadas vendas que se submetem a uma Venda Suprema. mantêm-se depois de 1815, lutando contra a Santa Aliança, promovendo a revolta de Nápoles de 1820. Passam a França, na luta contra a Restauração, sob o nome de charbonniers. Têm como chefe supremo Lafayette. Em Italia, a partir de 1831, são integrados na Jovem Europa de Mazzini.
 
Cardia, Mário Sottomayor Doutor em filosofia. Professor da Universidade Nova de Lisboa.
[1971]
Seara Nova. Antologia. Pela Reforma da República 1921-1926
 
2 vols., Lisboa, Edições Seara Nova, 1971-1972.
[1972]
Sobre o antimarxismo contestatário. Ou as infelicidades de um jdanovista ofuscado pelo neocapitalismo
 
Lisboa, Edições Seara Nova
[1992]
Ética
 
Lisboa, Presença
 
Cardis, F., Fédéralisme et Intégration Européenne, Lausanne, 1964.
 
Cardonnel, Jean, Deus toma partido, trad. port., Porto, Livraria Paisagem, 1971.
 
Cardoso, Alfredo Ernesto de Sá (1864-1950) Militar de carreira. Participa na campanha da Lunda, em Angola. Funda com Afonso Pala, Helder Ribeiro e Américo Olavo a loja Jovens Turcos da República. Revolucionário do 5 de Outubro. É então membro do comité militar para a implantação da república, juntamente com Helder Ribeiro e Aragão e Melo, grupo que entra em desinteligências com Machado Santos e não desempenha papel liderante no 5 de Outubro de 1910. Chefe de gabinete do ministro da guerra Correia Barreto. Deputado em 1913, 1915, 1919 e 1922. Chefe da revolta militar de 14 de Maio de 1915 contra Pimenta de Castro. Governador civil do Funchal (1917). Deputado, defende a participação de Portugal na Grande Guerra. Abandona a presidência do parlamento e vai combater em França. Opõe-se militarmente ao golpe de Sidónio Pais. Presidente do ministério de 29 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920, acumulando a pasta do interior. Alvarista, é um dos fundadores dos reconstituintes, alinha com os nacionalistas e adere à dissidência da Aliança Republicana. Ministro do interior no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924. Desterrado para Cabo Verde e Açores, depois do 28 de Maio, regressa em 1934, quando passa à reserva por ter atingido o limite de idade. Ainda participa na formação da Aliança Republicana.
 
±Cardoso, Artur Alberto Camacho Lopes  Ministro da justiça no governo de Sá Cardoso, de 29 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920; ocupa a mesma pasta de 19 de Junho a 20 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo; de 20 a 30 de Novembro de 1920, no governo de Álvaro de Castro; de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921, no governo de Liberato Pinto; de 2 de Março de 1921 a 23 de Maio de 1921, no governo de Bernardino Machado; e no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923.
 
Cardoso, Carlos Ernesto de Sá (n. 1902) Engenheiro civil, funcionário da Junta Autónoma das Estradas. Filho de Alfredo Sá Cardoso. Oposicionista ao salazarismo, membro do MUD e apoiante das candidaturas de Norton de Matos e Quintão Meireles.
 
CARDOSO, Carlos -Nação, 58, 376
 
 
 
Cardoso, Fernando Henrique Sociológo. Um dos expoentes da teorias dependencistas. Aproxima-se das teses de Louis Althusser e de Gramsci, nomeadamente do conceito de hegemonia. Admite a autonomia do sistema político. Presidente do Brasil eleito em Novembro de 1994, numa coligação de direita entre o PSDB e o PFL.
Bibliografia:
[1967] Dependencia y Desarrollo en America Latina (,Santiago, ILPES. Com Enzo Falleto) (Dependência e Desenvolvimento na América latina, Rio de Janeiro/ Guanabara, 1969).
[1971] Politique et Développement dans les Societés Dépendantes (Paris, Éditions Anthropos).
[1973] O Modelo Político Brasileiro e outros ensaios (São Paulo, Col. Corpo e Alma do Brasil, 2ª ed.).
[1975] Autoritarismo e democratização (Rio de Janeiro, Paz e Terra).
[1984] Les Idées à leurs Places. Le Concept de Dévellopement en Amérique Latine (2 vols., Paris, Métailié).
[1991] «Caminhos para um novo milénio» (In Portugal no Limiar do Século XXI, pp. 25-46, Lisboa, SEDES).
 
Cardoso, Francisco António Gonçalves (1800-1875) Oficial da marinha. maçon. Governador de Macau, Timor e Solor (1850-1851). Governador de Angola (1866-1869). Deputado em 1848-1851; 1871-1874 e 1875.
 
Cardoso, José Pires n. 1904 Licenciado em direito. Professor da Universidade Técnica de Lisboa. Ministro do interior do salazarismo. Administrador da Caixa geral de Depósitos e director do Gabinete de Estudos Corporativos. Administrador da Emissora nacional.
 
 
 
Cardoso, Vicente Licínio (1889-1931) Filósofo brasileiro. Formado em engenharia
 
Bibliografia
[1918]
Filosofia da Arte
 
Rio de Janeiro, 1918.
[1924]
Pensamentos Brasileiros
 
Rio de Janeiro, Anuário de Brasil, 1924.
[1924]
Vultos e Ideias
 
Rio de Janeiro, Anuário do Brasil, 1924.
[1924]
Figuras e Conceitos
 
Rio de Janeiro, Anuário do Brasil, 1924.
[1937]
Pensamentos Americanos
 
Rio de Janeiro, Editorial Minerva, 1937.
 
 
Cardozo, Benjamin Nathan (1870-1938) Juiz norte-americano, sucede a Holmes no Supremo.
The Paradoxes of Legal Science, 1928; The Nature of Judicial Process, 1921
 
Carélia. Região repartida entre a Finlândia e a Rússia
 
Carey, G., Grahn, G. J., eds., The Post-Behavioral Era. Perspectives on Political Science, Nova York, David McKay, 1972.
 
 
 
 
Carey, Henri-Charles 1793-1879 Economista e sociólogo norte-americano de origens irlandesas. Adopta o evolucionismo de Spencer. Nos domínios da sociologia é marcado por certo mecanicismo, procurando leis únicas para as ciências físicas, sociais, psíquicas e morais, como, por exemplo, a lei da gravitação e da repulsa, correspondente na sociedade à associação e concentração da população, consideradas como variantes da grande lei da gravitação universal. No plano económico, assume uma atitude anti-britânica. Divulga nos Estados Unidos as teses de Bastiat. Adopta, depois, a partir de 1842, uma perspectiva de proteccionismo liberal, marcada por List, que influencia o isolacionismo norte-americano.
 
Bibliografia
[1837]
Principles of Political Economy
 
3 vols., 1837-1840.
[1848]
The Past, the Present, the Future
 
1848.
[1850]
Harmony of Interests, agricultural, manufacture and commercial
 
 
[1858]
Principles of Social Sciences
 
3 vols., 1858-1859.
[1872]
The Unity of Law in the Correlations of the Physical, Social, Psych and Moral Science
 
 
 
Carey, G.
 
[1972]
The Post-Behavioral Era. Perspectives on Political Science
 
Nova York, David McKay, 1972.
 
+Grahn, G. J., orgs.
 
 
Caríntia (Kãrnten) Ducado independente que em 1286 passou para os condes do Tirol e desde 1335 para os Habsburgos; em 1920, a Caríntia do sul passou para a Jugoslávia; o restante território faz parte da Áustria
 
Carisma O mesmo que dom da graça divina. Uma qualidade excepcional, real ou imaginária, possuída por um indivíduo isolado, qualidade por ele instrumentalizada para assumir uma liderança política. Tema introduzido por Ernst Troeltsch e retomado por Max Weber que a define como uma qualidade pessoal considerada extra-quotidiana (... ) e em virtude da qual se atribuem a uma pessoa poderes ou qualidades sobrenaturais, sobre-humanos ou, pelo menos, extra-quotidianos específicos ou então se a toma como enviada por Deus, como exemplar e, portanto, como líder. Contudo, o mesmo Weber salienta que uma das formas de legitimidade carismática aparece na democracia de líderes, com um demagogo a aproveitar-se da democracia plebiscitária, surgindo uma legitimidade carismática oculta sob a forma de uma legitimidade que deriva da vontade dos governados.
 
Carlismo Movimento legitimista espanhol, surgido a partir de 1830, quando Fernando VII declarou a filha, Isabel, como sua sucessora, contra as pretensões do irmão, D. Carlos Maria Isidoro de Bourbon (1788-1855), príncipe das Astúrias, sustentado na lei sálica, então revogada. Depois da morte do primeiro, o irmão proclama-se Carlos V, provocando a guerra civil de 1833-1840. Novas guerras civis carlistas ocorrem em 1846-1849 e 1872-1876. Em 1918 surge o partido tradicionalista dirigido por Vazquez de Mella, estando particularmente em Navarra. Durante a guerra civil, organizam-se em torno da tropa de elite dos requetes que apoiam Franco, mobilizando cerca de 100 000 voluntários. Nos anos sessenta opõem-se ao franquismo sob a liderança do pretendente Xavier de Bourbon-Parma, expulso de Espanha em 1968.
 
Carlos, Adelino da Palma (1905-1992) Professor da Faculdade de Direito de Lisboa. Foi bastonário da Ordem dos Advogados. Maçon e destacado republicano histórico, opositor do Estado Novo. Fundador da Liga da Mociedade Republicana em 1923, juntamente com José Rodrigues Miguéis e Carlos Mayer Garção. Conclui a licenciatura em 1926. Participa na revolta de 3 e 7 de Fevereiro de 1927. Assistente do Instituto de Criminologia de Lisboa em 1930. Doutorado em 1934, com uma dissertação intitulada Os Novos Aspectos do Direito Penal. Ensaio sobre a Organização de um Código de Defesa Social. Concorre a professor em 1935, mas não é admitido por razões políticas. Defensor de vários presos políticos nos anos trinta. Mandatário de Norton de Matos em 1949. Bastonário da Ordem dos Advogados de 1950 a 1956. Contratado para professor da Faculdade de Direito de Lisboa em 1951. Faz os concursos para professor extraordinário e catedrático em 1957 e 1958. Administrador da Companhia Reunida de Gás e Electricidade de Lisboa desde 1960. Director da Faculdade de Direito de Lisboa de 1965 a 1970. Presidente da Comissão Revisora do Código de Processo Civil em 1972. Procurador à Câmara Corporativa em 1954 e 1973, como representante da Ordem dos Advogados. Primeiro-ministro de 16 de Maio a 11 de Julho de 1974. Na carta de demissão que envia ao Spínola considera: sirvo melhor o meu País, afastando-me do cargo do que permanecendo nele. Refere o predomínio das paixões políticas e das ambições pessoais e diz: estou a lembrar-me a propósito da presente situação, de uma frase de Aristóteles: o homem aperfeiçoado pela sociedade é o melhor dos animais mas é o mais terrível quando vive sem justiça nem leis. Nessa altura recomhecia a existência de um clima de ódio e que a situação no Ultramar era dramática. Primeiro Reitor da Universidade Livre. Presidente das Selecções do Readers Digest de Portugal. Mandatário de Ramalho Eanes. Ver Helena Sanches Osório, Um Só Rosto, uma Só Fé. Conversas com Adelino da Palma Carlos, Lisboa, Referendo, 1988.
 
Carlos, Manuel João da Palma (n. 1915). Advogado, célebre pela defesa de réus políticos durante o Estado Novo. Destaca-se como presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa em 1935-1936. Preso em 1936. Conclui a licenciatura em 1939. Politicamente ligado ao PCP. Aoarece no MUD e na candidatura de Norton de Matos, Arlindo Vicente e Humberto Delgado. Depois de 1974, chega a ser embaixador de Portugal na Cuba de Fidel de Castro.
 
 D. Carlos I Nasceu em 19 de Outubro de 1863. Teve como aio Martens Ferrão. Filho de Luís I e de D. Maria Pia. Xviii32
 
 
Carlos V O nome da encruzilhada talvez seja o Carlos V. Se falha o projecto de restauração da res publica christiana, quando, a partir da Reforma se desenvolve a fragmentação do cuius regio, eius religio, eis que, a partir do respectivo império, emerge o sonho de um orbis christianus, de uma monarquia universal assente num império ultramarino onde o sol nunca se punha.
Dele nos vêm os Habsburgos que tanto concretizam a Espanha, como resistem, a partir da Áustria, na manutenção do Sacro Império Romano da Nação Alemã. Contra ele vai erguer-se a França que, tanto com os Valois como com os Bourbons, persiste em reclamar a herança de Carlos Magno que Napoleão haverá de tentar concretizar. Com ele, afinal, nasce a semente da Europa a que chegámos. Calos V nasce no ano em que Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil. Era filho de Filipe o Belo e de Joana a Louca. Da avó paterna, Maria da Borgonha, herdara a Borgonha, um ducado que, no século XIV se transformara numa das principais potências da Europa, quando agregou sucessivamente a Flandres, o Brabante, o Limburgo, o Hainaut (Henegouwen), a Zelândia (Zeeland), a Holanda, a Frísia e o Luxemburgo. Do bisavô, Filipe o Bom (1419-1467), casado com D. Isabel de Portugal, filha do nosso D. João I, mantinha o sonho de se assumir como o Grão-Duque do Ocidente e do avô, Carlos o Temerário, a ambição de constituir uma nova Lotaríngia, em rivalidade com o rei de França. Do avô paterno, Maximiliano I, ei-lo Habsburgo, herdeiro daquela família, originária da Suíça que, ao longo do século XIV vai juntando ao ducado da Áustria, a Carniola, o Tirol, a Ístria e o Trieste, esses herdeiros da marca oriental dos carolíngios que assumem a fronteira oriental da cristandade em tensão com os turcos, esses que, desde 1438, foram elevados à categoria de Imperadores da Alemanha. Aliás, foi Maximiliano que iniciou aquele processo de alianças matrimoniais que tornaram o núcleo austríaco numa potência europeia, inspirando o dístico de bella gerant alii, tu, felix Austria, nube, Nam quae Mars aliis, da tibi regna venus (que os outros façam a guerra, tu, feliz Áustria, contratas casamentos. Porque os reinos que Marte dá aos outros, é Vénus que tos assegura). Da avó materna, Isabel de Castela, herda a principal potência continental da península ibérica, outra antiga marca fronteiriça que, em 1230 se unira a Leão e que, em conjunto com Aragão, havia conquistado Granada em 1492. Do avô materno, Fernando de Aragão, herda um reino unificado com a Catalunha, desde os começos do século XII, que, se alargara ao Rossilhão (finais do século XII), às Baleares, a Valência, à Sicília (século XIII), à Sardenha (século XIV) e a Nápoles (século XV), constituindo-se como a principal potência mediterrânica. Aos quinze anos de idade torna-se Duque da Borgonha e senhor dos Países Baixos. Em 1516, assume-se rei de Espanha. Foi o papa Leão X que lhe concedeu tal título, como Alexandre VI o havia dado a Fernando o Católico, deste modo se concretizando o programa que levou ao casamento de Isabel e Fernando em 1479 e à anexação de Navarra em 1515. Perante tal circunstância, logo protestou o rei de Portugal, invocando que he Portugal hua parte tam principal de Hespanha, conforme pode ler-se em Frei Francisco Brandão, Discurso gratulatorio sôbre o dias da felice restituição y aclamação da Magestad del Rey D. João Nosso Senhor, Lisboa, 1642 Em 1519 é eleito Imperador, contra as pretensões do rei de França, assim sucedendo ao avô paterno, Maximiliano I, ao mesmo tempo que assume as terras hereditárias dos Habsburgos. Eis a última etapa do Império medieval, essa tentativa de união do político com o religioso que visava conservar o que havia de comum entre os povos da res publica christiana... O império de Carlos V resultava assim de uma adição de várias unidades políticas geradas nos finais da Idade Média, num misto de guerra e de uniões matrimoniais dinásticas. Com ele, nasce a Espanha, já religiosamente unificada desde 1478, com a Inquisição, e morre a Hispania. Ultrapassando-se a si mesma, esta nova entidade política vai passar a viver em regime de excesso de uma incompleta realização. Como memória de um projecto que nunca realizou. Como o poder ser de uma monarquia universal. Contudo, os choques com a França, bem como a erosão da guerra religiosa alemã, provocada pela Reforma, vão levar Carlos V a um gradual abandono do poder. Em Outubro de 1555 cede ao filho, Filipe II, Nápoles e os Países-Baixos. Em Janeiro de 1556, o Franco-Condado, a Espanha e as restantes possessões italianas. Em Setembro de 1556 cede ao irmão Fernando, já rei da Boémia e da Hungria, as possessões hereditárias dos Habsburgos na Alemanha e a coroa imperial. Retira-se, então para Espanha, onde morre em 1558. Mas os sucessores, não deixam de continuar o acrescentamento. Fernando, irmão de Carlos V, pelo casamento de 1526, fizera juntar a Áustria, com as coroas da Boémia e da Hungria. Filipe II, em 1580, passará a rei de Portugal. Mas, se consegue levar a cristandade a vencer os turcos em Lepanto, em 1578, já não é capaz de domar a Inglaterra, com a derrota da Invencível Armada em 1588, nem de conservar a unidade dos Países Baixos, onde se dá a secessão das Províncias Unidas, com a União de Utreque, em 1579. Numa época em que os espaços do que virão a ser a Alemanha e a Itália se fragmentavam e com elas, os sustentáculos do poder do Imperador e do Papa, Carlos V sentiu que a Espanha poderia ser uma res publica christiana ou um orbis christianus em miniatura. Assim, em 28 de Junho de 1519, quando foi eleito imperador, assumiu-se como Carolus semper Augustus orbis dominus. O seu chanceler, Marcurino Gattinara, não se rogou em proclamar: já que Deus vos concedeu a graça imensa de ser elevado acima de todos os reis e príncipes da cristandade, a uma autoridade e dominação de que, até agora, só o vosso antecessor Carlos Magno teve um antegozo, estais no caminho para a monarquia mundial, para a reunião da cristandade sob um pastor. Também um conselheiro de Carlos V, Miguel de Ulzurrum, em Tractatus de Regiminis Mundi, de 1525, considerara o imperador como senhor de todos os homens, crentes e infiéis, a quem estava confiado o bem-estar temporal da Humanidade inteira.. Os discípulos e continuadores de Francisco de Vitória, apesar de reagirem teoricamente contra estas teses, conscientes da Reforma e da ameaça dos turcos, não deixam de assinalar que o imperador poderia estar acima de todos os príncipes cristãos como propugnador e defensor da fé, como se expressa Domingos Soto, acrescentando: quando, portanto, se tratar da fé, suponhamos da defesa contra o inimigo da cruz ou da sua expulsão ou ainda do combate a algum cisma, o imperador está autorizado a convocar os príncipes cristãos. O modelo imperial de Carlos V vai iniciar todo um longo processo de confrontos intra-europeus. O primeiro dos adversários de Carlos V é sem dúvida o reino de França, cujo titular, Francisco I, havia sido o candidato derrotado à eleição imperial de 1519. Entre os dois vai começar o conflito entre os Valois e os Habsburgos, desencadeado a partir de 1494 e que só terminará em 1559, já com Filipe II, onde o principal motivo da discórdia tem a ver com o domínio sobre territórios italianos. No fim do confronto, se o rei de França teve de renunciar a uma forte presença na península italiana, também os Habsburgos foram obrigados a abandonar, para o palco europeu, o conceito de monarquia universal, consolidando-se a divisão entre o ramo austríaco e o ramo espanhol da família. Enquanto decorria o conflito com os Valois, Carlos V tem de enfrentar as guerras religiosas no espaço alemão, entre 1546 e 1555, data da Paz de Augsburgo, onde se consagra o princípio do cuius regio, eius religio e se reconhece aos príncipes luteranos a liberdade de culto e a propriedade definitiva das terras secularizadas pelos mesmos
Também em França, entre 1563 e 1593, se sucedem oito guerras religiosas que só terminam com a subida ao trono e a conversão ao catolicismo do antigo chefe dos protestantes, Henrique de Bourbon, depois do assassinato do últimos dos Valois, Henrique III, em 1589. Contudo, é só em 1598, com o Edito de Nantes e a paz com a Espanha, que a situação interna francesa se estabiliza. Mas ainda estava para chegar a última das grandes guerras político-religiosas europeias, a chamada Guerra dos Trinta Anos, que se desenrola entre 1618 e 1648, através de uma sucessão de conflitos
 
Carlos X 1757-1836 Rei de França de 1824 a 1830. Irmão de Luís XVI e Luís XVIII, filho de Luís XV. Conde de Artois. Próximo dos ultras. Começa o reinado com o ministério reaccionário de Villèle. Tenta o governo moderado de Martignac, entre 1828 e 1829, mas tem nos estrangeiros o ultra Polignac. Derrubado pela Revolução de Julho de 1830.
 
 
D. Carlota Joaquina (1775-1830) Filha de Carlos IV, rei de Espanha e irmã de Fernando VII. Casa com D. João em 8 de Maio de 1785. Mãe de D. Pedro IV e D. Miguel, reis de Portugal. Lidera em Portugal o chamado partido apostólico, o partido do Ramalhão. Figura controversa, sempre em conflito com o marido e naturalmente ligada aos interesses de Madrid. Já no Brasil esboça uma tentativa de revolta contra as independências das antigas possessões espanholas. De regresso a Lisboa, encabeça a linha mais reaccionária do antiliberalismo, ligada ao Cardeal Cunha, patriarca de Lisboa e tendo como sustentáculo o grupo dos Silveiras de Trás-os-Montes, para além do Conde de Basto, instrumentalizando o Infante D. Miguel. Chega então a falar-se no partido do Ramalhão, palácio onde residia, e que se opunha ao partido da Bemposta, onde vivia separadamente D. João VI. Recusa jurar a Constituição de 1822. Inspira os golpes da Vilafrancada (1823) e da Abrilada (1824). Morre em 7 de Janeiro de 1830, não chegando a assistir à derrota de D. Miguel.
 
Carlyle, A. J., Political Liberty, Oxford, Oxford University Press, 1941.
 
 
 
 
Carlyle, Thomas (1795-1881) Pensador escocês, chega a reitor de Edimburgo, em 1865. Continuador dos românticos alemães, influenciado particularmente por Goethe, procura concilia a perpectiva destes com as teses clássicas protestantes de Calvino. Teoriza sobre os heróis.
 
Bibliografia
[1833]
Sartor Resartus
 
1833-1834.
[1837]
History of the French Revolution
 
 
[1839]
Chartism
 
 
[1841]
On Heroes, Hero-Worship and Heroic in History
 
 
[1843]
Past and Present
 
Ver nova ed., Londres, J. M. Dent, 1912.
[1845]
Oliver Cromwell's Letters and Speeches
 
 
[1851]
Life of John Sterling
 
 
[1858]
History of Frederick the Great
 
1858-1865.
 
 
Carmo, Bento Pereira do (1777-1845) Venerável da maçonaria. Grande proprietário em Alenquer. Magistrado. Juiz de fora em Ançã, preso em 1808 por breve tempo. Regressa a Alenquer, onde se dedica à lavoura. Deputado em 1821-1822, é presidente do Congresso de Julho a Outubro de 1822. Membro da J
nta Governativa de Lisboa em 1820-1821. Fica em Alenquer de 1823 a 1826. Deputado em 1826. Preso no Limoeiro de 1828 a 1833. Presidente da Relação de Lisboa em 1833. Volta a ser deputado em 1834. Prefeito da Estremadura em 1834. Ministro do reino da regência, desde 23 de Abril de 1834. Senador em 1838. Depois disso, retira-se da política.
 
 
 
Carmona, António Óscar de Fragoso (1869-1951) Figura central do processo do 28 de Maio e da Ditadura Nacional dele emergente. Nasce no seio de uma família de militares (o pai e o avô também chegaram a general). Alferes em 1894, Capitão em 1907, Coronel em 1919, General em 1922. Maçon. Ministro da guerra no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923, por escolha do Exército. Segundo o depoimento de Cunha Leal, é como ministro que perde a virgindade política, quando, numa sessão da Câmara dos Deputados e perante um discurso exaltadamente oposicionista de José Domingues dos Santos, terá questionado: que fizeram àquele homem para estar tão zangado? Destaca-se como Promotor da Justiça do chamado julgamento da Sala do Risco dos implicados no golpe de 18 de Abril de 1925, proclamando que a Pátria está doente ... quando lá fora andam liberdade os causadores dos males da Pátria, eu vejo aqui oficiais deste valor no banco dos réus. Nesta sequência é demitido em 1 de Outubro seguinte das funções de comandante da Quarta Região Militar. Adere ao movimento do 28 de Maio de 1926, dizendo querer lutar contra a tirania dos partidos. Ministro dos negócios estrangeiros de 3 de Junho a 6 de Julho de 1926. Presidente do ministério e ministro da guerra de 9 de Julho a 29 de Novembro de 1926, data em que passa a exercer as funções de Presidente da República interinamente. Presidente da República eleito de 1928 e 1951. Nas eleições presidenciais de 25 de Março de 1928, as segundas eleições presidenciais por sufrágio directo, conta com o apoio da União Liberal Republicana de Cunha leal e de parte do Partido Democrático. Depois de Gomes da Costa ter derrubado Mendes Cabeçadas, cabe a Carmona substituir o primeiro, aglutinando em seu torno o modelo de catch all daquilo que se designou a Revolução Nacional. Numa entrevista concedida a António Ferro em 1934, declara apenas ter votado no Plebiscito de 1933, que aprovou a nova Constituição, pelo facto de ter horror ao sufrágio universal, dado lembrar-se das falcatruas e das ciciqueiradas do carneiro com batatas  desde os tempos da monarquia liberal. Apesar de estar proximo da ala maçónica do 28 de Maio apoia a subida e consolidação no poder de Salazar, bem como a transformação da Ditadura Nacional no Estado Novo. A partir de meados dos anos quarenta permite que alguns oposicionistas instrumentalizem o seu eventual distanciamente face a Salazar. Com efeito, Carmona assume-se como uma fundamental reserva de legitimidade da fase inicial do Estado Novo, tanto pela legitimidade revolucionária (era um dos primeiros três lideres militares do Movimento do 28 de Maio), como pelo facto de ter sido, depois de Sidónio Pais, um Presidente da República eleito por sufrágio directo e quase universal, além de ser portador da caução do chefe militar, um perfil de legitimidade pretoriano que constitui uma espécie de sucedâneo da monarquia das ordens.
 
Carmoy, G., Fortune de l’Europe, Paris, 1953.
 
 
 
 
 
Carnap, Rudolf (1891-1970) Matemático, um dos inspiradores do Círculo de Viena. Estuda em Friburgo e Jena, formando-se em física e em matemática. Professor em Viena, de 1926 a 1931, e, depois, em Praga, de 1931 a 1935, Chicago, Princeton e Los Angeles. Naturaliza-se norte-americano em 1941. Funda, com Reichenbach a revista Erkenntnis, em 1930, base do chamado positivismo lógico. Em Der Logische Aufbau der Welt, de 1923, faz um estudo da sintaxe lógica da linguagem científica, considerando que a ideia de causalidade não implica automaticamente a de necessidade; e que os princípios gerais mais não são do que simples convenções que se nos impõem por via das estruturas ordenado­ras do nosso espírito e não em função de uma realidade absoluta. Assim, as afirmações hipotéticas da filosofia dos valores e da ética não possuem sentido lógico, constituindo meras expressões de tipo emocional que estimulam atitudes e movimentos volitivos naqueles a quem se destinam. Para toda esta escola a ciência distingue‑se da metafísica porque aquela obedece ao princípio da verificabilidade, isto é, ao princípio que exige que toda a proposição deva ser analisada em enunciados básicos, verificáveis pela experiência.
 
Bibliografia
[1923]
Der Logische Aufbau der Welt
 
 
[1934]
Der Logische Syntax der Sprache
 
 
[1948]
Meaning and Necessity
 
Chicago, 1948.
[1950]
·Logical Foundation of Probability
 
 
 
Alberto Pasquinelli, Carnap e o Positivismo Lógico, Lisboa, Edições 70, 1983.
 
Carnegie, Andrew (1835-1919) Industrial e filantropo norte-americano. Funda o Carnegie Institut of Technology de Pittbsburgh, em 1912, depois integrado na Carnegie-Mellon University. Defende a necessidade de uma educação para o individualismo, criticando as mudanças turbulentas das sociedades que desenraízam a árvore, quando é necessário seguir na direcção mais favorável à produção de bons frutos, isto é, de riqueza. Salienta que o homem rico deve levar uma vida modesta e sem ostentação. Darwinista social que segue as ideias de Spencer.
·Gospel of Wealth (1889).
 
 
Carneiro, Diogo Gomes (1618-1676). Brasileiro. Nasce no Rio de Janeiro, autor do primeiro livro em prosa de um autor nascido em terras do Brasil, Oração Apodíxica ais Cismáticos da Pátria, Lisboa, Lourenço de Anveres, 1641. Forma-se em leis em Coimbra. Nomeado cronista mor do Brasil. Nessa obra, glorifica a Restauração, assumindo-se contra a rebeldia da traição, desses que acreditam que é justiça e fidalguia continuar na obediência de um Rei estranho e deixar as partes de um Rei a quem Deus, a natureza e a justiça fez tão próprio e natural.
 
Carneiro, Francisco Lumbralles de Sá (1934-1980) Francisco Lumbralles de Sá Carneiro. Natural do Porto. Licenciado em direito por Lisboa. Advogado no Porto. Deputado da União Nacional em 1969. Apresenta requerimento na Assembleia Nacional sobre os presos políticos. Em entrevista ao jornal República, em 16 de Abril de 1971, declara-se social-democrata. Em 26 de Janeiro de 1973, renuncia a deputado e começa a colaborar no semanário Expresso. Fundador do Partido Popular Democrático em 3 de Maio de 1974. Ministro do I Governo Provisório, e o elemeto do governo mais próximo de Palma Carlos. Figura central do processo político português da década de setenta. Marcado pelo modelo do catolicismo político, semeado pelo Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, assume-se como social democrata logo em 1972, quanto muitos viam nele o ponto de partida para o lançamento de um partido democrata-cristão. Desiludido com a experiência de colaboração com o marcelismo, enquanto deputado da ala liberal, transforma-se num dos quatro principais líderes políticos do Portugal revolucionário e pós-revolucionário, distinguindo-se, mais pelo estilo do que pela ideologia, tanto dos centristas de Diogo Freitas do Amaral, apoiado pelos democratas-cristãos e pelos conservadores europeus, como dos socialistas democráticos de inspiração marxista, liderados por Mário Soares e protegidos pela Internacional Socialista. Depois da experiência de dois governos constitucionais do PS, no primeiro monopartidário e no segundo com o apoio e a participação do CDS, Sá Carneiro assume uma jogada de risco, atacando frontalmente o PS e os modelos eanistas.
 
Carneiro, Governo de Francisco Sá (1980). O I Governo da Aliança Democrática ou o VI Governo Constitucional. Toma posse em 3 de Janeiro de 1980 e cessa funções em 9 de Dezembro desse mesmo ano.
 
Primeiro Ministro: Francisco Manuel Lumbrales Sá Carneiro (PSD).
Vice -Primeiro Ministro: Diogo Pinto de Freitas do Amaral (CDS)
Ministro Adjunto do Primeiro Ministro: Francisco José Pereira Pinto Balsemão (PSD)
Defesa Nacional: Adelino Manuel Lopes Amaro da Costa (CDS)
Finanças e Plano: Aníbal António Cavaco Silva (PSD)
Administração Interna: Eurico de Melo (PSD)
Justiça: Mário Ferreira Bastos Raposo (ex PS, ex GP, PSD)
Negócios Estrangeiros: Diogo Freitas do Amaral (CDS)
Agricultura e Pescas: António José Baptista Cardoso e Cunha (PSD, ex GP)
Indústria e Energia: Álvaro Barreto (PSD, ex-GP)
Comércio e Turismo: Basílio Adolfo Mendonça Horta de Franca (CDS)
Trabalho: Eusébio Marques de Carvalho (PSD, ex GP)
Educação e Ciência: Vitor Pereira Crespo (PSD)
Assuntos Sociais: João António Morais Leitão (CDS)
Transportes e Comunicações: José Carlos Pinto Soromenho Viana Baptista(PSD)
Habitação e Obras Públicas: João Lopes Porto(CDS)
 
Carneiro, Júlio César de Morais (1850-1916) Autor brasileiro. Depois de formado em direito em 1874 e de ficar viúvo por duas vezes, ingressa no seminário e é ordenado sacerdote em 1891, assumindoi o nome de Padre Júlio Maria. Politicamente, opõe-se ao abolicionismo e alinha no catolicismo reaccionário. Proclama em 1897 a necessidade de uma reacção católica que retempere o poder público, e restitua ao princípio autoritário monárquico a energia e o prestígio de que o despojaram as ideias ateísticas e anárquicas hoje em voga.
·Pensamentos e Reflexões
1882.
·Questões Políticas
1883.
·Apóstrofes
Niterói, Escola Tipográfica Salesiana, 1897.
·A Religião No Brasil
1900.
 
Carneiro, Manuel Borges (1774-1833) Maçon. Jurista, começa a carreira como juiz de fora no Alentejo, onde conspira contra os franceses. Preso em 1808, publica Pensamentos do juiz de fora de Vianna d’Alentejo..., 1808. Em 1812 aparece na comarca de Leiria Nomeado então pela regência secretário da comissão encarregada de convocar as cortes tradicionais. Participa na revolução e publica Portugal Regenerado em 1820, obra que teve três edições em apenas noventa dias Deputado vintista, chega a declarar ser necessário fazer uma constituição que dure até à consumação dos séculos, porque nós estamos em uma regeneração e é preciso que a Nação toda se regenere e que o despotismo vá para baixo. Encarcerado em 1828, morrerá na prisão, vítima de cólera.
·Portugal Regenerado em 1820
Lisboa, Typ. Lacerdeira, 1820.
·Direito Civil de Portugal
Lisboa, 1826-1840, 4 vols..
 
Adelino da Palma Carlos, Manuel Borges Carneiro, in in Jurisconsultos Portugueses do Século XIX, 2º vol., edição do Conselho Geral da Ordem dos Advogados, Lisboa, 1960, pp. 1 ss.
 
 
 
Carneiro, Robert Leonard (n. 1927) Antropólogo norte-americano, doutor pela University of Maine. Especialista nqas origens do Estado.
 
Carnot, Lazare (1753-1823) Revolucionário francês, membro do directório em 1795. Com Napoleão, assume-se como ministro da guerra em 1800-1801. Volta ao poder no governo dos cem dias em 1815 como ministro do interior.
 
Carnoy, Martin Um dos teóricos do neomarxismo anglo-saxónico,
·The State and Political Theory
Princeton, Princeton University Press, 1984 [trad. port. Estado e Teoria Política, Campinas, Editora Papirus, 1990].
 
Caro, Robert, The Power Broke, Nova York, Random House Publishers, 1974.
 
 
 
Carolíngio, Império O Império de Carlos Magno (768-814), com a capital em Aix-la-Chapelle abrangia os territórios das actuais Bélgica, Holanda, França, Alemanha ocidental, Áustria, norte de Itália e nordeste de Espanha; depois da morte de Carlos Magno, pelo tratado de Verdun (843), o império foi repartido entre os respectivos netos: Carlos o Calvo, ficou com a Gália a oete do Mosa e do Ródano, Luís, com a Germania e Lotário, com aquilo que se designará Lotaríngia, parte da Itália e da Gália, entre o Mosa e o Ródano, a oeste, e o Reno e os Alpes, a Leste
 
Carpentier, Jean, Lebrun, François, eds., Histoire de l’Europe, Paris, 1990.
 
Carqueja, Bento 1860-1935 Bento de Sousa Carqueja. Professor da Universidade do Porto. Director d’ O Comércio do Porto.
 
Carqueja, Manuel de Sousa 1821-1884 Jornalista, fundador d’O Comércio do Porto, tio de Bento Carqueja.
 
Carr, Edward Hallett n. 1892 Diplomata e historiador britânico. Professor desde 1947 na Universidade de Gales. Orientou o doutoramento de Vasco Pulido Valente. Salienta que uma ampla maioria numérica da população do mundo não sente fidelidade a nenhuma nação, entendida esta em sentido etnográfico.
 
Bibliografia
[1939]
The Twenty Year’s Crisis. 1919-1939. An Introduction to the Study of International Relations
 
Londres, MacMillan, 1939
[1945]
Nationalism and After
 
Nova Iorque, MacMillan, 1945.
[1945]
Democracy in International Affairs
 
1945.
[1950]
Studies on Revolution
 
Londres, MacMillan, 1950.
[1951]
The New Society
 
Londres, MacMillan, 1951.
[1951]
A Story of Soviet Russia
 
Londres, MacMillan, 1951-1954, 4 vols.
 
 
Carracedo, José Rubio, Paradigmas de la Política. Del Estado Justo al Estado Legítimo, Barcelona, Ediciones Anthropos, 1990.
 
Carré, Olivier,
Bibliografia
[1988]
Islam and the State in the World Today
 
Londres e Nova Delhi, Sangam Books, 1988 (org.)
[1993]
Le Nationalisme Arabe
 
Paris, Librairie Arthème Fayard, 1993.
[1993]
L’Islam Laïque
 
Paris, Librairie Armand Colin, 1993.
 
 
Carreira, Conde da (1787-1871) Luís António de Abreu e Lima. Visconde (desde 1834) e conde de Carreira. Diplomata português. Recusa jurar a Constituição de 1822. Nomeado ministro dos negócios estrangeiros em 6 de Outubro de 1846, no governo de Saldanha, mas não aceita exercer essas funções. Autor de memórias científicas sobre a colheita da azeitona (1842) e a necessidade de reforma do sistema de pesos e medidas (1858), exercendo as funções de vice-presidente da Sociedade Promotora da Indústria Nacional.
 
Bibliografia
[1814]
Memória sobre as Colónias de Portugal, situadas na Costa Ocidental de África, mandada ao governo pelo antigo governador e capitão general do reino de Angola, António de Saladanha da Gama, em 1814, precedida de um discurso preliminar e aumentada de alguns aditamentos e notas
 
Paris, Tip. de Casimir, 1839
 
Carreira política Do lat. carrus, carro, caminho de um carro. Gradação hierárquica de cargos, implicando um cursus honorum, uma hierarquia de subida, com sucessivas honras, por etapas.
 
Carrel, Alexis 1873-1944 Médico francês. Professor em Lião, parte em 1905 para os Estados Unidos, onde lecciona em Chicago e no Instituto Rockefeller. Prémio Nobel em 1912. Amigo do aviador Charles Lindbergh, com quem escreve um livro em conjunto. Pioneiro da sutura de veias e vasos, dos bancos de órgãos e da técnica do coração artificial, é consideradao um cirurgião visionário. Converte-se ao catolicismo. Regressa a França em 1941 com o governo de Vichy, com quem colabora, dirigindo uma fundação para o estudo dos problemas humanos.
 
Continuidade das instituições, 137, 960
 
os seres humanos são iguais. Mas os indivíduos não o são. É o mito da igualdade, o amor pelo símbolo, o desdém pelo concreto que, em larga medida, é culpado pelo enfraquecimento do indivíduo. Como era impossível elevar os inferiores, o único meio de produzir a igualdade entre os homens era conduzi-los todos ao mais baixo nível. Desapareceu, assim, a força da personalidade.
cada homem está ligado àqueles que o precederam e àqueles que o seguem. De uma maneira ou de outra funde-se neles. A humanidade não é composta de elementos separados, como as moléculas de um gás. Assemelha-se a uma rede de filamentos que se estendem no tempo, desfiando, como contas de um rosário, gerações sucessivas de indivíduos, como descreve.
 
Bibliografia
[1935]
L'Homme, cet Inconnu
 
 
[1950]
Réfléxions sur la Conduite de la Vie
 
 
 
Carrilho, António Maria Pereira (1835-1903) Depois de uma carreira como empregado comercial, passa a funcionário público, ascendendo a director-geral da contabilidade pública e a secretário-geral do Ministério da Fazenda. Gozando de altas protecções maçónica, torna-se um dos principais símbolos do burocrata do rotativismo liberal. Enfrenta Oliveira Martins, quando este é Ministro da Fazenda no governo de José Dias Ferreira, e, com o apoio do chefe do governo, torna-se um dos principais pretextos para a queda daquele. Premiado com o cargo de Presidente da Companhia dos Caminhos de Ferros Portugueses. Deputado em 1875-79; 1882-94 e em 1902. Par do reino em 1902-1903.
 
Carrilho, Maria Socióloga portuguesa, licenciada em Roma. Docente no ISCSTE e doutorada pela Universidade Técnica de Lisboa. Militante do Partido Socialista, deputada à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu. Casada com o Professor Afonso de Barros. Uma das pioneiras do estudo científico do papel dos militares na política.
Bibliografia
[1982]
«Origens sociais do grupo de oficiais das Forças Armadas Portuguesas ao longo do século XX»
 
In Revista Análise Social, vol. XVIII, pp. 1155 segs., Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 1982.
[1984]
Forças Armadas e mudança política em Portugal no século vinte. Para uma explicação sociológica do papel dos militares
 
Dissertação de doutoramento. Lisboa, ISCTE, 1984.
 
Carrillo, Maria Angeles Galino
Los Tratados sobre Educación de Príncipes. Siglos XVI y XVII, Madrid, Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 1948.
 
 
 
Carrol, Lewis (1832-1898) Nome literário do lógico e matemático Charles Lutwidge Dodgson.
Bibliografia:
[1865]
Alice’s Adventures in Wonderland,
[1876]
Through the Looking Glass
[1887]
Games of Logic
[1893]
Symbolic Logic
[1895]
What the Tortoise said to Achilles
 
Carta Do gr. chartes, que deu em lat. charta, folha de papiro preparada para receber caracteres escritos.
 
Carta do Atlântico (1941) Assinada em 14 de Agosto de 1941, na sequência da cimeira entre Roosevelt e Churchill, ao largo da Terra Nova, a bordo do Potomac. Nela foram fixadas as bases sobre as relações entre os Estados Unidos e o Reino Unido depois da guerra. Serviu depois como inspiração fundamental para a Carta da ONU. No art. VI desse documento, proclamava-se que depois da destruição final da tirania nazi, esperamos ver erguer-se no mundo um estado de paz, no qual todos possam viver sem guerra dentro dos limites das suas próprias fronteiras.
 
Carta Constitucional de 1826-Nação, 68, 445
 
Carta del Lavoro -Nação, 105, 713
 
 
Carta das Nações Unidas 1945 Assinada em 26 de Junho de 1945 na conferência de S. Francisco. Substitui a Sociedade das Nações e instaura a Organização das Nações Unidas.
 
Carta de Paris para uma Nova Europa 1989 Os efeitos do ano 1989 vão, entretanto, fazer sentir-se de forma existencial no quotidiano dos europeus. Primeiro, a reunificação alemã, concretizada em 3 de Outubro. Depois, a tentativa de estabelecimento da casa comum europeia, principalmente com a reunião em Paris do CSCE, onde foi assinada a esperançosa Carta de Paris para uma Nova Europa (19 a 21 de Novembro). Isto é, quarenta anos depois do discurso do Salon de l'Horloge, modificava-se radicalmente o terreno em que assentara o projecto europeu. A Europa dos Seis da Mitteleuropa, que apenas visava um duradouro tratado de paz entre os tradicionais rivais das margens do Reno e os países que naturalmente sofriam com essas aventuras bélicas, depois dos sucessivos alargamentos, primeiro, à Grã-Bretanha, à Irlanda e à Dinamarca, e depois, à Grécia, a Portugal e à Espanha, reparava agora que apenas era parcela da Europa. O gradualismo anterior marcado pela firme intenção de recusa da política de hegemonia, deparava-se agora com o fulgor de uma Alemanha renascida que pactava directamente com Moscovo a retirada das forças soviéticas e que até tratava de reconhecer unilateralmente a Eslovénia e a Croácia, como sucedeu em 23 de Dezembro de 1991, dois dias antes da bandeira soviética ser arreada no Kremlin. Bem tenta Mitterrand proclamar a necessidade de uma confederação europeia com Moscovo, conforme ocorreu numa reunião em Praga com intelectuais europeus, em Junho de 1991. Mas é o próprio Havel que logo lhe responde, salientando que esse tipo de salto nunca pode ser concretizado sem a participação dos Estados-Unidos da América e do Canadá.
 
Cartel Do alemão Kartell. Acordo entre várias empresas, geralmente operando no mesmo sector económico, visando o estabelecimento de procedimentos comuns, existindo um organismo de execução do estabelecido, mas conservando cada empresa a sua autonomia, ao contrário do que acontece no trust.
 
Carter, April
[1979]
Authority and Democracy
 
Londres, Routledge & Kegan Paul.
 
Carter, Gwendolyn
[1972]
Government and Politics in the Twentieth Century
Nova York, Praeger Press
+Herz, John
 
 
 
 
 
Carter, James Earl ou Jimmy (n. 1924) Presidente dos Estados Unidos da América, eleito em Novembro de 1976, contra o republicano Gerald Ford. Foi governador da Geórgia desde 1970. Substituído por Ronald Reagan em 1981..
 
Cartesianismo. Descartes, partindo do je pense donc je suis, lança a ilusão de nos tornarmos donos e senhores da natureza (nous rendre maîtres et possesseurs de la nature). Gera a separação entre o sujeito e o objecto, entre o homem e a natureza, levando a que, depois, com o idealismo alemão, tivessemos tentado reconciliar o homem com a natureza e o sujeito com o objecto.
 
Cartismo em Portugal A primeira vigência (1826-1828). Depois da entrada em vigor da Carta Constitucional, jurada em 31 de Julho de 1826, e das Instruções de 7 de Agosto de 1826 sobre as eleições, referendadas por Trigoso, conforme salienta José Liberato, a divisa da época era a moderação.
 
Cartismo, Primeiro. Ver Isabel Maria, Regime de D.
 
Cartismo, 117, 812
 
Cartistas Nome que passaram a tomar os antigos chamorros depois da Revolução de Setembro de 1836. A equipa chamorra, ligada ao Grande Oriente Lusitano, liderada por José da Silva Carvalho, com o setembrismo, entrou em compromisso com Palmela, até então acusado de conservador, e ligou-se intimamente ao paço, transformou-se no grupo cartista.
 
Cartuxos Ordem religiosa funadada por S. Bruno em 1084, marcada pela regra de S. Bento.
 
Carvalho, Alberto António de Morais (1801-1878). Bacharel em cânones. Emigrado desde 1828. Advogado no Brasil, assumindo-se como um dos principais processualistas da época, sendo autor de Praxe Forense. Regressa a Portugal em 1848. Presidente da câmara municipal de Lisboa em 1852-53. Governador civil de Lisboa. Ministro dos negócios eclesiásticos e da justiça em 1860-1862. Par do reino desde 1862. Maçon. Envolve-se em polémica com António Luís de Seabra sobre o projecto do Código Civil em 1858 e 1859. Ministro da justiça no governo de João Crisóstomo, de 25 de Maio de 1891 a 17 de Janeiro de 1892 I23 Xx101
 
Carvalho, Antão Fernandes de Ministro da agricultura de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921, no governo outubrista de Manuel Maria Coelho; a mesma pasta no governo de Maia Pinto, de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921.
 
Carvalho, António Carlos, Para a história da Maçonaria em Portugal (1913-1935), Lisboa, Edições Vega, 1976.
 
Carvalho, António Germano Ribeiro de (1889-1967) Militar da Flandres. Maçon. Amigo de António Sérgio e de Raul Proença. Ministro da guerra no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 26 de Fevereiro de 1924, sendo afecto aos seareiros do gabinete (António Sérgio na instrução e Azevedo Gomes na agricultura). Apesar de convidado por Gomes da Costa, recusa ser ministro depois do 28 de Maio de 1926. Preso em 1930, evade-se e exila-se em Espanha. É demitido do Exército em 1931. Regressado em 1933, é novamente preso. Parte para o exílio mais uma vez, estacionando em Rabat, com Sarmento Beires. Volta a regressar a Portugal em 1939, sendo condenado a pena suspensa. Recusa a amnistia de 1950. Reintegrado no Exército em 1960. Morre louco.
 
Carvalho, António Pires de Ministro do comércio e comunicações de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921, no governo de Manuel Maria Coelho.
 
Carvalho, Augusto Saraiva de (1839-1882) Advogado. Parlamentar. Reformista. Ramalho Ortigão chama-lhe pimpolho ilustre e rebento florescente da janeirinha. Deputado em 1868-1869; 1869-1870; 1870-1871; 1871-1874; 1879; 1880-1881 e 1882. Ministro da fazenda de 2 a 11 de Agosto de 1869. Ministro da justiça do governo de Ávila, desde 29 de Setembro de 1870 a 30 de Janeiro de 1871. Nesta última data, abandona o governo, juntamente com Alves Martins, quando os deputados reformistas liderados por Latino Coelho, assumem frontal oposição ao gabinete. Ministro das obras públicas, comércio e indústria do governo de Braamcamp (de 1 de Junho de 1879 a 25 de Março de 1881). Um dos principais proprietários da Livraria Bertrand.
 
Carvalho, Fernando Martins de Neto de Joaquim Martins de Carvalho. Começa por ser socialista-anarquista, mas acaba por aderir ao franquismo. Ministro da fazenda de João Franco, de 2 de Maio de 1907 a 4 de Fevereiro de 1908.
 
 
Carvalho, Henrique de Miranda Vasconcelos Martins de. Ministro da saúde e assistência de Salazar de 14 de Agosto de 1958 a 4 de Dezembro de 1962. Político, professor e diplomata português. É o relator do Parecer da Camâra Corporativa sobre o acordo de associação com a CEE, de 1972. Ensina direito internacional no ISCSPU e está ligado ao processo de formação das universidades privadas portuguesas, destacando-se nas Universidades Livre, Lusíada e Internacional. Em 25 de Abril de 1974 era o director do vespertino A Capital, tendo José Júlio Gonçalves como subdirector.
 
Carvalho, Joaquim da Costa (1790-1886) 1º visconde de Ribamar. Oficial da marinha. Deputado em 1840-1842 e 1848-1852. Par do reino de 1862 a 1866. Maçon. Ligado a Silva Carvalho, acompanha-o na dissidência maçónica anti-cabralista do Supremo Conselho do Grau 33.
 
Carvalho, João Manuel de (n. 1866) Revolucionário do 5 de Outubro. Ministro da marinha nos governos de Maia Pinto (de 5 de Novembro de 1921 a 16 de Dezembro de 1921) e de Cunha Leal (de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922). Lidera golpe revolucionário radical em 10 de Dezembro de 1923, durante o governo nacionalista de Ginestal Machado, ao que parece inspirado pelo próprio presidente da república, Manuel Teixeira Gomes.
 
Carvalho, João da Silva (sec. XIX) Irmão de José da Silva Carvalho. Cónego e deão da Sé de Lisboa. Maçon. Deputado em 1840-1842.
 
Carvalho, Joaquim Barradas, As ideias políticas e sociais de Alexandre Herculano, 2ª ed., Lisboa, 1971.
 
Carvalho, Joaquim Martins de (1822-1898) Proprietário em Coimbra. Funda O Conimbricense em 1847 (nome dado em 1854 a o Observador). Preso de Fevereiro a Abril de 1847, por estar implicado na Patuleia. Funda em 1851 a Sociedade de Instrução dos Operários. Maçon. Membro da Carbonária. Combatente da Patuleia. Avô de Fernando Martins de Carvalho.
·Apontamentos para a História Contemporânea
Coimbra, Imprensa da Universidade, 1868. Xxii 113 186 392 Xvii86
 
Carvalho, Joaquim Peito de (1836-1902) Bacharel em leis. maçon. Deputado em 1884-1887. Par do reino eleito em 1890-1893. Governador civil de leiria de 1872 a 1879. De Lisboa em 1884-1886. De Braga em 1886. Regenerador.
 
Carvalho, Joaquim de (1892-1958) Professor da Faculdade de Letras de Coimbra. Marcado pelo neokantismo de Marburgo, torna-se discípulo de Hermann Cohen e, como tal, judaizante. Estudioso do pensamento de Espinosa, assume-se como um dos mais importantes historiadores da cultura filosófica portuguesa. Um dos principais colaboradores da História de Portugal dita de Barcelos, coordenada por Damião Peres, onde subscreve análises sobre a evolução do liberalismo português do século XIX.
 
Bibliografia:
[1930]
«Formação da Ideologia Republicana»
 
In Montalvor, Luís, História do Regime Republicano em Portugal, tomo I, Lisboa, 1930.
[1939]
Descartes e a Cultura Filosófica Portuguesa
 
Lisboa, 1939.
[1947]
Estudos sobre a Cultura Portuguesa
 
4 vols.. 1947, 1948, 1949 e 1955.
[1950]
Problemática da Saudade
 
 
[1952]
Elementos Constitutivos da Consciência Saudosa
 
 
[1953]
Compleição do Patriotismo Português Coimbra, Atlântida Editora.
[1978]
Obra Completa
 
3 vols., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1978, 1981 e 1982.
 
 
Carvalho, José António Faria de Ministro do reino nomeado em 27 de Maio de 1823, durante a Vilafrancada, mas recusa a pasta e passa-se para D. Miguel, juntamente com Pamplona. Membro da junta criada em 18 de Junho de 1823 para a reforma da lei fundamental. Membro e relator da junta criada em 13 de Julho de 1826, visando a organização das instruções para a eleição dos deputados.
 
 
 
Carvalho, José da Silva 1782-1856 Filho de camponeses, sem largos recurso, forma-se em direito em 1805. Depois de uma carreira de magistrado, torna-se membro do Sinédrio, por amizade e fraternidade maçónica, com Manuel Fernandes Tomás. Ministro da justiça de 7 de Setembro de 1821 a 28 de Maio de 1822. Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano de 1822 a 1839. Ministro da fazenda da regência desde 13 de Dezembro de 1832, substituindo Mouzinho da Silveira. Acumula a marinha de 26 de Março a 26 de Abril de 1833. Acumula a justiça de 31 de Abril de 1833 a 23 de Abril de 1834. Será membro do partido de D. Pedro IV e ministro da fazenda 1834-1835. Ministro da fazenda no governo de Palmela entre 24 de Setembro de 1834 e 27 de Maio de 1835. Regressa à pasta da fazenda, no governo de Saldanha, de 15 de Junho a 18 de Novembro de 1835, substituindo Francisco António de Campos. Ministro da fazenda no governo de Terceira, de 20 de Abril a 10 de Setembro de 1836. Acusado de alta-traição em Novembro de 1836, na sequência da belenzada. Membro da Associação Eleitoral do Centro que concorreu às eleições de 1838. Recusou sempre assumir um título de nobreza e destacou-se como o primeiro presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Cria a dissidência maçónica anti-cabralista do Supremo Conselho do Grau 33, desde 1840. Ver António Viana, José da Silva Carvalho e o seu tempo, 23 vols., Lisboa, 1891-1894. V 123 Xiii 200 380
 
 
 
Carvalho, José da Silva. Reformas de 1832-34. A partir de Dezembro de 1832, o modelo reformista, até então assumido por Mouzinho da Silveira, vai ser marcado pelo estilo de Silva Carvalho, destacando-se os seguintes diplomas: em 1 de Agosto de 1833, a extinção da Casa da Suplicação e a criação de um Tribunal da Relação em Lisboa; em 31 de Julho de 1833, a criação de uma Comissão de Reforma Eclesiástica, presidida pelo padre Marcos; em 3 de Agosto de 1833, extinto o Desembargo do Paço; ­em 5 de Agosto de 1833 são declarados rebeldes e traidores os eclesiáticos que tinham abandonado as suas paróquias quando se aclamou D. Maria II em 1826 ou os que, depois, seguiram D. Miguel, perdendo direito às igrejas, benefícios e outros lugares; em 9 de Agosto de 1833, sujeitas as ordens religiosas aos bispos; em 12 de Agosto de 1833, alargamento dos sequestros; em 28 de Maio de 1834, extinção das congregações religiosas (havia então cerca de quatro centenas de conventos e de meia centena de hospícios; o diploma terá deixado na miséria milhares de pessoas, dado que, prevendo-se o pagamento de uma pensão para os religiosos, exceptuavam-se os que tinham colaborado com o miguelismo, talvez a maioria, e isto no dia seguinte a um decreto de 27 de Maio que estabelecia uma extensão amnistia); ­em 18 de Junho de 1834, venda de bens nacionais. Cabem também a Silva Carvalho os principais grandes empréstimos do novo regime: em 23 de Setembro de 1831, empréstimo de dois milhões de libras junto do banqueiro Ardouin, de Paris; em 23 de Setembro de 1832. De 600 000 libras, junto do mesmo banqueiro; em 14 de Setembro de 1833, de dois milhões de libras, contratado por Mendizabal; em 7 de Julho de 1834, de um milhão de libras, através de Carbonnel e Ardouin
 
 
 
Carvalho, José Liberato Freire de (1772-1855) Maçon. Um liberal radical que toma como modelo Camile Desmoulins. Influenciado pelas teses de Rousseau e Condorcet. Foi cónego regrante de Santo Agostinho até 1808 (José do Loreto), quando juntou ao nome de baptismo o nome de Liberato. Traduziu a Arte de Pensar de Condillac e foi membro da maçonaria, onde confraternizou com Bocage. Evadiu-se para Inglaterra em 1813, onde funda, juntamente com Bernardo José Abrantes de Castro e Pedro Nolasco da Cunha, o Investigador Português, ainda subsidiado pelo Rio de Janeiro, e o Campeão Português ou Amigo do Rei e do Povo (1819-1821). Em 1820 assume a defesa de uma federação liberal com a Espanha, criticando o facto de nos termos tornado uma colónia do Brasil. Depois de nesse ano regressar a Portugal, funda o Campeão Português em Lisboa, onde continuou a atacar D. Pedro. Deputado às constituintes por Viseu, será desterrado para Coimbra depois da Vilafrancada. Depois de 1834, será deputado pela Madeira e arquivista da Câmara dos Pares. Com o setembrismo passará a administrador da Imprensa Nacional. Grão-mestre da chamada maçonaria do sul em 1834-1835.
·Ensaio Histórico-Político
1830.
·Autopsia dos Partidos Políticos e Guarda-Quedas dos Governos ou Ensaio sobre as Contínuas Revoluções de Portugal
Lisboa, 1847
·Memórias da Vida de José Liberato Freire de Carvalho
Coimbra, 1855 (2ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 1982)
 
Carvalho, José Murilo de (n. 1939) Cientista político brasileiro. Doutorado em Stanford. Professor no IUPERJ.
 
Bibliografia:
[1987]
Os Bestializados. O Rio de Janeiro e a República que não foi
 
 
[1980]
A Construção da Ordem. A Elite Política Imperial
 
 
[1990]
A Formação das Almas. O Imaginário da República no Brasil
 
 
[1996]
Teatro das Sombras
 
Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 
Carvalho, Lourenço António de (1837-1891) Bacharel em matemática e engenheiro civil. Filho de Manuel António de Carvalho. Casado com uma filha do conde Casal Ribeiro. Deputado regenerador em 1865-1869, 1872-1874 e 1875-1877. Ministro das obras públicas, comércio e indústria no primeiro governo de Fontes, entre 9 de Novembro de 1876 e 5 de Março de 1877. Volta a tal pasta em novo governo de Fontes, entre 29 de Janeiro de 1878 e 1 de Junho de 1879.
 
Carvalho, Luís Augusto Pinto Mesquita de Político republicano, ligado a António José de Almeida. Ministro da justiça no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 16 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917, como evolucionista. Ministro da justiça de 21 de Janeiro de 1920 a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira.
 
Carvalho, Manuel António de (1785-1858) 1º Barão de Chanceleiros, desde 23 de Maio de 1840. Proprietário em Alenquer. Jurista. Combateu na Guerra Peninsular. Deputado vintista. Deputado pela Estremadura de 1826 a 1828. Ministro da fazenda e da justiça no governo da regência de D. Isabel Maria, desde 14 de Agosto de 1827, substituindo, respectivamente o conde da Lousã e o bispo do Algarve. Membro da Maçonaria do Sul. Ministro da Justiça no governo de Saldanha, de 27 de Maio a 15 de Julho de 1835 (era então considerado sem facção). Deputado de 1834 a 1836. Presidente da Câmara dos Deputados de 8 de Janeiro a 4 de Junho de 1836. Eleito deputado por Lisboa em 1838, preferindo contudo a função de Senador. Ministro da fazenda no governo de Sá da Bandeira, de 22 de Março a 18 de Abril de 1839. Ministro da fazenda no governo de Sabrosa, de 18 de Abril a 26 de Novembro de 1839. Deputado 1839-1846. Grande Orador na Maçonaria do Sul, em 1842-1843. Deputado pela Estremadura de 1842 a 1845. Par do reino desde 1847. Presidente da Câmara dos Pares em 1856. Xvi 112 391
 
 
 
Carvalho, Mariano Cirilo de (1836-1905) Formado em farmácia e em matemática, desde 1863, pela Escola Politécnica de Lisboa, foi depois lente de matemática na mesma instituição. Deputado em 1870-1871, 1871-1874; 1875-1878; 1879; 1880-1881; 1882-1884; 1884 e anos seguintes. Começa como reformista. Funda o jornal Diário Popular. Ministro da fazenda no governo de José Luciano, de 20 de Fevereiro de 1886 a 9 de Novembro de 1889. Comissário português à Exposição de Paris de 1890. Presidente da Câmara Municipal de Setúbla. Comissário régio no Banco Nacional Ultramarino. Volta a tais funções na segunda fase do governo de João Crisóstomo, de 25 de Maio de 1891 a 17 de Janeiro de 1892. Era então um brilhante jornalista, ligado à ala radical dos progressistas, grande amigo do prior da Lapa que dizia ter planos financeiros para salvar o Estado. Alia-se então a Lopo Vaz e tem como principal inimigo Oliveira Martins. Depois de tomar posse como ministro, parte imediatamente para o estrangeiro, na busca de um grande empréstimo, dizendo que a situação é um poço sem fundo, para onde me lanço de olhos abertos. Mas a quebra da Bolsa de Paris impede essa concretização. Entretanto, tinha feito uma série de adiantamentos à Companhia Real dos Caminhos de Ferro, ao Banco Lusitano e ao Banco do Povo, sem conhecimento dos restantes membros do governo. Decreta o curso forçado das notas de banco em 9 de Julho de 1891. Entra em conflito com o seu antigo aliado, o ministro do reino Lopo Vaz. Apresenta a demissão em 15 de Janeiro de 1892, declarando: suponho que a minha carreira política está finda. Lopo Vaz, através deste golpe pretendia ser ele a constituir novo governo, tramando José Luciano, o chefe dos progressistas, e António Serpa, o chefe dos regeneradores. Em Janeiro de 1898, à frente do Popular, promove uma campanha de imprensa contra o governo de José Luciano. Eleito deputado independente em 25 de Novembro de 1900, sob o governo regenerador de Hintze. Ver Os Planos Financeiros do Sr. Mariano de Carvalho, Lisboa, edição de Mariano Pina, 1893, bem como Maria da Conceição da Cunha Carvalho, Memórias de Mariano de Carvalho. Contadas por sua Filha, Lisboa, 1946.
 
Carvalho, Orlando de (m. 2000) Professor Catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra. Destacado elemento da oposição democrático, colaborador da revista Vértice. Apesar de ter começado por inclinações monárquicas e da doutrina social da Igreja, acaba por aproximar-se de uma perspectiva estética do marxismo. Depois de 1974, assume-se como Secretário de Estado do Ensino Superior. Autor de A Teoria Geral da Relação Jurídica. Seu Sentido e Limites, Coimbra, 1970 e de Os Direitos do Homem no Direito Civil Português, Coimbra, 1973.
 
¾Carvalho, Orlando M.
Jurista brasileiro.
·O Mecanismo do Governo Britânico
Belo Horizonte, 1943
·U. R. S. S.
Rio de Janeiro, 1947.
·Caracterizações da Teoria Geral do Estado
Belo Horizonte, 1951.
 
Carvalho, Sebastião José de 1835-1905 Primeiro visconde de Chanceleiros desde 1865. Filho primogénito de Manuel António de Carvalho. Deputado em 1857-1858; 1858-1859. Par do reino desde 1861, por hereditariedade. Ministro das obras públicas, comércio e indústria de 1 de Março a 12 de Julho de 1871, no governo de Àvila. Ministro das obras públicas, comércio e indústria do governo de José Dias Ferreira, de 17 de Janeiro a 27 de Maio de 1892
 
 Casa Casa, apesar de significar domus, vem do lat. casa, choupana, habitação humilde, ao contrário de domus, a casa mais rica. Uma comunidade complexa, abarcando três tipos de relações: primeiro, a relação do homem e da mulher, para a conservação da espécie; segundo, a relação dos pais com os filhos, tendo em vista a sobrevivência e a educação destes; terceiro, a relação do chefe da casa, enquanto unidade económica, com os respectivos dependentes. O conceito de casa engloba, portanto, tanto o de comunidade familiar propriamente dita, a associação entre marido e mulher e entre o pai e os filhos, como o de comunidade económica, onde Aristóteles incluía a relação entre o senhor, ou o dono, e o escravo.
 
A primeira das comunidades que Aristóteles inventaria é a casa (oikos). Uma comunidade complexa, abarcando três tipos de relações: primeiro, a relação do homem e da mulher, para a conservação da espécie; segundo, a relação dos pais com os filhos, tendo em vista a sobrevivência e a educação destes; terceiro, a relação do chefe da casa, enquanto unidade económica, com os respectivos dependentes. O conceito de casa engloba, portanto, tanto o de comunidade familiar propriamente dita, a associação entre marido e mulher e entre o pai e os filhos, como o de comunidade económica, onde Aristóteles incluía a relação entre o senhor, ou o dono, e o escravo. Segundo as suas próprias palavras, a primeira união necessária é a de dois seres que são incapazes de existir um sem o outro: é o caso daquela que se estabelece entre o macho e a fêmea tendo em vista a procriação (... ) uma tendência natural para se deixar, depois de si, um ser semelhante a si. A segunda é a união daquela cuja natureza é a de mandar com aquele cuja natureza é a de ser mandado, tendo em vista a conservação em comum. A casa, ou família em sentido amplo, formou-se destas duas comunidades: do homem e da mulher, do senhor e do escravo. É uma comunidade constituída pela natureza para a satisfação das necessidades quotidianas, sendo constituída por aqueles que comem o mesmo pão ou que se aquecem com o mesmo fogo, como o próprio Aristóteles evoca, citando autores anteriores. A casa é assim entendida como uma sociedade mais ampla que a dos parentes biológicos, dado que nela também se incluem os escravos. E o mesmo Aristóteles, acentuando o carácter económico desta comunidade, não deixa de assinalar que, nas famílias pobres, em vez dos escravos, estão os bois.
 
Casa A expressão casa, equivalente a home e country, no inglês, e ao alemão heimat, tenta exprimir a mesma realidade que as expressões grei e pátria. Assim Fernão Lopes fala na casa de Portugal e Camões na pequena casa lusitana e no ninho meu paterno., 57, 367
 
Casal, 1º Barão e 1º Conde de José de Barros Abreu Sousa e Alvim (1793-1857). Desembarcou no Pampelido. Nomeado governador de Trás-os-Montes por D. Maria II. Par do reino desde 1849.
 
Casanova, J. A. González, Comunicación Humana y Comunidad Política, Madrid, Editorial Tecnos, 1968.
 
Casimiro, Padre. ìVieira, Casimiro.
 
Cassese, A., Jouve, E., eds., Pour un Droit des Peuples, Paris, Berger-Levrault, 1978.
 
 
 
 
Cassirer, Ernst (1874-1945) Alemão de origem judaica, nascido em Wroclaw. Estuda em Marburgo, com Hermann Cohen e Paul Natorp. Professor em Berlim, desde 1906, e em Hamburgo, entre 1919 e 1930. Reitor desta Universidade em 1929-1930. Depois da ascensão de Hitler ao poder vai para o exílio, ensinando nas Universidades de Oxford (1933-1935) e Gotemburgo, na Suécia. Emigra para os Estados Unidos e ensina em Yale (1941-1944) e na Columbia University de Nova Iorque (1944-1945). Neokantiano, criador da chamada filosofia das formas simbólicas.
Unidade das formas simbólicas
Assume-se contra a dualismo de Windelband, que opunha as ciências nomotéticas às ciências idiográficas, propondo a unidade das formas simbólicas, entendidas como representações activas do mundo e não como imagens passivas (v. g. o mito, a linguagem verbal e numérica, a arte). Elas são considerados os meios característicos criados pelo homem para separar-se do mundo. Mas, através desta separação, o homem acaba por unir-se mais firmemente ao mundo.
Forma como abstracção ideante
Considera, assim, que o princípio constitutivo das ciências da cultura não deve ser procurado nos valores, mas sim na forma, considerada como uma unidade na orientação, não uma unidade no ser, isto é, uma abstracção ideante e não como conceito.
As ciências da cultura
Considera que o princípio constitutivo das ciências da cultura não deve ser procurado nos valores, mas sim na forma, considerada como uma unidade na orientação, não uma unidade no ser, isto é, como uma abstracção ideante e não como conceito. A cultura é vista como um mundo intersubjectivo: o homem vive nas palavras da linguagem, nas imagens da poesia e das artes plásticas, nas formas da música, nos quadros forjados pela imaginação e pela fé religiosa. Porque necessita de representar imaginariamente algo que não existe para poder passar da possibilidade à realidade, da potência ao acto.
O símbolo
O símbolo é que origina a cultura, incluindo entre as diversas actividades simbólicas, o mito, a linguagem, a arte e a historiografia. Se o naturalismo se preocupa com o ser e com a causa, eis que a filosofia das formas simbólicas deve preocupar-se com o devir e com a forma. As ciências da natureza determinam, as ciências da cultura caracterizam. E isto porque o fenómeno da cultura está carregado de significações que ultrapassam a coisa, pelo que o conhecimento só pode fazer-se por aproximações.
Contra o positivismo
Neste sentido, proclama que a regra fundamental do positivismo consiste em afirmar que qualquer proposição, que não possa ser reduzida com o máximo rigor ao simples testemunho de um facto, não tem nenhum sentido real nem compreensível.
O nome e a essência
Observa que o nome e essência estão entre si numa relação recíproca e necessária: o nome não significa apenas, mas é a essência do objecto; a potência da coisa real está contida no nome
 
[1906]
Das Erkenntnisproblem in der Philosophie und Wissenschaft der Neuren Zeit
 
Berlim, Bruno Cassirer, 1906-1907. Ver El problema del conocimiento en la filosofia y en la ciencia modernas, Mexico, Fondo de Cultura Economica, trad de W. Roces, 1948, 2 vols.
[1923]
Die Philosophie der Symbolischen Formen
 
Em três volumes: I Die Sprache, de 1923;
II Das Mytische Denken, de 1925;
III Phãnomenologie der Erkenntis, de 1929
(trad. ingl. The Philosophy of Symbolic Forms, New Haven, Yale University ress, 1953; trad. fr. La Philosophie des Formes Symboliques, Paris, Éditions de Minuit, 1972, 3 vols.).
[1944]
An Essay on Man
 
New Haven, Yale University Press, 1944.
[1946]
The Myth of State
 
New Haven, Yale University Press, 1946 (ver a trad. port. de Daniel Augusto Gonçalves, O Mito do Estado, Mem Martins, Europa-América, 1961).
[1951]
Filosofia de la Ilustración
 
Trad. cast., de Eugenio Ímaz, México, Fondo de Cultura Economica, 1950. Ver tb. A trad. Ingl. The Philosophy of the Enlightment, Princeton, Princeton University Press, 1951.
 
 
 
 
 
Casta Palavra universal de origem portuguesa, a partir do lat. castus. Grupo social fechado que pratica a endogamia. É o modelo praticado na sociedade hindu. Em sentido amplo, diz-se de modelos hierárquicos que dividem a sociedade em grupos superiores, os puros, e grupos inferiores, os impuros, com a proibição dos casamentos mistos e a própria divisão de trabalho. Segundo Bouglé o sistema de castas implica três coisas: especialização hereditária. organização hierárquica e repulsa mútua. Na Índia, a casta superior dos bramânes tem o monopólio da oração e do sacrifício. Na base estão os párias ou intocáveis (porque estão excluídos dos rituais sociais que permitem a purificação). Entre as duas, há os guerreiros e os comerciantes. A hierarquia não assenta no poder, mas na relação de distância ou de proximidade face a um valor. Uma casta está situada numa posição cimeira da hierarquia não pelo facto de obter obediência das outras, mas porque está mais próxima de um determinado valor (no caso indiano, a casta cimeira é a que está mais distante da impureza da vida animal). Neste sistema não existe o indivíduo como valor.
 
Grupo social fechado que pratica a endogamia. É o modelo praticado na sociedade hindu. Em sentido amplo, diz-se de modelos hierárquicos que dividem a sociedade em grupos superiores, os puros, e grupos inferiores, os impuros, com a proibição dos casamentos mistos e a própria divisão de trabalho. Segundo Bouglé o sistema de castas implica três coisas: especialização hereditária. organização hierárquica e repulsa mútua.
Na Índia, a casta superior dos bramânes tem o monopólio da oração e do sacrifício. Na base estão os párias ou intocáveis (porque estão excluídos dos rituais sociais que permitem a purificação). Entre as duas, há os guerreiros e os comerciantes. A hierarquia não assenta no poder, mas na relação de distância ou de proximidade face a um valor. Uma casta está situada numa posição cimeira da hierarquia não pelo facto de obter obediência das outras, mas porque está mais próxima de um determinado valor (no caso indiano, a casta cimeira é a que está mais distante da impureza da vida animal). Neste sistema não existe o indivíduo como valor.
 
Célestin Bouglé, Essais sur le Régime des Castes (1900, 1908), pref. de Louis Dumont, Paris, PUF, 1993).
·Louis Dumont, Homo Hierarchicus, Paris, Gallimard, 1966
 
 
 
Castanho, José Ribeiro  Ministro do interior de 12 de Julho de 1926 a 25 de Janeiro de 1927.
 
 
Castela (Castilla) No século IX ainda era uma marca do reino das Astúrias; Fernán González (930-970) declara-se independente do reino de Leão; em 1029 passou a depender do reino de Navarra; em 1035 que no testamento de Sancho III, rei de Navarra, é transformada em reino; em 1230 deu-se a união definitiva entre Castela e Leão, quando o rei castelhano Fernando III herdou o reino de Leão.
 
Castela, M. Jorge, Economia da oferta (Supply-side Economics). Teoria e política das vitórias eleitorais, Lisboa, PE Edições, 1991.
 
Castelhano, Mário 1896-1940 Sindicalista português, líder da CGT. Empregado na CP, demitido em 1920, por ter liderado a greve ferroviária desse ano. Secretário para as relações internacionais da Federação Ferroviária. Nomeado em 1926 para o comité da CGT, é também redactor principal de A Batalha, até Maio de 1927. Preso em Outubro de 1927, é deportado para Angola, sendo transferido em 1930 para a ilha do Pico. Participa na revolta de 1931. Preso em Lisboa em 1934, deportado para Angra do Heroísmo, passa em 1936 para o Tarrafal onde morre. É seu advogado o escritor Domingos Monteiro. Autor de Quatro Anos de Deportação, Lisboa, Seara Nova, 1975.
 
Castellano, Danillo, La Razionalitá della Politica, Nápoles, Edizione Scientifiche Italiane, 1993.
 
 
 
 
Castelo Branco, António de Azevedo (1843-1916) Deputado por Trás os Montes. Ministro da justiça no governo de Hintze Ribeiro, de 23 de Fevereiro de 1893 a 7 de Fevereiro de 1897.
 
Castelo Branco, Euletério Francisco de Eleito grão-mestre do Grande Oriente Lusitano em 16 de Julho de 1849.
 
Castelo Branco, José de Azevedo Ministro da marinha e ultramar de Hintze, de 21 de Março a 19 de Maio de 1906. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Teixeira de Sousa, de 26 de Junho a 5 de Outubro de 1910. Sobrinho materno de Camilo. Deputado e presidente da câmara de Lisboa. Ver Raul Brandão, Memórias III, pp. 165 ss.
 
Castelões, Visconde de. Ver Ferraz, F. R. Pereira
 
Castex, Raoul Estrategista francês. Almirante ligado a Darlan em 1936-1940. Teoriza a chamada estratégia geral, também dita total ou superior
 
·Théories Stratégiques, 6 vols.
 
 
 
Castilho, António Feliciano de (1800-1875) Formado em cânones. Poeta. Dirige a Revista Universal Lisbonense de 1842 a 1845. Participa na Questão Coimbrã de 1865. Vai para S. Miguel, onde actua como pedagogo.
·A Felicidade pela Agricultura (Ponta Delgada, 1849).
 
Castilho, Augusto Frederico (1802-1840) Clérigo. Maçon. Lente de Coimbra. Irmão de António Feliciano Castilho. Deputado em 1834-1836.
 
Castilho, Augusto Almirante. Ministro da marinha e ultramar do governo de Ferreira do Amaral, de 4 de Fevereiro a 25 de Dezembro de 1908.
 
Castillo, Pilar Del, La Financiación de Partidos y Candidatos en las Democracias Occidentales, Madrid, CIS, 1985.
 
Castlereagh, Visconde de (1769-1822) Robert Stewart Castlereagh. Político britânico. Secretário da guerra (1805-1806 e 1807-1809). Secretário dos negócios estrangeiros (1812-22). Não aprovou a Santa Aliança. Suicidou-se.
 
Castles, Francis G., Pressure Groups and Political Culture, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1967.
, ed., The Impact of Parties, Newbury Park, Sage Publications, 1982.
Castoriadis, Cornelius (1922-1997) Pseudónimo assumido pelo francês J. -M. Coudray, natural de Constantinopla. Estuda em Atenas. Passa para Paris em 1948. Depois de alguns anos de militância trotskista, funda, com Claude Lefort, o grupo Socialisme ou Barbarie. Trabalha como economista na OCDE. A partir de 1974 exerce a profissão de psicanalista. Director de estudos na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris. Considera que o imaginário ordena o simbolismo e subverte secretamente a lógica dos sistemas racionais.
[1968]
Mai 68. La brèche,
Fayard, Paris , l968
 
+Morin, Edgar +Lefort, C.
[1973]
La société bureaucratique, l. Les rapports de productions en Russie, Union Générale d'Éditions, l0/l8, Paris, l973
A sociedade burocrática. I - As relações de produção na Rússia,
(trad. port., Porto, Edições Afrontamento, 1979)
[1974]
L'expérience du mouvement ouvrier, UGE, l0/l8, Paris, l974
[1973]
La société bureaucratique, 2. La révolution contre la bureacratie, UGE, l0/l8, Paris, l973
[1975]
L’Institution Imaginaire de la Societé
(Paris, Éditions du Seuil).
[1978]
Les Carrefours du Labyrinthe, 2 vols., Paris, Éditions du Seuil, 1978
[As encruzilhadas do labirinto, trad. port., Rio de Janeiro, Rumos da Cultura Moderna, 1987].
[1981]
Devant la guerre, Paris, l981
[1981]
De l'écologie à l'autonomie, Paris, l981
[1986]
Domaines de l'homme, Seuil, Paris, l986
[1989]
Le Monde Morcellé.
Les Carrefours du Labyrinthe, vol. III,
(Paris, Éditions du Seuil)
[1983]
Da Ecologia à Autonomia
 
(Lisboa, Fora do Texto, 1983. Com Daniel Cohn-Benedit)
La montée de l'insignifiance, Paris, l996.
 
Castro, Álvaro Xavier de (1878-1928) Oficial do exército. Jurista. Filho de José de Castro, grão-mestre adjunto da maçonaria e presidente do ministério. Líder da Jovem Turquia. Membro da maçonaria, membro da junta que derrubou Pimenta de Castro. Foi várias vezes ministro. Ministro da justiça do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Ministro das finanças de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915. Governador de Moçambique de 1915 a 1917. Ministro das colónias no governo de Sá Cardoso, de 3 a 21 de Janeiro de 1920. Presidente do ministério e ministro do interior de 20 a 30 de Novembro de 1920. Funda neste ano de 1920 o Núcleo de Acção de Reconstrução Nacional, uma dissidência a partir dos democráticos. Ministro da guerra de 30 de Novembro a 23 de Maio de 1921. Novamente Presidente do ministério de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924 (acumulou as colónias de 18 a 28 de Dezembro e as finanças de 28 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924). Leader dos liberais, passou depois a chefe da Acção Republicana, em 1923, sempre em aliança com Alfredo Ernesto Sá Cardoso.
 
 
Castro, D. António de S. José e Bispo do Porto desde 1798. Assume a formal chefia da revolta contra Junot em 1808 Morre em 1815.
 
 
 
Castro, António Manuel Lopes Vieira de (1796-1842)  Abade de S. Clemente de Basto Membro do clero. Maçon. Bacharel em cânones (1819). Vigário capitular de Viseu. Deputado em 1834, 1836; 1837-1840 e em 1842. Setembrista. Ministro da justiça do primeiro governo setembrista, presidido pelo conde de Lumiares, de 10 de Setembro a 4 de Novembro de 1836. Ministro da justiça e da marinha no governo de Sá da Bandeira, de 5 de Novembro de 1836 a 27 de Maio de 1837. Guarda-mor da Torre do Tombo de 1837 a 1841. Morre em 20 de Setembro de 1842
 
Castro, António Joaquim Oliveira e. Ministro da justiça de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva.,
 
Castro Sampaio Corte Real, Augusto de (1883-1971) Jornalista e diplomata. Licenciado em direito por Coimbra. Deputado durante a I República. Director do Diário de Notícias de 1919 a 1924 e de 1939 a 1971. Como diplomata, chega a representar Portugal em Londres, Roma, Bruxelas e Paris. Um moderado republicano, apoiante do Estado Novo, autor dos principais editoriais do situacionismo. Comissário-geral da Exposição do Mundo Português em 1940. A elegância dos respectivos escritos marcou um certo ensaísmo jornalístico de grande nível. Ficou célebre a respectiva definição de Lisboa como uma cidade feita por subscrição nacional.
 
Castro, Armando (n. 1918) Economista, Professor Catedrático da Faculdade de Economia do Porto depois de 1974. Licenciado em Direito por Coimbra (1941). Militante do PCP desde 1938. Candidato pela CDE em 1969. Aplica as categorias marxistas à análise da evolução do Portugal Medieval, dentro do esquema estabelecido por Henrique da Gama Barros. Dedica-se sobretudo à epistemologia, ao conhecer o conhecimento.
·Alguns Aspectos da Agricultura Nacional
Coimbra, 1945.
·Introdução ao Estudo da Economia Portuguesa
1947.
·A Evolução Económica de Portugal dos Secs. XII a XV
Vários volumes, a partir de 1964.
·Em Defesa do Pensamento Científico
Porto, 1973.
·Teoria do Conhecimento Científico
1975.
 
Castro, Bernardo José de Abrantes e (1771-1833) Maçon. Doutor em medicina. Fundador de O Investigador Português em Inglaterra (1811-1819), juntamente com José Liberato e Pedro Nolasco da Cunha..
 
°Castro, Caetano Pereira Sanches de General. Regenerador. Ministro da guerra no governo de Rodrigues Sampaio, de 25 de Março a 14 de Novembro de 1881.
 
Castro, D. A. L. Faria de 1715-1789 Damião António de Lemos Faria e Castro. Natural de Portimão. Grande proprietário. Escreveu uma História geral de Portugal em vinte tomos. A Política Moral e Civil é composta de sete tomos, destacando-se o I, onde trata das virtudes em geral, com destaque para a justiça, a prudência, a fortaleza, a temperança e a liberalidade. O tomo II abrange as matérias das ciências e artes liberais, com destaque para a análise das religiões. Os tomos III a VII abrangem matérias históricas.
[1749]
Política Moral e Civil, Aula da Nobreza Lusitana, auctorizada com todo o género de erudição sagrada e profana
 
Lisboa, 1749.
 
Castro, Fernando Alvia de (séc. XVII) Considera que es la materia de Estado un profundissimo mar, en qui ni ay arte que la comprehenda ni ciencia que la enseñe. A política é vista como um quartum genus, ao lado da ciência, da arte e da prudência.
Bibliografia
[1616]
Verdadera Razón de Estado. Discurso Político
 
Lisboa, Pedro Craesbeeck, 1616.
[1621]
Aphorismos e Exemplos Políticos e Militares. Sacados de la Primera Decada de Juan de Barros
 
Lisboa, 1621.
 
 
Castro, José Maria Ferreira de n. 1898 José Maria Ferreira de Castro. Escritor português. Ligado aos meios anarco-sindicalistas, começa como colaborador de A Batalha. Emigra para o Brasil em 1911. Regressa em 1919. Autor de A Selva, onde narra a experiência amazónica. Apoia a candidatura de Humberto Delgado e participa ainda no II Congresso Republicano de Aveiro em 1969. Em 1958 considera o regime do Estado Novo como um permanente inimigo da inteligência nacional. Salienta que as ditaduras, por muito que durem, são um regime sem futuro, defendendo um regime de pão e liberdade para todos.
 
Castro, Fidel n. 1926 Político cubano. Educado pelos jesuítas e licenciado em direito. Ataca o quartel de Moncada em 26 de Julho de 1953. Amnistiado em 1954, refugia-se no México. Desembarca em Cuba em 2 de Dezembro de 1956 e inicia a guerrilha na Sierra Maestra. Até Maio de 1956, o grupo sobrevive e instala-se. De Junho a Novembro de 1957, o grupo rebelde, constituído apenas por uma centena de homens, conquista a Sierra. Até Março de 1958 o Exército Rebelde, unido e cresecndo, passa da guerra de guerrilhas à guerra de colunas. Em 9 de Abril de 1958 fracassa a greve geral, pelo que o movimento urbano rebelde passa a subordinar-se cada vez mais aos guerrilheiros da Serra, contra a qual Batista decide lançar uma ofensiva. A partir de Julho de 1958, fracassada a ofensiva de batista, os rebeldes ocupam a parte oriental da ilha e lançam a sublevação geral. Os comunistas aderem ao movimento apenas em Outubro desse ano. Surgem várias colunas rebedes, dos campos para as pequenas cidades, das cidades para as capitais de província e de Havana por estas, num processo em espiral. O chamado foquismo triunfava. Battista foge no dia 1 de Janeiro de 1959 e Castro torna-se primeiro ministro em Fevereiro. Em 13 de Janeiro desse ano declara: nem eu, nem o movimento são comunistas. Dois anos depois, em 2 de Dezembro de 1961, já proclama: serei marxista-leninista até ao último dia da minha vida.
 
Castro, Filipe Ferreira de Araújo e (1771-1849) Maçon. Bacharel em leis 1794. Intendente Geral da Polícia depois de 1820. Ministro do reino de 7 de Setembro de 1821 a 28 de Maio de 1822. Exílio em França 1828-1833. Amigo íntimo de Silvestre Pinheiro Ferreira, foi um dos poucos vulgarizadores e colaboradores científicos do grande publicista. Era defensor dos modelos económicos fisiocráticos. Segundo conta Inocêncio F. da Silva, Dicionário..., II, p. 296, Araújo e Castro, enquanto Ministro do Reino, não quis aceitar uma comenda de D. João VI. O rei ter-lhe-á dito que não gostava de ver sem ela os secretários de estado, que assim lhe pareciam republicanos demais. Respondeu-lhe Araújo e Castro que não era decente despachar-se a si. Deputado em 1826-1828. Morreu em 4 de Dezembro de 1849: depois de haver ocupado os primeiros lugares neste Reino e ter vivido sempre muito modestamente, morreu tão pobre, que não havia dinheiro para o enterro (Lavradio, III, p. 285).
 
Castro, Gabriel Pereira de (1571-1632) Membro do tribunal da inquisição e poeta.
 
Bibliografia
[1622]
De manu regia tractatus in quo omnium Legum Regiarum quibus, Regi Portugalliae in causis ecclesiasticis cogniti est ex iure
 
Em dois tomos, Lisboa, 1622-1625.
[1638]
Monomachia sobre as Concórdias dos Reys deste Reyno
 
Lisboa, 1638.
 
 
Castro Silva Antunes, João do Canto e (1862-1934) Almirante. Governador ultramarino, dos distritos de Lourenço Marques, Moçâmedes e Ilha do Príncipe. Convicto monárquico. Ministro da marinha de Sidónio Pais. Eleito presidente da república em 16 de Dezembro de 1918. Até 5 de Outubro de 1919. 1Maurício de Oliveira, O Drama de Canto e Castro. Um Monárquico Presidente da República, Lisboa, Editora Marítima Colonial, 1944.
 
Castro, Joaquim Basílio Cerveira e Sousa Albuquerque e Coronel de engenharia. Ministro das colónias de 29 de Janeiro a 16 de Junho de 1912, no governo de Augusto de Vasconcelos, substituindo Freitas Ribeiro. Ministro das colónias do governo de Duarte Leite, de 6 de Junho de 1912 a 9 de Janeiro de 1913. Ministro da guerra de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915.
 
 
 
Castro, Joaquim Pereira Pimenta de (1846-1918) Oficial do exército. Republicano de antes de 1910. Matemático. Publica em 1884 um estudo sobre leis eleitorais, editando um projecto sobre a matéria em 1890. Assume-se como simpatizante dos evolucionistas, sendo até amigo pessoal de Manuel de Arriaga. Ministro da guerra de João Chagas, de 4 de Setembro a 8 de Outubro de 1911. É então o mais antigo general português em exercício. Adversário frontal do grupo dos jovens turcos. Goza da simpatia de Machado Santos. Tem como chefe de gabinete o tenente-coronel Gomes Teixeira e logo se incompatibiliza com dois colegas ministros, Duarte Leite e Sidónio Pais, a quem chama duas sábias nulidades. Será substituído em 8 de Outubro, acusado de falta de zelo na defesa da República contra a incursão de Paiva Couceiro. Chagas temia, sobretudo, a intervenção espanhola. Chefe do movimento das espadas de Janeiro de 1915. Acede então a Presidente do Ministério (de 25 de Janeiro a 14 de Maio de 1915), com o apoio do presidente Manuel de Arriaga. Era o mais antigo general do exército português. Conforme Machado Santos, repontão para cima e protector para baixo, era especialmente idolatrado pelos sargentos.
 
Bibliografia
[1884]
A Mais Racional e a Mais Prática Solução do Problema Eleitoral
 
 
[1890]
Projecto de Lei Aplicável a Todas as Nações
 
Obra traduzida e editada em várias línguas.
[1915]
O Ditador e Afrontosa Ditadura
 
Weimar, Wagner Humbold, 1915.
 
 
Castro, José da Gama e (1795-1873) Médico desde 1819. Assume-se como miguelista. Físico-mor em 1834. Emigra para a Itália em Dezembro de 1834, onde redige O Precursor, órgão do miguelismo no exílio. Em 1837 passa pela Suíça e pela Alemanha. Instala-se no Brasil a partir de 1838, onde publica as suas obras, destacando-se a tradução portuguesa de The Federalist e o tratado O Novo Príncipe, considerado como uma espécie de bíblia do pensamento contra-revolucionário português do século XIX, apesar de ser pouco denso e nada original. Considera que as "leis fundamentais" e os "corpos intermediários" é que distinguem a monarquia do despotismo. Assim "tanto no despotismo como na tyrannia o procedimento de quem manda he arbitrario; mas no primeiro caso he arbitrario por falta de lei, e no segundo porque se abusa, porque se despresa, ou porque se calca a lei". Observa que "todos os governos possíveis são ou relativamente bons ou relativamente máos conforme as circunstâncias da nação a que se applicão; mas o único bom para huma nação determinada he aquelle que resulta da história, isto he, da experiência dessa nação". Distingue claramente entre legitimidade e legalidade. Uma tem como princípio a justiça e faz derivar o facto do direito; a segunda tem como princípio a lei e porque faz derivar o direito do facto coincide com o arbitrário. E "nunca he possível ir dar na história do mundo com o momento da sociedade constituindo‑se, mas sempre com a sociedade constituída". Porque "as relações entre os differentes membros da sociedade não se fizerão, apparecerão já feitas". Já a legitimidade é, sobretudo, marcada pela "justiça da aquisição" e pela "diuturnidade da posse", sendo expressa nas leis fundamentais da Constituição histórica:"certas leis primordiaes e constitutivas da Monarchia, que o próprio Soberano não pode destruhir por que são ao mesmo tempo o fundamento por que he Rey, deixando de o ser desde esse momento em que o fes".
 
Bibliografia
[1840]
O Federalista, publicado em inglez por Hamilton, Madison e Jay, cidadãos norte-americanos e traduzido em portuguez
 
3 tomos, Rio de Janeiro, 1840
[1841]
O Novo Príncipe ou o espírito dos governos monarchicos
 
Rio de Janeiro, 1841.
 
 
Torgal, Luís Reis, Tradicionalismo e Contra-Revolução. O Pensamento e a Acção de José da Gama e Castro, Coimbra, Universidade de Coimbra, 1973.
 
Castro, José de (1868-1929) José Augusto Soares Ribeiro de Castro. Advogado na Guarda. Progressista, abandona o partido em 1881. Maçon desde 1869. Funda em 1882 O Povo Português, o primeiro semanário republicano de província. Depois de 1910 atinge o grau de Grão-mestre adjunto da maçonaria. Pai de Álvaro de Castro. Presidente do ministério de 17 de Maio a 29 de Novembro de 1915, depois do atentado contra João Chagas, de cujo governo era ministro da instrução (desde 15 de Maio). Acumulou as pastas da guerra (desde 19 de Junho) e da marinha (desde 22 de Julho).
 
 
Castro, José Guilherme de Melo e (1914-1972) Advogado. Governador civil de Setúbal de 1947 a 1949. Deputado do salazarismo em 1949-1953 Subsecretário de Estado da Assistência Social, de 1954 a 1957. Provedor da Misericórdia de Lisboa de 1957 a 1963, responsável pela introdução do Totobola. Juiz do Tribunal de Contas desde 1965. Em discurso proferido na sessão de encerramento do 40º aniversário da Revolução Nacional em 29 de Dezembro de 1966 fala na necessidade de autêntica vida representativa, sugerindo que Salazar abandone o poder a prazo. Líder da União Nacional com o marcelismo, é o principal rresponsável pelo convite feito aos deputados que integrarão a chamada ala liberal. Tenta promover eleições relativamente livres, para o que chega a contactar com Mário Soares e Ramon la Feria. Promove a transformação da União Nacional em Acção Nacional Popular em 1970.
 
Castro, J. J. Gomes de 1794-1878 José Joaquim Gomes de Castro. Visconde (desde 23 de Dezembro de 1848) e 1º Conde de Castro (desde 1862). Negociante. Maçon. Perseguido pelo miguelismo. Desembarca com D. Pedro. Vogal do Tribunal Superior Administrativo. Deputado em 1834-36; 1838-1840; 1840-42; 1842-44. Par do reino desde 26 de Dezembro de 1844. Ministro dos negócios estrangeiros em 1842-46 e 1848-1849, enquanto cabralista. Acusado de alta-traição em Novembro de 1836, na sequência da belenzada. Par do reino de 1844. Ministro dos negócios estrangeiros no governo cartista de Terceira, desde 14 de Setembro de 1842, até 20 de Maio de 1846 e de 29 de Março de 1848 a 18 de Junho de 1849. Assume-se como um dos líderes do partido cabralista logo após 1851. Ministro dos negócios estrangeiros e das obras públicas, comércio e indústria de 4 de Setembro de 1865 a 9 de Maio de 1866, no governo da fusão, enquanto regenerador.
 
Castro, Josué de (1908-1973) Professor de geografia humana no Rio de Janeiro desde 1939. Presidente da FAO de 1952 a 1956. Deputado desde 1955. Privado de direitos políticos em 1964.
·Geografia da Fome
1ª ed. De 1946. Brasília Editora, 1970
·Geopolítica da Fome
1951
·O Nordeste do Brasil
1965.
·Homens e Caranguejos
1966.
 
Castro, D. Luís Filipe de (1868-1928) 2º Conde de Nova Goa. Professor de Agronomia. Regenerador. Ministro das obras públicas, comércio e indústria no governo de Artur Campos Henriques, de 26 de Dezembro de 1908 a 11 de Abril de 1909, Ministro das obras públicas, comércio e indústria no governo de de Sebastião Teles, entre 11 de Abril e 14 de Maio de 1909. Propagandista do crédito agrícola durante a I República. Colabora com Brito Camacho, ministro do fomento, responsável pelas matérias agrícolas.
 
Castro da Fonseca e Sousa Osório, Macário de (1800-1852) Maçon. Grande proprietário. Bacharel em matemática. Oficial. Foi membro da Legião Portuguesa que combateu ao lado de Napoleão Aderiu à revolta de Amarante de 1823 Participa na guerra civil do lado pedrista Deputado em 1834-1836 e 1837-1838. Par do reino desde 1847. membro da Sociedade Patriótica Lisbonense.
 
Castro, Manuel Marinho Falcão de Ministro da justiça de 1 de Junho de 1823 a 19 de Março de 1824. Considerado próximo da facção rainhista.
 
Castro, D. Manuel de Portugal e Membro da junta criada em 18 de Junho de 1823 para a reforma da lei fundamental. Foi miguelista e Vice-Rei da Índia Ministro da marinha e ultramar de Saldanha, de 6 de Outubro de 1846 a 28 de Abril de 1847. Ministro dos negócios estrangeiros do mesmo governo, desde 4 de Novembro de 1846 até 28 de Abril de 1847.
 
Castro, Martinho de Melo e (1716-1795) Maçon. Bacharel em filosofia e cânones. Embaixador em Madrid de 1764 a 1775. Ministro da marinha e ultramar do marquês de Pombal, continua no governo depois da morte de D. José em 24 de Fevereiro de 1777., sendo substituído por D. Rodrigo de Sousa Coutinho. Partidário de uma aproximação com Espanha.
 
Castro, Pedro Augusto Pereira de Ministro da justiça de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925, no governo de José Domingues dos Santos.
 
Castro, D. Frei Vicente da Soledade e Arcebispo da Baía. Eleito presidente das Cortes Constituintes em 26 de Janeiro de 1821. Beneditino. Mestre de teologia da Universidade de Coimbra.
 
Castro, Zília Maria Brandão Osório de Professora da Universidade Nova de Lisboa.
·Manuel Borges Carneiro e a Teoria do Estado Liberal
Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1976
·A Sociedade e a Soberania. Doutrina de um Vintista
Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1979.
·Cultura e Política. Manuel Borges Carneiro e o Vintismo
Lisboa, Fundação para a Ciência e Tecnologia, 1990, 2 vols.
Castro, Zília Osório, «Manuel Borges Carneiro e a teoria do Estado liberal», separata da Revista de História das Ideias, Coimbra, 1976.
¾ História cultural e política de um vintista (dissertação de doutoramento), Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas-Universidade Nova de Lisboa, 1986.
 
Castro Marim, 2º Conde do. 2º Marquês de Olhão D. Pedro de Melo da Cunha Mendonça e Meneses Participa na revolta contra Junot em 1808, no Algarve. Membro de Conselho de Regência em 1808. Membro da junta criada em 18 de Junho de 1823 para a reforma da lei fundamental.
 
Casuísmo moral A neo-escolástica peninsular, principalmente através de Francisco Suarez, considera que o direito natural, apesar de ser um conjunto de princípios ditados por Deus aos homens, só adquire sentido quando se dá a simbiose entre o elemento racional dos princípios gerais e os factos, as circunstâncias do tempo e do lugar. Deste modo, não há um só direito natural, imutável e válido para todos os lugares (quod sempre, quod ubique), mas vários direitos naturais, dotados de flexibilidade. Porque todo o mundo é composto de mudança, porque o homem completo é o homem de sempre perante as circunstâncias do tempo e do lugar. Porque, mudando a matéria, terão de mudar as consequências que extraímos dos próprios princípios. Segundo as próprias palavras de Suárez, assim como a medicina dá uns preceitos para os enfermos e outros para os sãos, e uns para os fortes e outros para os débeis, e não obstante não variam por isso as regras da medicina … assim o direito natural, permanecendo o mesmo, uma coisa manda em tal ocasião, outra na outra, e obriga agora e não antes ou depois, sem que experimente isso mudança para a matéria. E isto porque a lei natural discerne a mutabilidade na mesma matéria e segundo ela acomoda os preceitos, pois uma coisa manda naquela matéria para um estado e outra para outro; e assim ela permanece sempre imutável, mesmo quando, no nosso modo de falar, e por denominação extrínseca parece que se muda. Nesta linha, o neo-kantiano Stammler vem falar num direito natural de conteúdo variável.
 
Casuística do poder Segundo Weber há uma casuística do poder, em confronto com uma metafísica do poder. A primeira corresponde ao Macht, a segunda ao Herrschaft. Na casuística do poder, há a possibilidade de alguém impor a sua vontade mesmo contra a vontade de outro. Trata-se de um poder socialmente amorfo. Mas quem dispõe de casuística pode acabar por aceder à metafísica do poder. ÖMatefísica do poder
 
Cataláxia Hayek considera a existência de uma espécie de kosmos do mercado, orientado pela cataláxia, pela troca permanente de informação através da qual os objectivos dos indivíduos se ajustariam espontaneamente uns aos outros, pelo que qualquer intervenção do Estado nesse domínio introduz, com efeito, uma desordem em sentido cibernético nessa ordem auto‑regulada. O Estado, assim, apenas poderia criar o quadro jurídico a partir do qual é possível a difusão máxima da informação no seio da sociedade.
 
Catalunha (Catalunya) O nome vem-lhe dos visigodos, Gothalonia; ocupada pelos árabes em 720, foi, desde finais do século VIII, reconquistada pelos francos de Carlos Magno, passando a marca dentro do império franco; os finais do século X os condes da Catalunha, tornam-se independentes e resistem aos mouros. A Catalunha, juntamente com Aragão, nos séculos XII e XIII, chegou a constituir uma entidade política, incluindo as Baleares e Valência, que, nos séculos XIV e XV, chegou a estender-se à Sicília e à Sardenha, quando os catalães se assumiam como a primeira potência mediterrânica e até arrancaram ao império bizantino o ducado de Atenas. A partir de 1472 sucumbe ao unitarismo castelhano, apesar da frustrada revolta de 1640, contra Filipe IV, e da tentativa de apoio aos exércitos franceses na Guerra da Sucessão de Espanha. Em 1714, os Bourbons retiram-lhe os últimos privilégios. No século XIX a Catalunha renasce como nação cultural, por influxo do romantismo catalanista. Com a Esquerra republicana, em 14 de Abril de 1931, chega a proclamar-se uma República Catalã; em 1932 é criação da Generalitat de Catalunya; em Outubro de 1977, Tarradellas voltava à generalitat. Em Outubro de 1979, através de referendo, regressava-se à autonomia, ratificada pelas Cortes de Madrid em 11 de Janeiro de 1980; em 20 de Março de 1980 já era eleito o novo parlamento catalão e emergia o novo líder Jordi Pujol com a Convergência e União
 
Catarse Do gr. katharsis. O mesmo que purga, expressão que em sentido figurado significa libertação. Utilizada pela linguagem freudiana. O eliminar de emoções destrutivas, através da apreciação de uma experiência estética.
 
Catch-all party Classificação de ÚOtto Kircheimer, de 1966: depois da segunda guerra mundial, o velho partido burguês de representação individual tornou-se uma excepção. Mesmo que persista nalgumas espécies, já não determina a natureza do sistema de partidos. Da mesma forma, o partido de integração de massas, produto de uma época com clivagem de classes bem acentuada e com estruturas ideológicas mais avivadas, está em vias de se transformar num catch-all party. Abandonando qualquer ambição de enquadramento intelectual e moral das massas, volta-se mais plenamente para a cena eleitoral, procurando mudar uma acção em profundidade para uma audiência mais larga e um sucesso eleitoral mais imediato(RGS 514) O seu fundamento presumido é uma doutrina de unidade e de ambição nacionais, bastante vaga e bastante flexível para permitir as mais variadas interpretações, mas nem por isso menos atraente... para servir de ligação entre diversos grupos e entre indivíduos isolados. Abrange partidos da direita, do centro e da esquerda. Partidos de quadros e partidos de organização de massas passaram a partidos de integração de massas.
 
Catecismo da Igreja Católica, ed. port., Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1993.
 
Catecismo Revolucionário 1869  Obra escrita por Netchaev e Bakunine, na Suíça. Impressa em cifra, em carácteres latinos. Aí se declara que o revolucionário é um indivíduo marcado. Não tem interesses nem sentimentos pessoais, nem laços, nada que lhe seja particular, nem sequer o nome. Tudo nele é absorvido com vista a um único interesse, a um único pensamento, a uma única paixão: a Revolução. Netchaev levou à prática estas respectivas teorias, constituindo no Outono de 1869, em Moscovo, o grupo terrorista Narodnaya rasprava, organizado segundo o modelo de uma federação hierarquizada de células de cinco elementos.
 
Categoria Do gr. kategoria. Classe de objectos da mesma natureza ou classe de ideias. Aristóteles considerava a c. como cada um dos géneros mais gerais onde se colocam os objectos do pensamento. Inventaria dez categorias ou modos de ser (substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, posse, fazer e continuar), pela referência às quais, qualquer coisa individual pode ser discutida. Os lógicos medievais vão apenas utilizar as primeiras quatro. Para Eric Weil, o princípio organizador do discurso particular que desenvolve os conceitos (as categorias particulares) dum domínio.
 
Categórico O que afirma um atributo de maneira absoluta. ÖKant
 
Catlin, G., The Science and Method of Politics, Nova York, 1926.
A Study of the Principles of Politics, Nova York, Alfred A. Knopf, 1934.
 
Catolicismo sem Cristinismo Foi o que Aldous Huxley chamou ao positivismo de Comte, na fase posterir a 1845, quando ele pretende instaurar uma nova religião para a humanidade.
 
Catolicismo revolucionário Movimento político francês fundado por Buchez, que se distinguia do catolicismo social de Lammenais. ìBuchez.
 
Catolicismo social Movimento fundado por Lammenais, distinto do catolicismo revolucionário. ìLammenais.
 
Cathrein, Viktor (1845-1931) Jesuíta suíço-alemão. Um dos principais teóricos do neotomismo. Proclama que há um direito universal, necessário e imutável, produto da vontade racional divina que regula o mundo. O direito natural, considerado parcela da moral, não é perspectivado como mero ideal, dado constituir um ordenamento jurídico propriamente dito, pelo que qualquer direito positivo que o contrarie tem de ser considerado inválido. Se há um direito natural em sentido amplo, abrangendo todas as leis morais naturais que referem à conduta do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com os demais homens, há também um direito natural em sentido estrito, as leis morais naturais que se referem à vida social dos homens, prescrevendo a todos o dar a cada um o seu.
·Der Sozialismus
Friburgo, 1890
·Aufgaben der Staatsgewalt und ihre Grenzen
Friburgo, 1892
·Recht, Naturrecht und positives Recht
1901
·Die Katholische Weltanschauung
Friburgo, 1907
·Filosofia del Derecho. El Derecho Natural y el Positivo
1909. Trad. cast., de Alberto Jardon y César Barja, Madrid, Reus, 1941, 4ª ed., de acordo com a segunda edição alemã. Na primeira parte trata-se do objecto e método da investigação jurídico-filosófica; na segunda dos conceitos de direito e de justiça; na terceira, das fontes do direito.
· Moralphilosophie
1911
 
Católico O mesmo que universal, no sentido de segundo a totalidade ou segundo a integralidade
 
Catroga, Fernando de Almeida, Os inícios do positivismo em Portugal. O seu significado político-social, Coimbra, Instituto de História e Teoria das Ideias-Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1977.
 
Caucus  Termo de origem norte-americana, usado na Inglaterra a partir de 1868, visando qualificar um encontro privado dos membros de um partido político, visando o planeamento de uma determinada acção, nomeadamente para a escolha de delegados para um congresso partidário, pela harmonização de interesses e programas. Designa também na política norte-americana grupos oficiais ou informais do Congresso. Serve também para designar a influência de organizações secretas ou semi-secretas dentro de um sistema partidário. Historicamente, foi o nome dado aos comités de base. O primeiro terá surgido em 1868, em Birminghan, para as eleições locais. A partir de 1877 passou a aplicar-se às eleições nacionais, levando à vitória do liberal Gladstone contra o conservador Disraeli, destruindo o modelo de partidos de notáveis. Um dos impulsionadores do modelo foi Joseph Chamberlain. Tem um número limitado de membros, funciona numa área geográfica bem delimitada, coincidente com a circunscrição eleitoral, e visa a captação de eleitores. Apenas funciona durante o processo eleitoral e, face à direcção do partido, mantém autonomia, obedecendo aos princípios da descentralização. Distingue-se da chamada secção. O primeiro caucus chegou a mobilizar cerca de 10% dos eleitores. Surge assim a primeira máquina política não dirigida por parlamentares, como era timbre do anterior modelo de partido de notáveis, gerando a centralização do poder no chefe do partido, principalmente quando surgiu um modelo de democracia cesarista e plebiscitária e o consequente rebanho de votantes bem disciplinado, conforme a expressão de Max Weber. Deste modo, quando existe um chefe partidário todo poderoso com um poder de discurso demagógico, a máquina do caucus deixou de ter princípio algum e os parlamentares eleitos quase passaram a ser prebendados políticos que fazem parte do séquito do líder.
 
Caudilho A expressão começa por qualificar os chefes dos bandos cristãos, durante a Reconquista. Passa, depois, a qualificar os ditadores militares da América espanhola (caudillo) na sequência das guerras de independência sde 1810-1826. Estes chefes estão aliados aos haciendados. Destacam-se Diáz no México, entre 1876 e 1910 e Gómez na Venezuela, de 1908 a 1933. Franco qualificou-se como Caudillo de España por Gracia de Dios, quando teve de gerir uma monarquia sem rei.
 
Caupers, João, A Administração periférica do Estado. Estudo de Ciência Política, Lisboa, Aequitas/Editorial Notícias, 1994.
 
Causa Aquilo que faz com que uma coisa exista. Uma relação entre acontecimentos, processos ou entidades situadas na mesma série de tempo, pelo que, quando uma delas ocorre, a outra segue-se invariavelmente, havendo assim uma sequência. Quando a relação entre as sequências é concebida como necessária, surge o chamado determinismo radical (hard determinism). Quando essa relação é apenas vista como uma conjunção constante, há um determinismo moderado (soft determinism), assumido pelo positivismo. John Stuart Mill fala numa causalidade múltipla, definindo como tal the sume total of the conditions positive and negative taken together which beeing realized, the consequent invariabilly follows. De acordo com Aristóteles, há quatro causas: a eficiente (como um acto ou uma força), a material (a potência da matéria), a formal (alguma coisa direccionada face a um plano) e a final (alguma coisa iniciada por certa proposta ou fim) .
 
Causa Republicana (1954) Projectada organização da oposição, cuja constituição é requerida em Novembro de 1954 e indeferida em Junho de 1955 por despacho do ministro do interior.
 
Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos, 1871 No discurso de 27 de Maio de 1871, integrado nas Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos, falava com nostalgia do tempo medieval, dado que neste o instinto político de descentralização e federalismo patenteia-se na multiplicidade de reinos e condados soberanos, em que se divide a Península, como um protesto e uma vitória dos interesses e energias locais, contra a unidade uniforme, esmagadora e artificial, acrescentando que esse espírito não é só independente: é, quanto a época o comportava, singularmente democrático. Terminava, propondo: oponhamos à monarquia centralizada, uniforme e impotente, a federação republicana de todos os grupos autonómicos, de todas as vontades soberanas, alargando e renovando a vida municipal, dando-lhe um carácter radicalmente democrático, porque só ela é a base e o instrumento natural de todas as reformas práticas, populares, niveladoras.
 
Causalidade múltipla (Weber). Há sempre uma causalidade múltipla, uma constelação causal que vai mudando conforme as circunstâncias, bem como uma causalidade adequada a um homem que age em função de fins, que é marcado pela força histórica das ideias. Neste sentido, porque todas as sociedades são culturas, importa proceder a uma análise profunda dos valores adoptados, dos valores afirmados ou realizados pelo homem, bem como reconhecer a diversidade e a individualidade de cada sociedade e a contingência do tecido histórico
 
Cavalcanti, Pedro, Piccone, Paolo, Um outro marxismo. António Gramsci, Lisboa, Livraria Arcádia, 1976.
 
Cavalcanti, Temístocles Brandão Jurista brasileiro.
·Instituições de Direito Administrativo Brasileiro
Rio de Janeiro, 1936.
·Introdução à Ciência Política
Rio de Janeiro, s. d.
 
Cavalheiro, Rodrigues (n. 1902 António Rodrigues Cavalheiro. Historiador português, divulgador do Integralismo Lusitano e apoiante do salazarismo, depois de abandonar o nacional-sindicalismo. Licenciado em ciências histórico-geográficas. Professor do ensino liceal. Dirigiu os serviços culturais da Câmara Municipal de Lisboa a partir de 1932. Deputado salazarista em 1942. Procurador à Câmara Corporativa a partir de 1961.
·D. Carlos e o Brasil
1957.
·Homens e Ideias
Lisboa, Livraria Sam Carlos, 1960
·Política e História
Lisboa, 1960.
·A Evolução Espiritual de Ramalho
Lisboa, 1962.
·Por que se fez o 28 de Maio
In Sulco, nº 7, Maio-Junho de 1966, pp. 969-1007.
·D. Manuel II e João Franco. Correspondência Inédita
Lisboa, 1967
 
Cavalli, L., La Democrazia Manipolata, Milão, 1965.
 
Cavarozzi, M., Autoritarismo y Democracia (1955-1983), Buenos Aires, Centro Editor de America Latina, 1983.
 
Cavour, Camillo Benso, Conde de (1810-1861) Primeiro-ministro do Piemonte a partir de 1852, responsável pela ligação da Casa de Sabóia aos partidários de Mazzini, constituindo, assim, a aliança básica que permite a unificação italiana. Em 1847 funda, com Cesare Balbo, o jornal Il Risorgimento, defensor da instauração de uma monarquia constitucional em Itália.
 
Cawson, Alan Teórico britânico do neocorporatism. Propõe que se distinga, no plano da regulação dos conflitos económicos e sociais efectuada pelo Estado, um macrocorporatismo, referente à actuação das organizações sindicais e patronais, um mesocorporatismo, que diz respeito, não a todos, mas apenas a determinados sectores económicos ou sociais, como, por exemplo, a agricultura e a saúde, e um microcorporatismo, que apenas diz respeito às relações a nível de uma única empresa.
·Corporatism and Welfare. Social Policy and State Intervention in Britain, Londres, Heinemann Books, 1982.
·Organized Interests and the State. Studies in Mesocorporatism, Londres, Sage, 1985.
·Corporatism and Political Theory, Oxford, Basil Blackwell Publishers, 1986.
 
Cayrol, R., La Nouvelle Communication Politique, Paris, Éditions Larousse, 1986.
 
Cazeneuve, Jean (n. 1915), La Societé de l’Ubiquité, Paris, Éditions Denoël, 1972. L’Homme Tléspectateur, 1974; Sociologie de la Radio-Télévision, 6ª ed., Paris, Presses Universitaires de France, 1986; Les Hazards d’une Vie, 1989; La Personne et la Societé, 1995; L’Avenir de la Morale, 1998.