Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: C/Cr
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                © José Adelino Maltez. Última revisão em: 03-01-2004
 

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Lista de artigos

Artigos em grosso
Cracia Cracóvia, República de () Cranston, Maurice
Cratologia Crawford, A.Crenshaw, MarthaCrepaz, Markus M. L.Crespigny, Anthony
Crespo, Manuel Pereira (n. 1911) Creta Crewe, IvorCriatividade e ordemCrick, Bernard
Crimeia () Crimes de Guerra Crise Crise das Ciências Empíricas e Fenomenologia Transcendental 1935 Crise do Estado Soberano Crise e EstadoCrise financeira de 1896 Crises of the Republic 1969
Crisóstomo , João Cristianização da política
Crispi, Francesco 1819-1901 Croácia Hrvatska Croce, BenedettoCroisat, MauriceCromwell, OliverCropsey, JosephCrosland, Charles Anthony 1918-1977
Crossman, Richard Howard Stafford (n. 1907) Crotty, W. J.
Crozier, Brian
Crozier, Michel n. 1922
Cruz, Guilherme Braga daCruz, Manuel Braga
Cruz, SebastiãoCruzada Nun’Álvares (1918) Cuba Cubertafond, AlainCuénot, ClaudeCUF Culler, J.Culto da PersonalidadeCulturaCultura política Cultura Cultura e civilizaçãoCultural (the) Contradictions of Capitalism 1976 Cumberland, Richard
 
Cracia Sufixo de origem grega, derivado de um verbo que queria dizer dominar ou exercer o poder pela força. Difere etimologicamente do sufixo arquia, originário do verbo grego archein, que significa ser o primeiro, estar à frente, no sentido de comandar e começar, de desencadear um processo, dando o exemplo. A cracia tem a ver com a potentia dos romanos, enquanto a arquia se aproxima mais da potestas e, sobretudo, da auctoritas.
 
Cracóvia, República de (Krakow) Pequena república independente criada em 1815 até 1846, quando voltou a ser incorporada na Áustria. Ver Galícia
 
Cranston, Maurice
1953
Freedom. A New Analysis
 
Londres, Longmans, Green
 
Cratologia A ciência que trata da cracia, do exercício do poder pela força.
 
Crawford, A., Thunder on the Right. The “New Right” and the Politics of Resentment, Nova York, Pantheon Books, 1980.
 
Crenshaw, Martha, Terrorism, Legitimacy and Power, Middletown, Wesleyan University Press, 1983.
 
Crepaz, Markus M. L., «Corporatism in Decline? An Empirical Analysis of the Impact of Corporatism on Macroeconomic performance and Industrial Disputes in 18 Industrialized Democracies», in Comparative Political Studies, n.º 25, pp. 139-168, 1992.
 

Crespigny, Anthony, Minogue, Kenneth, eds., Contemporary Political Philosophy, Nova York, Dodd, Mead & Co., 1975 [trad. port. Filosofia Política Contemporânea, 2ª ed., Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1982].
 
Crespo, Manuel Pereira (n. 1911) Último ministro da marinha do regime da Constituição de 1933, servindo com Salazar e Marcello Caetano, desde 1968 a 1974. Publica em 1977 pela editora Abril de Martinho Simoões o livro Porque Perdemos a Guerra.
 
Creta Krete A ilha foi uma possessão bizantina, árabe (desde 827) e veneziana (desde 1210); foi depois ocupada pelos turcos de 1669 a 1898. Participa na guerra da independência grega, mas é conquistada pelo pachá do Egipto que a restituiu aos turcos em 1841; revolta em 1866, leva a um regime de autonomia; nova revolta em 1896-1897; depois desta, apesar da derrota dos gregos, os turcos foram obrigados pelas potências a evacuar a ilha em 1898; a ligação à Grécia, proclamada em 1908, apenas se tornou efectiva em 1913
 
Crewe, Ivor, Budge, Ian, Farlie, D., Party Identification and Beyond. Representation of Voting and Party Competition, Londres, John Wiley & Sons, 1976.
 
CriacionismoÖCoimbra, Leonardo
 
Criatividade e ordem Para Martin Buber, "a criatividade e a ordem, o povo e o Estado fundem‑se numa unidade nova a Gemeinschaft da salvação"
 
Crick, Bernard Considera que só há política quando se atinge um sistema político estável marcado pelas seguintes características: uma sociedade que reconheça ser complexa, composta de indivíduos e onde existam instituições representativas; onde a elite governante não exclua a participação política de outras grupos; onde exista uma classe média considerável; onde o governo exerça uma actividade predominantemente secular; onde o conflito social seja admitido como normal e institucionalizado; onde o crescimento económico não crie extremos de riqueza; onde a sociedade possa defender-se de forma normal, pelos meios diplomáticos e militares, mas onde também possa controlar os seus militares; onde haja uma tradição de especulação política, levando a que a elite governante tenha o desejo de actuar politicamente
 
"o empirismo e o behaviorismo chegam a um grau altamente satisfatório, quando existe uma ordem estabelecida". Tendem, com efeito, a transformar os factos analisados num conjunto estático de factos consumados
 
1959
The American Science of Politics. Its Origins and Conditions
 
Londres, Routledge &Kegan Paul/ Berkeley, University of California Press
1964
In Defence of Politics
 
Harmondsworth, Penguin Books
Tad. port. Em Defesa da Política, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1981
1970
The Reform of Parliament
 
Londres, Weidenfeld and Nicholson
1987
Socialism
 
Minneapolis, University of Minnesota Press
Tad. port. O Socialismo, Lisboa, Editorial Estampa, 1988
1991
National Identities. The Constitution of the United Kingdom
 
Oxford, Basil Blackwell Publishers
 
 
Crimeia (Krim) Possessão bizantina até ao século XIII; teve alguns estabelecimentos genoveses até 1475, quando passou para a dominação dos tátaros que, em 1478, se tornaram vassalos dos otomanos; anexada pela Rússia em 1783; em 1954 foi incluída na Ucrânia, apesar da maioria da população ser russa. A Crimeia foi república autónoma da Rússia entre 18 de Outubro de 1921 e 25 de Junho de 1946, sendo nesta data transformada em simples região; em 1944, garnde parte da população tátara da península, foi deportada por Estaline para a Ásia Central, acusada de colaboracionismo com os alemães
 
 
Crimes de Guerra Pelo tratado de Londres de 8 de Agosto de 1945, subscrito pelos Estados Unidos, pela URSS, o Reino Unido e a França, é instituído um tribunal internacional internacional para o julgamento dos maiores criminosos de guerra na Europa. O processo, dito de Nuremberga, começa em 20 de Novembro de 1945, havendo vinte e dois acusados. O mesmo modelo foi seguido no Extremo Oriente a partir de 19 de Janeiro de 1946, com vinte e cinco acusados.
 
Crise Do grego krisis, acção de separar, de romper, bem como a ideia de julgar, de discernir o bem do mal, o falso do verdadeiro. O mesmo nome grego tanto deu crise, quando é objectiva colectivamente assumido, tendo mais a ver com ruptura do que com julgamento (kritérion), como crítica, a atitude individual, ou subjectiva, de separação, mais próxima da ideia de julgamento. No entanto, em Aristóteles, krinein era uma das formas de decisão que caracterizavam a cidadania, ao lado de kratein, governar. Em qualquer circunstância, a crise aparece sempre disfarçada de crítica, porque o julgamento tem sempre tendência para ser polémica, guerra (polemos), luta pela existência e, consequentemente, luta pelo poder. Crise, em sentido etimológico, tem, assim, a ver com juízo, entendido como decisão final de um processo, num sentido mais amplo do que aquele que tem sido adoptado pela medicina e pela ciência da estratégia, as quais restringem a ideia de crise àquele momento de viragem em que tem lugar a decisão fundamental sobre a vida ou a morte, ou sobre a vitória ou a derrota. Assim, dizer crise também não significa defendermos a perspectiva positivista de Saint Simon e de Comte, para quem as épocas críticas se oporiam às épocas orgânicas, isto é, àquelas que assentam num sistema de crenças bem estabelecidas e que se desenvolvem de acordo com uma hierarquia sistémica
 
Crise das Ciências Empíricas e Fenomenologia Transcendental 1935 Die Krisis der europischen Wissenschaften und die Transzendentale Phnomenologie, 1935-1936. Célebre conferência proferida por Edmund Husserl em Viena, onde considera que a crise provém do triunfo do positivismo e do cientismo, os quais, marcados pelo formalismo e pelo objectivismo, coisificaram o homem, enredando-o no mundo da matemática aplicada. a crise contemporânea provinha de um triunfo do positivismo e do cientismo, do "formalismo objectivista", que nos transformou num mundo de matemática aplicada, onde os excessos racionalistas coisificaram o homem e as suas obras, ao dissolverem a cultura no natural.
 
Crise do Estado Soberano Está em crise o modelo de Estado que, de cima para baixo, do soberano para os súbditos, pretendia construir uma nação. Está em crise o modelo de construção do político onde se dá o primado do poder sobre a liberdade, o predomínio do Estado-aparelho-de-poder sobre o Estado-comunidade, do principe sobre a república. Utilizando as categorias de Maquiavel, diremos que estão em crise os principados, não estão em crise as repúblicas. Mas, se utilizarmos termos paralelos, diremos que estão em crise os soberanos, mas não estão em crise as nações Está em crise aquele modelo absolutista do político que continua o processo dos déspotas esclarecidos, como Luís XIV, Frederico o Grande da Prússia, Pedro o Grande da Rússia ou o nosso Marquês de Pombal. O modelo que permaneceu e se reforçou com o Estado jacobino da Revolução Francesa, principalmente de 1792 a 1796, constituindo um dos primeiros modelos de um Estado terrorista que é continuado por Napoleão, Lenine, Mussolini, Hitler, Estaline, Mao ou Pol Pot. Esse que tratou de executar adversários pela simples razão de pertencerem a um grupo diferente, considerado como contra-revolucionário, esse que reinventou o delito de opinião e que aumentou a massa dos prisioneiros de consciência; esse que praticou massivamente o genocídio; esse que utilizou como forma de governar a confiscação e que transformou o cidadão em carne para canhão. Está em causa o modelo de Estado que tentou praticar a engenharia social  para a construção de um homem novo. Está em crise o poder, não está em crise a liberdade. O poder nasceu para se discutir, a liberdade para o discutir. Como dizia Hannah Arendt, enquanto a independência nacional, ou seja, a isenção de dominação estrangeira, e a soberania do Estado, ou seja, a pretensão de total e ilimitado poder nas relações externas, estiverem identificadas. Julgamos não estar em crise o modelo de nação-Estado, isto é, da nação que pretende resistir como polis ou da nação que pretende autodeterminar-se. Aquele modelo que, em nome do small is beautiful, pretende que, a cada nação, corresponda um Estado, que o universal possa atingir-se através da diferença., 90, 597
 
Crise e Estado Stéphanne Rials considera que o Estado, porque é racionalidade, se confunde com a própria ideia de crise: de uma maneira estrutural, o Estado é intrínsecamente crise.. a acracterística do estado que aparece e se desenvolve ao mesmo tempo que a consciência histórica, é a de gerir as crises de modo dinâmico. E isto porque na vida do Estado o normal é não haver normalizações de comportamentos sociais, tal como na história nada se repete e tudo se transformar num processo que é sempre encadeamento de processos. Considera assim que o Estado é o lugar onde a sociedade se reflecte, se mediatiza, se pensa, se torna a instância onde se têm de regular o conjunto das crises e das tensões da sociedade.
 
Crise financeira de 1896 Começa na praça do Porto em 4 de Agosto de 1896, quando, devido ao jogo dos fundos espanhóis, o Banco do Porto e o Banco Comercial de Viana se tornam insolventes. No dia 18, a chamada sexta feira negra, corrida aos bancos em geral e suspensão de pagamentos.
 
Crise da legitimação ìLegitimação.
 
Crises of the Republic 1969 Hannah Arendt reuniu três ensaios: A mentira na política; Desobediência civil e Da Violência, acrescentando-lhe Reflexões sobre política e revolução. O primeiro ensaio é uma análise critica dos chamados Documentos do Pentágono, ou a história do processo norte-americano para a tomada de decisões em política vietnamita, encomendados por Robert McNamara em 1967. Considera-os como embuste, auto-embuste, construção de imagem, ideologismo e desfactualização. No segundo ensaio, analisam-se os movimentos de desobediência civil norte-americanos da segunda metade dos anos sessenta, invocam-se as teses de Sócrates e de Thoreau e assume-se a necessidade do regresso a uma visão horizontalista da república norte-americano conforme as perspectivas dos pais-fundadores desembarcados com a Mayflower. Invoca-se a perspectiva do contrato social de John Locke, diverso da perspectiva teocrática do convénio bíblico e da tese verticalista de Hobbes. O contrato social de Locke guia não o governo, mas a sociedade, entendida como aliança. Tal contrato, se limita o poder de cada indivíduo, deixa intacto o poder da sociedade e o governo estabelece-se sobre o firme terreno de um contrato original entre indivíduos independentes. Assenta na reciprocidade, na força das promessas mútuas, pelo que a sociedade permanece intacta mesmo que o governo seja dissolvido. O governo recebe assim a sua força de um consentimento tácito geral e em vez de intimidar todos, une a todos. Há um conteúdo moral deste consentimento, assente no princípio do pacta sunt servanda. Critica o soberanismo, distingue poder e violência, defendendo o federalismo.
 
 
 
Crisóstomo de Abreu e Sousa, João Militar, membro da Liga Liberal. Chefe do governo de 14 de Outubro de 1890 a 17 de Janeiro de 1892, acumulando a pasta da guerra (governo extrapartidário)
 
Cristianismo como democracia espiritual SARDINHA
 
Cristianização da política Foi o que São Tomás de Aquino fez quando adaptou Aristóteles ao cristianismo.
 
 
Crispi, Francesco 1819-1901 Primeiro ministro italiano em 1887-1891 e 1893-1896. Siciliano, seguidor de Mazzini e de Garibaldi, foi o primeiro sulista a tornar-se num homem forte de Itália. Reprime as revoltas populares da Sicília em 1894.
 
Crítica, Escola ÖFrankfurt, Escola de
 
Critique de la Raison Politique ÖDebray, Régis
 
Croácia Hrvatska 56 538 km2 e 4 500 000 habitantes; 18% de sérvios e 75% de croatas. Surgiu no século IX um ducado croata que, em 925, se tornou num reino independente. Integrada no reino da Hungria desde 1102 até 1918, apesar de algumas ocupações de turcos (1526-1699) e franceses (1898-1813) e de uma anexação à Áustria (1849-1868). A partir de 1848 emerge um nacionalismo croata, com Josip Jelacic que se assume contra os secessionistas húngaros, aliando-se objectivamente aos interesses austríacos. Depois do Compromisso de 1867, que fez nascer a monarquia dualista austro-húngara, os croatas continuaram incluídos na parte húngara; obtêm autonomia em 1868, nos domínios da segurança interna, da justiça, da instrução pública e da agricultura, quando se estabeleceu um dualismo no seio do próprio reino da Hungria. Se uma parte dos croatas defende o desenvolvimento desta autonomia, surge um novo grupo defensor da criação de um novo Estado para todos os eslavos do sul, sob direcção croata; durante a Grande Guerra este último grupo alia-se aos sérvios e está na base da declaração de Corfu de 20 de Julho de 1917, donde vai resultar o aparecimento em Dezembro de 1918 do reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, a futura Jugoslávia; mantém-se contudo uma oposição nacionalista croata, sob a direcção do partido camponês de Stefan Radich, assassinado em 1928, e com uma organização clandestina, os Ustaquis ( em croata, os insurrectos que tinham como divisa svoboda ili smert, isto é, liberdade ou morte), de carácter terrorista, que chega a assassinar em 1934 o rei Alexandre I, em Marselha. Em 10 de Abril de 1941, depois da ocupação nazi, foi proclamada em Zagreb a independência da Croácia, formalmente um reino com um príncipe italiano da casa da Sabóia-Aosta, o duque de Spoleto, mas de facto dirigido pelo chefe dos ustaquis, Ante Pavelic (1889-1959), com o título de poglavnik; este novo Estado integrava a Eslovénia, uma parte da Dalmácia. Em 1946, com a subida ao poder do croata Tito, a Croácia tornou-se numa república autónoma no seio da federação jugoslava. Declarou a independência em 25 de Junho de 1991, depois da decomposição do regime titista; reconhecida pela CEE em 15 de Janeiro de 1992.
 
 
 
Croce, Benedetto (1866-1952) Filósofo italiano, por duas vezes ministro da educação, antes de 1922 e depois de 1945. Estuda em Roma. Influenciado por Bertrando Spaventa (1817-1883) donde recebe o positivismo, assume-se como discípulo de Labriola. Edita a partir de 1903 em Nápoles a revista La Critica. Senador a partir de 1910. Ministro da educação em 1920-1921. Começa por adoptar o marxismo de Antonio Labriola, em, logo adere às novas facetas do hegelianismo, depois de contactar com a obra de Gentile. Ligado à nebulosa fascista nas origens do movimento, assume-se como um dos seus principais opositores. Depois de Gentile promover um Manifesto dos Intelectuais Fascistas, Croce responde ao seu antigo companheiro com um Manifesto dos Intelectuais Antifascistas, surgido no dia 1 de Maio de 1925. A partir de então assume-se como espiritualista e defensor do historicismo absoluto, também dito idealismo realista, considerando que a realidade é o Espírito concebido dialecticamente. Entende, deste modo, que há não só uma dialéctica de opostos como também uma dialéctica de distintos. Na primeira, o positivo só tem vida triunfando sobre o negativo (caso do bem e do mal ou do verdadeiro e do falso); na segunda, cada termo não anula o outro, podendo os dois harmonizar‑se (caso do belo e verdadeiro ou do útil e bom). Daqui deriva uma concepção de graus do espírito. Dois graus teóricos (a intuição e o conceito) e dois graus práticos (a volição do individual e a volição do universal) que correspondem a quatro formas fundamentais de espírito: a artística, a filosófica, a económica (a economia como volição do individual é actividade espiritual) e a ética (como volição do universal). O espírito tem, assim, circularidade dado que todas as formas estão numa situação de unidade‑distinção, todas se implicam umas às outras. Isto é, em vez da síntese dos contrários, advoga a síntese das diferenças, dado considerar que o devir não é linear, mas circular, salientando a existência de um devir cósmico, considerado um aspecto multiforme de uma só realidade, a do espírito. Em Riduzione della Filosofia del Diritto alla Filosofia dell’Economia, de 1907, considera que o direito, enquanto actividade volitiva, pertence à esfera prática, pelo que não tem carácter ético, devendo integrar-se na economia. O direito, marcado pela utilidade, corresponde assim ao momento económico do espírito, porque a vontade jurídica tem um fim genericamente não universal, mas, nem por isso, necessariamente egoístico ou imoral. O complexo pensamento de Croce aspira, com efeito, a uma espécie de religião laica. Contudo, no final da vida, em 1952, com Estudos sobre Hegel, parece aderir ao neo‑kantianismo, afirmando a dualidade entre o real e o racional, bem como entre o sein e o sollen.
 
Também para Benedecto Croce, na sua fase fascista, o Estado "não é simples relação utilitária, síntese de força e consentimento, de autoridade e liberdade, mas encarnação do ethos humano e, portanto, Estado Ético ou, como dizem outros, Estado de Cultura". O Estado é ideia e realidade económica. É ordo idearum e ordo rerum, dado que segundo os conceitos do mesmo autor a acção estatal, a acção económica e a acção política constituem sinónimos.
Considera também que "a soberania numa relação não é de nenhum dos seus componentes tomados isoladamente, mas da própria relação... verdadeiramente quando se vê um obrigado a determiná‑la com alguma coisa que supere e domine a mesma relação, tentou responder‑se que o soberano é Deus, a ideia ou a história".
 
 
 
·La storia ridotta sotto il concetto generale dell'arte
1893.
·Materialismo Storico ed Economia Marxista,
1900.
·Filosofia dello Spirito. I Estetica come Scienza dell Espressione e Linguistica Generale
1902.
·Riduzione della Filosofia del Diritto alla Filosofia dell’Economia
1907.
·Ciò qui è Vivo é Morto della Filosofia di Hegel
Bari, 1907.
·Filosofia dello Spirito. II Logica como Scienza del Concetto Puro
1909.
·Filosofia dello Spirito. III Filosofia della Pratica
1909 (aborda aqui a problemática de Le Leggi).
·Filosofia dello Spirito. IV Teoria e Storia della Storiografia
1917.
·Contributo alla critica di me stesso
1918.
·Elementi di Politica
Bari, 1925.
·Aspetti Morali della Vita Politica
Bari, 1925.
·Etica e Politica
Bari, 1931
·Storia d'Europa
1932.
·Piccoli saggi di Filosofia Politica
1934.
·La Storia como Pensiere e como Azione,
Bari, Laterza, 1938.
·Filosofia e Storiografia
1949.
Li caarattere della filosofia moderna (1940)
Discorsi de varia filosofia (1945)
Indagini su Hegel e schiarimenti filosofici (1952)
 
4Gramsci, Antonio, Il Materialismo Storico e la Filosofia de B. Croce, Turim, Edizioni Einaudi, 1949.
 
Croisat, Maurice, Le Fédéralisme dans les Démocraties Contemporaines, 2ª ed., Paris, Éditions Montchrestien, 1992.
 
 Cromwell, Oliver (1599-1658) Político britânico, criador do primeiro grande Estado Totalitário do Ocidente, a república dos santos. Deputado por Cambridge do Long Parliament em 1640. Toma o poder em 1645. Condena o rei Carlos V à morte em 1649. Subjuga a Escócia e a Irlanda. Dissolve o parlamento em 1653 e assume a ditadura com o título de Lord Protector and Head of State.
  
Cropsey, Joseph Ph.D., Columbia, 1952. Historiador da filosofia política. Autor de Political Philosophy and the Issues of Politics e co-editor, com Leo Strauss de History of Political Philosophy.
 
Crosland, Charles Anthony 1918-1977 Ministro do governo trabalhista britânico nos anos sessenta e setenta. Adepto das teses do revisionismo bernsteiniano, acabou por tentar o socialismo com as teses de John Rawls. Em 1956 defende uma sociedade na qual a propriedade é mista - uma sociedade com uma estrutura da propriedade diversificada, difusa, pluralista, heterogénea, com o Estado, as empresas nacionalizadas, as cooperativas, os sindicatos, as instituições financeiras, governamentais, os fundos de reforma, as fundações, os milhões de patrimónios privados.
·Britain’s Economic Problem (1953).
·The Future of Socialism, Londres, 1956.
·Socialism Now (1974).
 
4Bergounioux, Alain, «Théorie et Pratique de la Social-Démocratie», apud Ory, Pascal, op. cit., pp. 584 segs..
 
 
Crossman, Richard Howard Stafford (n. 1907) Deputado desde 1945. Pertenceà ala esquerda dos trabalhistas. Refere que "a maior parte dos debates fúteis com que gastamos o nosso tempo deve‑se principalmente ao facto de cada um ter as suas próprias e vagas significações das palavras que usa e admitir que os oponentes as usem com os mesmos sentidos. Se começarmos por definir os nossos termos, teremos discussões muitissimo mais proveitosas. Mais ainda, basta‑nos ler os jornais diários para observar que a propaganda (a moderna réplica da retórica) depende amplamente, para o seu sucesso, de confundir o significado dos vocábulos. Se os políticos fossem compelidos por lei a definir qualquer termo que desejassem usar perderiam muito a sua popularidade, os seus discursos seriam mais curtos e verificar‑se‑ia que muitas das suas divergências eram puramente verbais".
·Government and the Governed
 Londres, 1958, 4ªed..
·Plato To-Day
Londres, 1959, 2ª ed.
·Biografía del Estado Moderno
Trad. cast., México, Fondo de Cultura Económica, 1965.
 
Crotty, W. J.
·Comparative Politics and the Study of Party Organization
Boston, Allyn & Bacon, 1968.
·Com Golembiewski, R. T., Welsch, W. A., A Methodological Primer for Political Scientists, Chicago, Rand MacNally & Co., 1969.
·Political Science. Looking to the Future, Evanston, Northwestern University, 1991.
 
Crozier, Brian, A Theory of Conflict, Londres, Hamish Hamilton, 1974.
 
Crozier, Michel n. 1922 Assumindo a herança do sistemismo e da teoria dos jogos, apela à análise estratégica e ao raciocínio sistémico, dado que só a verificação estratégica impediria que o sistémico permanecesse especulativo, enquanto o ingrediente sistémico evitaria que o estratégico se tornasse determinista.
falar na organização como um conjunto de jogos articulados uns com os outros, referindo que é a estruturação do campo que oferece constrangimento e recursos a partir dos quais os membros de uma célula elaboram o jogo que constituirá o seu governo.
faz apelo à análise estratégica e ao raciocínio sistémico, dado que só a verificação estratégica impediria que o sistémico permanecesse especulativo, enquanto o ingrediente sistémico evitaria que o estratégico se tornasse determinista.
o poder político como uma relação de negociação e de troca, onde, como diz Michel Crozier, o poder de A sobre B corresponde à capacidade de A para obter que, na sua negociação com B, os termos de troca lhe sejam favoráveis
·Le Phénomène Bureaucratique
Paris, Éditions du Seuil, 1962.
·La Societé Bloquée
Paris, Éditions du Seuil, 1971.
·The Crisis of Democracy
Nova York, New York University Press, 1975. Com Samuel P. Huntington e Joji Watanuki.
·L’Acteur et le Système. Les Contraintes de l’Action Colective
Paris, Éditions du Seuil, 1977. Com Ehrard Friedberg.
·On ne Change pas la Societé par Décret
Paris, Éditions Bernard Grasset, 1979.
·État Modeste, État Moderne. Stratégies pour un Autre Changement
Paris, Librairie Arthème Fayard, 1987.
 
 
 
Cruz, Guilherme Braga da (n. 1916). Professor de História do Direito em Coimbra. Reitor da Universidade. Licenciado em 1937. Doutor em 1941. Professor catedrático desde 1948. Director da Faculdade de Direito de Coimbra de 1958 a 1961. Procurador À Câmara Corporativa de 1953 a 1962. Vogal da Junta Nacional de Educação. Membro da Comissão Redactora do Código Civil.
·O Direito de Troncalidade e o Regime Jurídico do Património Familiar, Braga, 1941-1947, dois tomos (dissertação de doutoramento).
Paris, Librairie Plon, 1972.
Formação Histórica do Moderno Direito Privado Português e Brasileiro
Braga, 1955
A Revista de Legislação e Jurisprudência. Esboço da sua História
Coimbra, Coimbra Editora, 2 vols., 1975
 
Cruz, Manuel Braga
·As Origens da Democracia Cristã e o Salazarismo
Lisboa, Editorial Presença/Gabinete de Investigações Sociais, 1980.
·«O Integralismo Lusitano nas Origens do Salazarismo»
In Revista Análise Social, vol. XVIII, pp. 177 segs., Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 1982.
·«Para uma Caracterização Política do Salazarismo»,
In Revista Análise Social, vol. XVIII, pp. 773 segs., Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 1982.
·«A Oposição Eleitoral ao Salazarismo»
In Revista de História das Ideias, vol. I, Lisboa, 1983.
·«A Revolução Nacional de 1926. Da Ditadura Militar ao Estado Novo»
In Revista de História das Ideias, vol. VI, Lisboa, 1985.
·Teorias Sociológicas
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1984.
·«Os Monárquicos e o Estado Novo de Salazar»
In Ler História, Lisboa, 1985.
·Monárquicos e Republicanos no Estado Novo
Lisboa, 1986.
·O Partido e o Estado no Salazarismo
[1ª ed., 1986] (dissertação de doutoramento), Lisboa, Editorial Presença/Gabinete de Investigações Sociais, 1988.
·«Introdução e Desenvolvimento da Ciência Política nas Universidades Portuguesas»
In Revista de Ciência Política, n. º 2, pp. 5 segs., Lisboa, 1985. Com Manuel Lucena [tb. in Cruz, Manuel Braga, Instituições Políticas e Processos Sociais, Amadora, Livraria Bertrand, 1995, pp. 19-106].
·Instituições Políticas e Processos Sociais
madora, Livraria Bertrand, 1995.
 
Cruz, Sebastião, Direito Romano I. Introdução e Fontes, 3ª ed., Coimbra, 1980.
 
Cruzada Nun’Álvares (1918) A reunião preparatória do movimento ocorre em 11 de Julho de 1918, na Liga Naval, numa sessão promovida pelo capitão João Afonso Miranda. A fundação do grupo data de 18 de Julho. O movimento está implicado no golpe de 18 de Abril de 1925, quando invoca como modelo o regime ditatorial espanhol de Miguel Primo de Rivera. É da iniciativa do movimento a construção da Igreja do Santo Condestável em 1934. Em 1936 passa a presidir à direcção do movimento o general Farinha Beirão comandante da GNR.