Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: C/Cu
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                © José Adelino Maltez. Última revisão em: 01-01-2004
 

[A] [B] [C] [D] [E] [F] [G] [H] [I] [J] [K] [L] [M] [N] [O] [P] [Q] [R] [S] [T] [U] [V] [X] [W] [Y] [Z]

 

Lista de artigos

Artigos em grosso

Cunha Cunha, Augusto José da (1834-1919)

Cunha e Meneses, D. Carlos da (1759-1825)

Cunha, Euclides

Cunha, Francisco Maria Dias da (1832-1909)

Cunha, João Gualberto de Barros e

Cunha, Joaquim da Luz

Cunha, Joaquim Moreira da Silva

Cunha, D. Luís da

Cunha, Paulo Arsénio Viríssimo n. 1908

Cunha, Paulo Ferreira

Cunha, Silvério Ribeiro da Rocha e

Cunhal, Álvaro n. 1913

Cupertino de Miranda, Grupo
Curcio, Carlo
Curdistão
Cúria

Cúria Régia

Curialismo

Curlândia

Curry, R. L.
Curso Superior de Letras

Curson, António Augusto
Curtis, Michael R.
Curto, António Duarte Ramada

Curto, A. S. Ramada (1886-1961) 

Curto, Diogo Ramada
Cusa, Nicolau de

Correia, Natália

 
Cuba República das Antilhas. 110 861 km2. 11 100 000 habitantes. Antiga colónia espanhola que não alinha nos movimentos independentistas dos anos vinte do século XIX, temendo o exemplo haitiano, onde aconteceu uma revolta dos escravos negros. Só a partir de meados do século XIX se inciam movimentos de revolta, tendo como modelo o Texas, que se separou do México e aderiu à União Americana. Por isso é que ainda hoje a bandeira cubana adopta a primeira bandeira taxana. A primeira revolta de 1868-1878 é esmagada. Na segunda, de 1895, destaca-se José Martí. Segue-se a guerra hispano-americana, terminada em 1898 com intervenção de tropas norte-americanas e a derrota dos espanhóis. Desde então até 1901, a ilha torna-se num protectorado de Washington, alcançando a independência em 1902, mas condicionada à chamada emenda Platt, que, além de garantir a base de Guantanamo, estabelece um direito de intervenção. De 1925 a 1933 destaca-se a ditadura do general Gerardo Machado. A partir de 1933 até 1959, a figura chave da vida cuba é o general Fulgencio Batista, primeiro como comandante da Guarda Nacional e depois como ditador (1934). Em 1940 é eleito presidente da república com apoio das forças de esquerda, nomeadamente dos comunistas que em 1942 passam a ter dois ministros no governo. O próprio partido muda de nome em 1944, designando-se desde então Partido Socialista Popular, com o dirigente Escalante a associar-se a Batista. Nesse ano, presidente abandona o poder por imperativo constitucional, regressando em Março de 1952, depois de um golpe de Estado. Na oposição, destaca-se então um partido de extrema-direita, o Partido Ortodoxo, sob a liderança do jovem advogado, educado pelos jesuítas, Fidel de Castro. É este que em 26 de Julho de 1953 promove o ataque ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba. Preso e julgado, editando a sua defesa com o título A História me Absolverá, é amnistiado no ano seguinte, refugiando-se no México. Em Dezembro de 1956, desembarca e instala um foco de guerrilha na Sierra Maestra, donde também emite a Radio Rebelde, com ampla cobertura mediática de jornalistas norte-americanos. Assume o combate à corrupção e luta contra o domínio dos grandes proprietários, ao lado do esforço dos partidos de direita e dos próprios norte-americanos que decretam um embargo ao regime de Batista. Este abandona o poder e foge de Havana no dia 1 de Janeiro de 1959, precedendo a entrada na capital dos guerrilheiros barbudos de Fidel, em torno de um Movimento de que apenas faz parte o comunista Ernesto Che Guevara. O novo regime é entretanto abalado pelo desembarque na Baía dos Porcos, em 16 de Abril de 1961. A partir de então, Fidel declara-se marxista-lenista com o Partido Único da Revolução Socialista e alinha com a União Soviética. Em Outubro de 1962 desencadeia-se a crise dos mísseis. Em 1964 decreta-se o bloqueio norte-americano. Em 1965, Che Guevara parte para a organização de guerrilhas comunistas na América do Sul, sendo morto na Bolívia em Outubro de 1967. Em Janieor de 1967, a Conferência Intercontinental de Havan. Em 1970 falha a campanha para a duplicação da produção de açúcar. Só em 1975 é que surge o primeiro congresso do partido Comunista Cubano. No ano seguinte contingentes cubanos partem para Angola e depois para a Etiópia, onde estacionam até 1990. Em 1979, a Cimeira dos não-alinhados decorre em Havan. No julgamento do general Ochoa, revela-se como o regime esteve implicado no tráfico de droga. No dia 1 de Julho de 1997 decorre em Havana a primeira missa pública, precedendo a visita do papa João Paulo II.

Cubertafond, Alain, Le Pouvoir, la Politique et l’État en France, Paris, Éditions Hachette, 1993.

Cuénot, Claude, Aventura e Visão de Teilhard de Chardin, trad. port., Lisboa, 1966.

Cues, ver Cusa

CUF O primeiro dos grupos económicos portugueses antes de 1974. Nasce em 1865 a partir de uma fábrica de sabão nas Fontainhas. Instala-se, sobretudo, na indústria química, estabelecendo-se na zona do Barreiro. Alarga-se a vários sectores, nomeadamente à construção naval (Lisnave), aos tabacos (A Tabaqueira), ao papel (Celbi) e à banca (Banco Totta & Açores).

Cujus regio ejus religio, 125, 873

Cujus regio ejus religio, 88, 583

Culler, J., On Deconstruction. Theory and Criticism After Structuralism, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1983.

Culto da Personalidade Exaltação sistemática de um dirigente máximo de um país, principalmente pela acção da propaganda. A expressão foi usada pela primeira vez em 1956 pelo PCUS, para caracterizar o modelo de personalização do poder de Estaline, entre 1924 e 1953. O modelo foi particularmente desenvolvido pelos totalitarismos contemporâneos. No fascismo italiano, surgiu o Duce, Benito Mussolini. No nazismo, o Fuhrer. No comunismo soviético, o estalinismo foi marcante, exportando-se o modelo para Dimitrov, Enver Hodja, Kim-il-sung e Mao Tse Tung. Muitos autoritarismos adoptaram a perspectiva. Em Espanha, surge o caudillo. No Egipto de Nasser, o Rais. O culto transforma ao chefe numa espécie de pai da pátria que, ao contrário do paternalismo monárquico, parece dotado de poderes de um super-homem, principalmente no tocante à coragem e onde se exaltam as qualidades que, em lugar do amor filial, são sobretudo as da compaixão. Só os processos de propaganda política deste século, desde a fotografia ao poster gigantesco, passando pelo próprio cinema, permitiram tal modelo que, paradoxalmente, afectou em particular os partidos comunistas. Com efeito, quanto mais formatada pela legitimidade racional é uma ideologia, mais ela precisa de ser compensada pelos recursos à legitimidade carismática artificiosa, onde a magia do chefe inventado também apela para as memórias da legitimidade tradicional. Também entre nós se deu o culto da personalidade de Salazar durante o Estado Novo, vestindo-o da coraça de D. Afonso Henriques em luta contra a moirama do reviralho e comunista ou fazendo coincidir o respectivo perfil com o mapa do Portugal europeu. Não faltou sequer a própria instrumentalização de uma das figuras do painel de Nuno Gonçalves, de tal maneira que o oposicionista monárquico Hipólito Raposo chegou a caracterizar o regime do Estado Novo como uma salazarquia.

Cultura A herança ou o património artístico e científico de uma determinada comunidade ou sociedade. Ideias, expectativas, atitudes e crenças geradas pela interacção dos indivíduos sobre as suas actividades comuns. Uma comunicação inter-geracional de informação que vai além da transmissão da informação genética, comunicação que se incorpora em artefactos materiais (o património cultural físico como livros, edifícios ou obras de arte), formas de comportamento (canções, rituais, instituições) ou sistemas de distinções (classificações, histórias, conhecimento codificado em símbolos, ideias ou crenças). A cultura revela assim as respostas individuais e colectivas que são dadas às condições ambientais que desafiam o grupo, pelo que o respectivo conteúdo é continuamente sujeito a processos evolutivos. Assim, a cultura dá sentido às acções e aos objectos da vida social. Tanto há uma cultura dominante, como subculturas que podem actuar de forma contrária à cultura do grupo.

Cultura como mercadoria, 93, 626
Cultura de participação. Gera uma estrutura democrática. Ver cultura política.
Cultura de sujeição. Gera uma estrutura autoritária e a centralização. Ver cultura política.
Cultura e civilização, 51, 318
Cultura paroquial. Ver cultura política.


Cultura política Conceito analítico da ciência política, surgido nos anos cinquenta e inseparável do conceito de sistema político. Segundo a definição de Almond e Powell, a cultura política é o modelo de atitudes e orientações face à política entre os membros de um sistema político. Trata-se de um padrão particular de orientações para a acção política, de um conjunto de significados e propósitos em que cada sistema político está imbuído, de crenças, valores e símbolos expressivos. Com a ideia de cultura política pretendeu explicar-se o comportamento político e as diferenças vivenciais de regimes que invocavam a mesma ideologia ou diziam seguir o mesmo tipo jurídico formal. Porque há um reino subjectivo ordenado da política que dá sentido às decisões políticas, disciplina as instituições e a significação social dos actos individuais.
Tipos puros de Cultura Política
Neste sentido, Gabriel Almond e Sidney Verba inventariaram três tipos de cultura política. A cultura paroquial ou localista, geradora de uma estrutura tradicional, marcada pela descentralização. A cultura de sujeição ou de súbditos, com uma estrutura autoritária, tentada pela centralização. A cultura de participação, geradora de uma estrutura democrática. Assinalam, contudo, que qualquer cultura política efectiva é uma mistura dos três tipos, equilibrando as três componentes. Indicam, por exemplo, a existência de uma cultura localista de súbdito, quando o cidadão sai dos laços políticos puramente locais da cultura localista e começa a prestar a sua adesão a instituições governamentais mais especializadas; de uma cultura de súbdito-participante, quando os cidadãos se dividem num conjunto relativamente importante de pessoas politicamente conscientes e activas, e o resto, que são relativamente passivas; a cultura localista de participante, onde as instituições políticas têm um carácter relativamente local e as instituições administrativas nacionais estão bastante desenvolvidas. Neste sentido, os mesmos autores falam na existência de uma cultura cívica, uma categoria mista de cultura política, compreendendo a noção de participação política em estruturas geralmente consideradas como legítimas, mas nas quais, pelo menos para a maioria das pessoas, a vida oferece um conjunto de oportunidades de compromissos com instituições localistas e apolíticas. Verba e Almond referem mesmo que em nenhuma sociedade há uma única cultura política uniforme, e em todas as políticas existe uma distinção fundamental entre a cultura dos governos ou possuidores de poder e a das massas, sejam súbditos localistas ou cidadãos aqueles que participam. Assim, apesar dos regimes comunistas invocarem a mesma ideia, na prática geraram situacionismos diversos e opostos, tal como a democracia varia no espaço, conforme as culturas políticas que a ela aderem.
Vícios da ideia de Cultura Política
Contudo os analistas da cultura política cometem o erro de procurar inferir os valores e as crenças da mera análise de dados dos métodos quantitativos e até escolhem duvidosas operações interpretativas, nomeadamente quando fazem ligar o bargaining power do pluralismo político norte-americano de uma cultura política racional, calculista, negociadora e experimental. Esse tipo de preconceitos levou, por exemplo, a que alguns críticos da democracia tenham proclamado a inadequação cultural dos povos latinos ao jogo democrático, quando, na prática, a democracia acabou por se implementar, quando se enraizou na plurissecular democracia da sociedade civil e no entranhado sentido evangélico de igualdade desses povos.

•Almond, Gabriel e Verba, Sidney, The Civic Culture. Political Attitudes and Democracy in Five Nations, Princeton, Princeton University Press, 1963 reed., Boston, Little, Brown & Co., 1965.
•Austin, L., Saints and Samurai. The Political Culture of American and Japonese Elites, New Haven, Yale University Press, 1975.
•Badie, Bertrand, Culture et Politique, Paris, Éditions Oeconomica, 1983.
•Bluhm, William T., Ideologies and Attitudes. Modern Political Culture, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1974.
•Bobbio, Norberto, Politica e Cultura, Turim, Edizioni Einaudi, 1955.
•Castles, Francis G., Pressure Groups and Political Culture, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1967.
•Darnovsky, Marcy, Epstein, Barbara, Flacks, Richard, Cultural Politics and Social Movements, Filadélfia, Temple University Press, 1995.
•Diamond, Larry, Linz, J. Juan, Lipset, Seymour Martin, ed., Political Culture and Democracy in Developing Countries, Boulder, Lynne Rienner, 1993.
•Gellner, Ernest, Culture, Identity and Politics, Cambridge, Cambridge University Press, 1987.
•Greer,... *, Long, N. E., Metropolitics. A Study of Political Culture, Nova York, John Wiley & Sons, 1963.
•Kavanagh, Dennis, Political Culture, Basingstoke, Macmillan Press, 1972.
•Rosanvallon, Pierre e Viveret, Patrick, Pour une Nouvelle Culture Politique, Paris, Éditions du Seuil, 1977.
•Schemeil, Yves, «Les Cultures Politiques», in Grawitz, Madeleine, Leca, Jean, Traité de Science Politique, vol. III, pp. 237 segs., Paris, Presses Universitaires de France, 1985.
•Almond, Gabriel, The Civic Culture. Political Attitudes and Democracy in Five Nations [1ª ed., 1963], Boston, Little, Brown & Co., 1965.,
•Pye, Lucian, eds., Political Culture and Political Development, Princeton, Princeton University Press, 1975.

Cultura sem discurso, 3, 20
Cultura tem alma e civilização tem espírito –THOMAS MANN, 51, 318
Cultura, alma, contra as forças internas da natureza, 51, 318
Cultura, aparelhagem instrumental, uma integral, por instituições, 40, 248


Cultura Segundo a definição clássica de E. B. Tylor, de 1871, a cultura, enquanto sinónimo de civilização, é a totalidade complexa que inclui o conhecimento, a crença, a arte, a moral, o direito, o costume e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem, enquanto membro da sociedade.

Cultura e civilização. Um dos principais tópicos do pensamento alemão deste começo deste nosso século, tendo a ver com a distinção comunidade/ sociedade. Enquanto os laços comunitários seriam laços de cultura, já os laços societários seriam laços de civilização. Thomas Mann salienta que a cultura tem a ver com a alma, enquanto a civilização está mais relacionada com o intelecto e com o espírito.

Cultural (the) Contradictions of Capitalism 1976 Daniel Bell analisa impiedosamente a sociedade capitalista, a partir de uma perspectiva neo-conservadora. Considera que na base da crise espiritual está o hedonismo que leva à perda da noção de civitas, ao egocentrismo e à indiferença face ao bem comum, com falta de confiança no futuro e a crise de legitimidade das instituições liberais. No capitalismo norte-americano desapareceu o conceito protestante de santificação do trabalho. A crise cultural leva à instabilidade política: é nestas circunstâncias que as instituições tradicionais e os procedimentos democráticos de uma soociedade se desmoronam e que se afirmam cóleras irracionais acompanhadas pelo desejo de ver surgir o homem providencial que salve a situação. Salienta que a legitimidade pode assentar nos valores do liberalismo político se se dissociar do hedonismo burgês.

Culturalismo, 31, 207

Cumberland, Richard (1631-1718) Teólogo e bispo anglicano. Critica as teses de Hobbes, consideradas marcadas pelo egoísmo moral, e aproxima-se de Grotius, defendendo a ideia de bem comum, porque a benevolência universal é que influencia cada ser humano. Deixa as suas marcas no posterior utilitarismo de Jeremy Bentham e Francis Hutcheson.
•De Legibus Naturae, Disquisitio Philosophica
1672.
•A Philosophical Enquiry into the Laws of Nature
1750.

Cunha Uma peça de ferro ou de madeira, destinada a fender um corpo de dureza inferior

Cunha, Augusto José da (1834-1919) Director da Casa da Moeda. Mestre de D. Carlos I. Ministro da fazenda de João Crisóstomo, de 24 de Novembro de 1890 a 25 de Maio de 1891. Ministro das obras públicas, comércio e indústria de José Luciano, de 7 de Fevereiro de 1897 a 18 de Agosto de 1898. Adere ao partido republicano nos últimos tempos da monarquia.

Cunha e Meneses, D. Carlos da (1759-1825) Patriarca de Lisboa de 1819 a 1825. Um dos mais destacados militantes do partido apostólico que se reunia no palácio da Junqueira, onde hoje se encontra o ISCSP. Aí se fazem os principais encontros dos grandes do reino. O patriarca tenta imitar as reuniões da cúria romana. Considerado um tolinho, dado que se preocupava muito puritanamente com o cumprimento rigoroso das regras canónicas do jejum e da abstinência, chegando a expedir directivas para os próprios estalajadeiros.

Cunha, Euclides Rodrigues Pimenta da (1866-1909) Pensador brasileiro. Começando a vida na carreira das armas, depressa a abandona pela carreira jornalística em São Paulo, onde assume o pseudónimo de Proudhon e a militância republicana. Em 1899 regressa ao Rio de Janeiro, a terra natal, para concluir o curso de engenharia e logo volta ao Exército com a implantação da República, concluindo o curso da Escola Superior de Guerra em 1891. Celebriza-se com a publicação de Os Sertões, em 1902. Em 1909 vence Farias Brito no concurso para a cátedra de Lógica do Colégio D. Pedro II, mas obtem o lugar. Contudo, no mês seguinte, morre assassinado. Positivista, segue Comte e Spencer, não deixando de ser permeável a algumas ideias de Marx. Ver Obra Completa, Rio de Janeiro, José Aguilar, edição de Afrânio Coutinho, 1966.

Cunha, Francisco Maria Dias da (1832-1909) Governador de Moçambique e da Índia. Ministro da guerra no segundo governo de José Luciano, de 7 de Fevereiro de 1897 a 26 de Junho de 1900. Embaixador de Portugal no Brasil.

Cunha, João Gualberto de Barros e (1826-1882) Jornalista. Autor de História da Liberdade em Portugal, Lisboa 1969 Companheiro de Loulé durante a Patuleia. Um dos progressistas, oriundo dos históricos que depois se assume como avilista. Ministro das obras públicas, comércio e indústria no governo de Ávila, entre 5 de Março de 1877 e 29 de Janeiro de 1878. Durante este período é fortemente atacado pelos regeneradores. Nas eleições de 13 de Novembro de 1878 é eleito deputado por Lisboa, já como avilista, vencendo a candidatura do republiano José Elias Garcia, então apoiado pelos regeneradores.

Cunha, Joaquim da Luz Ministro do exército de 1962 a 1968.



Cunha, Joaquim Moreira da Silva Professor na Faculdade de Direito e no ISCSP. Em Maio de 1953, doutora-se na Faculdade de Direito. Ministro do Ultramar de 1965 a 1973. Último ministro da defesa do regime da Constituição de 1933.
•O Sistema Português de Política Indígena. Subsídios para o seu Estudo
1953. Dissertação de doutoramento apresentada na Faculdade de Direito de Lisboa.
•Direito Internacional Público I. Introdução e Fontes
Lisboa, Livraria Ática, 1957 [4ª ed., Coimbra, Livraria Almedina, 1987].
•História Breve das Ideias Políticas. Das Origens à Revolução Francesa
[1ª ed., 1962], Porto, Lello & Irmão, 1981 [História das Teorias Políticas e Sociais (sumários desenvolvidos), Lisboa, ISCSPU, 1961-1962; ou História das Teorias Políticas e Sociais (apontamentos policopiados), Lisboa, Associação Académica do ISCSPU, 1962].
•A Ideia de Europa. Raízes Históricas. Evolução. Concretização Actual. Portugal e a Europa
Barcelos, 1982.
•«Formação e Evolução do Direito Internacional. Os Ventos da Mudança»
Oração de sapiência proferida no ISCSP, separata de Nação e Defesa, n. º 53, Jan. /Mar., Lisboa, Instituto de Defesa Nacional, 1990.
•Direito Internacional Público. Relações Internacionais. Aspectos Fundamentais do seu Regime Jurídico
Lisboa, ISCSP-IRI, 1990.

Cunha, D. Luís da (1662-1749) Embaixador de D. Pedro II, D. João V e D. José I em Viena, Haia e Paris. Indica a D. José I a figura de Sebastião José de Carvalho e Melo. Propõe a mudança da capital para o Rio de Janeiro. Insurge-se contra a política de D. João V, que considera influenciado por uma seita, da nobreza, da Inquisição e dos jesuítas.
•Testamento Político
(carta ao príncipe D. José, redigida em 1747  1749; 1ª impr. port. n’O Investigador Portuguez em Inglaterra, em 1820; cfr. ed. Seara Nova, Lisboa, 1943).

Magalhães, José Calvet, História do Pensamento Económico em Portugal. Da Idade Média ao Mercantilismo, Coimbra, 1967, pp. 304 segs.. Serrão, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1978, II, pp. 256-258.


Cunha, Paulo Arsénio Viríssimo n. 1908 Professor de direito. Ministro dos negócios estrangeiros de 1950 a 1958. Reitor da Universidade de Lisboa.

Cunha, Paulo Ferreira Doutor em direito por Paris e Coimbra. Professor na Universidade do Minho.
•Mythe et Constitutionnalisme au Portugal (1778-1826). Originalité ou Influence Française
Dissertação de Doctorat de l’Université), Paris, 1992.
•Amor Iuris. Filosofia Contemporânea do Direito e da Política
Lisboa, Edições Cosmos, 1995.
•Para uma História Constitucional do Direito Português
Coimbra, 1995.
•Constituição, Direito e Utopia. Do Jurídico-Constitucional nas Utopias Políticas
Dissertação de doutoramento. Coimbra, Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra/Coimbra Editora, 1996.
*Amor Iuris. Filosofia Contemporânea do Direito e da Política
Lisboa, Cosmos, 1995.
*Peccata Iuris. Do Direito nos Livros ao Direito em Acção
Edições Universitárias Lusófonas, 1996
*Constituição, Direito e Utopia. Do Jurídico-Constitucional nas Utopias Políticas
Coimbra, Coimbra Editora, 1996
*Lições Preliminares de Filosofia do Direito. Filosofia, Direito, Filosofia do Direito
Coimbra, Almedina, 1998

Cunha, Silvério Ribeiro da Rocha e Ministro da marinha no governo de Sá Cardoso, de 30 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920

Cunhal, Álvaro Barreirinhas n. 1913 Licenciado em direito. Membro do Partido Comunista desde os 17 anos. Integra então a Liga dos Amigos da URSS e o Socorro Vermelho Internacional. Em 1934 é eleito como representante dos estudantes de Lisboa no Senado Universitário. Em 1935 é secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas. Depois de visitar a URSS passa, a partir de 1936, a fazer parte do comité central do partido. Preso em 1937 e libertado no ano seguinte. Volta a ser preso em 1940 e libertado logo a seguir. No Outono de 1942 já faz parte do secretariado do comité central. Preso de 1949 a 3 de Janeiro de 1960, quando consegue evadir-se da cadeia de Peniche. Volta ao secretariado do comité central a partir de Fevereiro de 1960. Eleito secretário-geral em Março de 1961. A partir de 1962 passa a viver em Moscovo. e 1950-1960. Secretário-geral do PCP. Membro do I governo provisório de 1974.
*Discursos Políticos
Lisboa, Editorial Avante, I, 1974; II, 1975; III, 1975; IV, 1975.

Cupertino de Miranda, Grupo Um dos principais grupos económicos portugueses anteriores a 1974, também conhecido como Grupo BPA, por dominar o Banco Português do Atlântico. Tem várias participações nomeadamente na Covina, na Tofa e em várias sociedades coloniais como o banco Comercial de Angola, a Cuca, e a Sonefe.

Curcio, Carlo, Europa. Storia di un’Idea, Florença, Valechi, 1958.

Curdistão

Cúria Governo central da Igreja Católica. Constituída por nova congregações, três tribunais e cinco secretarias, bem como por dezena e meia de comissões pontificais. Cada congregação tem um número variável de cardeais nomeados pelo papa. Dizia-se de uma subdivisão das tribos entre os romanos, bem como do lugar onde, também em Roma, se reunia o Senado.

Cúria Régia É a partir do núcleo da casa do rei, do palatium, domus, schola ou curia que vai diferenciar-se, gradualmente e por via costumeira, o que mais tarde irá constituir a administração pública do Estado. É precisamente a partir da Cúria Regia, constituída pelos próceres, maiores ou barões do reino (altos dignitários eclesiásticos e nobiliares, bem como familiares do rei) que vão destacar-se os principais funcionários palatinos e os futuros órgãos da administração central do reino. A cúria régia portuguesa , à semelhança da antecedente cúria leonesa, marcada pelo modelo franco, e na linha de continuidade do sacrum consistorium do Baixo Império Romano e do officium palatinum ou aula régia dos visigodos, tanto funcionava em reuniões restritas daqueles que constantemente acompanhavam o rei (cúria restrita ou ordinária) como em reuniões alargadas a todos os notáveis do reino (cúria alargada ou extraordinária). Deste último tipo de reuniões, vai surgir, a partir de 1254, com a participação do braço popular, a instituição das Cortes que, já em 1261, detém um verdadeiro direito em matéria tributária e, em 1331, passa a reunir apartadamente por braços, classes ou estados.

Curialismo Conjunto de autores que defendem a teoccracia papal contra as pretensões do Imperador. Entre nós, destaca-se Alvaro Pais., 123, 863

Curlândia Uma das actuais regiões da Letónia. Foi da ordem teutónica e a partir de 1561 constituiu um ducado vassalo da Polónia; em 1737, a viúva do último duque, transformou-se em imperatriz da Rússia, Ana da Curlândia

Curry, R. L., Wade, L. L., Theory of Political Exchange, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1968.

Curso Superior de Letras Abertura solene em 14 de Janeiro de 1861.

Curson, António Augusto
Ministro do comércio de 12 a 19 de Outubro de 1921.

Curtis, Michael R. Ph.D. na Cornell University. Ensina em Yale University, Connecticut College, Oberlin College, e na University of Massachusetts, passando para Rutgers em l96l. Editor da Middle East Review.
The Great Political Theories, 2 vols., rev. ed., (l98l); Religion and Politics in the Middle East, ed., (l98l); Introduction to Benedetto Croce' Historical Materialism and the Economics of Karl Marx (l98l); Totalitarianism (l979); Comparative Government and Politics, 2nd ed. (l978); Israel in the Third World, ed., (l976); The Constitution of Palestine (l976); The United Kingdom Constitution (l974); Editor, People and Politics in the Middle East (l97l); "The Kibbutz and Utopia," in Israel: Social Structure and Change (l975); Middle East Reader (1987); Introduction to Comparative Government (1986); Antisemitism in the Contemporary World (1986).
•Great Political Theories
Nova York, Avon Books, 1962.
•Elementi di Scienza Politica
Trad. it., Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1972.

Curto, António Duarte Ramada Médico naval. Progressista. Governador de Angola em 1897-1900, nomeado por Barros Gomes, e em 1904-1907, nomeado por Moreira Júnior.

Curto, A. S. Ramada (1886-1961) Amílcar da Silva Ramada Curto. Advogado. Dramaturgo. Propagandista republicano. Ministro das finanças do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919. Ministro do trabalho de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira. Deputado. Eleito em 1922 pelos democráticos, passa para o Partido Socialista. Colabora, nos primeiros tempos do regime, com o salazarismo, concordando com a auto-dissolução do PS e elaborando um projecto de Carta do Trabalho. Conhecido pela frequência das tertúlias político-literárias de Lisboa, fica célebre pelos seus ditos. Num deles, proclama que a verdadeira vocação do português é socializar os prejuízos e individualizar os lucros.

Curto, Diogo Ramada
•O Discurso Político em Portugal (1600-1650)
Lisboa, Universidade Aberta, 1988.
•A Memória da Nação. Colóquio do Gabinete de Estudos de Simbologia realizado na Fundação Calouste Gulbenkian. 7-9 Outubro, 1987
Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1991. Com Francisco Bethencourt, eds.



Cusa, Nicolau de (1401-1464) Tem como nome de baptismo Nikolaus Krebs, natural de Cues ou Cusa. Teólogo e político. Estuda em Heidelberg, Pádua e Colónia. Participa em 1432 no concílio de Basileia. Feito cardeal em 1448. Conselheiro do papa Pio II. Representante do Papa no Oriente (1437) e na Alemanha (1438-1448) e governador de Roma.
•De Concordantia Catholica
1432-1433. Cfr. trad. fr. de R. Galibois, Concordance Catholique, Université de Sherbrooke, 1977).
•Apologia Doctae Ignorantia
1440.
•De Pace Fidei
1453. Cfr. trad. fr. de R. Galibois, La Paix de la Foi, Université de Sherbrooke, 1977).

Gandillac, M., Nicolas de Cues ou la Métaphysique de la Finitude, Paris, Librairie Seghers, 1964.
CUSANUS, ver CUSA