Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: D/Dj-Do
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Lista de artigos

Artigos em grosso

Doação de Constantino
Dobruja

Dobry, M.

Doceañistas

Doçura, Tácticas de

Doctrina politica

Dodecaneso

Doel, H. van Den

Dogan, Mattei
Dogma

Dogmatismo

Dois Corpos do Rei

Dois gládios

Dolar (Dollar)

Dolfuss, Engelbert

Domat, Jean (1625-1696)

Domenach, Jean-Marie

Doméstico

Domhoff, G. William
Dominação

Dominação instituída e política

Dominação natural, despótica ou senhorial

Dominado (284-476)

Domination

Domingos, Emídio Veiga

Domingues, Mário

Dominicanos (OP)

Domínio /Hegemonia

Dominions
Dominium

Dominium politicum

Domino theory

Dominus et Deus

Domus

Donelan, Michael

Donnat, Léon

Dono

Donoso-Cortés, Juan

Donzelot, Jacques
Dooge, Comissão

Doren, C. van

Doriot, Jacques

D’Ors, Alvaro

D’Ors, Eugenio

Dostoievski, Fiodor

Doublet, Y.-M.

Douglas, Mary

Douhet, Giulio

Doutrina

Doutrina em acção

Doutrinação

Doutrinários
Downs, Anthony
Dowse, Robert E.

Draï, Raphael

 
DNA A descoberta dos códigos genéticos contidos na molécula DNA (ácido desoxirribonucleico) foi levada a cabo por Francis Crick e Maurice Wilkins, da Universidade de Cambridge, em 1953, os quais receberam o Prémio Nobel em 1962, juntamente com o norte-americano James Watson. Cada cromossoma de um célula humana equivale a uma biblioteca de genes que consiste numa série de secções de um ácido nucleico, o DNA (equivalente às páginas de um livros), sendo os depositários da informação genética que podem replicar-se, formando-se novas células idênticas às originais.
 
Djilas, Milovan (1911-1995) Natural do Montenegro. Estuda em Belgrado, torna-se comunista. Colaborador de Tito desde 1940. Membro do governo jugoslavo em 1945, defende a ruptura com Moscovo. Dissidente a partir de 1954, preso em 1956.
·The New Class. An Analysis of the Communist System
Nova York, Praeger Press, 1957 [trad. fr. La Nouvelle Classe Dirigeante, Paris, Librairie Plon, 1957] Apenas publicado na Jugoslávia em 1990.
·Land Without Justice
Nova Iorque, 1958.
·Anatomy of a Moral
Nova Iorque, 1959.
·The Unperfect Society. Beyond the New Class
1969 [trad. fr. La Societé Imparfaite, Paris, Éditions Calmann-Lévy, 1969].
·Conversations With Stalin
Nova Iorque, 1962.
·Memoir of a Revolutionary
1973.
·Tito
1980.
·Rise and Fall
983.
 
Doação de Constantino Documento descoberto no ano de 750, segundo o qual o imperador Constantino, ao retirar-se de Roma para Bizâncio, terá dado ao Papa poderes para governar o Império Romano do Ocidente. Serviu para justificar o sacerdotalismo e esteve na base da restauração carolíngia.
 
Dobruja Dobrogea ou Dobrudya A região esteve incluída nos impérios búlgaros dos séculos IX e XIII; conquistada pelos turcos em 1396; em 1878 grande parte foi incluída na Roménia; em 1913, a parte do sul, incluída na Bulgária, passou também para a Roménia, apesar de entre 1940 e 1947 ter sido ocupada pelos búlgaros com apoio alemão
Dobry, M., Sociologie des Crises Politiques. La Dynamique des Mobilisations Intersectorielles, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1992.
 
Doceañistas Os partidários da Constituição de Cádis de 1812. Equivalentes aos nossos vintistas.
 
Doçura, Tácticas de Formas que, segundo Georges Sorel, o Estado utiliza para dissimular a violência.
 
Docta IgnorantiaÖCusa, Nicolau de
 
Doctrina politica São Tomás de Aquino considera-a como sinónimo de civilis scientia, pertencendo à filosofia prática.
 
Dodecaneso Dodékanisos Arquipélago do Mar Egeu, incluindo a ilha de Rhodes; foi domínio otomano conquistado pelos italianos em 1912, como tal reconhecido pelo tratado de Sèvres de 1920, o que foi confirmado em 1923 quando o arquipélago passou a designar-se oficialmente por Possedimenti italiani dell'Egeo; pelo tratado de Paris de 10 de Fevereiro de 1947, o arquipélago passou para a Grécia
 
Doel, H. van Den, Democracy and Welfare Economics, Cambridge, Cambridge University Press, 1979.
 
Dogan, Mattei Sociólogo francês.
·Les Français face à la Politique. Comportement Politique et Condition Sociale
Paris, Armand Colin, 1955. Com J. Narbonne.
·”Le Personnel Politique et la Personalité Carismatique”
In Revue Française de Science Politique, nº 6, Paris, Julliard, 1965.
·The Mandarins of Western Europe. The Political Role of Top Civil Servants
Newbury Park, Sage Publications, 1975.
·Sociologie Politique Comparative. Problèmes et Perspectives
Paris, Éditions Oeconomica, 1982. Com Dominique Pélassy.
·How to Compare Nations. Strategies in Comparative Politics
Chatham, Chatham House Publishers, 1984.
·Le Moloch en Europe. Étatisation et Corporatisation
Paris, Éditions Oeconomica, 1987. Com Dominique Pélassy.
·Comparing Pluralist Democracies. Strains on Legitimacy
Boulder, Westview Press, 1988.
·Pathways to Power. Selecting Rulers in Pluralist Democracies
Boulder, Westview Press, 1989 (ed.).
 
Dogma O mesmo que decreto, coisa definida. M. Cranston considera que o século XX tem sido a era do dogma, diferentemente do século XIX que acreditou e do século XVIII que duvidou. O papa Pio IX proclamou em 8 de Dezembro de 1854 o dogma da Imaculdada Conceição.
 
Dogmatismo Diz-se de toda a tese que admite a possibilidade de, num determinado momento, poderem ser estabelecidas verdades definitivas. A tradição ocidental sempre reagiu, em nome da liberdade, contra os que pensaram poder comandar o sentido da história, por suporem deter o segredo do bem e do mal e que, com inquisições e juntas de providência literárias, trataram de organizar o index ou o compêndio histórico, esse exacto contrário da tolerância e do relativismo. É que, segundo Bertrand Russell, o mal apenas reside no temperamento dogmático, e não nas características especiais do dogma adoptado. Por outras palavras, não há política fora de nós mesmos, não há política que não se insira na luta do homem consigo mesmo. Porque o bem e o mal não estão fora de nós, não se radicam em sítios diferentes.
 
Dois Corpos do Rei Os reis medievais tinham um corpo físico, visível, carnal e um corpo jurídico, invisível, simbólico. Um era o homem em concreto, o outro, a função. Este último nunca morria. A polis, tal como o rei medieval, segundo as teses de Ernst Kantorowicz, tem sempre dois corpos. Tem, por um lado, um corpo natural, sujeito à paixão e à morte, e, por outro, um corpo político que nunca morre; tal como Cristo, com um corpo humano e mortal e um corpo místico. Os medievais, ao fazerem a assimilação entre o corpus politicum e o corpus mysticum fizeram do reino um corpo místico secular.
 
Dois gládios No final do século V o papa Gelásio I estabelece a doutrina das duas espadas ou dos dois gládios numa carta dirigida ao imperador Anastásio I. Distingue a auctoritas sacra pontificum, procedente directamente de Cristo, e a regalis potestate, o poder real confinado à gestão dos assuntos temporais:  os principes cristão devem recorrer ao sacerdócio em tudo o que diga respeito à sua salvação. Por seu lado, os padres devem atender a tudo o que foi estabelecido pelos príncipes no tocante aos acontecimentos do domínio temporal, de modo que o soldado de Deus não se imiscua nas coisas deste mundo e que o soberano temporal não faça ouvir a sua palavra nas questões religiosas.. Era a auctoritas entendida como o poder fundador, o poder em sentido pleno, como fonte de legitimidade, donde derivaria a potestas, o poder de execução, o poder de facto, da administração das coisas e das pessoas.
1 JEANNINE QUILLET, Les Clefs du pouvoir au moyen age, Paris, Flammarion,1972
 
Dolar (Dollar) Do alemão thaler. Designação dada pelos ingleses ao peso espanhol que circulava nas possessões sul-americanas. Unidade monetária norte-americana desde 2 de Abril de 1792.
 

 
Dolfuss, Engelbert (1892-1934) Chanceler austríaco entre 1932 e 1934. Combatente, condecorado pela acção na Grande Guerra. Militante do Partido Cristão Social e herdeiro espiritual de Ignaz Seipel. Ministro da agricultura em 1931-1932 e chanceler desde 20 de Maio de 1932. Em Março de 1933 entra em ditadura, recusando eleições. Tem o apoio da Igreja Católica e das forças armadas. Ilegaliza o Partido Comunista em Maio de 1933 e o Partido Nazi em Junho seguinte. Em Fevereiro de 1934 já era ilegalizado o Partido Social Democrata, que antes tentara uma greve geral. Funda a Frente Patriótica (Vaterlandische Front). Em Maio de 1934 surge uma nova Constituição, corporativa. Derrubado e assassinado com o golpe nazi de 25 de Julho de 1934.
 
Domat, Jean (1625-1696) Jansenista, companheiro de Pascal. Admirado e protegido por Luís XIV.
·Les Lois Civiles dans leur Ordre Naturel
1689.
 
Domenach, Jean-Marie (1922-1997) Autor francês, successor de Emmanuel Mounier na direcção da revista Esprit, entre 1957 e 1976.
·Le Retour du Tragique
[ed. orig. 1967], Trad. port., O Retorno do Trágico, Lisboa, Moraes Editores, 1968.
·A Propaganda Política
[ed. orig. 1973], trad. port., Amadora, Livraria Bertrand, 1975.
·Enquête sur les Idées Contemporaines
Paris, Éditions du Seuil, 1982 [trad. port., Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1987].
·Des Idées pour la Politique
Paris, Éditions du Seuil, 1988.
·L’Europe. Le Défi Culturel
Paris, Éditions La Découverte, 1990.
 
Doméstico O que diz respeito à casa (domus), a zona pertencente ao dominus. Neste sentido, é o exacto contrário do político, porque o espaço público é aquele que utrapassa a zona do doméstico. No doméstico há poder dominativo ou económico, bem diverso do poder político, como salientava Francisco Suárez. Altusius considera que a consociação civil apenas surge, quando se sai da família, quando se sai fora dos edifícios onde existe o poder doméstico e se entra na cidade para tratarmos dos assuntos públicos em vez dos domésticos, tarefa que não cabe ao paterfamilias ou ao senhor, mas antes ao sócio e ao cidadão. o poder doméstico, uma forma depoder pré-político, forças cuja fonte ou origem se situa antes ou fora do dominium politicum, pertencendo ao dominium servile ou à potestas dominativa ou oeconomica. Era assim com o poder do dono. De facto, não era política a relação que o paterfamilias, o chefe da casa, o despotes dos gregos ou o dominus dos romanos, mantinha com os respectivos dependentes, desde os parentes aos escravos.A política só aparece quando se ultrapassa doméstico. O príncipe, o chefe político, não é apenas mais um dono e nem sequer pode ser considerado como um substituto do pai.
 
Domhoff, G. William
·The Higher Circles
Nova York, Random House Publishers, 1970.
·Who Rules America?
Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1967.
·Who Really Rules?
New Brunswick, Transaction Books, 1978.
·The Power Elite and the State. How Policy is Made in America
Nova York, Aldine de Gruyter, 1990.
 
Dominação Alguns sociólogos e politólogos portugueses costumam traduzir em segunda mão a expressão weberiana Herrschaft a partir do francês domination, diminuindo o alcance e a complexidade da matriz, confundindo a mesma expressão alemã com Macht. Dominar vem de dono, de dominus, o chefe da casa, aquele que tem poder doméstico, privatístico. É este dominus que tem dominium, isto é, o mesmo que direito de propriedade, a possibilidade de um utendi e abutendi sobre coisas e seres humanos. Com a emergência dos neopolíticos medievais, começa a distinguir-se o dominare do regnare, atribuindo-se ao poder político um carácter diferente do poder doméstico.
 
Dominação instituída e política (Hobbes). O contrário da dominação natural. A sociedade civil que foi constituída através do consentimento de várias pessoas, que se obrigaram umas para com as outras através de contratos e através de uma fidelidade mútua que prometeram entre si.
Dominação natural, despótica ou senhorial (Hobbes). O contrário da dominação política, aquela onde se adquire o uso pelas forças e pelo poder natural.
 
Dominado (284-476) Com Diocleciano, em 284 d.C., o principado cede o lugar ao dominado, dado que o imperator passa a intitular-se dominus e deus, exigindo adoratio e considerando que o seu poder já não deriva da velha lex curiata de imperio, mas antes de uma investidura divina.. Calígula foi o primeiro imperador romano que se chamou dominus. Augusto e Tibério rejeitaram a desiganção, considerando-a injuriosa, dado ter o mesmo significado que o termo grego de déspota
 
Domination Expressão francesa que pretende traduzir o conceito weberiano de Herrschaft, a possibilidade de se encontrarem certas pessoas, prontas a obedecerem a uma ordem de conteúdo determinado.
 
Domingos, Emídio Veiga, Portugal Político. Análise das Instituições, Lisboa, Edições Rolim, 1980.
 
Domingues, Mário Historiador autodidacta, de origens são-tomenses. Brilhante vulgarizador de temas históricos, com alguns cuidados na pesquisa das fontes secundárias, é herdeiro de uma tradição de história popular. Começa como jornalista no diário anarco-sindicalista A Batalha.
·Liberais e Miguelistas. Evocação Histórica, Lisboa, Livraria Romano Torres,
 
Dominicanos (OP) Ordem dos Irmãos Pregadores, fundada em 1216 por S. Domingos de Gusmão (1170-1221) para combater a heresia albigense, depois de Inocêncio III lançar contra eles uma cruzada. Entre os dominicanos contam-se São Tomás de Aquino e Savonarola, bem como alguns grandes inquisidores.
 
Domínio /Hegemonia. Dualismo da teoria de Gramsci. A hegemonia aparece como um exercício não cercitivo do domínio.
 
Dominions (ingl) Países integrantes do Império Britânico que, apesar de continuarem ligados à Coroa, começaram por gozar de um largo sistema de autogoverno, como o Canadá, logo em 1867, a que seguiram a Austrália, a Nova Zelândia e África do Sul, aos quais foi reconhecida a independência pela Imperial Conference de 1826, e confirmada pelo Statute of Westminster de 1931.
 
Dominium O mesmo que direito de propriedade. Vem de donus, isto é, o chefe da casa que direito a uso e abuso sobre coisas e seres humanos dele dependentes. Hegel opõe o dominium, o direito abstracto de propriedade, ao imperium, o poder público. um poder de facto. Blandine Kriegel diz que o Estado de Direito não vem das relações de poder baseadas no dominium, onde há sempre um sujeito e um objecto, nem do imperium, o poder interpessoal, o poder de uma pessoa sobre outra, mas antes do direito que juridificou o poder.
 
Dominium politicum. O poder em concreto que se opõe ao dominium servile, típico da escravatura, segundo as teses do Infante D. Pedro. Se em abstracto vem de Deus, em concreto é um poder outorgado ao rei por consentimento do povo e tendo como fim o bem comum. O dominium politicum deriva de Deus e é anterior ao pecado original, ao contrário do servile a que estão sujeitos os pecadores.
 
Dominium politicum O Infante D.Pedro distinguia entre o dominium servile,considerado produto do pecado,e o dominium politicum,anterior ao pecado original,que traduziria a necessidade de aliquod regitivum.Diferente seria o poder real,posterior ao pecado original,outorgado por Deus,com o consentimento do povo. Considera que se o poderyo em abstracto procede de Deus, conforme S.Paulo,mas que o poder em concreto,aquilo que designa por dominium politicum,distinguindo‑o claramente do dominium servile,próprio da escravatura, é outorgado ao rei por consentimento do povo e tem de servir o bem comum,adoptando assim as teses do imperium a Deo per homines. D. Pedro considera que o dominium politicum é exigido pela necessidade do homem exigir para viver algo de ordenador,aliquod regitivum, que dimana directamente de Deus e já existiria antes do pecado original,ao contrário do dominium servile que é próprio de pecadores.Entre os dois tipos de dominium coloca o poder real, considerado "hum senhorio que he meio antre os dous sobreditos, nem tras em sy tanta liberdade,como o primeyro,nem tanto soingamento como poem o segundo".este "senhorio que por aazo do pecado começou em o mundo he ia tornado em natureza".
 
Domino theory Expressão corrente na Guerra Fria para justificar a intervenção dos norte-americanos no Vietname, dizendo-se que, caso Saigão se tornasse comunista, se seguiria um efeito de dominó, com sucessivas quedas de pedras face a esse impulso incial, pelo que depressa o Laos e o Cambodja se tornariam também comunistas.

Dominus et Deus Designação dada ao imperador romano a partir de Diocleciano. ìDominado.
 
Domus. Casa em latim. Ver Casa. Palavra donde deriva dominus que deu origem à palavra portuguesa dono.
 
Donelan, Michael, ed., The Reason of the States. A Study in International Political Theory, Londres, Allen & Unwin, 1978.
 
Donnat, Léon Um dos autores da École Libre des Sciences Politiques.
·La Politique Expérimentale
[1885]
 
Dono. Originariamente o chefe da casa. Como dizia Plínio, inventámos o príncipe, o chefe político, para deixarmos de ter um dono, para deixarmos de obedecer a outro homem e passarmos a obedecer a uma abstracção, através da institucionalização do poder.
 
Donoso-Cortés, Juan Francisco Maria (1809-1853) Marquês de Valdegamas. Pensador contra-revolucionário espanhol. Formado em direito e diplomata. Começa como liberal, apoiante da regente Maria Cristina contra o carlismo, como se expressa nas primeiras obras, ainda marcadas pelos chamados doctrinaires. Secretário da regente quando esta se encontra refugiada em Paris (1840-1843). Muda de posição a partir de 1849, quando era embaixador em Berlim (desde 1848). Volta para Paris a partir de 1850, onde publica o Discurso sobre Europa (1850) e, sobretudo o Ensayo sobre el Catolicismo, el Liberalismo y el Socialismo (1851) que o torna célebre. Aqui vê o socialismo como uma espécie de Anticristo, assumindo uma visão apocalíptica, profetizando a ascensão da Prússia, a decadência da França e a emergência do eslavismo. Propõe como solução o regresso à autoridade secular e supra-estatal do Papa. Desdenha do liberalismo dos burgueses, definidos como uma classe discutidora. Considerado o fundador do conservadorismo antidemocrático e antiliberal, contrariamente à perspectiva de Burke e dos conservadores britânicos. Defende a infalibilidade legal do soberano. Influencia os modelos de Napoleão III, do boulangismo e de Maurras. Carl Schmitt vai considerá-lo um sucessor espiritual dos grandes inquisidores católicos. A partir dele, eis que, na Europa latina, o conservadorismo perdeu as raízes que o ligavam a certo regeneracionismo liberal e à moderação cartista, assumindo uma postura contra-revolucionária, adversa do tradicionalismo consensualista, pelo que se retomam as sendas providencialistas de Bossuet, Maistre e Bonald.
·Memoria sobre la Situacion Actual de la Monarquia
1832.
·Lecciones de Derecho Político
1836-1837.
·Principios Constitucionales
1837.
·Discurso sobre la Dictadura
1849.
·Discurso sobre Europa
1850.
·Essai sur le Catholicisme, le Libéralisme et le Socialisme
Paris, versão original em francês, Paris, 1851 (cfr. 3ª ed., Ensayo sobre el Catolicismo, el Liberalismo y el Socialismo Madrid, Ediciones Espasa-Calpe, 1973).
·Obras Completas
Madrid, Biblioteca de Autores Cristianos, 1946, em dois tomos.
Donzelot, Jacques, L’Invention du Social. Essai sur le Déclin des Passions Politiques, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1984.
 
Dooge, Comissão 1984No Conselho Europeu de Fontainebleau, vem falar-se na necessidade de um salto qualitativo no processo da integração europeia, através da criação entre os Estados europeus de uma entidade política verdadeira, isto é, uma União Europeia, adoptando-se uma série de medidas simbólicas sobre a Europa dos Cidadãos, nomeadamente pela criação de um passaporte europeu e pela supressão dos controlos fronteiriços.Dando-se cumprimento às decisões do Conselho de Fontainebleau, no segundo semestre de 1984, durante a presidência irlandesa, é constituída a comissão sobre assuntos institucionais, sob a presidência do senador J. Dooge, antigo ministro dos estrangeiros da Irlanda, com vários antigos membros do governo europeus e aktos funcionários, entre os quais, pela França, Maurice Faure, que havia sido um dos negociadores do Tratado de Roma, a quem coube a elaboração do relatório que esteve na base dos trabalhos do comité.O comité tinha como missão fazer sugestões para mehorar o funcionamento da cooperação europeia, no domínio comunitário e no da cooperação política ou outro, uma fórmula vaga que nem sequer fazia refrência a propostas anteriores.Este relatório falava na necessidade de se dar um salto qualitativo e de criar entre os Estados europeus uma entidade política verdadeira, isto é, uma União europeia, definindo os respectivos objectivos: estabelecimento de um espaço económico interior homogéneo, acabamento do mercado interior, Comunidade tecnológica, reforço do SME, mobilização dos recursos necessários, promoção dos valores comuns de civilização (protecção do ambiente, criação de um espaço social europeu e de um espaço jurídico homogéneo, promoção dos valores culturais comuns), procura de uma identidade através de uma política exterior comum (criação de um secretariado permanente da Cooperação política, obrigação para os Estados membros de consulta prévia, opinião maioritária para a adopção de posições comuns, extensão da Cooperação política aos problemas da segurança).Para a obtenção destes objectivos, são propostas uma série de reformas institucionais: prática do voto maioritário no Conselho de ministros - salvo em certos casos excepcionais - a presdência devendo recorrer ao sistema de votação se a Comissão ou três Estados membros o solicitarem (este ponto foi objecto de vivas discussões, a regara da unanimidade quando um Estado membro considerar que interesses nacionais muito importantes estiverem em causa, sendo defendida esta posição por ingleses, dinamarqueses e gregos), reforço da autonomia da Comissão (investidura pelo Parlamento europeu, com base num programa) e do seu papel como executivo, aumento do papel do Parlamaneto ( codecisão com o Conselho nos sectores legislativo e orçamental, reforço do controlo do Parlamento sobre as diversas políticas da União).Neste sentido, o comité preconizava a convocação de uma conferência dos representantes dos governos que negociaria um projecto de tratdo da União europeia, na base do adquirido comunitário, do presente documento, da declaração solene de Estugarda sobre a União europeia e inspirando-se no espírito e no método do projecto de tratado votado pelo Parlamento europeu.
 
Doren, C. van, The Idea of Progres, Nova York, Praeger Press, 1967.
 
Doriot, Jacques (1898-1945) Antigo militante comunista. Deputado do PCF desde 1924 e maire de Saint-Denis. Chega a candidatar-se a secretário-geral do partido, sendo derrotado por Maurice Thorez, o preferido de Estaline. Fundador do Parti Populaire Français, em 1934, onde colabora Bertrand de Jouvenel. Em vez da luta de classes, passa a defender a colaboração entre o capital e o trabalho e a solidariedade. Colaboracionista, chega a participar na invasão da Rússia. Dirige o jornal colaboracionista Le Cri du Peuple. Funda a LVF (Liga dos Voluntários Franceses Contra o Bolchevismo) e chega a combater na Segunda Grande Guerra usando uniforme alemão.
·Refaire la France
Paris, Grasset, 1938.
 
}Brunet, Jean-Paul. Jacques Doriot, Paris, Balland, 1986.
 
D’Ors, Alvaro Professor de direito romano em Navarra. Filho de Eugenio d’Ors. Mestre do Professor Sebastião Cruz, restaurador da tradição romanística portuguesa a partir da década de sessenta. É um dos mais originais representantes da doutrina casuística do direito deste século, chegando mesmo a proclamar que direito é o que aprovam os juízes, é aquele acto de violência privada que a sociedade, através dos seus juízes, reconhece como ordenado e ajustado às circunstâncias, dado caber a estes magistrados a função de declarar o direito num caso concreto, isto é de ius-dicare. salienta que a própria função judicial pode ser idealmente assumida fora de um processo judicial, pelo próprio juiz ou pelo soberano ou por um qualquer particular, porque pode haver, além de um direito real, um direito projectado, hipotético, anelado, ideal, sobrenatural, etc.. O direito é, assim, uma manifestação, mais da auctoritas, do que da potestas. Trata-se de uma posição que se aproxima tanto da actual concepção anglo-saxónica de fontes do direito, como do modelo casuístico romano. Posições que se irmanam em fórmulas de carácter quase aristocrático, dado que, para as mesmas, o direito, em vez de estar em prévias normas formais, repousa, sobretudo, na decisão dos casos concretos.
Una Introducción al Estudio del Derecho
Valparaiso, EUV, 2ª ed., 1976.
Derecho y Sentido Común. Siete Lecciones de Derecho Natural como Limite del Derecho Positivo
Madrid, Civitas, 1995
 
 
 
 
Dostoievski, Fiodor 1821-1881 Romancista russo. Tal como Fichte, passa de um anticzarismo libertário a um messianismo nacionalista, anti-católico, anti-judaico e anti-socialista, que acaba por servir de inspiração doutrinária para o situacionismo dos Romanov.
 
Em 1849, quando estava detido na Fortaleza de S. Pedro e S. Paulo, na sequência de uma condenação à morte, chegou até a ser alvo de um torturante simulacro de fuzilamento. Contudo, a pena foi-lhe comutada, sendo deportado para a Sibéria donde regressa em 1859, publicando em 1866 o célebre romance Crime e Castigo.
 
Panteísmo
Num panteísmo, que tem algumas semelhanças com o pessimismo bem lusitano de Antero e de Pascoaes, considera que é preciso amar a terra até ao fim, até aos extremos das suas margens  até ao céu; é preciso amar o céu até ao fim, até aos extremos limites do céu, até à terra.
Anarquista religioso
Segundo Kohn, Dostoievski foi fundamentalmente um anarquista religioso à cata de um Deus e um pessimista cristão que proclamou um Deus russo e a salvação do mundo através dele, contrariamente a Tolstoi, considerado um optimista humanitário que acreditou num Cristo racionalista e universal.
 
A procura da alma russa
Pelo menos, deixou um conselho indispensável para todos os que tentam penetrar na alma russa: não julgueis o nosso povo pelo que ele é, mas pelo que ele quereria ser. Em 1881 dizia que, contrariamente aos europeus, os russos seriam arianos, criticando os turcos e os judeus por se terem aproximado dos ocidentais. Assim, defendia a conquista do Turquestão para se continuar a estender sobre a Ásia o império russo, mesmo até à Índia, para que cresça a convicção da invencibilidade do czar branco. Já antes, em 1877, apoiava epicamente o esforço de guerra contra a Turquia, denunciando a gigantesca conspiração do catolicismo romano e a conjura universal clerical que apoiava os turcos contra os russos. Como uma das suas criaturas literárias dizia, o povo é o corpo de Deus. Um povo só existe quando possui o seu próprio Deus.
 
Era assim que se expressava Chatov em Os Possessos. Mais dizia : um povo só é povo enquanto tiver o seu deus especial e próprio e repudiar todos os outros deuses do mundo forte e cruelmente, enquanto acreditar que só com o seu deus pode vencer e todos os outros deuses derrotar [. . . ] Se um grande povo não acreditar que só nele está a verdade, se não acreditar que sozinho é chamado e capaz de despertar todos os outros povos e salvá-los com a sua verdade, então transforma-se imediatamente em material etnográfico, mas não num grande povo [. . . ] Mas como só existe uma verdade, um só único povo pode ter o único deus verdadeiro
 
Tragédia
Voltando à comparação entre Dostoievski e Tolstoi, já Berdiaev salienta que se no primeiro há tragédia, no segundo surge a epopeia. Se Dostoievski está na história, em virtude do dinamismo e do profetismo que o envolveram, já Tolstoi se situa no cosmos, dado considerar que a vida humana é absorvida pelo ciclo imenso da vida. Dostoievski seria um turbilhão [...] um conservador, de uma espécie particular, todo ele penetrado de revolução, mas, apesar de tudo conservador. Assim, a posição de Dostoievski relativamente ao Ocidente é contraditória, ama-o, mas, ao mesmo tempo odeia-o , dado haver nele uma contradição entre a ideia de uma missão universal que considerava investida no povo russo e as suas antipatias nacionais muito pronunciadas.
Doublet, Y.-M., Le Financement de la Vie Politique, Paris, Presses Universitaires de France, 1990.
 
Douglas, Mary, How Institutions Think, Syracuse, Syracuse University Press, 1986.
 
Douhet, Giulio (1869-1930) General italiano. Estrategista, teoriza o poder aéreo antes da Grande Guerra de 1914-1918. Autor de Il Dominio dell’Aria, de 1921. Acentua, sobretudo, o papael do bombardeamento estratégico, desvalorizando o combate aéreo. Considera fundamental a escolha de objectivos civis, em prejuízo de objectivos militares, porque o bombardeamento de cidades e centros industriais conduz à desmoralização do adversário. O modelo influencia a estratégia francesa e britânica.
 
Doutrina o lat. doctrina, derivada de docere, ensinar, donde, aliás, também vem doutor. Começou assim por significar um conjunto coerente de ideias destinadas a ser transmitidas pelo ensino. Evolui para um conjunto de preceitos, isto é, de regras, princípios, processos e métodos, que servem de fundamento para um sistema destinado a orientar a acção. Segundo Adérito Sedas Nunes, é um pensamento cientificamente fundamentado, embora não exclusivamente científico, que, inspirando-se num sistema de valores, interpreta-o num determinado contexto histórico e prolonga-o para a acção. Para Alain, as doutinas são teses opostas, onde cada uma delas procura definir a opositora. Porque são opostas, não são diferentes e as duas em conjunto acabam por ter uma espécie de razão. Por nós, diremos que as doutrinas opostas quase equivalem à ideia de irmãos-inimigos. Com efeito, as doutrinas que se definem como o contra ou o anti, ao procurarem rebater o adversário pelos fundamentos, acabam por não sair do campo do adversário. Assim aconteceu com o chamado pensamento contra-revolucionário e com o anti-marxismo, para onde, aliás, se mobilizaram muitos antigos revolucionários e muitos anteriores marxistas, de convertidos a arrependidos, que acabaram por utilizar a metodologia das anteriores posições. Muitos anticomunistas mantiveram as bases darwinistas e cientificistas. Do mesmo modo, alguns contra-revolucionários mantiveram a postura positivista.
 
Doutrina em acção Para Oliveira Salazar o Estado é uma doutrina em acção. Na altura considerava também, sobre o regime, somos uma força, temos uma doutrina
 
Doutrinação Segundo Lasswell e Kaplan, corresponde à justificação das estruturas políticas existentes ou propostas (Poder e Sociedade, p. 16)
 
Doutrinários Doctrinaires Nome dado aos liberais moderados franceses da época da Restauração, defensores da filosofia da Carta em nome de uma aliança entre o poder legítimo e as liberdades nacionais. O principal representatnte deste liberalismo legitimista é Royer-Collard. A expressão foi consagrada por Sainte-Beuve. Invocam o rigor e a razão, sendo bastante abstractos. Se alguns os acusam de insolência, eis que conseguem fazer um acordo entre a monarquia e a pós-revolução.
 
Doutrina –Procedimento dedutivo
 
 
 
Downs, Anthony
 ·An Economic Theory of Democracy, Nova York, Harper & Row, 1957.ìEconomic (An).
·Inside Bureaucracy, Boston, Little, Brown & Co., 1967.
 
Dowse, Robert E., Hughes, John A., Political Sociology, Londres, John Wiley & Sons, 1972 [trad. cast. Sociología Política, Madrid, Alianza Universidad, 1975].